A NATAÇÃO E OS OUVIDOS



Documentos relacionados
TEMA 003 CONHEÇA E PREVINA AS DOENÇAS DO INVERNO

Otite externa Resumo de diretriz NHG M49 (primeira revisão, dezembro 2005)

O quanto você se conhece? O quanto você se cuida? Encontre aqui informações úteis e descomplicadas.

Uso correcto dos antibióticos

Perigo: as brotoejas podem coçar, causando incômodo ao bebê e, por serem uma irritação, tornam-se foco de infecções.

DICAS DE SAÚDE Proteja sua família

[ORIENTAÇÕES SOBRE O FILHOTE]

O que é Água Filtrada?

Guia Ourofino de limpeza dos ouvidos de cães e gatos. Seguindo estas dicas, você protege e ainda dá carinho ao seu amigo.

de elite podem apresentar essas manifestações clínicas. ATIVIDADES FÍSICAS E ALERGIA ATIVIDADES FÍSICAS E ALERGIA ATIVIDADES FÍSICAS E ALERGIA

Você sabia. As garrafas de PET são 100% recicláveis. Associação Brasileira da Indústria do PET

Treinamento de Prot. Auditiva. Treinamento aos usuários de protetores auriculares

Fique atento ao abuso de antibióticos na pediatria

1. FANTASIAR FAZ PARTE DA CRIAÇÃO. OS MITOS

Unidade. 6 Coleção IAB de Ciências / 3º ANO

LEPTOSPIROSE X ENCHENTES

Hepatites B e C. são doenças silenciosas. VEJA COMO DEIXAR AS HEPATITES LONGE DO SEU SALÃO DE BELEZA.

Ouvir melhor é viver melhor. Descobrindo sua audição

Resumo sobre o Sistema Auditivo Humano

Introdução. Renata Loretti Ribeiro - Enfermeira

dicas DA volvo Cuidados na troca de filtros Tomar certos cuidados ao trocar os filtros pode ser mais importante do que você pensa! Confira!

NOSSA SAÚDE. Ministério da Educação e Cultura. Com o apoio do povo do Japão

O homem transforma o ambiente

Boas práticas na manipulação do pescado

FORMAS FARMACÊUTICAS E APRESENTAÇÕES Solução nasal com 9 mg/ml de cloreto de sódio. Embalagem com 1 frasco spray nasal com 30 ou 50 ml.

Doenças Respiratórias O QUE SÃO E COMO AS PREVENIR?

E-book Como Diminuir Diabetes em 30 dias

Otite média aguda em crianças Resumo de diretriz NHG M09 (segunda revisão, fevereiro 2013)

Por que os alimentos estragam? Introdução. Materiais Necessários

Ferrarezi News. Setembro/2015. News. Ferrarezi. Onda de virose? Tudo é Virose? Programa - PRO Mamãe & Bebê. Depressão

VAZAMENTOS E INFILTRAÇÕES

COMO PARTICIPAR EM UMA RODADA DE NEGÓCIOS: Sugestões para as comunidades e associações

SABE, ESSA É A MINHA FAMÍLIA. É isso mesmo! A gente nem pensa nisso, não é? Mas vamos ver como acontece. Venha comigo.

Impermeabilizantes Sempre Novo+

Departamento de Matemática - UEL Ulysses Sodré. Arquivo: minimaxi.tex - Londrina-PR, 29 de Junho de 2010.

O Sentido da Audição Capítulo10 (pág. 186)

1. A corrida de vetores numa folha de papel.

As peças a serem usinadas podem ter as

sete receitas de xampu caseiro para cães

ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO II ETAPA LETIVA CIÊNCIAS 2. o ANO/EF

Cuidando da Minha Criança com Aids

Quinta Edição/2015 Quinta Região de Polícia Militar - Quarta Companhia Independente

Campanha de prevenção do cancro da pele

VACINE-SE A PARTIR DE 1 DE OUTUBRO CONSULTE O SEU MÉDICO

SALSEP cloreto de sódio Solução nasal 9 mg/ml

Projeção ortográfica de modelos com elementos paralelos e oblíquos

Organizando Voluntariado na Escola. Aula 1 Ser Voluntário

- Anatomia e Fisiologia do Ouvido. - Avaliação Básica do Ouvido e da Audição. - Principais manifestações patológicas

A- Estou sentindo as lentes confortáveis em meus olhos? B- Meus olhos estão claros e brilhantes como estavam antes de colocar as lentes?

EXERCÍCIOS ON LINE DE CIÊNCIAS 8 AN0

O curativo do umbigo

ALERGIAS AO LÁTEX...

ORIENTAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS ADENOIDECTOMIA:

Graças a ele, podemos perceber melhor o mundo e nosso corpo.

muito gás carbônico, gás de enxofre e monóxido de carbono. extremamente perigoso, pois ocupa o lugar do oxigênio no corpo. Conforme a concentração

Lição 5. Instrução Programada

Gripe Proteja-se! Faça Chuva ou faça Sol, vacine-se a partir de Outubro e até ao final do Inverno. Consulte o seu médico

Informe sobre a gripe causada pelo novo vírus Influenza A/H1N1

1.5.2 Avaliar a Amamentação

Insígnia Mundial do Meio Ambiente IMMA

Informação e Recomendações para Escolas. Segundo a Direcção-Geral de Saúde Ano lectivo 2009/2010

Exercícios Teóricos Resolvidos

Avanços na transparência

5 Equacionando os problemas

Respire fundo. E drible a Fibrose Cística.

Vacinação para o seu filho do 6º ano do ensino básico (P6) Portuguese translation of Protecting your child against flu - Vaccination for your P6 child

Ensino aos Cuidadores de Doentes com Sonda Nasogástrica

POR QUE O MEU É DIFERENTE DO DELE?

A Vida no Solo. A vegetação de um local é determinada pelo solo e o clima presentes naquele local;

Lavagem à Detalhe 1ª Parte

DOENÇAS RESPIRATÓRIAS. Professora: Sabrina Cunha da Fonseca

Sinalizador para bicicletas Paloma Oliveira Mateus Knelsen

Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva

o hemofílico. Meu filho também será?

ATIVIDADES DE RECUPERAÇÃO PARALELA 3º TRIMESTRE 8º ANO DISCIPLINA: FÍSICA

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Glaucoma. O que é glaucoma? Como acontece?

Nesta experiência vamos ver que o conceito de temperatura pode ser subjectivo.

Oração. u m a c o n v e r s a d a a l m a

CONFIRA DICAS PARA ENFRENTAR O ALTO ÍNDICE ULTRAVIOLETA

Múltiplos Estágios processo com três estágios Inquérito de Satisfação Fase II

Workshop de Conhecimentos sobre Pele

Ambientes acessíveis

Para impedir a propagação da dengue, você deve primeiramente impedir a reprodução de seu transmissor, o mosquito Aedes aegypti.

Top Guia In.Fra: Perguntas para fazer ao seu fornecedor de CFTV

4 Segmentação Algoritmo proposto


Homeopatia. Copyrights - Movimento Nacional de Valorização e Divulgação da Homeopatia mnvdh@terra.com.br 2

Você está lendo o trecho grátis do ebook sobre Prazer Feminino escrito pelo Sexólogo Marlon Mattedi. Sua vida sexual nunca mais será a mesma.

Profa. Maria Fernanda - Química nandacampos.mendonc@gmail.com

Programa RespirAr. Asma e bronquite sem crise. RespirAr

OTOPLASTIA (CIRURGIA ESTÉTICA DAS ORELHAS)

Indicamos inicialmente os números de cada item do questionário e, em seguida, apresentamos os dados com os comentários dos alunos.

Homens. Inteligentes. Manifesto

O Ouvido Humano e a Audição

Exercícios Resolvidos sobre probabilidade total e Teorema de Bayes

A IMPORTÂNCIA DO PRÉ-NATAL

Sumário. Zeca. O amigo da água. 04. A importância da água. 05. Por que preservar 06. Como a água chega à sua casa 07. Dicas para preservar a água 09

Informação pode ser o melhor remédio. Hepatite

Transcrição:

A NATAÇÃO E OS OUVIDOS Colaboração Dr. Clemente Isnard Ribeiro de Almeida A natação é sem dúvida o esporte mais completo e menos sujeito a acidentes, entretanto o nariz e os ouvidos estão predispostos a alguns problemas. Sinusite e otite são de ocorrência bastante alta entre nadadores e sua profilaxia, ou seja a forma de evitar que esses problemas ocorram é difícil entre os adultos e praticamente impossível nas crianças pequenas. Trata-se de evitar a entrada da água no nariz e nos ouvidos durante a natação. Compreender é a única forma de evitar ou solucionar um problema. Para isso é necessário ter conhecimentos básicos da anatomia da região e dos problemas que costumam nela incidir. Noções de Anatomia Como podemos ver na figura 1, o ouvido é dividido em três partes: Figura 1. Esquema da anatomia do ouvido. 1. Membrana do tímpano 2. Conduto auditivo externo. 3. Ouvido médio. 4. Trompa de Eustáquio 5. Adenóides 6. Turbina nasal. Ouvido externo: É o conduto que vemos externamente e vai do pavilhão da orelha até a membrana do tímpano. Ouvido médio: É a cavidade entre a membrana do tímpano e o labirinto e tem ma abertura interna para atrás do nariz, chamada trompa Ouvido interno: Também conhecido como labirinto, é isolado do ouvido médio, cheio de líquido e nele estão os órgãos de sensibilidade da audição e equilíbrio. Na natação os problemas podem aparecer no ouvido externo e médio onde eventualmente a água da piscina pode penetrar.

No ouvido externo há três detalhes anatômicos importantes em relação a natação: a forma do conduto, a impermeabilização e o tipo de pele. Em relação a forma de conduto, a angulação e o calibre são as características mais importantes. O conduto auditivo externo possui duas angulações em forma de V uma com a concavidade voltada para frente e outra com a concavidade voltada para baixo. Essas angulações, da abertura externa até o ápice do V, dificultam a entrada e facilitam a saída de água no conduto, porém quando a água ultrapassa o ponto mais alto, entra com mais facilidade e sai com mais dificuldade. O que se observa na prática é que as pessoas que possuem maior angulação de conduto estão mais sujeitas a problemas provocados pela água. Quanto ao calibre há uma variedade enorme de condutos auditivos externos desde muito amplos até muito estreitos. É claro que nos mais amplos a água entra e sai com maior facilidade, e é neles que encontramos a maioria dos problemas mas também são os mais facilmente tratáveis. O conduto auditivo externo sendo fechado internamente pela membrana do tímpano não possui ventilação retendo a umidade. É conhecido que a pele molhada por muito tempo enruga e em seguida deteriora facilitando o crescimento de fungos e bactérias, como é o caso das "frieiras" que aparecem nos pés que ficam molhados por muito tempo. No ouvido o mesmo acontece quando não existe um impermeabilizante para proteger a pele. Um ouvido sadio possui glândulas que produzem a cera para evitar que a água ou simplesmente a umidade agrida a pele local. O tipo da pele é muito importante em relação aos problemas do ouvido externo. Os indivíduos com pele mais clara e principalmente os que apresentam problemas alérgicos estão muito mais sujeitos a problemas desencadeados pela natação. No ouvido médio, quando não há perfuração da membrana do tímpano os problemas derivados da natação provém do nariz ou da ligação entre a via respiratória e o ouvido chamada trompa de Eustáquio. A trompa da criança é mais larga, mais curta e mais horizontal que a do adulto. Essas características facilitam a entrada no ouvido de fluxo de água que penetra pelo nariz bem como de secreções infectadas provenientes das fossas nasais e suas imediações. De uma forma geral podemos dizer que as otites de ouvido médio são consequência de problemas de estruturas próximas a trompa como amígdalas, adenóides e fossas nasais. Otite Externa Como vimos nas noções de anatomia existem diversos detalhes anatômicos que determinam se uma pessoa é mais ou menos resistente aos agressores do ouvido externo. Talvez o detalhe anatômico mais importante seja a presença de glândulas produtoras de impermeabilizante, a cera, que por sua existência mostra a preocupação da natureza em evitar a umidade em contato com a pele do ouvido. Essa observação nos indica que um filme de cera no conduto é desejável, só devendo ser retirado quando está provocando obstrução, portanto deve ser evitada a introdução de qualquer material para "limpar" os ouvidos. Também podemos concluir que quando a cera não está cumprindo sua função devemos colaborar com a natureza evitando a entrada de água ou secando o ouvido após a natação. Existem muitas formas de evitar a entrada de água no ouvido. A forma mais eficiente é o uso de protetor auricular contra a entrada de água que de um modo geral podem ser divididos em intra-auricular e intra-canal. Os intra-auriculares são os mais externos que procuram fechar principalmente a entrada do ouvido sem penetrar muito no conduto. Entre esses temos as massas de silicone, de vidraceiro e os "moldes", protetores sob medida, que podem ser "duros" quando feitos de acrílico e moles quando de silicone. Analisando de uma forma crítica as massas, a de vidraceiro é muito barata e comprada aos tijolos em

lojas de ferragem tendo como desvantagem em relação ao silicone, além do aspecto menos elegante, a possibilidade de irritar a pele de alguns indivíduos sensíveis. Quanto aos moldes, os de acrílico são sem dúvida mais resistentes ao tempo e mais eficientes quanto a vedação, tendo como desvantagem a possibilidade de machucar o conduto com qualquer pancada sobre o ouvido o que constitui uma limitação para seu uso em crianças. Os protetores intra-auriculares são os mais comuns existindo na praça de inúmeras formas e materiais. Todos eles, alguns mais e outros menos, irritam a pele do conduto e empurram para dentro a cera e a descamação da pele provocando obstrução. Quando após a natação os ouvidos ficam coçando, tendo sido usado protetor ou não, é sinal de que a umidade e seus acompanhantes estão irritando a pele. Nesta circunstância os ouvidos devem ser secados após a natação. Até o momento não existe nenhum produto industrializado em nosso meio embora em outros países eles inundem as prateleiras das "drugstore". Mas não é nada difícil fazer em casa ou mandar preparar em farmácia produtos semelhantes. Basicamente trata-se de álcool comum ao qual se adiciona um acidificante ou um desinfetante. Assim se para um vidro de 30ml de álcool comum adicionarmos 20 gotas de vinagre ou de líquido de Burow, temos a solução que deve ser usada de forma abundante, cerca de 8 gotas em cada ouvido, sempre que molhar, secando a seguir com toalha evitando introduzir qualquer instrumento no conduto auditivo. É importante lembrar que há fatores agravantes ou desencadeantes da otite externa que devem ser conhecidos para que esse problema possa ser evitado ou para auxiliar o tratamento quando já existente. Entre eles estão: tempo de exposição a água, traumatismo, contaminação química ou bacteriológica da água e problema individual da pele. Como foi descrito acima, a natureza procura defender o ouvido contra a umidade entretanto mesmo ouvidos absolutamente normais quando expostos a água muitas horas por dia a pele acaba deteriorando, seguindo-se a descamação e a coceira. Muitas vezes há o desenvolvimento de colônia de fungo ou infecção bacteriana quando o nadador traumatiza os ouvidos no ato de introduzir objetos diversos para coçar. Quanto a contaminação, foi observado que praias e rios containados, bem como piscinas insuficientemente tratadas provocam com facilidade infecção do ouvido externo. A explicação é simples, como vimos acima, a pele do ouvido exposta a água pode deteriorar criando um ponto sem defesa no organismo por onde podem penetrar agentes agressores. Esse fato leva a preocupação de tratar melhor as piscinas, o que leva às vezes a um exagero na quantidade de produtos químicos que são dissolvidos na água tornando-a quimicamente prejudicial para a pele do ouvido mesmo quando a exposição é pequena. A agressão a essa pele tão delicada continua muitas vezes quando o indivíduo sai da piscina e durante o banho, quando está lavando a cabeça, acaba permitindo que misturados com a água entrem no ouvido, sabonete, shampoo e outros cosméticos que também podem ser prejudiciais. Convém aqui lembrar que a pele dos alérgicos, bem como a dos portadores de doenças dermatológicas, é especialmente sensível aos produtos químicos em geral, devendo nesses casos serem tomados cuidados especiais. Otite média Como vimos nas noções de anatomia, a membrana do tímpano e a trompa de Eustáquio isolam o ouvido médio do meio exterior. Esse isolamento é necessário porque as defesas dessa parte do ouvido contra agentes infecciosos é bastante precária. Quando a água passando pela pele do ouvido externo ou pelas fossas nasais consegue penetrar no ouvido médio irá desencadear quase que fatalmente uma infecção. Como evitar esse tipo de infecção? Em primeiro lugar vamos lembrar que qualquer perfuração na membrana do tímpano pode ser desen-

cadeada é um impedimento para a natação, a não ser que seja feita uma proteção muito boa do conduto auditivo externo, pelos métodos que vimos acima quando foi estudada a otite externa. A perfuração da membrana do tímpano por infecção, quando "o ouvido vaza", por traumatismo ou quando o édico coloca um tubo de ventilação para tratar otite persistente. Depois temos o problema do material infectado proveniente do nariz. Nesse particular temos dois mecanismos importantes, a entrada de água externa sob pressão pelo nariz normal e o progresso natural de infecção do nariz ou nasofaringe pela trompa. É claro que a combinação dos dois também é possível, e aliás, muito comum. A entrada de água sob pressão pelas trompas de Eustáquio é muito mais comum nas crianças pelos detalhes anatômicos que vimos no início desse capítulo, e ocorre principalmente em determinadas manobras como pular de pé na água, virar "cambalhota", "plantar bananeira" dentro da água, pegar objetos no fundo da piscina e em todas as circunstâncias em que um fluxo de água forte é introduzido no nariz. O mesmo acontece quando a pressão da água aumenta em relação ao ouvido médio, a medida que a profundidade que o nadador atinge é maior. É claro que as evoluções sob a áuga quando praticados em profundidade maior oferecem mais risco. Como vimos, todo ar que chega a um ouvido normal provém do nariz ou do nasofaringe (atrás do nariz) portanto sempre que há uma infecção nessas regiões, os ouvidos estão mais sujeitos a serem comprometidos. Por esse motivo os nadadores, especialmente crianças, com infecção de amígdalas e adenóides, de faringe, de nariz ou de seios da face (sinusite) devem interromper momentaneamente os treinos para evitar a otite média. Há indivíduos que são especialmente sensíveis a contaminação química ou bacteriológica da água em relação ao nariz. Problemas anatômicos como desvio do septo, hipertrofia de turbinas ou de adenóides, ver figura 1, facilitam a obstrução nasal e como consequência predispõem a infecção das vias respiratórias altas. O mesmo acontece aos portadores de rinite alérgica nos quais o edema da mucosa e das turbinas do nariz provoca obstrução. Nesses casos um dispositivo chamado "clip" nasal que pode ser visto na figura 2, deve ser usado durante a natação para evitar a entrada de água no nariz. O uso do clip nem sempre é bem aceito tanto entre as crianças como também entre adultos, mas quando a infecção nasal ou a otite média é recidivante devemos insistir em seu uso porque a ooutra alternativa é descontinuar o treino de natação.

R e s u m o (como evitar otites) Otite externa: 1. Evitar água contaminada por bactérias ou fungos. 2. Evitar água contaminada quimicamente. 3. Quem tem problema de pele deve evitar água nos ouvidos. 4. Não introduzir nem algodão nos ouvidos para secar ou coçar. 5. Secar os ouvidos com toalha após o banho. 6. Se ficar muito tempo na água usar solução de álcool para secar ouvidos. 7. Caso já tenha tido coceira ou dor na parte externa dos ouvidos deve ser usado protetor para evitar a entrada de água sempre que nadar. 8. Sempre que a coceira aumentar, aparecer dor ou obstrução do ouvido, não só a natação deve ser interrompida como deve ser evitada a entrada de qualquer água nos ouvidos e procurado um médico especialista. Otite média: 1. Malabarismos aquáticos como "plantar bananeira", "virar cambalhota", "procurar objetos no fundo da piscina" só devem ser feitos com o uso de "clip" nasal especialmente quando há antecedentes de otite ou sinusite. 2. A profundidade é um agravante dos malabarismos em relação ao desencadeamento de otite e sinusite. 3. Nenhum tipo de água deve penetrar nos ouvidos quando há perfuração de tímpano seja ela espontânea ou provocada pela cirurgia de colocação de tubo de ventilação. Nesses casos a natação só pode ser praticada com o uso cuidadoso de protetor de ouvido externo. 4. A natação deve ser evitada quando houver infecção nasal, de amígdalas ou adenóides. 5. Quando há obstrução nasal crônica ou aguda a natação só deve ser praticada quando o nadador usa "clip" nasal.