LIGA DOS COMBATENTES NÚCLEO DISTRITAL DE VIANA DO CASTELO DISCURSO EVOCATIVO DO 95º ANIVERSÁRIO DO ARMISTÍCIO DA 1ª GUERRA MUNDIAL, O 90º ANIVERSÁRIO DA FUNDAÇÃO DA LIGA DOS COMBATENTES E O 39º ANIVERSÁRIO DO FIM DA GUERRA DO ULTRAMAR Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Engº José Maria Costa Todos nós sabemos, Senhor Presidente da atenção que nos dedica, e do particular interesse que coloca, em tudo, quanto a nós diz respeito. O Núcleo desta cidade da Liga dos Combatentes está muito grato, por se ter dignado presidir a esta cerimónia - facto que em si, inequivocamente demonstra, o seu apoio à missão que nos está cometida. Muito obrigado, Sr Presidente. Exmo Senhor Presidente do Núcleo Distrital de Viana do Castelo da Liga dos Combatentes, Joaquim da Rocha Martins Constantemente dá valor ao ideal que nos anima, para bem fazermos e melhor servimos. Bem haja
Pag 2 Exma Senhora Alferes Sónia Machado, do Comando Territorial da Guarda Nacional Republicana de Viana do Castelo Exma Senhora Chefe da Polícia Laura Silva, do Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública de Viana do Castelo Exmo Senhor Sargento-Mor Rodrigues Padúa, da Capitania do Porto de Viana do Castelo A Direcção deste Núcleo de Viana do Castelo, da Liga dos Combatentes, agradece penhorada, a gentileza que houveram connosco, ao dignarem-se estar presentes nestas comemorações, vindo partilhar este momento evocativo. Bem hajam Exmo Senhor Coronel Carlos Anselmo de Oliveira Soares, do Núcleo Distrital de Monção da Liga dos Combatentes Exmo Senhor Mário Peixoto, da Associação de Comandos do Distrito de Viana do Castelo Exmo Senhor Manuel Pinto Oliveira, da Associação de Páraquedistas de Viana do Castelo Ilustres Convidadas e Convidados Caros Combatentes A todos, as nossas melhores saudações e os sinceros agradecimentos, por enobrecerem, com a vossa presença, este acto solene comemorativo. Gratos ficamos Desde a sua fundação, que o Núcleo da Liga dos Combatentes do Distrito de Viana do Castelo, vem assinalando neste local, o dia 11 de Novembro data do aniversário do Armistício de 1918 como corolário da aceitação pelas tropas Germânicas, do acordo proposto pelos Aliados, para por termo, à Primeira Guerra Mundial.
Pag 3 Na Primeira Guerra Mundial, Portugal iniciou o esforço colectivo de guerra, primeiramente, em Agosto de 1914, com expedições para África, em defesa das fronteiras das antigas províncias ultramarinas de Angola e Moçambique, ameaçadas pelas tropas Alemãs. A defesa dos territórios ultramarinos era uma prioridade nacional, assumida pelas várias sensibilidades políticas, e, os militares deram mostras, de grande bravura e valentia. Perante o alastramento da guerra na Europa, e, com a detenção de navios Germânicos na nossa costa, fez com que a Alemanha retaliasse, ao declarar-nos guerra. Em Março de 1917, num ambiente de fortes divisões e contestações civis e militares, é enviado o Corpo Expedicionário Português, para o teatro de guerra europeu, concretamente, em direcção à Flandres. A então, designada 2.ª Divisão do Corpo Expedicionário Português, constituída por cerca de 20 mil homens, aprontada em tempo limite no Centro de Instrução de Tancos, na Batalha de La Lys, em 9 de Abril de 1918, não resistiu a uma força alemã 5 vezes superior. Naquela fria e lamacenta frente europeia, o Corpo Expedicionário foi destroçado, e, Portugal acabou por perder em combate, cerca de 7.500 bravos militares, entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros. Volvidos, cem anos, do início da 1ª Guerra Mundial, não há sobreviventes do Corpo Expedicionário Português enviado para Flandres, nem das forças que, no mesmo conflito, lutaram nas antigas províncias ultramarinas de Angola e Moçambique. Pretendemos, hoje homenagear e recordar aqueles combatentes portugueses que, nas fileiras dos Aliados, contribuíram como símbolo maior da nossa participação, para a salvaguarda da paz no Continente Europeu.
Pag 4 Ao celebrarmos mais um aniversário desta heróica data, estamos a manifestar, a nossa simpatia e solidariedade, e a fazer justiça a todos aqueles gloriosos, conhecidos e anónimos, portugueses e outros, que não hesitaram, em dar a própria vida em defesa da Pátria e dos elevados valores da amizade e solidariedade entre os povos. Depois deste 1º conflito à escala mundial, as campanhas expedicionárias de Portugal foram interrompidas durante quatro décadas. Somente, a partir dos anos 60, os Portugueses foram chamados para outras situações de guerra, entre 1961 e 1974, nas antigas províncias ultramarinas, de Angola, Guiné e Moçambique. A Guerra do então Ultramar, de 1961 a 1974, mobilizou filhos, irmãos, maridos e pais, no total de cerca de um milhão. Como todas as guerras, provocaram morte, destruição e muito sofrimento. Quase 9.000 perderam a vida, há ainda, um enorme número de combatentes vivos, a merecer reconhecimento por terem dado tudo o que tinham, contam-se 14.000 a sofrer com deficiências físicas permanentes, e, também, umas largas dezenas de neuróticos de guerra. A Guerra do Ultramar, foi evidentemente a que mais marcou as gerações das últimas décadas. Lutaram, por uma causa que lhes disseram ser justa, chamados para uma luta, mais tarde reconhecida de inglória, cumpriram os seus deveres, e executaram as suas missões: por obrigação moral, por crença, por imposição, por desempenho profissional, por amor à Pátria ou por perspectiva política. Só cada um, em sua consciência, conhece as verdadeiras razões, porque consumiu uma parte da sua vida, no meio do capim, ou, no mar, rios e lagos, ou no espaço aéreo africanos, para manter, pela força das armas, a nossa presença, naqueles territórios.
Pag 5 Acima de tudo, há sempre uma ligação imperceptível, afectiva ou moral, ligada à Nação, e, é sempre em nome da Pátria, que o soldado combate, oferecendo a sua vida a troco de nada. Neste espaço de continuidade geracional, estas comemorações passaram, também a ser extensivas, a homenagear todos os combatentes, que morreram ao serviço da Pátria, na última Campanha Ultramarina da História de Portugal. Foi um exemplo marcante, da afirmação e coragem dum povo, que, ao longo da sua quase milenar história, esteve empenhadamente presente, nos momentos decisivos do nosso país, lutando pela afirmação soberana da Pátria, com heroísmo e abnegação. As últimas duas décadas, foram marcadas por um significativo investimento nacional, em prol da ajuda humanitária e da paz internacional, tendo Portugal encetado um processo de relações de parceria, com os nossos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e da União Europeia, e, em missões organizadas sob a égide das Nações Unidas. Novos sacrifícios foram feitos, vidas foram interrompidas, carreiras e famílias suspensas. A participação nacional já mobilizou mais de 30 mil portugueses e portuguesas, em cerca de 30 Teatros de Operações. É, nas Forças Armadas e nas Forças de Segurança que o impacto desse empenhamento é mais visível. A participação de militares e de elementos policiais nacionais, em missões de paz produziu efeitos importantes praticamente em todos os domínios da organização e da actividade daquelas instituições. Desde 1992, ano em que se verificou a primeira vítima mortal fruto da participação numa operação de carácter humanitário em Angola e S. Tomé e Príncipe, as Forças Armadas Portuguesas já registaram dezena e meia de (16) vítimas mortais e a Guarda Nacional Republicana, 3.
Pag 6 Estas missões, indutoras dos desígnios pátrios, levou a que hoje, também fossem recordados, os que com tanta lealdade e coragem perderam a vida, ao serviço nas Forças Armadas Portuguesas em outras missões de defesa, de segurança, de soberania, humanitárias e de paz ou de cooperação. Por todas estes motivos, aqui nos reunimos, não só, os que fomos combatentes no ex-ultramar, e, os que mais recentemente serviram em missões humanitárias e de paz no estrangeiro, mas também, todos aqueles que, amantes da nossa História, e, envolvidos na construção de um futuro mais próspero para a sociedade portuguesa, querem ser participantes activos nesta homenagem. Estas comemorações pretendem ser, portanto, um momento de reflexão para as novas e futuras gerações, pois ele dá fé da generosidade e espírito arrojado da nossa juventude de então, de um elevado amor à Pátria e, também, imortalizando a sua heroicidade, através do seu comprometimento, para com os valores mais nobres das missões de portugalidade. Ser combatente continua a pressupor uma ligação indubitável à nação, nos seus desígnios pátrios de defesa e segurança, prosperidade e bem-estar, uma atitude regida pelo desapego pessoal, cultivando em elevado grau o patriotismo, os valores e os princípios nacionais, pilares sobre os quais subjaz a sua condição de servidor da Pátria.
Pag 7 A terminar recordemos um escrito de um combatente da Companhia de Caçadores 1496, que serviu na Guiné, podendo ser extensivo aos que serviram em Angola e Moçambique: Durante dois anos, lado a lado, dormimos em buracos escavados à pressa, abrigámo-nos à sombra das árvores esguias e altas, bebemos a chuva escorrida entre as folhas, o nosso sangue foi sugado pelos mosquitos, o nosso suor e algumas vezes, as nossas lágrimas ajudaram a molhar a terra ressequida Andámos dezenas, e dezenas de quilómetros em picadas, ou abrindo clareiras na mata espessa com o nosso próprio corpo, falámos com as pessoas e entendemo-las num português incipiente, com ajuda de meia dúzia de expressões na língua local, e até através da linguagem universal do gesto, pegámos ao colo tantas crianças, ajudámos a matar a fome de tantos homens e mulheres Mas também matámos Mas também morremos A este escrito, nós, aqui com certeza que podemos acrescentar, mas também se criaram laços de camaradagem e de entreajuda que perduram até aos dias de hoje. Liga dos Combatentes Valores Permanentes! Liga dos Combatentes Em Todas as Frentes! Viana do Castelo, 09 de Novembro de 2013