Arquivos: gestão e conservação

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Transcrição:

Arquivos: gestão e conservação 11 Junho de 2011 Por José Silvino Filho Silvino.qualidade@gmail.com Sugestões Técnicas Ano III FUNDOS DE ARQUIVO Professor José Silvino Filho Consultor de Projetos em Sistemas de Gestão da Qualidade e Documentação Epígrafe Fundo - 1) A principal unidade de arranjo estrutural nos arquivos permanentes, constituída dos documentos provenientes de uma mesma fonte geradora de arquivos. 2) A principal unidade de arranjo funcional nos arquivos permanentes, constituída dos documentos provenientes de mais de uma fonte geradora de arquivo reunidas pela semelhança de suas atividades, mantido o princípio da proveniência. O princípio se aplica também aos arquivos de primeira e segunda idades (vide fundos abertos). Princípio da Proveniência - Princípio básico da arquivologia segundo o qual o arquivo produzido por uma entidade coletiva, pessoa ou família não deve ser misturado aos de outras entidades produtoras. Também chamado princípio do respeito aos fundos. Arquivos: gestão e conservação. Sugestões Técnicas. Ano III Número 11 Junho de 2011. Página 1 de 5

GESTÃO DE DOCUMENTOS Arquivos são excelentes fontes de informação, desde que estejam organizados. FUNDOS DE ARQUIVO 1 Embasamento Recomenda a Associação dos Arquivistas Holandeses, em seu Manual de Arranjo e Descrição de Arquivo, regras números 15 e 16, respectivamente, que o arranjo de arquivo deve ser sistemático e que o sistema de arranjo deve ser baseado na organização do arquivo, a qual na sua essência, corresponde à organização do órgão que o produziu. 1 Tais recomendações vêm ao encontro do princípio fundamental da arquivística, respeito aos fundos (equivalente ao princípio da proveniência). Mas, antes de tudo, é necessário que se defina o que vem a ser fundo de arquivo. Na Norma Técnica da ABNT NBR 9578:1986 Arquivos - Terminologia, na seção 2.40.1, a definição de fundo é a mesma adotada pelo Arquivo Nacional 2 : Fundo - A principal unidade de arranjo estrutural nos arquivos permanentes, constituída dos documentos provenientes de uma mesma fonte geradora de arquivos. Na seção 2.40.2, da mesma Norma Técnica, a definição é assim complementada: A principal unidade de arranjo funcional nos arquivos permanentes, constituída dos documentos provenientes de mais de uma fonte geradora de arquivo reunidas pela semelhança de suas atividades, mantido o princípio da proveniência. 2 Respeito aos Fundos Uma vez registrada a definição de fundo de arquivo, as atenções são voltadas à compreensão do que vem a ser respeito aos fundos, ou princípio da proveniência. Michel Duchein 3 define o Arquivos: gestão e conservação. Sugestões Técnicas. Ano III Número 11 Junho de 2011. Página 2 de 5

respeito aos fundos: consiste em manter grupados, sem misturá-los a outros, os arquivos (documentos de qualquer natureza) provenientes de uma administração, de uma instituição ou de uma pessoa física ou jurídica: é o que se chama de arquivos dessa administração, instituição ou pessoa. As justificativas para esse princípio nos parecem bastante evidentes, habituados que estamos a considerar os arquivos como um produto natural da atividade do organismo que os gerou. Um fundo de arquivo, para efeito de estruturação sistêmica, pode ser categorizado como: Modalidade Aberto Fechado Interno Externo Definição Aquele em franco crescimento em razão de o órgão gerador de documentos estar em pleno exercício das suas funções e atividades. Fundo cujo órgão gerador de documentos tenha encerrado suas atividades, ou seja, tenha sido extinto. Aquele constituído em compatibilidade com a estrutura orgânica da instituição geradora dos acervos arquivísticos. Aquele que tem a sua origem ligada a organismo estranho à estrutura orgânica da instituição. Vide também herança de fundos e incorporação. Termos correlatos e complementares 4 : Termo Entidade Produtora Herança de Fundos Incorporação Integridade Arquivística Inventário Jurisdição Arquivística Listagem Descritiva do Acervo Pertinência Territorial Princípio da Proveniência Princípio do Respeito à Ordem Original Proveniência Definição Entidade coletiva, pessoa ou família identificada como geradora de arquivo. Também chamada produtor. Transmissão de um fundo a outra entidade produtora, a título de continuidade administrativa ou funcional. Ver também sucessão arquivística. Adição de documentos a um fundo ou coleção já sob custódia. Também chamada acréscimo de acervo. Objetivo decorrente do princípio da proveniência que consiste em resguardar um fundo de misturas com outros, de parcelamentos e de eliminações indiscriminadas. Também chamado integridade do fundo. Instrumento de pesquisa que descreve, sumária ou analiticamente, as unidades de arquivamento de um fundo ou parte dele, cuja apresentação obedece a uma ordenação lógica que poderá refletir ou não a disposição física dos documentos. Ver também repertório. Competência de arquivos sobre a produção, tramitação, entrada de documentos, avaliação, eliminação, preservação e/ou acesso, definida por leis ou regulamentos. Relação elaborada com o objetivo de controlar a entrada de documentos em arquivos intermediários e em arquivos permanentes. Conceito oposto ao de princípio da proveniência e segundo o qual documentos ou arquivos deveriam ser transferidos para a custódia de arquivos com jurisdição arquivística sobre o território ao qual se reporta o seu conteúdo, sem levar em conta o lugar em que foram produzidos. Princípio básico da arquivologia segundo o qual o arquivo produzido por uma entidade coletiva, pessoa ou família não deve ser misturado aos de outras entidades produtoras. Também chamado princípio do respeito aos fundos. Princípio segundo o qual o arquivo deveria conservar o arranjo dado pela entidade coletiva, pessoa ou família que o produziu. Termo que serve para indicar a entidade coletiva, pessoa ou família produtora de arquivo. Ver também entidade produtora e princípio da proveniência. Arquivos: gestão e conservação. Sugestões Técnicas. Ano III Número 11 Junho de 2011. Página 3 de 5

3 Requisitos à Constituição dos Fundos Internos Todo órgão, independentemente da sua posição hierárquica dentro da estrutura orgânicofuncional da instituição, seja da área de fins, seja da área de meios, tem e terá a sua biografia (histórico das suas funções e atividades) registrada no seu acervo arquivístico. A gênese dos documentos de arquivo é identificada nos processos de tomada de decisões. Os documentos, sistematicamente arranjados pelos órgãos que os produziram, darão origem aos fundos internos de arquivo, alicerçados, obviamente, no princípio da proveniência. Pode-se afirmar que o princípio da proveniência dos fundos internos será fixado a partir da capacidade de uma unidade ou subunidade organizacional gerar arquivos (documentos produzidos e recebidos). Mas nem todos os órgãos, pelo simples fato de serem geradores de documentos, constituem em si fundos internos de arquivos. Critérios devem ser fixados, à luz da racionalidade própria da arquivística, que conduzam a compreensão clara e objetiva do que poderá ser considerado fundo interno de arquivo (um conjunto indivisível de documentos de arquivo) sem nos perdermos diante de teorias maximalistas (definição do fundo interno considerando o nível mais alto da hierarquia organizacional como unidade funcional) e minimalistas (definição do fundo interno considerando a menor partícula da hierarquia organizacional como unidade funcional). Para ser considerada um fundo interno de arquivo (aberto ou fechado) uma unidade/subunidade organizacional geradora e repositória de acervos documentais deverá se encaixar no perfil a seguir delineado: ter a sua estrutura interna facilmente identificada e representada em um organograma; ter sido formalmente criada através de um instrumento normativo-deliberativo que defina, também, a sua função, os seus objetivos e a sua posição hierárquica dentro da instituição; possuir posto(s) de comando e execução, cujas atribuições tenham sido claramente definidas no(s) instrumento(s) legal(is) de criação do(s) cargo(s) e nomeação(ões) do(s) seu(s) titular(es); possuir capacidade de, através da sua chefia, conduzir os processos de tomada de decisão e de operacionalização, sem se tornar dependente, do ponto de vista gerencial, da chefia hierarquicamente superior; exibir, no caso de fundos internos fechados, as datas-limite (datas-baliza) de início e término de funcionamento, fixadas em instrumentos legais. Leitura recomendada: Seção 7 da obra da Professora Heloísa Liberalli Bellotto 5. Arquivos Permanentes: tratamento documental - São Paulo: T.A. Queiroz, 1991. Arquivos: gestão e conservação. Sugestões Técnicas. Ano III Número 11 Junho de 2011. Página 4 de 5

4 Subdivisões Internas De acordo com a pirâmide de estratificação sugerida acima para configuração organizacional, considerando que as unidades e subunidades são estruturadas para cumprir funções especializadas relacionadas com as áreas de fins e de meios, os conjuntos documentais são também classificados e arranjados de forma a espelhar as mesmas estruturas hierarquizadas. Assim, partindo do genérico para o específico, os fundos serão consistidos de subfundos, séries (ou classes) e subséries (ou subclasses), grupos e subgrupos de documentos... até atingir a minúcia racionalmente recomendável. A classificação e as subdivisões intrínsecas dos fundos de arquivo serão objeto da produção de novos fascículos de sugestões técnicas. 5 Obras Consultadas 1 ARQUIVO NACIONAL. Manual de Arranjo e Descrição de Arquivos. Preparado pela Associação dos Arquivistas Holandeses. Tradução de Manoel Adolpho Wanderley, 2ª ed. Rio de Janeiro, l973. 2 ARQUIVO NACIONAL. Manual de Identificação de Acervos Documentais para Transferência e/ou Recolhimento aos Arquivos Públicos. Publicações Técnicas 40. Rio de Janeiro, 1985. 3 DUCHEIN, Michel - O Respeito aos Fundos em Arquivística: Princípios Teóricos e Problemas Práticos / Trad. Maria Amélia Gomes Leite, Rio de Janeiro, 10-l4 (1): 14-33, abr. l982/ago. l986. 4 ARQUIVO NACIONAL. Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística. Publicações Digitais: http://www.conarq.arquivonacional.gov.br/. 5 BELLOTTO, Heloísa Liberalli. Arquivos Permanentes: Tratamento Documental - São Paulo: T.A. Queiroz, 1991. Arquivos: gestão e conservação. Sugestões Técnicas. Ano III Número 11 Junho de 2011. Página 5 de 5