UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

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Transcrição:

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS Programa de Pós-Graduação em Parasitologia Dissertação DIGENEA E ANISAKIDAE EM Rhamdia quelen (QUOY &GAIMARD, 1824) (JUNDIÁ), COMERCIALIZADOS NA CIDADE DE PELOTAS, RS Joziani Scaglioni Dias Pelotas, 2008

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2 Joziani Scaglioni Dias DIGENEA E ANISAKIDAE EM Rhamdia quelen (QUOY &GAIMARD, 1824) JUNDIÁ, COMERCIALIZADOS NA CIDADE DE PELOTAS, RS Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Parasitologia da Universidade Federal de Pelotas, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciências (Área de conhecimento: Parasitologia). Orientador: Prof. Dr. Joaber Pereira Jr. Co-orientadora: Profª. Drª. Maria Elisabeth Aires Berne Pelotas, 2008

3 Banca examinadora: Prof. Dr. Joaber Pereira Jr. Orientador e Presidente da Comissão Profª. Drª. Gertrud Müller Antunes Membro da Comissão Prof. Dr. Marcos Marreiro Villela Membro da Comissão Profª. Drª. Carla Amorim Neves Gonçalves Membro da Comissão

Dedico com muito amor a eles que foram meus primeiros mestres: Meus pais João Pettit Dias e Angelina Scaglioni Dias 4

5 Agradecimentos Primeiramente agradeço a Deus pela vida e por todas as bênçãos a mim concedidas. Agradeço aos meus pais, João e Angelina por serem meus mestres maiores, pelo exemplo de luta e por estarem sempre ao meu lado apoiando, incentivando e principalmente compreendendo os momentos de ausência e angústia. A eles: Muito obrigada! A minha família, especialmente aos meus irmãos Lucas e Luciana, ao cunhado Flávio e sobrinhos Guilherme, Gustavo e Juliana, por compreenderem minha ausência neste tempo: Senti saudade sempre! Àquela pessoa amiga, companheira, que esteve sempre perto, que sorriu nos momentos alegres, consolou nos momentos de angústia, enfim, que cuidou de mim quando mais precisei: Meu noivo Luiz, muito obrigada por fazer parte da minha vida! A minha tia Eny pela preocupação sempre dedicada e pelo incentivo. Aos colegas e amigos do Laboratório de Parasitologia, especialmente a Michele, Alice, Tiago, Hugo e Luciana, pelo carinho, pela companhia agradável e por serem amigos tão especiais. Às amigas Anelise e Ana Paula pelo incentivo e palavras de carinho sempre. A amiga Neila pelo material emprestado e por ter despertado em mim o interesse em trabalhar com peixes. A Laboratorista e amiga Antonieta pela grandiosa ajuda no preparo do material, sem seu apoio seria muito difícil! A querida Dona Vera por ser tão prestativa e amiga. Já sinto saudade, a Srª faz falta! Aos professores do Programa de Pós-Graduação em Parasitologia da UFPel pela conhecimento transmitido. A ela que é um exemplo de dedicação, dona de um coração que mal cabe dentro de si: Professora Maria Elisabeth Berne, obrigada pela ajuda incondicional,

6 por dividir comigo todos os momentos de angústia, incertezas e até mesmo medo por todas as dificuldades que enfrentamos, mas que juntas conseguimos contornálas. Muito obrigada, por tudo que me ensinastes! Ao Professor Dr. Joaber Pereira Jr. pela orientação e ajuda indispensável. Por dividir comigo parte do seu grandioso conhecimento, pela confiança depositada quando aceitou fazer parte deste trabalho e também por compreender minhas dificuldades. Muito Obrigada! A todos que de alguma forma contribuíram para realização deste trabalho e que aqui não foram citados. Deixo aqui registrado que certamente valeu a pena todo esforço, todos os momentos dedicados, toda lágrima derramada e toda felicidade compartilhada!

7 RESUMO Rhamdia quelen é um peixe bentônico de água doce. Apresenta alimentação variada, tendendo ao carnivorismo e sua distribuição vai do Sudeste do México ao Sul da Argentina. Por ser adaptado a diferentes ambientes apresenta bons resultados em viveiros de piscicultura, com excelente aceitação no mercado consumidor. O objetivo deste estudo foi identificar parasitos digenéticos e Nematoda em R. quelen, comercializados em Pelotas, Rio Grande do Sul. Foram necropsiados cinqüenta espécimes adquiridos em peixarias, utilizando técnicas específicas para coleta e identificação de parasitos. A prevalência do parasitismo por Digenea foi de 50% dos peixes analisados, sendo Clinostomum complanatum o mais prevalente (40%), seguido de Tylodelphys cf. destructor (10%), Acanthostomum sp. (8%) e Genarchella sp. (4%). A parasitose por Digenea foi maior na musculatura, seguido de gônadas e coração. Quanto ao parasitismo por nematoda foram registradas larvas de Contracaecum sp. em 24% dos peixes examinados e Hysterothylacium sp. em 22%. A abundância e intensidade média foram 0,78 e 3,25 para Contracaecum sp. e 0,54 e 2,45 para Hysterothylacium sp. Os órgãos mais parasitados por Nematoda foram o intestino seguido do estômago. A presença de parasitos com potencial zoonótico, em R. quelen alerta para os riscos da ingestão de peixes crus ou mal cozidos pela população da região em estudo. Palavra-chave: Digenea, Nematoda, Rhamdia, prevalência

8 ABSTRACT The Rhamdia quelen is a bentonic fish which lives in fresh water environment. This specie presents a wide range of feeding behavior, tending to carnivourism their distribution goes to the southwest of Mexico to the south of Argentina. Their capacity of adaptation to a different environments results in a good results in aquaculture livestock, with an excellent acceptation in consumer market. The aim of this study was identify digenetic and Nematoda parasites in R. quelen, commercialized in Pelotas, Rio Grande do Sul, Brazil. Fifty specimens acquired in fishing stores were necropsied, using specific techniques to collect and identification of the parasites. In the analyzed fish the prevalence of parasitism for Digenea was 50%, where the Clinostomum complanatum was most prevalent (40%), followed by Tylodelphys cf. destructor (10%), Acanthostomum sp. (8%) and Genarchella sp. (4%). The Digenea parasitosis was superior in the musculature, followed by the gonodal tissue and heart. Concerning the Nematoda parasitism the larval stage was recorded for Contracaecum sp. and Hysterothylacium sp., 24% and 22%, respectively in the analyzed fishes. The abundance and mean intensity were 0.78 and 3.25 for Contracaecum sp and 0.54 and 2.45 for Hysterothylacium sp. The most parasited organs by Nematoda where, the intestine followed by the stomach. The presence of parasites which presents zoonotic potential in R. quelen alerts for the risks of raw and inadequately cooked fishes by the population of the study region. Key Words: Digenea, Nematoda, Rhamdia, prevalence

9 LISTA DE FIGURAS Artigo 1 FIGURA 01 Cistos de metacercárias de Clinostomum complanatum na região da cauda de Rhamdia quelen, proveniente da região Sul do Rio Grande do Sul...47 FIGURA 02 Metacercária desencistada de Clinostomum complanatum em Rhamdia quelen proveniente da região Sul do Rio Grande do Sul....47 FIGURA 03 Metacercária de Tylodelphys cf. destructor em Rhamdia quelen, proveniente da região Sul do Rio Grande do Sul...48 FIGURA 04 Genarchella sp. de Rhamdia quelen, proveniente da região Sul do Rio Grande do Sul...48 FIGURA 05 Acanthostomum sp. de Rhamdia quelen, proveniente da região Sul do Rio Grande do Sul...49 Artigo 2 FIGURA 01 Região anterior de larva de Contracaecum sp. de Rhamdia quelen provenientes da região Sul do Rio Grande do Sul....68 FIGURA 02 Região posterior de larva de Contracaecum sp. de Rhamdia quelen provenientes da região Sul do Rio Grande do Sul...68 FIGURA 03 Região anterior de Hysterothylacium sp. de Rhamdia quelen provenientes da região Sul do Rio Grande do Sul...69 FIGURA 04 Região posterior de Hysterothylacium sp.(macho) de Rhamdia quelen provenientes da região Sul do Rio Grande do Sul...69

10 LISTA DE TABELAS Artigo 1 TABELA 1 Índices parasitológicos de Digenea em Rhamdia quelen provenientes dos mercados da Cidade de Pelotas, RS...36 TABELA 2 Densidades relativas de Digenea coletados e intensidade média por local de infecção em Rhamdia quelen provenientes dos mercados da Cidade de Pelotas, RS...36 Artigo 2 TABELA 1 Índices parasitológicos de Anisakidae em Rhamdia quelen provenientes dos mercados da Cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul....59 TABELA 2 Densidades relativas de Nematoda e intensidade média por local de infecção, em Rhamdia quelen provenientes dos mercados da Cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul....59

11 SUMÁRIO Introdução Geral... 12 1- Características do hospedeiro... 12 2- Diversidade parasitária em peixes de água doce... 14 3- Parasitos com potencial zoonótico... 16 4- Referências... 19 Artigo 1 Digenea em Rhamdia quelen (jundiá) comercializados na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul... 27 Introdução... 30 Materiais e Métodos... 32 Resultados... 32 Discussão... 36 Conclusão... 40 Referências Bibliográficas... 41 Artigo 2 Nematódeos em Rhamdia quelen (Jundiá) comercializados na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul... 51 Introdução... 54 Materiais e Métodos... 56 Resultados... 57 Discussão... 60 Conclusão... 62 Referências Bibliográficas... 63 Anexo... 71

12 INTRODUÇÃO GERAL 1- Características do hospedeiro Espécies de Rhamdia Quoy & Goimard, 1824 (Siluriformes) têm distribuição neotropical e ocorrem desde sudeste do México ao centro da Argentina SILFVERGRIP, 1996. Treze espécies são aceitas para Rhamdia, sendo que duas dessas foram recentemente descritas: R. laluchencis, por WEBER et al. (2003), para Chiapas, México, e R. enfurnada, por BICHUETTE & TRAJANO (2005), no estado da Bahia, ambas cavernícolas. No Brasil, Rhamdia quelen é encontrada em vários estados como Amazonas (THATCHER, 1981), Goiás (GARRO & FIALHO, 1997), Rio de Janeiro (BIZERRIL & ARAÚJO, 1993), São Paulo (NARAHARA et al. 1985), Paraná (LUIZ et al.1998) e Rio Grande do Sul (BOCKMANN & GUAZZELLI, 2003). No Rio Grande do Sul, GUEDES (1980), reporta três espécies de Rhamdia, para a região central do estado, R. quelen, R. sapo e Rhamdia sp. GODOY (1987) afirma que R. quelen e R. sapo são as espécies mais freqüentes e muito utilizadas em piscicultura no estado. Porém, BOCKMANN & GUAZZELLI (2003) consideram estas duas espécies como sinônimas. Popularmente conhecido no Brasil como: jundiá-tinga, mandi e sapipoca. No Rio Grande do Sul, estas espécies são conhecidas por jundiá e na Argentina por bagre negro, bagre sapo e bagre sulamericano (SILFVERGRIP, 1996). As espécies de Rhamdia apresentam o corpo revestido de pele e coloração variando de cinza-esverdeado a escuro no dorso e esbranquiçado no ventre. Não possui dentes e ao redor da boca três pares de barbilhões sensitivos são observados (STINGELIN et al. 1998). Pode alcançar 50 cm de comprimento e atingir o peso de 3 kg (WEIS, 1983). Com hábito noturno e comportamento bentônico, preferem locais calmos e profundos dos rios. O comportamento reprodutivo das espécies de Rhamdia assemelha-se ao de muitas espécies de água doce, são ovulíparos e não apresentam cuidado parental (GOMES et al. 2000). Para desova, procuram lugares de água limpa, rasa, pouco corrente e fundo pedregoso. Os ovos são demersais e não aderentes e há um bom sincronismo entre machos e fêmeas na hora da desova, que ocorre ao amanhecer (GODINHO et al. 1978). A maturidade sexual é alcançada

13 no primeiro ano de vida nos dois sexos, sendo que nos machos de Rhamdia hilarii este processo inicia-se com 13,4 cm e nas fêmeas com 16,5 cm. Após atingirem o comprimento de 16,5 e 17,5 cm, machos e fêmeas, respectivamente, estão aptos à reprodução cujo período observado em São Paulo, vai de setembro a fevereiro, coincidindo com o aumento da temperatura da água, precipitação pluviométrica e do nível do rio (NARAHARA et al. 1985; 1988). O desenvolvimento embrionário de Rhamdia spp. é influenciado por fatores ambientais. A variação de ph suportada por alevinos é de 4,0 a 8,5 sendo que o melhor crescimento das larvas de R. quelen foi observado na faixa de ph de 8,0 a 8,5 (LOPES, 1998, apud GOMES et al. 2000). Conforme GOMES (2000), Rhamdia spp podem ser consideradas euritérmicas, pois os alevinos aclimatados a 31 ºC suportam temperaturas de 15 a 34 ºC. O desenvolvimento ocorre em diferentes ambientes e possui hábito alimentar onívoro, sendo que os organismos encontrados no conteúdo gastrointestinal de R. quelen não são restritos aos bentos, indicando que essa espécie é generalista com relação à escolha de alimento (GUEDES, 1980). Por serem peixes adaptados a diferentes ambientes, espécies de Rhamdia vêm apresentando bons resultados em viveiros de piscicultura, com excelente aceitação no mercado consumidor, tanto para pesca esportiva, quanto para alimentação direta. Além disto, têm excelentes características para fins de processamento (GUEDES, 1980). Por isso, oferecem uma boa alternativa ao fortalecimento da piscicultura, uma vez que suas principais características são: rápido crescimento, boa fecundidade, com potencial a criação em cativeiro e fácil manejo reprodutivo (GUEDES, 1980; CARDOSO, et al. 1999). Na região Sul do Brasil, R. quelen tem despertado grande interesse para a piscicultura por seu crescimento acelerado, inclusive nos meses mais frios, devido sua rusticidade, característica comum da espécie (CARNEIRO et al. 2002).

14 2- Diversidade parasitária em peixes de água doce Na atividade da piscicultura, para a avaliação da importância de uma parasitose, três aspectos devem ser considerados: a) se o parasito causa manifestações clínicas severas, capaz de causar prejuízos ou morte do hospedeiro; b) se causa prejuízo estético, dificultando a venda do peixe ou, c) se pode causar uma zoonose (THATCHER, 1981). Segundo EIRAS (1994), um grande número de parasitos pode causar mortalidade apreciável nas espécies cultivadas, sendo difícil o tratamento em alguns casos. Os parasitos podem estar envolvidos na transmissão de bactérias e/ou vírus responsáveis por patologias na piscicultura. Outra conseqüência do parasitismo por metazoários é a redução nas taxas de assimilação e crescimento dos hospedeiros, podendo provocar diminuição do valor comercial do peixe ou limitar a exploração de algumas espécies. Diferentes grupos de parasitos têm sido registrados para espécies de Rhamdia no Brasil e em outros países. Entre os parasitos encontrados, Digenea alberga a maior diversidade e neste grupo são citados: Acathostomum gnerii, na Argentina (LUNASCHI, 1986), metacerárias de Diplostomum (Austrodiplosmum) compactum, Clinostomum marginatum e C. heluans em Minas Gerais (MOREIRA 2000) para R. quelen. No Rio Grande do Sul estudo realizado por BRANDÃO (1977) em R. sapo, foram reportadas Genarchella genarchella, Genarchella dubia e Acanthostomum gnerii. Ainda neste Estado, MORAIS (2005) relatou metacercárias de C. complanatum, Tylodelphis destructor, Genarchella sp. e Acanthostomum sp. para R. quelen. Dentre os Digenea, Clinostomum têm distribuição mundial, parasitando ampla gama de hospedeiros, sem especificidade e de difícil controle em cultivos (DIAS et al. 2003) e suas metacercárias provocam patologias, modificações no comportamento, morte, e conseqüente perda econômica (EIRAS, 1994). Além disso, a presença das metacercárias dificulta a natação e a busca por alimentos, podendo matar peixes pequenos quando em elevadas intensidades de infecção (MITCHELL, 1995). Nematoda parasitos também vêm sendo objeto de vários estudos em peixes de água doce. Conforme EIRAS & REGO (1998), nematódeos podem causar

15 doenças em seus hospedeiros pela ação espoliativa, tóxica e mecânica, retardando o crescimento e podendo levar a morte. Dentre os nematódeos que parasitam peixes, atenção especial é dada a Anisakidae. Um dos primeiros relatos de parasitos de peixe feito por TRAVASSOS et al. (1928) no Brasil, descreve larvas de Contracaecum sp., em Pimelodella lateristriga. Posteriormente, BUHRNHEIM (1976) registra larvas de Contracecum sp. no mesentério de diversas espécies de peixes provenientes do Rio Mogi-Guassu, SP. Ainda neste Estado, MARTINS et al. (2003) registram larvas de Contracaecum sp. em Cichla ocellaris, Plagioscion squamosissimus e Hoplias malabaricus do Rio Paraná. FABIO (1982) também descreve larvas de Contracaecum sp. no peritônio visceral de Hoplias malabaricus, no estado do Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, KOHN et al. (1989), estudando a fauna parasitária de peixes no Rio Uruguai em Passo Fundo, descrevem larvas de Contracaecum sp. no celoma de Acestrorhamphus macroleps e de R. quelen. Ainda em Anisakidae, as espécies de Hysterothylacium vêm sendo alvo de investigações. Parasitas deste gênero apresentam distribuição cosmopolita, parasitam especialmente peixes marinhos, no entanto, podem ser encontrados em peixes de água doce. Obtém a maturidade sexual no trato digestivo de peixes teleósteos, que são seus hospedeiros definitivos, podendo ser encontrados encapsulados nas vísceras e cavidade peritoneal (BERLAND, 1989). Na Argentina, BRIZZOLA & TANZOLA (1995) descrevem H. rhamdiae no intestino de R. sapo. No Brasil, estudo conduzido por MORAVEC et al. (1993) relata a presença de Hysterothylacium em diferentes famílias de peixes do Rio Paraná. No Rio Grande do Sul, PEREIRA JR. et al. 2004, descrevem pela primeira vez na costa do estado, larvas de Hysterothylacium sp. em Micropogonias furniere, corvina, sendo este o registro de um novo hospedeiro para espécie deste gênero. Investigação da ocorrência de parasitos com potencial zoonótico realizado por TORRES & SOTO (2004), em dez espécies de peixes mais consumidas no Chile, mostrou que cinco espécies são infectadas por larvas de anisakideos de terceiro estágio, como A. simplex, Pseudoterranova decipiens e Hysterothylacium sp. BARROS et al. (2007) investigaram a presença de larvas de nematódeos em Hoplias malabaricus, no estado de Mato Grosso do Sul, e relataram a presença de Contracaecum sp.

16 (Nematoda: Anisakidae) e Eustrongylides sp. (Nematoda: Eustrongylidae), ambos potencialmente causadores de zoonoses, segundo os autores. 3- Parasitos com potencial zoonótico O estudo do parasitismo em peixes de interesse comercial é relevante não somente pelos prejuízos que causa na exploração, mas também pelo potencial zoonótico de muitas espécies. Algumas dessas zoonoses, como Anisakidose, Capilariose e Gnatostomiose, são consideradas emergentes (MC CARTHY & MOORE, 2000). Anisakidose é uma parasitose do trato digestório comum no norte da Europa e no Japão, onde é elevado o consumo de peixes crus. Caracteriza-se pela fixação na mucosa gástrica de larvas de Anisakidae. Anisakis simplex é a espécie de maior interesse, devido sua ampla distribuição e freqüência em pescado de consumo habitual (JUGLARD et al. 1998). A primeira descrição de larvas de Anisakis sp. em pescado, ocorreu no final do século XIX, e na metade do século XX o parasito é confirmado como agente etiológico da anisakidose (RODRICK & CHENQUE, 1989, apud MUR, 2001). UBEIRA et al. (2000), propuseram que o termo anisakiasis seja utilizado específicamente para as infecções por Anisakis sp. e cunharam anisakidosis para infecção por qualquer Anisakidae. No Japão, onde são diagnosticados mais de 1000 casos de anisakidose humana ao ano, são encontradas larvas de anisakideos em mais de 100 espécies de peixes (FERRE, 2001). AUDICANA et al. (2002) além de confirmar que a maioria dos casos de anisakidose humana está no Japão, afirma que neste país chegam a 2000 casos por ano, e são em torno de 50 casos nos EUA e aproximadamente 500 na Europa. Esta incidência dos casos de infecções humanas no Japão é devida à tradicional cozinha, que tem por base pratos como sashimi, sunumono e sushi, todos habitualmente feitos com peixes crus (FERRE, 2001) e se espalha pelo mundo como conseqüência da globalização dos costumes. Até 1998, mais de 33.000 casos de anisakidoses humanas já haviam sido reportadas em 27 diferentes países (UMEHARA et al. 2007). Assim, outras espécies além de A. simplex, devem ser consideradas de importância para a saúde pública. Estudos que utilizaram ferramentas moleculares para identificação desses parasitos mostraram que pacientes diagnosticados para anisakidose no Japão, estavam

17 infectados com três diferentes espécies de Anisakis (UMEHARA et al. 2007). Além deste, outros registros de A. simplex foram feitos na Espanha (ROSALES et al. 1999), na Itália (POUPIGNIONE et al. 2002), na Coreia (NOH et al. 2003), e para Anisakis sp., na França (CHAUVEAU et al. 1999) e Canadá (COUTURE et al. 2003). Outros Anisakidae, como Pseudoterranova decipiens, foram identificados em humanos na Coréia (KOH et al. 1999) e no Chile (MERCADO et al. 2001) e Terranova sp. (Tipo a) na Coréia (LEE et al. 1985). AUDICANA et al. (2002) mostram que os riscos da anisakidose podem envolver desde dores abdominais e vômitos, até reações severas como o choque anafilático e a morte. Alertam ainda que, resíduos de anisakideos mortos junto ao alimento também podem provocar reações severas. AMATO & BARROS (1984) chamam a atenção para o fato da anisakidose humana não ser bem conhecida e, portanto pode ter falsos diagnósticos, como os casos reportados por PAMPIGLIONE et al. (2002). Desta forma, o conhecimento sobre a diversidade de formas Anisakidae e de seus hospedeiros, deve ser preocupação de biólogos, veterinários e médicos. Outra parasitose de interesse relevante é a ocasionada por Clinostomum complanatum, que tem como hospedeiros definitivos aves piscívoras, onde é encontrado parasitando o esôfago. Os peixes e os moluscos desempenham papel de hospedeiros intermediários e apresentam metacercárias encistadas na musculatura e em diversos órgãos (MITCHELL, 1995). A infecção causada por este trematódeo vem sendo associada à laringofaringite parasitária em humanos, cujos principais sintomas são: tosse; laringites agudas; leves anemias; náuseas; disfonias e sufocação, podendo mais raramente, ocasionar a morte (KAMO et al. 1962). O primeiro caso de infecção humana por C. complanatum foi reportada no Japão por YAMASHITA (1938), seguindo-se dois casos registrados em Israel (WITENBERG, 1944), Índia (CAMERON, 1945), e Tailândia (TIEWCHALOERN et al. 1999). Diante disso, percebe-se a necessidade de um maior entendimento dessas parasitoses, que vem causando além de perdas econômicas, uma preocupação com a saúde pública, considerando a globalização de costumes e o fácil acesso a lugares onde estas parasitoses são comuns.

18 O objetivo deste trabalho foi identificar as espécies de Nematoda e Digenea de Rhamdia quelen comercializados na cidade de Pelotas, RS, estimar índices parasitários e identificar parasitos potencialmente causadores de zoonoses.

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26 ARTIGO 1 Digenea em Rhamdia quelen (Jundiá) comercializados na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul*

27 RESUMO A piscicultura vem crescendo e se firmando como atividade econômica, principalmente no Rio Grande do Sul pela abundância e qualidade de suas águas interiores. Rhamdia quelen (jundiá) pelas suas características de rusticidade, fácil manejo e boa adaptação a condições de cativeiro, é uma das principais espécies utilizadas na piscicultura. O objetivo deste estudo foi conhecer os parasitos digenéticos, em R. quelen, comercializados em Pelotas, Rio Grande do Sul. Cinquenta espécimes adquiridos em peixarias da Cidade de Pelotas (RS) foram necropsiados com técnicas específicas para coleta e identificação de parasitos digenéticos. A prevalência da parasitose por Digenea foi de 50% dos peixes analisados, sendo Clinostomum complanatum o mais prevalente (40%), seguido de Tylodelphys cf. destructor (10%), Acanthostomum sp. (8%) e Genarchella sp. (4%). A intensidade média de infecção e abundância foram respectivamente: 28,75 e 11,5 para C. complanatum; 7,04 e 70,4 para Tylodelphys cf. destructor; 1,5 e 18,75 para Acanthostomum sp. e 0,3 e 7,5 para Genarchella sp. A musculatura apresentou-se mais parasitada, seguido das gônadas e coração. A presença de digenéticos com potencial zoonótico alerta para os possíveis riscos da ingestão de peixes crus ou mal cozidos pela população da região em estudo. Palavras chave: digenea, prevalência, Rhamdia. * Manuscrito formatado conforme orientações da Revista Ciência Rural

28 ABSTRACT The aquaculture is increasing and consolidating as an economical activity, especially at Rio Grande do Sul State (Brazil) as a result of the abundance and quality of its interiors waters. The rusticity, easy handling and good adaptation to captivity conditions, are characteristics that made the Rhamdia quelen (jundiá) one of the major species used by regional aquaculture. The aim of this study was identify digenetic parasites of R. quelen, commercialized at Pelotas, Rio Grande do Sul, Brazil. Fifty specimens acquired in fishing market were necropsied, using specific techniques of collecttig and identificate of the digenetics parasites. Prevalence for Digenea parasitism was 50%, and Clinostomum complanatum was most prevalent (40%), followed by Tylodelphys cf. destructor (10%), Acanthostomum sp. (8%) and Genarchella sp. (4%). The mean intensity and abundance was respectively 28.75 and 11.5 for C. complanatum; 7.04 and 70.4 for Tylodelphys cf. destructor; 1.5 and 18.75 for Acanthostomum sp. and 0.3 and 7.5 for Genarchella sp. The Digenea parasitosis was more frequently in the musculature, followed by the gonadal tissue and heart. The presence of digenetics parasites with zoonotic potential in R. quelen alerts for the risks of raw and inadequately cooked fishes comsumntion by the regional population. Key Words: Prevalence, Digenea, Rhamdia

29 INTRODUÇÃO Popularmente conhecido como jundiá, Rhamdia quelen (Quoy & Gaimard 1824) está entre os peixes de maior aceitação para o cultivo nas bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul (SANTOS, 2002), estado em que a disponibilidade de águas interiores de qualidade, aumenta o potencial para a piscicultura (FURTADO, 1995). O jundiá apresenta crescimento acelerado, inclusive nos meses mais frios, devido sua rusticidade (GODOY, 1987). Vivem em lagos, poços e fundos dos rios, preferindo os ambientes de águas calmas com fundo de areia e lama, junto às margens e vegetação. Escondem-se entre pedras e troncos, de onde saem à noite, à procura de alimento (GUEDES, 1980). Sua distribuição vai do centro da Argentina ao Sul do México (SILFVERGRIP, 1996). Treze espécies são aceitas para Rhamdia, sendo que duas foram recentemente descritas: R. laluchencis, por WEBER et al. (2003), para Chiapas, México, e R. enfurnada, por BICHUETTE & TRAJANO (2005), no estado da Bahia, ambas cavernícolas. No Rio Grande do Sul, R. quelen e R. sapo (Valenciennes 1840) são consideradas as espécies mais freqüentes e muito utilizadas em piscicultura (CARNEIRO et al. 2002). Nas últimas décadas, a relevância dos estudos relacionados com parasitos, principalmente em peixes com potencial para o cultivo e comercialização, tem aumentado consideravelmente, face ao aumento significativo da aqüicultura no Brasil e no mundo (LUQUE, 2004; SATO & PAVANELLI, 2004). A significativa maioria dos trematódeos digenéticos é parasita de vertebrados quando adultos e sempre apresentam ciclo biológico indireto, podendo incluir até três hospedeiros. Os peixes podem estar envolvidos como segundo hospedeiro intermediário, onde são encontradas as metacercárias ou como hospedeiro definitivo, onde são encontrados parasitos adultos (BUSH et al. 2002). Dentre os parasitos digenéticos de peixes, as espécies de Clinostomum

30 vêm sendo alvo de investigações intensas, pois metacercárias deste parasito são encontradas na pele, músculo, nadadeiras e vísceras, causando patologias e mudanças de comportamento, com conseqüentes perdas econômicas em cultivos (MITCHELL, 1995). Segundo SÃO CLEMENTE (1998) a presença de Clinostomum spp. na musculatura, é responsável por degeneração nas fibras musculares, devido moderada reação inflamatória, com infiltração de células mononucleares, levando a um diagnóstico de miosite parasitária. A sintomatologia está associada ao local de fixação da metacercária, assim, os cistos grandes, localizados em nadadeiras, dificultam a locomoção e conseqüentemente a busca de alimentos (PAVANELLI et al. 1998). Quando ocupam os olhos, provocam compressão do globo ocular, causando um tipo de hérnia e destruição parcial da esclerótica (EIRAS, 1994). Além dos prejuízos econômicos causados por metacercárias de espécies de Clinostomum, estudos atentam ao potencial zoonótico, principalmente de C. complanatum, sendo sua presença associada à laringofaringite parasitária em humanos (KAMO et al. 1962). Esta parasitose provoca dor e irritação na faringe, dois a quatro dias após a ingestão de peixes de água doce infectados pela metacercária (CHUNG et al. 1998, KITAGAWA et al. 2003). Embora no Brasil ainda não existam registros de infecção humana por C. complanatum, este parasito tem sido registrado em várias espécies de peixe. No sul do Brasil, VIANNA et al. (2005) compararam a densidade de C. complanatum por regiões do corpo entre classes de comprimento de R. quelen e observaram uma prevalência de 64,16 % dos peixes examinados, sendo que os hospedeiros com 30-36 cm, mostraram maior densidade parasitária. Na mesma região, MORAIS (2005) registrou para R. quelen, além C. complanatum, Acanthostomum sp., Genarchella sp. e Tylodelphys destructor, em peixes coletados do ambiente natural e de criatório. Considerando os prejuízos econômicos causados pelo parasitismo por Digenea em peixes cultivados e o potencial zoonótico de algumas espécies, o objetivo deste estudo foi

31 estabelecer a diversidade, forma de ocorrrência e caracterizar a fauna de Digenea associados à R. quelen comercializados na Cidade de Pelotas (RS). MATERIAIS E MÉTODOS Foram examinados 50 espécimes de Rhamdia quelen, peso médio (Kg) 0,726 (±)0,254 (0,279-1,247 adquiridos em peixarias da Cidade de Pelotas (RS), os quais eram provenientes da região hidrográfica do litoral (Bacia Hidrográfica L40: Piratini-São Gonçalo-Mangueira), de acordo com classificação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, do Rio Grande do Sul, todos de ambiente natural. Os peixes foram acondicionados em gelo e transportados ao laboratório de Parasitologia da Universidade Federal de Pelotas onde foram medidos e pesados, seguindo-se exame externo da superfície corporal, incluindo opérculo e nadadeiras, para verificar a presença de parasitos. Após foi realizada a necropsia e a musculatura, brânquias, olhos, intestino, estômago, coração, baço, bexiga urinária, bexiga natatória, rim cefálico, gônadas e fígado foram individualizados e examinados separadamente. Os parasitos foram fixados em AFA (93% de álcool a 70ºGL, 5% de formol e 2% de ácido acético glacial), por 24 h e após este período foram transferidos para álcool 70º GL. Para identificação, os espécimes foram corados em carmim de Semichon, clarificados em creosoto de Faia e em seguida montados em lâminas semi-permanentes para obtenção de medidas e registro microfotográfico. As medidas estão registradas em milímetos (mm) e são apresentadas a média, seguida do desvio padrão (±), quando mais de duas medidas e, do menor e maior valor observados entre parênteses. Somente são apresentadas medidas das espécies cuja biometria não está amplamente disponibilizada. Os descritores quantitativos (prevalência, intensidade média de infecção e abundância média) foram calculados conforme BUSH et al. 1997.

32 RESULTADOS 1 Diversidade e caracterização das espécies encontradas. CLINOSTOMIDAE Clinostomum Leidy, 1856 Clinostomum complanatum (Rudolphi, 1814) Fig. 1 e 2. Hospedeiro: R. quelen Descrição baseada em 15 espécimes medidos, metacercárias retiradas dos cistos. Corpo linguiforme medindo 6,75 de comprimento por 1,16 de largura. Ventosa oral terminal e acetábulo no terço anterior do corpo. Cecos laterais e esôfago cilíndrico e curto. Poro genital e bolsa do cirro pré acetabulares. Testículos lobulados, na linha medial. Ovário oval, circular entre os testículos. Útero com alças ascendentes, saco uterino próximo à porção posterior do acetábulo. Glândulas vitelínicas pós acetabulares, inter e extracecais. DIPLOSTOMIDAE Tylodelphys Diesing, 1850 Tylodelphys cf. destructor Fig. 3 Hospedeiro: R. quelen Descrição: (baseado em sete espécimes medidos mçetacercárias) Corpo variando de arredondado a foliáceo, com 1,30 ± 0,428 (0,75 1,77) de comprimento por 0,44 ± 0,222 (0,1 0,8) de largura. Ventosa oral com 0,07 ± 0,005 (0,06 0,07) de

33 comprimento por 0,05 ± 0,006 (0,04 0,06) de largura, acetábulo 0,11 ± 0,013(0,09 0,13) de comprimento por 0,13 ± 0,016 (0,12 0,16) de largura. Faringe medindo 0,04 ± 0,008 (0,03-0,05), órgão tribocítico com 0,15 ± 0,025 (0,12 0,19) de comprimento por 0,14 ± 0,007 (0,13 0,15) de largura. Cecos não ramificados e esôfago medindo 0,03 ± 0,01 (0,03 0,05). CRYPTOGONIMIDAE Acanthostomum Loos, 1899 Acanthostomum sp. Fig. 4 Hospedeiro: R. quelen Descrição baseada em cinco espécimes adultos medidos: Corpo com 1,57 ± 0,216 (1,41-1,92) de comprimento por 0,25 ± 0,037 (0,19 x 0,28) de largura, ventosa oral com 0,23 ± 0,030 (0,19 0,26) de comprimento por 0,07 ± 0,019 (0,05 0,10) de largura, circundada por uma única fileira de 24 espinhos. Acetábulo com 0,17 ± 0,033 (0,12 0,21) de comprimento por 0,15 ± 0,018 (0,13 0,18) de largura. Faringe com 0,14 ± 0,014 (0,12 0,15) de comprimento por 0,12 ±,009 (0,11 0,13) de largura. Ovário com 0,15 ± 0,022 (0,12-0,18) de comprimento por 0,13 ± 0,011 (0,11 0,14) de largura. Testículo anterior com 0,16 ± 0,013 (0,14 0,19) de comprimento por 0,18 ± 0,013 (0,16 0,19) de largura, posterior com 0,21 ± 0,011 (0,19 0,22) de comprimento por 0,19 ± 0,018 (0,17 0,22) de largura. Distância da ventosa oral à borda do acetábulo 0,77 ± 0,146 (0,51 0,86). Distância da borda anterior do ovário ao final do corpo 0,55 ± 0,04 (0,53 0,60). Ovos com 0,03 de comprimento por 0,02 ± 0,005 (0,01 0,02) de largura.

34 HEMIURIDAE Genarchella Travassos, Artigas e Pereira, 1928 Genarchella sp. Fig. 5 Hospedeiro: R. quelen Descrição baseada em dois espécimes adultos medidos: Corpo com 1,41 (1,40-1,42) de comprimento por 0,34 (0,34 0,35) de largura. Ventosa oral com 0,17 (0,17 0,18) de comprimento por 0,19 (0,19-0,20) de largura, acetábulo com 0,33 (0,32 0,35) de comprimento por 0,31 (0,28 0,34) de largura. Faringe com 0,05 (0,05 0,06) de comprimento por 0,07 de largura. Testículo anterior com 0,07 (0,07 0,08) de comprimento por 0,06 (0,06 0,07) de largura e testículo posterior com 0,08 (0,08-0,09) de comprimento por 0,08 (0,08 0,09) de largura. Ovário com 0,08 (0,08 0,09) de comprimento por 0,06 (0,06 0,07) de largura, vitelária anterior com 0,12 (0,12-0,13) de comprimento por 0,07 ( 0,05 0,09) de largura, vitelária posterior com 0,11 (0,10-0,13) de comprimento por 0,09 de largura e útero alcançando o nível dos testículos. 2- Índices parasitológicos As maiores prevalências foram observadas para C. complanatum, seguido por T. cf. destructor, Acanthostomum sp. e Genarchella sp. (Tab. 1). As maiores densidades relativas e intensidades médias de infecção por C. complanatum foram registradas na musculatura e brânquias do hospedeiro. Os maiores índices de densidade relativa e intensidade de infecção por T. cf. destructor ocorrem nas gônadas e no coração (Tab. 2).

35 Tabela 1. Índices parasitológicos de Digenea em Rhamdia quelen (N=50) comercializados em Pelotas, Rio Grande do Sul. Casos positivos Prevalência % Intensidade média Abundância média Genarchella sp. 2 4 0,3 7,5 Clinostumum complanatum Tylodelphys cf. destructor 20 40 28,75 11,5 5 10 7,04 70,4 Acanthostomum sp. 4 8 1,5 18,75 Digenea (Geral) 25 50 40,68 20,34 Tabela 2. Densidades relativas de Digenea e a intensidade média, entre parênteses, por local de infecção em Rhamdia quelen (N=50) comercializados em Pelotas, Rio Grande do Sul. Genarchella sp. Clinostomum complanatum Tylodelphys cf. destructor Acanthostomum sp. Digenea (Geral) CC M B N O RC FO C BN G E I 12 3 - - - - - - - - - - (12) (3) 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 464 70 30 4 1 1 - - - - - - (23,2) (14) (6) (2) (1) (1) 45 (45) - - - - 21 (10,5) - 101 (25,3) 27 (27) 156 (156) - - - - - - - - - - - 47 (23,5) 45 464 70 30 4 22 1 101 27-156 59 (45) (23,2) (14) (6) (2) (7,3) (1) (25,3) (27) 156 (19,7) Cavidade celomática (CC), musculatura (M), brânquias (B), nadadeiras (N), opérculo (O), Rin cefálico (RC) e fundo de olho (FO), coração (C), bexiga natatória (BN), gônadas (G), estômago (E) e intestino (I). 1 (1) 28 (9,3) 32 (6,4) DISCUSSÃO Neste estudo foram identificados, metacercárias de C. complanatum, Tylodelphys cf. destructor, Acanthostomum sp. e Genarchella sp.. Resultados semelhantes foram encontrados no Sul do Brasil e Argentina. Clinostomum complanatum foi reportado em R. guatemaltensis (sin. jun. de R. quelem cf. SILFVERGRIP (1996)) no Mexico (PÉREZ-PONCE DE LEÓN, 1992; SALGADO-MALDONADO et al. 2005), e em R. quelem no Rio Grande do Sul

36 (FORTES et al. 2000; VIANNA et al. 2003, 2005; MORAIS, 2005; SILVA et al. 2008). No Rio Grande do Sul, foi citado para R. sapo (sin. jun. de R. quelen cf. BOCKMANN & GUAZZELLI, 2003) por FORTES & HOFFMANN (1981) e BRANDÃO (1977). VIANNA et al. (2003) mostraram as variações ontogenéticas apresentadas pelas metacercárias de C. complanatum em R. quelem no Sul do Rio Grande do Sul. Os espécimes de C. complanatum reportados neste estudo não diferem dos dados apresentados por VIANNA et al. (2003). Alguns Diplostomidae foram reportados para espécies de Rhamdia. Diplostomum sp. e D. (Austrodiplostomum) compactum foram reportados para R. gutemalensis no México SALGADO-MALDONADO et al. (2005) e para R. quelem no Estado de Minas Gerais (MOREIRA, 2000). No Rio Grande do Sul, MORAIS (2005) relata a ocorrência de Tylodelphys destructor Szidat & Nani, 1951, em R. quelem. Os espécimens reportados neste estudo se aproximam da larva representada por SZIDAT & NANI (1951) para Atherinidae da Argentina. As medidas de T. destructor apresentadas por MORAIS (2005) são discretamente distintas das apresentadas para T. cf. destructor neste estudo. No entanto, variações como estas podem resultar de diferenças no estagio de desenvolvimento das metacercárias e/ou do seu estado de contração, como referido por SZIDAT & NANI (1951). Diversos registros anteriores de espécies de Acanthostomum em espécies de Rhamdia foram feitos. Acanthostomum gnerii foi reportado para R. quelen, R. sapo e R. rogersi na Argentina, Brasil e Costa Rica (SZIDAT, 1954; BRANDÃO, 1977; LUNASCHI, 1986; KOHN & FRÓES, 1986; OSTROWSKI DE NUÑEZ & PERTIERRA, 1991). No México, A. minimum foi reportado em R. guatemalensis (LAMOTHE-ARGUMEDO & PONCIANO- RODRÍGUEZ, 1986; PÉREZ-PONCE DE LEÓN et al., 1992; SALGADO-MALDONADO et al., 2005). No Rio Grande do Sul em R. quelem MORAIS (2005) registrou Acanthostomum sp. Neste estudo não foi possível reunir características que permitissem a identificação específica dos espécimes de Acanthostomum.

37 Entre os registros de espécies de Generchella em Rhamdia spp. estão G. generchella e G. dubia, ambas para R. sapo no Rio Grande do Sul (BRANDÃO, 1977). No México, G. isabelle (Lamothe-Argumedo, 1977) foi reportada para R. guatemalensis (LAMOTHE- ARGUMEDO, 1977; SCHOLZ, T. & SALGADO-MALDONADO, 1994). Na Nicaragua, G. tropica (Manter, 1936) e G. thorsoni (Watson, 1976) foram citadas em R. managuensis por WATSON (1976). MORAIS (2005) reporta Generchella sp. em R. quelem no Rio Grande do Sul. Os espécimes coletados neste estudo têm características e morfometria que coincidem com aquelas apresentadas por MORAIS (2005). Como MORAIS (2005), os poucos espécimes coletados não permitem reunir argumentos e características para uma identificação ao nível específico. Neste estudo C. complanatum foi a espécie mais prevalente, presente em 40% dos peixes necropsiados, seguido de Tylodelphys cf. destructor (10%), Acanthostomum sp. (8%) e Genarchella sp.( 4%). VIANNA et al. (2001), ao estudar R. quelen provenientes de ambiente natural, em Rio Grande (RS), encontraram índices de prevalência que variaram entre 33,3 e 95% de C. complanatum, nas diferentes estações do ano. Neste trabalho, não foram analisados os resultados em relação à distribuição sazonal da prevalência. No período de setembro a fevereiro, em virtude do período de reprodução, os peixes não estavam disponíveis para venda, visto que os espécimes foram adquiridos diretamente em peixarias. É possível sugerir que as diferenças dos índices observados em relação àqueles disponibilizados por VIANNA et al. (2001), que são maiores do que os observados neste trabalho, estejam relacionados com a interrupção da amostragem. Em estudo anterior realizado na mesma região por MORAIS (2005), foram registrados índices parasitológicos para Digenea em R. quelen inferiores ao observado no presente estudo. Quanto à localização das metacercárias de C. complanatum, as mesmas foram detectadas em diferentes partes do corpo de R. quelen. SILVA et al. (2008), descreveram a

38 presença deste parasito na cavidade bucal e abdominal, brânquias, olho, miocárdio, intestino, nadadeiras, fígado, estômago e musculatura de R. quelen, Salminus brasilienses e Oreochromis niloticus, provenientes de uma piscicultura. No presente estudo, além das localizações reportadas por SILVA et al. (2008), também foram observadas metacercárias no rim cefálico. Não foram observadas no miocárdio, fígado, estômago, intestino e cavidade abdominal. A concentração de hospedeiros, como ocorre em cultivos, facilita a disseminação das parasitoses (THATCHER, 1981) e isso deve explicar a maior distribuição dos parasitos nos órgãos reportados por SILVA et al. (2008). Estes autores atribuem o parasitismo por C. complanatum à introdução do parasito por aves migratórias e pelo ambiente propício para o desenvolvimento dos moluscos, necessários para continuação do seu ciclo biológico. Diferentemente do resultado deste estudo, HABDALLAH et al. (2004) encontraram metecarcárias de C. complanatum parasitando principalmente olhos, língua e palato, e mais raramente estômago, intestino e musculatura, em diferentes espécies de lambaris (Astyanax bimaculatus, A. parahybae e Oligosarcus hepsetus). Neste estudo, a musculatura foi a região com maior número de metacercárias, como também registrado por KALANTAN et al. (1987) em Aphanius dispar. Os autores atribuíram este resultado à facilidade de penetração da cercaria no peixe através da região do opérculo, de onde estas se distribuiriam para os demais sítios. Segundo HOLMES (1973), entre outros fatores, a simples presença de outros parasitos, pode limitar ou modificar o sítio de seleção. Desta forma, a interação entre espécies ecologicamente semelhantes pode resultar em competição por espaço ou por alimento. Além disto, é relevante o fato das maiores densidades relativas e intensidades médias de infecção das metacercárias de C. complanatum estarem em órgãos importantes como musculatura e brânquias e as de Tylodelphys cf. destructor nas gônadas e coração. Parasitos no músculo podem afetar movimentos, importantes para captura de presas e fuga de predadores, enquanto que em brânquias diminuem capacidade respiratória.

39 Por outro lado, quando presentes nas gônadas podem afetar o desempenho reprodutivo e no coração podem comprometer o processo respiratório. Formas adultas de Digenea, com raras exceções, são parasitos de luz do aparelho digestório (estômago e intestino) (YAMAGUTI, 1971). As localizações atípicas de Tylodelphys cf. destructor e C. complanatum observadas no presente estudo, principalmente como: musculatura; gônodas e coração justificam-se por estes parasitos estarem presentes somente na forma de metacercária. Já Acanthostomum sp. e Genarchella sp. registrados no estágio adulto são encontrados somente no estômago e intestino. A presença de metacercárias de C. complanatum na superfície externa do peixe causa a doença dos pontos pretos ou amarelos (PAVANELLI et al. 1998), que pode levar a perdas econômicas, pois dificulta sua comercialização, podendo causar a morte dos hospedeiros jovens e também torná-los mais suscetíveis ao ataque de predadores. Segundo imformações obtidas junto aos comerciantes de peixes, R. quelen, traíra e curvina são os peixes mais consumidos pela população, tanto pela sua palatabilidade como pelo seu valor comercial. Dentre estes R. quelen apresenta menor preço, em média 19%, sendo assim uma importante fonte de proteína para a população de baixa renda. Portanto, o elevado índice de parasitismo na musculatura por C. complanatum alerta para o perigo da ingestão de R. quelen, em condições inadequadas de cocção, considerando o potencial zoonótico deste trematódeo com registros de infecção humana (KAMO et al., 1962; HIRAI et al., 1987; CHUNG et al., 1998; KITAGAWA et al., 2003) CONCLUSÕES Rhamdia quelen comercializados em Pelotas, apresentam-se infectados por pelo menos quatro espécies de parasitos digenéticos, sendo que o mais prevalente, C.

40 complanatum, apresenta potencial zoonótico, podendo provocar riscos à saúde humana, se utilizado para fins alimentares em forma inadequada de cocção. Cinostomum complanatum é o Digenea com maior prevalência em R. quelen comercializados em Pelotas, RS. O elevado índice de C. complanatum na musculatura de R. quelen representa risco à saúde humana.

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47 Fig. 01 Fig. 02

48 Fig. 3 Fig. 04

Fig. 05 49

50 LEGENDAS Figura 01- Cistos de metacercárias de Clinostomum complanatum (setas) na região da cauda de Rhamdia quelen, comercializados em Pelotas, Rio Grande do Sul. Escala 2 cm. Figura 02 - Metacercária desencistada de Clinostomum complanatum em Rhamdia quelen comercializados em Pelotas, Rio Grande do Sul. Escala 1mm. Figura 03 - Metacercária de Tylodelphys cf. destructor em Rhamdia quelen, comercializados em Pelotas, Rio Grande do Sul. Escala 0,1mm. Figura 04 Acanthostomum sp. em Rhamdia quelen, comercializados em Pelotas, Rio Grande do Sul. Escala 0,1mm. Figura 05 Genarchella sp. em Rhamdia quelen, comercializados em Pelotas, Rio Grande do Sul. Escala 0,1mm

51 ARTIGO 2 NEMATÓDEOS EM Rhamdia quelen (JUNDIÁ) COMERCIALIZADOS NA CIDADE DE PELOTAS, RIO GRANDE DO SUL*

52 RESUMO Rhamdia quelen (jundiá) é um peixe de água doce com hábito alimentar onívoro. Apresenta boas condições para a criação em cativeiro, devido suas características rústicas, fortalecendo a piscicultura como uma atividade econômica viável. O trabalho teve como objetivo conhecer a nematofauna de R. quelen provenientes da região Sul do Rio Grande do Sul. Cinqüenta espécimes adquiridos frescos em peixarias na cidade de Pelotas foram necropsiados para coleta dos nematódeos, identificação e avaliação dos índices parasitológicos. Foram encontradas larvas de Contracaecum sp. em 24% dos peixes e Hysterothylacium sp. em 22%. A abundância e intensidade média foram 0,78 e 3,25 para Contracaecum e 0,54 e 2,45 para Hysterothylacium sp, respectivamente. O intestino foi o órgão mais parasitado, seguido do estômago. Os parasitos encontrados são Anisakidae, família que abriga espécies com histórico de zoonoses e por isso requer atenção especial. Palavras chave: Contracaecum, Hysterothylacium, Nematoda, Rhamdia * Manuscrito formatado conforme orientações da Revista Ciência Rural

53 ABSTRACT Rhamdia quelen (jundiá) is a fresh water fish which has onivourous feeding behavior. This specie shws good conditions for captivity development, for its rustic characteristics, consolidating the aquaculture as viable economical activity. The aim of this study was to know the nematofauna of R. quelen from the southern region of Rio Grande do Sul State (Brazil). Fifty fresh specimens acquired from fishing stores were necropsied, to collection, identification and evaluation of parasitological index. The larval stage was recorded for Contracaecum sp. and Hysterothylacium sp., 24% and 22%, respectively in the analyzed fishes. The abundance and mean intensity were 0,78 and 3,25 for Contracaecum sp and 0,54 and 2,45 for Hysterothylacium sp. The most parasited organs by Nematoda were, the intestine followed by the stomach. The identified parasites belonging to the Anisakidae family which one presents species with zoonotical history and that requires special attention. Key Words: Contracaecum, Hysterothylacium, Nematoda, Rhamdia

54 INTRODUÇÃO A criação comercial de peixes, incluindo-se o jundiá, vem sendo intensificada no Rio Grande do Sul, que tem grande potencial pela qualidade de suas águas interiores (FURTADO, 1995). Entretanto, com a piscicultura intensiva, é comum a concentração de peixes em áreas restritas, aumentando as chances do desenvolvimento de doenças como as parasitoses (THATCHER, 1981). O conhecimento dos parasitos que acometem peixes é importante pelos prejuízos que causam na produção e pelo potencial zoonótico de muitas espécies que usam estes hospedeiros (TRAVASSOS et al. 1928; PERÉZ, 1999). Nematódeos podem causar doenças em seus hospedeiros pela ação espoliativa, tóxica e mecânica, retardando o crescimento e podendo levar a morte. As formas larvais também ocasionam perdas econômicas, pois, quando presentes, dificultam sua comercialização (EIRAS & REGO, 1987). O primeiro relato de nematódeo parasito de peixe do Brasil feito por DIESING (1839), que descreveu Cheiracanthus gracile em Arapaima gigas (pirarucu) do. Desde então, dezenas de estudos foram publicados sobre o assunto. Até o final do século passado, aproximadamente 239 espécies nominais de nematódeos haviam sido relatadas parasitando peixes no Brasil (VICENTE et al. 1985; VICENTE & PINTO, 1999). Várias espécies de nematódeos já foram reportadas para Rhamdia spp., Pseudocapillaria yucatensis foi descrita parasitando o intestino de R. guatemalensis na Península de Yucatán (MORAVEC et al. 1995). Entre os Camallanidae, Procamallanus sp., P. (Spirocamallanus) neocabaleroi e Serpinema trispinosum foram reportados para R. guatemaltensis (PÉREZ-PONCE DE LEON et al. 1992; AGUILAR-AGUILAR et al. 2003) e P. (S.) hulari em R. quelen na Amazônia (BOEGER et al. 2006). Duas espécies de Cucullanidae, Cucullanus mexicanus e C. cabaleroi, foram reportadas para R. guatemaltensis no México (CASPETA-MANDUJANO et al. 2000; SALGADO-MALDONADO et al. 2005).

55 Neophilometroiodes caudatus também foi reportado para R. guatemaltensis no México (PÉREZ-PONCE DE LEÓN et al. 1992; MORAVEC et al. 2002a). Registros de Philometridae em peixes de cultivo são relevantes uma vez que existem várias patologias severas associadas a espécies deste grupo (MORAVEC et al., 1997; 2002b; 2003; MOLES, 2003; RAMACHANDRA, 1975; SAKAGUCHI et al. 1987). Há ainda o registro de Spiroxys sp. (Gnathostomatidae) em R. guatemaltensis no México (SALGADO-MALDONADO et al. 2005). Contudo, esse registro deve ser confirmado, visto que espécies deste gênero são todas parasitas de salamandras (HASEGAWA et al. 1998). Entre Anisakidae, há o registro de Hysterotylacium rhamdiae para R. sapo na Argentina (BRIZZOLA & TANZOLA, 1995), Contracaeucum sp. para R. quelen no Brasil (MADI & SILVA, 2005) e para R. guatemaltensis no Mexico (PÉREZ-PONCE DE LEÓN et al. 1992; SALGADO- MALDONADO et al. 2005). Os anisakídeos têm despertado interesse dos pesquisadores por serem agentes de doenças parasitárias conhecidas como anisakidoses (UBEIRA et al. 2000). Esta zoonose vem sendo investigada devido ao fato de ser crescente, em todo mundo, o consumo de peixes crus ou insuficientemente cozidos (MACCARTHY & MOORE, 2000). Espécies de Hysterothylacium (Anisakidae) têm sido registradas em peixes de diversas partes do mundo, como Yugoslavia (PETTER & RADUJKOVIC, 1986), Japão (YOSHINAGA et al. 1989), Chile (CARVAJAL & GONZÁLEZ, 1990; TORRES et al. 1998), Estados Unidos (MOSER & HSIEH, 1992) e Kuwait (PETTER & SEY, 1997) entre vários outros. No Brasil existem poucos registros de ocorrência de Hysterothylacium (EIRAS & REGO, 1987; KLEIN, 1973). PEREIRA JR. et al. (2004) relataram pela primeira vez na costa do estado do Rio Grande do Sul, larvas de Hysterothylacium em Micropogonias furnieri. Parasitos deste gênero, em condições naturais, atingem a maturidade sexual no trato digestivo de peixes ou mamíferos marinhos e têm como hospedeiros intermediários

56 copépodos, poliquetos e outros invertebrados, sendo que a fase larval também pode ocorrer encapsulada no peixe (YOSHINAGA et al. 1989). Alguns estudos têm verificado a capacidade de infecção das larvas de Hysterothylacium em modelos experimentais. GONZALEZ (1998) avaliou a possibilidade de infecção de ratos a partir de larvas de H. aduncum, provenientes de peixes marinhos. DEARDORF & OVERSTREET (1981) relataram a ocorrência de infecções experimentais por larvas de Hysterothylacium em animais de laboratório como roedores e macacos e, observaram lesões e hemorragias no trato digestivo destes animais. Espécies de Contracaecum (Anisakidae) têm sido reportadas em peixes nativos no Brasil. MARTINS et al. (2005) revisaram os registros da presença de Contracaecum em peixes brasileiros e listaram 53 espécies de peixes, marinhos e de água doce, hospedando espécies deste gênero. Considerando os registros de MADI & SILVA (2005) este número sobe para 54 espécies. Diante do exposto, o objetivo deste estudo foi identificar a nematofauna em Rhamdia quelen comercializados na cidade de Pelotas, RS. MATERIAIS E MÉTODOS Foram examinados 50 espécimes de R. quelen, peso médio (g) 0,726 (±)0,254 (0,279-1,247), adquiridos em peixarias da cidade de Pelotas (RS), os quais eram provenientes da região hidrográfica do litoral (Bacia Hidrográfica L40: Piratini-São Gonçalo-Mangueira), de a cordo com classificação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, todos de ambiente natural. Os peixes foram acondicionados em gelo e transportados ao laboratóriode Parasitologia da Universidade Federal de Pelotas. Foram realizadas pesagens e medidas de comprimento dos hospedeiros, seguindo-se exame externo da superfície corporal, incluindo opérculo e nadadeiras, para verificar a presença de parasitos. Após foi realizada a

57 necropsia e os órgãos, musculatura, brânquias, olhos, intestino, estômago, coração, baço, bexiga urinária, bexiga natatória, rim cefálico, gônadas e fígado foram individualizados e examinados separadamente. Os parasitos encontrados foram fixados em AFA (93% de álcool a 70ºGL, 5% de formol e 2% de ácido acético glacial), por 24horas e conservados em álcool 70ºGL com 5-10% de glicerina. Posteriormente foram clarificados em lactofenol de Amann e montados entre lâminas e lamínulas para identificação, tomadas de medidas e registro microfotográfico. As medidas são apresentadas em mm [média ± desvio padrão (min-máx.)] e os descritores quantitativos (prevalência, intensidade média de infecção e abundância média) calculados conforme BUSH et al. (1997). RESULTADOS 1 Diversidade e caracterização das espécies encontradas. Família Anisakidae Contracaecum (Railiet & Henry, 1919) Contracaecum sp. Fig. 1 e 2 Hospedeiro: R. quelen Descrição: (baseado em sete espécimes de sexo indiferenciados). Nematódeos com 10,1 ± 2,99 (6-13,3) de comprimento por 0,3 ± 0,14 (0,2-0,6) de largura. Boca circundada por três lábios, com duas papilas no lábio dorsal. Cutícula estriada transversalmente. Esôfago com 1,01 ± 0,29 (0,6-1,5) de comprimento por 0,04 ± 0,01 (0,03-0,04) de largura, ocupando 0,10 do comprimento do corpo. Anel nervoso a 0,25 ± 0,05 (0,1

58 0,2) do início do esôfago. Ceco intestinal projetado anteriormente com 0,67 ± 0,14 (0,5 0,7) de comprimento por 0,04 ± 0,01 (0,03 0,05) de largura, apêndice ventricular com 0,24 ± 0,08 (0,1 0,3) de comprimento por 0,05 ± 0,09 (0,04 0,07) de largura. Cauda cônica medindo 0,19 ± 0,05 (0,12-0,27), papilas caudais não observadas. Com quatro glândulas retais. Hysterothylacium (Ward & Magath, 1917) Hysterothylacium sp. Fig. 3 e 4 Hospedeiro: R. quelen Descrição: (baseada em cinco espécimes adultos) Nematódeos com 20,41 ± 1,56 (18,02-22) de comprimento por 0,54 ± 0,15 (0,25-0,6) de largura. Boca circundada por lábios desenvolvidos e interlabia bífida. Cutícula estriada transversalmente. Esôfago com 2,2 ± 0,32 (1,89-2,64) de comprimento. Ventrículo, ceco intestinal e apêndice ventricular presentes. Machos (baseados em dois espécimes): Corpo com 20,5 ± 2,09 (19-22) de comprimento, por 0,45 ± 0,14 (0,4-0,5) de largura. Lábio dorsal medindo 0,12 ± 0,01 (0,11-0,13), esôfago com 2,28 ± 0,35 (2,03-2,53) de comprimento. Anel nervoso localizado a 0,54 ± 0,18 (0,41-0,67) da extremidade anterior. Poro excretor logo abaixo do anel nervoso e anterior ao ventrículo. Ceco intestinal e apêndice ventricular presentes, não medidos. Espículos iguais medindo 0,24 ± 0,02 (0,22-0,25) de comprimento, gubernáculo ausente. Papilas caudais numerosas (23) em forma de botão, de difícil visualização, sendo 17 pares pré-cloacais 1 par

59 ad-cloacal e 5 pares pós-cloacais. Cauda cônica medindo 0,19 ± 0,02 (0,15-0,21) de comprimento. Fêmeas (baseado em três espécimes): Corpo com 20,3 ± 1,98 (18,02-22) de comprimento por 0,27 ± 0,03 (0,3 0,28) de largura. Lábio dorsal com 0,09 ± 0,04 (0,06 0,14), esôfago com 2,15 ± 0,42 (1,89 2,64) de comprimento. Anel nervoso a 0,46 ± 0,07 (0,39-0,53) da extremidade anterior. Ventriculo, apêndice ventricular e ceco intestinal presentes. 2- Índices parasitológicos: Tabela 1. Índices parasitológicos de Anisakidae em Rhamdia quelen (n=50) comercializados em Pelotas, Rio Grande do Sul Casos positivos Prevalência % Intensidade média Abundância média Hysterothylacium sp. 11 22 2,45 0,54 Contracaecum sp. 12 24 3,25 0,78 Nematoda (Geral) 21 42 3,14 1,32 Tabela 2. Densidades relativas de Nematoda e intensidade média por local de infecção, entre parêntese, em Rhamdia quelen (n=50) comercializados em Pelotas, Rio Grande do Sul Contracaecum sp. Hysterothylacium sp I E G F 17 (2,13) 19 (2,38) 11 (2,2) 8 (2,67) 36 9 Nematoda (Geral) (2,57) (2,38) (I) Intestino, (E) estômago, (G) gordura, (F) fígado 10 (5) 1 (1) - - 10 (5) 1 (1)

60 DISCUSSÃO Os espécimes de Hysterothylacium sp., descritos neste estudo, são similares à Hysterothylacium rhamdia e devem ser confrontados porque ambos ocorrem em Rhamdia na América do Sul. Diferem, no entanto, pelo número muito inferior de papilas caudais (27) em Hysterothylacium sp., enquanto em H. rhamdia são observadas de 33 a 38 papilas. Além disto, diferem quanto ao comprimento total. Os espécimes de Contracaecum sp. encontrados são formas larvais, assim como aquelas estudadas por MARTINS et al., (2005). Embora o comprimento total das larvas se assemelhe ao verificado neste estudo, há diferenças quanto ao tamanho do ceco, apêndice ventricular e cauda. A diversidade parasitária de Nematoda, observada no hospedeiro em questão foi baixa, pois foram identificadas apenas uma espécie de Contracaecum e uma de Hysterothylacium, ambos Anisakidae. De acordo com MARCOGLIESE (2001), os sistemas de água doce possuem uma biodiversidade menor por serem ecologicamente menos heterogêneos que os ambientes marinhos. MOREIRA (1994) estudou peixes provenientes da Represa Três Marias (Minas Gerais) e observou índice de prevalência de 58,8%, maior ao observado neste estudo (42%). O autor observou ainda uma diversidade consideravelmente maior, pois foram registradas seis famílias de Nematoda. Esta diferença deve ser atribuida à maior diversidade de hospedeiros utilizados na pesquisa de MOREIRA (1994) que analizou vinte diferentes espécies de peixes, distribuídos em seis famílias. No Estado do Maranhão, MARTINS et al. (2005), registraram a ocorrência de Contracaeucum sp. em Hoplias malabaricus e Hoplerythrinus unitaeniatus, com prevalência 100 %, 80% e intensidade média de infecção de 24,6 e 10,4, respectivamente. Ambos superiores ao observado neste (24% e 3,14), porém as larvas apresentaram uma localização

61 mais restrita, presentes apenas no mesentério e musculatura. Neste trabalho foram observadas larvas no fígado, gordura, intestino e estômago. Também em H. malabaricus, BARROS et al. (2007), verificaram prevalência de Contracaecum sp. superior (73%) de larvas aderidas ao mesentério e na serosa do estômago. Esta diferença, possivelmente, esteja relacionada ao ambiente onde foram coletados os hospedeiros, pois os espécimes utilizados neste estudo são oriundos de ambientes naturais e amplos, enquanto no estudo de BARROS et al. (2007) os hospedeiros permaneciam isolados em baías durante os meses de seca, portanto mais concentrados. MADI & SILVA (2005) estabeleceram os índices parasitológicos da infecção por larvas de Contracaecum sp. em R. quelem de um reservatório na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Estes autores encontraram uma prevalência de 83,37 % e intensidade média de infecção de 28,41. Constataram também a correlação destes índices com o peso e comprimento dos hospedeiros e afirmaram que isso resulta em grande parte da idade (tempo de contato com outros hospedeiros intermediários) e a dieta cumprida por R. quelen. No estudo, MADI & SILVA (2005) relataram que no mínimo outras três espécies de peixes, que fazem parte da dieta de R. quelen, são parasitadas por Contracaecum sp. Não estão disponíveis dados sobre a dieta de R. quelem nos rios e lagoas da região no Sul do Rio Grande do Sul, mas é provável que isso possa, igualmente sugerir que várias espécies de peixes da região sejam também infectadas por Contracaecum sp. De acordo com VERBEL et al. (2006) fatores como sazonalidade, qualidade da água e presença de hospedeiros intermediários, influenciam na prevalência de Contracaecum. A prevalência de 22% verificada para Hysterothylacium sp., foi semelhante ao observado por PEREIRA JR. et al. (2004) que identificaram estágios larvais deste parasito em 36,89% em Micropogonias furnieri na costa do Rio Grande do Sul. No Chile, GONZÁLEZ

62 (1998) e, em Taiwan SHIH & JENG (2002) constataram prevalências superiores em peixes marinhos mantidos em áreas de cultivo, 79% e 86%, respectivamente. SHIH & JENG (2002) observaram a intensidade média de infecção muito superior (27,3), inclusive com relatos de obstrução intestinal. Neste estudo, foram observados somente adultos de Hysterothylacium sp em R. quelen. Outros autores registraram estágios larvais em peixes, como MORAVEC et al. (1993) que observaram larvas deste parasito em peixes de água doce e PEREIRA JR et al. (2004) em peixe marinho. CONCLUSÕES Espécimes de R. quelen comercializados em Pelotas, RS, apresentam-se infectados por Anisakidae representando risco a saúde pública. Hysterothylacium sp. é registrado pela primeira vez para R. quelen no Brasil.

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68 Fig. 01 Fig. 02

69 Fig. 03 ES Fig. 04

70 LEGENDAS Figura 01- Região anterior de larva de Contracaecum sp. em Rhamdia quelen, comercializados na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. Escala 0,1 mm. Figura 02- Região posterior de larva de Contracaecum sp. em Rhamdia quelen comercializados na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. Escala 0,1mm. Figura 03- Região anterior de Hysterothylacium sp. em Rhamdia quelen comercializados na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. Escala 0,2 mm. Figura 04- Região posterior de Hysterothylacium sp. (macho) em Rhamdia quelen, comercializados na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. (ES- Espículos). Escala 0,1mm.

71 ANEXO INSTRUÇÕES AOS AUTORES Objetivo e política editorial Preparação de originais ISSN 0103-8478 versão impressa ISSN 1678-4596 versão online Objetivo e política editorial 1. CIÊNCIA RURAL - Revista Científica do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria publica artigos científicos, revisões bibliográficas e notas referentes à área de Ciências Agrárias que deverão ser destinados com exclusividade. Preparação de originais 2. Os artigos científicos, revisões e notas devem ser encaminhados via eletrônica editados em idioma Português ou Inglês, todas as linhas deverão ser numeradas e paginados no lado inferior direito. O trabalho deverá ser digitado em tamanho A4 210 x 297mm, com no máximo, 28 linhas em espaço duplo, fonte Times New Roman, tamanho 12. O máximo de páginas será 15 para artigos científicos, 20 para revisão bibliográfica e 8 para nota, incluindo tabelas, gráficos e ilustrações. Cada figura e ilustração deverá ser enviado em arquivos separados e constituirá uma página. Tabelas, gráficos e figuras não poderão estar com apresentação paisagem. 3. O artigo científico deverá conter os seguintes tópicos: Título