FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS Relatório do Grupo de Estudos Preparatórios para o 1º Congresso de Direito Comercial Coordenador: Prof. Dr. Elias Kallás Filho Faculdade de Direito do Sul de Minas Pouso Alegre, fevereiro de 2011
CONTEÚDO 1. APRESENTAÇÃO 3 2. METODOLOGIA 4 3. RESULTADOS 5 4. BIBLIOGRAFIA 7 5. DADOS DE CONTATO 9 2
1. APRESENTAÇÃO Instituição: Faculdade de Direito do Sul de Minas FDSM Pouso Alegre, MG Coordenador: Prof. Dr. Elias Kallás Filho Integrantes: Aline Santos de Oliveira Amaranta Borges Lima Armando Aparecido Rios Júnior Bruno Siqueira de Morais Camila Fernandes Fraga Camila Rezende Marcela Fonseca da Costa Rodrigo Nogueira de Souza Thaíse Mianti Vitor Monaquezi Fernandes 3
2. METODOLOGIA Os trabalhos do grupo de estudos preparatórios - GEP organizado na Faculdade de Direito do Sul de Minas (Pouso Alegre, MG) foram desenvolvidos no âmbito da pré-existente Liga de Direito Empresarial LIDE. A LIDE é um projeto que reúne atividades de extensão e de pesquisa voltadas ao estudo do direito comercial, com o objetivo de proporcionar, naquela área do conhecimento jurídico, experiência mais profunda do que a regularmente oferecida pelas atividades curriculares básicas. Enquanto grupo de estudos preparatórios para o 1º Congresso de Direito Comercial, os integrantes da LIDE dedicaram-se ao tema Falência e Recuperação de Empresas. Os trabalhos consistiram na análise da Lei nº 11.101/2005, artigo por artigo, em contejo com algumas das principais obras doutrinárias dedicadas ao direito falimentar e recuperacional brasileiro, com vistas a identificar aspectos controvertidos que mereçam a reflexão crítica dos participantes do referido Congresso e dos comercialistas em geral. Nesse sentido, procedeu-se inicialmente à divisão de tarefas entre os participantes do GEP, assinalando-se, a cada um deles, diferente segmento do texto legal. Após a conclusão dos trabalhos individuais, com os necessários fundamentos jurídicos e balizamentos doutrinários e/ou jurisprudenciais, os vários aspectos controvertidos foram expostos e discutidos em reuniões presididas pelo professor coordenador, a quem coube, em seguida, a síntese daquelas ideias e a elaboração deste relatório. A partir do que se entendeu serem os objetivos dos GEP s e do próprio Congresso, optou-se pela preparação de um relatório prático e simplificado, com a apresentação dos resultados na forma de tabela, a fim de permitir consulta rápida e pronta apreensão das informações. 4
3. RESULTADOS Item Dispositivo Legal Aspecto(s) Controvertido(s) 1 Art. 3º 2 Arts. 26 e 41 3 Art. 48, inciso III 4 Art. 49, 3º A competência para processar e julgar os processos de recuperação e falência é definida em função do principal estabelecimento do empresário. Na prática, entretanto, a expressão mostra-se excessivamente vaga e ambígua, dada a inexistência de critérios seguros para se identificar, entre os vários estabelecimentos do empresário, qual seria o principal (o centro da administração, o estabelecimento de maior volume de negócios, o de maior número de empregados, o que contém os ativos de maior valor...). Ambos os dispositivos fazem referência às classes de credores na assembléia geral. Entretanto, repartem-nas de maneira diferente, ora incluindo os credores com privilégios especiais na mesma classe dos credores com garantia real (art. 26), ora incluindo-os na classe dos credores quirografários (art. 41). Tal divergência, cujos fundamentos são difíceis de imaginar, somente fazem aumentar as dificuldades de condução do processo. Ao estabelecer os requisitos para a recuperação judicial, a lei exige o decurso do prazo mínimo de 5 (cinco) anos desde a eventual obtenção de recuperação judicial anterior. Entretanto, em se tratando de recuperação obtida com base no plano especial para micro e pequenos empresários, referido prazo é mais elevado: 8 (oito) anos. Tal solução está em desconformidade com o artigo 170, inciso IX, da Constituição, que estabelece, como princípio da ordem econômica, o tratamento favorecido do pequeno empresário. O dispositivo estabelece injustificável vantagem para o proprietário fiduciário e o arrendador mercantil, na medida em que exclui os respectivos contratos do campo de incidência dos efeitos da recuperação judicial. A ressalva de que os bens essenciais à atividade do devedor não possam ser retomados durante o prazo de suspensão a que se refere o 4º do art. 6º da mesma lei é insuficiente, pois põe em risco a manutenção da atividade e a preservação da empresa após o decurso do referido prazo. Melhor seria permitir que o plano de recuperação judicial alcançasse tais contratos, ainda que fossem estabelecidas restrições quanto aos prazos de pagamento e eventual remissão 5
5 Art. 57 6 Art. 81 7 Art. 86, inciso III 8 Art. 159, caput 9 Art. 164, 3º, inciso III parcial das obrigações. A exigência de apresentação de CND s fiscais após a juntada aos autos do plano de recuperação aprovado pelos credores acrescenta verdadeiro requisito à obtenção da recuperação judicial. Ocorre que nem os créditos fiscais nem as respectivas execuções são atingidos pela recuperação judicial. Dessa forma, pelo menos até que seja implantado o parcelamento especial para devedores em recuperação (previsto pelo 3º do art. 155-A do CTN), referida exigência deve ser mitigada, sob pena de se converter em verdadeiro empecilho ao restabelecimento da empresa. O dispositivo prescinde de rigor técnico ao criar hipótese de falência de não-empresários (os sócios ilimitadamente responsáveis, sejam pessoas físicas ou jurídicas). Melhor seria estabelecer que aqueles sócios estivessem sujeitos aos efeitos patrimoniais da sentença que decreta a falência (e não que tal sentença acarretasse também a falência deles). O dispositivo prescinde de rigor técnico ao fazer referência ao contratante de boa-fé na hipótese de revogação ou ineficácia do contrato. Isso porque a revogação depende de prova do conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar, além do efetivo prejuízo sofrido pela massa falida (art. 130). Logo, na hipótese de revogação do contrato, nunca existirá um contratante de boa-fé. O dispositivo autoriza o falido a requerer ao juízo da falência que suas obrigações sejam declaradas extintas por sentença, desde que configurada qualquer das hipóteses do art. 158. Deixa de explicitar, todavia, a possibilidade de tal requerimento basear-se na prescrição das obrigações, a exemplo do se encontrava no art. 136 do Decreto-Lei nº 7.661/1945 e do que se verifica no art. 160 da própria Lei nº 11.101/2005 (este, entretanto, referindo-se especificamente ao sócio de responsabilidade ilimitada). A redação do 3º do artigo 164 alinha-se no sentido de restringir as possíveis alegações dos credores contrárias à homologação do plano de recuperação extrajudicial. Entretanto, o inciso III do referido parágrafo contempla previsão absolutamente aberta ( descumprimento de qualquer outra exigência legal ), destoando dos incisos anteriores e, de certa forma, absorvendo-os. 6
4. BIBLIOGRAFIA ABRÃO, Nelson. Curso de direito falimentar. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1993. ALMEIDA, Amador Paes de. Curso de falência e recuperação de empresa. 25 ed. São Paulo: Saraiva, 2009. BEZERRA FILHO, Manoel Justino. Lei de recuperação de empresas e falências comentada. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. CAMPINHO, Sérgio. Falência e recuperação de empresa: o novo regime de insolvência empresarial. Rio de Janeiro: Renovar, 2006. COELHO, Fábio Ulhoa. Comentários à nova lei de falências e de recuperação de empresas (Lei n. 11.101, de 9-2-2005). 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.. Curso de direito comercial. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2006 v. 3.. Manual de direito comercial. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. DE LUCCA, Newton; DOMINGUES, Alessandra de Azevedo (coord). Direito recuperacional Aspectos teóricos e práticos. São Paulo: Quartier Latin, 2009. FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Nova lei de falência e recuperação de empresas. 5 ed. São Paulo, Atlas, 2010. FERREIRA, Waldemar. Tratado de direito comercial. São Paulo: Saraiva, 1965 (v. 14) e 1966 (v. 15). GUSMÃO, Mônica. Aspectos polêmicos da nova lei de falências. Disponível online em: http://www.tj.rj.gov.br/institucional/dir_gerais/dgcon/pdf/artigos/ direi_empre/aspectos_polemicos_monica_gusmao.pdf LACERDA, José Cândido Sampaio de. Manual de direito falimentar. 13 ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1996. MAGALHÃES, José Hamilton. Direito falimentar brasileiro. São Paulo: Saraiva, 1994. MAMEDE, Gladston. Direito empresarial brasileiro: falência e recuperação de empresas. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2009. v. 4. MENDONÇA, J. X. Carvalho de. Tratado de direito comercial brasileiro. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1960 (v. 7) e 1959 (v. 8). 7
NEGRÃO, Ricardo. Aspectos objetivos da Lei de Recuperação de Empresas e de Falências. São Paulo: Saraiva, 2005..Manual de direito comercial e de empresa. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. v. 3. REQUIÃO, Rubens. Curso de direito falimentar. São Paulo: Saraiva. vv. 1 e 2. VALVERDE, Trajano de Miranda, Comentários à lei de falências. Rio de Janeiro: Forense, 1948 (vv. 1 e 2) e 1949 (v. 3). 8
5. DADOS DE CONTATO Faculdade de Direito do Sul de Minas FDSM Núcleo de Extensão Av. Dr. João Beraldo, 1.075 Centro 37.550-000 Pouso Alegre, MG www.fdsm.edu.br 35 3449-8113 Prof. Dr. Elias Kallás Filho Gestor do Núcleo de Extensão da FDSM Coordenador da Liga de Direito Empresarial - LIDE ekf@fdsm.edu.br 9