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Transcrição:

13. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 1 ISSN 2238-9113 ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( x ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA CONSULTA PUERPERAL DE ENFERMAGEM: MÉTODOS CONTRACEPTIVOS E ALEITAMENTO MATERNO Gleicy Lais Ribeiro (gleicy_k3@hotmail.com) Juliana Ferreira Leal (julianaf_1515@hotmail.com) Ana Paula Xavier Ravelli (anapxr@hotmail.com) Suellen Vienscoski Skupien (suvienscoski@hotmail.com) RESUMO - O planejamento familiar constitui-se no ato de planejar o nascimento dos filhos. Para contribuir com esse planejamento, a assistência da enfermagem busca esclarecer os casais quanto à importância dos métodos de contracepção, bem como a opção pelo que oferece maior proteção contra a gravidez sem riscos à saúde materna. Diante do exposto, objetivou-se conhecer e orientar as puérperas atendidas no Projeto Consulta de Enfermagem no Pré-Natal e Pós-Parto (CEPP) sobre o uso de métodos contraceptivos, no ano de 2013 e 2014. Trata-se de um estudo de caráter quantitativodescritivo, com entrevistas estruturadas e análise por percentuais, realizadas com a puérperas na cidade de Ponta Grossa. Participaram dessas entrevistas 252 puérperas. Os resultados obtidos mostram: quanto ao aleitamento materno, 97,8% das puérperas estão amamentando no período puerperal tardio e apenas 2,2% não estão. Em relação ao inicio da atividade sexual, 73,1% das puérperas iniciaram após 40 dias do pós-parto, o que é indicado como período adequado. Porém, 26,9% das pesquisadas iniciaram entre 20 e 40 dias, o que não é indicado, pois a mulher não voltou totalmente ao seu estado pré-gravídico normal. Dessa forma, conclui-se que o projeto teve uma ação educativa na tentativa de afastar o risco de desajustes nos planejamentos familiares das puéperes, visando orientá-las quanto a práticas sexuais seguras, evitando gestações indesejadas. PALAVRAS-CHAVE Enfermagem. Puérperas. Consulta de Enfermagem. Métodos contraceptivos. Introdução O planejamento familiar constitui-se no ato de planejar o nascimento dos filhos, tanto em relação à quantidade, quanto em relação à ocasião mais indicada para tê-los. Para contribuir com esse planejamento, a assistência empregada, isto é, uma conversa entre

13. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 2 enfermeira e o casal, buscando esclarecer sobre a importância dos métodos de contracepção, bem como a opção pelo que oferece maior proteção contra a gravidez e menor risco à saúde materna. O puerpério, também denominado resguardo, é uma fase do ciclo grávido puerperal que se inicia após a dequitação da placenta e termina com o retorno do organismo materno às condições passíveis de involução, que ocorrem por volta de seis semanas pós-parto. Essa fase puerperal é um momento crítico e de transição na vida das mulheres, marcada por modificações intensas e que estão presentes nas dimensões biológicas, psicológicas, comportamentais e socioculturais. Todos esses aspectos, individualmente ou sobrepostos, resultam em diferentes situações de vulnerabilidade para essas mulheres que vivenciam esse período (CABRAL et al., 2010). A partir do exposto, em agosto de 2006, através da percepção dessta problemática na cidade de Ponta Grossa, foi estruturado e implementado por uma docente da Universidade Estadual de Ponta Grossa, o projeto de extensão CEPP (Consulta de Enfermagem no Pré- Natal e Pós-Parto), que tem parceria com o Hospital Evangélico de Ponta Grossa (HE) e Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais (HURCG). O fluxograma de atendimento dessse projeto teve como caminho metodológico a atuação de acadêmicas dos 3º e 4 anos do Curso de Bacharelado em Enfermagem da UEPG, que inicialmente realizaram, no Hospital Evangélico de Ponta Grossa, educação em saúde no período puerperal, esclarecendo dúvidas sobre o pós-parto e aleitamento materno, bem como, oferecendo folder explicativo às mulheres que estiverem vivenciando o período pós-parto (puérperas). Após esse momento educativo, todas as puérperas foram convidadas a participar de uma pesquisa por meio de entrevista estruturada, assinando o termo de consentimento livre e esclarecido, para obtenção de alguns dados sobre aleitamento materno e métodos contaceptivos. A cada questionamento, o acadêmico, concomitantemente, esclarecia as dúvidas, utilizando materiais didáticos ilustrativos nas orientações realizadas. Paralelo ao atendimento puerperal, o projeto realizou consultas de enfermagem no Pré- Natal, com educação em saúde sobre as modificações corporais na gestação, esclarecendo dúvidas sobre métodos contraceptivos no período pós-parto, numa linguagem clara, às pacientes. Objetivos

13. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 3 Contribuir para a eficácia do planejamento familiar das puérperas atendidas no Projeto Consulta de Enfermagem no Pré-Natal e Pós-Parto (CEPP), nos anos de 2013 e 2014. Conhecer quais os métodos contraceptivos usados pelas puérperas, orientando-as sobre os mais seguros e sobre a importân cia do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade do recém-nascido. Referencial teórico-metodológico O presente estudo é de caráter quantitativo-descritivo. Participaram 252 puérperas internadas nas enfermarias da obstetrícia do Hospital Evangélico de Ponta Grossa-PR. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista estruturada, de forma individual. A partir dos dados, coletados, foram realizadas as análises, utilizando frequência simples e percentuais, durante o período de março de 2013 a novembro de 2014. Essa pesquisa atende o parecer da COEP 1.055.927, de 08 de maio de 2015, que respeitou a resolução 196/96. Resultados Participaram do estudo 252 puérperas, com idades entre 15 e 45 anos (média = 27 anos). Em sua maioria, 38,7 % (n=97), eram casadas, 37% (n=94) mantinham uma relação estável e 24.3% (n=61) eram solteiras. Em relação à escolaridade, 49,5% (n=124) possuíam o ensino médio completo, 41,4% (n=104) o ensino fundamental completo e apenas 9,1% (n=24) o ensino superior completo. Constatou-se que 45,8% (n=115) puérperas estavam grávidas pela primeira vez (primigestas) e 54,2% (n=137) tiveram mais de uma gestação (multigestas). As ações educativas relacionadas aos métodos anticoncepcionais devem envolver todas as mulheres em idade fértil, devendo levar em conta a idade, a escolaridade, o nível socioeconômico, a religião e a paridade. Acredita-se que o conhecimento dessas condições permite ao profissional de saúde desenvolver estratégias educativas que atendam às necessidades físicas, sociais e culturais dessas mulheres (PARREIRA et al., 2010). Tabela 1 Métodos contraceptivos utilizados pelas puéperas entrevistadas no Projeto Consulta Puerperal de Enfermagem, março de 2013 à novembro de 2014. Métodos contraceptivos Número de participantes Percentual Anticoncepcional oral 79 31,4% Anticoncepcional injetável 26 11,7%

13. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 4 Condon (camisinha) 75 29,3% Fonte dos autores. Deve-se considerar que o puerpério é um momento propício para a orientação de todos os métodos contraceptivos, mas principalmente sobre aqueles indicados neste período: condon, aleitamento materno exclusivo e mini pílula. (PARREIRA et al., 2010). Em contraposto, 27,6% (n=72) mulheres durante a consulta de enfermagem revelaram que não utilizam nenhum método contraceptivo, ou seja, muitas puérperas não estão se protegendo de uma nova gravidez, tão precoce em relação a anterior, evidenciando-se a importância de uma orientação constante de iniciativa da enfermagem. Em relação ao inicio da atividade sexual, 73,1% (n=184) iniciaram após 40 dias do pós-parto, que é o período indicado. Porém 26,9% (n=68) iniciaram entre e 20 a 40 dias do pós parto, que é um período inadequado, pois o corpo da mulher não voltou totalmente ao seu estado pré-gravídico. Nessa fase, a puérpera, por sua vez, encontra-se em período de recuperação para as funções fisiológicas e até mesmo psicológicas, momento este que deve ser preservado (PARREIRA et al.,2010). A comprovação da eficácia do aleitamento materno exclusivo como método anticoncepcional nos primeiros seis meses pós-parto já é consenso em todo o mundo. O incentivo ao aleitamento materno, pelos benefícios inquestionáveis sobre a saúde da criança nos primeiros seis meses de vida, é uma prática que todos os profissionais de saúde devem estimular, tanto na promoção da saúde das crianças quanto das mães, através do aumento do intervalo intergestacional e da não-utilização de métodos anticoncepcionais quando esses ainda não são necessários, podendo interferir no sucesso da amamentação. Uma forma de atingir este objetivo é oferecendo o aleitamento materno como opção anticoncepcional nos primeiros seis meses pós-parto (CEGATTI, 2004). Nesta perspectiva, em relação ao aleitamento materno, 97,8% das puérperas estão amamentando no período puerperal tardio e apenas 2,2% não estão. Isso indica que o acompanhamento feito pelas acadêmicas tem mostrado bom resultado, pois as puérperas entendem a importância do aleitamento materno exclusivo e que este é a fonte de nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento de seu bebê. Isso mostrou aos acadêmicos de Enfermagem a importância de proporcionarem esclarecimentos à puérpera, realizando a educação em saúde, aliada ao planejamento familiar, quando as puérperas já devem ser informadas do métodos preventivos de uma próxima gestação, garantindo que tenham esse planejamento familiar efetivo nas unidades de saúde próximas às suas residências.

13. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 5 Considerações Finais Como pôde ser evidenciado nesse estudo, o projeto CEPP foi de grande relevância para a formação dos acadêmicos de Enfermagem, pois oportunizou que praticassem educação em saúde, ferramenta de uso diário no trabalho do profissional enfermeiro. Através da consulta de enfermagem, há possibilidade de se criar laços com a paciente (puérperas), podendo assim conhecer a sua realidade e suas escolhas em relação aos métodos contraceptivos no pós-parto, que possam contribuir e promover a saúde do binômio mãebebê. Portanto, a implantação e a implementação da CEPP na cidade de Ponta Grossa possibilitou o atendimento às puérperas da rede pública de saúde, esclarecendo dúvidas e minimizando temores, bem como aproximou Universidade e comunidade, abrindo um canal de comunicação e cuidado entre puérperas e acadêmicas, visando uma formação holística e científica. Referências CABRAL, F.B.; OLIVEIRA, D.L.L.C. Vulnerabilidade de puérperas na visão de Equipes de Saúde da Família: ênfase em aspectos geracionais e adolescência. Rev Esc Enferm USP, São Paulo, v. 44, n.2, p.368-75, 2010. CECATTI, J. G.; ARAÚJO, A. S.; OSIS, M. J.; SANTOS, L. C.; FAÚNDES, A. Introdução da lactação e amenorréia como método contraceptivo (LAM) em um programa de planejamento familiar pós-parto: repercussões sobre a saúde das crianças. Revista Brasileira Saúde Materna-Infantil. Recife, v.4, n.2, p.159-169, abril-junho, 2004. PARREIRA, B. D. M.; SILVA, S. R.; MIRANZI, M. A. S. Métodos anticoncepcionais: orientações recebidas por puérperas no pré-natal e puerpério. Ciência, Cuidado e Saúde, v. 9, n.2, abril-junho, 2010.