O DESEMPENHO DE BARCOS ELÉTRICOS UTILIZANDO ENERGIA FOTOVOLTAICA PARA CIDADES SUSTENTÁVEIS Prof. Esp. João Dalton Daibert Orientador: Prof. Dr. Teófilo Miguel de Souza (UNESP) Colaboradores: Profa. Dra. Vassiliki T. Galvão Boulomytis & Profa. Me. Jéssica Pereira Oliveira Departamento de Engenharia Civil, IFSP-CAR I WORKSHOP GETIS Caraguatatuba, 17 de outubro de 2018
RESUMO A dinâmica do transporte é essencial para o desenvolvimento econômico do processo de urbanização. Também interfere no padrão de distribuição social e nas características ambientais das áreas urbanas. Seja ao longo de vias navegáveis, interiores ou litorais, os barcos podem utilizar o motor elétrico para propulsão dentro do contexto de mobilidade atual. A opção de alimentá-lo com recursos de energia renovável atende a várias ações que foram revisadas: novos materiais e tecnologias, sem o uso de combustíveis fósseis e principalmente a redução de emissão de CO2. Diante dos pressupostos listados, o presente estudo foi orientado pelo uso de energia elétrica produzida por células fotovoltaicas com resultados favoráveis para seu uso no motor elétrico. Os testes experimentais mostraram que o motor elétrico poderá ser ativado apenas com painéis fotovoltaicos ou com bateria carregada nesses painéis. Em todas as situações testadas, o movimento do barco era semelhante ao do motor de combustão. A minimização do impacto ambiental foi abordada com a retirada dos motores de combustíveis fósseis, e nos resultados também corroboraram o uso econômico e social dessas embarcações, para transporte, pesca de pequena escala, esportes e turismo, representando o projeto que as áreas urbanas pretendem atingir: os ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
MÉTODOS O experimento foi desenvolvido em duas etapas: - o estático, no dia 8 de abril de 2016, realizado em caixa d'água, utilizando um aparelho de apoio, - o dinâmico, no dia 23 de junho de 2016, pelo uso num barco Mogi Mirim (5,0m de comprimento, 1,28 m de largura e 58 kg de peso), navegando no rio Paraíba do Sul, próximo ao porto de Itaguaçu, em Aparecida, Estado de São Paulo. O motor elétrico é um Phantom -54 lb, que pertence ao Instituto de Mobilidade Elétrica da Faculdade de Engenharia Elétrica da FEG - UNESP. Foi utilizado com várias posições de altura em relação à fixação no barco, para uma profundidade menor ou maior da hélice, e às mudanças de velocidade com recursos de 5 posições para frente e 3 para ré.
MÉTODOS Nas figura (a) aparece a disposição dos equipamentos no barco e na figura (b) uma foto dentro do rio
RESULTADOS OBTIDOS No teste estático, a irradiação solar foi de 847 W / m², conforme mostrado na Tabela 1. A potência mais significativa necessária foi na posição R3: Time Irradiation N. Current (A) Voltage (V) Power (W) Positions (h) (W/m²) 1 12.30 pm 847 0 19.03 0 R0 2 10.6 17.12 181.47 R1 3 12.3 16.81 206.76 R2 4 21.5 14.00 301.00 R3 5 23.0 12.85 299.55 R4 6 24.5 7.80 191.10 R5 Tabela 1 Weather Conditions Sunny day No teste dinâmico, o barco subiu a correnteza conforme Tabela 2, que mostra as velocidades medidas pelo anemômetro: N. Time (h) Irradiation (W/m²) Current (A) Voltage (V) Power (W) Boat Speed (km/h) Positions Weather Conditions 1 1.25 pm 650-19.66 - - R0 2 12.66 17.27 218.64 1.8 R1 3 13.12 16.03 210.31 1.8 R2 4 17.16 9.6 164.74 2.2 R3 5 15.40 8.4 129.36 2.5 R4 6 1.50 pm 17.26 5.7 98.38 3.6 R5 7 1.54 pm 37.56 12.66 465.51 4 R5 8 2.24 pm 35.68 11.24 401.04 4.3 R5 9 2.26 pm 35.68 11.24 401.04 4.7 R5 10 2.44 pm 32.27 10.91 352.07 4.7 R5 Cloudy day Tabela 2
CONCLUSÃO Os resultados deste estudo revelaram que o uso de energia elétrica nos barcos é viável para o transporte de passageiros, e outras finalidades. Para embarcações pequenas, semelhantes àquelas operadas no experimento, a autonomia seria longa o suficiente para torná-las apropriadas ao uso urbano. Um número mais significativo de placas fotovoltaicas instaladas na cobertura proporcionaria desempenho e autonomia mais satisfatórios. Também foi possível concluir que o uso dos motores elétricos em áreas urbanas minimizaria o impacto dos óleos, combustível e lubrificante na natureza, e também o efeito do ruído nas áreas de pesca. Quando a energia elétrica é gerada por células fotovoltaicas, os resultados são ainda mais benéficos, já que a energia pode contar exclusivamente com tecnologia limpa. O uso destes barcos também minimiza o custo de implementação e manutenção da infraestrutura e maximiza o acesso ao transporte público e aos modos integrados (por exemplo, bicicletas, motocicletas e até veículos maiores transportados por navios). Finalizando, o uso de barcos elétricos com energia fotovoltaica é consistente com muitos dos 17 ODS da Agenda 2030, que são: ítem 6 - Água limpa e saneamento para todos; ítem 7 - Acesso a energia acessível, confiável, sustentável e moderna; ítem 8 - Crescimento econômico sustentável; ítem 9 - Infraestrutura resiliente para promover a industrialização e a inovação sustentáveis; ítem 11 - cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis; ítem 12 produção e consumo sustentáveis; ítem 13 - Ação urgente de combate das mudanças climáticas e seus impactos; ítem 14 - Conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos (Nações Unidas, 2015).
Fonte: http://www.studiotecnicofp.co m/impianti-energia-rinnovabile/ prof.joaodalton@ifsp.edu.br Obrigado!!!