Tribunal de Contas do Estado do Pará



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Transcrição:

RESOLUÇÃO Nº. 17.329 (Processo nº. 2007/50268-1) Assunto: Consulta formalizada pelo Exmº Sr. Dr. JOSÉ ALOYSIO CA- VALCANTE CAMPOS, Procurador Geral do Estado à época, solicitando informações a respeito de pagamentos de diárias, cujos valores não são suficientes para cobrir as despesas de funcionários deslocados aos Municípios do interior do Estado. EMENTA: Despesas eventuais de pronto pagamento em espécie e de pequeno vulto. Tratamento especial em viagens e/ou com serviços especiais. Suprimento de fundos. Possibilidade Relatório do Exmo. Sr. Conselheiro EDILSON OLIVEIRA E SILVA: Processo nº. 2007/50268-1: Através do Ofício n. 2882/2006/PGE-GAB-CPCON, protocolado neste Tribunal no dia 15 de dezembro de 2006, S. Exa. o Sr. Procurador Geral do Estado formula "Consulta" sobre como proceder para atender a "despesas efetuadas por servidores quando deslocados para fora da sede, ante a orientação de que não sejam feitos "ressarcimentos", nem tampouco "pagamento de táxi", pois seriam medidas que causariam problemas às prestações de contas". A Consultoria Jurídica manifestou-se nas fls. 02 a 07. A priori, informa que a consulta é formulada em tese, e, portanto, regimentalmente acolhível. Em seqüência, manifesta-se sobre o "mérito", emitindo, então, Parecer que foi aprovado pelo ilustre Consultor Jurídico, conforme despacho de fls. 7. Como parte integrante deste Relatório, transcrevo o Parecer da Consultoria Jurídica, na parte em que adentra o Mérito, o que passo a ler: "Da Matéria A Lei n 5.810, em seu art. 145 e seguintes, disciplina a concessão de diárias, estabelecendo: Jurisprudência do TCE-Pará http://www.tce.pa.gov.br Pág. 1

Art. 145 - Ao servidor que, em missão oficial ou de estudos, afastar-se temporariamente da sede em que seja lotado, serão concedidas, além do transporte, diárias a título de indenização das despesas de alimentação, hospedagem e locomoção urbana. 1º - A diária será concedida por dia de afastamento, sendo devida pela metade, quando o deslocamento não exigir pernoite fora da sede. 2º - As diárias serão pagas antecipadamente e isentam o servidor da posterior prestação de contas. Art. 146 - No arbitramento das diárias será considerado o local para o qual foi deslocado o funcionário. Art. 147 - Não caberá a concessão de diárias, quando o deslocamento do servidor constituir exigência permanente do cargo. Art. 148 - O servidor que não se afastar da sede, por qualquer motivo, fica obrigado a restituir integralmente o valor das diárias e custos de transporte recebidos, no prazo de 5 (cinco) dias. Parágrafo Único - Na hipótese de o servidor retornar à sede, no prazo menor do que o previsto para o seu afastamento, restituirá as diárias recebidas em excesso, no prazo previsto no caput deste artigo. Art. 149 - Conceder-se-á indenização de transporte ao servidor que realizar despesas com a utilização de meio de locomoção, conforme se dispuser em regulamento. " Diárias, portanto, são importâncias em dinheiro concedidas ao funcionário que se desloca, temporariamente, da respectiva sede, no desempenho de funções ou atribuições, ou em missão ou estudo, desde que relacionadas com o cargo que exerce, o que corresponde, conforme nossa legislação estatutária, à indenização relativa às despesas de alimentação, hospedagem e locomoção urbana. Jurisprudência do TCE-Pará http://www.tce.pa.gov.br Pág. 2

Dos "pagamentos de táxi" e dos "ressarcimentos" Feitas estas considerações iniciais, cabe-nos, antes de continuarmos a responder efetivamente ao que foi consultado, ater-nos a dois pontos suscitados pelo consulente e que merecem uma melhor apreciação. Em suas considerações, o interessado alegou que esta Corte de Contas tem orientado no sentido de que não sejam feitos "ressarcimentos" nem "pagamentos de táxi", pois seriam medidas que causariam problemas às prestações de contas. A princípio, somos da opinião de que se a despesa efetuada com "pagamentos de táxi", insere-se no que se compreende por "locomoção urbana", recebe a mesma a cobertura da indenização estipulada. Assim, entendemos que se a locomoção urbana alcança o deslocamento do servidor dentro do perímetro urbano para o qual foi deslocado não há óbice algum a que a despesa seja efetuada, uma vez que a diária é estipulada com essa finalidade. Diferente é o caso se houver a necessidade de o servidor movimentar-se para fora do perímetro urbano a fim de realizar serviço afeto àquele para o qual foi designado, pois desta forma, o deslocamento já seria considerado como locomoção não urbana. Quanto à questão do "ressarcimento" esta Corte de Contas tem adotado o entendimento de ser o mesmo vedado, uma vez que todas as despesas devem ser previamente empenhadas. A Lei n 4.320/64, que estatuiu as Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, em seu art. 35 é bem clara acerca das despesas do exercício financeiro, ao determinar: "Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: I - as receitas nele arrecadadas; 11 - as despesas nele legalmente empenhadas. "(grifo nosso) Jurisprudência do TCE-Pará http://www.tce.pa.gov.br Pág. 3

Já o art. 60 do mesmo diploma legal, proíbe a realização de despesa sem prévio empenho, admitindo-a, como forma de exceção, somente em casos específicos previstos em legislação específica: "Art. 60. É vedada a realização de despesa sem prévio empenho. 1º Em casos especiais previstos na legislação especifica será dispensada a emissão da nota de empenho... " (grifo nosso) Estas, portanto, as razões da orientação. Do Parecer Retornamos, após o acima expendido, à consulta formulada, na qual há a solicitação de uma opção legítima para custear as despesas que excedem o valor da indenização e que causam prejuízos aos servidores. Muito embora haja a previsão legal para o arbitramento das diárias levando em consideração o local para o qual o servidor for deslocado, sabemos que não há como, mediante nossa diversidade regional, considerar que os gastos efetuados em um município "A" serão os mesmos realizados em um município "B". No âmbito do Poder Executivo, o fornecimento de diárias foi reajustado pela Portaria n 0501, de 08 de maio de 2003, que alterou os Anexos I e II da Portaria n 689, de 20 de maio de 1994. Esta última alteração teve por finalidade a atualização dos valores das diárias concedidas aos servidores públicos civis e aos militares de forma a compatibilizar os valores atuais, em relação ao real custo de hospedagem no território nacional, visando assegurar o cumprimento dos programas de trabalho da administração estadual. Verificamos, portanto, que a última alteração relacionada às diárias ocorreu no ano de 2003. De lá para cá, obviamente, podemos considerar que os custos reais de hospedagem no território nacional sofreram majorações, o que talvez já devesse ensejar uma revisão desses valores, no âmbito do Executivo. Jurisprudência do TCE-Pará http://www.tce.pa.gov.br Pág. 4

Se há disparidades em relação aos custos reais de hospedagem, locomoção urbana e alimentação de um município para outro, estes devem ser considerados, conforme o permissivo legal estabelecido pelo art. 147 da Lei n 5.810/94. No mesmo ínterim, o estudo da inclusão de cláusula de reajustamento periódico que assegurasse o real custo de hospedagem nos diversos municípios de nosso Estado, é matéria a ser debatida. Devemos, ainda, considerar as situações, por vezes i- nesperadas, que podem ocorrer no transcorrer de um deslocamento, o que levaria o servidor a realizar despesas não previstas anteriormente e que escapariam ao alcance das diárias. Em face dessas situações, outra alternativa válida para evitar que o servidor complemente com recursos próprios os gastos que excedam o valor da indenização, seria a estipulação de suprimento de fundos para atender despesas eventuais, entre elas, as de locomoções não urbanas. Assim o permite o Decreto n 93.872, de 23 de dezembro de 1986, ao prescrever, em seu art. 45, que o suprimento de fundos é um instrumento de exceção que, a critério do ordenador de despesas e sob sua inteira responsabilidade, poderá ser concedido a servidor, sempre precedido de empenho na dotação própria às despesas a realizar, e que não possam subordinar-se ao processo normal de aplicação, nos seguintes casos: - para atender despesas eventuais, inclusive em viagens e com serviços especiais, que exijam pronto pagamento em espécie; - quando a despesa deva ser feita em caráter sigiloso, conforme se classificar em regulamento; e - para atender despesas de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujos valores, em cada caso, não ultrapassar os limites estabelecidos em Portaria do Ministério da Fazenda. Pelo acima exposto, consideramos que as sugestões que por hora se apresentam como legítimas a salvaguardar os servidores de eventuais prejuízos bem como transtornos na pres- Jurisprudência do TCE-Pará http://www.tce.pa.gov.br Pág. 5

tação de contas dos órgãos são as acima expostas, esperando ter respondido a contento, bem como ter orientado de forma escorreita essa Digna Procuradoria. É o parecer, S.M.J. É o relatório. V O T O: A consulta não apresenta complexidade. E por isto a Consultoria Jurídica pautou-se na medida certa, sem maiores indagações e desnecessárias citações doutrinárias ou jurisprudenciais, alcançando com objetividade a resposta apropriada. Em assim sendo, acolho integralmente o Parecer da Consultoria Jurídica sobre a matéria, e voto no sentido de que o dito Parecer seja remetido ao Consulente como resposta deste Plenário à presente Consulta. RESOLVEM os Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Pará, unanimemente, na forma do voto Exmº Sr. Conselheiro Relator, com fundamento no art. 220 do ato nº. 24, de 29 de março de 1994, responder a consulta, formulada nos termos do parecer da Consultoria Jurídica desta Corte, acima transcrito. 2007 Plenário Conselheiro Emílio Martins, em 12 de abril de Publicada no Diário Oficial do Estado nº30.928 de 18 de maio 2007. Jurisprudência do TCE-Pará http://www.tce.pa.gov.br Pág. 6