SUBVENÇÃO SOCIAL A ENTIDADE PRIVADA



Documentos relacionados
Conveniada com o Poder Público

PROJETO DE LEI N. O CONGRESSO NACIONAL decreta:

MUNICÍPIO DE PANAMBI RS

REVISÃO SALARIAL ANUAL DATA BASE. A cada ano os servidores municipais têm direito à reposição das perdas inflacionárias ocorridas no ano anterior?

ESTADO DO ACRE PREFEITURA MUNICIPAL DE MÂNCIO LIMA GABINETE DO PREFEITO LEI Nº 19/091 MÂNCIO LIMA ACRE, 06 DE NOVEMBRO DE 1991.

FUNDAÇÕES DE APOIO: AVALIAÇÃO E DEBATE NA AGU. FORPLAD UNIFAL POÇOS DE CALDAS/MG 12 a 14 de junho de 2013

O modelo OS do Espírito Santo e a gestão e controle das organizações qualificadas. Flávio Alcoforado f.alcoforado@uol.com.br

Novas formas de prestação do serviço público: Gestão Associada Convênios e Consórcios Regime de parceria- OS e OSCIPS

Serviço Nacional de Aprendizagem Rural

Legislação Tributária ARRECADAÇÃO. Início dos Efeitos 10057/ /02/ /02/2014

nas técnicas de trabalho desenvolvidas no âmbito do Controle Interno do Poder Executivo, denominadas de auditoria e fiscalização.

Lei de Responsabilidade Fiscal

LEI , DE 29 DE DEZEMBRO DE

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL 1988

Escola de Formação Política Miguel Arraes

DECISÃO Nº 193/2011 D E C I D E

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

ESTADO DE RONDÔNIA PREFEITURA DO MUNICÍPO DE URUPÁ Palácio Senador Ronaldo Aragão PROCURADORIA JURÍDICA

Marcones Libório de Sá Prefeito

O GOVERNADOR DO ESTADO DO ACRE CAPÍTULO I DA POLÍTICA ESTADUAL DE APOIO AO COOPERATIVISMO

Congresso Ministério Público e Terceiro Setor Atuação Institucional na Proteção dos Direitos Sociais. Painel: Formas de Fomento ao Terceiro Setor

LEI N. 084/91. O PREFEITO MUNICIPAL DE ALTO TAQUARI, Estado de Mato Grosso, no uso de suas atribuições legais, etc.

PREFEITURA MUNICIPAL DE MORRINHOS Estado de Goiás LEI N , DE 28 DE DEZEMBRO DE O PREFEITO MUNICIPAL DE MORRINHOS,

LEI Nº 358/2011. Súmula: Institui o Fundo Municipal de Saúde e dá outras providências. Capitulo I. Objetivos

LEI Nº 213/1994 DATA: 27 DE JUNHO DE SÚMULA: INSTITUI O FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE E DA OUTRAS PROVIDENCIAS. CAPITULO I DOS OBJETIVOS

A POSSIBILIDADE DA INCLUSÃO DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS DO CONVENENTE NO PLANO DE TRABALHO A SER APRESENTADO EM CONVÊNIOS E CONTRATOS DE REPASSE

Prof. Marcus Tomasi UDESC/ESAG

Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão GABINETE DO MINISTRO PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 342, DE 5 DE NOVEMBRO DE 2008

1 (FCC/TRE-AC/Analista/2010) A respeito das entidades políticas e administrativas, considere:

Incentivos do Poder Público à atuação de entidades civis sem fins lucrativos, na área social. (1) renúncia fiscal

Administração Pública. Prof. Joaquim Mario de Paula Pinto Junior

CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES

I - Técnico de Apoio Fazendário e Financeiro, integrando a categoria funcional de Profissional de Apoio Operacional;

O REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DO MUNICÍPIO DE TAQUARITINGA

O contrato de gestão. Valéria Alpino Bigonha Salgado. Organização Social

COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR PORTARIA Nº 156, DE 28 DE NOVEMBRO DE 2014

Bem-vindo a sala de aula do curso: Siconv Transferências voluntárias da União. Facilitador: Fernanda Lyra

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº DE 4 DE MAIO DE 2011

NOTA TÉCNICA Nº 16/2014

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

OBJETO: Locação de Imóvel Pertencente à Associação para Pessoa Jurídica de Direito Privado que Explora Atividade Econômica.

Características das Autarquias

TRANSFERÊNCIAS FINANCEIRAS (REPASSES) PARA AS EMPRESAS PÚBLICAS DEPENDENTES OUTUBRO 2011

Relação entre as Fundações de Apoio e a FINEP (execução e prestação de contas) 2013

O controle de renúncia de receitas

Execução Orçamentária e Financeira

Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90): Artigos 260 a 260-L

PROJETO DE LEI N.º 866, DE 2015 (Do Sr. Izalci)

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE RPPS

2/5 Art. 16 XI Art.55 - Parágrafo único Art III VII VIII

COORDENAÇÃO-GERAL DE NORMAS DE CONTABILIDADE APLICADAS À FEDERAÇÃO CCONF. Resultado Subgrupos PIS/PASEP

FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO RESOLUÇÃO N.º 7, DE 24 DE ABRIL DE 2007

POR QUE AS SUBVENÇÕES SOCIAIS NÃO SÃO ALCANÇADAS PELO MROSC

INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO

INDAIAL SANTA CATARINA CONSELHO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL RESOLUÇÃO Nº 001/2010

PREFEITURA DE GOIÂNIA 1 GABINETE DO PREFEITO

Consórcio Público. Administração Indireta

NBA 10: INDEPENDÊNCIA DOS TRIBUNAIS DE CONTAS. INTRODUÇÃO [Issai 10, Preâmbulo, e NAT]

SEBRAEtec Diferenciação

20 Diretrizes Priorizadas pela Etapa Estadual

Dúvidas e Esclarecimentos sobre a Proposta de Criação da RDS do Mato Verdinho/MT

Agência de Propaganda

PORTARIA Nº 375, DE 10 DE MARÇO DE 2014

Assunto: RECOMENDAÇÃO CONJUNTA MPC/MPE/MPF Portais da Transparência.

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

PREFEITURA MUNICIPAL DE URUAÇU ESTADO DE GOIÁS PODER EXECUTIVO SECRETARIA MUNICIPAL DE ADMINISTRAÇÃO CNPJ /

JOVEM APRENDIZ. Resultado do Aprofundamento dos Estudos. Coordenação-Geral de Normas de Contabilidade Aplicadas à Federação

Gestão pública empreendedora e ciclo do Governo Federal

Associação Matogrossense dos Municípios

FENASAN XXI Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente XXI Encontro Técnico AESABESP

ESTADO DE MATO GROSSO CAMARA MUNICIPAL DE RONDONÓPOLIS Gabinete do Vereador Rodrigo da Zaeli

RESOLUÇÃO CONJUNTA CGM/SMAS/SMA Nº 019 DE 29 ABRIL DE 2005

MÓDULO iv. Orçamento, Descentralizaçã. ção o de Créditos e Empenho da Despesa

EDITAL Nº 02/2014, PROGEP/CDP/NUGCAP.

O Prefeito do Município de João Pessoa, Estado da Paraíba, faço saber que o Poder Legislativo decreta e eu sanciono a seguinte lei:

Decreto nº 7.568, de 16 de setembro de 2011

RETENÇÃO DE TRIBUTOS NOS PAGAMENTOS EFETUADOS A FORNECEDORES DE BENS E PRESTADORES DE SERVIÇOS

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO CONSELHO DELIBERATIVO

PLANEJAMENTO E GESTÃO PÚBLICA. Auditor Substituto de Conselheiro Omar P. Dias

DECRETO Nº 980, DE 16 DE ABRIL DE 2012

RESOLUÇÃO LEGISLATIVA Nº 06, DE 22 DE DEZEMBRO DE financeiro de A Presidenta da Câmara Municipal de Vereadores de Quevedos, Estado do Rio

TERMO DE PARCERIA (Art. 9º da Lei nº 9.790, de , e Art. 8º do Decreto nº 3.100, de )

Portaria n.º 510, de 13 de outubro de 2015.

Dispõe sobre a transformação da Fundação Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do Estado de Roraima FEMACT-RR, e do

GESTÃO CONTÁBIL PAPEL DO CONTADOR TERCEIRO SETOR CREDIBILIDADE CAPTAÇÃO DE RECUROS PÚBLICOS GERAÇÃO E DIVULGAÇÃO INFORMAÇÕES PARA TODOS INTERESSADOS

PROJETO DE LEI Nº 09/2015, DE 23 DE MARÇO DE 2015.

Transcrição:

SUBVENÇÃO SOCIAL A ENTIDADE PRIVADA Autoria: Sidnei Di Bacco Advogado Questão interessante diz respeito aos requisitos legais a serem cumpridos pelos municípios para repassar subvenção social a entidades privadas. A concessão de subvenção social depende do cumprimento dos seguintes pré-requisitos: Pelo município: a) existência de autorização em lei específica; b) atendimento de condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias (LDO); c) existência de dotação na lei orçamentária anual (LOA) ou em seus créditos adicionais; d) formalização através de contrato (convênio, acordo, ajuste ou congênere); e) quando a atuação direta do município não se revelar mais econômica; f) fiscalização da aplicação dos recursos repassados. A subvenção será calculada com base em unidades de serviços efetivamente prestados ou postos à disposição dos interessados. Pela entidade: a) instituição de caráter assistencial ou cultural sem finalidade lucrativa (entidade filantrópica); b) prestação de serviços essenciais de assistência social, médica ou educacional; c) prestação de contas dos recursos recebidos.

Deve haver lei que autorize a concessão de subvenção social e identifique as entidades beneficiárias. Não se exige a edição de uma lei para cada entidade, podendo existir apenas uma lei relacionando as diversas entidades que poderão ser contempladas, a qual vigerá por tempo indeterminado, isto é, valerá para mais de um exercício financeiro, ou até que lei posterior a revogue ou a altere (por exemplo, incluindo ou excluindo entidades). Face à vigência indefinida da lei, não se recomenda que ela contenha valores, os quais serão oportunamente fixados no orçamento anual ou em seus créditos adicionais. Diz-se que a lei deve ser específica porque deverá tratar exclusivamente de subvenção social, não podendo regular concomitantemente outras matérias (art. 150, 6º, CF, por analogia). Ademais, não é suficiente a mera autorização via lei orçamentária anual ou crédito adicional. Deverão ser atendidas as condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias, a qual, conforme preceitua a LC 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), deverá conter normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos (art. 4º, inciso I, alínea e ) e condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas e privadas (art. 4º, inciso I, alínea f ). Deverá existir dotação para custear a despesa, pois é vedado o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária anual ou em seus créditos adicionais (art. 167, inciso I, CF). É necessária a formalização através de contrato (convênio, acordo, ajuste ou congênere), onde estejam estipuladas as atribuições, responsabilidades e obrigações a serem cumpridas por ambas as partes, município e entidade. O repasse de subvenção social a entidade privada somente é possível quando a intervenção direta do município não se revelar mais econômica, ou, consoante a redação da Lei 4320/1964, sempre que a suplementação de recursos de origem privada, aplicados a esses objetivos, revelar-se mais econômica (art. 16, caput ). Trata-se de emprego dos princípios constitucionais da eficiência e da economicidade (CF, art. 37, caput, e art. 70, caput ), porque não é razoável que o município crie instituições e/ou contrate servidores para atender áreas onde a iniciativa privada já atua com proficiência. Tal entendimento foi reforçado pela reforma administrativa promovida pela EC 19, que pretendeu criar mecanismos de parceria e colaboração entre a iniciativa privada (o

chamado terceiro setor ) e o Estado, através, por exemplo, de termo de parceria com organizações sociais (Lei 9637/1998) e contrato de gestão com organizações da sociedade civil de interesse público (Lei 9790/1999), cuja contratação dispensa a realização de licitação (Lei 8666/1993, art. 24, inciso XXIV). [1] O município deverá fiscalizar a escorreita aplicação dos recursos repassados à entidade, de sorte a verificar, entre outros, se a destinação está consoante aos termos pactuados no contrato, se não está havendo desvio de finalidade, se a entidade está cumprindo o padrão mínimo de eficiência fixado no contrato (art. 16, único, da Lei 4320/1964) e se o funcionamento da entidade é satisfatório (art. 17 da Lei 4320/1967). Ademais, tratando-se de dinheiro público, o município terá de comprovar perante o tribunal de contas a legalidade e regularidade das despesas (CF, art. 71, incisos I, II e VIII). Sempre que possível, o valor da subvenção social será calculado com base em unidades de serviços efetivamente prestados ou postos à disposição dos interessados (Lei 4320/1964, art. 16, único). Tendo em vista que a subvenção social se destina a remunerar a prestação de serviços de assistência social, médica e educacional, é recomendável a fixação de valor unitário para cada atendimento prestado pela entidade privada. A instituição beneficiada deverá ter caráter assistencial ou cultural sem finalidade lucrativa (entidade filantrópica). Caso o ente privado tenha fins lucrativos, não se tratará de subvenção social e sim de subvenção econômica (Lei 4320/1964, arts. 18 a 20; LC 101/2000, arts. 26 a 28). Nesse sentido, também, a Lei 9637/1998 (termo de parceria com organizações sociais) e a Lei 9790/1999 (contrato de gestão com organizações da sociedade civil de interesse público), as quais fazem referência à pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos (art. 1º de ambas as leis). A entidade deverá prestar serviços essenciais de assistência social, médica ou educacional (art. 16, caput, da Lei 4320/1964). A essencialidade deve ser aferida face ao interesse público, isto é, se o serviço prestado não for da competência do município ou não se revestir de importância coletiva, não será considerado essencial e, consequentemente, não será lícito que seja subsidiado através de subvenção social. [2] Por óbvio, o estatuto social da entidade deverá contemplar a atividade a ser terceirizada pelo município.

A entidade prestará contas dos recursos recebidos. A prestação de contas é ônus de toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos (CF, art. 70, único). A prestação de contas não deverá ser apresentada ao tribunal de contas e sim ao órgão repassador dos recursos, no caso, o município, que terá de mantê-la arquivada e disponível para eventual auditoria instaurada por àquela corte. O conteúdo da prestação de contas deverá ser estipulado no contrato firmado entre o município e a entidade privada. Todavia, considerando que, sempre que possível, o valor da subvenção social será calculado com base em unidades de serviços (Lei 4320/1964, art. 16, único), o que possibilita a fixação de valor unitário para cada atendimento prestado pela entidade privada, é aceitável que a prestação de contas se concretize através da simples quantificação do número de atendimentos realizados, com a identificação inequívoca dos cidadãos favorecidos, para possibilitar a checagem pelo município. Não se vislumbra necessário, portanto, que a prestação de contas contenha a comprovação detalhada dos dispêndios realizados pela entidade para a consecução dos atendimentos (faturas de água, esgoto, energia elétrica, telefone e gás; folha de pagamento de empregados; recibos de pagamento de prestadores de serviços autônomos; notas fiscais de fornecimento de bens e serviços), até porque, habitualmente, as entidades filantrópicas possuem outras fontes de receitas, que se diluirão naquelas repassadas pelo município. Ademais, tal comprovação detalhada poderia resultar em ingerências indevidas do município na administração e gerenciamento dos recursos da entidade, o que não é admissível, porquanto inexiste vínculo de subordinação entre um e outro. Se o município deseja controlar minuciosamente a receita e a despesa envolvida em seus projetos, não pode repassá-los a entidades privadas, mas deve executá-los através dos órgãos de sua administração direta (secretárias municipais), ou então entregá-los aos cuidados de entidades da administração indireta (autarquias e fundações), estas sim sujeitas ao seu controle. Por fim, não tem fundamento a assertiva de que os recursos repassados a título de subvenção social não podem custear a despesa com pessoal da entidade filantrópica. Toda atividade executada pela entidade privada exigirá necessariamente a participação do ser humano, pois, se alguma utilidade é criada, é

porque alguém (pessoa física) se dispôs a fazê-lo, e deve ser remunerado por este labor. A preocupação, no caso, seria a eventual acusação de que a subvenção social estaria ocultando contratos de terceirização de mão-de-obra que se referem à substituição de servidores e empregados públicos, os quais devem ser contabilizados como outras despesas de pessoal do município (art. 18, 1º, da LC 101/2000). Entretanto, tal suspeita não tem consistência, porquanto: a) a Lei 4320/1964 não veda que a subvenção social seja utilizada para pagamento de despesas com pessoal; b) em última análise, a subvenção social sempre será utilizada para pagamento de despesas com pessoal, seja direta ou indiretamente; c) a subvenção social não terá como objetivo (principal) a contratação de pessoal via interposta pessoa, ou seja, não se trata de terceirização de mão-de-obra; a subvenção social terá a finalidade de contratar a prestação de serviços da entidade e o repasse será fixado com base no número de pessoas atendidas e na extensão do atendimento; d) a entidade não receberá recursos exclusivamente do município, pois possui outras fontes de custeio. Finalmente, se ficar comprovado que não existe entidade pertencente ao município que preste as atividades que serão subvencionadas, a concessão de subvenção social revelar-se-á mais econômica que a construção e a manutenção de uma entidade municipal, caindo por terra qualquer desconfiança de burla aos preceitos da LC 101/2000. NOTAS: [1] Tribunal de Contas do Paraná, processo 191370/2001 (consulta), interessado Secretaria de Estado da Saúde. [2] O interesse público é o pertinente à sociedade como um todo, qualificado como próprio da coletividade. MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 14ª ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 45 e 82.