Fernando Pessoa

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Transcrição:

Fernando Pessoa 1888-1935

Fernando António Nogueira Pessoa nasceu a 13 de junho de 1888, em Lisboa. Seu pai, Joaquim Pessoa, faleceu vítima de tuberculose, o que obrigou a sua mãe a leiloar parte da mobília da casa e a mudar-se para outra mais modesta. Foi nesta altura que surgiu o primeiro heterónimo de Pessoa, Chevalier de Pas. Um ano depois, faleceu seu irmão, com menos de um ano de idade. Em 1895, a sua mãe casou com o cônsul português que exercia a sua atividade profissional na África do Sul. Aos seis anos de idade, Fernando Pessoa e sua mãe emigraram para este país onde aprendeu a língua inglesa. Durante a adolescência, escreveu poesia e prosa. Só aos 20 anos passou a escrever em português. Três obras suas estão publicadas na língua inglesa.

Em 1905, regressou definitivamente a Lisboa, com intenção de se inscrever no Curso Superior de Letras. Leu obras de Shakespeare, William Wordsworth (considerado o maior poeta romântico inglês), filósofos gregos e alemães. Interessou-se pela poesia francesa, especialmente a de Baudelaire e leu obras dos poetas portugueses Cesário Verde e Camilo Pessanha. Em 1907, desistiu do curso superior e montou uma tipografia que mal chegou a funcionar. Um ano depois, começou a trabalhar como correspondente estrangeiro em casas comerciais, profissão que exerceu até falecer.

Em 1912, Pessoa passou a colaborar na revista A Águia. Começou a corresponder-se com Mário de Sá-Carneiro que, de Paris, mandava a Pessoa notícias do Cubismo e do Futurismo. Fernando Pessoa publicou em inglês, o poema Epithalamiun e, em português, o drama O Marinheiro. Em 1914, publicou Paúis. No ano seguinte, foi criada a revista Orpheu, na qual participaram o brasileiro Ronald de Carvalho, Mário de Sá-carneiro, Raul Leal, Luís de Montalvor e Almada Negreiros. Nesta revista, Fernando Pessoa publicou poemas que chocaram a sociedade conservadora da época. Os poemas Opiário e Ode Triunfal, escritos por seu heterónimo Álvaro de Campos, provocaram indignação e protestos e os orfistas foram rotulados de loucos e insanos.

Fernando Pessoa faleceu com 47 anos de idade, no dia 30 de novembro de 1935, vítima de cirrose hepática e foi sepultado no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém. Heterónimos de Fernando Pessoa Através do desdobramento do eu, Pessoa foi vários poetas ao mesmo tempo. Criou personagens que interpretou, cada qual com a sua própria mundividência. Os seus heterónimos mais famosos foram: Alberto Caeiro, o poeta de tudo como é, Ricardo Reis, admirador da cultura clássica e aristocrático e Álvaro de Campos, o poeta modernista, revolucionário, com ideologias do século XX.

Tabacaria Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa, Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. Álvaro de Campos (Duas estrofes de um dos mais importantes poemas de Álvaro de Campos)

Autopsicografia O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração Fernando Pessoa

Curiosidades sobre Fernando Pessoa Pessoa gostava muito de astrologia. Costumava fazer mapas astrais de parentes, amigos, conhecidos e até de personalidades históricas. Também tinha um grande interesse por esoterismo. Ao ter chegado atrasado a um encontro com o escritor José Régio, Pessoa disse que era Álvaro de Campos e pediu perdão por Fernando Pessoa não ter podido comparecer. Antes de começar a escrever, costumava afiar os lápis porque não os conseguia ver sem ponta. Populares da época afirmaram que, por vezes, Pessoa tinha o hábito de escrever de pé. Pessoa nutria uma grande amizade com outros dois grandes nomes da poesia portuguesa: Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro. Trocou larga correspondência com este último amigo que mais tarde se suicidou. Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática. Contudo, no seu atestado de óbito, consta obstrução intestinal como causa da sua morte. O poeta só obteve popularidade após a sua morte e as suas obras só despertaram interesse do público a partir de 1940. Os seus poemas foram traduzidos após a sua morte.

Referências bibliográficas PESSOA, Fernando. Antologia Poética. Lisboa: Editora Ulisseia, 1992, p. 82 CAMPOS, Álvaro de. Poesias de Álvaro de Campos. Lisboa: Edições Ática,[1975}, P. 252 ZENITH, Richard (2018). Fernando Pessoa: O Poeta dos Muitos Rostos. Disponível em https://casafernandopessoa.pt/pt/fernando-pessoa/vida. [Consultado em 26/11/2018] FRAZÃO, Dilva (2018). Fernando Pessoa, Poeta português. Disponível em https://www.ebiografia.com/fernando_pessoa/. [Consultado em 24/11/2018] HISTÓRIA DE PORTUGAL[2014]. Fernando Pessoa. Disponível em http://www.historiadeportugal.info/fernando-pessoa/. [Consultado em 24/11/2018]