NOTA TÉCNICA nº 08 Complementar do Regime Jurídico de SCIE



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Transcrição:

NOTA TÉCNICA nº 08 Complementar do Regime Jurídico de SCIE RESUMO Definir o tempo de resposta exigido ao socorro e os meios humanos e materiais adequados ao combate a incêndios (grau de prontidão), para os edifícios e recintos das 3ª e 4ª categorias de risco, nos termos do Regulamento Técnico de Segurança Contra Incêndio em Edifícios (RT-SCIE). Enunciar, considerando as categorias de risco, quais os conjuntos de medidas que deverão ser alvo de agravamento, na impossibilidade de se garantir o grau de prontidão definido. APLICAÇÃO Licenciamento e localização de novos edifícios ou recintos que possuam utilizações-tipo classificadas nas 3ª ou 4ª categoria de risco. ÍNDICE 1 INTRODUÇÃO.... 2 2 - FACTORES DEFINIDORES DO GP... 3 3 - DISTÂNCIAS MÁXIMAS DOS MEIOS DE SOCORRO... 3 4 - MEIOS MÍNIMOS DISPONÍVEIS... 3 5 - GARANTIA DE PRONTIDÃO OBTIDA ATRAVÉS DE UNIDADES DIFERENTES.. 5 6 - MEDIDAS COMPENSATÓRIAS... 5 REFERÊNCIAS Regime Jurídico de SCIE (Decreto-Lei n.º 220/2008, de 12 de Novembro). Regulamento Técnico de SCIE (Portaria 1532/2008, de 29 de Dezembro) ANPC - Autoridade Nacional de Protecção Civil (DNPE/UPRA/NCF-Núcleo de Certificação e Fiscalização) // Versão-01-12-2011 // Página 1/5

1 INTRODUÇÃO O RJ-SCIE orienta-se pelos objectivos de preservação, face ao risco de incêndio: a) Da vida humana; b) Do ambiente; c) Do património cultural; d) Dos meios essenciais à continuidade de actividades sociais relevantes. Nesse sentido inclui disposições, que cobrem todo o ciclo de vida dos edifícios ou dos recintos, destinadas a, em primeiro lugar, reduzir a probabilidade de ocorrência de incêndios, mas, em caso de sinistro: a) Limitar o desenvolvimento de eventuais incêndios, circunscrevendo e minimizando os seus efeitos, nomeadamente a propagação do fumo e gases de combustão e transmissão de calor; b) Facilitar a evacuação e o salvamento dos ocupantes em risco; c) Permitir a intervenção eficaz e segura dos meios de socorro; e) Proteger bens do património cultural e meios essenciais à continuidade de actividades sociais relevantes. A resposta aos referidos objectivos foi estruturada com base na definição das utilizações-tipo, dos locais de risco e das categorias de risco, que orientam as distintas disposições de segurança constantes daquele Regime Jurídico. No artigo 13.º do RT-SCIE considera-se fundamental para atingir tal objectivo que, relativamente às 3ª e 4ª categorias de risco, independentemente da utilização-tipo, seja determinado o grau de prontidão do socorro (GP) a afectar ao combate a um eventual sinistro. Admite-se ainda que, na hipótese de não estarem totalmente garantidas as condições que satisfaçam tal GP, à data de apreciação do projecto de licenciamento do edifício ou recinto, sejam adoptadas pelo projectista e submetidas à aprovação da ANPC medidas compensatórias desse facto, as quais constituirão um agravamento conforme se refere na presente Nota Técnica. ANPC - Autoridade Nacional de Protecção Civil (DNPE/UPRA/NCF-Núcleo de Certificação e Fiscalização) // Versão 01-12-2011 // Página 2/5

2 - FACTORES DEFINIDORES DO GP Consideraram-se como factores essenciais na definição do grau de prontidão do socorro os seguintes: a) Distância máxima a percorrer entre a unidade de bombeiros e o edifício ou recinto; b) Meios materiais (veículos e equipamentos) afectos ao socorro e disponiveis para saída imediata, isto é, no máximo de 60 segundos após o alerta; c) Meios humanos em quantidade mínima (força mínima de intervenção) e devidamente habilitados, disponíveis para garantir o mencionado na alínea anterior. Relativamente ao dimensionamento dos meios atrás referidos foi considerada a intervenção em ambiente nocturno, tida como a mais desfavorável. Dentro desta modalidade de actuação distinguiuse, das restantes situações de utilizações-tipo classificadas na 3ª categoria de risco, a intervenção naquelas cuja altura não seja superior a 28 metros. 3 - DISTÂNCIAS MÁXIMAS DE SOCORRO A distância máxima a percorrer entre as instalações de um corpo de bombeiros, que satisfaça as condições expressas nos pontos seguintes, relativamente à disponibilidade imediata dos meios neles referidos, e quaisquer novos edifícios ou recintos que possuam utilizações-tipo classificadas nas 3ª ou 4ª categoria de risco, deverá ser de 3 Km. Se os meios referidos forem satisfeitos com recurso a duas unidades de bombeiros localizados em pontos distintos, o que só será admissivel nas condições expressas no ponto 5, o quartel a quem couber manter em prontidão apenas os veículos que complementam as necessidades, poderá localizar-se a uma distância não superior a 5 Km do edifício. 4 - MEIOS MÍNIMOS DISPONÍVEIS Os meios a disponibilizar pelo corpo ou corpos de bombeiros para satisfação do referido no ponto 2, alíneas b) e c) da presente Nota Técnica são os indicados no Quadro I. ANPC - Autoridade Nacional de Protecção Civil (DNPE/UPRA/NCF-Núcleo de Certificação e Fiscalização) // Versão 01-12-2011 // Página 3/5

TIPO DE VEÍCULOS DE SOCORRO GUARNIÇÔES MÍNIMAS POR VEÍCULO Quadro I NÚMERO DE VEÍCULOS 3ª CAT c/ h 28 m 3ªCAT 4ªCAT TOTAL DE PESSOAL 3ª CAT c/ h 28 m VLCI 4 1 1 4 4 3ªCAT 4ªCAT VUCI 5 2/1 (a) 2 10/5 (a) 10 VE ou VP 2 1/0 (a) 2 2/0 (a) 4 VTTU 2 1 2 2 4 ABSC 3 1 2 3 6 VETA (b) 2 1 1 2 2 VETA (c) 2 1 1 2 2 VCOT ou VCOC 2 1 1 2 2 As siglas constantes do Quadro I têm os seguintes significados: VLCI Veículo Ligeiro de Combate a Incêndios VUCI Veículo Urbano de Combate a Incêndios VE Veículo com Escada Giratória VP Veículo com Plataforma Elevatória VTTU Veículo Tanque Táctico Urbano ABSC Ambulância de Socorro VETA Veículo c/ Equipamento Técnico de Apoio VCOT Veículo de Comando Táctico VCOC Veículo de Comando e Comunicações (a) No caso de intervenção em edifícios de pequena altura (h 9 m) poderá ser utilizado apenas um VUCI e dispensado o VE ou VP (b) Com capacidade para enchimento de garrafas de aparelhos respiratórios com um débito mínimo de 10 garrafas/hora (c) Com grupo gerador e projectores A indicação exclusiva da tipologia dos veículos não prejudica a obrigatoriedade e disponibilidade dos restantes meios e equipamentos, considerados necessários e suficientes para combate para todas as utilizações-tipo existentes no edificado desta categoria de risco, assim como do equipamento de protecção individual para a totalidade dos operacionais envolvidos. ANPC - Autoridade Nacional de Protecção Civil (DNPE/UPRA/NCF-Núcleo de Certificação e Fiscalização) // Versão 01-12-2011 // Página 4/5

Aumento do escalão de tempo da resistência ao fogo padrão Diminuição das áreas máximas de compartimentação geral corta-fogo Agravamento das exigências de reacção ao fogo dos materiais Generalização das instalações de controlo de fumo Guarnecimento de todos os meios de 2ª intervenção Reforço das medidas de auto-protecção Aplicação de sistemas de extinção automática de incêndio SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO EM EDIFÍCIOS 5 - GARANTIA DE PRONTIDÃO OBTIDA ATRAVÉS DE UNIDADES DIFERENTES Admite-se que os meios a manter no grau de prontidão estabelecido no ponto anterior possam pertencer a duas unidades de bombeiros diferentes, desde que a disponibilidade exigida no caso de dois veículos do mesmo tipo não seja exclusivamente satisfeita por um deles e sem prejuízo da unidade de comando das operações. 6 - MEDIDAS COMPENSATÓRIAS O RT-SCIE admite a aplicação de medidas compensatórias no caso de não estarem totalmente garantidas as condições que satisfaçam o GP, à data da apreciação do projecto de licenciamento do edifício ou recinto. Essas medidas são submetidas pelo respectivo projectista, à aprovação da ANPC. No Quadro II referem-se, na generalidade e em função de cada utilização-tipo, tais conjuntos de medidas: Quadro II Medidas compensatórias Utilização -tipo I II, III, VI a XII IV e V Cabe ao projectista de segurança adoptá-las em cada caso concreto e inseri-las num método de avaliação de risco credível, aceite pela ANPC. ANPC - Autoridade Nacional de Protecção Civil (DNPE/UPRA/NCF-Núcleo de Certificação e Fiscalização) // Versão 01-12-2011 // Página 5/5