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- Thalita Sacramento Canto
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1 Como citar este material: ZURRON, Ana Claudia Bensuaski P. Patologia: A Adaptação e Modificação Celular das Lesões Celulares. Necrose Tecidual e Apoptose. Caderno de Atividades. Valinhos: Anhanguera Educacional, Este tema do caderno de leitura e atividades esclarecerá como as lesões irreversíveis se agravam e acabam por causar a morte celular. Assim, quando a célula perde sua habilidade em lidar com os agentes causadores de doenças, impedindo o retorno da funcionalidade das células às suas condições normais, ocorre a morte celular. Como um tecido reage frente a uma lesão irreversível? As formas de morte celular mais conhecidas são necrose e apoptose. A necrose geralmente aparece em decorrência do processo inflamatório; já, na apoptose, a célula se prepara para morrer, em decorrência das situações adversas do ambiente celular. O conteúdo deste tema esclarece, ainda, os tipos de necrose que acontecem no organismo humano, as causas da necrose e as patologias envolvidas neste processo. Serão elucidados, também, o processo de apoptose, sua ocorrência, as vias de sinalização, assim como as razões que levam as células a se programarem para morrer. A leitura deste tema irá favorecer ainda mais a compreensão de seus estudos da disciplina de Patologia. Com o apoio do Livro-Texto, das sugestões de leitura, imagens e exercícios, você estará preparado para avançar nos estudos e se aprofundar nos conhecimentos desta disciplina com maior facilidade. impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 1
2 Lesões Irreversíveis As lesões celulares exigem de nosso organismo uma adaptação fisiológica para que as células sobrevivam. Quando a lesão persiste, levando à morte celular, diz-se que são lesões irreversíveis. As duas formas mais conhecidas de lesões irreversíveis são a necrose e apoptose. A necrose é de incidência pouco ou nada previsível, geralmente ocorre de modo acidental e está associada ao processo inflamatório. A apoptose, por sua vez, é a morte celular que ocorre de forma programada e silenciosa, não promovendo inflamação (FRANCO et al., 2010, p. 47). Então, pergunta-se, o que é morte celular? Como em seres eucariontes a respiração celular é um processo de obtenção de energia armazenada em moléculas de ATP (adenosina trifosfato), quando ocorre a morte celular, a respiração celular cessa, e os estoques de ATP são diminuídos até acabar. Este mecanismo elucida a morte celular por necrose. No caso da apoptose, esta explicação não é aplicável, pois, mesmo em processo de morte celular, a apoptose necessita de energia para sua implementação e consequente execução. Os mecanismos que promovem a adaptação celular são originados por sinais que causam mudanças na função dos genes. O modo como essas células respondem forma a base celular das doenças. A morte celular ainda pode ser identificada quando a membrana plasmática estiver lesada, fazendo com que a célula não consiga selecionar as substâncias e moléculas que entram e saem do ambiente celular. A apoptose representa, na maioria dos casos, um término do ciclo vital fisiológico, o que significa que sua programação deve fazer parte dos mecanismos ligados à sobrevivência celular. impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 2
3 Com relação aos eventos envolvidos no processo de morte celular, podemos destacar as alterações morfofuncionais mais importantes envolvidas neste processo: A) A necrose promovida por isquemia geralmente é precedida por uma fase pré-morte, reversível, com aumento de volume celular decorrente de edema celular agudo. B) A morte celular decorrente de isquemias está relacionada ao infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, em que esses órgãos são os que mais consomem energia (Figuras 3.1 e 3.2). Se houver oclusão total da oxigenação desses órgãos, a pouca oxigenação rapidamente esgota o ATP disponível, levando as células à necrose. Figura 3.1 Isquemia miocárdica (morte do músculo do coração), seguida de infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco). A morte celular ocorre a partir do bloqueio da artéria coronária. Fonte: Acesso em: nov impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 3
4 Figura 3.2 Progressão de aneurisma cerebral. Esta patologia leva à ruptura da artéria causando isquemia e necrose, ou morte, do tecido cerebral. Fonte: Acesso em: nov C) Se a oclusão arterial persistir, é comum que apareçam variações no gradiente iônico por causa das alterações da bomba de hidrogênio (acidose citoplasmática), desestruturando membranas e organelas citoplasmáticas, causando a morte celular e diferenciando os tipos de necrose. Assim, tem-se a patogênese da morte celular por distúrbios bioquímicos seja por parada de respiração celular por carência de ATP ou enzimas respiratórias. Ainda se admite o envolvimento de íons cálcio, penetrando na célula pela lesão na membrana celular, provocada pelo agente necrosante (necrose coagulativa). A consequência clínica deste tipo de necrose ocorre pela dosagem de enzimas que normalmente ficam retidas no interior das células, e, por consequência da lise da membrana celular, as células extravasam seu conteúdo para o plasma sanguíneo, onde são dosadas. Essa dosagem plasmática é importante, pois, impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 4
5 quando é encontrada a presença da enzima CPK ou creatina-fosfatase algumas horas após a necrose, determina-se o infarto agudo do miocárdio. Quando são encontradas as enzimas transaminases no plasma sanguíneo, determina-se a necrose hepática (FRANCO et al., 2010, p. 49). Os tipos de necrose são classificados conforme as características macroscópicas das necroses: 1- Necrose por coagulação: a necrose por coagulação ocorre pela transformação da lesão de um estado mais líquido para outro mais sólido por perda de água. A coagulação da célula envolve a participação do íon cálcio, que, por sua vez, flui para dentro da célula. Há uma relação entre o acúmulo de cálcio e a necrose celular. Podemos evitar a coagulação lavando o tecido, o que elimina o cálcio junto com o sangue, ou pela inativação das enzimas pelo ácido cianídrico (FRANCO et al., 2010). O sódio presente no exsudato e no sangue interage com o cálcio presente no curativo de alginato de cálcio. A troca iônica auxilia no desbridamento autolítico, tem alta capacidade de absorção, resulta na formação de um gel que mantém o meio úmido para a cicatrização e induz a hemostasia. Modo de lavar: remover o exsudato e o tecido desvitalizado. Modelar o alginato de cálcio no interior da ferida, umedecendo a fibra com soro fisiológico. Não deixar que a fibra do alginato de cálcio ultrapasse a borda da ferida. Em seguida, ocluir com cobertura secundária estéril (FRANCO; GONÇALVES, 2007). Em feridas com placas necróticas extensas e profundas, deve ser considerado o desbridamento cirúrgico, complementado pelo tratamento por meio de pomadas ou curativos. Em áreas com fibrina ou necrose superficial, o desbridamento químico pode ser suficiente para limpar a ferida e possibilitar a reepitelização. Essa necrose é frequente pela interrupção da circulação arterial, o que causa o infarto do miocárdio, baço e rim. Macroscopicamente, exibe cor amarelada, perda de brilho e aumento da consistência (FRANCO et al., 2010). impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 5
6 2- Necrose caseosa ou caseificação: necrose, de cor branco-amarelado ou amarelo-pálido, sem brilho e de consistência pastosa. Contribuem para este aspecto, além de necrose coagulativa, a esteatose das células e a disposição de substância hialina (fibrina). A caseificação ocorre em certas inflamações, sobretudo a causada pelo bacilo da tuberculose. 3- Necrose liquefativa: é diferente da necrose coagulativa pelo caráter mole e até liquefeito do tecido necrótico. Esse amolecimento ocorre pela ação de enzimas, bem como pela riqueza em água. Os órgãos mais atingidos são o cérebro, pela riqueza em lipoides incoaguláveis; a medula da glândula suprarrenal; e as mucosas, que são normalmente úmidas. Nas inflamações purulentas, o amolecimento do tecido constitui o abscesso, sendo considerado necrose liquefativa. Esse amolecimento é causado por enzimas proteolíticas liberadas de bactérias, de leucócitos e das células teciduais necróticas já existentes, como as células pancreáticas (FARIA, 2009, p. 40). 4- Gangrena: é um tipo de necrose, cuja cor e consistência são modificadas pelo contato com agentes externos, como o ar e as bactérias. A gangrena pode ser seca ou úmida. A gangrena seca pode ser vista no cordão umbilical da criança após o nascimento (fenômeno fisiológico) e nas extremidades periféricas, como membros, nariz e orelhas, mas principalmente nos pés. É visível que a parte necrótica torna-se negra, por causa da alteração da hemoglobina, e seca, por perda de água. Na gangrena úmida, o tecido necrótico sofre decomposição e amolece pela ação de bactérias. A umidade do tecido facilita a penetração de bactérias. A gangrena é vista na pele, no pulmão, na mucosa uterina, nos intestinos. A gangrena tem como consequência clínica a absorção de substâncias tóxicas formadas pela desintegração dos tecidos. Por isso, faz-se a amputação cirúrgica de partes necróticas, pois podem levar ao óbito (FARIA, 2009, p. 41). impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 6
7 Saiba Mais! O texto, a seguir, aborda o tratamento cirúrgico de crianças com pneumonia necrosante, que são considerados casos graves e que a terapia medicamentosa não responde. WESTPHAL, F. L. et al. Tratamento cirúrgico de crianças com pneumonia necrosante. J. Bras. Pneumol., v. 36, n. 6, p , Disponível em: Acesso em: 20 out As causas da necrose são muitas e incluem: - Distúrbios locais da circulação (oclusão arterial e venosa) e gerais (como choque). - Redução da quantidade de oxigênio (O2) no sangue (hipoxemia). - Distúrbio da formação de energia intracelular (bloqueio da respiração celular, ação de toxinas sobre as enzimas respiratórias). - Agentes mecânicos (traumatismos, compressão como na úlcera de decúbito). - Agentes físicos (calor, frio intenso). - Raios x ou radioterapia sobre células cancerosas. - Agentes químicos (ácidos). - Toxinas bacterianas (bacilo da difteria). - Ação de vírus (necrose das células motoras da medula espinhal na poliomielite). - Secreção glandular (secreção do suco pancreático ativado). - Distúrbio do metabolismo celular por mecanismos alérgicos ou dietéticos (necrose por carência intensa de proteínas). impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 7
8 Evolução das Necroses: o produto necrótico comporta-se como um corpo estranho que nosso organismo não tolera e, por isso, tenta eliminá-lo. A eliminação ocorre por: - Ação de vasos linfáticos ou vias excretoras normais, após o amolecimento da porção necrótica por ação de enzimas das células mortas e de células vivas, como neutrófilos, leucócitos e macrófagos (heterólise). - Fagocitose, quando o produto necrótico não sofre a digestão enzimática e não amolece. O tecido necrótico é finalmente substituído por tecido fibroso e cicatricial. - A eliminação do produto necrótico causa úlceras, cistos, fístulas de natureza infecciosa se o material necrótico for lançado fora por canais formados nos tecidos adjacentes. - A permanência do material necrótico no local gera calcificação do tecido. A necrose é causada por lesão tecidual rápida e extensa que gera o colapso do equilíbrio celular interno. Ela aparece na interrupção súbita ou no decréscimo progressivo do fluxo sanguíneo, como no caso das queimaduras (Figura 3.3), no congelamento e na destruição tecidual por agentes físicos, químicos e mecânicos (FRANCO et al., 2010, p. 49). Figura 3.3 Queimadura de terceiro grau, atingindo músculos e vasos sanguíneos. Fonte: Acesso em: nov impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 8
9 A perda da função tecidual por lesão atinge os componentes do citoplasma, lesando organelas vitais ao funcionamento celular, permitindo a liberação de fragmentos celulares para o meio extracelular, o que, por sua vez, promove inflamação por aporte de neutrófilos, macrófagos e linfócitos. Os macrófagos e linfócitos T ativados produzem citocinas (TNF alpha, IL-1 e IL-8), que modificam a atividade de outras células, como células endoteliais de vasos próximos e de leucócitos secretores, favorecendo a instalação do quadro inflamatório (FRANCO et al., 2010, p. 49). Apoptose A apoptose é a forma mais generalizada de morte celular em animais superiores, ocorrendo no desenvolvimento embrionário-fetal e também ao longo da vida adulta. No desenvolvimento dos organismos e no adulto, a morte celular causa renovação contínua em epitélios de revestimentos de intestino, estômago, esôfago; causa também a renovação da pele com seus anexos; a regressão da mama após o desmame, as células sanguíneas; entre outros fenômenos (FRANCO et al., 2010, p. 53). No organismo humano, todos os dias, bilhões de células desnecessárias ou indesejáveis entram em apoptose, sendo eliminadas silenciosamente. Nas células apoptóticas ocorre a ativação de proteínas conhecidas como caspases, que, além de ativar ou degradar outras proteínas, irão ativar nucleases que contribuirão para promover a completa lise estrutural (FRANCO et al., 2010, p. 47). Ao contrário da necrose, que é um processo não fisiológico, em que as células sofrem lise e liberam seus conteúdos no meio extracelular, gerando inflamação, na apoptose as células se retraem, condensam, fragmentam a cromatina e liberam partes de seu corpo envolto por membrana (corpos apoptóticos), que são reconhecidos, fagocitados e destruídos por macrófagos, sem a ocorrência de inflamação, até a destruição completa da célula (Figura 3.4). impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 9
10 As caspases são enzimas que participam de uma das vias mais importantes do processo de apoptose. A ativação de caspases decorrente de ativação de receptores da via extrínseca (receptores de superfície celular) pode promover ativação de apoptose pela ativação da via mitocondrial. Quando a via mitocondrial ou intrínseca é ativada, muitas outras caspases também são ativadas. Essas moléculas atuam em cascata, desencadeando uma resposta amplificada, gerando sinais intracelulares de morte celular (FRANCO et al., 2010, p. 17). Saiba Mais! Apoptose Morte Celular Programada A morte celular programada apoptose segue ativando enzimas caspases, amplificando a reação no citoplasma da célula. Assista ao vídeo: Apoptose - Morte celular programada. Disponível em: Acesso em: 20 out Tempo: 4:52 minutos. O estudo da apoptose vem elucidando mecanismos que garantem a sobrevivência celular, importante aspecto avaliado em disfunções celulares que causam câncer e doenças degenerativas. A sobrevida celular insuficiente, pelo processo apoptótico, pode levar à degeneração tecidual de variadas doenças, como Alzheimer ou defeitos somáticos associados ao desenvolvimento. impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 10
11 Figura 3.4 Apoptose uma forma de morte programada da célula em organismos multicelulares. Um macrófago é mostrado englobando a célula morta. Fonte: Acesso em: 20 out Na apoptose, o aparecimento da cascata de reações que leva à morte celular pode ser tanto uma resposta fisiológica como patológica a diferentes sinais celulares. A apoptose é conhecida como suicídio celular. Ela é considerada uma morte celular programada, iniciada por um sinal genético e que tem a finalidade de substituir células velhas por novas células. Essas células estão programadas para morrer por diferentes razões, como a mutação, a idade celular avançada e o esforço em se programar para diminuir as células existentes. A apoptose pode ocorrer como resposta aos sinais hormonais que estimulam o crescimento, resultando em involução ou diminuição do tamanho dos tecidos e órgãos. Vale lembrar, ainda, que existem doenças autoimunes, condição em que o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do próprio corpo por engano. Normalmente, os leucócitos do sistema imunológico ajudam a proteger o corpo contra substâncias nocivas os antígenos. Desta forma, o sistema imunológico produz anticorpos que destroem essas substâncias nocivas. Nos pacientes impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 11
12 com doença autoimune, o sistema imunológico não consegue distinguir entre os tecidos saudáveis do corpo e os antígenos. O resultado é uma resposta imunológica que destrói os tecidos normais do corpo, debilitando todo o organismo do paciente. Doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, são caracterizadas por morte de neurônios em regiões específicas do sistema nervoso central. Embora haja perda de neurônios com o avanço da idade, a doença autoimune gera susceptibilidade a infecções e está relacionada com a atividade apoptótica em células T. A apoptose é fundamental na maturação e seleção de linfócitos T, pois, enquanto essas células estão amadurecendo no timo, qualquer célula T que possui receptores não funcionais entra em apoptose. A apoptose é importante para a homeostase do organismo. Se as células não têm capacidade para reparar danos no DNA, a apoptose ocorre, e a célula morta é substituída pela divisão celular de outra célula. As células senescentes danificadas resistem à apoptose, acumulam-se com a idade e podem comprometer a função tecidual. O desequilíbrio entre a proliferação e a apoptose pode resultar em neoplasia, pois o mecanismo de morte celular limparia as células neoplásicas (TEIXEIRA; GUARIENTO, 2010). Saiba Mais! O texto, a seguir, fala da doença de Alzheimer, das características da doença e dos possíveis tratamentos farmacológicos da doença. SERENIKI, Adriana; VITAL, Maria Aparecida Barbato Frazão. A doença de Alzheimer: aspectos fisiopatológicos e farmacológicos. Rev. Psiquiatr. RS, v. 30, 1 Supl., Disponível em: Acesso em: 20 out Entender os mecanismos envolvidos na morte celular não deve ser visto somente como um fenômeno desencadeador de doenças, pois a morte celular é importante para a manutenção da homeostase orgânica no que se refere à renovação celular quando substâncias intracelulares se acumulam, quando impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 12
13 defeitos genéticos se pronunciam, quando há alteração na ação de enzimas e em erros do metabolismo. A apoptose pode e deve ser vista como mecanismo de sobrevivência celular, garantindo que os devidos sinais de sobrevivência sejam anunciados quando necessários. Células senescentes: senescência é o processo natural de envelhecimento envolvendo as células do organismo ou o conjunto de fenômenos associados a este processo. Citocinas: termo genérico empregado para designar um extenso grupo de moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células durante o desencadeamento das respostas imunes. Constituem um grupo de proteínas que podem ser produzidas por diversas células, como Monócitos, Macrófagos, Linfócitos e outras que não sejam linfoides. As citocinas são de diversas categorias: interferons (IFN), interleucinas (IL), fator estimulador de colônias (CSF), fator de necrose tumoral (TNFa e TNFb) e fator de transformação de crescimento (TGF b). Desbridamento autolítico: o desbridamento é a remoção de tecidos mortos, particulados ou corpos estranhos, garantindo a diminuição da colonização de micro-organismos no leito da ferida. Pode ser realizado cirurgicamente ou com utilização de instrumental, o que garante um procedimento rápido invadindo minimamente os tecidos vivos. Heterólise: está relacionada à patologia e resulta da digestão das células necróticas por suas próprias enzimas (autólise) ou de enzimas derivadas dos leucócitos (heterólise). Homeostase: condição de equilíbrio das funções fisiológicas do organismo. Lipoides Incoaguláveis: substâncias com aspecto gorduroso que não coagulam, aparecem no cérebro, na medula da glândula suprarrenal e nas mucosas. impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 13
14 Lise da membrana celular: ruptura da membrana celular, que, neste estado, favorece a entrada e saída de substâncias, sem permeabilidade seletiva, podendo lesar estruturas celulares. Instruções Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido. Questão 1 Quando a célula perde sua habilidade em lidar com os agentes causadores de doenças, impedindo o retorno da funcionalidade das células às suas condições normais, tem-se a morte celular. Assim: 1. As lesões celulares irreversíveis são a necrose e apoptose. 2. A necrose ocorre de modo acidental e, geralmente, não está associada ao processo inflamatório. 3. A energia em forma de ATP não interfere no processo de morte celular, tanto na necrose como na apoptose. 4. A morte celular pode ser identificada quando a membrana plasmática estiver lesada, fazendo com que a célula não selecione as substâncias que entram e saem do ambiente celular. De acordo com as afirmativas, estão corretas: a) 1, 2, 3. b) 1, 2, 4. c) 2, 3, 4. d) 1 e 4. impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 14
15 e) 2 e 3. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 2 De acordo com a afirmativa, complete a resposta que melhor define o mecanismo de lise celular no processo de morte celular: A morte celular pode ser identificada quando a estiver lesada, fazendo com que a célula as substâncias e moléculas que do ambiente celular. a) Mitocôndria, selecione, entram e saem. b) Membrana plasmática, não selecione, entram e saem. c) Membrana nuclear ou carioteca, selecione, entram e saem. d) Membrana plasmática, selecione, saem. e) Organela citoplasmática, selecione, entram. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 3 As características principais que diferenciam os processos de morte celular necrose e apoptose são: 1. A necrose geralmente aparece em decorrência do agravamento do processo inflamatório; na morte celular por apoptose, a célula se prepara para morrer em decorrência das situações adversas do ambiente celular, sem necessariamente promover inflamação. 2. Na morte celular por necrose, a respiração celular cessa, e os estoques de ATP são diminuídos até acabar. No caso da apoptose, esta explicação não é aplicável, mesmo em processo de morte celular a impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 15
16 apoptose necessita de energia para se programar e exercer funções celulares. 3. A apoptose não elimina as células indesejáveis, pois essas células previnem doenças. Nas células apoptóticas, as proteínas conhecidas como caspases não ativam nem degradam outras proteínas, sem contribuir com a lise estrutural. 4. Ao contrário da necrose, que é um processo não fisiológico, em que as células sofrem lise e liberam seus conteúdos no meio extracelular, gerando inflamação, na apoptose as células retraem-se, condensam, fragmentam a cromatina e liberam partes de seu corpo envolto por membrana (corpos apoptóticos), que são reconhecidos, fagocitados e destruídos por macrófagos, sem a ocorrência de inflamação, até a destruição completa da célula. Estão corretas as afirmações: a) 1, 2, 3, 4. b) 1, 2, 4. c) 2, 3, 4. d) 1 e 4. e) Somente a alternativa 1 está correta. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Questão 4 No processo de apoptose, qual a função e a importância das enzimas caspases no processo de morte celular programada? Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 16
17 Questão 5 Qual a vantagem de se ter o processo de morte celular acontecendo fisiologicamente em nosso organismo? Explique. Verifique a resposta correta no final deste material na seção Gabarito. Neste tema, você pôde compreender o conceito de lesão irreversível, assim como a definição e diferenciação entre necrose e apoptose. Com base nesses conceitos, verificamos a importância do mecanismo de morte celular relacionado com as mais diversas patologias. Foram apresentadas informações de substâncias extraídas do citoplasma de células em processo de necrose tecidual, dando indícios bioquímicos do diagnóstico de várias patologias. Também elucidamos a importância do mecanismo de apoptose celular, no que diz respeito à necessidade do organismo de renovar diferentes tipos de células para a manutenção do equilíbrio fisiológico e para homeostase orgânica. As células apoptóticas estão programadas para morrer por diferentes razões, como a mutação, a idade celular avançada e o esforço em se programar para diminuir as células existentes. Mesmo sabendo que a apoptose está relacionada com a manutenção da homeostase orgânica e com a regulação fisiológica do tamanho dos tecidos, sabe-se que ela pode também ser causada por um estímulo patológico (como a lesão ao DNA celular). Assim, entender os mecanismos envolvidos na morte celular não deve ser visto somente como um fenômeno desencadeador de doenças, mas, sim, como um mecanismo de sobrevivência celular. Desta forma, a partir destes ensinamentos, exercícios e leituras, você poderá prosseguir com seus estudos nos demais temas da disciplina de Patologia. impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 17
18 APOPTOSE - A morte celular programada. Disponível em: Acesso em: 20 out Tempo: 4:52 minutos. FARIA, J. L. Patologia Geral. Fundamentos das doenças com aplicações clínicas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, FRANCO, D.; GONÇALVES, L. F. Feridas cutâneas: a escolha do curativo adequado. Rev. Col. Bras. Cir., v. 35, n. 3, FRANCO, M.; MONTENEGRO, M. R.; BRITO, T.; BACCHI, C. E.; ALMEIDA, P. C. Patologia - Processos Gerais. 5. ed. São Paulo: Atheneu, SERENIKI, A.; VITAL, M. A. B. F. A doença de Alzheimer: aspectos fisiopatológicos e farmacológicos. Rev. Psiquiatr. RS, v. 30, 1 Supl., Disponível em: Acesso em: 20 out WESTPHAL, F. L. et al. Tratamento cirúrgico de crianças com pneumonia necrosante. J. Bras. Pneumol., v. 36, n. 6, p , Disponível em: Acesso em: 20 out. Sereniki, A. et al.a doença de Alzheimer: aspectos fisiopatológicos e farmacológicos. Rev Psiquiatr 30(1): Questão 1 Resposta: (D) estão corretas as afirmativas 1 e 4. A afirmativa 2 está incorreta, pois geralmente um processo inflamatório já avançado acaba acarretando necrose tecidual. A morte celular, aqui, não é programada geneticamente ou fisiologicamente, mas, sim, é decorrente de uma patologia já instalada. A alternativa 3 está incorreta, pois o processo de morte impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 18
19 celular necessita de energia. Até quando a célula se programa para morrer, ou inicia uma reação em cascata para responder a um estímulo patogênico, ela usa energia. Questão 2 Resposta: (B) Membrana plasmática, não selecione, entram e saem. A morte celular pode ser identificada quando a membrana plasmática estiver lesada, fazendo com que a célula não consiga selecionar as substâncias e moléculas que entram e saem do ambiente celular. A apoptose representa, na maioria dos casos, um término do ciclo vital fisiológico, o que significa que sua programação deve fazer parte dos mecanismos ligados à sobrevivência celular. Questão 3 Resposta: (B) Estão corretas as afirmativas 1, 2 e 4. A apoptose elimina as células indesejáveis, pois essas células são potentes em causar doenças. Nas células apoptóticas, as proteínas conhecidas como caspases ativam e degradam outras proteínas, contribuindo com a lise estrutural. Questão 4 Resposta: As caspases são enzimas que participam de uma das vias mais importantes do processo de apoptose. A ativação de caspases decorrente de ativação de receptores da via extrínseca (receptores de superfície celular) pode promover ativação de apoptose pela ativação da via mitocondrial. Quando a via mitocondrial ou intrínseca é ativada, muitas outras caspases também são ativadas. Essas moléculas atuam em cascata, desencadeando uma resposta amplificada, gerando sinais intracelulares de morte celular. impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 19
20 Questão 5 Resposta: A morte celular decorrente de uma fisiopatologia que não conseguiu reverter ou expulsar o agente patológico leva ao agravamento do quadro desencadeado pelo patógeno (lesão crônica), podendo causar necrose tecidual. No entanto, é importante entender que os mecanismos envolvidos na morte celular não devem ser vistos somente como um fenômeno desencadeador de doenças, visto que a morte celular é importante para a manutenção da homeostase orgânica no que se refere à renovação celular. Assim, quando substâncias intracelulares se acumulam, quando defeitos genéticos se pronunciam, quando há alteração na ação de enzimas e em erros do metabolismo, o organismo pode entender este fato como mecanismo de sobrevivência celular, garantindo a homeostase do organismo. impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma. 20
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