Recursos Estilísticos. Figuras de Linguagem
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- Betty Rodrigues Galindo
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1 Recursos Estilísticos Figuras de Linguagem
2 Figuras de Linguagem Sons Estruturas Sintáticas Figuras de Linguage m Palavras Significado FIGURAS DE LINGUAGEM: SÃO RECURSOS ESTILÍSTICOS UTILIZADOS NO NÍVEL DOS SONS, DAS PALAVRAS, DAS ESTRUTURAS SINTÁTICAS OU DO SIGNIFICADO PARA DAR MAIOR VALOR EXPRESSIVO PARA A LINGUAGEM.
3 Num mundo como o de hoje, de raciocínios algébricos, e onde os valores supremos são as máquinas e a automação; e onde o pensamento ameaça converter-se em atividade cibernética de robô, é preciso saudar tudo aquilo que contribua para destruir as unidades ideológicas, para manter o homem no mundo passional do homem, no espaço dos saberes problemáticos, da dialética, da argumentação e do debate, da intuição e do sentimento, das probabilidades e das crenças, da ficção, do mito e do sonho; esse é o mundo humano; e esse ainda é felizmente o mundo das figuras, um mundo metafórico. (LOPES, Edward. Metáfora da retórica à semiótica.)
4 1) AS FIGURAS DE PALAVRAS Uso figurado, simbólico, de uma palavra por outra quer por uma relação muito próxima (contiguidade), quer por uma associação, uma comparação, uma similaridade. Contiguidade e similaridade nos levam a dois tipos de figuras de palavras: a metonímia e a metáfora.
5 METÁFORA, do grego metaphorá, transporte Definição: Transferência de um termo para um contexto de significação que não lhe é próprio. Clarividência O poema é uma bola de cristal. Se apenas enxergares nele o teu nariz, não culpes o mágico. (Mário Quintana)
6 METONÍMIA Definição: Ocorre quando uma palavra é utilizada em lugar de outra, para designar algo que mantém uma relação de proximidade com o referente da palavra substituída. - A parte pelo todo: Ele tem duzentas cabeças de gado. - O continente pelo conteúdo: Almocei dois pratos. - O autor pela obra: Dúvida na ortografia? Pergunte ao Aurélio.
7 DESAFIO MAS SER PLANTA, SER ROSA, NAU VISTOSA DE QUE IMPORTA, SE AGUARDO SEM DEFESA PENHA A NAU, FERRO A PLANTA, TARDE A ROSA? (MATOS, Gregório. Poemas Escolhidos)
8 Tipos de Metonímia ANTONOMÁSIA: consiste na identificação de uma pessoa não por seu nome, mas por uma característica ou atributo que a distingue das demais. Castro Alves = Poeta dos Escravos Ronaldo = Fenômeno Roberto Carlos = O Rei SINÉDOQUE: substituição de uma palavra por outra que sofre, no contexto, uma redução ou ampliação do seu sentido básico. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas
9 COMPARAÇÃO (Símile) Definição: metáfora evidente através do uso de partícula comparativa (como, feito, tal qual, qual, assim como, tal, etc.) Exemplo: Virá, impávido que nem Muhammed Ali Virá que eu vi, apaixonadamente como Peri Virá que eu vi, tranquilo e infalível como Bruce Lee (Índio, Caetano Veloso)
10 CATACRESE Ocorre quando, na falta de uma palavra específica para designar determinado objeto, utiliza-se uma outra a partir de alguma semelhança conceitual. Pé de mesa Barriga da perna Embarcar no avião Dente de alho
11 SINESTESIA (junção de sensações) Relaciona planos sensoriais diferentes. 1) Os carinhos (tato) de Godofredo não tinham mais o gosto (paladar) dos primeiros tempos." (Autran Dourado) 2) Este perfume tem um cheiro doce. 3) "O céu ia envolvendo-a até comunicar-lhe a sensação do azul, acariciando-a como um esposo, deixando-lhe o odor e a delícia da tarde." (Gabriel Miró)
12 2) FIGURAS DE SINTAXE ALTERAÇÕES INTENCIONAIS NEM SEMPRE OS TEXTOS APRESENTAM FRASES ESTRUTURADAS DO MODO ESPERADO. É FREQUENTE OCORREREM INVERSÕES, OMISSÕES E REPETIÇÕES QUE LEVAM A UMA MAIOR EXPRESSIVIDADE. Lembre-se: Sintaxe é a parte da gramática que estuda o modo como as palavras se combinam nas orações.
13 ELIPSE É a omissão de um termo ou de uma oração inteira, sendo que essa omissão geralmente fica subentendida pelo contexto. Ex: Na estante, livros e mais livros. João estava com pressa. Preferiu não entrar. As mãos eram pequenas e os dedos delicados.
14 ZEUGMA Forma particular de elipse. Ocorre quando o termo omitido em um enunciado foi utilizado anteriormente. FedEx Express: Poupar tempo, dinheiro e algo igualmente precioso: sua paciência.
15 ANACOLUTO Mudança de rumo inesperada na construção sintática de um enunciado. O filme que eu vi ontem, eu achei que você vai adorar. Fomos ver o rio. E pouco andamos, porque já estava entrando pelas estrebarias. O marizeiro que ficava embaixo, a correnteza corria por cima dele. Era um mar d água roncando. (REGO, José Lins do. Menino de Engenho.)
16 ANÁFORA Repetição de palavras no início de versos ou, nos textos em prosa. Vi uma estrela tão alta, Vi uma estrela tão fria! Vi uma estrela luzindo Na minha vida vazia. (Manuel Bandeira) Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres Que ninguém mais merece tanto amor e amizade Que ninguém mais deseja tanta poesia e sinceridade Que ninguém mais precisa tanto da alegria e serenidade. (Vinícius de Moraes)
17 HIPÉRBATO Inversão sintática. SUJEITO VERBO COMPLEMENTOS Passeiam à tarde, as belas na Avenida. (Carlos Drummond de Andrade)
18 O HINO NACIONAL Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante E o sol da liberdade em raios fúlgidos, Brilhou no céu da pátria nesse instante Se o penhor dessa igualdade Conseguimos conquistar com braço forte, Em teu seio, ó liberdade, Desafia o nosso peito a própria morte!
19 Sem inversão (hipérbato) As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico, e o sol da liberdade brilhou nesse instante, em raios fúlgidos no céu da pátria. Se conseguimos conquistar com braço forte o penhor dessa igualdade, o nosso peito desafia, em teu seio, ó liberdade, a própria morte.
20 POLISSÍNDETO É uma figura caracterizada pela repetição enfática dos conectivos. Observe o exemplo: "Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre, vacila e grita, luta e ensanguenta, e rola, e tomba, e se espedaça, e morre." ( Olavo Bilac ) "Deus criou o sol e a lua e as estrelas. E fez o homem e deu-lhe inteligência e fê-lo chefe da natureza.
21 PLEONASMO Consiste na repetição de um termo ou ideia, com as mesmas palavras ou não. A finalidade do pleonasmo é realçar a ideia, torná-la mais expressiva. Exemplo: Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas. Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto Nesse caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o pronome "lhes" exerce a função de objeto indireto pleonástico.
22 Exemplos de pleonasmo... "Vi, claramente visto, o lumo vivo." (Luís de Camões) "Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal." (Fernando Pessoa)
23 3) Figuras de pensamento SÃO AQUELAS QUE PROVOCAM ALTERAÇÕES NO PLANO DO SIGNIFICADO (SEMÂNTICO) QUANDO MANIPULAMOS INTENCIONALMENTE O SENTIDO DAS PALAVRAS E DAS EXPRESSÕES.
24 HIPÉRBOLE Ocorre quando expressamos exageradamente uma ideia, a fim de enfatizar essa informação. Rios te correrão dos olhos, se chorares ( ) (Olavo Bilac)
25 Exemplos... Brota esta lágrima e cai ( ) Mas é rio mais profundo Sem começo e nem fim Que atravessando por este mundo Passa por dentro de mim. (Cecília Meireles) Queria querer gritar setecentas mil vezes Como são lindos, como são lindos os burgueses (Caetano Veloso)
26 Eufemismo Quando desejamos evitar Exemplos: o uso de palavras ou expressões que se consideram desagradáveis ou excessivamente fortes. Exemplos: Ele faltou com a verdade. Ela é desprovida de beleza.
27 Consoada, Manuel Bandeira Quando a indesejada das gentes chegar (Não sei se dura ou caroável), Talvez eu tenha medo. Talvez sorria, ou diga: - Alô, iniludível! O meu dia foi bom, pode a noite descer. (A noite com os seus sortilégios.) Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, A mesa posta, Com cada coisa em seu lugar.
28 PROSOPOPEIA Atribuição de características humanas a animais e objetos inanimados. O cipreste inclina-se em fina reverência e as margaridas estremecem, sobressaltadas. (Cecília Meireles) A ventania às vezes surpreendia as janelas abertas do meu lar e então as doces sombras se moviam trêmulas, trêmulas a bailar. (Jorge de Lima)
29 ANTÍTESE Associação de ideias contrárias, por meio de palavras ou enunciados de sentido oposto. O Pensamento ferve, é um turbilhão de lava: A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve... E a Palavra pesada abafa a Ideia leve, Que, perfume e clarão, refulgia e voava. (Olavo Billac)
30 PARADOXO Associação de termos contraditórios, inconciliáveis. Exemplos: Ernesto adora estudar, mas detesta ler. "Se você tentou falhar e conseguiu, você descobriu o que é paradoxo. Fernando Pessoa
31 Amor é um fogo que arde sem se ver, É ferida que dói, e não se sente; É um contentamento descontente, É dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; É um andar solitário entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É um cuidar que ganha em se perder.
32 É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
33 Antítese Eu sou um velho, você um moço. Paradoxo Eu sou um velho moço.
34 GRADAÇÃO Consiste em dispor as ideias em ordem crescente ou decrescente. Ó não guardes, que a madura idade te converta essa flor, essa beleza em terra, em cinzas, em pó, em sombra, em nada. Eu era pobre. Era subalterno. Era nada. Gregório de Matos Monteiro Lobato
35 APÓSTROFE É a interpelação de uma pessoa (real ou imaginária), presente ou ausente, como uma forma de enfatizar uma ideia ou expressão. Exemplo: Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes Embuçado nos céus? Há dois mil anos te mandei meu grito, Que embalde desde então corre o infinito... Onde estás, Senhor Deus?... Castro Alves
36 4) FIGURAS DE SOM EM CONTEXTOS DIFERENTES, OS FALANTES SENTEM A NECESSIDADE DE EXPLORAR SONS PARA PRODUZIR EFEITOS DE SENTIDO. O USO MAIS FREQUENTE DE ALGUNS DESSES EFEITOS SONOROS FEZ COM QUE PASSASSEM A DESIGNAR FIGURAS DE LINGUAGEM ESPECÍFICAS.
37 ONOMATOPEIA Palavras especiais criadas para representar sons específicos. Exemplos: Aaai! grito de dor Ah! grito de surpresa, dor, medo, pavor ou descoberta Bam! tiro de revólver Chomp! nhoc! nhac! nhec!- mastigar
38 ALITERAÇÃO REPETIÇÃO DE UM MESMO SOM CONSONANTAL. A boiada seca Na enxurrada seca A trovoada seca Na enxada seca Segue o seco sem secar que o caminho é seco sem sacar que o espinho é seco sem sacar que seco é o Ser Sol Sem sacar que algum espinho seco secará E a água que sacar será um tiro seco E secará o seu destino secará (Segue o seco, BROWN, Carlinhos e MONTE, Marisa)
39 ASSONÂNCIA Consiste em repetir sons de vogais em um verso ou em uma frase Exemplo: Ó Formas alvas, brancas, Formas claras (Cruz e Sousa) (assonância em A) (...) Sou um mulato nato No sentido lato Mulato democrático do litoral (Caetano Veloso)
40 PARANOMÁSIA Ocorre quando os textos exploram uma semelhança sonora e gráfica entre palavras de significados distintos (parônimas) intencionalmente utilizada. Menina a felicidade É cheia de praça, é cheia de traça É cheia de lata, é cheia de graça Menina a felicidade É cheia de pano, é cheia de peno É cheia de sino, é cheia de sono Menina a felicidade É cheia de ano, é cheia de eno É cheia de hino, é cheia de ono (Tom Zé, Menina, amanhã de manhã.)
41 PARALELISMO O paralelismo constitui uma das características estruturais da lírica galego-portuguesa, consistindo na repetição simétrica de palavras, estruturas rítmico-métricas ou conteúdos semânticos. Exemplo: Eno sagrad', en Vigo, bailava corpo velido: amor ey! En Vigo, no sagrado, bailava corpo delgado amor ey! (Martin Codax)
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