RECOMENDAÇÃO Nº1/R/2006

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1 RECOMENDAÇÃO Nº1/R/2006 Considerando que o chamado processo de Bolonha implica e na prática impõe um novo paradigma de organização universitária, determinando uma nova missão das universidades que é agora a de se constituírem como centros formais de recursos (humanos e materiais) dinamizadores do desenvolvimento e partilha social do conhecimento ; Considerando que o Processo de Bolonha estimula a universidade a tornar os seus cursos instrumentos propiciadores de aquisição de competências certificadas, válidas num espaço internacional, tendencialmente global, num contexto temporal determinado, que habilitem para a competitividade, adaptabilidade e participação dos respectivos diplomados na sociedade ; Considerando que o Processo de Bolonha visa criar um espaço europeu de ensino superior que favoreça e promova a mobilidade de discentes e docentes, bem como a mobilidade e empregabilidade dos diplomados; Considerando que o objectivo estratégico da mobilidade pressupõe o desenvolvimento de instrumentos que assegurem a compatibilidade dos graus, a legibilidade dos curricula e a comensurabilidade dos segmentos de formação nos diferentes níveis; Considerando que a compatibilidade dos graus, a legibilidade dos curricula e a comensurabilidade dos Palácio Ceia Rua da Escola Politécnica, Lisboa Tel Fax

2 segmentos de formação tornam possível a validade automática dos diplomas no espaço europeu, a equiparação de segmentos de formação (medidos em créditos ECTS, obtidos em universidade diferente daquela que confere o grau) e ainda a possibilidade de criação de diplomas conjuntos, correspondendo a percursos de formação resultantes da colaboração entre duas ou mais universidades; Considerando que é necessário o abandono da concepção linear, rígida, fechada e departamental de cada licenciatura, substituindo-a pelo princípio da abertura, flexibilidade e comunicabilidade interdepartamental de percursos, o que significa a aposta na valorização de um paradigma de aprendizagem que privilegie a participação activa e crítica do estudante (baseado numa pedagogia da investigação), em detrimento do paradigma do ensino magistral e enciclopédico (baseado na transmissão de conhecimentos); Considerando que o Processo de Bolonha implica a passagem de um sistema de licenciaturas tendencialmente sem liberdade de escolha (faculty-oriented) para um sistema aberto, de amplas escolhas (student-oriented), significando uma maior intervenção do estudante na escolha do seu percurso de formação, dentro do maior ou menor leque de possibilidades que lhe é oferecido, e favorecendo a comunicabilidade e complementaridade transdepartamental; Considerando que uma das principais condições da mobilidade, no âmbito do Processo de Bolonha, é a semestralização integral dos cursos em todos os sistemas nacionais e universidades, uma vez que o semestre lectivo é a Palácio Ceia Rua da Escola Politécnica, Lisboa Tel Fax

3 unidade estruturante que permite a comensurabilidade dos percursos de formação, viabilizando os intercâmbios; Considerando que o conceito de mobilidade é extensivo à relação entre formação universitária e saídas profissionais, visto que os cursos de banda estreita confrontam os diplomados com rigidez na procura e com um fraco índice de mobilidade, no exercício profissional proporcionado pela sua formação; Considerando que, ao invés, os cursos de banda larga pressupõem um leque mais amplo de possibilidades de emprego e de mobilidade profissional, flexibilizando a empregabilidade em áreas alternativas, para as quais também exista uma formação de base (de banda larga) adequada; Considerando que na modalidade de formações de banda larga para os cursos de primeiro ciclo a modalidade de formação que melhor se adequa às directrizes do Processo de Bolonha é o cruzamento entre domínios maior e minor, permitindo a combinação de uma formação de banda larga num saber principal (maior) com uma formação de banda larga num saber complementar ou minor, não se confundindo este último com uma área de especialização; Considerando que a proposta de matriz para a programação, adequação e apresentação de cursos na Universidade Aberta (de acordo com documento orientador elaborado por uma comissão na dependência do Conselho Científico, no quadro do Processo Europeu de Bolonha e no respeito pelos instrumentos legislativos aprovados pelas autoridades portuguesas) delimitava apenas o respectivo Palácio Ceia Rua da Escola Politécnica, Lisboa Tel Fax

4 esquema geral, deixando aos Departamentos a tarefa de avaliarem o modo concreto como elas deveriam ser interpretadas, na sua aplicação a cada projecto de estruturação curricular; Considerando que o trabalho desenvolvido aconselha aprofundamento de diálogo interdepartamental e fixação de linhas orientadoras que procurem encontrar um modelo em consonância com o regime de ensino e com a especificidade institucional da Universidade Aberta; Considerando, por fim, que a reestruturação de cursos da Universidade Aberta carece de acertos na sua organização, o que constitui um desafio incontornável no âmbito do processo de Bolonha: Recomendo ao Conselho Científico, com conhecimento aos diversos departamentos, 1. A adopção da semestralização para todos os cursos, de forma a que possam constituir unidades lectivas autónomas e auto-suficientes, contribuindo para uma maior mobilidade, também na decorrência de programas de intercâmbio como o Socrates/Erasmus; 2. A adopção do sistema de maior e minor (desejavelmente numa proporção de 120 créditos ECTS para o maior e de 60 créditos ECTS para o minor), com vista a permitir que cada aluno construa o seu próprio percurso académico, assim se conseguindo uma notória vantagem na procura de saídas profissionais; Palácio Ceia Rua da Escola Politécnica, Lisboa Tel Fax

5 3. A alteração do número de ECTS, de 5 para 6 créditos, com vista a diminuir o número médio de disciplinas por semestre ou de disciplinas por ano. Lisboa, 31 de Maio de 2006 O Reitor r1ma06 Prof. Doutor Carlos Reis Palácio Ceia Rua da Escola Politécnica, Lisboa Tel Fax

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