[Pequenas interrompem, imperceptível]



Documentos relacionados
[Comentários sobre isso. Não transcrito, mas explicado em diário de campo]

Anexo Entrevista G1.1

4ª - Sim, já instalei o programa em casa e tudo. Vou fazer muitas músicas e gravar-me a cantar nelas também.

Uma realidade constante

Ficha Técnica: Design e Impressão Mediana Global Communication

OS AMIGOS NÃO SE COMPRAM

INQ Já alguma vez se sentiu discriminado por ser filho de pais portugueses?

Eu sei o que quero! Eu compro o que quero!

Transcriça o da Entrevista

Capítulo II O QUE REALMENTE QUEREMOS

Era uma vez, numa cidade muito distante, um plantador chamado Pedro. Ele

Sinopse II. Idosos não institucionalizados (INI)

VAMOS CONSTRUIR UMA CIDADE

O que procuramos está sempre à nossa espera, à porta do acreditar. Não compreendemos muitos aspectos fundamentais do amor.

este ano está igualzinho ao ano passado! viu? eu não falei pra você? o quê? foi você que jogou esta bola de neve em mim?

Entrevista A2. 2. Que idade tinhas quando começaste a pertencer a esta associação? R.: 13, 14 anos.

Chantilly, 17 de outubro de 2020.


Selecção através do computador A_1 a seguir vai se às músicas A_3 A_4 A_5 A_6 A_7 A_8 A_9 A_1 A_1 1 A_1 2

Campanha Nacional de Escolas da Comunidade Colégio Cenecista Nossa Senhora dos Anjos Gravataí RS. Cohab B

FESTA DO Pai-Nosso. 1º ano. Igreja de S. José de S. Lázaro. 7 de Maio de 2005

Entrevista Brenda

Lembro-me do segredo que ela prometeu me contar. - Olha, eu vou contar, mas é segredo! Não conte para ninguém. Se você contar eu vou ficar de mal.

Eleição. para o Presidente da República

Material: Uma copia do fundo para escrever a cartinha pra mamãe (quebragelo) Uma copia do cartão para cada criança.

R I T A FERRO RODRIGUES

COMO SE PREPARA UMA REPORTAGEM i DICAS PARA PREPARAR UMA REPORTAGEM

Jesus contou aos seus discípulos esta parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar.

Peça de Teatro Sinopse Argumento

Destralhar sem dramas

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS. Idade na admissão.

Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a

Agrupamento de Escolas Pioneiras da Aviação Portuguesa EB1/JI Vasco Martins Rebolo

JOSÉ DE SOUZA CASTRO 1

Em algum lugar de mim

Dedico este livro a todas as MMM S* da minha vida. Eu ainda tenho a minha, e é a MMM. Amo-te Mãe!

A Tua Frase Poderosa. Coaches Com Clientes: Carisma. Joana Areias e José Fonseca

O PERCURSO ACADÉMICO NA FBAUL E AS PERSPECTIVAS FUTURAS

O Conselho da Europa é uma organização internacional com 47 países membros. O seu trabalho afecta a vida de 150 milhões de crianças e jovens.

Uma Conexão Visual entre Trabalhadores da Lavoura de Cana-de-Açúcar, no Brasil, e Suas Famílias

O Coração Sujo. Tuca Estávamos falando sobre... hm, que cheiro é esse? Tuca Parece cheiro de gambá morto afogado no esgoto.

Projetos sociais. Criança Futuro Esperança


Animação Sociocultural. No PAís do Amor

Manifeste Seus Sonhos

Categorias Subcategorias Unidades de registo. Situação. Sai da escola e ia para casa da minha mãe (F1) Experiência de assalto

Na Internet Gramática: atividades

Entrevista Vera

Estudo de Caso. Cliente: Rafael Marques. Coach: Rodrigo Santiago. Duração do processo: 12 meses

No E-book anterior 5 PASSOS PARA MUDAR SUA HISTÓRIA, foi passado. alguns exercícios onde é realizada uma análise da sua situação atual para

Há 4 anos. 1. Que dificuldades encontra no seu trabalho com os idosos no seu dia-a-dia?

Tendo isso em conta, o Bruno nunca esqueceu que essa era a vontade do meu pai e por isso também queria a nossa participação neste projecto.

Vamos Criar um Ponto de Restauro no Windows

Era uma vez um príncipe que morava num castelo bem bonito e adorava

Catequese nº 13 (4º Catecismo) Jesus presente no irmão. Jorge Esteves

Modos de agir na interacção Conteúdos. Aprendizagem dos alunos

Português Língua Estrangeira Teste (30 horas)

ALEGRIA ALEGRIA:... TATY:...

Português Língua Estrangeira Teste (50 horas)

Orando pela minha família

CANDIDATO BANCADO PELOS PAIS

I.ª Parte. Nome: Ano: Lê o texto que se segue com muita atenção.

Harmonizando a família

Região. Mais um exemplo de determinação

Vai ao encontro! de quem mais precisa!

Rio de Janeiro, 5 de junho de 2008

MERGULHO de Betina Toledo e Thuany Motta

Introdução. Bom, mas antes de começar, eu gostaria de me apresentar..

Unidade 2: A família de Deus cresce José perdoa

Entrevista Noemi Rodrigues (Associação dos Pescadores de Guaíba) e Mário Norberto, pescador. Por que de ter uma associação específica de pescadores?

HINÁRIO O APURO. Francisco Grangeiro Filho PRECISA SE TRABALHAR 02 JESUS CRISTO REDENTOR

11 Segredos. Capítulo VIII. para a Construção de Riqueza !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A TURMA DO ZICO EM: CUIDADO COM A DENGUE

Desafio para a família

Unidade I Tecnologia: Corpo, movimento e linguagem na era da informação.

Respostas dos alunos para perguntas do Ciclo de Debates

Como fazer contato com pessoas importantes para sua carreira?

Comunicação Não-Violenta

Sei... Entra, Fredo, vem tomar um copo de suco, comer um biscoito. E você também, Dinho, que está parado aí atrás do muro!

Obedecer é sempre certo

Glücks- Akademie mit JyotiMa Flak Academia da felizidade com JyotiMa Flak

Sobre esta obra, você tem a liberdade de:

P/1 Seu Ivo, eu queria que o senhor começasse falando seu nome completo, onde o senhor nasceu e a data do seu nascimento.

Professor BÓRIS em O DIREITO DE SER CRIANÇA

A.C. Ilustrações jordana germano

Sinopse I. Idosos Institucionalizados

Programa de Português Nível A2 Ensino Português no Estrangeiro. Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, IP

HISTÓRIA DE LINS. - Nossa que cara é essa? Parece que ficou acordada a noite toda? Confessa, ficou no face a noite inteira?

Os dois foram entrando e ROSE foi contando mais um pouco da história e EDUARDO anotando tudo no caderno.

Areias 19 de Janeiro de Querida Mãezita

Meu filho, não faça isso

PREGAÇÃO DO DIA 08 DE MARÇO DE 2014 TEMA: JESUS LANÇA SEU OLHAR SOBRE NÓS PASSAGEM BASE: LUCAS 22:61-62

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Universidade Nova de Lisboa

Transcrição:

E- A ideia é: vou-vos fazer algumas perguntas e vocês respondem consoante aquilo que quiserem dizer. E a ideia do grupo de discussão não é vocês desatarem todos à porrada mas é se vocês ah sei lá por exemplo alguém diz qualquer coisa e o outro não concorda, vocês podem discordar uns dos outros e a ideia é que vocês mostrem a vossa opinião. Não há respostas certas nem respostas erradas eeee e pronto, então vamos começar. Eu queria só que vocês fizessem uma ronda de apresentações apesar de eu vos conhecer e que vocês me dissessem o vosso nome, a idade e em que ano é que tão. Vá começamos pelo Carlitos pequenino. e1- Eu tenho cinco anos. E- Tens 5 anos e não andas na escola ainda? Tá bem. Valentim, quantos anos tens? e2-13. e3- Tens quase 14, fazes anos no dia 30. e1- Tenho trezee E- E andas em que ano na escola? e1- No quinto. E- Tá bem. Márcio. e2- Tenho 13 ando no 6º. E- Ana e4- aa tenho 14 e ando no 6º. e- Filipa e5- Tenho 13 e ando no 6º. E- Clara. e6- Tenho 12 ando no 5º. e7- Eu tenho 8 e ando no 2º ano. e8- Tenho 9 ando no 2º ano. E- Ok. Se calhar vou tirar aqui isto da frente se não vocês não conseguem ver. Então a ideia é vamos imaginar uma pessoa que vocês conhecem mas que nunca teve em Faro nem no Algarve nem no bairro. Não conhece mas imaginem que vocês falaram com essa pessoa na internet ou por telefone e essa pessoa nunca teve no bairro nem na cidade de Faro mas gostava de conhecer. [Pequenas interrompem, imperceptível] E- Imaginem que essa pessoa vos pergunta por exemplo sobre o bairro ou sobre a cidade de Faro. [Risos, entra Técnico T- Desculpa Lá. E- Não faz mal. Para vocês lhe falarem um bocadinho da cidade de Faro, essa pessoa nunca viu a cidade então o que é que vocês lhe diziam? (silêncio) Sobre a cidade. A uma pessoa que não conhece a cidade de Faro? e8- Não sei. E- Não sabes? e7- Eu também não eu não vou responder. E- Que é o quê Ana. e4- Uma cidade simples. E- Uma cidade simples como? Explica um bocadinho melhor. e4- Tem pouco carros. [Risos]

E- Tá bem mas é uma cidade simples mas porquê, porque não é muito confusa, tem poucos carros, tem poucos prédios e4- Não é confusa. E- Ok. Valentim, o que é que dizias sobre a cidade de Faro? e2- Pff não presta. E- Dizias que não presta. Porquê? e5- Também não gosto. Eu gosto mais deee nada. E- Diz. e5- Não (Ri-se). e5- Sim Clara, diz. e8- Olha eu digo, eu gosto mais de Faro, da minha rua. E- Então espera a aí, a Clara diz que gosta mais de Pechão. Porque é que gostas mais de Pechão? [Ruído, imperceptível] e8-tem lá o namorado dela. E- Ah! e6- Tá a minha irmã olha! E- Tens lá família, é isso? e6- Tenho. Os meus tios as minhas tias. E- E tu Raquelinha porque é que gostas mais de Lisboa? [Confusão, dispersam] [Júlia entra] E- Então outra pergunta se vocês tivessem que descrever a cidade de Faro o que é que diziam? Como é que descreviam fisicamente a cidade de Faro? e8- Só gosto de Porto e Lisboa. E- Gostas das grandes cidades é isso? E- Tu gostas do Porto Filipa? E de Faro, o que é que achas de Faro? e5- Ah, mais ou menos. Não é lá grande coisa. e8- Eu gostava de tar em Lisboa., é muito fixe. E- O que é que gostas e não gostas em Faro? e4- E Albufeira. L- E tu Márcio, gostas de Faro? e1- Não. L- Não? Do que é eu tu gostas? e1- Horta da Areia. L- Tu gostas da Horta da Areia. E- Vocês gostam da Horta da Areia? [Confusão, falas sobrepõem-se] E- E o que é que vocês me diriam sobre o vosso bairro? e7- Eu gosto porque tá a minha família. E- Gostas porque tá a tua família. E o que é que vocês acham do bairro? e7- Eu acho bonito. É bonito. e8- Não presta este bairro. e2- É só confusões. e8- Alguns limparam aquelas árvores que tão ali, cortaram. Limparam o lixo e tá tudo na mesma. Este bairro tá cheio de lixo. L- E tu Márcio o que é que achas daqui da Horta da Areia? Gosto, tu disseste. e1- Gosto do bairro.

L- E porque é que tu gostas? Porque sim? O que é que tu gostas mais lá? O que é que tu fazes lá? e1-brincar, andar de skate, andar de bicicleta. Eu tenho. L- Tu tens uma bicicleta? e1- E dois skates. L- 2? e7-2 quê mentiroso! e1- Um tá debaixo dos brinquedos. E- E tu Valentim, gostas não gostas e2 (Encolhe os ombros) e4- Eu não gosto. E- Porque é que não gostas Ana? e4- Então olha é aborrecido. E- E tu Filipa? e5- Eu não sei, eu não sei nada. E- Nunca pensaram sobre isso? E- Gostam do aspecto do bairro? e4- Não. E- Gostam das pessoas que vivem aqui? e8- Não. e2- Nenhuma. e3- Eu odeio especialmente uma que é a Filipa. E- O que é que vocês acham dos vossos vizinhos, por exemplo? e3- Se eu fosse vizinho da Filipa odiava. L- Mas não és. Tu Ana é mesmo verdade que vais mudar de casa? e4- Não sei. E- Vais sair do bairro ou vais mudar de casa aqui dentro do bairro? e4- Não sei. L- Eu ouvi dizer. Mas é um zunzunzun. e2- Eu gostava de sair daqui. L- E viver aonde? e2- Sei lá, por mim podia ser em Olhão. E- O que é que gostas em Olhão? e2- Tenho lá a minha namorada. E- E mais, é só por causa da namorada Valentim? e2- Não também gostava de tar lá. e5- Tem a família. e2- É só gajas boas. E- E vocês não gostam do centro comunitário? e8- Eu gosto muito do centro este. e7- Eu também. Centro comunitário. E- Então sempre gostam de qualquer coisa no bairro ou vocês acham que o centro não faz parte do bairro? e4- Faz. E- E se eu vos pedisse para me dizerem 3 coisas positivas do bairro e 3 coisas negativas? e3- Olha as coisas negativas Filipa, Russo e Filipa. E- E se for coisas em vez de pessoas? [Pequenos distraem-se com máquina fotográfica de Júlia]

E- Ana, 3 coisas positivas e 3 coisas negativas. [Grandes distraídos com cartolinas da entrevistadora] e4- Gostava de viver noutro sítio tipo E- Tipo o quê? E- um sítio mais bonito? e4- Sim! Com mais condições. Com mais pessoas. E- E tu Clara gostavas de morar em Pechão mas é só por causa de morares em família ou é e6- Porque está lá a minha irmã. Dois tios, uma tia. O meu sobrinho também. [Distraem-se a ver as cartolinas da entrevistadora. Passa algum tempo até que voltem a sentar-se] E- E continuando a imaginar uma pessoa conhecida o que é que lhe diziam sobre o teatro do oprimido. e3- Isso é? E- É o que tu tás a fazer com o teatro. e4- O teatro é muita fixe. e5- Há muitas pessoas que queriam e não fazem. e4- Ya. E- Vocês acham que são uns privilegiados por poderem fazer teatro? L- Só pa vos dizer que o teatro que fazemos chama-se teatro do oprimido. Eu nunca disse mas chama-se assim. e2- Ya é por isso que eu vi agora aqui do oprimido. L- É um teatro que é feito por pessoas que não são atores, como vocês. E que têm coisas para dizer. E- E o que é que vocês acham que aprendem com o teatro? e4- A representar. E- E tu O que é que achas que aprendes com o teatro? Ou não aprendes nada? e3 [Encolhendo os ombros] Sei lá! e2- Vá, agora vamos fazer perguntas à Vânia. O que é que achas do nosso bairro? E- Do vosso bairro? e2- Sim. E- Acho que é um bairro que está situado numa zona esquisita da cidade porque tem uma linha do comboio ali a dividir, acho que vocês têm uma coisa boa que é viverem ao pé da ria e e2- Acho que não. E- Achas que é mau viver ao pé da ria? E é mau vocês terem ruas de terra e terem casas que são barracas, algumas. E podia ser um bairro mais bonito. Mas também acho que tem pessoas simpáticas. e2- Eu não acho. e5- Também não acho. L- Mas vocês são simpáticos. [Márcio e Filipa começam a embirrar um com o outro] E- Olhem e sobre o teatro, quais são os momentos que vocês gostam mais do teatro? e5- De tudo. e3- Quando tou à porrada.

[Voltam a dispersar] E- Olha vocês acham que o teatro é um bom sítio para se fazer amigos? e1- Siiimm! e4- É. e3- E inimigos não é Filipa? E- Olha o que é que vocês sentem quando estão a atuar, a representar? e6- Feliz. e7- Vergonha. L- E tu Valentim quando tás em palco sentes vergonha ou não? Vergonha também? [Valentim levanta-se. Dispersam. Termina.]