- quanto as partes COMPETÊNCIA
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- Leonardo Gameiro Álvaro
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1 Aula 9 TGP Competência 1 - é o critério de distribuição entre os vários órgãos - Conceito jurídicos, das atribuições relativas ao desempenho da jurisdição (Humberto Theodoro Jr.) - distribuição - a soberania nacional da competência - o espaço territorial (as leis levam em - a hierarquia dos órgãos jurisdicionais conta) - a natureza das causas - o valor da causa - as pessoas Competência - quanto as partes - qualidade (Pres. Rep.- STF) sua sede: domicílio na cível - Grupos de - quanto aos fatos - natureza da relação jurídica causas e fundamentos (penal; trabalhista, família) juríd. do pedido - lugar dos fatos (consuma) do crime; prestação dos serviços pelo empregado) -a natureza do bem (imo/mov) - quanto ao pedido - o valor (JEC até 40 SM) -a situação: (situ. do imóvel) COMPETÊNCIA 1. Introdução: devido a extensão territorial brasileira instituiu-se a pluralidade de órgãos jurisdicionais, aos quais é atribuído o exercício da jurisdição, com o fito de melhor atender aos milhões de litigantes. Devido a esta pluralidade, mas também em atenção à matéria contida nas lides, a CF, as leis processuais e de organização judiciária criaram limitações ao exercício da jurisdição por seus órgãos, de acordo com critérios pré-fixados, às quais dá-se o nome de competência. 2. Conceito: competência é o critério de distribuição entre os vários órgãos judiciários das atribuições relativas ao desempenho da jurisdição (Humberto Theodoro Júnior) (art CPC). Se todo juiz tem jurisdição, nem todo possui
2 Aula 9 TGP Competência 2 competência para conhecer e julgar determinadas lides. Competência pode ser definida também como a "quantidade de jurisdição cujo exercício é atribuído a cada órgão ou grupo de órgãos" do Poder Judiciário (Liebman). Por isto é que se diz que a competência é a medida da jurisdição, onde cada órgão somente exerce a jurisdição dentro da medida que lhe for fixada pelas regras de competência. É a divisão do poder estatal entre os seus agentes políticos. 3. Distribuição da Competência: as leis levam em conta para a distribuição da competência a soberania nacional, o espaço territorial, a hierarquia dos órgãos jurisdicionais, a natureza e o valor das causas, as pessoas envolvidas no litígio. As competências do STF (102), STJ (105), da Justiça Federal (108 e 109) e das Justiças Especiais (114, 121 e 124), p. ex., estão previstas na própria Constituição Federal. Quanto à Justiça Comum Estadual, sua competência é residual, ou seja, o que não se encontra incluído na competência daqueles órgãos jurisdicionais, compete à Justiça Estadual. 4. Grupos de Causas: para que se possa dizer qual a competência de cada órgão jurisdicional, antes temos que separar os possíveis conflitos em grupos segundo certas características comuns. A) quanto às partes, as regras de competência levam em consideração: a sua qualidade: cometendo o PR um crime comum, será ele julgado pelo Supremo Tribunal Federal; a Justiça Federal é a competente para julgar as causas em que a União tiver interesse. a sua sede: o domicílio do réu nas ações civis; a residência da mulher nas ações de separação; do alimentando, nas ações de alimentos. B) quanto aos fatos e fundamentos jurídicos do pedido, é levado em conta:
3 Aula 9 TGP Competência 3 a natureza da relação jurídica controvertida: o direito material em que o autor funda sua pretensão (causa penal ou não; trabalhista, direito de família). o lugar onde os fatos se deram: lugar da consumação do crime, a prestação dos serviços pelo empregado, onde deveria ser cumprida a obrigação (art. 100). C) quanto ao pedido, que se refere ao objeto da lide, quando é levado em conta: a natureza do bem: se móvel ou imóvel (art. 95); o seu valor: se até 40 salários mínimos a competência será dos Juizados Especiais Cíveis (art. 3º - Lei 9.099/95); a sua situação: a competência será do foro da situação do imóvel (art. 89, I e 95). 5. Atribuição das Causas aos Órgãos: com base nos agrupamentos acima feitos, devemos agora distribuí-los entre os vários órgãos judiciários: A) Competência de Jurisdição: (arts. 109, 114, 121, 124, 125, 3º e 4º da CF) pela Constituição são levados em consideração os seguintes aspectos: a natureza da relação jurídica controvertida: se o direito material que embasa a pretensão do autor pertence as Justiças Especiais ou Comuns (114, 121, 124); a qualidade das pessoas: por onde se determina se a competência é da Justiça Federal ou Estadual Ordinária ou, ainda, das Justiças Militares Estaduais e da União. Se a causa for de interesse da União, p. ex., a competência será da Justiça Federal Comum. Exceções: a CF confere a competência, em casos especiais, ao STF (102, I) ou STJ (105, I), levando em conta, principalmente, dados referentes à condição das partes ou à natureza do processo. Atribui,
4 Aula 9 TGP Competência 4 ainda, a competência a órgãos não pertencentes ao Poder Judiciário, atribuindo-a ao Senado (52, I, II) ou à Câmara dos Deputados (51, I). B) Competência originária ou hierárquica: é ordinariamente atribuída aos órgãos inferiores (de primeiro grau). Excepcionalmente, contudo, pode a competência ser atribuída ao STF (102, II), ao STJ (105, II) ou a órgãos superiores de cada uma das Justiças (art. 29, X - prefeito é julgado pelo TJ do Estado). No Estado de São Paulo, a sua Constituição (art. 74) atribuiu competência originária ao TJ para processar e julgar o Vice-Governador (competência por prerrogativa de função) e outras autoridades de alto escalão, ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo contestado em face da Constituição estadual. C) Competência de foro ou territorial: todo órgão jurisdicional supõe um território sobre o qual é exercida a função jurisdicional. Foro é a circunscrição territorial dentro da qual o juiz exerce a jurisdição e onde a causa deverá ser proposta. O foro comum corresponde às regras básicas que são: no processo civil o foro do domicílio do réu (94), e no processo penal o foro da consumação do delito (CPP - 70), e no processo trabalhista o foro da prestação dos serviços (CLT - 651). Estes foros serão os competentes, desde que não exista regra especial (foro especial) como, p. ex., o foro da residência da mulher nas ações de separação e divórcio (processo civil - 100). Foros concorrentes também são fixados pela lei, como, p. ex., o do lugar do fato ou do domicílio do autor, nas ações para indenização de danos causados por acidente de veículos (100, ún.); o do domicílio de qualquer dos réus, em havendo litisconsórcio. Os foros subsidiários são aqueles utilizados quando as regras gerais não bastarem, como, p. ex., o foro do domicílio ou residência do acusado, caso não seja conhecido o local da consumação da infração (CPP, 72).
5 Aula 9 TGP Competência 5 D) Competência de juízo: é resultante da distribuição dos processos entre os órgãos jurisdicionais do mesmo foro. Em primeiro grau os juízos correspondem às varas. Em um só foro podem existir mais de um juízo ou vara. Esta competência é determinada pelos seguintes critérios: pela natureza da relação jurídica controvertida: varas criminais ou civis, vara da família e sucessões, varas de acidentes do trabalho, etc. pela condição da pessoa: como as varas privativas da Fazenda Pública. E) Competência interna: decorre da existência de mais de um juiz no mesmo juízo, ou de várias câmaras, grupos de câmaras, turmas ou seções no mesmo tribunal. Assim, havendo dois ou mais juizes em exercício na mesma comarca ou vara, aquele que tiver iniciado a instrução oral prosseguirá no processo até o seu final, salvo se promovido, aposentado ou transferido. F) Competência recursal: pertence, em regra, aos tribunais. Caso a parte vencida numa demanda não se conforme ao decidido, poderá pedir do órgão jurisdicional mais elevado a substituição da decisão por outra que lhe seja favorável. 6. Critérios de Competência: esta é uma classificação diversa da acima descrita, que atende a uma sistemática diferenciada, que recebeu o nome de "repartição tríplice". Contudo, ambas as formas de classificação da competência possuem um conteúdo idêntico, empregando os mesmos critérios para a distribuição da competência entre os órgãos do Poder Judiciário. A) Competência Ratione Loci, ou Territorial ou de Foro: é o critério pelo qual se identifica o local onde a ação deverá ser ajuizada. Com dito acima, foro é a delimitação territorial onde o juiz exerce sua atividade, chamado de comarca ou seção judiciária. O foro comum é o do domicílio do réu.
6 Aula 9 TGP Competência 6 Há, contudo, foros especiais previstos em lei. Este critério territorial é de natureza relativa, de forma que comporta alteração pelo consenso das partes em contrato (foro de eleição) ou pela renúncia tácita do beneficiado, que ocorre quando este não oferece a exceção de incompetência. Como exemplo de competência territorial temos a contida no art. 94 do CPC, que fixa o foro do domicílio do réu para as causas fundadas em direito real sobre móveis e direito pessoal. (Imóveis - funcional) B) Competência Ratione Materiae ou em Razão da Matéria: o critério aqui utilizado refere-se à matéria discutida no processo. Este critério tem natureza absoluta, não podendo ser alterado pelas partes, sendo que a sua violação deve ser conhecida de ofício pelo juiz, a qualquer tempo ou grau de jurisdição. É por este critério que surgiram as varas especializadas (vara de família e sucessões, de acidentes do trabalho, varas cíveis e criminais) e as Justiças Especiais (Justiça do Trabalho, Justiça Eleitoral, etc). Um exemplo desta competência é o caso do usucapião, na comarca de São Paulo, que deve correr perante a vara de registros públicos. C) Competência Ratione Personae ou em Razão da Pessoa: certas pessoas, em razão da função que exercem, gozam do privilégio de serem submetidas a julgamento por juízes especializados. São regras de competência de natureza absoluta, posto que o interesse público secundário não comporta alteração pelo consenso das partes, devendo a sua inobservância ser conhecida de ofício pelo juiz. D) Valor da Causa: como toda causa tem um valor que lhe é atribuído na inicial, este elemento pode servir de fator de fixação da competência. Este critério, antes tão utilizados, tendo mesmo dado origem aos tribunais de alçada, hoje vem sendo abandonado. Um exemplo que hoje se apresenta
7 Aula 9 TGP Competência 7 deste critério é a competência dos Juizados Especiais Cíveis, que processam e julgam causas até 40 salários mínimos. E) Competência Funcional ou Hierárquica: é a atribuída aos órgãos judiciários para a prática de atos na relação processual. Se divide em competência interna e competência externa. A primeira delimita as atribuições jurisdicionais dentro de um mesmo órgão, como, p. ex., determinar qual, num tribunal, a câmara competente. A segunda delimita as atribuições jurisdicionais de um órgão em face dos demais (foro da situação do imóvel - 95). Admite exceções, deste que dentro dos limites legais (p. ex. ação de rescisão de contrato -> ação pauliana; e de abatimento do preço -> quanti minoris; execução hipotecária). 7. Determinação da Competência: para se determinar qual o órgão jurisdicional competente para uma dada causa deverão ser seguidos os passos abaixo: A) competência "de jurisdição" (qual a justiça competente?); B) competência originária (é competente o órgão superior ou inferior?); C) competência de foro (qual a comarca, ou seção judiciária, competente?); D) competência de juízo (qual a vara competente?); E) competência interna (qual o juiz competente?); F) competência recursal (é competente o mesmo órgão ou outro superior?) 8. Competência Absoluta e Relativa: a distribuição do exercício da função jurisdicional entre os órgãos do Poder Judiciário atende ora ao interesse público, ora ao interesse ou comodidade das partes. Caso a competência seja determinada segundo o interesse público, como ocorre nas competências de jurisdição, hierárquica, de juízo e interna, em princípio o sistema processual não admite modificações dos critérios estabelecidos. A esta espécie de competência dá-se o nome de competência absoluta, ou seja, aquela que não comporta modificações. Já em se tratando de competência de foro ou territorial, onde
8 Aula 9 TGP Competência 8 o legislador pensou preponderantemente no interesse de uma das partes, é admitida a modificação das regras ordinárias de competência pela vontade das partes (eleição de foro CPC). Este tipo de competência é denominada de relativa. Também é relativa a competência determinada pelo valor, mesmo que se trate dos Juizados Especiais Cíveis. Já no processo penal, onde vigora o princípio da verdade real, a distinção entre competência absoluta e relativa é quase que aniquilada, posto que mesmo a competência relativa pode ser conhecida de ofício pelo juiz. 9. Prorrogação da Competência: ocorre quando há a ampliação da esfera de competências de um órgão judiciário, que recebe um processo para o qual não seria normalmente competente. Somente as competências relativas podem ser modificadas (territorial e de valor da causa), nunca as absolutas (em razão da matéria e a funcional). Ocorrendo conexão ou continência entre ações cujas competências sejam absolutas, é vedada a união dos processos (usucapião, material - reintegração de posse, funcional). A prorrogação da competência pode ser: A) Legal: a própria lei prevê a prorrogação, por motivos de ordem pública. Ocorre no caso de haver conexão ou continência entre duas ações ( CPC; CPP). Tem em vista possibilitar ao juiz formar uma única convicção, evitando assim decisões contraditórias e atendendo ao princípio da economia processual. B) Voluntária: ocorre por ato de vontade das partes, e se liga ao poder dispositivo delas. Pode se dar por acordo expressamente elaborado pelas partes e anterior ao processo, e recebe o nome de prorrogação voluntária expressa. Ocorrendo de a ação ser proposta em foro incompetente, não alegando o réu a incompetência no prazo de 15 dias (exceção de incompetência), haverá prorrogação voluntária tácita.
9 Aula 9 TGP Competência 9 C) Desaforamento: ocorre em processo afetos ao tribunal do júri, é determinado pelo tribunal superior a requerimento do acusado ou do promotor público, ou de ofício pelo juiz, nos casos de: interesse da ordem pública; dúvida sobre a imparcialidade do júri; risco à segurança pessoal do acusado (424 - CPP). 10. Prevenção: não é um fator de determinação ou modificação da competência. Existindo conexão ou continência, se deve fixar qual dos dois juízes será o competente para julgar ambas as causas, que deverão ser reunidas. Pela prevenção se indica qual dos juízes irá proferir a sentença única. É critério, pois de fixação de competência. Duas são as regras que possibilitam a identificação do juiz competente: A) sendo ambos juízes de mesma competência territorial (mesma comarca ou seção judiciária), torna-se prevento aquele que despachou o processo em primeiro lugar, ordenando a citação do réu (art. 106); B) entre juízes de competência territorial distinta, será prevento aquele que promover em primeiro lugar a citação válida (art. 219). 11. Perpetuação da Jurisdição: a competência é fixada pela propositura da demanda, onde o juiz que conhecer primeiro do processo terá a sua jurisdição perpetuada. Assim, alterações posteriores não alterarão a competência. 12. Da Declaração de Incompetência: Um dos primeiros deveres do juiz é verificar se possui competência para a causa, especialmente a absoluta inclusive, nesse caso, deve ele, mesmo sem provocação, dar-se por incompetente, determinando a remessa dos autos ao juiz competente.
10 Aula 9 TGP Competência 10 No entanto, a parte pode levantar a questão da incompetência das formas a seguir analisadas. Em caso de incompetência relativa, a parte deve alegá-la por meio da exceção de incompetência (arts. 304 a 311 do CPC). Caso não o faça, haverá prorrogação da competência do juízo, não podendo este dar-se por incompetente sem provocação (Súmula 33 do STJ). Em se tratando de incompetência absoluta, deve ser utilizada a sua ocorrência como preliminar em contestação (art. 301, II, do CPC) ou mesmo por simples petição em qualquer fase do processo. Até mesmo o juiz, dado o interesse público que cerca a matéria, pode, sem provocação, declarar sua incompetência absoluta, remetendo os autos ao juízo competente não se pode pretender que um juiz do Trabalho, constatando que se trata de causa de competência da Justiça estadual, continue a processar e mesmo que julgue aquele feito. Por fim, outra forma de declaração de incompetência do juízo se dá por meio do conflito de competência, quando dois ou mais juízes se consideram incompetentes para o julgamento de determinado feito (conflito de competência negativo, que é o mais comum) ou quando dois ou mais juízos se consideram igualmente competentes para o mesmo feito (conflito de competência positivo). O procedimento dos conflitos de competência vem disposto nos arts. 116 a 124 do CPC. No caso do processo penal, o procedimento está previsto nos arts. 113 a 117 do CPP. Já para o processo trabalhista, o procedimento decorre de normas do art. 799, 800 e 803 a 811 da CLT
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