PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

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Transcrição:

1. Conceito Pode-se definir bioética como o estudo sistemático do comportamento humano no domínio das ciências da vida e dos tratamentos e saúde, na medida em que se examine esse comportamento à luz dos valores morais e dos princípios (emprego o termo princípio no sentido de se referir às fontes da ética normativa e não somente a regras). (Warren T. Reich, Encyclopedia of Bioethics, New York, MacMillan Free Press, 1978, p. XIX.

Van Rensselaer Potter Bioethics: Bridge to the Future 1971

PILARES DE RECONHECIMENTO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA RES. CNS N. 466/12

Código de Nuremberg 1947 Declaração Universal dos Direitos Humanos, - 1948 Declaração de Helsinque - 2000 (Hoje 2013 Fortaleza) Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais - 1966 Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos - 1966 Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos - 1997 Declaração Internacional sobre os Dados Genéticos Humanos - 2003 Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos 2004

PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA RESOLUÇÃO N. 466/12 DO CNS 1. DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES - A presente Resolução incorpora, sob a ótica do indivíduo e das coletividades, referenciais da bioética, tais como, autonomia, não maleficência, beneficência, justiça e equidade, dentre outros, e visa a assegurar os direitos e deveres que dizem respeito aos participantes da pesquisa, à comunidade científica e ao Estado. (São incluídos aqui também os pacientes em relação ao tratamento médico).

1. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA Valoriza a vontade do paciente, ou de seus representantes, levando em conta, em certa medida, seus valores morais e religiosos. Reconhece o domínio do paciente sobre a própria vida (corpo e mente) e o respeito à sua intimidade, restringindo com isso a intromissão alheia no mundo daquele que está sendo submetido a um tratamento. Aquele que estiver com sua vontade reduzida deverá ser protegido. A autonomia é a capacidade de atuar com conhecimento de causa e sem qualquer coação ou influência externa. Desse princípio decorre a exigência do consentimento livre e informado.

2. PRINCÍPIO DA NÃO MALEFICÊNICIA A obrigação corporificada nesse princípio é a de não causar danos intencionais. Uma de suas versões mais antigas encontrar-se-ia no preceito hipocrático Primum non nocere (primeiro, não causar danos). Não inflingir dano ou mal.

3. PRINCÍPIO DA BENEFICÊNCIA Refere-se ao atendimento do médico e dos demais profissionais da área da saúde, em relação aos mais relevantes interesses do paciente, visando ao seu bem-estar, evitando-lhe quaisquer danos. Baseia-se na tradição hipocrática de que o profissional da saúde, em particular o médico, só pode usar o tratamento para o bem do enfermo, segundo sua capacidade e juízo, e nunca para fazer o mal ou praticar a injustiça. No que concorre às moléstias, deverá ele criar na práxis médica o hábito de auxiliar ou socorrer, sem prejudicar ou causar mal ou dano ao paciente.

4. PRINCÍPIO DA JUSTIÇA Requer a imparcialidade na distribuição dos riscos e benefícios da prática médica, pelos profissionais da área da saúde, procurando evitar a discriminação.

O princípio da justiça exige equidade na distribuição de bens e benefícios no que se refere ao exercício da medicina ou área de saúde. Joaquim Clotet

5. PRINCÍPIO DA EQUIDADE Equidade é o reconhecimento das necessidades diferentes, na distribuição de benefícios e serviços de saúde. Equidade significa a disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um a partir de suas diferenças.

... Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real. Os apetites humanos conceberam inverter a norma universal da criação, pretendendo não dar a cada um na razão do que vale, mas atribuir o mesmo a todos, como se todos se equivalessem... Oração aos Moços Rui Barbosa, 1921

BIODIREITO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

Biodireito é o ramo do estudo jurídico, resultado do encontro entre a bioética e o direito. É o ramo do Direito Público que se associa à bioética, estudando as relações jurídicas entre o direito e os avanços tecnológicos conectados à medicina e à biotecnologia, apresentando peculiaridades relacionadas ao corpo e à dignidade da pessoa humana.

PRINCÍPIOS DO BIODIREITO 1. Princípios constitucionais do biodireito são: dignidade da pessoa humana, igualdade, inviolabilidade da vida, informação e proteção à saúde. 2. Princípios gerais do biodireito são: o princípio da boa-fé e o princípio da prudência. 3. O princípio específico do biodireito: princípio da legalidade dos meios e fins.