GRELHAETÓPICOSPARACORRECÇÃO PRÁTICAPROCESSUALPENAL No# dia# 10# de# Janeiro# de# 2011,# ANTÓNIO# e# BERNARDO# encontravam<se# com# outros# amigos,# numa# esplanada#na#praça#da#amizade,#em#coimbra,#a#beber#cerveja#e#a#discutir#sobre#futebol.# A#discussão#aqueceu#e#BERNARDO,#já#um#pouco#embriagado,#desferiu#vários#socos#e#pontapés#em# ANTÓNIO#e#apropriou<se#de#um#cachecol#e#de#um#gorro#da#Académica#que#eram#deste.# CARLOS#E#DIANA,#que#faziam#parte#do#mesmo#grupo#de#amigos,#só#com#muito#esforço,#conseguiram# separá<los#e#levar#bernardo#para#casa.# No#dia#20#de#Janeiro#de#2011,#ANTÓNIO#apresentou#queixa#por#todos#os#factos#descritos.# BERNARDO,#contra#quem#apenas#o#MP#deduziu#Acusação,#exatamente#pelos#factos#descritos#antes,# foi#agora#notificado#do#despacho#que#designa#dia#para#a#audiência.## # 1.ExpliquefundamentadamentequaisosmeiosdereaçãoedefesadeBERNARDO(3v). R:#Bernardo#deverá#apresentar#contestação,#acompanhada#do#rol#de#testemunhas,#no#prazo#de#20# dias,#a#contar#da#notificação#do#despacho#que#designa#dia#para#a#audiência#(1v),#de#acordo#com#o# disposto#no#art.#315º#do#cpp#(2v)# # # 2.ElaboreadefesaescritacompletadeBERNARDO,comoadvogadodele,nosexatostermosem queaenviariaatribunal(7v). Tomeaindaemconsideração,paraosefeitosprevistosem1e2precedentes,queBERNARDOnão seconformacomaacusação,afirmandoqueocachecoleogorroeramdeleenãoselembradeter dadosocosepontapésaantónio,equepretendeindicarcomotestemunhascarlosedianae aindadoisoutrosamigos,ernestoefernando,quenãoestavamcomelenaqueledia,masque conhecem bem o seu carácter e sabem que ele seria incapaz de praticar os factos de que está acusado. R:#Contestação#elaborada#nos#termos#do#art.#315º#do#CPP#(5v).# O# AE# deverá# elaborar# correctamente# o# rol# de# testemunhas# indicando# Carlos,# Diana,# Ernesto# e# Fernando# como# testemunhas# a# apresentar# ou# identificando# correctamente# cada# um# deles,#
ficcionando# para# o# efeito# os# dados# necessários,# e# neste# caso# como# testemunhas# a# notificar# # art.# 315º,#nº#4#e#al.#d)#do#nº#3#do#art.#283º#ambos#do#CPP#(1v).# O#AE#na#elaboração#do#rol#de#testemunhas,#deverá#indicar#expressamente#que#Ernesto#e#Fernando# são#testemunhas#que#só#depõem#sobre#os#aspectos#referidos#no#nº#2#do#art.#128º#do#cpp#(1v)#
GRELHADEAVALIAÇÃO Osexaminandosdeverãosercapazesderesponderásquestõesfazendoreferênciaaos pontosaseguirexplicitados: I. CASOPRÁTICO 5,5valores Questão1 Haverá, antes de mais, que salientar o carácter absolutamente indubitável, da reclamaçãorealizada,comoexpressãodeumdireitofundamental,protegidopeloart. 52º,nº1,daConstituiçãodaRepúblicaPortuguesa(CRP),lato%sensu,entendidocomo direito de petição e que integra, além da petição propriamente dita, a representação,areclamaçãoeaqueixa. Questão2 OdireitofundamentaldepetiçãoencontraNseintimamenteconexionado,porumlado, comaliberdadedeexpressão,consagradanoart.37ºcrp,e,poroutro,comopróprio direitodeacessoaodireito,previstonoart.20ºcrp,ambosdanossaleifundamental; Há,assim,nocasosub%judice,umflagranteconflitodedireitosfundamentais,entreo direito de petição do cidadão A. Justo (enquanto conexionado com a liberdade de expressão,ecomodireitodeacessoaodireito)eodireitoàhonraebomnomedo cidadãojoãotenebroso. Questão3 O uso do direito a reclamar, quando realizado abusivamente (entendanse, além dos limites permitidos pelo seu núcleo valorativo) pode, naturalmente, colidir com o direitoàhonraeaobomnnomedeoutrem,tambémprotegidoconstitucionalmente. Contudo,edeacordocomajurisprudênciadoTEDHsobreamatéria(porexemplo:,ac. caso% Nikula c. Finlândia, de 21 de Março de 2002, que julgamos constituir um relevantíssimoprecedentenamatéria 1i )quandoaliberdadedeexpressãoeodireito 1 Neste processo, Anne Nikula, advogada, teria sido condenada pelos tribunais do seu Estado, por difamação,emconsequênciadeexpressõesproferidascontraoprocurador,nodecursodadefesado seupatrocinado.otedhentendeuque,atendendoaocontextoemqueasafirmaçõesforamproferidas, a ingerência do Estado Juiz no direito à liberdade de expressão da advogada não teria sido proporcional aos fins legítimos prosseguidos, como fossem a protecção da honra e direitos do procurador,umavezque sóemcasosexcepcionaissepodemaceitar,comosendonecessáriasnuma sociedadedemocrática,restriçõesàliberdadedeexpressãodeumadvogadodedefesa,acrescentando mesmo que, nestas situações, ela deve ser apreciada à luz do direito do arguido a um processo equitativo.(ministériodajustiça:agentedeportugaljuntodotedh,2002:65,sumáriosde Jurisprudência2002(retiradodewww.gddc.pt,em28/11/2007))
à honra e ao bomnnome se confrontam em situações de litígio jurídico análogas à analisada,háqueolharesteconfrontoàluzdodireitoaoprocessoequitativo,oque alargaoshabituaislimitesdodiligenteusodaliberdadedeexpressão; Entendemosqueaavaliaçãodoconflitodedireitosnãoélinear,masqueaprotecção da liberdade de expressão deve actuar de forma ainda mais aguçada nestes casos limite. Assim,enestaperspectiva,ousoqueocidadãofezdoseudireitoareclamarfoi,muito emboraconstrangedor,aindalegítimo; Observações: Significado etimológico da expressão «execrável»: abominável, detestável; não é, naturalmente, exigível a referência à jurisprudência do TEDH para validar a resposta, devendo apenas servir para valorizar em termos que permitam elevarácotaçãomáxima. Questão4 A confirmarnse, e a transitar em julgado, a condenação do cidadão pelo crime de difamação, sugerimos o competente recurso ao TEDH, uma vez que se verifica, no mínimo, controversa, a ponderação dos bens jurídicos (direitos fundamentais) em jogo. No que a Portugal diz respeito, o meio mais relevante é o mecanismo de queixa ao TribunalEuropeudosDireitosdoHomem,previstonaCEDH(art.25º),ondePortugaljá foialvodevariasqueixas.existemtambém,noentanto,outrosnoâmbitodasnações Unidas, nomeadamente, a queixa ao Comissão dos Direitos do Homem, criado para defesadosdireitosconsagradosnopactointernacionaldedireitoscivisapolíticos. Estes mecanismos tem requisitos específicos que constam dos instrumentos internacionais em que estão previstos, mas tem uma característica comum: são subsidiáriosemrelaçãoaosmeiosinternosdeprotecçãodosdireitosfundamentais,o que significa que quem pretenda lançar mão deles tem de fazer prova da prévia% exaustão%das%vias%internas%de%tutela%dosdireitosemcausa. I. Questãoteórica:4,5Valores REGIMEGERALDOSDIREITOSFUNDAMENTAISOUREGIMECOMUM (ConjuntoderegraseprincípiosqueseaplicamatodososDireitosFundamentais) 1. P. da Universalidade(Art. 12º CRP): segundo o qual todos os cidadãos gozam dos direitos consignados na Constituição. Tal não invalida que certos direitos pressuponham, pela sua própria natureza, uma certa idade, como é, por exemplo, o caso dos direitos previstos no artº 49º (direito de voto), ou que ainda haja direitos reservados, pela sua natureza, a certas categorias de pessoas, como é o caso dos artigos 51º e ss(direitos dos trabalhadores), ou do art.º 71º(cidadãos portadores de deficiência). Quanto ás pessoas colectivas, segundo o disposto no art.º 12º, nº2, estas gozam dos direitos e estão sujeitas aos deveres compatíveis com a sua natureza. Tal
significa que as pessoas colectivas gozam de direitos fundamentais que não pressuponhamcaracterísticasintrínsecasounaturaisdohomem,comosejamocorpo oubensespirituais:princípiodaespecialidadedofim. 2.P.daIgualdade(Art.13ºCRP)ÈoprincipaleixoestruturantedosistemadeDF: 2.1 sentido de igualdade: liganse á ideia de justiça(por exemplo, já em Aristóteles, Tratado%da%Política,ajustiçaarticulaNsecomaIgualdade);lutacontraprivilégiosedignidade dapessoahumana; N sentido negativo (nº2 do art. 13.º CRP): proibição de privilégios (vantagens infundadas);discriminações(desvantagenssemfundamentorazoável); Nsentidopositivo: 1),oqueéigualdevesertratadopor(como)igualeoqueésemelhantedeveter semelhantetratamento; 2)oqueédesigualdevetertratamentodesigual; 3)exigetratamentoproporcionaldassituaçõesdeigualdadeededesigualdade (adequação,idoneidadedosmeios,exigibilidadeeracionalidadedasmedidas); 4)assituaçõesdevemsertratadaspelolegisladornãocomoelasexistemmascomo deveriamexistir/ser(proporcionarigualdadeatravésdalei):aleigeraleabstratadoperíodo liberal, ao tratar da mesma forma o que era desigual, ao descurar a relevância de certos factores culturais, históricos e sociais, incrementava desigualdade mais do que realizava a liberdade. 5)Outrossentidos: 5.1igualdadejurídica(decorrentedasrevoluçõesliberais):nº1doartº13ºdaCRPNéa igualdade (formal) de todos perante a lei : «todos os cidadãos são iguais perante a lei»( fórmulatautológicapornãosediferenciardoprincipiodalegalidadenj.j.canotilho)daqualse deduz:igualdade%na%aplicação%do%direito%eigualdade%na%criação%do%direito:%no%1º%sentido,%as normasdevemserinterpretadaseaplicadassemfazerdistinçõesentreosseusdestinatáriosn «semolharáspessoas»;no2ºsentido,noseuconteúdo,aleideveprotegertodasaspessoas de forma intrínsecamente igual («P. da universalidade ou principio da justiça pessoal» N J.J.GomesCanotilho) 5.2. igualdade material(condições efectivas,% reais, de igualdade) através da lei; (J.J.GomesCanotilho) 2.2..osdestinatáriosdoprincípio:paraalémdosórgãospúblicosquedesempenham funçõesestaduais(eficácia%vertical),esteprincípioproduzefeitostambémnasrelaçõesdos particularesentresi(eficácia%horizontal,%mediata%ou%imediata); 2.3.Aproibiçãodoarbítrio:aafirmaçãogeraldeigualdadeaqueserefereoartº13º dacrpécomplementadaporestaproibição; 3. P. da Equiparação dos direitos e deveres dos apátridas e estrangeiros aos cidadãosnacionais(art.15º/1crp): estesgozamtambémdosdireitosconsignados naconstituiçãoparaoscidadãosportugueses.esteartigoestabelece,então,umprincípioda equiparação. Osestrangeiroseapátridasestãoapenasexcluídosdogozodolequededireitosque pertencemexclusivamenteacidadãosportuguesesequeestãoprevistosnon 2desteartigo. Osrestantesn.ºsdoartº15ºconsagramexcepçõesàsexcepções.
4.P.doAcessoaodireitoeaostribunais(Art.20ºCRP):éumgarantiaconstitucional quesetraduzemváriosfeixesdedireitos:»informaçãojurídica»protecçãojurídica»»consultajurídica»»apoiojudiciário»»»patrocíniojudiciário»»»assistênciajudiciária»»»»total»»»»parcial 5.P.daIntegraçãoeinterpretaçãodasnormasqueconsagramdireitosfundamentais deacordocomadudhde1948(art.16º/2dacrp). O n.º 2 deste artigo estabelece que os preceitos constitucionais e legais relativosaosdireitosfundamentaisdevemserinterpretadoseintegradosdeharmonia com a Declaração Universal dos Direitos do Homem (DUDH). A doutrina diverge quanto à questão de saber se a interpretação conforme à DUDH deve prevalecer, mesmoquandoestaimpliqueumasoluçãomenosfavorávelaosdireitosfundamentais. JorgeMirandaentendequedevedistinguirNse,antesdomais, N a) se a norma constitucional é originária ou proveniente de revisão constitucional,e Nb)seoprincípiodaDUDHédejus%cogens%(normadeobediênciaabsoluta)ou não; no1ºcaso(normaoriginária)nãoháinconstitucionalidade,eseoprincípionão fordejus%cogens,%deve%restringirgse%o%alcance%da%dudh;% no% 2º% caso% (norma proveniente de revisão) haverá sempre inconstitucionalidade, porque a revisão constitucional é sempre um poder constituídosubordinadoaosprincípiosfundamentaisdacrp. Gomes Canotilho e Bacelar Gouveia, entendem que a solução passa pelo mecanismodaconcordância%prática;