MINHOCÃO E ARREDORES:
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- Natan Salgado Prada
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1 UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE MESTRADO EM ARQUITETURA E URBANISMO MINHOCÃO E ARREDORES: construção, degradação e resiliência ( ) Eduardo Luiz de Lima Assunção São Paulo
2 Foto de capa (página anterior) Minhocão na altura da Praça Marechal Deodoro Fonte: Carl Silva - [email protected] (efeito P/B: autor)
3 Eduardo Luiz de Lima Assunção MINHOCÃO E ARREDORES: construção, degradação e resiliência ( ) Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Orientador: Prof. Dr. Abílio Guerra
4 AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE. ASSINATURA [email protected] A851m Assunção, Eduardo Luiz de Lima. Minhocão e arredores: construção, degradação e resiliência ( ). / Eduardo Luiz de Lima Assunção f. : il.; 30 cm Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, Bibliografia: f Elevado Costa e Silva. 2. Minhocão.3. Paisagem Urbana.4. Patrimônio Arquitetônico. 5. História. 6. São Paulo. 7. Avenida São João. 8. Rua Amaral Gurgel. 9. Mercado Imobiliário. 10. Elevado João Goulart. I. Título. CDD 711.4
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7 Ao meu querido pai, João Manoel Assunção, saudade e admiração eterna...
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9 AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar agradeço ao meu orientador Professor Dr. Abilio Guerra, que pacientemente esteve presente na elaboração deste trabalho, compreendendo os momentos de silêncio (que foram muitos), com quem muito aprendi e a quem devo, em grande parte, a realização desta dissertação; Agradeço ao prof. Dr. Renato Luiz Sobral Anelli (USP) e à Profa. Dra. Maria Isabel Villac (UPM), que participaram da banca de qualificação e muito contribuíram para este trabalho; Aos professores da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), em especial: Nadia Somekh, José Geraldo Simões Jr., Candido Malta Campos Neto, Gilda Collet Bruna, Eunice Helena Sguizzardi Abascal, Rafael Antônio Cunha Perrone, Ana Gabriela Godinho Lima, Célia Regina Moretti Meirelles, Roberto Righi, Charles de Castro Vincent e Carlos Leite de Souza pelas ótimas aulas e pelo estímulo dado aos alunos; Aos colegas da pós, entre eles Paulo Victor Gomes Takimoto, Rodrigo de Andrade Costa Noleto, Karina Diógenes Rodriguez, Maria Isabel Camañes, Bárbara Andrade Barioni, Jorge Antonio Ruis, Agnes Del Comune, Renata Gonçalves Mendes Cosenza, Breno Veiga, Carlos Alberto Requena, Mariana Pinotti, Lucas Feitosa, Andrea Agda e Luciano Abbamonte pelas trocas de conhecimento e incentivo nas aulas; Aos amigos que contribuíram de diversas maneiras durante a realização deste trabalho, em especial os companheiros com quem leciono na Universidade Nove de Julho: Aécio Flávio Lacerda Jr., Karen Yukie Oura, Gerson Moura Duarte, Marcus Vinícius Pereira, Milly Lee, Inês Maria Torres, Maria Eugenia Ximenes, Luciana Lessa Simões, Débora Faim, Eliana Zmyslowski, Soraia Vitiello, Fabiano Monte, Solimar Isaac, Daniela Rosselli, Luiza Martins, Débora Machado e tantos outros que deram alguma dica ou uma palavra amiga; Aos amigos queridos que contribuíram com apoio e presença: Alexis Rene Guzman Palma, Anderson Rogério Souza, Jorge Felix de Souza, Cesar Nunes Marques, Adriana de Carvalho, Leticia Cardoso, Mario Rodrigues de Lima Neto, Leila Neves e todos amigos do Céu Azul; Aos amigos do Candusso Arquitetos, pelos 14 anos de experiência, aprendizado e convívio - muito me ajudaram a refletir sobre os processos e dilemas do mercado imobiliário; Aos amigos Antonio Moraes e Rafaela Gama, por parte da revisão ortográfica do texto; Ao querido Douglas Noldor, pelas caminhadas no Minhocão e fotos feitas sob calor e sol quente e paciência nesse processo final; À minha querida mãe, Amélia, pelo apoio incondicional, sempre me proporcionando condições para o estudo; à minha madrinha Vina, pelo apoio em horas difíceis; aos meus tios Luiz, Natalícia, Edson e Darci pela força e presença; ao meu primo Luiz Cláudio e a todos os familiares que de alguma forma me incentivaram; E, por fim, agradeço especialmente a Deus, à mãe Terra e a todas as entidades e seres de luz do Universo. Gratidão!
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11 RESUMO Rua Amaral Gurgel, Avenida São João, Praça Marechal Deodoro e Avenida General Olímpio da Silveira: sobre essas vias e áreas verdes foi construído, em 1970, o Elevado Costa e Silva, popularmente conhecido como Minhocão via elevada que provocou uma profunda mudança na paisagem urbana dessas ruas e seus arredores. Edifícios se degradaram, edifícios foram construídos, grande parte da população, que ali vivia, abandonou seus apartamentos, substituídos por uma população mais pobre. Novos moradores foram atraídos nos últimos anos. Áreas verdes e vazios que abriam perspectivas visuais para paisagens importantes da cidade foram bloqueados. São Paulo recebeu seu primeiro zoneamento em 1972, um novo em 2004 e o último aprovado recentemente em março de Esta dissertação analisará a mutação da paisagem urbana pela qual passou essa região nos últimos 45 anos, após a construção do elevado, comparando o patrimônio construído (o estado de conservação de edifícios antigos importantes e a construção de dezenas de novos empreendimentos no recente boom imobiliário), o desenho urbano (ruas, praças, implantação do metrô, corredor de ônibus, ciclovias etc.), as transformações sociais (população moradora, frequentadores e ativistas) e as mudanças administrativo- legais (legislação urbanística e descontinuidade administrativa). Para que este comparativo seja mais relevante, também mostrará, resumidamente, os 45 anos anteriores à construção do Minhocão, assim como um breve histórico das ruas e suas construções. Palavras- chave: Elevado Costa e Silva; Minhocão; Paisagem Urbana; Patrimônio Arquitetônico; História; São Paulo; Avenida São João; Rua Amaral Gurgel; Mercado Imobiliário; Elevado João Goulart;
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13 ABSTRACT Rua Amaral Gurgel, Avenida São João, Praça Marechal Deodoro and Avenida General Olímpio da Silveira: above these roads and green areas was built in 1970 the Elevado Costa e Silva, popularly known as "Minhocão" - an elevated highway that caused a profound change in the urban landscape of these streets and their surroundings. Buildings got deteriorated, others were built. Much of the population who lived there abandoned their apartments, bringing poorer people moving in. New residents were attracted over the last few years. Green and empty areas that opened visual perspectives to important landscapes of the city were blocked. Sao Paulo received its first zoning in 1972, a new one in 2004 and the last - recently approved - in March This thesis will examine the changing of the urban landscape which the region has passed through in the last 45 years after the construction of this elevated highway, comparing the patrimony built (the conservation state of important old buildings and the construction of dozens of new developments in the recent housing boom), the urban design (streets, squares, subway implementation, bus and bike lanes), social modifications (resident population, regular visitors and activists) and the administrative and legal changes (planning legislation and administrative discontinuity). In order to show a more relevant comparison, it will shortly show the 45 years prior to the construction of Minhocão, as well as a brief history of the streets and their constructions. Keywords: Elevado Costa e Silva; Minhocão; Urban Landscape; Architectural Heritage; History; São Paulo; Avenida São João; Rua Amaral Gurgel; Real Estate Market; Elevado João Goulart;
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15 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AVC Associação Viva o Centro BID Banco Interamericano de Desenvolvimento BNH Banco Nacional de Habitação CA Coeficiente de Aproveitamento CET Companhia de Engenharia de Tráfego COGEP Coordenadoria Geral de Planejamento DSV Departamento do Sistema Viário EMBRAESP Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio EMPLASA Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. FEBRABAN Federação Brasileira de Bancos FIAM- FAAM Centro Universitário FIAM- FAAM FIPE Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas FSP Folha de São Paulo GEGRAN Grupo Executivo da Grande São Paulo GEP Grupo Executivo de Planejamento IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística JT Jornal da Tarde LUOS Lei de Uso e Ocupação do Solo
16 METRÔ Companhia do Metropolitano de São Paulo OESP O Estado de São Paulo OUC Operação Urbana Centro PDDI Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado PDE Plano Diretor Estratégico PMSP Prefeitura do Município de São Paulo PSDB Partido da Social Democracia Brasileira PT Partido dos Trabalhadores PUB Plano Urbanístico Básico RAIS Relação Anual de Informações Sociais SECOVI Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Sindicato da Habitação) SEMPLA Secretaria Municipal de Planejamento SMDU Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano TO Taxa de Ocupação UPM Universidade Presbiteriana Mackenzie USJT Universidade São Judas Tadeu USP Universidade de São Paulo ZEIS Zona Especial de Interesse Social
17 EPÍGRAFE Não sabemos para onde estamos indo. Só sabemos que a história nos trouxe até este ponto [...]. Contudo, uma coisa é clara. Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar. E o preço do fracasso, ou seja, a alternativa para uma mudança da sociedade, é a escuridão. Hobsbawn
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19 SUMÁRIO
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21 15 INTRODUÇÃO Objetivos e delimitação da área CAPÍTULO 1 ANTES DO MINHOCÃO 1.1. De rua a avenida: prolongamentos e alargamentos 1.2. A Cinelândia Paulistana : de ponto de encontro ao abandono 1.3. O mercado imobiliário ( ): protagonismo e abandono CAPÍTULO 2 O MINHOCÃO E A TECNOCRACIA 2.1. Degradação: a construção e seu impacto 2.2. A mutação da paisagem e a transformação da sociedade 2.3. O planejamento urbano: o embate entre sociedade e mercado CAPÍTULO 3 O MINHOCÃO E O MERCADO 3.1. Resiliência: o boom imobiliário e a redescoberta do Centro ( ) 3.2. Novas construções: do elevado camuflado ao elevado como chamariz 3.3. Futuras construções: perspectivas de adensamento CONSIDERAÇÕES FINAIS GALERIA DE FOTOS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LISTA DE FIGURAS
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23 INTRODUÇÃO 15
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25 São Paulo 2016 uma cidade de 11 milhões de habitantes, uma metrópole em constante e contínuo processo de transformação de sua paisagem. O Centro de São Paulo, sua região central, voltou a atrair novos empreendimentos, novos prédios e novos moradores, mas grandes áreas continuam decadentes, esvaziadas e com seu patrimônio arquitetônico e urbanístico deteriorados. Edifícios de fundamental importância para a história da cidade estão decrépitos e descaracterizados. Praças se transformaram em território de ninguém ilhas verdes cercadas ou abandonadas. São Paulo 1970 uma cidade de 6 milhões de habitantes, uma metrópole em constante e contínuo processo de transformação de sua paisagem. O Centro de São Paulo, sua região central, acumula um verdadeiro congestionamento de funções, incentivado principalmente pelo Plano Radiocêntrico de Avenidas, planejado e iniciado nos anos 1930 por Prestes Maia. Os terrenos estão cada vez mais escassos. A população continua crescendo de forma acelerada, amontoando- se em pequenos apartamentos e em cortiços. Desde a década anterior (1960), o Centro estava perdendo sua importância econômica e seu poder de atração de novos empreendimentos, de novas construções. Em 1969 toma posse como prefeito Paulo Salim Maluf, que dá ênfase em obras viárias. Em janeiro de 1971, depois de 14 meses de trabalhos ininterruptos, é inaugurado o Elevado Costa e Silva, popularmente conhecido como Minhocão, ligando as zonas leste e oeste da cidade. De caráter rodoviarista, causou uma grande cicatriz na região central (ou seria fratura exposta?). Ajudou a degradar grande parte dos bairros de Vila Buarque e Santa Cecília, além da tradicional Avenida São João. 17
26 A importância econômica do Centro foi deslocada ao longo do tempo para o setor sudoeste da cidade. Primeiro para a região da Avenida Paulista (anos 1960 e 1970), depois para a Avenida Brigadeiro Faria Lima (anos 1970 e 1980), em seguida para a região da Avenida Luís Carlos Berrini (anos 1980 e 1990) e hoje para todos os arredores da Marginal Pinheiros. Desde sua construção, o Minhocão provoca acalorados debates: de um lado estão os que sugerem sua derrubada, como forma de recuperar a região, e, de outro, os que utilizam o elevado apenas como passagem e usufruem das vantagens que ele proporciona ao trânsito. Há moradores que desejam sua destruição como forma de melhorar suas condições de vida ou valorizar seu patrimônio. Outros acreditam que a recuperação da área e a valorização dos imóveis representarão a expulsão dos moradores de menor poder aquisitivo da região. Em suma, há propostas de todos os tipos: derrubar o elevado; utilizá- lo como corredor de transporte coletivo; transformá- lo em jardim suspenso; manter o elevado, mas melhorar as condições de urbanização da área, reduzindo o nível de ruído e de poluição. Hoje, passados mais de 45 anos de sua construção, o Elevado Costa e Silva volta às manchetes dos jornais, depois que sua desativação foi incluída no novo Plano Diretor do município de São Paulo aprovado em julho de 2014 obrigando o poder público a criar uma solução viária ao seu desmonte ou à sua reconversão em parque elevado, e também recentemente, em julho de 2016, quando foi rebatizado pela prefeitura de São Paulo como Elevado João Goulart. Conforme bem sintetizado por Luiz Eduardo de Assis Lefèvre (2006, p.xiii): 18
27 (...) Hoje se discute em São Paulo a questão da recuperação, requalificação ou revitalização de sua área central. Em que termos essa discussão se coloca e com que propriedade? A quem interessa essa questão? Por que e para quem recuperar, requalificar ou revitalizar? Basta andar pelo centro para se perceber que vitalidade não é o que falta ali, embora haja muitas áreas mortas em prédios vazios. Entre tudo o que foi perdido no centro, o que é possível ou tem cabimento recuperar? Não é possível retroceder o relógio do tempo, de maneira que todas as ações devem estar voltadas para o futuro, mas isso não significa eliminar o passado, o que também é impossível. Enfim, que qualidades se pretende restaurar no centro? A apreciação de qualidades está longe da universalidade, e o que é positivo para uns é negativo para outros. O recorte desta dissertação será a linha do Elevado João Goulart ou simplesmente Minhocão, forma pela qual será denominado nesta dissertação seu perímetro imediato e seus arredores, cerca de duas quadras para cada lado de suas margens. Será analisado, através do patrimônio ambiental urbano arquitetura, áreas verdes, vazios e perspectivas comparando as transformações que ocorreram na área nos 45 anos anteriores à construção do elevado ( ) às transformações nos últimos 45 anos, posteriores à construção ( ), sendo o período recente objeto de estudo mais aprofundado, incluindo- se também as transformações da sociedade: a vizinhança (moradores), os usuários (que circulam com automóveis pelo elevado) e os frequentadores (que utilizam o viaduto como uma alternativa de lazer à noite e aos finais de semana). 19
28 O estudo foi dividido em três capítulos. O primeiro capítulo recupera, através de revisão histórica, o processo de transformação que a região em estudo passou, principalmente nos 45 anos anteriores a construção do elevado ( ). Inicia- se um pouco antes, mostrando os prolongamentos da Avenida São João, através de análises de mapas do século XIX, quando ainda era uma rua estreita, até o prolongamento (e alargamento) final executado entre 1926 e A Rua Amaral Gurgel só foi alargada quarenta anos depois, em Em seguida, mostra a importância da Avenida São João como ponto de encontro da população, depois da finalização das obras de prolongamento, quando passou a ser chamada de Cinelândia Paulistana. Esse período vai de 1930 a 1970, aproximadamente. Somente no trecho hoje afetado pelo Minhocão existiam três importantes salas de cinema: o Cine Santa Cecília, o Cine Plaza e o Cine Esmeralda. Nesses quarenta anos, a avenida vai do auge como símbolo de uma cidade pulsante local de cinemas, restaurantes, hotéis e festas de rua ao abandono. O mercado imobiliário que constrói centenas de edifícios nos arredores, também vai abandonar a área. Este abandono visto como perda da cidade plural de antes. A classe média e as elites abandonam a área. E inicia- se um processo de popularização de todo centro de São Paulo. No segundo capítulo foram levantados dados sobre o projeto e a construção do Elevado. E principalmente, a degradação que a via expressa causou na região. O impacto da obra. Nele são mostradas a mutação da paisagem e a transformação que a população do 20
29 entorno passou desde a sua construção até os dias de hoje, usando, principalmente, a imprensa escrita como referência. São identificados, também, os planos e leis urbanísticas que afetaram a região. A região que já estava se degradando antes da construção do Minhocão, passará por pelo menos trinta anos (até o início da década de 2000) por um processo acelerado de esvaziamento populacional e de intensificação da degradação do patrimônio construído. No terceiro capítulo foi identificada a recente redescoberta do Centro de São Paulo ( ) e do entorno do Minhocão. Nesse período a população da região volta a crescer e o mercado imobiliário volta a lançar novos empreendimentos depois de trinta anos de esquecimento da área. Este período que será visto de maneira positiva, como uma fase onde a resiliência 1 se sobrepõe à decadência da área. Neste capítulo foram levantados as construções recentes e os novos lançamentos imobiliários, através de visitas aos prédios ou aos estandes de vendas. Foram coletados materiais de vendas (folders) e consultados sites dos empreendimentos. O Elevado que numa primeira fase de lançamentos ( ) é camuflado no material de vendas, passa a ser o chamariz (devido a sua aceitação como equipamento de lazer da população) nos empreendimentos mais recentes ( ). 1 Resiliência aqui identificada como resistência da população moradora e dos edifícios antigos (muitos degradados), que sobreviveram aos anos de esquecimento da área e presenciam, atualmente, a aceitação do Elevado (pelo menos como objeto de lazer e esportes). Resiliência = capacidade de se recuperar de situações de crise e aprender com ela. Dicionário Michaelis, Resiliência = capacidade de rápida adaptação ou recuperação. 21
30 A área central da cidade de São Paulo pode ser definida e delimitada de diversas formas. Quando se usa a palavra centro, qual perímetro da cidade está sendo considerado? Nesta dissertação, como forma de esclarecer e distinguir possíveis imprecisões, usando como base mapas e algumas definições oficiais, foi criado o seguinte critério: Centro Antigo: o triângulo histórico, é aquele formado pela colina histórica onde a zona urbana da cidade de São Paulo permaneceu da fundação em 1554 até a primeira metade do século XIX. Podemos ampliá- lo um pouco e neste caso, o definimos como: a região delimitada pelo Vale do Anhangabaú a leste (divisa com o Centro Novo), pelo Parque Pedro II a oeste (divisa com o bairro da Brás), pela rua Tabatinguera ao sul (divisa com o bairro da Liberdade) e pela Avenida Senador Queirós ao norte (divisa com o bairro da Luz); Centro Novo: quadrilátero a leste do Vale do Anhangabaú, parte da cidade que cresceu e ganhou impulso principalmente depois da construção do Viaduto do Chá em Região formada entre as seguintes vias: Vale do Anhangabaú a leste, Avenida São João ao norte, Avenida Ipiranga e Avenida São Luiz a oeste e Rua da Consolação e Ladeira da Memória ao sul (onde se conecta novamente ao Vale do Anhangabaú); Centro (ou Centro Atual): formado pela totalidade dos distritos República e Sé (região que está contida dentro do segundo perímetro de irradiação, sistema viário atualmente chamado de contrarrótula). Neste caso, o centro atual, que engloba o 22
31 Centro Antigo, o Centro Novo e áreas circundantes como a região de Santa Efigênia, de parte do bairro da Luz (trecho ao sul da linha férrea), parte da Vila Buarque (área a leste da Rua Amaral Gurgel e do Minhocão), arredores do Largo do Arouche e praça da República, parte do bairro do Bexiga (entre o Anhangabaú e a Radial Leste- oeste, que dividiu em dois este bairro histórico em 1969) e a baixada do Glicério (entre a rua Tabatinguera ao norte e, também, a Radial Leste- oeste a sul); - Região Central: área oficial formada pelos distritos da Subprefeitura da Sé (República, Sé, Santa Cecília, Consolação, Bela Vista, Liberdade, Cambuci e Bom Retiro). O Minhocão está dentro da região central e, no trecho que ele passa sobre a Rua Amaral Gurgel, chega ao limite oeste do Centro Atual e também da Operação Urbana Centro. 23
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33 CAPÍTULO 1 Antes do Minhocão 25
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35 CAPÍTULO 1 Antes do Minhocão O foco deste trabalho está na história e nas transformações urbanas e sociais que ocorreram após a construção do Minhocão, em 1971, na sua linha (testadas defronte ao elevado) e nos seus arredores, portanto, o foco está nos últimos 45 anos. Porém, faz- se necessário um breve capítulo dos antecedentes históricos dessa região, com análise das seguintes vias: Rua Amaral Gurgel, Avenida São João, Praça Marechal Deodoro e Avenida General Olímpio da Silveira e também, quando necessário, algumas ruas paralelas e importantes, como a Rua das Palmeiras e o Largo do Arouche. Este capítulo se restringirá às principais transformações que essas vias e praças passaram ao longo do século XX, diferenciando- as na importância que cada uma teve (e ainda têm) na história da cidade. Não será abordada a história da cidade de São Paulo desde sua fundação, em 1554, até meados do século XIX, quando sua área se restringia ao perímetro do chamado triângulo histórico, a leste do Anhangabaú, já que fugiria do tema e prolongaria esta dissertação, além de repetir uma história bastante difundida em outros estudos. Como reflexão inicial, usarei as palavras do professor Benedito Lima de Toledo, contidas no prefácio do livro de José Eduardo Lefèvre 2, sobre a história da Avenida São Luiz em São Paulo: 2 Livro De Beco a Avenida. A História da Rua São Luiz (2006) 27
36 28 As singularidades da cidade de São Paulo fazem dela um riquíssimo documento para o estudo da história. Sua permanente mutação tem levado à destruição de cenários que a cada momento tiveram particular expressão na cultura da cidade. As relações espaciais se alteram e a paisagem se consome face à voracidade da intensificação do uso de todos os espaços. O estudo do mecanismo desse fenômeno pode concorrer para explicar o quadro que a cada momento caracterizou a vida da cidade e ser instrumento para fazer face a novas situações. Não se trata, portanto, apenas de evocações e registro de situações por que vem passando a metrópole, mas instrumento para a sua compreensão e fundamento para intervenções futuras. (TOLEDO apud LEFÈVRE, 2006, p.xi)
37 1.1. De rua a avenida: prolongamentos e alargamentos São Paulo possui um grande número de mapas, plantas e cartas nas mais diversas escalas, técnicas de impressão, temas e estados de conservação. Muitas informações, que explicam fatores importantes para a compreensão do contexto de alguns mapas, foram analisadas nas seguintes obras: São Paulo: Vila Cidade Metrópole, de Nestor Goulart Reis Filho e Desenhando São Paulo: Mapas e Literatura , de Maria Lúcia Perrone Passos e Teresa Emídio. Também foram analisados os mapas divulgados em 1954 pela Comissão do IV Centenário de São Paulo. Esses mapas são essenciais para a compreensão dos prolongamentos e alargamentos da Rua de São João e da implantação e crescimento dos bairros e arredores. A Rua de São João aparece com o mesmo comprimento ao fazermos um comparativo entre os mapas do IV Centenário, de 1810 intitulado Planta da Imperial Cidade de São Paulo, e o de 1877 (de Francisco de Albuquerque e Jules Martin). Iniciava- se no antigo Largo do Rosário atual Praça Antônio Prado e terminava na altura do atual Largo do Arouche, entre as ruas Vitória e General Osório, com aproximadamente metros. No mapa da Companhia Cantareira levantado pelo engenheiro Henry Joyner, em 1881 a Rua de São João aparece prolongada até a atual Avenida Duque de Caxias na época uma rua estreita duas quadras adiante do que aparecia no mapa anterior, de 1877, com Fig. 01 Mapa de 1877 Mappa da Capital da Província de São Paulo (Francisco de Albuquerque e Jules Martin) Fonte: Mapas do IV Centenário - PMSP 29
38 Fig. 02 Mapa de 1810 Planta da Imperial Cidade de São Paulo com a Rua de São João no sentido vertical (norte girado) e (1.200 metros de extensão) Fonte: Mapas do IV Centenário - PMSP 30
39 Fig. 03 Trecho ampliado do Mapa de 1881, com a Rua de São João (1.400 metros de extensão) Fonte: Mapas do IV Centenário - PMSP 31
40 aproximadamente metros de comprimento e com a demarcação, em tracejado, de um futuro prolongamento. Em 1897, no mapa de Gomes Cardim, a rua estende- se até a altura da Alameda Glette, com aproximadamente metros, continuando em bifurcação: à direita segue pela rua Barra Funda e à esquerda segue pela rua das Palmeiras. Este traçado se manteria o mesmo até 1930, quando completa- se o prolongamento até a praça Marechal Deodoro. Na gestão do prefeito Raimundo Duprat ( ), (...) tem início o alargamento da rua de São João, para 30 metros de largura, conforme plano de Bouvard. Passava a ser uma avenida, com canteiro central arborizado, por onde trafegariam os bondes da Light. Foram demolidos os prédios do lado norte, face direita da rua. (PORTO, 1992, p.109) Em 1926, a praça Marechal Deodoro aparece pela primeira vez em mapas oficiais. A praça, com forma triangular, surge como um alargamento da Rua das Palmeiras e tem esse formato prevendo o futuro alinhamento da Avenida São João. Esse mapa, intitulado Planta da Cidade de São Paulo Mostrando Todos os Arrabaldes e Terrenos Arruados, foi desenvolvido pelo escritório técnico de Luiz Strina. Em 4 de maio de 1929, é publicado no jornal O Estado de São Paulo (OESP) a inauguração do monumento dedicado ao médico Luiz Pereira Barretto, de autoria do escultor Galileu Emendabile, implantado em ponto central da praça. Fig. 04 Mapa (inteiro) de 1881 Fonte: Mapas do IV Centenário PMSP Fig. 05 Mapa (inteiro) de 1897 Fonte: Mapas do IV Centenário PMSP 32
41 Fig. 06 Trecho ampliado do Mapa de 1897, de Gomes Cardim a Rua de São João estende- se até a Alameda Glette (1.800 metros de extensão) Fonte: Mapas do IV Centenário - PMSP 33
42 Fig. 07 Trecho ampliado do Mapa de 1916, da Directoria de Obras e Viação da PMSP. A Praça Marechal Deodoro ainda não existia. Fonte: PMSP - SMDU 34
43 Fig. 08 Trecho ampliado do Mapa de 1926, projeto preliminar de iluminação pública de São Paulo. A Praça Marechal Deodoro aparece pela primeira vez em mapas oficiais. E o prolongamento final da Avenida São João, construído entre 1926 e 1930, aparece tracejado. Fonte: PASSOS; EMÍDIO,
44 Fig. 09 Notícia do dia 04/05/1929 no OESP, inauguração do Monumento a Luiz Pereira Barretto. Fonte: Acervo Estado Conforme os mapas descritos no livro Os Rumos da Cidade: urbanismo e modernização em São Paulo, de Candido Malta Campos Neto 3, pode- se elencar a sequência dos alargamentos que a Avenida São João passou, através das sucessivas administrações municipais. São eles: - Na administração Raimundo Duprat ( ): da Rua Libero Badaró ao Largo do Paissandu (trecho de aproximadamente 400 metros); - Na administração Washington Luís ( ): do Largo do Paissandu à Praça Júlio de Mesquita (trecho de aproximadamente 500 metros); 3 Livro lançado em
45 - Na administração Firmiano Pinto ( ): da Rua Libero Badaró à Praça Antônio Prado (trecho de aproximadamente 100 metros); - Na administração Pires do Rio ( ): da praça Júlio de Mesquita à Praça dos Pirineus atual Praça Marechal Deodoro (trecho de alargamento total de aproximadamente metros, sendo o novo prolongamento, de 400 metros, entre a Alameda Glette e a Praça Marechal Deodoro). Este último alargamento e prolongamento foi registrado em fotos, sendo que, através de uma delas, percebe- se que ainda estava incompleto em 1930, com algumas casas no meio do caminho talvez por problemas de desapropriação. Não foi possível descobrir o mês em que a foto foi produzida, mas, através de registros da imprensa, a finalização da obra é de autoria do governo Pires do Rio, ainda em 1930 (antes da administração do prefeito Luís Ignácio de Anhaia Mello, em 1931). Esse último prolongamento da Avenida São João também é registrado em mapas, e aparece com a mesma situação descrita nas fotos (com casas a serem desapropriadas). Em 1930, é publicado o Mappa Topographico do Município de São Paulo, executado pela empreza SARA BRASIL S/A, pelo methodo Nistri de aerophotogrammetria, de accordo com o contracto lavrado em virtude da Lei nº 3208 de 1928, quando Prefeito o Sr. Dr. José Pires do Rio, sendo Director de Obras o engenheiro Arthur Saboya 4, com uma riqueza de detalhes até então 4 Título completo do mapa, com grafia usada nos mapas originais de
46 Fig. 10 (esq.) Foto de 1930 do prolongamento da Avenida São João (vista da Praça Marechal em direção ao centro, com o Ed. Martinelli ao fundo). Nota- se diversas construções ainda no meio do caminho. A esquerda é possível ver a torre do Castelinho da Rua Apa. Fonte: PMSP Fig. 11 (dir.) Foto de 1929 do alargamento da Avenida São João (vista do centro em direção a Praça Marechal que na época já possuía uma incipiente verticalização). Fonte: SOMEKH, MAIA, inexistente nos mapas publicados da cidade, e com 82 mapas em escala de 1:5.000 (um para cinco mil), sendo que nas regiões centrais e mais urbanizadas estes mapas foram ampliados e subdivididos em até 23 mapas na escala de 1:1.000 (um para mil), como no caso da Avenida São João. 38
47 Esse último trecho de quatrocentos metros da Avenida São João é (talvez) a área menos estudada da avenida, e é parte da área de estudo desta dissertação (o trecho onde o Elevado Costa e Silva foi construído em 1970), além, claro, dos outros trechos compreendidos pela avenida General Olímpio da Silveira e da Rua Amaral Gurgel. Nos primeiros trinta anos do século XX, essa região foi urbanizada formada principalmente por construções residenciais unifamiliares ou sobrados de pequeno porte além de receber construções significativas, como o Teatro São Pedro na esquina da Rua Albuquerque Lins com a rua Barra Funda. Porém, em 1927 é construído um edifício de grande importância para a arquitetura moderna brasileira, quase na esquina da Praça Marechal Deodoro: No ano em que Gregori Warchavchik iniciava as obras de sua primeira residência modernista, Júlio de Abreu Júnior (nascido em 1895) concluía um edifício de seis pavimentos na avenida Angélica, em São Paulo. Era um prédio de apartamentos cuja fachada era composta apenas pelos vazios dos terraços da sala e pelas paredes lisas de fechamento dos banheiros, mais alguns vãos de ventilação e iluminação. Nenhuma decoração tradicional. Os quartos voltavam- se para o fundo do lote, orientados para o sol poente, e a cobertura abrigava as dependências de empregados num arranjo não usual a época (Xavier et al. 1983; Lemos 1983). Abreu formou- se engenheiro na Escola Politécnica de São Paulo em 1914, com posterior estudos na École Speciale des Travaux Publics du Bâtiment et de L Industrie de Paris. Atuando em São Paulo com edifícios residenciais e industriais, obras residenciais com características formais próximas ao edifício Angélica foram construídas também no Rio de Janeiro. Não era ele, todavia, um arquiteto que adotava a linguagem moderna como princípio. (SEGAWA, 2010, p.57) Fig. 12 Fachada do Edifício Angélica (1927) Arq. Júlio de Abreu Jr. Fonte: XAVIER, Fig. 13 Planta do Edifício Angélica (1927) Arq. Júlio de Abreu Jr. Fonte: XAVIER,
48 Fig. 14 (acima) Mapa inteiro (exemplo) SARABRASIL, 1930 Fonte: Mapas do IV Centenário - PMSP Fig. 15 (esq.) Trecho ampliado do Mapa SARABRASIL de 1930: nesta colagem de dois mapas vê- se o prolongamento da Av. São João até a Praça Marechal Deodoro, ainda com algumas construções no meio do caminho a serem demolidas ou desapropriadas. Fonte: Mapas do IV Centenário - PMSP 40
49 Somente na administração Prestes Maia ( ) é que ocorre o alargamento da Rua das Palmeiras entre a Praça Marechal Deodoro e o Largo do Padre Péricles, em Perdizes. Este trecho passa a ser chamado Avenida General Olímpio da Silveira. Nesse período, o eixo formado por essa nova avenida e pela Avenida São João torna- se a principal avenida de ligação entre a região central e a zona oeste da cidade, conectando- se com a Avenida Água Branca (atual Avenida Francisco Matarazzo) e chegando até a Lapa. Maia deu continuidade ao prolongamento da São João até o largo das Perdizes, com viaduto sobre a Avenida Pacaembu ligou- a ao Arouche pela Avenida Vieira de Carvalho, alargou a Rio Branco, a Barão de Limeira e a Conceição (atual Cásper Líbero), e, quando saiu da Prefeitura em 1945, além de deixar quase pronta a rótula central, na qual o maior destaque foi dado à Avenida Ipiranga, já havia iniciado a abertura do segundo circuito perimetral de seu esquema viário passando agora pelo alargamento das ruas Mauá, Duque de Caxias e Amaral Gurgel e pela abertura da Praça Roosevelt. (CAMPOS apud ARTIGAS, 2008, p.38) Fig. 16 Foto da Praça Marechal Deodoro (1942) com o edifício Angélica à direita. Fonte: Benedito Junqueira Duarte, acervo da Casa da Imagem. Na edição do dia 20 de março de 1940, o jornal OESP publicou a notícia do alargamento com a manchete: Prolongamento da Avenida São João até a Avenida Água Branca, em seguida o texto comenta a importância da avenida naquele momento: A avenida São João, além de ser uma das mais movimentadas artérias de São Paulo é também a preferida pela iniciativa particular para construcções de prédios de apartamentos. O número de edifícios desse gênero existente na bella avenida supera o de qualquer outra via pública da cidade. Poucos sabem, entretanto, é que ha cerca de vinte e oito annos é que foram feitas as primeiras Fig. 17 Cartão Postal da Praça Marechal Deodoro com o edifício Angélica à direita (década de 1940) Fonte: 41
50 transformações que deram em resultado a abertura dessa bella avenida. Três transformações se realizaram na antiga rua de São João, no trecho inicial da actual avenida, isto é, até o largo Paysandú. Da rectificação do alinhamento da rua de São João é que surgiu a ideia da abertura de uma avenida, pelo alargamento da antiga rua, afim de se assegurar meio fácil de acesso para o sector oeste da cidade. [...] Muitas foram as administrações que emprestaram a sua colaboração ao prosseguimento das obras. Até 1926, porém, tudo caminhou muito devagar [...] O grande impulsionador das obras foi o prefeito Pires do Rio, que [...] determinou o prosseguimento da construcção da avenida que foi, então, estendida até a praça Marechal Deodoro. [...] De 1930 a 1938 nada se fez mais, digno de nota [...] Em fins do anno passado, o actual prefeito sr. Dr. Prestes Maia, mandou colocar os postes ornamentais inaugurando, no trecho compreendido entre a rua Duque de Caxias e a praça Marechal Deodoro iluminação semelhante à existente no trecho inicial da avenida, melhoramento esse caríssimo. A avenida, entretanto, não está concluída, pois de acordo com o plano da Prefeitura, ella prosseguirá até encontrar a avenida Água Branca. Por esse motivo, a ponte que se constrói atualmente na rua General Olympio da Silveira foi projectada de acordo com o futuro melhoramento, trazendo importante contribuição para o término da abertura da avenida. Em virtude de estar a Prefeitura empenhada na solução de outros problemas mais sérios, o sr. Dr. Prestes Maia não cogita, no momento, de alargar a rua General Olympio da Silveira, melhoramento que, como é notório, poderá ser contemporizado sem prejuízo para a cidade e cuja execução está assegurada por disposição de lei. (OESP, 20/03/1940, grifo nosso) Fig. 18 Cartão Postal da Praça Marechal Deodoro com o Monumento a Pereira Barretto ao centro (1942). Avista- se a torre da Igreja de Santa Cecília ao fundo. Fonte: Depois dos mapas desenvolvidos pela empresa SARA BRASIL, em 1930, os próximos mapas consultados foram elaborados pelas empresas VASP Aerofotogrametria S.A. e pela Serviços Aerofotogramétricos CRUZEIRO DO SUL S.A., hoje conhecidos simplesmente como Mapas VASP CRUZEIRO, realizados em 1954, na gestão do prefeito Armando de Arruda Pereira e autorizados pela lei 4.104/51. Neles, a Rua Amaral Gurgel ainda não está alargada, porém, como Fig. 19 Notícia do dia 20/03/1940 no OESP Fonte: Acervo Estado 42
51 Fig. 21 Mapa VASP- CRUZEIRO (1954) (inteiro) Fonte: PMSP Fig. 20 Trecho ampliado do Mapa VASP- CRUZEIRO de 1954: nesta colagem de dois mapas vê- se a Av. São João com poucos terrenos livres e a Rua Amaral Gurgel ainda não tinha sido alargada (abaixo). Fonte: PMSP 43
52 trata- se de um levantamento aerofotogramétrico, podemos observar diversos edifícios que foram construídos nos arredores e identificá- los pelo menos parcialmente. Essa base ajudou na pesquisa sobre o patrimônio arquitetônico construído, descrito no subcapítulo 1.3. Porém, na edição do dia 16 de outubro de 1954, é noticiado no jornal OESP a decisão da prefeitura em abrir a Nova Avenida Perimetral já que a primeira perimetral já estava concluída (hoje chamada de rótula central) e o projeto da segunda perimetral não constava no Plano de Avenidas de 1930 (hoje chamada de Contrarrótula). A manchete dizia: O Plano de abertura da Nova Perimetral: a Comissão de Justiça da Câmara apoiou a iniciativa do Executivo determinando a abertura da segunda avenida circular da Capital à divisão das obras e vias expressas para desafogar o trânsito. Em seguida o texto descreve em detalhes todas as ruas que seriam alargadas e todos os quarteirões que seriam divididos para a passagem da nova via, entre elas a Rua Duque de Caxias e a Rua Amaral Gurgel que seriam alargadas e virariam avenidas com largura de 49 metros e a abertura da praça Roosevelt. Além da via que, no futuro, viria a se transformar na radial Leste- Oeste, que dividiu ao meio o bairro do Bexiga e que, hoje em dia, é a ligação entre o Minhocão e a Radial Leste. Fig. 22 Notícia do dia 16/10/1954 no OESP Fonte: Acervo Estado Na segunda gestão do Prefeito Prestes Maia, novo traçado foi elaborado para a sua continuação e a Lei 6.061/62 explicitamente determinou que fica aprovado o plano de abertura de uma via expressa, em direção Leste- Oeste da cidade, ligando a avenida Alcântara Machado à rua Amaral Gurgel. (ZMITROWICZ, 2009, p.78) 44
53 O alargamento da Rua Amaral Gurgel demorou anos para ser iniciado e só foi concluído em 1966, na administração Faria Lima. Conforme publicado no jornal OESP, em 01 de junho de 1965, além da conclusão da Avenida 23 de Maio (até então chamada de Avenida Itororó), o prefeito determinou a finalização das obras da nova perimetral, descrito a seguir em resumo: [...] Determinou ainda o apressamento das obras de alargamento e pavimentação da rua Amaral Gurgel, informando existirem recursos da ordem de um bilhão de cruzeiros para a abertura da avenida Leste- Oeste [...]. Em 1966, na edição de 26 de fevereiro, pelo mesmo jornal é noticiado: [...] O prefeito Faria Lima, ao inspecionar ontem as obras de alargamento da rua Amaral Gurgel, determinou que o secretário de Obras apure pessoalmente porque parte do trecho recentemente pavimentado já se encontra esburacado, em consequência de trabalhos do Departamento de Águas e Esgotos[...] (OESP, 01/06/1965) A Rua Amaral Gurgel só apareceria alargada em mapas oficiais em 1974, data da publicação do Sistema Cartográfico Metropolitano da Grande São Paulo (GEGRAN), já com o Minhocão implantado. Desenvolvido ao longo do ano de 1973, pelo governo do Estado de São Paulo, o GEGRAN também foi desenvolvido pelo Consórcio VASP CRUZEIRO, através de levantamento aerofotogramétrico na escala 1:2.000 (um para dois mil). A Avenida São João integrava, nas décadas de 1940 a 1960, uma área com características especiais: na região mais central entre a Praça Antônio Prado e o Largo do Paissandu grandes edifícios comerciais, órgãos públicos e hotéis; na sequência entre o Paissandu e a Fig. 23 Notícia do dia 01/06/1965 no OESP Fonte: Acervo Estado 45
54 Avenida Duque de Caxias a região conhecida como Cinelândia Paulistana, com edifícios comerciais, cinemas e uso intenso da calçada por transeuntes; e por fim, o último trecho entre a Avenida Duque de Caxias e a Praça Marechal Deodoro, área mais recente dos prolongamentos sofridos pela via era composto por edifícios residenciais com comércio no térreo. Nesse último trecho, durante quarenta anos ( ), foram construídos diversos edifícios de alto valor arquitetônico. Alguns deles foram projetados por arquitetos bastante conhecidos e atuantes na época: Jacques Pilon, Franz Heep, Rino Levi, João Artacho Jurado, Aron Kogan, Telésforo Cristófani, entre outros (como será analisado adiante). No início dos anos 1930, a Avenida São João depois do término do seu último prolongamento, quando enfim atingiu metros, conectando a leste a Praça Antônio Prado, no triângulo histórico, à Praça Marechal Deodoro, em Santa Cecília, a oeste torna- se paulatinamente a avenida de maior relevância da cidade de São Paulo (algo similar à Avenida Paulista nos dias de hoje para os paulistanos e visitantes, como símbolo da metrópole que crescia, ponto de encontro, diversão etc.), pelo menos até os anos E também, torna- se o principal eixo viário entre o Centro e a Zona Oeste da cidade. Ao afirmar a importância temporal dessa avenida, esta pesquisa levou em consideração alguns fatos e transformações importantes, sendo aqui selecionados alguns deles: a) principal avenida dos cinemas e teatros da cidade, chamada popularmente, e na mídia escrita, de Cinelândia ; b) foco do mercado imobiliário nas três décadas seguintes (dos anos 1930 até início dos anos 1960); c) avenida dos cartões- postais da cidade; d) avenida dos carnavais de 46
55 rua (de desfiles de blocos e escolas de samba, e os antigos corsos de veículos que subiam até a avenida Paulista; e) local onde se instalou o Conservatório Dramático, em 1909; f) a Delegacia Fiscal, em 1916; g) a Agência Central dos Correios, em 1922; h) inauguração do edifício Martinelli, em 1929; i) local das principais linhas de bonde e ônibus da cidade; j) ápice com a construção do edifício Altino Arantes o Banespão em 1947, como marco monumental na paisagem urbana da avenida, visto do seu eixo a partir da Barra Funda. Esses fatos e transformações serão descritos nos próximos parágrafos. É relevante mostrar através de fatos históricos as diferenças entre a Avenida São João (incluindo todo seu eixo a Praça Marechal Deodoro e a Avenida General Olímpio da Silveira e a sua importância para a cidade de São Paulo desde o século XIX, que cresce a partir da terceira década do século passado) e a Rua Amaral Gurgel, que até meados dos anos 1960, para ser exato, cinco anos antes da construção do Minhocão, em 1966, era uma rua estreita da Vila Buarque e sem grande importância para a cidade. Esta diferença pode ser vista como de fundamental importância ao abordar as propostas sobre o futuro do Minhocão (que serão mencionadas na conclusão desta dissertação). Fig. 24 (acima) Mapa com o trajeto do Corso de Carnaval de 1940, OESP, 04/02/1940. Em sentido horário: Av. Angélica, Av. São João, Av. Anhangabaú, Av. Brigadeiro Luiz Antônio e Av. Paulista. Fonte: Acervo Estado Fig. 25 (esq.) Notícia do Carnaval de 1940, OESP, 04/02/1940. Fonte: Acervo Estado 47
56 1.2. A Cinelândia Paulistana : o ponto de encontro e o abandono Na segunda metade dos anos 1930, começam a ser inauguradas diversas salas de cinema na Avenida São João, chamadas à época de grandes palácios cinematográficos (SIMÕES, 1990, p.34). Até então, as salas de cinema dividiam o seu próprio espaço com o teatro ou eram simplesmente adaptações de antigos teatros, de rinques de patinação ou galpões construídos para finalidades diversas (SIMÕES, 1990, p.22). Eram chamadas de cineteatros e se concentravam principalmente no triângulo histórico (exemplos: Cineteatro São Paulo, de 1914, e o Cineteatro Santa Helena, de 1925, na região da Sé),dentro de antigos teatros adaptados ao novo uso, como o Cineteatro Central, no térreo da Delegacia Fiscal na própria Avenida São João e o Cineteatro São Pedro, na Barra Funda. Existiam também salas espalhadas por diversos bairros em pequenos espaços à exceção dos grandes Cine Colombo e Cine Oberdan, no Brás (anos 1920), do Cine Paramount, na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio (1929), e do Cine Odeon, na Rua da Consolação (início dos anos 1930). Fig. 26 Fachada do Ufa- Palácio (1936). Fonte: Um pouco antes, em outubro de 1929, foi inaugurado no edifício Martinelli o Cine Rosário, considerado até então o mais luxuoso da cidade, mas, ainda assim, dentro de outro edifício e sem fachada voltada para a rua. Em 1936, com projeto de Rino Levi, é inaugurado o Cine UFA- Palácio (mais tarde, durante a Segunda Guerra, rebatizado de Art- Palácio, já que a produtora UFA era uma estatal 48
57 alemã e seu logo fazia referência à cruz suástica, símbolo do Reich), primeiro de uma série de cinemas projetados pelo arquiteto (ANELLI, 2001, p.76), com capacidade para mais de espectadores divididos entre plateia e balcão, com projeto que transformaria todas as salas de cinema a partir de então, pois tinha cálculos precisos de visibilidade e acústica, feitos pelo próprio arquiteto. O projeto de Rino Levi está alerta a uma infinidade de detalhes. A visibilidade do espectador deverá ser perfeita de todos os pontos, observando sempre que uma linha dos olhos até o limite da tela não pode ser interceptada por nada, pela cabeça de ninguém. São feitos estudos de acústica, iluminação, ventilação, acessos, qualidade de projeção, resultando num conjunto funcional e confortável. (SIMÕES, 1990, p.35) Em 1938, trezentos metros distante do UFA, é inaugurado o Cine Metro. Este projeto é publicado na primeira edição da revista Acrópole (maio de 1938) com a seguinte descrição em resumo: O Cine Metro foi construído pela Cia. Constructora Nacional S.A., para a Metro Goldwyn Mayer com os mesmos característicos das casas de exhibições dessa importante firma productora, nas grandes capitaes do mundo. Aliás, a Metro Goldwyn Mayer estabelece um systema standard para os seus cinemas. Dahi possuir o Cine Metro todos os aperfeiçoamentos das salas de exhibições da Broadway, em New York ou da Champs Elysés, em Paris. Fig. 27 Cartaz de inauguração do Ufa- Palácio, com propaganda do escritório Rino Levi. Fonte: 40s- 50s- 60s.blogspot.com.br/2013/11/cine- art- palacio.html 49
58 Interessante a descrição dada à Avenida São João por Guilherme de Almeida 5 no jornal OESP, em 1938, por ocasião da inauguração do Cine Metro: A entrada triunfal do Cine Metro no circuito ofusca um pouco o UFA. Guilherme de Almeida escreve: Um novo, poderoso eixo vara a cidade de São Paulo, girando, centrípeto. Esticada, recta, entre duas montanhas symbólicas de nossa grandeza o Jaraguá, a montanha histórica que Deus fez; e o Martinelli, a montanha moderna que os homens fizeram a Avenida São João, centralizadora, attrahente, magnética, vae chamando a si a vida urbana, que a ella se gruda e com ella roda empolhada toda de arranha- céus, apinhada de autos e trams, inchada de pencas de gente, borbulhada de cachos de luz... (SIMÕES, 1990, p.40) Em 1939, a rádio Cultura se muda para a avenida, instalando- se próxima ao cruzamento com a Avenida Duque de Caixas, no número Publica a seguinte propaganda na revista Acrópole, em maio do mesmo ano: Nasceu pequena a Rua Padre João Manoel, desenvolveu- se no Parque Jabaquara e actualmente empolga na Avenida São João. Sempre amparada pela sympathia popular. Fig. 28 Fachada do Cine Metrô (maio de 1938). Fonte: Acrópole Ainda em , em frente ao UFA, no largo do Paissandu, é inaugurado o Cine Bandeirantes. E assim, sucessivamente, são inauguradas as seguintes salas na Avenida São João 5 Guilherme de Andrade e Almeida ( ), poeta, jornalista, fundador da revista modernista Klaxon e redator do jornal O Estado de São Paulo 6 As datas das inaugurações foram coletadas no livro Salas de Cinema em São Paulo, de Inimá Simões (1990), em algumas edições da revista Acrópole e do jornal O Estado de S. Paulo, e no blog especializado em cinema 50
59 (ou a poucos metros dela, nas suas transversais), formando a Cinelândia Paulistana : Cine Ópera (1939); Cine Broadway (1941); Cine Ritz (1943) que alterou o nome para Rivoli em 1958; Cine Ipiranga (1943), também do arquiteto Rino Levi na recém alargada avenida Ipiranga, número 786, a poucos metros do cruzamento com a Avenida São João; Cine Marabá (1945) em frente ao Cine Ipiranga; Cine Oasis (1947), junto à Praça Júlio de Mesquita; Cine Marrocos (1951), na Rua Conselheiro Crispiniano, vizinho ao Art- Palácio; Cine Jussara (1951) depois alterado para Cine Dom José; Cine Cairo (1952), na Rua Formosa/Anhangabaú; entre outras salas menos importantes, sendo este o período áureo de crescimento da Cinelândia. Mais de 100 cinemas oferecem uma enorme variedade de atrações ao público paulistano. A maioria deles cerca de 80% - fica nos bairros, e até nos pontos mais distantes do centro há uma sala funcionando. A área de prestígio a Cinelândia é reservada para as ocasiões mais solenes, quando se quer impressionar a namorada, presentear a mãe aniversariante ou pelo menos passear pelo centro, um programa especial para quem mora longe e vem de ônibus ou bonde compartilhar um pouco da grandeza dos prédios, da elegância dos restaurantes e cinemas. (SIMÕES, 1990, p.69 fazendo referência ao ano de 1948) Fig. 29 Propaganda com a fachada da Rádio Cultura (maio de 1939). Fonte: Acrópole No trecho de cerca de metros do novo eixo formado pela Avenida São João, Praça Marechal Deodoro e Avenida General Olímpio da Silveira, onde posteriormente seria construído o Minhocão, objeto desta dissertação, foram construídos os seguintes cinemas: Cine Santa Cecília, inaugurado em 1930, na Rua das Palmeiras (atual Gal. Olímpio da Silveira, número 215, 51
60 esquina com a Rua Conselheiro Brotero, com cerca de lugares. Fechou em 1961, foi demolido e hoje, no local, existe uma loja de pneus e acessórios para veículos); o Cine Esmeralda, em 1947 (na outra extremidade deste eixo, próximo ao Largo do Padre Péricles, na Avenida General Olímpio da Silveira, número 613, com lugares); e o Cine Plaza, em 1951 (na Praça Marechal Deodoro, número 340, com lugares). Na edição número 164, de dezembro de 1951, é publicado o projeto do Cine Plaza na revista Acrópole, que dizia em resumo: A iniciativa particular, vem de doar a São Paulo, mais uma suntuosa casa de exibições cinematográficas. O aspecto arrojado da fachada, é suplantado em muito pelo interior, onde a técnica moderna onipresente, encontra um digno similar na decoração, última palavra do gênero. Trata- se do Cine Plaza, recém- inaugurado na Praça Marechal Deodoro. Este último foi a sede da TV Globo São Paulo durante 30 anos, entre 1969 e 1999, quando então mudou- se para os novos estúdios na região da Avenida Luís Carlos Berrini. Fig. 30 Fachada do Cine Santa Cecília. Fonte: (sem data) Pelo censo de 1940, São Paulo tem uma população de habitantes [...] e os cinemas da capital recebem espectadores. Tais números mostram que o paulistano vai aos cinemas com assiduidade, uma frequência per capita de 15 ao ano. (SIMÕES, 1990, p.48) O censo de 1950 irá confirmar a capital paulista em pé de igualdade pelo menos em população com o Rio de Janeiro. São habitantes [...] E os 119 cinemas (dados do antigo Departamento de Estatísticas do Estado, atual SEADE) recebem uma avalanche de 35 milhões de espectadores [...] (SIMÕES, 1990, p.81) Fig. 31 Fachada do Cine Esmeralda (setembro de 1947). Fonte: Acrópole 52
61 Ou seja, a população da cidade de São Paulo, em 1950, frequentava em média 16 vezes (per capita) as centenas de salas de cinema espalhadas por todo o município. Um crescimento contínuo desde os primeiros registros estatísticos, na década de 1930, até o ano de Em 1957 surge o Cine Olido o primeiro cinema a funcionar dentro de uma galeria e com sistema de reservas, que eliminava a permanência dos espectadores em filas (SIMÕES, 1990, p.95). No mesmo ano é inaugurado o concorrente, Cine Paissandu. Na sequência, o Cine Regina (1959); o Cine Comodoro (1959), com a primeira tela cinerama da cidade, com 3 projetores simultâneos; o Cine Barão (1962), na Galeria Califórnia projeto de Oscar Niemeyer, na rua Barão de Itapetininga; e, por fim, o Cine Esplanada (1963), na praça Júlio de Mesquita. O surgimento do Olido e do Paissandu coincide com a queda de frequência do público cinematográfico em números absolutos. O Diário Popular, em sua edição de 20/10/1958, analisa a situação e levanta uma hipótese: possível concorrência da televisão o que não impede a inauguração de mais uma sala na Cinelândia, desta vez o Rivoli, cujo début não poderia ser mais bem- sucedido. Exibe na estreia A volta ao mundo em 80 dias enquanto um enorme balão fica suspenso na avenida São João que se torna um dos maiores sucessos de público em toda a história da cidade. (SIMÕES, 1990, p.95) Fig. 32 Fachada do Cine Plaza e reportagem (dezembro de 1951). Fonte: Acrópole O fim da década de 1950 e início dos anos 1960 marcam o início do processo de mudança na Avenida São João. A indústria de exibição de filmes começa a perder público em toda a cidade. Os cinemas na cidade de São Paulo continuaram atraindo milhões de pessoas, 53
62 porém os cinemas de bairro começam a fechar as portas. A região da Cinelândia consegue sobreviver, mas, posteriormente, seria muito atingida com o declínio do público. Fora do eixo São João, mas ainda na região central, indicando o início do abandono do eixo histórico da Cinelândia, são inaugurados o Cine Metrópole (1964), dentro da Galeria Metrópole na Avenida São Luiz, e o Cine Copan (1970), na avenida Ipiranga, número 220 com projeto de 1952, mas que só foi inaugurado depois da demorada construção do edifício, que foi finalizado somente em Isso coincide com a inauguração de novas salas na região da Avenida Paulista e Jardins, como exemplos: o Cine Trianon, em 1956 (depois rebatizado de Cine Belas Artes em 1967); o Cine Astor, no Conjunto Nacional, em 1960; os Cines Gazeta e Gazetinha, em 1966; o Cine Bristol, em 1970 dentro do Shopping Center 3; e, mais tardiamente, as salas gêmeas do Gemini, em 1975 quase todos vinculados a edifícios multifuncionais ou galerias comerciais. Esses passam a ser os cinemas mais elegantes da cidade, num claro sinal de abandono e distanciamento da classe média e das elites pelas salas do Centro que tinham se tornado populares. Em 1960, o perfil geral do circuito ainda mantém suas características. A maior parte dos cinemas (125) está nos bairros, enquanto 36 se localizam no centro. O decréscimo de público, acentuado a partir de 1957, deixa evidente a extensão do retraimento. A crise do mercado cinematográfico paulistano nos anos subsequentes vai coincidir com a expansão da TV, fazendo com que ela, a TV, seja vista como a grande vilã da história. Os números confirmam que no período considerado o público se reduz à quase metade no Estado de São Paulo (45%). Na capital a diminuição é ainda mais perturbadora: 62%. (SIMÕES, 1990, p.106) Fig. 33 Cartaz de inauguração do Cine Plaza (sem data). Fonte: 54
63 A questão da especulação imobiliária também é objeto de atenção dos jornais da época. Exemplo do jornal A Gazeta, na edição de 24/05/1961: Esta reportagem registra como fato muito expressivo, agora, a demolição do Cine Santa Cecília, no ângulo Olímpio da Silveira Conselheiro Brotero. Pelas suas características de arquitetura caprichosa, feita de material valioso, pareceria que ao Santa Cecília fossem poupados os efeitos do arranco modernístico e sobretudo da fantástica valorização imobiliária... Mas não foram. Começou a demolição. A bonita estrutura oriental: sofreu o golpe. Suas ornamentações, as mais numerosas que já tivemos num cinema, perderam em definitivo, por força, a frescura que transformava a sala num repousante oásis. (SIMÕES, 1990, p ). Fig. 34 Público de cinema na cidade de São Paulo entre 1940 e Fonte: SIMÕES, 1990 Na sequência do Cine Santa Cecília, outros cinemas encerraram suas atividades, pois o pragmatismo comercial rejeita manter salas deficitárias se os imóveis (e os terrenos) podem se destinar a atividades mais rentáveis. (SIMÕES, 1990, p.102). Durante a década de 1960, apesar da queda vertiginosa do público nas salas de cinema de toda a cidade, a maioria das salas de cinema da Cinelândia ainda mantêm a programação com grandes lançamentos internacionais, o que garante ainda o certo ar de elegância que existia nas três décadas anteriores (apesar das salas estarem, cada vez mais, com problemas de manutenção). À exceção do que se dá nos cinemas dos bairros que acabam fechando as portas e se transformam em estacionamentos, mercados, agências bancárias etc., ou acabam sendo demolidos por pressão do mercado imobiliário. 55
64 O artigo de O Estado de S. Paulo de 18/07/1965 arrola algumas razões para o abandono do cinema, entre elas as dificuldades de transporte, de estacionamento, além das vantagens de se permanecer em casa; conforto, ausência de filas, possibilidade de escolher os programas distribuídos por cinco canais em funcionamento, a cervejinha na geladeira etc. (SIMÕES, 1990, p.110) A única importante exceção nesse período é a inauguração, em 1971, do Cinespacial, em frente ao Comodoro Cinerama. O projeto do Cinespacial foi revolucionário à época, com sala e plateia circulares e três telas curvadas, com ângulo de 120 graus, no centro do espaço. Um único projetor emitia as imagens para espelhos que rebatiam o filme nas três telas diferentes. O projeto remonta ao ano de 1967, feito pelo arquiteto Emílio Guedes Pinto 7. Fig. 35 Público de cinema entre 1951 e 1970 na capital e no interior do estado de São Paulo. Fonte: SIMÕES, 1990 Mas, mesmo com essa novidade, na década de 1970 a situação da Cinelândia parece irreversível, segundo descrito nos jornais da época, o que acabaria se confirmando nos anos seguintes. O cinema já foi a única diversão do paulistano no domingo. A cidade de São Paulo, reconhecidamente pobre de belezas naturais e castigada pela inconstância de um clima com variações bruscas de temperatura, convidava a um cinema quase obrigatório nos fins de semana, para ao menos minorar as tensões diárias acumuladas pelo seu frenético ritmo de vida, que desgasta, o indivíduo. (Última Hora, 15/08/1971) 7 Segundo o blog 56
65 Nas salas do centro da cidade, salvo honrosas exceções, a atmosfera é úmida e depressiva e o ar de empobrecimento é nítido até nos uniformes puídos dos funcionários, que não aparentam mais o garbo da época de ouro do cinema, quando este reinava absoluto como a grande diversão para todas as idades. (OESP, 16/09/1973) O automóvel, as viagens, as praias, tudo enfim parece estar ao alcance de todos. De qualquer forma, os congestionamentos nas principais estradas do Estado expressam concretamente o fato de que o carro particular é acessível a amplos contingentes da população. Nos fins de semana e/ou feriados, os paulistanos abandonam a cidade em contingentes de centenas de milhares e, para onde se vai, lá está o aparelho de TV para acompanhar o futebol ou a novela.(oesp, 10/11/1974) A tradição do luxo em cinemas do centro da cidade cedeu lugar ao desleixo. Grandes salas que marcaram época, hoje apresentam em vez de orquestras e solos de piano entre as sessões um triste cenário onde se destacam os carpetes puídos, as cadeiras quebradas e a poeira das cortinas de veludo e dos detalhes em gesso. Raros personagens desse quadro, alguns heroicos espectadores enfrentam além do desconforto, numerosas pulgas. (OESP, 10/11/1974) Ou seja, podemos afirmar que na década de 1960 a Avenida São João vai, aos poucos, perdendo a sua principal atração os cinemas. É uma transição lenta que será nitidamente notada nos anos 1970, quando seus principais símbolos de outrora apresentam sinais de abandono estrutural e alguns de seus edifícios tornam- se cortiços verticais (como o Edifício Martinelli, que será abordado no próximo subcapítulo). Isso coincide com a construção do elevado, o Minhocão, entre 1969 e 1971, que provocará ainda mais a degradação da avenida. 57
66 1.3. O mercado imobiliário ( ): protagonismo e abandono A partir de meados dos anos 1930, o mercado imobiliário também cresceu exponencialmente, e o eixo da Praça Antônio Prado até o Largo Padre Péricles, formado pelas avenidas em estudo (e seus arredores), recebeu diversos edifícios residenciais e comerciais. A cidade estava com cerca de 900 mil habitantes em 1930 (média ponderada entre os censos do IBGE entre os 579 mil habitantes de 1920 e os habitantes de 1940, já que em 1930 não foi realizado o censo demográfico) e iria se multiplicar, atingindo quase 6 milhões de habitantes em 1970 ( habitantes, segundo o IBGE). Nos anos 1950 e 1960, a Rua Amaral Gurgel também atrairia o mercado de imóveis. Aqui a pesquisa foi feita em todas as edições da revista de arquitetura Acrópole (do primeiro número, em maio de 1938, ao último número, o 390, em novembro de 1971, coincidentemente, o ano da inauguração do Minhocão) e nas edições de domingo dos classificados de imóveis do jornal OESP, restringindo devido ao tempo de pesquisa aos primeiros domingos de cada mês, entre 1930 e Fig. 36 Reportagem sobre a construção do Martinelli, OESP, 03/01/1929 Fonte: Acervo Estado Além da construção dos cinemas, a Avenida São João transformou- se no principal polo de novas construções da cidade, a partir do momento que o centro antigo o triângulo histórico não comportava mais o seu crescimento explosivo. A avenida se transforma num grande vetor do mercado imobiliário quando seu prolongamento é findado em O edifício que marca o início dessa transformação é o edifício Martinelli, inaugurado um pouco antes, em
67 Até 1929, embora incipiente, a verticalização se localizava no triângulo histórico (os edifícios mais altos, com uso terciário) e no chamado centro novo, misturando uso terciário com residencial. Ao longo do eixo da avenida São João, a construção verticalizada está na praça Júlio Mesquita, aberta em 1927 e onde se destaca um edifício de 13 andares, na praça Marechal Deodoro [...] (SOMEKH, 2014, p.200) Porém, em São Paulo, foi só em 1937, depois da grande depressão de 1929, que os negócios com imóveis começaram a melhorar (SOMEKH, 2014). Essa data coincide com o início dos anúncios de imóveis nos classificados dos jornais, antes disso as propagandas são quase inexistentes. O Centro Novo, formado pelo quadrilátero a oeste do Vale do Anhangabaú (constituído pela Rua Formosa, Avenida São Luiz, Avenida Ipiranga e Avenida São João),também se torna o foco do mercado imobiliário nesse período. Este foco será mantido até o início dos anos 1960, quando a região da Avenida Paulista e Jardins começará a ganhar o protagonismo de novas construções na capital. Fig. 37 Foto da construção do Martinelli, anos Fonte: Acervo Estado Esse período áureo da verticalização da Avenida São João coincide com os dois primeiros períodos definidos nos estudos da professora Nadia Somekh, principalmente, entre: 1940 a 1956, segundo período, a verticalização norte- americana, de características ascendentes, que começa com a implantação do registro de elevadores e vai até antes da primeira limitação do coeficiente de aproveitamento dos terrenos. O padrão de construção valorizado passa a ser o norte- americano. É desse período a maioria dos quitinetes existentes na cidade. Os índices de aproveitamento permanecem altos [...], mas há características distintas quanto ao uso, que passa a ser predominantemente residencial. (SOMEKH, 2014, p.34) 59
68 Na década de 1930, diversos edifícios são anunciados em jornais e revistas, a maioria ainda influenciados pelo movimento art déco. Um exemplo é o Edifício Lívia Maria, no número 755 da Avenida São João, esquina com a Rua dos Timbiras. Seu projeto foi publicado na edição número 11 da revista Acrópole, em março de 1939, assim descrito: O prédio Lívia Maria, eleva- se em ponto bastante movimentado da Avenida São João, ficando próximo à diversas casas de diversões, assim como, de uma ampla e agradável praça pública, que é a Praça da República. Em 1935, Paulo de Barros Whitaker pede aprovação para construir um prédio residencial 8 de 11 pavimentos na praça Marechal Deodoro, com elementos art déco. O edifício era um precursor das quitinetes, pois, além dos apartamentos de um e dois dormitórios, dispunha de apartamentos com uma única sala de 7,50 m x 2,80m, evidentemente a ser dividida para uso, sem a necessária iluminação. A Divisão de Censura Estética, instituída pelo Ato nº 58, de 15 de janeiro de 1931, por Anhaia Mello, recomendava um revestimento mais rico do que argamassa de cal e areia proposta, além de um melhor tratamento de mármore ou granito, no embasamento. (SOMEKH, 2014, p.209) Em 1940 começa a construção do edifício Porchat, projetado por Rino Levi na esquina da São João com a Rua Apa, finalizado em 1942.Constituído por um único corpo e quatro edifícios independentes, cada um com 1 apartamento por andar, torna- se um marco na paisagem da Avenida São João, nas proximidades da Praça Marechal Deodoro. Fig. 38 Fachada do Prédio Lívia Maria na Av. São João esquina com a Rua dos Timbiras. Características art déco (março de 1939). Fonte: Acrópole 8 Edifício Pirineus na esquina da Rua Pirineus com a praça Marechal Deodoro, ver imagens na próxima página. 60
69 Fig. 39 (esq.) Desenho da fachada do Edifício Pirineus na esquina da Av. São João com a Rua dos Pirineus. Fonte: SOMEKH, 2014 Fig. 40 (dir.) Planta do Edifício Pirineus. Fonte: SOMEKH, 2014 Levi aproveita a forma trapezoidal do lote para deslocar cada uma das unidades em relação à outra, entrelaçando- as com um balcão curvo em frente à sala de estar. [...] Também o alinhamento das lojas do térreo e a marquise linear remetem à continuidade do conjunto, contrapondo- se à divisão que rege as plantas e fachadas. (ANELLI, 2001, p.117) 61
70 Fig. 41 (esq.) Fachada do Edifício Porchat. Fonte: ANELLI, Fig. 42 (dir.) Planta do Edificio Porchat na esquina da Av. São João com a Rua Apa. Fonte: ANELLI, 2001 Fig. 43 (abaixo) Propaganda de fogões elétricos no Edificio Porchat (anos 1940). Fonte: O Edifício Porchat ainda segue as características iniciais da sua arquitetura pré- moderna, ou, como define SOMEKH (2014), em relação aos pedidos de aprovação na Prefeitura de São Paulo: um derivativo do modernismo um estilo modernizado e sem ornamentação, constatadas também em outros projetos espalhados pela cidade, como o Edifício Columbus (1934), o Edifício Higyenópolis (1935) e o Edifício Guarani (1936). 62
71 Fig. 44 (esq.) Edifício Columbus (1934) na Av. Brig. Luiz Antônio (demolido em 1969). Fonte: ANELLI, 2001 Fig. 45 (centro) Edifício Higyenópolis (1935) na Rua Conselheiro Brotero. Fonte: ANELLI, 2001 Fig. 46 (dir.) Edifício Guarani no Parque Pedro II. Fonte: Revista LIFE Inicialmente, a arquitetura de Levi é caracterizada por aberturas na forma de janelas e varandas com balcões. Seu projeto explora o ritmo da distribuição pelo volume construído, reflexo da orientação clássica na formação do arquiteto. Percebe- se certa harmonia de proporções entre cheios e vazios para acentuar a integridade do volume geométrico e a impressão da sua solidez. (ANELLI, 2001, p.50) Outros edifícios, numa fase de transição para a arquitetura moderna, com muitas características ainda do movimento art déco, são construídos nas redondezas da Avenida São João nos anos Abaixo foram levantados alguns edifícios desse período, com essas características em ordem cronológica. 63
72 Fig. 47 (esq.) Edifício Gonçalves Biar (abril de 1939) na Av. São João, 1430 Fonte: Acrópole Fig. 48 (centro) Edifício Santa Marina (agosto de 1940) na Rua General Olympio da Silveira, 83. Fonte: Acrópole Fig. 49 (dir.) Prédio Zena (março de 1940) à Rua Frederico Abranches esquina com a Rua Sebastião Pereira. Fonte: Acrópole 64
73 Fig. 50 (esq.) Edifício Marília (fevereiro de 1941) na Av. Angélica esquina com a Praça Marechal Deodoro. Fonte: Acrópole Fig. 51 (centro) Inca Hotel (fevereiro de 1943) na Av. São João esquina com a Rua dos Timbiras. Fonte: Acrópole Fig. 52 (dir.) Edifício Abreu Sodré (dezembro de 1941) (foto superior). Na Avenida São João com a Alameda Nothman. Fonte: Acrópole 65
74 Fig. 53 (esq.) Propaganda do Condomínio Antonio Egidio no OESP 02/06/1946. Na Praça Marechal Deodoro, 113 (vizinho do Ed. Marília). Fonte: Acervo Estado Fig. 54 (centro) Propaganda do Edifício Bento Ferraz no OESP 09/05/1948. Na Av. São João esquina com a Rua dos Timbiras. Fonte: Acervo Estado Fig. 55 (dir.) Propaganda no OESP 05/03/1950. Na Praça Marechal Deodoro esquina com Av. Angélica (edifício já aparece em fotos de 1942). Fonte: Acervo Estado 66
75 Em 1941 é projetado, também por Rino Levi, o Edifício Trussardi, no número 1050 da Avenida São João, esquina com a Praça Júlio de Mesquita. Em 1948, após a conclusão das obras, é publicado nos classificados de imóveis do jornal OESP o seguinte anúncio em 01 de agosto: 90% financiado em dez anos! [...] Prédio aristocrático e distinto, com salão nobre de espera. Apartamentos modernos e confortáveis, todos com frente para a Avenida. Gaz e água quente corrente em todos os apartamentos. Portaria dia e noite. Telefone interno. 3 elevadores rápidos. Hall de serviços separado. Ponto central, na Cinelândia, junto a inúmeros restaurantes, lojas, mercearias, feiras. Localização Esplêndida. Edifício Trussardi. O edifício Trussardi, apesar de ter sido projetado apenas um ano após o edifício Porchat, tem a arquitetura totalmente diferente da primeira fase da carreira do arquiteto, agora, com características modernas e fachada em grelha. Coincidentemente, ou não, 1941 é o ano que o arquiteto Roberto Cerqueira César entra para o escritório: Fig. 56 Fachada do Edifício Trussardi (1941). Fonte: ANELLI, 2001 A fachada principal do volume, voltada para a Avenida São João, recebe um conjunto de terraços em balanço situados num plano destacado que acompanha suavemente a curvatura da esquina. Distintamente dos projetos anteriores, esse plano destacado é concebido como uma grelha geométrica, que controla as aberturas e cria uma ordenação visual do espaço urbano. A ordem da grelha estrutura os espaços da faixa de ambientes servidos, todos voltados para a avenida, mas não consegue se manter na faixa mais interna dos serviços, em que a acomodação à geometria da curva se realiza de maneira irregular. Enquanto os vãos da fachada correspondem ao dos dormitórios e salas, os serviços, todos de tamanhos diferentes, se acotovelam no setor posterior. A suavidade da curvatura da fachada não avança para o interior, onde não existe uma preocupação com uma concordância geométrica das paredes com o seu raio. (ANELLI, 2001, p.51) 67
76 Em setembro de 1946, é publicado no jornal OESP o primeiro anúncio de vendas do Edifício Pacaembu, primeiro projeto de grande porte de João Artacho Jurado (lançado simultaneamente com outros dois edifícios: Duque de Caxias e Piauí), na Avenida General Olímpio da Silveira, número 386. Logo em seguida, em dezembro do mesmo ano, aparece outro anúncio no mesmo jornal, com o projeto totalmente modificado e com o seguinte slogan: Arquitetura... Êxito... Vitória... Edifício Pacaembu o condomínio de um bairro aristocrático!, e logo abaixo a justificativa: Após o seu sensacional êxito de lançamento, afim de atender a maior número de adquirentes, com a anexação dos terrenos vizinhos, foi ampliada a sua área, permitindo a construção de novos tipos de apartamentos!, e a descrição continua exaltando a localização privilegiada. O prédio possui doze andares tipo e cinquenta apartamentos. (FRANCO, 2008). O edifício foi publicado na revista Acrópole em novembro de 1950, na edição número 151, assim que as obras foram finalizadas. Na fachada, varandas ainda tímidas e presas ao alinhamento insinuam apartamentos pequenos, destinados a um público modesto ou a grandes investidores do setor imobiliário que tinham nessa mercadoria sua fonte de renda, investimento e lucro. Mas fazem- se presentes e mostram personalidade, porque, assim como o piso na entrada, são revestidas de pastilhas coloridas. (FRANCO, 2008, p.138) Fig. 57 Propaganda do Ed. Trussardi no OESP em 01/08/1948. Fonte: Acervo Estado 68
77 Fig. 58 (esq.) Propaganda da primeira versão do Edifício Pacaembu, no OESP 01/09/1946. Situado na Av. General Olimpio da Silveira. Fonte: Acervo Estado Fig. 59 (centro) Propaganda da versão construída do Edifício Pacaembu, no OESP 01/12/1946. Fonte: Acervo Estado Fig. 60 (dir.) Propaganda da entrega do Edifício Pacaembu, no OESP 01/10/1950. Fonte: Acervo Estado 69
78 Fig. 61 (esq.) Imagens do Edifício Pacaembu (novembro de 1950). Fonte: Acrópole Fig. 62 (dir.) Foto Edifício Pacaembu (anos 1950). Fonte: 70
79 Em 1947 é projetado o Edifício Leon Kasinsky, pelo arquiteto Henrique Mindlin, no número 1072 da Avenida São João, vizinho ao Edifício Trussardi, de Rino Levi. Depois de finalizado, o prédio é publicado na edição número 170 de junho de 1952 da revista Acrópole. Ainda em 1947, com o aval dado anos antes pelo então prefeito Prestes Maia ( ), que tinha projetado uma das versões do Paço Municipal de São Paulo (nunca construído), de maneira a ser um marco monumental que identificasse o início da Avenida, o edifício Altino Arantes, popularmente conhecido como Banespão (por ter sido a sede do Banco do Estado de São Paulo até sua privatização, nos anos 1990) foi inaugurado. O projeto foi feito no ano de 1939, mas suas obras levaram oito anos até sua finalização. Sendo sua implantação no eixo visual (linha reta) da Avenida São João, de quem avistava desde a curva da Avenida General Olímpio da Silveira, 3 quilômetros adiante. Na edição número 116, de dezembro de 1947, o projeto foi publicado em longa reportagem na revista Acrópole, com a seguinte descrição, em resumo: O fato de estar o terreno do Banco do Estado localizado no eixo da Avenida São João, e poder a edificação aí erguida constituir remate condigno para essa Avenida, aliado à necessidade de ordem urbanística de dever- se estabelecer nesse ponto uma massa arquitetônica, que equilibrando os maciços do Edifício Martinelli e do futuro Banco do Brasil, lhes fosse predominante, foram felizes circunstâncias, que concorreram para que a Prefeitura, após minuciosos estudos de apreciação dos efeitos arquitetônicos de conjunto, concordasse em conceder licença para que o Edifício do Banco do Estado se erguesse com as dimensões com que fora projetado. Fig. 63 Imagens do Edifício Leon Kasinsky (junho de 1952). Fonte: Acrópole 71
80 Prestes Maia elaborou uma cuidadosa regulamentação arquitetônica visando garantir uma ocupação homogênea e de qualidade a exemplo do que já ocorria nas ruas Marconi e Xavier de Toledo. [...] Ao contrário das alturas máximas estipuladas, a nova legislação impunha uma altura mínima de 39 metros no alinhamento e, por uma sequência de escalonamentos, até 115 metros. Incentivava a substituição dos prédios existentes por prédios com 39 metros de altura no alinhamento [...] Alturas maiores que 80 metros poderiam ser atingidas por meio de corpos escalonados em pontos focais ou de interesse arquitetônico a juízo da prefeitura. É o caso do edifício do Banco do Estado de São Paulo que tirou partido dessa resolução situado no eixo da Avenida São João [...], reforçado pelo coroamento com 120 metros de altura. (SANTOS, 2013, p.52-53). Nadia Somekh comenta: [...] edifício do Banco do Estado de São Paulo, no início da avenida São João [praça Antonio Prado], é típico desse período. É o primeiro, em São Paulo, a utilizar o revestimento de pastilhas, cujo uso se disseminou a partir de então, principalmente após 1947, quando duas fábricas de pastilhas de porcelana se instalaram em São Paulo. (SOMEKH, 1987, p.81) Fig. 64 Edifício Sede do Banco do Estado de São Paulo - BANESPA (dezembro de 1947). Fonte: Acrópole Em 1949, o edifício do Banco do Brasil, concorrente em altura com o Edifício Altino Arantes, tem suas obras iniciadas em frente ao Edifício Martinelli, criando uma sombra permanente neste, já que o novo edifício foi construído em sua face norte. E é neste período que o Martinelli, já desapropriado pela prefeitura pertencia a União desde 1943, começa a entrar em decadência. Atingindo a degradação máxima nos anos 1960 e início dos anos 1970, quando se tornou sinônimo de cortiço vertical e prostituição (sua reforma só seria executada 72
81 entre 1975 e 1979, na administração de Olavo Setúbal, quando foi reinaugurado como sede de diversas secretarias da prefeitura). No mesmo ano, é anunciado em maio na revista Acrópole edição número 133 o lançamento do sinuoso Edifício Washington, na Avenida General Olímpio da Silveira. Na edição 172 da mesma revista, em agosto de 1952, é publicado o edifício já concluído, com projeto de Bernardo Rzezak. Na década seguinte, os anos 1950, o ritmo de construção na Avenida São João continua a atrair o mercado de grandes edifícios principalmente de 1 dormitório e quitinetes, porém é nesta década que a avenida começa a dividir a atenção com uma grande concorrente (principalmente na segunda metade da década), que começará a se transformar no novo eixo do mercado imobiliário e ajudará no desinteresse pela Avenida São João, em meados dos anos 1960: a Avenida Paulista (além de todo bairro de Higienópolis, que muda os parâmetros dos edifícios de apartamentos, até então concentrados no mercado mais popular e de classe média rentista, e começa a priorizar edifícios para a elite e a classe média alta). Fig. 65 Nova Sede do Banco do Brasil em São Paulo (maio de 1949). Fonte: Acrópole Ou seja, a São João ficará marcada como a avenida dos apartamentos mais populares, rentistas, em oposição à Avenida Paulista e Higienópolis, voltados para uma população mais abastada e que tinha como objetivo morar em apartamentos amplos, próprios e que substituíssem as casas confortáveis que estavam acostumados. 73
82 Fig. 66 (esq.) Perspectiva do Edifício Washington (maio de 1949). Fonte: Acrópole Fig. 67 (dir.) Propaganda Vidrotil com a foto do Ed. Washington finalizado (agosto de 1952). Fonte: Acrópole 74
83 Em 06 de setembro de 1953, é anunciado no jornal OESP o lançamento do Edifício Araraúnas, do arquiteto Franz Heep, com a seguinte descrição, em resumo: Na artéria vital da cidade, Edifício Araraúnas, Avenida São João esquina com a Alameda Glette. Apartamentos de luxo, fachada ultramoderna, todos os apartamentos de frente com belíssimos terraços, localização sem igual com possibilidade de grande valorização. Em abril de 1958, o projeto é publicado na revista Acrópole (ed. 234/ de abril): [...] A fachada da av. São João é exposta ao sol intenso. Cada elemento da fachada representa um apartamento. O caixilho que divide a sala da loggia tem uma porta plana de madeira e a outra parte envidraçada. [...]. As plantas dos apartamentos são do tipo quitinete, com cozinha, banheiro, terraço e uma grande sala que divide espaço com o dormitório. Dois anos depois, em 1955, é projetado um dos últimos grandes edifícios residenciais da Avenida São João (pelo menos até os anos 2000), o Edifício Racy, projetado pelo arquiteto Aron Kogan e executado pelo engenheiro Waldomiro Zarzur, a dupla de sócios proprietários da Construtora Zarzur&Kogan. Conhecido popularmente como Copanzinho da São João, devido à sua planta sinuosa em forma de S, o edifício fica localizado na esquina da Rua Helvétia, no número 1588 da São João. É formado por uma única grande massa sinuosa e envidraçada, dividida em 5 blocos, cada um com 2 apartamentos por andar, possuindo 2 dormitórios cada. São 14 pavimentos tipo, totalizando 140 apartamentos. Mais 5 pavimentos no embasamento, com uso comercial. Possui um hall de entrada monumental, com 18 metros de pé- direito e uma Fig. 68 Propaganda do Edifício Araraúnas, no OESP 06/09/1953. Situado na Av. São João esquina com a Alameda Glette. Fonte: Acervo Estado 75
84 Fig. 69 (esq.) Fachada do Edifício Araraúnas (abril de 1958). Fonte: Acrópole. / Fig. 70 (dir.) Plantas do Edifício Araraúnas (abril de 1958). Fonte: Acrópole 76
85 das mais belas escadas da cidade. Em 1962 é anunciada uma pequena propaganda no jornal OESP, na edição do dia 07 de janeiro com um aviso: vendem- se os últimos apartamentos. Em 1955, aproveitando- se do projeto da segunda avenida perimetral, difundido por Prestes Maia e que seria oficialmente publicado em 1956 (que abrangeria o alargamento da Avenida Duque de Caxias e da Rua Amaral Gurgel, além de uma nova avenida a ser construída cortando a Bela Vista, passando pelo Parque Dom Pedro II e contornando a linha férrea até juntar- se novamente na Duque de Caxias este projeto não constava no Plano de Avenidas de 1930), é lançado o Edifício Nova Ipiranga, na Rua Amaral Gurgel, assim anunciado no dia 03 de abril no jornal OESP: Será a segunda artéria da capital e você seu primeiro proprietário! Segunda Perimetral de São Paulo, Verdadeira Nova Avenida Ipiranga. Resultará da retificação de diversas vias públicas, entre as quais a Rua Amaral Gurgel já em alinhamento. Avenida de amplo descortínio, com 4 pistas, largura variável de 45 a 80 metros Inaugurará entre nós a linha das grandes Avenidas Residenciais centrais, como a Park Avenue de New York, a Alvear de Buenos Aires, o Wilshire Boulevard de Los Angeles. Nessa magnífica Avenida, iniciamos as reservas de apartamentos nos Edifícios Nova Ipiranga à Rua Amaral Gurgel esquina de Major Sertório, em plena segunda Perimetral de São Paulo!. Fig. 71 Edifício Racy em construção (anos 1950). Fonte: Acervo Estado Prestes Maia atende ao convite da Prefeitura e elabora em 1956 o Anteprojeto de um Sistema de Transporte Rápido Metropolitano. Ainda que apresente nele uma proposta de rede de metrô, Maia defende que a prioridade seja dada à continuidade do seu Plano de Avenidas. Aquela seria a hora para a implantação do segundo anel perimetral. A análise da proposta de Maia mostra a ênfase na 77
86 ligação Leste- Oeste e na Avenida Anhangabaú (atual Av. 23 de Maio). O primeiro anel implantado por ele para o contorno do centro não tinha mais capacidade para suportar o deslocamento nessa direção. A expansão periférica de fábricas e habitação popular a Leste gerava seus reflexos no centro. Surgiria aqui o traçado da ligação Leste- Oeste, iniciando no Largo do Arouche passando pela Amaral Gurgel, atravessando a Liberdade em cota rebaixada e cortando o extremo sul do Parque D. Pedro II em cota elevada para Leste. (ANELLI, 2007, sem num. pg.) Em 1957 é inaugurado tardiamente o Edifício General Jardim, na esquina da rua de mesmo nome com a Rua Amaral Gurgel (do seu lado oeste trecho que não foi alterado pelo alargamento desta via na década seguinte), um dos primeiros projetos de João Artacho Jurado, de 1950, com 15 pavimentos tipo e em destaque sua cobertura em terraço- jardim, com um grande pergolado (FRANCO, 2008).Os coroamentos seriam parte da identidade dos seus projetos nos anos seguintes. Para Maria Eugênia França Leme: Seus primeiros edifícios, o Duque de Caxias (1947), o Pacaembu (1948) e o General Jardim (cerca de 1957), ainda não contêm, bem como as casas da Monções, as singularidades que os colocariam futuramente nos guias turísticos da cidade. Sem décors ou cromatismos, eles, de certa maneira, seguem as tendências da época, as influências do art déco e de Rino Levi. (LEME apud FRANCO, 2008, p.138) Fig. 72 Anúncio do Edifício Nova Ipiranga no OESP em 03/04/1955. Fonte: Acervo Estado Em 1959, também na Rua Amaral Gurgel, é anunciado no jornal OESP, de 07 de junho, o lançamento do Edifício Sul Americana, projeto dos arquitetos Plínio Croce e Roberto Aflalo, com a seguinte propaganda: Imponente empreendimento residencial. Em localização privilegiada: 78
87 rua Marquês de Itú, esquina com rua Amaral Gurgel (futura Av. Amaral Gurgel Segunda Perimetral de S. Paulo). [...] Nenhum problema de condução. A situação de localização do Edifício Sul Americana é acessível a todos os demais pontos do centro: comércio, zona bancária, divertimentos etc [...] Na melhor zona residencial em pleno coração da cidade [...]. Em 1959, no quarteirão entre o Vale do Anhangabaú e a Rua Conselheiro Crispiniano, próximo ao Conservatório Municipal, é finalizado, na Avenida São João, o edifício de escritórios Seguradoras, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, edifício conhecido pela sua marquise curva sobre o passeio público. Foi publicado na revista Acrópole, na edição número 245 do mês de março do mesmo ano. Em 1961 é finalizado o Edifício Andraus, na esquina da Rua Pedro Américo, com 32 andares e 115 metros de altura, projetado em 1957 e construído pela Construtora Organização Construtora e Incorporadora Andraus Ltda. (OCIAN). Pelo levantamento realizado, este foi o último grande edifício de escritórios construído na Avenida São João. Seu projeto foi publicado na edição número 283 da revista Acrópole, em julho de 1962, com a seguinte descrição em resumo: Terreno localizado na zona central que, devido ao seu alto custo, exigiu uma solução em que o aproveitamento máximo do lote foi fator importante. A irregularidade do terreno determinou a figura poligonal em que se desenvolve a planta tipo [...] Nos pavimentos inferiores Fig. 73 Anúncio do Edifício Sul Americana no OESP em 07/06/1959. Fonte: Acervo Estado foi projetada uma loja de departamentos, sendo os andares superiores destinados a escritórios comerciais para grandes organizações. Na cobertura se localiza um pouso para helicópteros, o 79
88 Fig. 74 (esq.) Fachada do Edifício Seguradoras (março de 1959). Fonte: Acrópole. Fig. 75 (dir.) Marquise e Planta do Ed. Seguradoras (março de 1959). Fonte: Acrópole 80
89 primeiro do mundo, nesta altura. O edifício se tornaria um marco negativo na avenida quando um grande incêndio o consumiu em 1972, matando 16 pessoas e ferindo outras 330. Além dos edifícios verticais (comerciais e residenciais) até aqui descritos, é importante pontuar que ainda no fim da década de 1950 são projetadas no Centro Novo diversas galerias comerciais, que cruzavam quarteirões e que se tornariam espaços emblemáticos desta região. Em 1963, ligando a rua 24 de Maio até a Avenida São João (altura do Largo do Paissandu), foi inaugurado o edifício Grandes Galerias (conhecido popularmente como a Galeria do Rock, projeto de 1960 do escritório de arquitetura Siffredi&Bardelli, construído pela Alfredo Mathias).Na edição do dia 10 de junho de 1960, o espaço foi apresentado no jornal OESP como "o maior centro comercial de São Paulo, num único e majestoso conjunto". A concepção arquitetônica era "inteiramente nova, resultado de pesquisas realizadas em shopping centers de outras parte do mundo". Os desenhos dos pisos e os painéis sobre as portas dos elevadores do pavimento térreo ficaram a cargo do artista italiano Bramante Buffoni. Para os pisos Buffoni fez uso de composições a partir de peças cerâmicas em tons de cinza, marrom e um rosa fechado. As peças são as mesmas, mas em cada andar propôs variadas composições geométricas de inspiração construtivista. O efeito visual impressiona; a integração através dos vazios dos andares e os desenhos dos pisos criam movimento a cada ângulo e a galeria se transforma [...] (SANTOS, 2013, p.163) Fig. 76 Propaganda Elevadores Atlas com a imagem do Ed. Andraus (janeiro de 1961). Fonte: Acrópole 81
90 Fig. 77 (esq.) Fachada do Edifício Andraus (julho de 1962). Fonte: Acrópole./ Fig. 78 (dir.) Plantas do Ed. Andraus (julho de 1962). Fonte: Acrópole. 82
91 No mesmo ano foi inaugurada a Galeria R. Monteiro, projeto do arquiteto Rino Levi. Em frente as Grandes Galerias (também na rua 24 de Maio), a galeria comercial atinge a rua Barão de Itapetininga pelo vizinho posterior (ANELLI, 2001). Essas galerias logo se tornariam obsoletas aos olhos do mercado, quando começam a ser inaugurados os grandes Shopping Centers de bairro, sendo o primeiro, já no ano de 1966, na rua Iguatemi o Shopping Center Iguatemi (construído também pela construtora Alfredo Mathias). O centro da cidade vinha sendo debatido pela administração municipal e pelos urbanistas da época, pelo congestionamento de funções, o adensamento populacional e de serviços e pela própria falta de mobilidade (o caos no trânsito, já que a cidade tinha optado pelo transporte sobre pneus os ônibus e pela construção de novas avenidas para veículos particulares, abandonando os bondes e deixando de lado os diversos projetos de implantação de uma extensa rede de metrô). O adensamento acelerado e descontrolado gera sobrecarga nos serviços públicos existentes e uma situação de congestionamento permanente. Rino Levi alerta (no início de 1955) que a cidade já manifesta sintomas de asfixia. Antecipa o abandono e a degradação das áreas centrais ao afirmar que, em alguns anos, a continuidade do processo levará a uma realidade em que zonas altamente valorizadas, mais atingidas por essa situação, irão sendo evacuadas, dando origem a slums. A tão desejada metrópole já manifestava sua condição urbana autodestrutiva. (ANELLI, 2001, p.222) Fig. 79 Edifício General Jardim recém concluído (final dos anos 1950). Fonte: 83
92 Em julho de 1957 é promulgada a Lei Municipal nº 5261/1957, na gestão de Adhemar de Barros, tendo como secretário de obras o engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz (ROLNIK, 1997). Essa lei estabelece pela primeira vez o coeficiente de aproveitamento em lotes, a densidade demográfica, a área mínima de lote por habitante, a cota de terreno e a área mínima de espaços livres (FIALHO, 2007). Foi embasada no Esquema Anhaia - tese defendida por Anhaia Mello em 1954, definindo esses índices de controle urbanísticos (ROLNIK, 1997). A lei determinava coeficiente de aproveitamento máximo de 6 (seis) vezes a área do terreno para prédios comerciais, e 4 (quatro) vezes para edifícios residenciais. Com isso, os pequenos terrenos ainda existentes na Avenida São João passaram a não ser mais atraentes para o mercado imobiliário. A cota de terreno acabou gerando apartamentos grandes, com área mínima de 140 m2 (SOMEKH, 2014), o que estimulou a construção em outras áreas mais elitizadas. Esses novos empreendimentos, diferente do que era comum até então, são construídos prevendo sempre vagas de garagem, principalmente pelo estímulo dado pelo governo federal à indústria automobilística, no período Juscelino Kubitschek ( ). Poucos edifícios foram construídos nos anos 1960 nos eixos da São João e da Amaral Gurgel. Desde meados dos anos 1950 a região da Avenida Paulista e Jardins começou a atrair o mercado imobiliário que buscava terrenos maiores e áreas menos congestionadas para atender a classe média alta, que cada vez mais aceitava morar em apartamentos e se transformou, em menos de 10 anos, na região protagonista dos lançamentos de imóveis da 84
93 cidade, ofuscando de vez a Avenida São João e seu eixo quando, em 1969, foi iniciada a construção do Minhocão. A Lei Municipal nº 4312/1952, promulgada pelo Prefeito Arruda Pereira, passou a permitir a construção de hospitais, escolas, teatros, cinemas etc., e abriu caminho para a verticalização da Avenida Paulista (FIALHO, 2007). A mudança começa devagar, sendo listados a seguir, como comparativo, os principais edifícios construídos na região da Avenida Paulista nesse período: a construção do Conjunto Nacional, numa quadra inteira de metros quadrados projeto do arquiteto David Libeskind que venceu um concurso fechado em 1954 (BRASIL, 2007), mas que só foi totalmente finalizado em 1962;em seguida, a construção do edifício Três Marias, do arquiteto Abelardo de Souza, na esquina da rua Haddock Lobo, inaugurado em 1956;em 1957 são inaugurados os edifícios Pauliceia e São Carlos do Pinhal, projeto de 1956 dos arquitetos Jacques Pilon e Giancarlo Gasperini, num generoso lote de metros quadrados (SERAPIÃO, 2011);em 1958 inicia- se a torre da Fundação Cásper Líbero- TV Gazeta, que será inaugurada somente em 1966;ainda em 1958, vencem o concurso fechado para a construção do edifício Quinta Avenida os arquitetos Pedro Paulo de Melo Saraiva e Miguel Juliano (GIMENEZ, 2016);em 1960 é inaugurado o Edifício Nações Unidas, na esquina da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, projetado em 1953 pelo arquiteto Abelardo de Souza; em 1961 o edifício Saint- Honoré, de João Artacho Jurado, é finalizado, sendo que seu projeto remonta a 1952 (FRANCO, 2008);em 1963, na esquina da rua Frei Caneca, é inaugurado o Banco Sul- americano, projeto do escritório do arquiteto Rino Levi; em 1969 inicia- se a construção da torre 85
94 da FIESP projeto do mesmo escritório, porém inaugurado somente em 1979 (ANELLI, 2001); em 1968 o MASP muda- se do centro, na rua Sete de Abril, para o Trianon, projeto da arquiteta Lina Bo Bardi. Esse período de transição do mercado imobiliário, do abandono paulatino da Avenida São João e do novo protagonismo da região da Avenida Paulista, coincide, novamente, com a teoria da professora Nadia Somekh, que define a década formada entre os anos de 1957 e 1966 como o terceiro período do processo de verticalização de São Paulo a 1966, terceiro período, a verticalização do automóvel, quando a ênfase do crescimento industrial está voltada para outros setores, como o automobilístico, definindo um novo tipo de ocupação. O Estado limita pela primeira vez o coeficiente de aproveitamento e estabelece uma cota mínima que define o tamanho dos apartamentos (210m2 para um coeficiente de aproveitamento igual a 6 e 140m2 para um igual a 4), o que resulta na seleção da classe de renda consumidora. As quitinetes dão lugar à construção de grandes conjuntos habitacionais. A limitação do aproveitamento dos terrenos e o uso cada vez mais acentuado do automóvel acentuam o crescimento vertical. (SOMEKH, 2014, p.35) A área central não foi abandonada nos anos 1960, como aconteceu com a Avenida São João. A região da Avenida Ipiranga e do Vale do Anhangabaú (rebatizada de Avenida Prestes Maia a partir de 1965) continuaram atraindo o mercado imobiliário pelo menos até o início da década de 1970, principalmente na construção de edifícios de escritórios nos grandes terrenos remanescentes, ou ocupando áreas de antigos edifícios, que foram demolidos e substituídos 86
95 pelos novos arranha- céus. Na Avenida Ipiranga temos como exemplos: a inauguração do Edifício Itália, em 1965 (projeto de 1956 do arquiteto Franz Heep); do Edifício Copan, em 1966 (projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, com apoio local do arquiteto Carlos Lemos que se arrastava desde 1951, por diversos problemas financeiros das construtoras envolvidas) e do Hotel Hilton, em Na avenida Prestes Maia, o Edifício Mirante do Vale (da construtora Zarzur&Kogan, com 51 pavimentos e 170 metros de altura, o mais alto de São Paulo, construído ao lado do Viaduto Santa Efigênia, entre 1960 e 1966); o Edifício Grande São Paulo (inaugurado em 1972, dos arquitetos Jorge Zalzupir e José Gugliotta, com 36 pavimentos e 129 metros de altura) e o Edifício Mercantil Finasa (inaugurado em 1974, dos arquitetos Edison Musa e Jaci Hargreaves, com 36 andares e 129 metros de altura, no local do último palacete que fora símbolo do Parque Anhangabaú desde a década de 1920, e que tinha um palacete gêmeo até a construção do edifício Conde de Prates, em 1957). 87
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97 CAPÍTULO 2 O Minhocão e a tecnocracia 89
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99 CAPÍTULO 2 O Minhocão e a tecnocracia Neste capítulo será mostrado o impacto que a construção do elevado criou, refletido nos anos seguintes à sua construção. Impacto nos bairros vizinhos, na mudança social que causou e também na degradação física que a região, agora com uma gigantesca sombra ao nível do solo, teve que conviver. Serão analisadas também as mudanças nas leis urbanísticas em 1972, que, ao invés de tentarem conter a degradação da região, acabaram congelando a área, já vítima da concorrência de um novo centro urbano, a Avenida Paulista, que atraia desde a década de 1960 as sedes de empresas e também a voracidade do mercado imobiliário, causando o abandono pelos 30 anos posteriores à região central da cidade. E vieram, também, as drásticas intervenções nascidas de vontades pessoais e desvinculadas de qualquer plano que visse a cidade de modo global, como foi o caso das avenidas e viadutos do prefeito Faria Lima, do traçado básico do metrô, do Minhocão do prefeito Maluf, da outra minhoca que ninguém sabe para que existe ali na avenida Nove de Julho sobre a praça 14 Bis, e assim por diante (LEMOS , 2013, p.140) Consolação Localização do elevado, distritos diretamente afetados: Santa Cecília, República e 91
100 Fig. 80 Mapa de localização do elevado, com os distritos de Santa Cecília, República e Consolação em destaque. Fonte: Mapa R7, com sobreposição do autor 92
101 2.1. Degradação: a construção e seu impacto Em 1969 a cidade de São Paulo ainda carecia de uma ligação viária leste- oeste: as marginais do rio Tietê ainda não estavam finalizadas; a Avenida do Emissário (atual Avenida Marquês de São Vicente, importante avenida de apoio, paralela as marginais) ainda estava só em projeto no Departamento de Urbanismo; e a Radial Leste prolongamento da Avenida Alcântara Machado, sentido Itaquera estava em obras (ZMITROVICZ, 2009). Durante o mandato do prefeito Faria Lima ( ), houve um grande aporte financeiro no orçamento municipal, graças a uma reforma tributária promovida pelo governo federal, que aliviou as finanças das prefeituras de todo o país (SOMEKH, CAMPOS, 2002). Eleito em 1965, Faria Lima contou, portanto, com linhas de financiamento e orçamentos que permitiram grandes obras: foram priorizadas, por exemplo, as vias expressas previstas desde o relatório Moses (avenidas 23 de Maio, Rubem Berta e Bandeirantes). (SOMEKH; CAMPOS, 2002, p.110) Também descrito em reportagem especial sobre o crescimento da cidade de São Paulo, publicada na edição 125, do dia 27 de janeiro de 1971, da revista Veja: [...] o brigadeiro Faria Lima, que tomou posse em O ano seguinte foi especialmente importante para as capitais brasileiras: Roberto Campos, então ministro do Planejamento, estabeleceu a famosa Lei 5.172, que lhes garantia 93
102 (como já acontecia com os outros municípios) 20% do total arrecadado pelo Estado em sua área, através do imposto de circulação de mercadorias. E 45% do total da arrecadação paulistana, no ano passado, de 1,5 bilhão de cruzeiros, deve- se àquela lei. (VEJA, 27/01/1971) Em 1969 fora concluída a ligação norte- sul proposta no Plano de Avenidas (1930) por Prestes Maia, no bastante difundido esquema Y. No vetor norte com as avenidas Tiradentes e Santos Dumont e nos vetores sudoeste- sul, com intervalo de construção de mais de 30 anos, respectivamente, a avenida Nove de Julho (antiga avenida Anhangabaú, construída como uma parkway no mandato de Fábio Prado entre ) e a avenida 23 de Maio (antiga avenida Itororó, construída como uma highway isolada com alças de acesso, no fundo do vale do riacho de mesmo nome entre ). Nesse intervalo de 30 anos, a difusão do transporte individual por automóveis e o crescimento da frota de veículos no mundo todo fez com que o antigo sistema de Parkways, difundido desde o fim dos anos 1920, principalmente por Robert Moses (engenheiro norte- americano e secretário de transportes de Nova York), não atendesse mais as necessidades da cidade moderna. O próprio Moses, a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, começa a difundir como consultor em várias cidades do mundo um novo sistema de vias expressas totalmente isoladas do tecido urbano, em vias elevadas ou rebaixadas, de trânsito rápido, as Highways. Moses também foi o coordenador da Exposição Internacional de Nova York de Fig. 81 Esquema teórica do Plano de Avenidas. Fonte: MAIA,
103 [...] foi na Exposição Internacional de Nova York de 1939 que a mostra da General Motors (GM) [...] intitulada Highways and Horizons difundiu uma visão de cidades do futuro que incorporavam as vias expressas elevadas. Por meio de enormes maquetes, os visitantes tomavam conhecimento de uma cidade intensamente verticalizada e repleta de vias expressas, de viadutos e de trevos elevados. O grande sucesso da exposição popularizou a imagem da cidade do automóvel. Se os trilhos elevados da SBahn berlinense eram uma solução de um conflito de tráfego urbano para o transporte coletivo, a exposição da GM que acabou sendo conhecida como Futurama tornava sedutora a cidade do transporte individual sobre pneus. (ANELLI; SEIXAS, 2009, p.5) Moses foi contratado pela prefeitura de São Paulo, em 1950, para elaborar um plano de transportes para a cidade. É dele, por exemplo, a ideia de transformar as avenidas marginais do rio Tietê (originalmente uma Parkway, boulevard, no Plano de Avenidas) numa rodovia urbana, uma Highway que absorveria o trânsito de rodovias que chegavam à capital. Fig. 82 Estrutura viária proposta no Programa de Melhoramentos de São Paulo. Fonte: MOSES, Acervo da Biblioteca da FAUUSP. Em Nova York, no final dos anos 1950, depois de dezenas de vias expressas implantadas, Moses começou a ter reações negativas crescentes por parte da população. Talvez o embate mais conhecido seja entre o engenheiro e a escritora e ativista Jane Jacobs, mundialmente conhecida após a publicação do livro- manifesto Morte e Vida das Grandes Cidades Americanas, lançado em 1961, após uma longa batalha ao criticar as vias expressas projetadas e que cruzariam os bairros que ela conhecia muito bem e onde morava, o Greenwich Village e o West Village. Fig. 83 Robert Moses. Fonte: C. M. Stieglitz (Library of Congress) 95
104 No plano proposto por Moses em Manhattan, por exemplo, a via expressa aquela que afetaria a Washington Square é sempre apresentada, de forma tentadora, como uma rota rápida entre as pontes do Rio East e os túneis do Rio Hudson para manter o tráfego de passagem fora da cidade. Ainda assim, o plano concreto inclui um emaranhado de rampas de acesso dentro da cidade. Trata- se de um desaguadouro e, assim, ao acomodar o tráfego que se dirige para o coração da cidade, tenderá na verdade a estrangular o tráfego de passagem, em vez de melhorá- lo. (JACOBS, 2000, p.408) Essa análise retroativa é importante porque mostra a mudança brusca na forma de implantação de avenidas em São Paulo, a partir da consultoria de Moses. Da antiga preocupação na inserção urbana, onde o carro é importante mas não é a única preocupação na concepção dos projetos viários, para um protagonismo onde o automóvel passa a ser a única preocupação: velocidade, absorção de grande fluxo, ligação entre pontos da cidade sem a preocupação com área de passagem da via e nenhuma preocupação com o pedestre (a não ser o seu isolamento em outros níveis, para evitar acidentes, daí a solução em se elevar ou submergir a calha para os carros). Fig. 84 Jane Jabobs então porta- voz de um grupo de cidadãos em Greenwich Village, numa conferência de imprensa em 1961, protesto contra Robert Moses. Fonte: Phil Stanziola (Library of Congress) Os projetos de Moses das décadas de 1950 e 1960 não contém praticamente nada da beleza de design e da sensibilidade humana que distinguiram seus trabalhos anteriores. Dirija uns trinta quilômetros pela Nothern State Parkway (anos 1920) e então faça o retorno e cubra essa mesma distância na via expressa de Long Island (anos ), que lhe é paralela, e tente evitar a surpresa e o pesar. Quase tudo o que ele construiu após a guerra foi executado em estilo indiferentemente brutal, feito para intimidar e esmagar: monolitos de cimento e aço, desprovidos de visão, nuança ou ação, vedados à cidade circundante por meio de amplos fossos de espaço árido e vazio, cravados na paisagem com feroz 96
105 desdém por toda a vida natural e humana. Moses parecia agora desdenhosamente indiferente à qualidade humana daquilo que fazia: era mera quantidade de veículos em movimento, toneladas de cimento, dólares recebidos e gastos -, era tudo o que parecia impulsioná- lo então. Há tristes ironias nessa fase pior e derradeira de Moses. (BERMAN, 2007, p.361) [...] Robert Moses e sua via expressa: ele transformou a entropia potencial de longo prazo numa súbita e inexorável catástrofe; ao destruir uma vintena de bairros a partir de fora, ele tornou impossível saber se estes teriam entrado em colapso ou teriam se renovado a partir das suas próprias forças. (BERMAN, 2007, p.382) Essa mesma dúvida surgirá com a construção do Minhocão em São Paulo. Como já descrito, a Avenida São João estava em decadência na década de 1960, mas teria ela entrado em colapso (como acabou acontecendo) sem a construção do elevado? Teria ela se renovado a partir das suas próprias forças? São questionamentos impossíveis de serem respondidos, mas de fundamental importância para fazermos a ligação do passado antes da construção (Capítulo 1) com as transformações que ocorreram na região nos 45 anos que se seguiram após a construção do elevado (Capítulos 2 e 3). Luis Gomes Cardim Sangirardi, arquiteto e funcionário do Departamento de Urbanismo, foi identificado pelos jornais da época como autor das diretrizes que permitiram a realização do projeto do elevado (MARTINS, 1997). Propõe uma via elevada ao prefeito Faria Lima aos moldes das Highways que ligaria a Praça Roosevelt até a Praça Marechal Deodoro. Esta seria uma continuidade da radial leste- oeste, que naquele momento já estava sendo construída pela 97
106 prefeitura, cortando os bairros da Bela Vista e Glicério, terminando na Rua Amaral Gurgel após passar sob a nova Praça Roosevelt (inaugurada um ano antes do Minhocão). Faria Lima decide não construir a via elevada. Os jornais da época afirmavam que ele sabia dos prejuízos que estas vias causaram em outras cidades do mundo, apesar da conexão leste- oeste, iniciada por ele, ser bastante similar e também ter segregado os bairros acima citados. A razão mais provável é que ele percebeu que não teria tempo de mandato suficiente para terminá- la e também porque, naquele momento, a prefeitura desenvolvia um projeto de via enterrada (subterrânea) mais adequada ao entorno, porém muito mais dispendiosa. E ainda, principalmente, porque o projeto da linha leste- oeste do metrô passaria sob a Avenida São João e a construção de uma via elevada inviabilizaria o principal projeto do governo dele. Modificações no traçado foram estudadas ainda em 1965, na gestão do prefeito Faria Lima, havendo alternativas de projeto com as pistas elevadas ou rebaixadas. Um projeto propondo pistas rebaixadas, mais adequadas do ponto de vista ambiental, embora mais complexo e dispendioso, estava sendo elaborado por um consórcio em 1969, mas a ideia não foi levada adiante pela impossibilidade de as obras serem concluídas dentro da gestão administrativa vigente. (ZMITROWICZ, 2002, p.82) Faria Lima não constrói, mas deixa um plano de reserva para a área necessária, uma diretriz de desapropriações, o primeiro passo para viabilizar a execução de uma futura via expressa (MARTINS, 1997), caso algum prefeito que o sucedesse quisesse implantá- la. 98
107 Paulo Salim Maluf foi nomeado 9 prefeito da cidade (nomeação feita pelo governador do estado, Abreu Sodré, a pedido do presidente General Arthur da Costa e Silva). Com mandato curto, de 2 anos, ele assume em 08 de abril de 1969 e governa até 07 de abril de Ele sucede Faria Lima, que foi o último prefeito eleito diretamente da cidade de São Paulo até as eleições de Sendo assim, uma das marcas deixadas por Maluf na cidade foram obras construídas sempre com pressa e terminadas em períodos recordes de tempo. O prefeito Paulo Maluf tinha pressa, seu mandato era curto. Otávio Camillo Pereira de Almeida (secretário de Vias Públicas do Município de São Paulo, em entrevista de 23 de Dezembro de 1976 ao Jornal da Tarde). Uma das primeiras ações de Maluf como prefeito foi descartar engavetar o Plano Urbanístico Básico (PUB), lançado nos últimos meses de governo do seu antecessor. Esse plano propunha, entre outras metas: cerca de 800 quilômetros de vias expressas e 450 quilômetros de linhas de metrô, além de propor uma grande mudança no planejamento viário da cidade, ao projetar as vias expressas em grelha (malha ortogonal) nos sentidos norte- sul e leste- oeste, afastadas 5 quilômetros entre elas, ao invés de dar continuidade ao radiocêntrico Plano de Avenidas, de 1930, naquele momento ainda em implantação. Além disso, essas vias seriam separadas da malha urbana, para permitir uma velocidade de 115 km/h (ANELLI, 2009).E seria 9 Primeiro prefeito nomeado durante o regime militar. Os prefeitos foram chamados de biônicos pela mídia e a sociedade na época. 99
108 também o primeiro grande plano a englobar o município todo, como um plano diretor. (Este só seria enfim implantado com o PDDI Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado já em 1971, no governo de Figueiredo Ferraz, sucessor de Maluf). O PUB é elaborado no último ano da gestão de Faria Lima na prefeitura, e entregue alguns dias antes do fim do seu mandato, o que deixa o plano sem destinatário. Ao assumir a prefeitura, em 1969, seu sucessor Paulo Maluf determina que se encaminhe a incineração dos milhares de volumes do PUB, impressos por Faria Lima, que para o novo prefeito não passavam de propaganda política de seu antecessor. Adiron Ribeiro 10 propõe ao prefeito que se arranque as fotos do prefeito anterior, e com isso desvia o plano do incinerador para as prateleiras. (FELDMAN, 2005, p.236) Fig. 85 Um dos mapas do PUB. Fonte: SOMEKH, CAMPOS, O anteprojeto da via expressa é reapresentada ao novo prefeito, Paulo Maluf, logo no início do seu mandato, e ele prontamente dá andamento ao processo. Agora, com modificação do traçado, iniciando- se sob a Praça Roosevelt, elevando- se sobre a Rua Amaral Gurgel, defletindo à esquerda e rasgando o quarteirão entre o Largo do Arouche e a Avenida São João (formado pelas ruas Sebastião Pereira e Frederico Steidel), mantendo em elevado sobre a Avenida São João, no trecho que identificamos, no primeiro capítulo deste trabalho, como o último prolongamento a ser construído da avenida (e o mais significativo do ponto de vista de unidade arquitetônica e massa construída de toda a Avenida São João com a uniformidade de gabarito de edifícios de apartamentos), passando sobre a Praça Marechal Deodoro (e não mais 10 Arquiteto Benjamim Adiron Ribeiro, técnico municipal, trabalhava no Departamento de Urbanismo desde os anos de
109 terminando nela como no projeto original, apresentado a Faria Lima quando tinha metros, ao invés dos metros construídos), passando sobre a Avenida General Olímpio da Silveira e terminando no Largo do Padre Péricles, em Perdizes, onde é interligada à Avenida Francisco Matarazzo em direção à zona oeste da cidade. Em 21 de agosto de 1969, é anunciada a construção da via elevada no jornal OESP, com o seguinte texto: Via expressa até a Pompeia Uma via elevada de 3 quilômetros ligará a praça Roosevelt à avenida Francisco Matarazzo, logo depois do largo Padre Péricles. Esta ligação será possível até o fim do ano que vem, segundo os planos do prefeito. Por enquanto, ele já autorizou a abertura da concorrência pública as propostas serão recebidas até o dia 8 de setembro. [...] Em 18 de setembro de 1969, no mesmo jornal, o traçado, as desapropriações e os custos do projeto são descritos minuciosamente: Pelo alto, do centro às Perdizes Para construir a maior via elevada da América Latina metros, da praça Roosevelt até o largo Padre Péricles, nas Perdizes, a Prefeitura vai gastar 37 milhões de cruzeiros novos, executar inúmeras desapropriações em todo o traçado inclusive de um prédio de 8 andares e impor as mais pesadas multas por atraso nos serviços: 40 mil cruzeiros novos por dia de atraso. Tudo para entregar a avenida no prazo ontem fixado: 31 de dezembro de 1970.[...] O prefeito considera a obra muito importante: o metrô vai aliviar em muito a situação existente, mas não evitará o crescimento do número de veículos e o consequente caos urbano, como bem mostram as grandes capitais do mundo. Por isso, impõe- se a ampliação do sistema viário da cidade, através da abertura de novas vias. (OESP, 19/09/1969) Fig. 86 Anúncio da construção da via elevada no jornal OESP em 21/08/1969. Fonte: Acervo Estado 101
110 Em 12 de outubro de 1969, após o resultado da concorrência, nova reportagem é publicada no jornal OESP, descrevendo o histórico da via elevada desde a proposta, em 1968, apresentada ao prefeito Faria Lima, que se nega a construí- la, mas deixa aprovada uma lei que permite as desapropriações necessárias (caso o próximo prefeito assim quisesse dar prosseguimento), e detalha: [...] Calcula- se em cerca de 80 imóveis o número de desapropriações. O maior, de 8 andares, está na rua Frederico Steidel, 137. Os outros, em geral, são térreos ou têm dois pavimentos. Na rua Sebastião Pereira serão atingidos os prédios entre os números 150 a 116 (6 prédios); na Ana Cintra, entre os números 265 e 233 (7 números) e entre os números 262 a 234 (10 números); e na Helvétia, entre os números 941 a 963 (3 números) e na esquina com a São João, número 948. Serão desapropriados, também, alguns prédios (8 imóveis) na esquina da Duque de Caxias com o Largo do Arouche. (OESP, 12/10/1969) Fig. 87 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 18/09/1969. Fonte: Acervo Estado Para a elaboração do projeto, a prefeitura do município de São Paulo contratou a empresa de engenharia e projetos Hidroservice Engenharia Ltda., sendo aberta uma concorrência pública para a contratação de empresas construtoras para a execução da obra. (MARTINS, 1997 e BRANCO, 2006). A Hidroservice inicia o projeto em julho de 1969, 3 meses depois da posse do prefeito e 4 meses antes do início das obras. Conforme descrito minuciosamente por Luciana Bongiovani Martins, na sua dissertação de mestrado Elevado Costa e Silva, processo de mudança de um lugar, de 1997, é importante citar toda a redação do processo de escolha da empresa construtora para entender que poucas estariam aptas para tal empreitada, já que as exigências eram enormes: Fig. 88 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 12/10/1969. Fonte: Acervo Estado 102
111 O edital de concorrência 347/69 estabeleceu o prazo de entrega das propostas até as quinze horas do dia 6 de outubro de Deveriam ser entregues dois envelopes, um primeiro, referente à qualificação; e um segundo, com as propostas de preços e cronogramas. A execução da obra seria de empreitada por preços globais, e o regime de trabalho de 24 horas diárias. Quanto à qualificação, seriam consideradas aptas as construtoras ou o consórcio delas que apresentassem realizadas nos últimos cinco anos: execução de escavação para fundações totalizando metros cúbicos (m3); execução de fundações com estaca totalizando metros lineares; execução de fundação com tubulões totalizando m3; ou 700 m3 de tubulões a ar comprimido; execução de uma obra urbana de arte em concreto protendido de pelo menos m2; execução de pontes e viadutos totalizando m2 em concreto protendido; e execução de uma obra de arte com vão mínimo de 35 metros em concreto protendido. Somadas estas comprovações, as empresas deveriam ainda apresentar declaração de equipamentos de propriedade da empresa, bem como comprovação de capital. Uma vez que o critério de qualificação exigia grande experiência, apenas quatro participantes conseguiram se classificar para a segunda fase. De acordo com a proposta de orçamento e cronograma apresentadas, ficaram assim classificadas em primeiro lugar, o Consórcio Construtor Brasileiro de Estruturas; em segundo, a Rossi Engenharia; em terceiro, o consórcio Heleno & Fonseca; e em quarto lugar o consórcio Badra, Beter& Azevedo Travassos. (MARTINS, 1997, p.11-12) Devido ao curto prazo previsto da obra, fixado no processo em 14 meses, a ser iniciada no dia 24 de novembro de 1969 e finalizada em 31 de dezembro de 1970 (contando com uma folga mínima, além do prazo, de 15 dias), a construção do elevado foi entregue às duas primeiras empresas classificadas na concorrência pública: o Consórcio Construtor Brasileiro de Estruturas (formado por três empresas: Construtora Rabello S/A, Cia Construtora Brasileira de 103
112 Estradas e a Engenharia de Fundação S/A.) e a Rossi Engenharia S/A (BRANCO, 2006). Sendo assim, a vencedora ficou com o trecho de maior extensão sob sua responsabilidade, totalizando metros, sendo metros entre a Praça Roosevelt e a Praça Marechal Deodoro e 900 metros de rampas e acessos; os outros metros, que iam da Praça Marechal Deodoro até o Largo Padre Péricles, incluindo o trecho enterrado sob este largo, ficaram sob responsabilidade da empresa segunda colocada. Construtivamente, segundo o laudo da Cia. Do Metropolitano de São Paulo de 1980, o Elevado é formado por tabuleiros isostáticos de 16,70 metros de largura, com duas pistas de rolamento, apoiados em pilares de espaçamento variável de 30 a 40 metros de eixo a eixo. O tabuleiro é constituído por oito vigas transversais e laje superior de 22 cm de espessura. Os pilares apresentam viga superior, com balanços laterais, de seção variável, para apoios dos tabuleiros. Estes pilares são retangulares, com seção de 1,20 x 3,00 metros, apoiando- se em estacas tipo Franki, diâmetro nominal de 520 mm, por intermédio de blocos com coroamento das estacas de 6,00 x 8,30 x 2,00 m de altura. O total da carga permanente é da ordem de 15MN. (CORREA, 1997, p.9) De acordo com o Memorial Descritivo, a superestrutura é formada por um vigamento principal e um transversal. O principal apresenta 8 longarinas por vão e o transversal, 3 transversinas intermediárias por vão, tudo em concreto protendido (BRANCO, 2006). Segundo Luciana Martins, o memorial descritivo começa fazendo um balanço sobre o crescimento populacional da cidade de São Paulo, que salta de 1,3 milhões de habitantes em 104
113 1940 para 5,8 milhões em Em 1950 a frota de automóveis no município era de aproximadamente 63 mil veículos, passando para 415 mil em 1966 (MORSE, 1970, pg.373). Em seguida, é apresentado o crescimento do número de licenciamentos de veículos, que tinha um aumento médio de por ano. Este crescimento (enorme na época, hoje esse número é de aproximadamente 186 mil ao ano, segundo o DETRAN, dados de 2014) é usado como o principal justificativa/fator para a implantação da via elevada: A adoção de um sistema de transportes coletivos Metrô como o que ora se está implantando na cidade de São Paulo, pouco deverá contribuir para arrefecer o crescimento do número de veículos. Outras grandes cidades em diferentes partes do mundo, a despeito de possuírem há muito tempo sistemas deste tipo, tem visto crescer continuamente sua frota de veículos. A mobilidade oferecida pelo automóvel, a aspiração do status social que ele confere e o aumento crescente dos níveis de renda, aliados a custos possivelmente mais baixos de produção, são algumas das razões que fazem prever a continuação deste processo. (Trecho do Memorial Descritivo apud MARTINS, 1997, p.29) Sendo assim, percebemos que o memorial tenta desarmar a potencial solução alternativa que seria o transporte público coletivo (MARTINS, 1997). E também tenta justificar a alternativa pelo transporte individual, a expectativa de ascensão social, transformando o status propiciado pela posse de um automóvel em Categoria (MARTINS, 1997). Categoria no sentido de análise para futuros projetos viários. Assim como o aumento e distribuição de renda, associado a um possível barateamento dos custos de produção. Além de uma estratégia 105
114 argumentativa que tem como horizonte a modernidade das nações desenvolvidas (MARTINS, 1997). Ainda antes da construção do elevado, alguns jornais já alertavam a construção de diversas vias elevadas pela cidade. Na edição do dia 23 de setembro de 1969, o jornal OESP publica a reportagem: Vias elevadas, a nova mania A prefeitura está, agora, com a mania das vias elevadas e expressas: depois de programar a execução da avenida que ligará a praça Roosevelt ao largo Padre Péricles, o novo plano é uma via elevada de metros entre a rua Tomaz de Lima, na Liberdade, e a avenida Alcântara Machado. [...] Essa nova avenida dará continuidade à Radial Leste- Oeste, estabelecendo também interligação com a outra via elevada, que sai da praça Roosevelt. Além desse novo plano, já estão em andamento, também, para dar sequência a Leste- Oeste, as seguintes obras: viaduto Júlio de Mesquita [...] passando sobre Major Diogo e Abolição, para alcançar as imediações de outro viaduto, também em obras, que passa sob as ruas Santo Amaro e Brigadeiro Luís Antônio; viaduto da av. Liberdade [...]; viaduto da rua Galvão Bueno [...]; viadutos das ruas da Glória e da Conselheiro Furtado [...]. Terminadas todas essas obras, será possível ir- se da Francisco Matarazzo (na Pompeia) até a Alcântara Machado em 10 minutos. (OESP, 23/09/1969) Essa nova mania foi iniciada pelo prefeito Faria Lima e impulsionada, principalmente, por Paulo Maluf, que, além do Minhocão e da ligação Leste- Oeste (incluindo a Praça Roosevelt),construiria, somente na região central: o viaduto na Avenida Nove de Julho, sobre a Praça 14 Bis; o Viaduto Diário Popular, sobre o Parque Dom Pedro II; o viaduto sobre a Avenida Fig. 89 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 23/09/1969. Fonte: Acervo Estado 106
115 Brigadeiro Luís Antônio, ligando a via expressa Leste- Oeste através das ruas João Passaláqua, Rui Barbosa e Treze de Maio, no Bexiga, até a região do Paraíso. Dentre outras, espalhadas por outras regiões da cidade 11. Durante a construção do elevado, os jornais noticiavam o caos no trânsito da Avenida São João e cobravam explicações da prefeitura para a tomada de decisão de construir a obra. E, além disso, algumas reportagens criticavam o ritmo da obra, como esta do jornal Folha de São Paulo, de dois de janeiro de 1970: Zona Oeste reclama contra o ritmo lento, obra do Minhocão está atrasada, causando engarrafamento na Av. São João, com o depoimento de um morador da região (não identificado): Ou o Elevado é construído rapidamente ou a situação tenderá a piorar mais ainda. Em reportagem especial, publicada no dia 08 de abril de 1970, o jornal OESP analisa o primeiro ano de governo de Paulo Maluf e faz críticas acirradas ao atraso em várias obras espalhadas pela cidade. A manchete dizia: Eis a São Paulo de Maluf, ano 1. Das promessas, só restou atraso. E, logo abaixo, diversas fotos mostrando obras cercadas por carros e trânsito caótico. No texto: Um ano foi o suficiente: a cidade que se preparava, cheia de esperança, para sair do caos, mergulhou nele de cabeça aos pés. Poucos paulistanos seriam capazes de imaginar, naquele 8 de abril de 1969, que o prefeito recém- nomeado Fig. 90 Reportagem sobre o governo Maluf no jornal OESP em 08/04/1970. Fonte: Acervo Estado 11 Ver livro Avenidas : 50 anos de Planejamento da Cidade de São Paulo (2009), autores: Witold Zmitrowicz e Gerado Borghetti. 107
116 e cercado de uma antipatia pelo simples fato de substituir um homem que contava com o apoio de 95% do povo transformaria a cidade na confusão de hoje. [...] ao abandono total do planejamento global, em plena era do planejamento, a atual administração municipal só acumulou erros. [...] as medidas prioritárias indicadas no PUB não foram sequer cogitadas [...] (OESP, 08/04/1970) Logo abaixo, outra chamada em texto complementar fazia uma crítica feroz ao Minhocão, oito meses antes da sua inauguração: Elevado é oneroso e solução isolada. E dizia: [...] Por se tratar de uma obra isolada, alheia a qualquer plano diretor como o PUB, irá apenas proporcionar solução provisória para o problema do tráfego, porque transferirá a dificuldade de trânsito do local para outros pontos próximos. [...] Além da motivação demagógica do prefeito opinam os técnicos não se pode encontrar outra explicação para esse verdadeiro procedimento criminoso: uma obra onerosíssima que atrapalhará o Metrô e absolutamente não melhorará a situação do tráfego de superfície. Outra objeção apontada pelos especialistas: Como não foram previstas medidas paralelas, a via elevada da avenida São João provocará ainda deterioração das áreas próximas, poluição etc. No Japão, por exemplo, antes de se implantar uma via em área desapropriada, as autoridades a renovam urbanisticamente mediante tratamento paisagístico [...] Da maneira como se procedeu em São Paulo, será inevitável a deterioração da área, entre outros problemas. [...] (OESP, 08/04/1970) Fig. 91 Reportagem sobre o governo Maluf no jornal OESP em 08/04/1970. Fonte: Acervo Estado Antes de sua inauguração, o elevado foi anunciado com grandiosidade pelo jornal Folha de S. Paulo, em 01 de janeiro de 1971, em grande reportagem, aqui resumida: 108
117 Elevado Costa e Silva: a maior obra da capital depois do Metrô Quase homens, em regime de trabalho de 24 horas, durante pouco mais de um ano; 85 mil metros cúbicos de concreto, o equivalente a 680 mil sacos de cimento que, se enfileirados, corresponderiam a quase 600 quilômetros, mais ou menos a distância de São Paulo a Belo Horizonte; 10 mil toneladas de aço e ferro, ou seja, o peso de 10 mil Fuscas, a produção de nove dias da Volkswagen antes do incêndio. Estes são apenas alguns dos dados da construção da Via Elevada Presidente Arthur da Costa e Silva, a ser entregue ao público pela Prefeitura paulistana no próximo dia 25 de Janeiro, data de aniversário da fundação de São Paulo. Com média de escoamento de 12 mil automóveis por hora [...] (FSP, 01/01/1971) Em seguida, a reportagem descreve detalhes técnicos da obra, seu percurso, o nome das empresas que participaram da construção, os materiais utilizados e comentários dos engenheiros e dos operários que trabalharam na obra. Além dos anúncios positivos (quase propagandas de governo), a obra e, principalmente, o prefeito foram bastante criticados por outros jornais, principalmente pelo O Estado de São Paulo, que meses seguidos fez reportagens sobre a construção do Minhocão, questionando sua real necessidade. Em 01 de dezembro de 1970, menos de dois meses antes da inauguração, o jornal publicou a situação caótica em que estava a Avenida São João e previu um futuro desolador para ela: Elevado, o triste futuro da avenida. A reportagem começa com o subtítulo Vende- se, e pergunta: A placa nem tem mais sentido. Os prédios estão quase todos vazios, abandonados. Quem vai querer morar aqui? Fig. 92 Reportagem sobre a via elevada no jornal FSP em 01/01/1971. Fonte: Acervo Folha 109
118 Fig. 93 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 01/12/1970. Fonte: Acervo Estado Essa reportagem é importante pelo fato de alertar diversos problemas que a construção do elevado geraria (ou poderia criar), assim como a escritora Jane Jacobs fez no final dos anos 1950, em Nova York, ao criticar e promover abaixo- assinados contra as vias elevadas de Robert Moses. Lá, talvez, por ser uma democracia, eles conseguiram preservar algumas áreas e evitar as construções de algumas Highways, diferente da situação que São Paulo e o Brasil passavam 110
119 em 1970, vivendo sob o período mais duro da ditadura militar. Com mais de 10 anos de defasagem do caso nova- iorquino, os problemas não eram novidade e não foram surpresa. A construção do Minhocão se deu mesmo sob forte crítica e já com exemplos fracassados de casos anteriores. Um prefeito que só tem 22 meses de mandato nomeado para o cargo e muita vaidade [...]. Salim Maluf precisava de uma obra grandiosa ( um circo no centro da cidade, segundo seus assessores) e de rápida execução, para se perpetuar como prefeito da cidade. Com isso atingiu outro objetivo: apagar a imagem de Faria Lima que teria sempre seu nome associado à construção do metrô, desviando as verbas para a via elevada. (OESP, 01/12/1970) [...] A via elevada corta o foco da boca do lixo, região de maior índice de criminalidade de São Paulo. Antes mesmo de concluída, já começou o desfile ao longo dos seus tapumes nunca se viu tanta madeira junta na cidade e ferros retorcidos. Os primeiros mendigos já chegaram e as prostitutas estão se instalando junto à porta dos prédios, por onde os carros passam mais devagar, devido às obras. (OESP, 01/12/1970) [...] Segundo recentes levantamentos norte- americanos, as vias elevadas provocam tal depreciação nos imóveis próximos ao trajeto, que impedem sua renovação e levam a um rebaixamento do nível de atividades econômicas, a ponto de diminuir sensivelmente a contribuição tributária local, tanto predial como econômica. E concluem: o que não foi gasto antes, é perdido depois, restando apenas a área deteriorada. (OESP, 01/12/1970) 111
120 prefeito: E cita um artigo do PUB que tinha sido publicado no ano anterior e engavetado pelo As vias expressas elevadas são barulhentas e comumente consideradas antiestéticas, embora tais inconvenientes possam ser contornados por cuidadoso tratamento arquitetônico. Entretanto, elas provocam sérias obstruções visuais ao longo das ruas de cruzamento e devem ser construídas longe dos edifícios não industriais existentes, a fim de preservar o ambiente urbano. (Página 290, volume 4, do Plano Urbanístico Básico, setor de Circulação e Transporte). (OESP, 01/12/1970) E conclui: [...] depois de passar a euforia da novidade, das pessoas visitando o Minhocão nos fins de semana e dos passageiros se divertindo com a intimidade de quem mora nos apartamentos devassados, os técnicos e urbanistas da cidade poderão analisar, friamente, o que foi feito de uma das maiores avenidas de São Paulo. E do metrô. (OESP, 01/12/1970) Em seguida, na véspera da inauguração, em 23 de janeiro de 1971, o jornal OESP publica outra crítica com uma pergunta na manchete: Quem diz que o Minhocão é útil? Até o momento a prefeitura não produziu provas convincentes da prioridade de construção do Minhocão. As vésperas da inauguração daquela que é sempre lembrada como a maior via elevada da América Latina, o paulistano ainda não sabe se mais lhe convém a interligação suspensa Bela Vista- Perdizes, ou o tão decantado metrô. (OESP, 23/01/1971) 112
121 Nada, absolutamente nada, cedeu ao público, em relação aos estudos de viabilidade no sentido amplo durante a fase de pré- projeto daquela obra de arte. Não sabemos, às vésperas da inauguração, se a avenida São João, protegida pelo grande abrigo em que se transformou aquela pista suspensa, continuará a servir ao tráfego local com a mesma soma de problemas que ali se registrava há um ano atrás, ou se vai melhorar o sistema de circulação das vias adjacentes e periféricas. Não sabemos, também, se a soma de pessoas transportadas sobre aquela via elevada será superior, igual ou inferior àquela que continuará a fazer o caminho diário e permanente no nível da velha artéria. (OESP, 23/01/1971) Fig. 94 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 23/01/1971. Fonte: Acervo Estado 113
122 No dia 24 de janeiro de 1971, o prefeito Paulo Maluf inaugurou o elevado. Em letras garrafais, esta foi a matéria decapa do jornal Folha de São Paulo, com a seguinte manchete: O prefeito inaugura hoje a grande Via Elevada, o texto diz o seguinte: Os técnicos e operários que construíram em 420 dias a Via Elevada Presidente Arthur da Costa e Silva poderão hoje, finalmente, chegar um pouco mais tarde ao local da obra: ela será inaugurada às 10h30 pelo prefeito Paulo Maluf, dentro das comemorações pelo 417º aniversário de São Paulo. Integrado ao trânsito da cidade, o elevado forma o elo da ligação Leste- Oeste, interligando a praça Roosevelt ao largo Padre Péricles, numa distância de quase quatro quilômetros. Esse percurso poderá agora ser feito em três minutos, dez vezes menos do que pelos caminhos utilizados até ontem. A obra custou 40 milhões de cruzeiros. O que representa o Elevado para São Paulo, seu gigantismo inigualado na América Latina, o esforço que permitiu construí- lo em pouco mais de um ano, todas as vias de acesso e as modificações feitas no trânsito [...] (FSP, 24/01/1971) Fig. 95 Reportagem sobre a via elevada no jornal FSP em 24/01/1971. Fonte: Acervo Folha O jornal OESP publica, dois dias depois, no dia 26 de janeiro de 1971, a seguinte reportagem : Minhocão aberto, sem repercussão esperada, que dizia: Sem a repercussão que esperava conseguir mediante intensa e caríssima propaganda feita em jornais, rádio e televisão, o prefeito inaugurou anteontem o Minhocão, obra que considera a sua maior realização. A manhã de sol no domingo, bastante convidativa a passeios, não conseguiu fazer da inauguração uma grande festa, fato comprovado pela pequena afluência do povo à solenidade. [...] (OESP, 26/01/1971) 114
123 E, na mesma página, com outra chamada: Já começou com congestionamento. A revista Veja, na já citada edição 125, de 27 de janeiro de 1971, também descreve a inauguração do elevado e outras obras do prefeito: Ao tomar posse no início de 1969, Paulo Salim Maluf recebia uma estimulante herança. Eu não sou um político, mas sim um técnico, disse ele. E sua administração tem sido a mais profícua em obras na história da cidade. Além do discutido elevado Costa e Silva, que faz parte de um amplo esquema de vias ligando o oeste ao leste da cidade sem cruzamentos (inaugurado no último domingo), Maluf ordenou a execução de vinte viadutos, muitas pontes e passagens inferiores para pedestres, reformou avenidas, alargou ruas e iniciou um vasto processo de asfaltamento de todo São Paulo (VEJA, 27/02/1971) Uma análise que sintetiza bem o que ocorreu depois da implantação do Minhocão foi feita por Renato Anelli e Alexandre Rodrigues Seixas, em 2008, onde lemos: O maior impacto do Minhocão, contudo, não foi o da forma de sua estrutura, mas o de suas proporções na calha viária. No trecho das avenidas São João e General Olímpio da Silveira, o elevado situa- se a poucos metros das janelas dos apartamentos. Com sua vida doméstica devassada e níveis intoleráveis de poluição, os moradores que puderam se mudaram. Em poucos anos, os edifícios perderam seu perfil de classe média, passando a ser ocupados por moradores de baixa renda. Com pouca manutenção e adaptados ao novo perfil dos moradores, a sofisticada arquitetura dos edifícios ao longo do elevado se deteriorou esteticamente. (ANELLI; SEIXAS, 2008, p.68-70) Fig. 96 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 26/01/1971. Fonte: Acervo Estado 115
124 O Minhocão foi construído em tempo recorde e mudou radicalmente a qualidade ambiental da região. Transformou por completo todos os arredores de sua linha cerca de um ou dois quarteirões paralelos (sentido norte e sentido sul). Expulsou através dos anos os moradores antigos e descaracterizou uma das avenidas mais belas da cidade. A recuperação da área atingida, para o senso comum, vem acompanhada de uma espécie de nostalgia por uma região que possuía, ainda nos anos 1960, casarões na rua Amaral Gurgel, hotéis de luxo e edifícios modernos na Avenida São João e algumas praças aprazíveis ainda possíveis em uma cidade com 3 milhões de habitantes, como era São Paulo daquela época. Porém, quando foi instalado, o Minhocão fazia parte de um processo mais amplo e gradativo de abandono das áreas centrais da cidade, que ia muito além de seu próprio traçado. A desvalorização imobiliária da região central provocou a ocupação dessas áreas por uma população de renda mais baixa e por serviços e negócios populares. Pode- se afirmar, desse modo, que a via elevada apenas colaborou com o aumento da tendência de fuga das habitações e dos serviços mais nobres instalados na região central da cidade para os bairros novos. (ARTIGAS; MELLO; CASTRO, 2008, p.79) Fig. 97 Corte em perspectiva do elevado, Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Através de imagens da época (páginas seguintes), serão analisadas as consequências do impacto da construção nas ruas e edifícios importantes dessa região, mostrando a fratura que esse rodoviarismo agressivo expôs. Na sequência, desenhos do projeto e fotos da construção: 116
125 Fig. 98 Planta do conjunto e corte típico, Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 99 Perspectiva do projeto original, 1969 (trecho sobre Largo do Arouche). Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) 117
126 Fig. 100 Perspectiva do projeto original, 1969 (trecho sobre Praça Marechal Deodoro). Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) 118 Fig. 101 Perspectiva do projeto original, 1969 (rampa de acesso da Av. São João). Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP)
127 Fig. 102 Perspectiva do projeto original linha completa do elevado. Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) 119
128 Fig. 103 Perspectiva do projeto original, Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 104 Perspectiva do projeto original, 1969 (acessos da Praça Padre Péricles). Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) 120
129 Fig. 105 Esquema construtivo do projeto original. Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 106 Planta e cortes da estrutura do elevado, Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) 121
130 Fotos da construção Trecho 1: Rua Amaral Gurgel Largo do Arouche Santa Cecília Fig. 107 Foto da Rua Amaral Gurgel, Fonte: Arquivo da PMSP 122 Fig. 108 Foto da Rua Rua Amaral Gurgel, Fonte: Arquivo da PMSP
131 Fig. 109 (esq.) Vista aérea da Rua Amaral Gurgel, Fonte: Arquivo da PMSP Fig.110 (dir.) Vista aérea da Rua Amaral Gurgel, Fonte: Arquivo da PMSP 123
132 Fig. 111 (esq.) Vista aérea Sta. Cecília- São João, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 112 (dir.) Vista aérea Sta. Cecília- São João, Fonte: Arquivo da PMSP 124
133 Fotos da construção Trecho 2: Avenida São João Fig. 113 (esq.) Foto da Av. São João sem o elevado, anos Fonte: (Fonte: Fig. 114 (dir.) Vista aérea Av. São João sem o elevado, Fonte: Arquivo da PMSP 125
134 Fig. 115 (esq.) Foto da Avenida São João e o início da construção do elevado, fim de Fonte: Folhapress Fig. 116 (centro) Foto da Avenida São João e da construção do elevado, meados de Fonte: Folhapress Fig. 117 (dir.) Foto da Avenida São João e da finalização da construção do elevado, início de Fonte: Folhapress 126
135 Fotos da construção Trecho 3: Praça Marechal Deodoro Fig. 118 (esq.) Vista da da Praça Marechal Deodoro, Fonte: Folhapress Fig. 119 (dir.) Vista da região da Praça Marechal Deodoro antes da construção do elevado, anos Fonte: Arquivo da PMSP 127
136 Fig. 120 (esq.) Vista da região da Praça Marechal Deodoro no início da construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 121 (dir.) Vista da região da Praça Marechal Deodoro durante a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP 128
137 Fig. 122 (esq.) Vista da região da Praça Marechal Deodoro durante a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 123 (dir.) Vista da região da Praça Marechal Deodoro após a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP 129
138 Fotos da construção Trecho 4: Avenida General Olimpio da Silveira Largo Padre Péricles Fig. 124 (esq.) Vista da região da Av. General Olimpio da Silveira durante a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 125 (dir.) Vista da região da Av. General Olimpio da Silveira após a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP 130
139 Fig. 126 (esq.) Vista da região p Lardo do Padre Péricles durante a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 127 (dir.) Foto da região da Av. General Olimpio da Silveira durante a construção do elevado, Fonte: Folhapress Abaixo: Eixo completo da Avenida São João antes da construção do Minhocão 131
140 Fig. 128 Cartão postal com o eixo da Av. São João (a dir. Cine Santa Cecília) anos Fonte: http- // da- moda/fotos- da- sao- paulo- antiga- homenagem- ao- aniversario- da- cidade/ 132 Fig. 129 Cartão postal com o eixo da Av. São João, Fonte: Fonte:
141 Fig. 130 Propaganda da Hidroservice vinculada no dia da inauguração do elevado em 24/01/1971 com dados da obra. Fonte: Arquivo Estado 133
142 2.2. A mutação da paisagem e a transformação da sociedade A Avenida São João foi a principal avenida da cidade durante pelo menos trinta anos entre a década de 1930 e 1950 quando fora palco dos principais cinemas, restaurantes, hotéis e festejos da cidade. Porém, desde o início da década de 1960, vinha sofrendo a concorrência da Avenida Paulista que atraía cada vez mais o setor imobiliário, as sedes das grandes companhias, e também a população de classe média. Foi um processo de desvalorização imobiliária e de transformação social popularização que se acelerou com a construção do Elevado Costa e Silva, entre 1969 e 1971, e a partir daí podemos identificar essa transformação como degradação da paisagem urbana, devido ao abandono de edifícios e à mudança no comércio da avenida, que antes possuía lojas com comércio diversificado e, depois, passou a ter lojas de móveis velhos e brechós de roupas usadas. O alargamento da Rua Amaral Gurgel foi concluído em 1966, na gestão do prefeito Faria Lima ( ), sendo assim, passou de uma rua estreita da Vila Buarque a trecho oeste da Segunda Avenida de Irradiação, ou Nova Avenida Perimetral. Atualmente, a Amaral Gurgel é o limite oeste da Operação Urbana Centro (1997). Neste capítulo, será mostrada a transformação dessas duas vias e arredores a partir da construção do Minhocão, tomando como base os registros históricos em alguns livros, artigos e, principalmente, jornais e revistas; a transformação social, culminando com o esvaziamento 134
143 populacional nas décadas de 1980 e 1990, nesta dissertação identificada como período de degradação máxima (ou popularmente chamando de fundo do poço ), até o recente crescimento populacional, a partir do início dos anos A princípio, esse retorno da população aos arredores do Minhocão se dá por artistas e jovens descolados (que buscando espaços amplos, acessíveis e aluguéis com valores baixos, passam a residir e trabalhar no mesmo espaço), mas, como será descrito no capítulo 3, percebe- se que existe uma mudança dos interessados na área que se inicia com os jovens e passa a atrair famílias (casais com filhos pequenos) e investidores (que lucram posteriormente com aluguéis ou revenda, aproveitando a valorização da área). Esse processo de resiliência e resistência se dá ao longo dos 45 anos do Minhocão, mas se intensifica nos últimos 15 anos. Um dos graves problemas sociais das grandes cidades no Brasil é a quantidade de pessoas em situação de rua (moradoras de rua, mendigos), que, pelos mais variados motivos, sendo um deles a falta de opção e oportunidade de trabalho, acabam sobrevivendo como nômades urbanos, indigentes repelidos pela sociedade. Essa situação já era grave na cidade de São Paulo no início dos anos 1970, devido ao crescimento populacional explosivo, e, durante a construção do Minhocão, já era relatada nos jornais como uma das prováveis consequências de ocupação dos seus baixios 12 (sob a proteção da sua sombra como acontece em áreas que protejam das intempéries, seja viadutos ou marquises sobre calçadas). A reportagem do dia Como bem definiu o professor Igor Guatelli (FAU- Mackenzie) no seu livro Condensadores urbanos Baixio Viaduto do Café: Academia Cora_Garrido de
144 de janeiro de 1971, publicada pelo jornal OESP, dez dias antes da inauguração do elevado, já relatava essa situação (transcrita aqui, apesar da evidente xenofobia), e não apenas mendigos, como famílias inteiras que emigravam para a cidade: Marginalizados já se instalam no Minhocão. Dizia: A população marginalizada de São Paulo (a cada dia são mais 600, vindos do Interior e de outros Estados) já tem um novo endereço: baixos do Minhocão. A via elevada da avenida São João ainda nem está concluída e já há dezenas de famílias dormindo sob o teto de concreto, na maior promiscuidade. No dia da inauguração, eles certamente não estarão lá, porque serão recolhidos antes, como se faz nessas ocasiões [...] (OESP, 14/01/1971) Em 21 de maio de 1972, o jornal Folha de São Paulo publicou uma reportagem especial sobre a avenida São João, que, devido aos fatos narrados, foi aqui reproduzida integralmente, pois mostra bem as transformações da avenida naquele momento e de toda a área central, mas não cita o Minhocão: Velhice, uma doença que atinge também uma cidade. Fig. 131 Reportagem OESP em 14/01/1971. Fonte: Acervo Estado A velhice chega à cidade com a mesma inexorabilidade com que atinge o homem. Primeiro vem o comércio pequeno, redundante em ofertas. Em seguida surgem os bares congestionados por charutarias. Atrás, a queda imobiliária, que atrai firmas menos solidas, à procura de clientes para seus serviços. As escolas de danças populares, as academias de judô e halterofilismo e os pequenos laboratórios de fotografia seguem rapidamente a corrente. A avenida São João é hoje um retrato esmaecido dos anos em que os jornais mostravam sua paisagem para provar "a pujança da Pauliceia". A cidade vai rapidamente ultrapassando a 136
145 velha rua e caminhando em direção aos bairros. Quando os grandes cinemas das décadas de 40 e 50 se instalaram no centro, quase todos escolheram, como porto a avenida São João - como o Art Palácio, o Metro, o antigo cine Ritz, o Olido ou o extinto Rivoli. Os que não ficaram na própria avenida estavam perto, na Conselheiro Crispiniano (Marrocos), avenida Ipiranga (Marabá e Ipiranga), no largo do Paissandu (o antigo cine Bandeirantes - hoje cine Ouro - ou o próprio Paissandu). Hoje - menos de 30 anos após a chegada das primeiras grandes salas centrais - é possível entrar num cinema, em plena avenida São João, pagando apenas Cr$ 2,50 de ingresso - quase a metade de uma meia entrada, num cinema moderno da Zona Sul. E com direito a assistir a dois ou três filmes de uma só vez. No cine Saci, a poucos metros do Anhangabaú, estão em exibição "Django mata para viver" e "Um homem, um cavalo, uma pistola". As sessões começam às 9 horas de manhã, quando no edifício ao lado alguns jovens entram para suas aulas - é o Conservatório Dramático e Musical, onde Mario de Andrade foi professor, no período mais vivo da São João. A decadência da avenida poderia, mesmo, ser prevista no fim da década de 50 quando começaram a surgir grandes conjuntos de escritórios na avenida Paulista. Segundo Hans Blumenfeld, conferencista da Universidade de Toronto, Canadá, em toda metrópole o crescimento obedece a forças centrifugas: as zonas de importância comercial, e empresarial tendem caminhar para os bairros, enquanto o centro tradicional vai sofrendo um esvaziamento progressivo, até se deteriorar. No Exterior, a população mais humilde fixa- se nas áreas mais centrais, enquanto as classes mais abastadas partem para a periferia. Em São Paulo, onde as classes média e alta se fixaram sempre nas zonas Sul e Oeste, a população de menor poder aquisitivo encontrou boas áreas residenciais nas Zonas Leste e Norte - o que talvez explicou o não- aparecimento de verdadeiros "guetos" dentro do centro. A deterioração da avenida São João é, também, a deterioração de quase todo o centro tradicional; mesmo os grandes escritórios, que costumam permanecer na área mais central, vão transformando a avenida Paulista no novo foco de concentração paulistana. Para chegar à São João, contudo, a decadência demorou 30 anos. Começou invadindo a rua Direita, por onde passeavam as mulheres elegantes da cidade na década de 40. Quando o Mappin se transferiu para o outro lado do viaduto a praça Ramos de Azevedo, apesar das reclamações Fig. 132 Reportagem FSP em 21/05/1972. Fonte: Acervo Folha 137
146 das paulistanas de então, todo o centro nobre estava também começando a se transferir. A Barão de Itapetininga tornou- se o centro nobre da cidade 20 anos após a rua Direita - e atingiu o apogeu na década de 50, quando o quadrilátero Sete de Abril/Ipiranga/24 de Maio/Praça Ramos foi tomado pelos consultórios médicos e lojas elegantes. Mas a decadência - que se espalhou por toda a região próxima à praça da Sé - iria invadir também aquele retângulo privilegiado. Escolheu como caminho a São João. Primeiro até o Anhangabaú, depois até o largo do Paissandu, e nos últimos anos até a Duque de Caxias. No começo do século, a estreita rua São João foi transformada numa grande avenida - a maior de São Paulo - apesar das críticas de muitos paulistanos, que não viam sentido em demolir tantas casas para abrir uma avenida tão exageradamente larga, mesmo considerando que ela era toda arborizada. Hoje, ao longo de suas calçadas desfilam vendedores de espetinhos de churrasco, são expostas fotos de vedetes de rebolado - também em crise na cidade -, prateleiras de discos, pequenas livrarias, restaurantes grandes e pequenos, alguns ainda vivos graças à nostalgia paulistana. Caminho da decadência do centro tradicional a São João cai levando junto todo o centro tradicional, para o qual foi criada: muitos médicos já saíram das ruas Marconi, Xavier de Toledo e Sete de Abril para o Paraiso. As novas empresas de serviço instalam- se nos "Jardins". Lojas elegantes transferem- se para a região da Paulista e da avenida Faria Lima. E muitas empresas e profissionais que ainda permanecem no centro já estudam sua retirada. (FSP, 21/05/1972) Em 10 de julho de 1974, o mesmo jornal publicou outra reportagem mostrando um cenário ainda pior na Avenida São João, com as mudanças que o Minhocão havia causado: Avenida é sepultada pelo tempo e pela depredação. Fig. 133 Reportagem FSP em 10/07/1974. Fonte: Acervo Folha [...] Os arquitetos norte- americanos e ingleses têm uma inflexível teoria a respeito de pistas elevadas. Acham que um elevado representa sempre a morte 138
147 da via que está por baixo e a consequente desvalorização imobiliária da área que corta. Se essa teoria é válida em todos os casos é difícil afirmar- se. Mas, no caso da avenida São João, tem exatidão matemática. A partir da inauguração do elevado, temos duas avenidas São João, como nos disse Isabel Gonçalves Figueiredo, moradora da rua Apa, 271: A avenida que pega sol, iniciando na rua Ana Cintra pra lá; e a que fica na sombra, que é este lado daqui, até a praça Deodoro. [...] Depois de afirmar que seu problema é igual ao de muita gente que tem imóveis perto do elevado, [...] só existe comércio de bares e restaurantes populares, casas de consertos de geladeiras e televisores, algumas pequenas oficinas e lojas de peças de automóveis. Nenhum outro negócio pode florescer aqui diz ela. Ninguém passa mais por aqui, a não ser automóvel ou ônibus. De noite isto está virando uma autêntica área de prostituição. Muitos edifícios, inclusive, se transformaram em cabeças- de- porco e firmas conceituadas terminaram fechando as portas [...] (FSP, 10/07/1974) Em 1976, devido à rápida transformação da região, arquitetos e urbanistas já propunham sua demolição baseando- se em casos similares que aconteceram em outros países. Na reportagem publicada no jornal OESP, no dia 07 de novembro de 1976, lê- se a manchete: Urbanistas defendem o fim do Minhocão, com os seguintes destaques: [...] um local que carrega um elevado como o Minhocão considerado por urbanistas como o francês Pierre Vago [...] como uma das grandes monstruosidades arquitetônicas da cidade. Alguns urbanistas acham que a forma quase infalível de recuperar a São João fazendo- a voltar ao que era antes um lugar agradável, ponto de encontro da população da cidade é derrubar o elevado Costa e Silva, e apagar todos os vestígios de sua existência. [...] Como Paulo Mendes da Rocha, que sugere uma série de pequenas medidas, capazes não apenas de fazer ressurgir a antiga feição da São João, ponto de encontro da aristocracia do café e mais tarde dos play- boys da cidade mas de reforçar o Fig. 134 Reportagem OESP em 07/11/1976. Fonte: Acervo Estado 139
148 caráter que ela assume atualmente, com suas formas características de diversão popular.[...] No projeto hipotético, Mendes da Rocha alargaria as calçadas que hoje vivem superlotadas, restringindo a passagem de automóveis e diminuindo a entrada dos ônibus[...] e mudaria as características de tráfego para que o lugar valorizado se transformasse de uma passagem ao local de acesso de outrora. A São João tem tudo para ser grande centro noturno de lazer [...] A Broadway popular paulista prenunciada por Paulo Mendes da Rocha é um velho sonho de alguns comerciantes da avenida preocupados com a crescente transformação de suas características originais. [...] PMR até brinca e arrisca uma sugestão mais arrojada: Poderíamos aproveitar a nossa tecnologia em implosões e aplica- la num dos maiores monstrengos que essa cidade já conheceu [...] E os bons tempos que começaram na década de 20, quando São Paulo conhecia os primeiros bondes terminaram, sem dia marcado, no início dos anos 60 a avenida tinha sido superada pela rua Augusta e os jovens endinheirados transferiam suas festas e corriam para outros pontos da cidade [...] (OESP, 07/11/1976) Fig. 135 Reportagem OESP em 23/12/1976. Fonte: Acervo Estado 140 Na segunda quinzena de janeiro de 1977, na administração Olavo Setúbal, o DSV (Departamento do Sistema Viário) passa a fechar o Minhocão todas as noites de uma (01h00) às cinco horas da manhã (05h00). Hoje essa responsabilidade está a cargo da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), fundada em Conforme reportagem no jornal OESP, em 23 de dezembro de 1976: DSV fecha o Minhocão à noite em janeiro. Além de comunicar a implantação de faixa exclusiva de ônibus na Avenida São João. O DSV confirmou o fechamento do Elevado Costa e Silva a noite na segunda quinzena de janeiro em virtude do número reduzido de veículos que circulam de madrugada pelo viaduto. Em princípio os acessos e saídas do elevado serão bloqueados a partir da uma as 5 da manhã e numa segunda etapa o horário poderá ser ampliado das 22 as 6 horas. Ao mesmo tempo, a avenida São João terá faixas exclusivas de ônibus a exemplo da avenida Paulista, Brigadeiro Luís
149 Antônio, Consolação e Radial Leste. De dia, portanto, os carros continuarão a circular no Minhocão, enquanto a São João dará prioridade aos transportes coletivos. [...] Só o prefeito Olavo Setúbal preferiu não fazer qualquer comentário a respeito, embora tenha autorizado o prosseguimento dos estudos do DSV. Setúbal tem receio de criticar publicamente a construção do Elevado e, com isso, magoar o ex- prefeito Paulo Salim Maluf que autorizou a construção do viaduto. (OESP, 23/12/1976) Quase dez anos depois da construção, em 18 de agosto de 1980, foi publicada, no jornal Folha de São Paulo (FSP), outra reportagem retratando a decadência da Avenida São João: A decadência da avenida, com o subtítulo: O elevado deteriorou a São João e nem é mais alternativa de acesso. O texto relata, em resumo: Quase dez anos depois da sua construção, o [...] Minhocão, não pode nem mesmo ser considerado como uma alternativa de acesso para a região Oeste conforme projeto inicial porque sua capacidade de tráfego está saturada. E, se na época da inauguração os moradores já previam a desvalorização de seus imóveis, [...] hoje eles têm a certeza de que por muito tempo terão de conviver com os inúmeros problemas característicos daquela área [...]. Nem mesmo a paliativa medida de fechamento ao tráfego da meia- noite às 5 horas, tomada [...] há três anos, conseguiu aliviar os problemas que afligem os moradores, cujos imóveis foram desvalorizados em até 40% [...] (FSP, 18/08/1980) Fig. 136 Reportagem FSP em 18/08/1980. Fonte: Acervo Folha A reportagem também relembra as críticas feitas, ainda em 1969, antes da construção, por especialistas e urbanistas, que alertavam os danos que uma obra desse porte poderia causar no entorno. Inclusive usando exemplos de outras cidades no mundo que no mesmo período já estavam demolindo obras viárias daquele porte. 141
150 Mas, a reportagem mostra um dado relevante, positivo pelo ponto de vista social, e que deveria ser analisado caso alguma iniciativa de reurbanização seja proposta naquela área: [...] se de um lado o Minhocão trouxe grandes prejuízos aos proprietários de imóveis, de outro chegou a beneficiar a faixa da população de baixo poder aquisitivo que, depois de sua construção, teve oportunidade de morar relativamente bem se comparando aos cortiços onde viviam num apartamento próximo do Centro, a preços acessíveis. (FSP, 18/08/1980) Naquele momento, em 1980, a administração estava sob o comando de Reynaldo de Barros ( ), indicado e nomeado pelo então governador Paulo Salim Maluf ( ), que em conjunto pretendiam construir um novo elevado sobre o rio Tamanduateí (e que de fato foi construído). Na mesma reportagem da FSP, foi feito novo alerta: Para o arquiteto Benedito Lima de Toledo, especialista em preservação de bens culturais e professor da FAU, o mesmo erro cometido pelo poder público ao construir o elevado Costa e Silva vai ser repetido agora com a execução do tampão sobre o rio Tamanduateí, que como o Minhocão será como um castigo para a cidade, pois em vez de destruírem uma avenida vão destruir um rio. Lima de Toledo não vê outra solução senão a demolição do elevado Costa e Silva para devolver um pouco da característica urbana da região roubada pelo poder público. A sua estrutura é tão opressora diz que não há outra alternativa [...]. (FSP, 18/08/1980) 142
151 A administração do prefeito Reynaldo de Barros, a exemplo do governador que o indicou, deu prioridade às obras viárias, em detrimento aos investimentos em reformas urbanas feitas na região central por seu antecessor, o prefeito Olavo Setúbal ( ) que havia implantado os calçadões e promovido a reforma e restauração do edifício Martinelli. Na mesma data, em reportagem complementar, a FSP mostra a situação naquele momento da Avenida São João, com o título Sem planos para recuperação. [...] Se antes do elevado a avenida São João podia ser considerada uma região razoavelmente boa para se morar, devido a sua proximidade do centro e da tradicional avenida Angélica, atualmente os urbanistas classificam seus prédios como verdadeiros cortiços, com roupas dependuradas nas janelas dos apartamentos, um grande número de bares, lojas de móveis usados, pequenos salões de beleza e academias de ginástica ocupando os primeiros andares. (FSP, 18/08/1980) Esse primeiro período de 10 anos após a construção do Minhocão pode ser identificado, através da análise de reportagens e artigos, como o período de absorção do impacto, em que ocorre: a substituição da população moradora original, de classe média, por uma população mais pobre; o abandono/esvaziamento de diversos prédios em contradição ao encortiçamento de grande parte dos edifícios, que acaba mantendo a população da região no mesmo patamar que estava em 1970; e o esquecimento por parte do poder público e do mercado, respectivamente, ao não adotar nenhuma medida mitigatória nesse período (a não ser o 143
152 fechamento aos veículos, da meia noite às cinco horas da manhã) e ao abandonar, aos poucos, toda a região central, de maneira mais abrupta, os arredores do Minhocão, por conta das novas áreas de especulação/atração de novas construções. A década seguinte entre será ainda mais nebulosa (que nomeamos neste estudo de degradação continua ), já que os problemas e preocupações dos especialistas pela área do elevado simplesmente desaparecem da imprensa. As notícias sobre o Minhocão serão sempre de caráter deploratório, em páginas policiais. A exceção se dará pela tentativa de mitigação, por parte do Estado, ao construir e inaugurar duas estações do metrô (Santa Cecília em 1983 e Marechal Deodoro em 1988), e pela iniciativa da prefeitura de ampliar o período de fechamento aos veículos, todos os dias, das 21h30 às 6h30 da manhã (aos domingos e feriados, o dia todo), em A construção de linhas de metrô na cidade de São Paulo começou com grande atraso em relação a outras metrópoles do mundo, por causa da opção política de priorizar o transporte coletivo por ônibus e pela expansão de avenidas para absorver o tráfego de veículos particulares, cada vez mais crescente. Apesar dos estudos feitos pela Light, nos anos 1920 (a empresa foi detentora de todo sistema de bondes na primeira metade do século XX), para a implantação de um sistema de transporte de alta capacidade sobre trilhos, o Plano de Avenidas, publicado em 1930, por Prestes Maia, priorizou a construção de um sistema radial- concêntrico de avenidas a serem abertas na cidade e deixou de lado a construção do Metropolitano. 144
153 Somente em novo estudo publicado em meados dos anos 1950 com a cidade três vezes mais populosa do que em 1930 é que o próprio Prestes Maia, como consultor, sugere a implantação de linhas de metrô em apoio as novas avenidas que seriam abertas na cidade. A Companhia do Metropolitano de São Paulo, empresa municipal, só seria inaugurada em 1968, no governo Faria Lima. A primeira linha a antiga Norte- Sul, atual Linha Azul com 17 quilômetros, foi inaugurada parcialmente em 1974 e, posteriormente, de forma total em 1978, com a estação Sé integrando- se à segunda linha do sistema a antiga Leste- Oeste, atual Linha Vermelha. A inauguração da segunda linha não foi feita por completo, e sim estação por estação. A empresa havia passado para o controle do governo do Estado, em O primeiro trecho sentido leste, até a estação Brás é inaugurado em 1979 e seu segundo trecho sentido oeste, até a estação República, em 1982). Em 1983 é inaugurada a estação Santa Cecília do metrô. Para a sua implantação foram desapropriados e derrubados diversos imóveis no quarteirão formado entre as ruas Sebastião Pereira e Frederico Steidel (mesma quadra que o Minhocão, em 1970, já havia atravessado durante a sua construção). Neste interim, foi preservado o edifício Santa Cruz (Rua Sebastião Pereira, 98), projeto dos anos 1950 do arquiteto Jacques Pilon, mesmo este ficando isolado (ilhado) entre as pistas do elevado e a nova estação. A inauguração da estação do metrô acontece com diversos atrasos o que acabaria se tornando comum em relação à expansão do sistema metroviário nas décadas seguintes. O Brasil 145
154 passava por grave recessão no início da década de 1980, e o governo federal, que colaborava com parte do financiamento das obras, começa a limitar esses investimentos. O governo do Estado, novo detentor da Companhia do Metropolitano, fica com a responsabilidade pela implantação de novas linhas e estações. Como resultado da derrubada dos imóveis e da implantação da nova estação, surgiu uma nova praça entre o Minhocão, a rua Ana Cintra e o largo da Igreja de Santa Cecília, compondo uma área reurbanizada com mais de quatro mil mudas de árvores e arbustos (OESP, 09/12/1983). Em reportagem publicada em destaque no dia 09 de dezembro de 1983, o jornal OESP anuncia a inauguração da estação com a seguinte manchete: O último teste na estação Santa Cecília. Em reportagem menor, na mesma página, é noticiado o ritmo lento das obras que interditou a Rua das Palmeiras durante anos, prejudicando o comércio e o acesso aos edifícios nessa importante via paralela ao Minhocão: Quatro anos, e a linha só avança 700 metros. A distância entre as estações República (inaugurada em 24 de abril do ano passado) e Santa Cecília (a ser entregue amanhã) é de apenas 700 metros [...] O ritmo das obras, porém, acaba sendo um contraste com a rapidez do trem: já são mais de quatro anos de trabalho instável, muitas promessas de políticos e constantes adiamentos. Mesmo com a festa da inauguração da estação Santa Cecília, pelo governo do PMDB, um ano e sete meses e meio (595 dias) depois da entrega da estação República pelo governo do PDS, o último trecho da rua das Palmeiras permanecerá interditado até abril para o encerramento das obras de uma parte do túnel. [...] Quatro prefeitos e três governadores depois, surge uma Fig. 137 Reportagem OESP em 09/12/1983. Fonte: Acervo Estado 146
155 nova festa perto da praça da República, desta vez no largo de Santa Cecília, que mostra outra imagem e certa esperança de reação. De abril de 82 a dezembro de 83, aqueles 700 metros de obras multigovernamentais tiveram visitas dos prefeitos Reynaldo de Barros, Antonio Salim Curiati, Altino Lima e Mario Covas e dos governadores Paulo Maluf, José Maria Marin e Franco Montoro. (OESP, 09/12/1983) Somente em dezembro de 1988, a estação Marechal Deodoro foi inaugurada. Em reportagem publicada no dia 24 de agosto de 1984, o jornal FSP descreve a reação dos moradores e comerciantes da área onde seria construída a estação Marechal Deodoro, mostrando um cenário ainda preservado que não tinha sido afetado pela construção do Minhocão, mas que chegaria ao fim com a ampliação do metrô: Tristeza toma conta da Marechal Deodoro. Fig. 138 Reportagem FSP em 24/08/1984. Fonte: Acervo Folha Nove degraus que separam a entrada da Vila Virgínia, no nº 383 da praça Marechal Deodoro, do trânsito movimentado da avenida São João e do elevado Costa e Silva, parecem funcionar como uma máquina do tempo. Basta subi- los para encontrar um incrível oásis de tranquilidade, onde o silêncio é quebrado apenas pelo canto dos passarinhos [...] e pelas alegres brincadeiras [...] entre as crianças. Esse pequeno paraíso, entretanto, deverá desaparecer até o final deste ano, se os planos da Companhia do Metrô derem certo. A vila, junto com todos os imóveis que dão frente para a praça Marechal até a esquina com a rua Albuquerque Lins, foram declarados de utilidade pública para fins de desapropriação em 1979, para dar lugar à estação Marechal Deodoro [...] Para que possa surgir a estação, com seu moderno shopping center, jardim interno, conjunto habitacional e edifício para fins comerciais, São Paulo perderá duas tradicionais sorveterias, famosas em toda a cidade: a Casa Whisky, fundada há mais de 60 anos, e a Santa Cândida, que há 40 anos vende sorvetes cobertos 147
156 com creme chantilly batido na hora. [...] José Gonçalves [...] pretende reabrir a Casa Whisky em outro ponto, talvez nos jardins. Estão me expulsando; para cá não volto mais, afirma. (FSP, 24/08/1984) Em 11 de outubro de 1984, dois meses depois, o jornal OESP confirma o início da construção: Metrô já trabalha na Marechal : Começaram ontem as sondagens na praça Marechal Deodoro e a demolição de uma área de aproximadamente oito mil metros quadrados junto à rua Albuquerque Lins. Foram cinco anos de interdições de vias nas suas redondezas. A Praça Marechal Deodoro funcionou como canteiro de obras do metrô e ficou fechada por tapumes por quatro anos, entre 1984 e 1988 (OESP, 10/08/1988). A região que tinha passado (e passava) por processo de degradação intensa a partir da construção do Minhocão, treze anos antes, teve que conviver com o ritmo lento de construção do trecho entre a estação Santa Cecília e a Barra Funda. Fig. 139 Reportagem OESP em 11/10/1984. Fonte: Acervo Estado Foram quatro anos de inferno. Teve gente que não aguentou e morreu, como a vizinha do lado, martirizada pelo bate- estacas. Perdi clientes e tive que mudar o ramo do negócio para sobreviver. Em vez de sorvetes, passei a servir bebida no balcão, e consegui juntar um dinheirinho. Agora, espero que a inauguração seja rápida, para compensar quem apostou no futuro do lugar, afirma Nicolassa Lopes, da Casa Rosardi. (OESP, 10/08/1988) 148 Em 24 de novembro de 1989, a prefeita Luiza Erundina amplia o horário de restrição aos veículos no Minhocão, que passa a ser das 21h30 às 6h30 da manhã, todos os dias da semana.
157 Técnicos do DSV estudam a possibilidade de interditar o elevado nos fins de semana, a partir das 15 horas do sábado (OESP, 24/11/1989). Essa restrição só seria implantada 26 anos depois, em junho de 2015, pelo prefeito Fernando Haddad. Em 1991 o Minhocão volta a aparecer no noticiário com a comemoração de vinte anos de sua inauguração. Vinte anos depois, o Minhocão ainda divide a Cidade, noticia o jornal OESP em 20 de janeiro de Relata o processo de projeto e implantação do elevado, e em seguida continua: Os atuais críticos reclamam de sua monstruosidade e defendem a sua demolição [...] Como 99% da população, não gosto, garante o arquiteto Carlos Bratke. É uma obra de violência. Visualmente é extremamente desagradável, pois, além de ser plasticamente feia, é muito mal- cuidada, acrescenta o arquiteto Maurício Kogan. [...] Há outras ideias, algumas radicais, de transformá- lo num enorme jardim suspenso, outras simplórias, de construir acostamentos. (OESP, 20/01/1991) Ao lado, numa reportagem menor, uma notícia que, alguns anos antes, causaria estranheza, e que foi se reforçando nos 25 anos seguintes, com a seguinte manchete: Moradores são contra demolição. A ideia de transformá- lo em parque suspenso surgiu quatro anos antes, em 1987, quando o arquiteto Pitanga do Amparo desenvolveu um estudo, com diversas imagens publicadas, convertendo a via elevada num grande parque linear, muito anterior ao High Line de Nova York, iniciado em 2006 e entregue ao público em 2009, e até anterior à implantação do Fig. 140 Reportagem OESP em 24/11/1989. Fonte: Acervo Estado 149
158 Promenade Plantée, em Paris, finalizado em 1994 (em relação a este último, os primeiros estudos surgiram ainda em 1979). O estudo de Pitanga do Amparo criava um parque suspenso que dividiria seu espaço com um corredor de ônibus eletrificado com rede aérea Veículo Leve Sobre Pneus (VLP). Os prédios defronte ao elevado teriam sua cota de térreo elevadas ao segundo ou terceiros pavimentos, para acessar o parque através de passarelas a serem criadas (ver estudos que discutem o futuro do Minhocão, mais detalhados na conclusão desta dissertação). Em 1992, pela primeira vez desde a construção do elevado, foi anunciada a construção de um edifício em frente ao Minhocão. Mercado redescobre área do Minhocão: o Edifício Avant Place Downtown da Encol é lançado na região, com implantação cuidadosa para conviver bem com o elevado. Fig. 141 Reportagem OESP em 20/01/1991. Fonte: Acervo Estado Porém, apesar da tentativa de renascimento do mercado imobiliário na região central no início da década de 1990, incentivado, principalmente, pelo governo Luiza Erundina ( ), que tornou a recuperação da região central uma das prioridades da sua administração, através da Operação Urbana Anhangabaú, da construção do Parque Anhangabaú (com a construção de túneis no lugar da antiga Avenida Prestes Maia) e, na região do elevado, através do aumento das restrições ao automóvel nas madrugadas e durante os domingos (quando ele passa a ser utilizado pelos moradores como um equipamento de lazer), esses novos elementos de atração não se convergiram em realidade no mercado de imóveis. O mercado só iria apostar novamente na área com lançamentos simultâneos e em considerável quantidade, a partir de Fig. 142 Reportagem OESP em 18/10/1992. Fonte: Acervo Estado 150
159 meados dos anos 2000 quando os números de lançamentos na região voltaram a competir com as outras regiões da cidade. O segundo governo de Paulo Maluf como prefeito de São Paulo, entre 1993 e 1996, novamente priorizou obras viárias, agora, principalmente, na zona sudoeste da cidade, seguindo os interesses do mercado. Nos anos 1990 a região da Avenida Luís Carlos Berrini já concentrava a maior parte dos novos lançamentos do mercado imobiliário e já atraía a maior parte das sedes de grandes companhias nacionais e multinacionais (WHITAKER FERREIRA, 2007). A abertura da Avenida Água Espraiada (atual Roberto Marinho), com a expulsão dos moradores da favela do Jardim Edite (narrada por Mariana Fix no seu livro Parceiros da Exclusão, de 2001), torna- se um dos maiores símbolos de seu governo. A região central, novamente, fica em segundo plano e só teria um novo estímulo em 1997 com a aprovação da lei número , que instituiu a Operação Urbana Centro, no governo de Celso Pitta ( ) que, a princípio, fracassa, e só atrairia o mercado cerca de uma década depois. Esse período, compreendido entre os anos de 1980 e 2000, identificamos neste estudo como período de contínuo decréscimo populacional quando a região central da cidade perde mais de 152 mil habitantes (região formada oficialmente, segundo a prefeitura do município, por 8 distritos: Bela Vista, Bom Retiro, Cambuci, Consolação, Liberdade, República, Santa Cecília e Sé). Deste total, cerca de 60 mil abandonaram os 3 distritos em estudo, onde está localizado o Minhocão (Consolação, República e Santa Cecília). Em 1980, segundo o IBGE, a população da região central somava 526 mil habitantes, e vinte anos depois, em 2000, diminuiu 151
160 para 374 mil habitantes. Os 3 distritos em estudo somavam 233 mil habitantes em 1980, e passam a ter pouco mais de 173 mil habitantes no ano Em 2001, trinta anos depois da inauguração, já na administração Marta Suplicy ( ), é lançado pela prefeitura o projeto Domingo no Minhocão, que incentivava o uso de lazer do elevado aos domingos. No dia 21 de outubro de 2001, é publicada, no jornal OESP, uma reportagem com a pergunta: Domingo no Minhocão. Quem se habilita?. Em seguida, o subtítulo em destaque: Começa hoje projeto que pretende tornar o elevado o maior pólo de lazer ao ar livre do centro. A expectativa dos organizadores é levar 6 mil pessoas ao Minhocão. Uma novidade que pode alterar a relação dos paulistanos com a via expressa. [...] No Domingo no Minhocão, o viaduto será dividido em alamedas (conjunto de barracas com artesanato, comidas, livros e flores), que vão se estender por quase 1 quilômetro, entre a Estação Santa Cecília e a Praça Marechal Deodoro. [...] Quem costuma praticar esportes sobre o elevado aos domingos dia em que ele fecha há 11 anos, para garantir sossego dos vizinhos terá a supervisão de monitores. (OESP, 21/10/2001) Em reportagem complementar, na mesma página, Com espetáculos e feira de arte, elevado vira festa, a iniciativa recebe apoio de alguns usuários que praticam esporte mas não são vizinhos do elevado e, principalmente, são relatadas críticas dos vizinhos que moram em frente ao elevado: Fig. 143 Reportagem OESP em 21/10/2001. Fonte: Acervo Estado 152
161 Se agrada a quem já usa o elevado como espaço de lazer, a criação do programa Domingo no Minhocão recebe críticas dos vizinhos do elevado. A barulheira começa cedo e é até pior que a dos carros diz Ricardo Laranjeira, de 33 anos. Quem quer lazer vai para o Parque da Água Branca. E o nosso sossego? Para Noêmia, a preocupação da Prefeitura deveria ser com os mendigos, que lotam as calçadas à noite, e [...] outra vizinha concorda: Só saio de casa sozinha até as 17 horas. Morro de medo, porque à noite fica cheio de moradores de rua na frente do meu prédio [...] (OESP, 21/10/2001) No mesmo ano, meses antes, outra notícia, que englobava o Centro todo da cidade, e mostrava um princípio de mudança de paradigma do mercado, pelo menos via mídia escrita, e que já estava se afirmando em parte da população (ou seria sentido nos anos posteriores), foi publicada: Centro da cidade concentra bons investimentos: Projetos de recuperação da área central de São Paulo transformam a região num negócio promissor, traz na capa do seu Caderno de Imóveis o jornal OESP do dia 08 de abril de Fig. 144 Reportagem OESP em 08/04/2001. Fonte: Acervo Estado O presidente da Associação Viva o Centro, entidade composta por empresários da região, Marco Antônio Ramos de Almeida, está confiante na nova administração municipal. A nova gestão demonstra uma seriedade muito grande e isso me dá esperança de que o Centro terá uma atenção especial, diz. [...] (OESP, 08/04/2001) Na primeira década do século XXI, entre os anos 2000 e 2010, depois de mais de 20 anos com decréscimo populacional, a região central volta a atrair novos moradores e ganha mais de 57 mil habitantes. Salta de 374 mil para 431 mil habitantes. Os 3 distritos em estudo têm um 153
162 acréscimo de cerca de 25 mil novos moradores, passando de 173 mil habitantes, em 2000, para 198 mil habitantes, em 2010 (ver quadro anexo). Isso reverte parte da perda histórica, de quase 60 mil habitantes, registrada nas duas décadas anteriores. Parte desse repovoamento se dá nos arredores do Minhocão, como será mostrado no próximo subcapítulo, que discutirá o renascimento dos lançamentos imobiliários na região. Inicialmente esse repovoamento se dá com a vinda de jovens, estudantes, artistas e profissionais liberais, e, atualmente, principalmente nos últimos 10 anos, a partir de 2006, com o retorno da classe média tanto de famílias de jovens recém- casados com filhos pequenos, como também de jovens solteiros e uma grande diversidade de tribos, que buscam uma região com toda infraestrutura instalada (principalmente de transportes, com metrô e corredor de ônibus que dispensa o uso diário do automóvel particular e o estresse causado pelo trânsito). Essa mudança social vem causando uma perceptível gentrificação da área já que os aluguéis aumentaram e afugentaram uma população mais vulnerável sem o apoio mitigador essencial do Estado. Sendo que parte dessa população teve que enfrentar os piores momentos no período de degradação contínua das décadas anteriores. Verticalização não significa adensamento populacional como bem definiu a professora Nadia Somekh (2014) nos seus estudos, nos últimos 30 anos. Porém, no caso dos lançamentos e construções da área do entorno do Elevado Costa e Silva, a maioria dos terrenos eram subutilizados geralmente estacionamentos, galpões, áreas vazias ou abandonadas. Ou seja, nestes casos, a verticalização trouxe adensamento, atendeu a uma demanda de jovens 154
163 Fig. 145: Quadro com os censos de 1980, 1991, 2000 e 2010 nos distritos centrais. Os distritos afetados pelo Minhocão são Santa Cecília, República e Consolação. Fonte: IBGE (característica da maioria dos novos moradores) que, em busca da proximidade com o centro histórico, na possibilidade de não depender mais de veículos particulares e do já saturado trânsito de São Paulo (já que a região é uma das mais bem equipadas pelo sistema de transportes da cidade, com corredores de ônibus e estações do metrô), acabaram se mudando para esses distritos centrais. Porém, em paralelo a essa chegada de novos moradores de classe média, muitos moradores que viveram e conviveram com uma região decadente, durante pelo menos 3 décadas ( ), acabaram sendo expulsos pelo aumento do aluguel na região (não é caso 155
164 isolado, já que este aumento do valor do metro quadrado foi verificado em praticamente toda cidade). Isso antes da discussão da transformação do Minhocão em parque, ou do seu desmonte, gerada, principalmente, pelo novo Plano Diretor de Ou seja, a gentrificação já está ocorrendo há pelo menos uma década, e medidas mitigatórias não foram tomadas pelo poder público. Em 18 de junho de 2006, é publicada, na capa do caderno de imóveis do jornal OESP, a reportagem: Com vista para o Minhocão e subtítulo com destaques aqui apontados pelo negrito: Morar perto do Elevado Costa e Silva é algo hoje impensável para muitos. Mas projetos de revitalização prometem modificar e valorizar a área. Construtoras já lançam empreendimentos. A reportagem especial saiu em três páginas, e, na página seguinte: Facilidades agradam a moradores Entorno do Minhocão está degradado, mas preços baixos e boa- infraestrutura são atrativos que compensam. E, logo abaixo, cita o concurso de ideias que estava sendo promovido pela prefeitura (o segundo Prêmio Prestes Maia): Prefeitura pretende revitalizar a área Projeto de transformação do Elevado deve ficar pronto até o fim do ano. E, na terceira página: Revitalização deve mexer com mercado Santa Cecília, Barra Funda e Campos Elíseos vão se valorizar quando obras mudarem a cara do Minhocão. Fig. 146 Reportagem OESP em 18/06/2006. Fonte: Acervo Estado Em 25 de fevereiro de 2007, com cabeçalho Revitalização do Centro, o jornal OESP publica na capa do caderno Cidades: Prédio novo no centro velho de SP Região do Largo do Arouche ganha 1º lançamento imobiliário em 20 anos; especialistas veem foco de expansão. Fig. 147 Reportagem OESP em 18/06/2006. Fonte: Acervo Estado 156
165 Especialistas do setor imobiliário e defensores da revitalização do centro não são muito precisos sobre o tempo que a região ficou à margem do mercado. Uns dizem 40 anos, outros 20. Mas todos concordam que o velho centro da capital pode se tornar um foco de expansão de condomínios residenciais caso esse lançamento obtenha êxito. (OESP, 25/02/2007) A Embraesp acompanha todos os lançamentos do mercado imobiliário paulistano desde Nos últimos 27 anos, foram registrados oito lançamentos na Sé e na República, porém seis retrofit (reforma e requalificação de prédios antigos), segundo Luiz Paulo Pompeia, diretor da entidade. (OESP, 25/02/2007) Fig. 148 Reportagem OESP em 18/06/2006. Fonte: Acervo Estado Em 07 de maio de 2010, na capa do caderno Metrópole, o jornal OESP publica: Sem prazo nem projeto, Kassab desengaveta ideia de demolir Minhocão, e o subtítulo: Quarto prefeito a tentar destruir o Elevado, ele também propõe derrubar o Terminal Barra Funda e enterrar linha do trem. Em 21 de agosto de 2011, no OESP, em seu Caderno de Imóveis: Risco marca aquisições em áreas de recuperação, e subtítulo: Imprevisível, a valorização de regiões degradadas pode não atender à expectativa. Em 18 de julho de 2012, é publicado no jornal OESP (às vésperas do início da campanha eleitoral para a prefeitura), no caderno Metrópole: Licitação fracassa e deixa mais longe fim do Minhocão, e subtítulo: Único consórcio interessado na Operação Urbana Lapa- Brás acabou desqualificado; Prefeitura cogita fazer projeto por conta própria. Fig. 149 Reportagem OESP em 25/02/2007. Fonte: Acervo Estado 157
166 Fig. 150 (esq.) Reportagem OESP em 07/05/2010. Fig. 151 (centro) - Reportagem OESP em 21/08/2011. Fig. 152 (dir.) - Reportagem OESP em 18/07/2012. Fonte: Acervo Estado 158
167 Trecho da entrevista da professora Regina Meyer, dada à jornalista Sonia Racy, no Caderno 2 do jornal OESP, em 07 de janeiro de 2013: O que o Minhocão representa para a cidade? Ai, meu Deus! É engraçado, o Minhocão ganhou um certo status e dado pelas pessoas. Não é incrível? Já fui em dois domingos lá. Fiquei impressionada como as pessoas usam o Minhocão. Está provado que derrubá- lo não é mais algo tão simples, que pode estar indo contra a corrente. Tem muita gente que é contra a demolição. Muita gente. Ali criou- se uma vida. Demolir o Minhocão já não tem, para mim, o mesmo peso que teve 10, 15 anos atrás quando eu achava que aquilo era um elemento corrosivo dentro da cidade. Ele ganhou status e é uma eloquente resposta que a população deu para a falta de espaço público. Quer dizer que... A gente entende mal o que o povo diz. As pessoas estão frequentando o Minhocão, mesmo com a falta de qualidade, mesmo sendo desagradável passear no asfalto, sem nenhuma vegetação. Tem mãe empurrando carrinho de bebê, crianças pedalando e pais montando piscinas para as crianças brincarem na água. Tudo ali em cima. A população se apropriou daquilo com mais facilidade do que se apropria de um lugar onde tem uma certa solenidade de projeto. (OESP, 07/01/2013) Em artigo publicado no caderno Aliás, em 14 de setembro de 2014, com opinião bem radical, André de Oliveira (jornalista?) escreve: Veia aberta de São Paulo É unanimidade: ninguém gosta do Minhocão. A discussão agora é o que fazer com o bicharoco, em que cita as opiniões de alguns arquitetos e urbanistas, começando pelo arquiteto Angelo Bucci: Fig. 153 Reportagem OESP em 07/01/2013. Fonte: Acervo Estado Se você pega a Avenida São João, vê que a via elevada preencheu também o interior dos apartamentos. Enfiaram a rua naquelas casas. E, abaixo, todo aquele trecho da cidade naufragou 4,5 metros, acabou virando um subsolo comenta o 159
168 arquiteto Angelo Bucci. [...] [o elevado] é uma bandeira do elogio ao transporte individual. (OESP, 14/09/2014) E continua, agora citando Guilherme Wisnik: Em 2006, defendi a demolição total. Achava que o Minhocão era um mal na cidade e deveria ser extirpado. Mas nos últimos oito anos muita coisa mudou. De 2010 para cá, principalmente, começou a ocorrer um movimento muito grande em prol dos espaços públicos, identificado na Virada Cultural, nas discussões geradas em torno da disputa pela Praça Roosevelt e no uso intenso do elevado como espaço de lazer aos domingos. Por isso, hoje defendo o parque, não necessariamente em toda a extensão da via, mas talvez em uma solução mista [...] Wisnik pondera que as cidades devem incorporar suas transformações e fazer dos erros artefatos interessantes, sem tentar restaurar uma coisa passada que já não existe. (OESP, 14/09/2014) Em contraponto, Angelo Bucci acredita que só o simbolismo de uma desmontagem total deixaria clara uma mudança de ares da cidade. É uma beleza você ver o que é essa vitalidade de se apropriar de uma obra para propagar os valores opostos àqueles que a criaram, diz. [...] Sou da opinião de que ele deva ser desmontado porque você precisa fazer com que a configuração da cidade seja a expressão dos valores em que a comunidade acredita naquele momento. E aquilo é uma obra feita de forma violenta, sem consultas, que causou danos enormes. Eu acho que você precisa assumir um pouco o ônus de tomar uma medida dessas para não deixar dúvidas de quais são as prioridades que interessam no momento. Segundo Bucci, a defesa da transformação da área em um parque suspenso resulta muito da ausência de espaços verdes da cidade. Acho que muito da beleza e do aspecto comovente dessas ações de apropriação é o contraste. É você ver aquilo seis dias por semana como uma avenidaque passa dentro dos apartamentos e depois chega um domingo ou um Fig. 154 Reportagem OESP em 14/09/2014. Fonte: Acervo Estado 160
169 feriado e as crianças estão andando de bicicleta. Mas se a gente imagina um futuro mais do nosso lado, em que existam mais parques e a cidade tenha mais opções de mobilidade, como já vem acontecendo, qual a razão de manter aquilo ali? indaga. (OESP, 14/09/2014) Em 04 de julho de 2015, é publicado no jornal OESP: Luz natural para salvar o Baixo Minhocão, com o subtítulo: Projeto parte da construção da ciclovia embaixo do elevado e prevê ainda jardim e quiosques. Fig. 155 Reportagem OESP em 04/07/2015. Fonte: Acervo Estado 161
170 2.3. O planejamento urbano: o embate entre sociedade e mercado Neste subcapítulo, serão elencadas as principais leis urbanísticas que foram implantadas no município de São Paulo após a inauguração do Minhocão, em O subtítulo faz referência ou identifica a essas leis como resultantes das discussões entre a sociedade e o mercado, entre os interesses da sociedade e os interesses do capital. Portanto, o planejamento urbano é resultante dessas duas forças, e, consequentemente, um pequeno trecho da cidade, delimitado nesta dissertação, não fugiria a este embate. Aqui, demonstraremos (com fatos históricos e de maneira simples, sem o objetivo de criar uma tese a respeito) como leis abrangentes, muitas vezes permeadas de boas intenções, provenientes da sociedade, por vezes deflagram situações que beneficiam parte da cidade e abandonam áreas que passam a ser desinteressantes ao mercado. Depois da construção do Minhocão, diversas leis urbanísticas foram aprovadas e, provavelmente, somente as duas mais recentes o Plano Diretor de 2014 e a nova Lei de Uso e Ocupação do Solo de 2016 tenham tomado o cuidado de incluir as vias afetadas pela construção do elevado (e suas quadras e arredores imediatos) em zonas especiais, para tentar mudar o cenário de degradação que permeou essa região desde sua construção. Degradação esta que, pelo que foi demonstrado no subcapítulo anterior (e que será pontualmente listado no próximo capítulo, pelas recentes construções que o mercado produziu), já passa por um processo de mudança e, principalmente, de resistência (resiliência) nos últimos 15 anos. 162
171 Essa mudança surgiu da iniciativa de moradores e, consequentemente, recebeu alguns incentivos governamentais, como exemplo o fechamento da via elevada para veículos no período noturno, e também em domingos e feriados, e sua adoção pela população para uso intensivo de esportes e lazer como já abordado. As primeiras leis aqui descritas, que abrangem os anos de 1971 e 1972, foram estudadas pela professora Sarah Feldman na sua tese de doutorado defendida em 1996, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, publicada em livro, com texto atualizado em 2005, com o título Planejamento e Zoneamento. São Paulo: Nele, ela detecta, nesses 25 anos, um duplo movimento institucionalização do planejamento e construção do zoneamento e mostra que enquanto o plano assume um papel progressivamente secundário, o zoneamento ocupa o lugar do plano como prática e como saber exclusivos do setor de urbanismo (FELDMAN, 2005). Esse estudo mostra como o município de São Paulo, tardiamente, somente em 1972, quando a cidade já contava com mais de 6 milhões de habitantes, aprovou a primeira Lei Geral de Zoneamento. Esse livro foi a principal fonte desta dissertação para entender os trâmites que levaram à aprovação dessa lei. E também do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), aprovado um ano antes, em Outro livro, de fundamental importância para compreensão dessas leis, foi organizado pela professora Nadia Somekh e pelo professor Candido Malta Campos Neto, intitulado A cidade que não pode parar: planos urbanísticos de São Paulo no século XX, lançado em Outros textos e artigos também foram consultados, porém, neste 163
172 texto, a explanação de cada lei foi feita de forma breve, e seus resultados na região do elevado foram uma interpretação pessoal, de ligar os pontos, em relação ao abandono da área, estando esta análise disposta a ser julgada correta ou não. Desde os anos 1940, principalmente por influência do professor Luiz Ignácio de Anhaia Melo, era discutida, na prefeitura de São Paulo, na Câmara Municipal e nos meios acadêmicos, a elaboração de uma lei de zoneamento que abrangesse todo o município, inspirada, principalmente, no zoning norte- americano, como uma forma de planejar e controlar o crescimento exponencial da cidade. O zoneamento praticado em São Paulo, a partir dos anos 1940, terá como referência explícita o modelo de zoneamento desenvolvido nos Estados Unidos (FELDMAN, 2005, p.114). Até 1957 os embates feitos entre Anhaia Melo e Prestes Maia sempre foram vencidos pelo segundo, que não concordava com o controle da cidade através de zoneamento, e difundia seu Plano de Avenidas e leis permissivas ao máximo potencial construtivo nas novas avenidas abertas por ele, através de leis específicas que garantiam gabaritos elevados. Em 1957 é aprovada a primeira lei (número 5.261/1957) que impõe coeficiente de aproveitamento máximo de construção na cidade, conforme já abordado no subcapítulo 1.3. Essa se torna a primeira lei que afeta a região central de São Paulo, incluindo a Avenida São João, que tinha um padrão construtivo de ocupação total do lote, sendo, em sua maioria, lotes de pequeno porte, e que passam a ter a verticalização desestimulada, já que, com os novos 164
173 coeficientes, as novas construções passam a ser estimuladas em terrenos maiores, não disponíveis na área central, e presentes em regiões que começavam a atrair o mercado imobiliário, como a Avenida Paulista e Jardins, conforme já descrito nos capítulos anteriores. Em abril de 1971, toma posse na prefeitura de São Paulo o engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz, sucessor de Paulo Maluf. Figueiredo Ferraz, ao contrário de Maluf, incentiva o planejamento da cidade, inclusive dizendo que São Paulo deve parar (CAMPOS apud SOMEKH, CAMPOS, 2002, p.122), referindo- se ao crescimento explosivo e desordenado da cidade. Mas isso não quer dizer que tenha deixado de lado as obras viárias, que tinham sido símbolos dos dois prefeitos anteriores, tanto que sua obra mais conhecida é o projeto da Nova Paulista: com as obras de alargamento e reurbanização da via, além do entroncamento viário em diversos níveis viadutos e passagens subterrâneas criados para ligar a Avenida Paulista às avenidas Doutor Arnaldo, Rebouças e Pacaembu. Em 30 de dezembro de 1971, é aprovado o primeiro Plano Diretor do município de São Paulo, intitulado Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), lei 7.688/71 que foi elaborado em curto espaço de tempo, tomando como base todo o grande levantamento que tinha sido feito durante a montagem do Plano Urbanístico Básico (PUB), de 1969, aprovado nos últimos dias da gestão Faria Lima, engavetado e abandonado por Maluf. Primeiro plano aprovado em São Paulo após mais de 40 anos desde o Plano de Avenidas, o PDDI é, antes de tudo, a negação da concepção de plano diretor que o PUB representou: o plano composto por exaustivos diagnósticos e abrangente a todos os aspectos da vida urbana (FELDMAN, 2005, p.243) 165
174 Esse processo de elaboração do PDDI foi descrito por Roberto Cerqueira Cesar, arquiteto, um dos chefes do Grupo Executivo de Planejamento (GEP), órgão sucessor do Departamento de Urbanismo, que depois da aprovação do PDDI se transformou em COGEP, e, posteriormente, na Secretaria de Planejamento (SEMPLA) que hoje tem a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) como equivalente em funções norteadoras de leis e planos urbanísticos. O arquiteto, em declaração ao Jornal da Tarde (JT), em 20 de outubro de 1971, afirma: Quando resolvemos que faríamos o Plano Diretor, tínhamos duas opções: admitiam- se como satisfatórios os estudos já existentes, ou seriam refeitos todos os trabalhos. Para isso, toda a administração teria que parar durante dois anos, até que o novo estudo estivesse pronto. Isso não seria possível, e partimos para a primeira opção. A cidade não pode mais ficar sem uma orientação de caráter amplo e geral para ser realmente seguida. (JT, 20/10/1971) No PDDI, o zoneamento seria o mais importante mecanismo de controle do desenvolvimento urbano (CAMPOS apud SOMEKH, CAMPOS, 2002, p.125). Nele foram propostos oito tipos de zona, criando coeficientes ainda mais restritivos do que a lei de Porém, como o PDDI não tem função de lei de uso e ocupação do solo, essas zonas seriam instituídas realmente só no ano seguinte, com a publicação da Lei Geral de Zoneamento. 166
175 Em relação à abrangência dos aspectos tratados, o plano se restringe ao campo do planejamento físico- territorial. [...] é um plano que se restringe a uma lei acompanhada de um mapa (FELDMAN, 2005, p.243) Em 1 de novembro de 1972, menos de um ano depois do PDDI, foi aprovada a Lei Geral de Zoneamento, que abrangia pela primeira vez a cidade inteira. A lei 7.805/72, diferente da lei que determinou coeficientes de aproveitamento de 1957, que se limitava a criar um coeficiente máximo de 4 (quatro) ou 6 (seis), agora criava zonas distintas em todo o perímetro municipal, com categorias de uso e restrições maiores. Ao todo foram criados oito tipos de zona, abreviadamente chamadas: Z1, Z2, Z3, Z4, Z5, Z6, Z7 e Z8.Conforme previstas no PDDI: Z1: estritamente residencial unifamiliar; Z2: predominantemente residencial, uni e multifamiliar, com comércio e serviços locais; Z3: predominantemente residencial de média densidade com comércio e serviços de maior porte; Z4: mista densa; Z5: mista central de alta densidade; Z6: predominantemente industrial; Z7: estritamente industrial; Z8: usos especiais (como construções de interesse histórico) que seriam determinadas com legislação própria. 167
176 Fig. 156 Mapa de Zoneamento Fonte: CAMPOS, SOMEKH,
177 Não seguiu os moldes modernistas de separação absoluta entre funções [...] Abandonando o conceito da zona funcional especializada, a lei procurou estimular predominâncias de usos. [...] Maiores densidades (Z5) foram estabelecidas no centro, junto à Rua da Consolação e à Avenida Paulista [...]. Núcleos de bairros foram definidos como Z4. (CAMPOS apud SOMEKH, CAMPOS, 2002, p.126) O zoneamento é imposto de forma rigorosa numa cidade acostumada a construir, desde o início de sua verticalização, sem a imposição de regras ou controle de áreas máximas, com coeficientes altos ou de maneira ilimitada. A maior parte da cidade, cerca de 4/5 (quatro quintos) da sua área, é classificada como Z2 (zona 2), de uso misto, com limitação de coeficiente em apenas uma vez a área do terreno. Essa solução tinha a função de beneficiar os centros de bairros (Z3 e Z4) e, também, algumas avenidas, além do perímetro do centro antigo, classificados como Z5 zonas onde a lei permitiu chegar ao coeficiente de três vezes e meia a área do terreno, pois eram áreas com melhores condições de infraestrutura instalada (ou planejada), conforme bem detalhado por CAMPOS NETO: O caráter rigoroso da regulação imaginada por Ferraz traduziu- se nos índices de ocupação estabelecidos. Para cada zona definiram- se os usos, segundo as diretrizes estabelecidas no PDDI; áreas e frentes mínimas de lote [...]; recuos mínimos de frente, laterais e fundos; taxa de ocupação máxima do terreno; e, mais importante, o coeficiente de aproveitamento máximo. Nas zonas 1 e 2 este seria de apenas uma vez a área do terreno, e na zona 3, duas vezes e meia, com taxa de ocupação de 50%. Na zona 4, o coeficiente básico seria três vezes a área do terreno, com taxa de ocupação de 70%, e na zona 5 de três vezes e meia, com taxa de 80%. O coeficiente máximo 4 só poderia ser atingido em Z3, Z 4 ou Z5, 169
178 reduzindo- se a taxa de ocupação do lote [...]. Em Z2, ou seja, na maior parte da região urbanizada, a fórmula só poderia ser aplicada para conjuntos residenciais e atingindo o coeficiente 2. (CAMPOS apud SOMEKH, CAMPOS, 2002, p.129) Outros elementos da lei de 1972, principalmente os que se referem às categorias de uso, ao contrário do que se tinha planejado, acabaram estimulando a implantação de grandes condomínios, com torres isoladas e grandes áreas de lazer, nas regiões mais periféricas da cidade, classificadas como Z2 (CAMPOS, 2002). Era mais barato para o empreendedor, mesmo com coeficiente limitado a duas vezes a área do terreno, construir em áreas afastadas e em grandes terrenos, mais baratos, do que tentar implantar em terrenos pequenos e mais caros da área central, mesmo com coeficiente que atingia o dobro da Z2, chegando a quatro vezes em Z5. Algumas avenidas, classificadas como Z5 (como a Avenida Paulista), e centros de bairro, classificados como Z4 (como o Itaim Bibi, Pinheiros e arredores das futuras estações do metrô da Linha 1, que na época ainda estavam em construção, principalmente na Vila Mariana e na Saúde),que possuíam grandes lotes (ou possibilidade de remembramento de lotes mais fácil que na região central), passaram a ser o foco do mercado imobiliário nas três décadas seguintes. Como o coeficiente máximo de dois ou quatro só pode ser atingido reduzindo- se a taxa de ocupação, os empreendedores são levados a construir mais alto, com prédios mais esguios remetendo à concepção modernista de uma cidade formada por torres isoladas, deixando o máximo de terreno livre. Isso é reforçado pelos recuos estipulados pelo Código de Obras municipal, proporcionais à altura dos edifícios, com o objetivo de garantir condições 170
179 favoráveis de ventilação, iluminação e insolação [...]. Isto levou à concentração dos investimentos em médios ou grandes empreendimentos, em prejuízo dos prédios menores e dos pequenos incorporadores [...](CAMPOS apud SOMEKH, CAMPOS, 2002, p ) Toda a região central e a linha da Avenida São João (até a Praça Marechal Deodoro) foram classificadas como Z5. A Avenida General Olímpio da Silveira, até o cruzamento com a Avenida Pacaembu, ficou situada dentro de uma Z4. E toda a contrarrótula, ou segundo anel de irradiação (perimetral), que abrange a Rua Amaral Gurgel, como Z3. Todas as três eram zonas que podiam elevar o coeficiente de aproveitamento até quatro vezes a área do terreno, desde que diminuísse a taxa de ocupação. Porém, mesmo com o estímulo do zoneamento, as três vias afetadas pelo Minhocão não se tornaram atraentes para o mercado imobiliário. Não apenas pelo fato do impacto e das transformações negativas que o elevado provocou nessas vias, mas também pelas condições físico- construtivas já existentes no lugar. Os poucos terrenos ainda não verticalizados na Avenida São João, na sua maior parte com pequenas dimensões, situados entre os antigos prédios que ocupam 100% do terreno e que possuem empenas cegas em suas divisas laterais, geravam, e ainda geram, a impossibilidade de remembramento de lotes para viabilizar novos lançamentos de prédios, tornando os estímulos do Zoneamento inócuos nesta via. Uma das medidas possíveis, ao analisarmos a implantação da lei de zoneamento, seria o poder público ter considerado que o tipo de implantação em algumas vias centrais (e no centro como um todo) era diferente: com edificações antigas, seguindo tipologias e padrões 171
180 construtivos antigos, definido por CAMPOS NETO como qualidades estético- volumétricas do urbanismo tradicional, com taxas de ocupação de praticamente 100%, sem recuos laterais. Deveria ter- se criado uma zona de aprovação especial, com projetos analisados caso a caso, e que pudessem ser isentos das regras de recuos ou faixas de insolação e ventilação exigidas no Código de Obras. Sendo estimulados, inclusive, a seguir os gabaritos dos edifícios vizinhos. Uma medida desse gênero, poderia ter suavizado a estagnação dessas vias e, também, incentivado a melhoria visual das quadras, que acabaram ficando banguelas com lotes vazios, subutilizados e construções baixas entre edifícios altos sem criar a uniformidade de gabarito prevista e incentivada por Prestes Maia. Provavelmente, em São Paulo, apenas a Rua Xavier de Toledo, próxima ao Teatro Municipal, tenha sido completada e conseguiu criar a noção de unidade de quadra, com todos os lotes construídos com gabaritos similares. O controle da verticalização por meio do zoneamento e do Código de Obras tendeu a se prender a parâmetros genéricos relativos às áreas construídas, percentuais de ocupação e recuos. Considerações a respeito do desenho urbano, da paisagem construída e das qualidades estético- volumétricas do urbanismo tradicional estão praticamente ausentes. Além disso, não há uma regulação das densidades de ocupação populacional. Assim, bairros submetidos à gentrificação vertical podem sofrer desadensamento, enquanto a ocupação periférica irregular adquire crescente intensidade de aproveitamento, com subdivisão dos lotes, favelização das áreas livres e encortiçamento, comprometendo as condições de vida e salubridade [...] (CAMPOS apud SOMEKH, CAMPOS, 2002, p.133) 172
181 O urbanista Kazuo Nakano (professor da FIAM- FAAM), junto com Sully Guatella, em artigo publicado em setembro de 2015, com o título A forma Urbana a partir de Planos Diretores e Leis de Zoneamento do Município de São Paulo, questionam os padrões discutíveis de verticalização na cidade a partir da aprovação da lei de zoneamento, em 1972, com as inibições de edificações de uso misto, edificações recuadas no lote e com a gradual perda de vitalidade nas calçadas: A implementação daquela Lei Geral de Zoneamento [...] de 1972, foi responsável pela produção de formas urbanas que são bastante questionadas na atualidade por causa de seus efeitos negativos na vida urbana. Dentre essas formas destacam- se as mudanças nas tipologias das edificações verticais ocasionadas pelas inibições de usos mistos nos lotes. Tais inibições eliminam gradativamente a incorporação de estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços em pavimentos térreos alinhados junto às calçadas e com moradias ou escritórios nos pavimentos superiores. Essas inibições ocorreram em favor da promoção de padrões de uso estritamente residencial ou comercial, com as edificações recuadas em relação às divisas frontais, laterais e de fundos, implantadas nos centros dos lotes e dissociadas das calçadas. Em muitas edificações essa dissociação se dá por meio de fechamentos e de plataformas formadas por pavimentos usados como garagens de veículos sobre os quais se implantam as torres de apartamentos [...] conformando, assim, o chamado paliteiro. O efeito mais visível dessa forma de implantação de edificações nos espaços urbanos paulistanos é a perda de vitalidade gerada pela desertificação e rarefação de uso das calçadas e nos espaços públicos. (NAKANO; GUATELLA, 2015, p.146) Depois da aprovação da Lei Geral de Zoneamento, várias alterações em perímetros de zonas foram propostas e aprovadas, além da criação de novas zonas. Leis paralelas surgiram e, 173
182 com o passar dos anos, o zoneamento virou uma colcha de retalhos. A permissão para se construir encostado em empenas cegas foi deliberada nos anos seguintes, mas a impossibilidade de se isentar das exigências do Código de Obras acabou inutilizando essa medida para grandes edifícios (pelo menos até recentemente, antes do estímulo da Operação Urbana Centro). O Sistema de altura proporcional ao recuo, determinado no Código de Obras de 1975 Lei 8266, contribuiu, também, para estimular edifícios mais esguios e ajudou a inviabilizar novas construções em terreno menores. (CAMPOS, SOMEKH, 2008). Nos anos seguintes, até 1981 pelo menos, a legislação seria complementada e aperfeiçoada, chegando a requintes de detalhamento. Além dos oito tipos de zonas previstos inicialmente [...] seriam criados mais onze, de Z9 à Z19, além de sete tipos de corredores, cinco tipos de zona rural, pontos e manchas de preservação histórica (Z8-200)[...] A legislação adquiriu tamanha complexidade que se tornou quase impossível sua incorporação ao debate público, tendendo a limitar as discussões à esfera técnica especializada e ao setor imobiliário, únicos a dominar todos os meandros legais envolvidos. (CAMPOS apud SOMEKH, CAMPOS, 2002, p ) Em 1985, no governo do prefeito Mario Covas, é elaborado um novo plano diretor, sob a supervisão do secretário de planejamento Jorge Wilheim. Covas havia sido nomeado por Franco Montoro primeiro governador eleito democraticamente desde a instauração da ditadura. A prefeitura inovou ao propor a participação da sociedade nas decisões já pré- elaboradas dentro da secretaria (SEMPLA). Porém, essa participação foi bastante limitada. Trouxe várias inovações, 174
183 talvez a maior na defesa de medidas que reduziam a concentração de renda (CAMPOS, 2002). Em relação à área central: A área central apresentaria, como maiores problemas, a intensa ocupação do solo, o congestionamento e a elevada concentração de renda. No centro foram detectadas áreas deterioradas, identificadas pela redução do ritmo de crescimento e deslocamento de atividades comerciais, com subutilização e encortiçamento. Destacam- se aí áreas e conjuntos históricos com potencial cultural e turístico. [...] O plano inova quando aponta problemas fundamentais de produção do espaço urbano que emergem da lógica imobiliária de repartição social do espaço, e da resultante iniquidade da distribuição dos benefícios urbanos. [...] É importante destacar que o PD- 85 admite que a atuação do poder público contribuiu para agravar a segregação urbana. Somando- se à lógica imobiliária perversa, essa ação foi concentradora tanto em seus investimentos, quanto na regulamentação do uso do solo nas áreas ocupadas pela população de mais alta renda[...](campos apud SOMEKH, CAMPOS, 2002, p ) O projeto de lei foi encaminhado à Câmara dos Vereadores no fim da gestão Covas, e, com a eleição de Jânio Quadros à sucessão no mesmo ano, o projeto foi abandonado e nem sequer discutido no legislativo (CAMPOS, 2002). Mas, serviu como um grande norteador para novos planos diretores, inserindo a população nas discussões pertinentes ao planejamento urbano. Em 1988, no governo Jânio Quadros, é aprovado, por decurso de prazo depois que ficou tramitando por mais de um ano sem que fosse votado na Câmara (CAMPOS, 2002) um novo Plano Diretor, porém, sem nenhum tipo de discussão com a sociedade, ele é aprovado 175
184 mas não reconhecido e, praticamente, não altera em nada a cidade até o Plano Diretor de 2002, exceto pelas Operações Interligadas 13. Mas, apesar de seu caráter nulo, no plano surgem críticas quanto à expansão menos densa da cidade e ao abandono da área central, que vinha perdendo população desde o início da década: Criticando os efeitos da Lei de Zoneamento vigente, que havia congelado enquanto Z2, de baixo coeficiente de aproveitamento, a maior parte do anel de transição da cidade e quase toda sua periferia [...], o documento condena essa ocupação menos densa e afirma que a volta ao centro é a palavra de ordem do moderno administrador urbano [...](CAMPOS apud SOMEKH, CAMPOS, 2002, p.158) Em 1991, no governo Luiza Erundina, depois de dois anos de muitos estudos e debates democráticos e consultas populares, é enviado à Câmara Municipal um novo Plano Diretor, afim de substituir o Plano aprovado por decurso de prazo em Sua coordenação ficou a cargo da arquiteta Raquel Rolnik. Porém, apesar de toda a inovação que ele representava, como, por exemplo, a proposta de criar coeficiente básico de aproveitamento igual a um em toda a cidade e cobrar outorga onerosa para atingir o coeficiente máximo, através da ideia de solo criado, esse plano sequer foi votado pela Câmara e retirado do legislativo pelo prefeito seguinte, novamente, Paulo Maluf ( ), sob pressão do setor imobiliário. 13 Conforme define CAMPOS (2002): Operação Interligada foi um mecanismo aprovado pela lei de dezembro de 1986, que permitia que empreendedores obtivessem da prefeitura o direito de construir metragens acima das permitidas pelo zoneamento, oferecendo, como contrapartida, a construção de moradias populares para moradores de habitações subnormais. Essa lei foi posteriormente declarada inconstitucional. 176
185 É desnecessário salientar que a descontinuidade administrativa compromete o processo de elaboração, tomada de decisão e implementação de políticas públicas urbanas. [...] Considerando que a principal proposta do PD- 91 era instituir os princípios da reforma urbana, sua não- aprovação remete ao desinteresse político pela questão do plano diretor [...] (ANTONUCCI apud SOMEKH, CAMPOS, 2002, p ) Somente em 2002, na gestão Marta Suplicy (PT), foi aprovado um novo Plano Diretor no município de São Paulo, agora intitulado Plano Diretor Estratégico PDE 14, Lei Municipal Também foi coordenado pelo urbanista Jorge Wilheim, de novo, em frente a SEMPLA. Portanto, entre a aprovação do PDDI, em 1971, e a aprovação do Plano Diretor de 2002, existe um longo período de 31 anos. Sendo que, durante 6 anos, entre 1985 e 1991, tentou- se atualizar os parâmetros urbanísticos da cidade de São Paulo em três planos distintos, sempre com a pressão do mercado imobiliário em manter os coeficientes altos. Pela primeira vez uma cidade com 10 milhões de habitantes tem um plano diretor democraticamente elaborado, democraticamente debatido e democraticamente aprovado. Lembremos que o de 1971, na gestão de José Carlos de Figueiredo Ferraz, foi aprovado sob o regime militar, em que as Câmaras aprovavam tudo o que o Executivo lhes encaminhava; o Plano do prefeito Mário Covas foi enviado à Câmara em 1985, e esta não o debateu e nem 14 Conforme definição no próprio PDE- 2002: A separação entre diretrizes e estratégias é meramente acadêmica. Considera- se que diretrizes (políticas) públicas de desenvolvimento urbano visariam um horizonte de dez anos; mas, para construí- las, seria necessário estabelecer ações estratégicas de curto prazo (quatro anos). Pressupõe- se que futuros governos locais possam propor novas ações estratégicas, porém, mantendo as diretrizes de longo prazo. (PDE- 2002, pg.77) 177
186 o aprovou. O plano do prefeito Jânio Quadros foi aprovado por decurso de prazo, em 1988, sem nenhum debate. O Plano da prefeita Luiza Erundina, de 1991, foi enviado à Câmara e discutido, mas não chegou a ser aprovado. (PDE , 2004, p.77) O PDE foi um grande avanço na disciplina de planejamento urbano, pois, apesar de sua extensa abrangência ser bastante discutível, ele é o primeiro plano a incorporar a outorga onerosa do direito de construir, instrumento incorporado um ano antes pela lei federal que instituiu o Estatuto da Cidade. Este novo elemento gerou a possibilidade da prefeitura cobrar pelo solo criado, ou seja, para permitir- se sair do coeficiente de aproveitamento básico e poder ir até o máximo, o incorporador (ou construtor) paga um valor à municipalidade (a outorga).isso geraria um novo interesse pela área central, não imediato, mas sim paulatinamente, já que, desde 1997, a Operação Urbana Centro (OUC) estimulava a construção de novos edifícios residenciais podendo atingir o coeficiente de aproveitamento máximo de seis vezes a área do terreno, sem a necessidade de pagamento de outorga onerosa. Essa redescoberta do centro pelo mercado imobiliário seria percebida somente a partir de 2009/2010, após o boom imobiliário iniciado em 2006, já que o valor do metro quadrado na cidade cresceu vertiginosamente e a área central voltou a ser atraente para as construtoras, pois, devido a anos de abandono, o valor do metro quadrado da região tornara- se menor do que de bairros de classe média do setor sudoeste da cidade (o grande vetor imobiliário de São Paulo desde o PDDI de 1971), somado a isso, há também a não 178
187 obrigatoriedade de pagamento de outorga na OUC e a dispensa de número de vagas mínimas de garagem por apartamento. Em relação à área em estudo nesta dissertação, a OUC atinge apenas a Rua Amaral Gurgel e os terrenos na Avenida Duque de Caxias que têm suas faces posteriores voltadas para o Minhocão (serão mostrados no capítulo 3). A Avenida São João no trecho do elevado já está fora do perímetro da operação urbana. Um equívoco, pois esta poderia estimular novas construções no trecho mais lúgubre e sombrio dos baixios do Minhocão. Em agosto de 2004, é aprovada a nova Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LUOS), lei número , substituindo a Lei Geral de Zoneamento, de Essa lei tinha como objetivo regulamentar os parâmetros urbanísticos previstos no Plano Diretor aprovado dois anos antes, em 2002, e substituir uma lei de zoneamento que, através dos 32 anos que vigorou, tinha se transformado num compêndio complexo, subdividido em diversas leis de difícil compreensão pela sociedade. A nova Lei, apesar das boas intenções da SEMPLA de transformar o zoneamento da cidade em algo de fácil compreensão por qualquer cidadão, transforma- se numa lei de dimensões faraônicas, subdividida em 31 Planos Regionais das Subprefeituras. Cada subprefeitura desenvolveu fórmulas de recuos (e gabaritos) e regras de uso e ocupação, que mantiveram a complexidade da lei inteligíveis apenas aos técnicos da prefeitura e aos profissionais do mercado imobiliário. 179
188 A cidade foi dividida em duas grandes macrozonas: Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana, com 4 tipos de zonas (e suas subdivisões); e Macrozona de Proteção Ambiental, com 6 tipos de zonas. As quatro zonas urbanas, na verdade, são dez subzonas assim divididas: 1) ZER Zonas Exclusivamente Residenciais, subdivididas em três tipos: a) ZER- 1 de baixa densidade; b) ZER- 2 de média densidade e c) ZER- 3 de alta densidade; 2) ZPI Zona Predominantemente Industrial; 3) ZM Zonas Mistas, subdivididas em quatro tipos de zonas: a) ZM- 1 de baixa densidade; b) ZM- 2 de média densidade; c) ZM- 3a de alta densidade A e d) ZM- 3b de alta densidade B (estas duas últimas com diferenças de coeficiente de aproveitamento e de taxas de ocupação) 4) ZCP Zonas de Centralidades Polares, subdividida em dois tipos: a) ZCP- a e b) ZCP- b. Além dessas quatros principais zonas no perímetro urbano, foram criadas zonas que se sobrepuseram ao zoneamento principal, transformando ruas, lotes, edifícios ou quadras em zonas especiais, sendo elas: ZCL Zonas de Centralidades Lineares, em trechos de logradouros públicos com intuito de desenvolver o adensamento em ruas e avenidas importantes; Zona Especial de Interesse Social 1 (ZEIS- 1), de Interesse Social 2 (ZEIS- 2), de Interesse Social 3 (ZEIS- 3) e de Interesse Social 4 (ZEIS- 4) essas quatro ZEIS foram criadas para estimular o mercado a construir Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação para o Mercado Popular (HMP); Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPAM); Zona Especial de Produção Agrícola e de Extração 180
189 Mineral (ZEPAG); Zona Especial de Preservação Cultural (ZEPEC) e Zona de Ocupação Especial (ZOE). Esta dissertação entende que essa última deveria ter sido implantada na área central e nas vias centrais que foram construídas seguindo o urbanismo tradicional podendo ser propostos projetos livres de índices construtivos, seguindo o padrão da vizinhança e analisados conforme o impacto no entorno. Além dessas zonas urbanas, as seis zonas na Macrozona de Proteção Ambiental seguiram as mesmas definições do perímetro urbano, porém com restrições bem maiores de coeficiente de aproveitamento, taxa de ocupação, gabaritos e usos permitidos, e foram assim descritas: 1) ZCP- p Zona de Centralidade Polar de Proteção Ambiental; 2) ZM- p Zona Mista de Proteção Ambiental; 3) ZPDS Zona de Proteção e Desenvolvimento Sustentável; 4) ZER- p Zona Exclusivamente Residencial de Proteção Ambiental; 5) ZLT Zona de Lazer e Turismo; e, por fim, 6) ZEP Zona Especial de Preservação; Assim, manteve um modelo de regulação da ocupação do solo que gerou as mesmas formas urbanas resultantes da Lei Geral de Zoneamento de 1972 e relacionadas com a construção dos conhecidos prédios de apartamentos produzidos pelo mercado de incorporação [...] contribuiu para a disseminação de formas urbanas problemáticas produzidas e reproduzidas nos empreendimentos imobiliários [...](NAKANO, GUATELLA, 2015, p.146) 181
190 Outro problema foi enxergar o patrimônio construído da região central e das avenidas centrais, de padrão construtivo do urbanismo tradicional (como a Avenida São João), da mesma forma que a lei de 1972, ou seja, nenhuma medida como a criação de um zoneamento especial, ou a aprovação especial lote a lote de novos empreendimentos foi proposta. Assim, o mesmo incentivo que zonas de centralidade tinham no setor sudoeste, eram presentes na subprefeitura da Sé. No perímetro em estudo nesta dissertação, os zoneamentos implantados foram os seguintes: na região da Avenida São João (entre a Avenida Duque de Caxias e a Praça Marechal Deodoro) e, também, na Avenida General Olímpio da Silveira, ZM- 3b/01 (zona mista de alta densidade 3b) com coeficiente de aproveitamento máximo de 2,5 vezes a área do terreno e taxa de ocupação máxima de 50%; na região da Rua Amaral Gurgel, ZCP- b/05 (zona de centralidade polar b) com coeficiente de aproveitamento máximo de 4 vezes a área do terreno e taxa de ocupação máxima de 70%; no último quarteirão da Avenida General Olímpio da Silveira foi adotada uma zona mais restritiva, uma ZM- 2/02, em face aos sobrados da região e como forma de transição entre o gabarito da Avenida Pacaembu e a área verticalizada dos quarteirões subsequentes, com coeficiente de aproveitamento máximo de 2 vezes a área do terreno, taxa de ocupação máxima de 50% e gabarito de altura máxima de 25 metros. 182
191 Fig. 157 Recorte do Mapa de Zoneamento 2004 (erro no mapa: onde está escrito Av. Francisco Matarazzo o correto é Avenida São João). Fonte: SMDU- PMSP 183
192 Fig. 158 Recorte do Quadro 04 Anexo PRE- SÉ com os índices urbanísticos do Zoneamento de 2004 Fonte: SMDU- PMSP 184
193 Sobrepondo esse zoneamento, foi criada uma ZEIS 3 15 (C- 014) no miolo da quadra entre a Rua Ana Cintra, o Minhocão, a Rua Frederico Steidel e o Largo do Arouche, como forma de proteger da gentrificação parte dos habitantes que moravam em cortiços (edifícios paralelos ao Minhocão e em vilas de casas), e, também, para incentivar a construção de HIS e HMP nos poucos terrenos ociosos desse perímetro. Em ZEIS 3 era possível atingir o coeficiente de aproveitamento de 4 vezes a área do terreno, sem cobrança de outorga e com taxa de ocupação de 70%, com a obrigatoriedade da proporção resultante de área construída ser: 80% destinada à moradias populares (sendo que desses 80%, no mínimo 40% para HIS e os outros 40% para HIS ou HMP) e 20% para outros usos. Ao compararmos os zoneamentos de 1972 e o de 2004, percebe- se que, ao invés de incentivar a construção de novas edificações, a nova lei acabou por restringir ainda mais a área do entorno do Minhocão. Como por exemplo na Avenida São João (trecho da área em estudo), que a lei tornou menos atraente (assim como seus arredores) ao diminuir o coeficiente máximo de quatro para apenas duas vezes e meia a área do terreno. Isso mesmo com todo o abandono que a avenida tinha passado ao longo dos 32 anos de vigência da lei anterior. A Rua Amaral Gurgel manteve os mesmos índices de coeficiente de quatro vezes a área do terreno, porém, como ela faz parte da Operação Urbana Centro, desde 1997, o coeficiente atingível 15 Segundo o decreto , de 2004, que regulamentou as ZEIS, uma ZEIS 3 é definida como: área com predominância de terrenos ou edificações subutilizadas, situada em área dotada de infraestrutura, serviços urbanos e oferta de empregos, ou que esteja recebendo investimentos dessa natureza, em que haja interesse público na promoção e manutenção de HIS e HMP e na melhoria das condições habitacionais da população moradora, incluindo equipamentos sociais e culturais, espaços públicos, serviço e comércio de caráter local. 185
194 Fig. 159 Mapa da Operação Urbana Centro (perímetro roxo) e da antiga Operação Urbana Anhangabaú (perímetro verde, já revogada) Fonte: SMDU- PMSP 186
195 chega a seis vezes, sem pagamento de outorga. Impossível entender o conceito urbanístico que embasou essa diferença entre uma via importante (e histórica), com mais de dois quilômetros, como é a Avenida São João, com seus índices restritivos, e os índices mais permissivos que abrangem toda a Rua Amaral Gurgel, e seus aproximados 500 metros de extensão, além de sua falta de conjunto arquitetônico (de gabarito, sem as características do urbanismo tradicional presentes na São João). Mas a pergunta principal talvez não seja essa, e sim: como explicar o recente retorno de novos lançamentos imobiliários ao entorno do Minhocão, principalmente, nos últimos 10 anos? Essa resposta será sugerida no capítulo 3. Em 2005 são abortadas, pelo governo de José Serra (PSDB), as elaborações das leis complementares que fariam o Plano Diretor, de 2002, e a LUOS, de 2004, funcionarem integralmente. Em paralelo, leis específicas que agradaram ao mercado imobiliário são aprovadas. Exemplos, o decreto de fevereiro de 2005, que dispunha sobre a equivalência entre as zonas da lei /2004 com o antigo zoneamento de 1972, que, no seu caso mais evidente, permitiu atingir o coeficiente de duas vezes a área do terreno em todas as novas zonas que estavam no perímetro da antiga Z2 e que tinham sido estabelecidos limites de coeficiente igual a um no zoneamento de 2004 (tanto que para quem trabalhava no mercado imobiliário houve uma nítida sensação de que o novo zoneamento não alterava em quase nada o antigo zoneamento, já que a Z2 abrangia quase 4/5 da zona urbana da cidade); outro exemplo é o decreto de abril de 2005, que dispõe sobre a classificação de usos residenciais e não residenciais e que incentivou gigantescos condomínios- clube ; e ainda a lei de 2005, 187
196 que liberou garagens em pavimentos elevados ao invés da obrigatoriedade de subsolo (criando maciços de garagens elevadas, com as torres apoiadas sobre elas, que se espalharam pela cidade já que é mais barato para o empreendedor construir acima do solo do que em subsolo). Em 2007, já sob comando do novo prefeito Gilberto Kassab (vice de Serra, que assumiu o comando da prefeitura depois do curto governo do titular, que havia renunciado ao cargo 15 meses após a posse, para se candidatar ao governo do Estado, em março de 2006), o plano diretor deveria ter sido revisado já que completavam- se cinco anos de sua promulgação e, conforme constava no próprio plano de 2002, essa revisão seria obrigatória, afim de corrigir problemas que poderiam ter surgido desde sua implementação. A revisão proposta foi rechaçada conforme bem comentou o urbanista Kazuo Nakano em artigo já citado (como não faz parte dos objetivos desta dissertação analisar esses pormenores, recomenda- se a leitura desse artigo para possíveis questionamentos ver bibliografia). Em 2012 a cidade deveria ganhar um novo plano diretor, já que o PDE tinha prazo de validade de dez anos. Kassab tenta impor um novo PDE, sem a participação popular que o plano anterior tinha legitimado, mas não consegue aprovação. Assim, a cidade continuou aprovando projetos sem uma análise revisora que o PDE exigia entre 2007 e 2012, período do maior boom imobiliário que o país passou em sua história. E a cidade replicou projetos hoje nitidamente prejudiciais ao convívio urbano. Em 2013, somente quando assume outro governo de caráter progressista, é que foi incentivada a elaboração de um novo plano diretor participativo. O prefeito Fernando Haddad 188
197 (PT) assume a prefeitura e nomeia o arquiteto Fernando de Mello Franco para a SMDU, herdeira das funções de planejamento urbano da SEMPLA. Depois de mais de um ano entre a elaboração, as discussões públicas e as discussões na Câmara de Vereadores, o novo Plano Diretor é aprovado em julho de 2014, 12 anos após o boicotado PDE de Dentre os vários componentes do recém- instituído PDE do Município de São Paulo (Lei Municipal /2014), vale destacar os eixos de estruturação da transformação urbana, demarcados com base na rede estrutural de transporte coletivo, a partir dos quais se busca alterar os padrões da produção imobiliária promovida pela iniciativa privada. [...] instituiu um conjunto de mecanismos que certamente irão influenciar a formatação dos novos empreendimentos [...] demarcados junto aos corredores de ônibus e no entorno de estações de trens e de metrô.(nakano, GUATELLA, 2015, p.149) O Artigo 23, Inciso VIII, mostra bem a inovadora mudança conceitual do novo PDE Lei : Orientar a produção imobiliária da iniciativa privada de modo a gerar: a) diversificação nas formas de implantação das edificações nos lotes; b) maior fruição pública nos térreos dos empreendimentos; c) fachadas ativas no térreo dos edifícios; d) ampliação das calçadas, dos espaços livres, das áreas verdes e permeáveis nos lotes; e) convivência entre os espaços públicos e privados e entre os usos residenciais e não residenciais. 189
198 A flexibilização na definição de áreas computáveis consideradas na aplicação dos coeficientes de aproveitamento foi utilizada como um mecanismo para coibir e induzir determinadas formas urbanas. De um lado, tal flexibilização foi utilizada para coibir uso excessivo de área construída com vagas de garagem e, de outro lado, para estimular o uso do pavimento térreo com usos não residenciais acessíveis a partir do logradouro público e induzir usos mistos nos empreendimentos imobiliários, inclusive aqueles destinados à habitação de interesse social.(nakano, GUATELLA, 2015, p.151) Ou seja, o novo PDE estimulará o retorno da antiga forma urbana (termo usado por NAKANO) de edifícios de uso misto, com térreos integrados à cidade, através de fachada ativa, e com térreos abertos à fruição pública. Situação similar à encontrada na região central de São Paulo e na área do entorno do Minhocão, inclusas as vias em estudo, Avenida São João, Amaral Gurgel e General Olímpio da Silveira. Porém, trata o futuro zoneamento dessas áreas usando as características que são usadas em outras partes da cidade. Esta dissertação entende que a região central e essas vias centrais incluindo as acima citadas deveriam ser diferenciadas e entendidas como zonas especiais, de aprovação especial sem os recorrentes índices urbanísticos padronizados (Coeficiente de aproveitamento, taxa de ocupação e recuos) tratando essa área como correspondente ao urbanismo tradicional. Fig. 160 Recorte do artigo 375 do novo Plano Diretor de Fonte: SMDU- PMSP A região do Minhocão está dentro da área de maior incentivo do novo PDE, o chamado Arco Tietê. Além disso, no artigo 375 foi determinada a elaboração de uma lei específica para restrição gradual do transporte individual sobre o elevado até a sua completa desativação como via de tráfego e a sua demolição ou transformação parcial ou total em parque (até 2024). 190
199 Em 22 de março de 2016, é promulgada a nova Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo no Município de São Paulo, lei nº , de acordo com o novo Plano Diretor de Ao contrário do volume gigantesco da antiga LUOS, de 2004 (dividida em três partes e em 31 Planos Regionais de cada Subprefeitura), a lei se restringe aos aspectos de parcelamento, uso e ocupação do solo e não versa sobre os Planos Regionais, deixando para cada subprefeitura a regulamentação própria, a ser desenvolvida em futuro próximo. A nova lei identifica a cidade como um território articulado de forma integrada, [...] as zonas foram organizadas em 3 diferentes agrupamentos: territórios de transformação, qualificação e preservação. Territórios de transformação: objetiva a promoção do adensamento construtivo e populacional das atividades econômicas e dos serviços públicos, a diversificação de atividades e a qualificação paisagística dos espaços públicos de forma a adequar o uso do solo à oferta de transporte público coletivo. (Formado pelas zonas: ZEU, ZEUP, ZEM e ZEMP). Territórios de qualificação: buscam a manutenção de usos não residenciais existentes, o fomento às atividades produtivas, a diversificação de usos ou o adensamento populacional moderado, a depender das diferentes localidades que constituem esses territórios. (Formado pelas zonas: ZOE, ZPI, ZDE, ZEIS, ZM, ZCOR, ZC). Territórios de preservação: áreas em que se objetiva a preservação de bairros consolidados de baixa e média densidades, de conjuntos urbanos específicos e territórios destinados à promoção de atividades econômicas sustentáveis conjugada com a preservação ambiental, além da preservação cultural. (Formado pelas Zonas: ZEPEC, ZEP, ZEPAM, ZPDS, ZER, ZPR) (LEI /2016 divulgação em regulatorio/zoneamento/) 191
200 A lei revogou mais de 70 leis e artigos de leis, para simplificar numa única lei todas as regras de parcelamento, uso e ocupação do solo. Como a quantidade de zonas criadas pela lei é muito ampla e diversa, foram descritas apenas as zonas que serão analisadas neste subcapítulo. Duas zonas integrantes dos territórios em transformação (dentro do Arco Tietê): ZEM e ZEU; e uma zona integrante dos territórios de qualificação: a ZC Zona de Centralidade. Segundo as descrições contidas na lei: Art. 7º As Zonas Eixos de Estruturação da Transformação Urbana (ZEU) são porções do território destinadas a promover usos residenciais e não residenciais com densidade demográfica e construtiva altas e promover a qualificação paisagística e dos espaços públicos de modo articulado com o sistema de transporte público coletivo [...] Art. 8º As Zonas Eixos de Estruturação da Transformação Metropolitana (ZEM) são porções do território inseridas na Macroárea de Estruturação Metropolitana [...] destinadas a promover usos residenciais e não residenciais com densidades demográfica e construtiva altas, bem como a qualificação paisagística e dos espaços públicos, de modo articulado ao sistema de transporte coletivo e com a infraestrutura urbana de caráter metropolitano [...] Art. 9º As Zonas de Centralidade (ZC) são porções do território voltadas à promoção de atividades típicas de áreas centrais ou de subcentros regionais de bairros, destinadas principalmente aos usos não residenciais, com densidades construtiva e demográfica médias, à manutenção das atividades comerciais e de serviços existentes e à promoção da qualificação dos espaços públicos [...] 192
201 Em todo o perímetro de estudo desta dissertação, o zoneamento implantado foi o seguinte: Zona Eixo de Estruturação e Transformação Metropolitana (ZEM), com coeficiente de aproveitamento máximo de 2 vezes a área do terreno (podendo chegar a quatro vezes segundo o inciso 1º do artigo 8º da lei ) 16, taxa de ocupação máxima de 85% para lotes com área de até 500 metros quadrados e de 70% para lotes com áreas superiores a 500 metros quadrados e criando um gabarito de altura máximo de 28 metros (aproximadamente térreo mais 9 pavimentos). Foi mantida a ZEIS 3 que constava na lei /04 com perímetro um pouco ampliado. Ou seja, apesar do perímetro do Minhocão ficar situado dentro da futura área de ampliação metropolitana, o zoneamento determinado para a área fica aquém dos zoneamentos lindeiros em ZEU (Zona de Eixo de Estruturação da Transformação Urbana), pelo menos até as aprovações do inciso 1º do artigo 8º já citado. Em comparação, a região da Avenida Paulista e todas as áreas incluídas em ZEU já têm garantido o coeficiente de quatro vezes a área do terreno e são dispensadas de gabarito máximo. Ou seja, facilita o lançamento de construções nessas áreas, apesar de pressionar todos os proprietários (que possuem imóveis em ZEM) a cobrar a prefeitura e o legislativo pelas leis que regulamentarão todos os pormenores dessa zona (conforme nota de rodapé). 16 Definição do Art.8º, inciso 1º: O coeficiente de aproveitamento igual a 4 (quatro) e a dispensa de atendimento ao gabarito máximo de altura das edificações serão alcançados somente no caso do não encaminhamento de projetos de lei tratando de disciplina especial de uso e ocupação do solo, operações urbanas consorciadas, áreas de intervenção urbana ou projetos de intervenção urbana para os subsetores da Macroárea de Estruturação Metropolitana dentro dos prazos estipulados pelo inciso 3º do art. 76 da Lei nº , de 31/07/2014 PDE. Definição do inciso 3º do art. 76 do PDE: Deverão ser encaminhados à Câmara Municipal projetos de lei tratando de disciplina especial de uso e ocupação do solo [...] no Arco Tietê até 2016; 193
202 Fig. 161 Recorte do Mapa de Zoneamento (ver legenda ao lado). Fonte: SMDU- PMSP Ou seja, a nova lei de uso e ocupação do solo, apesar de inovar em diversos pontos, ainda não trata a região central e a área dos arredores do Minhocão como uma área histórica, onde o urbanismo tradicional foi aplicado durante décadas, até pelo menos a implantação do 194
203 zoneamento de 1972 identificado aqui como um erro (também histórico) ao congelar indefinidamente essa região que durante décadas foi palco das diversões dos paulistanos. As ruas com configurações de construções onde predominam a taxa de ocupação máxima e prédios encostados lado a lado, apesar de já possuírem um tipo de aprovação que depende de 50% ou mais do quarteirão ter a mesma condicionante, deveriam ter um processo mais claro e permissivo do ponto de vista de coeficiente de aproveitamento, para viabilizar novas construções através de uma Zona Especial de Aprovação. 195
204 196
205 CAPÍTULO 3 O Minhocão e o mercado 197
206 198
207 CAPÍTULO 3 O Minhocão e o mercado Este capítulo analisará os últimos 15 anos o passado recente e o presente, o hoje, período no qual a região do Minhocão e arredores voltou a atrair novos moradores, novas construções, novos usos e novos incentivos públicos. A degradação ainda persiste, mas o entorno do Elevado João Goulart resiste e se transforma de maneira morosa, mas positiva. Existe resiliência mesmo sem uma definição precisa do futuro do elevado. No subcapítulo 3.2 serão elencados os principais edifícios construídos na região focando nos últimos 10 anos período que eu tivemos acesso às informações dessas construções. São edifícios construídos, em construção, em lançamento e reformas (retrofit), mostrando como uma região que afugentou o mercado imobiliário por mais de 3 décadas, volta a atrair novos edifícios. No subcapítulo 3.3 serão catalogados os terrenos vazios ou subutilizados que por ora aguardam a especulação das construtoras e imobiliárias. A pesquisa identificou que nos primeiros edifícios construídos o Minhocão não entrava no material de vendas. Era escondido e camuflado. Hoje, tomando como base os desejos de se morar próximo a um futuro parque (que também pode ser no nível do chão, conforme defendem os partidários ao desmonte do elevado), o Minhocão aparece com destaque em fôlderes de vendas e em sites de vendas de imóveis. 199
208 3.1. Resiliência: o boom imobiliário e a redescoberta do Centro ( ) O centro de São Paulo, a área formada pelos distritos Sé e República, passou aproximadamente três décadas fora do foco do mercado. Não só do mercado imobiliário, foram anos de abandono e decadência. Como visto no capítulo 2.2, entre 1980 e 2000, a população dessa área diminuiu quase 30% -, passou de 94 mil habitantes para 68 mil habitantes, respectivamente. Mas esse é um processo que começa antes de É um processo que acompanha o deslocamento das classes dominantes para outros setores da cidade, acompanhadas pelo comércio e serviços a elas relacionados (KARA JOSÉ, 2010). Ou seja, o centro histórico os bairros centrais formados por esses dois distritos, que até princípios dos anos 1960 era praticamente a única centralidade da metrópole, ganha a concorrência de novas centralidades, sendo as principais através do deslocamento para o sudoeste da cidade: Avenida Paulista, Avenida Brigadeiro Faria Lima, Avenida Luís Carlos Berrini e Marginal Pinheiros. Deslocamento este incentivado pelas forças do capital seja o imobiliário ou o financeiro. [...] manifestação da importância dada ao centro pelas camadas de alta renda, é o fato delas puxarem- no para próximo delas, de maneira que, mesmo quando se afastam, esse afastamento é em parte compensado pelo deslocamento do centro na direção delas. (VILLAÇA, 1995, p.203) 200
209 A questão da revitalização urbana das áreas centrais está conectada, por sua vez, ao surgimento de outros subcentros, ou, sob outro prisma, à configuração de um contexto multipolar, dentro do qual o centro tradicional passa a competir com os demais, principalmente do ponto de vista econômico. O processo de expansão metropolitana, portanto, torna a questão da centralidade ainda mais complexa. (FRÚGOLI Jr., 2000, p.26) Mas essa competição se deu, também, através da diluição nas centralidades de bairros, como exemplos: Pinheiros, Santana, Tatuapé, Lapa e Vila Mariana. Estes últimos incentivados pela própria municipalidade, através da Lei Geral de Zoneamento de 1972, da construção de estações de metrô ou terminais de ônibus, e principalmente, através do crescimento explosivo da cidade, com o surgimento (ou fortalecimento) de áreas comerciais nesses centros de bairros desde pelo menos a metade do século XX. As mudanças foram acentuadas com a expansão da centralidade financeira e a diminuição das atividades do mercado imobiliário. A atuação do poder público seguiu as transferências das classes dominantes e do mercado imobiliário, dando apoio à expansão da centralidade urbana e à criação de novas frentes de reprodução do capital. Desse processo, resultou uma grande transformação no Centro, da qual faz parte a sua popularização, divulgada como deterioração ou degradação, termos imbuídos de um caráter ideológico. (KARA JOSÉ, 2010, p.12) O Centro apesar do esvaziamento populacional, mantém uma grande vitalidade econômica, estando entre as maiores concentrações de postos de empregos da cidade (KARA JOSÉ, 2010). Portanto, afirmações que usam a expressão revitalização mostram uma perspectiva falsa da realidade. A vitalidade do Centro é mantida pelo intenso fluxo de pessoas 201
210 que circulam por suas ruas e são atraídas pelos empregos e serviços que a região oferece. Porém isso não se mantém no período noturno. É uma região que tem muito mais empregos que população moradora. A subprefeitura da Sé, que abrange toda a região central (e que inclusive é delimitada a sul pela Avenida Paulista), tem cerca de 736,5 mil empregos segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e do Emprego, tabela fornecida pela SMDU, 2014 e uma população de 388 mil pessoas (IBGE, 2010). Um coeficiente de quase dois empregos por habitante. Os dois distritos que formam o Centro Sé e República possuem cerca de 265,6 mil empregos (RAIS, 2014) e uma população de aproximadamente 72,9 mil habitantes (IBGE, 2010). Ou seja, uma relação de 3,6 empregos por habitante. Fig. 162 Empregos formais comparando a subprefeitura Sé com a de Pinheiros. Fonte: SMDU- PMSP 202
211 O entorno do Minhocão, em 1969, antes da construção do elevado, era constituído por um patrimônio arquitetônico rico e diversificado, produzido durante quarenta anos de intensa verticalização e adensamento populacional da área desde a finalização dos prolongamentos da Avenida São João, em 1930 e do alargamento da Rua Amaral Gurgel anunciado em 1954 (executado somente em 1966). Esses edifícios construídos em diversos estilos arquitetônicos eclético, art déco, modernizado (transição para o moderno) (SOMEKH, 2014) e moderno tinham alguns pontos comuns, todos vinculados ao urbanismo tradicional: suas implantações ocupando a totalidade do lote (edifícios encostados lado a lado); gabaritos similares (na Avenida São João); uso misto com comércio no térreo e apartamentos nos andares superiores com uso intenso das calçadas e fachada ativa; sem vagas de estacionamento (com algumas poucas exceções); e acessos dos moradores através de hall de entrada com portão direto na calçada, sem grandes problemas de segurança. Esses pontos em comum eram o padrão de construção da metrópole no período concentrado, principalmente, na região central. A partir de alterações em leis urbanísticas, principalmente pela lei dos coeficientes, de 1957, e da Lei Geral de Zoneamento, de 1972, esse padrão foi alterado radicalmente, notando- se: o espraiamento da verticalização na cidade que buscou áreas com terrenos grandes (indisponíveis em grande parte da região central) em benefício da salubridade dos novos imóveis a serem construídos, privilegiando implantações que isolaram torres, criando paliteiros e, principalmente, diminuindo a vitalidade nas calçadas; com a construção de edifícios monofuncionais recuados da calçada ou cercados por 203
212 muros extensos em condomínios- clube ; e uma enorme quantidade de vagas de garagem por apartamento. Essa distorção foi corrigida somente na nova Lei de Uso e Ocupação do Solo, aprovada em março de 2016, que incentivará novas construções de uso misto com fachada ativa e limitará a construção de grandes áreas para estacionamento. Essa nova configuração de implantação de edifícios, que se alastrou pela cidade, não será percebida nos arredores do Minhocão até aproximadamente o ano de 2005, porque essa área, como vimos nos capítulos anteriores, foi esquecida pelo mercado imobiliário e perdeu população, principalmente por causa da construção do elevado, em Foram três décadas de transformações do patrimônio construído (grande parte se degradou por falta de manutenção) e de transformações sociais, com a diminuição constante dos habitantes e a popularização da área, causada pela saída dos antigos proprietários em sua maioria de classe média e a locação ou sublocação desses apartamentos para camadas mais populares, que, mesmo com os problemas ambientais causados pela presença do elevado (poluição, barulho, falta de privacidade etc.), encontraram a oportunidade de morar ladeadas por boa infraestrutura e próximas à área de trabalho, situações que se sobrepõem aos problemas elencados. Além dos diversos apartamentos que simplesmente foram abandonados e deixados vazios, por dificuldades de locação ou desinteresse dos proprietários. 204 A maior parte das edificações verticais do Centro foi construída entre os anos 1930 e 1960, e se caracteriza pela ocupação total do terreno, sem recuos frontais e laterais. Os novos empreendimentos [construídos a partir de 2005]
213 têm apresentado padrões de aproveitamento, de tipologia do edifício, de dimensão das unidades e oferta de facilidades diferentes das construções vizinhas, seguindo o modelo dos edifícios de apartamentos dos bairros de classe média. Além disto, têm se destacado pela rápida absorção pelo mercado. (KARA JOSÉ, 2010, p.191) Outras mudanças que ocorrem no período foram a relação do arquiteto com o objeto final projetado e as influências de financiamento para novas construções de classe média, principalmente a partir de 1964, quando ocorreu uma certa formatação do projeto para seu enquadramento nas normas que o BNH impunha e o espaço restrito para atuação do arquiteto. (ANITELLI, 2010) O arquiteto, que até os anos 1950 projetava diretamente ao cliente passa, a partir de 1964, a ter muitos intermediários com interesses próprios e divergentes. Quando o projeto do edifício de apartamentos finalmente chega ao departamento de projeto, as restrições impostas pelos outros agentes são tão grandes que a capacidade de interferência passa a ser pouca. [...] Considerando as informações existentes no Banco de Dados de Apartamentos do Nomads.usp, até os anos 1950, a maioria dos edifícios de apartamentos projetados na cidade de São Paulo foram feitos por profissionais que trabalhavam em escritórios próprios e, já nos anos 1970, a maioria dos projetos de edifícios de apartamentos foi feito por empresas incorporadoras. Isso mostra as diferentes formas de produção em cada época, e também expõe as características dos produtos resultantes. (ANITELLI, 2010, p.131) 205
214 Assim, podemos dizer que a região central como um todo, sofreu grandes transformações a partir do fim da década de Na área do Minhocão a situação torna- se mais radical devido à agressividade com que esta obra foi imposta no seu entorno. A sombra do elevado sobre o leito das ruas diretamente afetadas fez a vitalidade nas calçadas diminuir drasticamente, reduziu a diversidade comercial da área e expulsou os antigos moradores. A construção de novos edifícios ficou congelada e outras centralidades foram criadas pela iniciativa privada, respaldada por ações do setor público. [...] a partir da década de 60 o foco dos empreendedores imobiliários voltou- se progressivamente para outras regiões. [...] Associada à transferência do setor terciário para a região da Paulista, a possibilidade de utilização de financiamento do Banco Nacional de Habitação (BNH) para construção e compra de apartamentos de classe média a partir de 1967 embora tenha sido inicialmente formulado para atender ao mercado popular [...] também contribuiu para direcionar as atividades do setor imobiliário para regiões de interesse dessa classe (KARA JOSÉ, 2010, p.23) 206 Mas não é possível prever se a decadência da área do Minhocão teria sido evitada sem a construção da via elevada. Teria sido provavelmente minimizada, mas todo o perímetro central estava sendo abandonado pelas grandes empresas e perdia população. [...] das 80 sedes de bancos no estado de São Paulo, em 1968, 70 estavam no Centro Principal, na área do Triângulo; no final dos anos 70, 81,1% desse total ainda estavam no Centro Principal, mas o Centro Paulista já contava com 16,6%; já em 1987, havia 50 sedes no Centro Principal e 80 na Paulista, enquanto que 11 na Faria Lima. (FRUGOLI Jr., 2000, p.130)
215 Em 2000, apenas cerca de 5% das sedes dos grandes grupos imobiliários permaneciam no Centro (construtoras e incorporadoras), a maior parte havia se mudado durante os anos 90 para a região das Avenidas Faria Lima e Berrini (NOBRE, 2000). Essas migrações também contribuíram para a deterioração do espaço urbano do Centro, na medida em que causaram dois grandes impactos: o aumento paulatino do número de edifícios vazios, por um lado, e a diminuição de usuários dos espaços, comércio e serviços existentes em alguns setores, por outro. (KARA JOSÉ, 2010, p.26) Assim, o Centro se transformou por completo num período de duas décadas. Desde meados da década de 1970, cada governante que administrou a cidade promoveu alguma ação que tinha o discurso de revitalizar a área central, conforme elencado por Beatriz Kara José (2010): Plano de Revitalização do Centro (Olavo Setúbal, ); Plano de Revitalização da Área Central (Reynaldo de Barros, ); Projeto Luz Cultural (Mario Covas, ); Túnel do Vale do Anhangabaú, parcialmente implantado (Jânio Quadros, ); Parque Anhangabaú e finalização dos túneis, Boulevard São João e Operação Urbana Anhangabaú de 1991 (Luiza Erundina, ); 207
216 No período seguinte à gestão Erundina, ocorreu novamente o afastamento da municipalidade das questões da área central. Destacaram- se durante as gestões Paulo Maluf ( ) e Celso Pitta ( ) as ações voltadas para o desenvolvimento do setor sudoeste da cidade e as alianças com o capital imobiliário. [...] Preenchendo uma lacuna deixada pelo poder municipal, cresceu nesta época o papel de um ator do setor privado, a Associação Viva o Centro (AVC) 17, criada em 1991 pelo Banco de Boston (KARA JOSÉ, 2010, p.29) No governo Pitta, apesar do desinteresse pela área central, é aprovada a Operação Urbana Centro (OUC), em 1997, por pressão da AVC. A Operação Urbana Anhangabaú (1991) tinha sido um fracasso devido à falta de adesão da iniciativa privada, então é criada a nova operação urbana, ampliando a área de atuação para a totalidade dos distritos Sé e República (e parte do Brás), criando novos incentivos para atrair novos investidores, conforme visto no subcapítulo 2.3. O incentivo principal se dá através do coeficiente de aproveitamento, único na cidade com a possibilidade de chegar a seis vezes a área do terreno, sem a necessidade de pagamento de outorga. Nos primeiros dez anos em vigor, a OUC teve baixa adesão, provavelmente pelo interesse do mercado imobiliário nas garantias de construção em áreas mais valorizadas e também devido à desconfiança e à incerteza de lançar novos empreendimentos na área central 17 Segundo KARA JOSÉ (2010, pg ) a AVC congregava representantes de diversas instituições, a maioria proprietária de imóveis no Centro, entre elas as duas bolsas (de Valores e de Mercadorias & Futuros), bancos nacionais, internacionais e públicos, Federação do Comércio, Associação Comercial, Federação das Indústrias, Rotary Club, Associações das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento, Associação das Empresas Distribuidoras de Valores, Federação Brasileira das Associações de Bancos (FEBRABAN), Associação Brasileira de Bancos Internacionais e sindicato dos Bancários. Ver também o livro Centralidade em São Paulo, FRUGOLI Jr. (2000) 208
217 estigmatizada por mais de duas décadas como uma área decadente ou degradada. E, como o mercado imobiliário atua principalmente para as classes médias e altas da sociedade, as características populares do centro causaram desconfiança em incorporadoras e construtoras para investir em novos empreendimentos nessa área. O mercado popular é recente e durante anos foi promovido apenas pelo Estado, sendo que para a maior parte da população de baixa renda o acesso à casa própria através de financiamento é praticamente inviável, incentivando a autoconstrução na periferia da cidade. Os lançamentos imobiliários na região central têm um primeiro impulso durante o governo de Marta Suplicy ( ), principalmente devido às ações promovidas pelo Programa Ação Centro e pela perspectiva de assinatura de contrato de financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O exame das matérias jornalísticas é bastante didático sobre a construção do discurso sobre o Centro, que varia de catastrófico a otimista. Nelas, proliferam especulações sobre a relação do mercado imobiliário com a região. (KARA JOSÉ, 2010, p.188) Em reportagem publicada no jornal OESP, em 22 de julho de 2004, com a manchete Centro arruma a casa para a volta da classe média, comenta- se sobre a assinatura do contrato de financiamento entre a prefeitura e o BID, 209
218 A certeza de que há R$ 400 milhões para investir no Centro, nos próximos seis anos, já anima o mercado imobiliário. [...] Para o diretor do Sindicato da Construção (Secovi), Sérgio Tavares Ferrador, a certeza de o dinheiro do BID ser carimbado é animadora. Ele explica que o eixo entre a Praça da República e o Largo do Arouche deve ser um dos mais interessantes para empreendimentos voltados para a classe média. Uma pesquisa do Secovi pela internet apontou que 30% dos que acessam o site (são 500 consultas diárias) gostariam de morar no Centro. (OESP, 22/07/2004) Essa ação gera uma certa confiança do mercado imobiliário e consequentemente da população de classe média para um possível retorno 18 ou investimento na região central. Entre 2005 e 2006, depois da aprovação de novos incentivos e facilidades promovidas pelo governo federal para a liberação de financiamentos e créditos bancários, surge um novo boom imobiliário no país. Isso se dá concomitante à abertura de mercado (na bolsa de valores) das grandes construtoras e incorporadoras. 210 Segundo a lógica desses agentes [imobiliários], a transformação seria necessária para atrair o interesse de uma demanda solvente, diferente da atualmente existente no Centro, e para recolocá- lo entre os vetores de valorização imobiliária na cidade. Aí sim, talvez, a região voltasse a ser interessante para as grandes empresas do setor imobiliário. Estas empresas construtoras e incorporadoras atuam num universo completamente diferente do Centro, especialmente aquelas que a partir de 2006 abriram seu capital na Bolsa de 18 Mas é a partir do boom intensificado entre 2005 e 2006 que realmente os imóveis residenciais começam a ser lançados na região central. Primeiro em bairros centrais, como Santa Cecília e Consolação (incluindo o entorno do Minhocão) e posteriormente, a partir de 2010, após a grande valorização do preço do solo na capital, na região do Centro propriamente dito distritos da República e Sé, devido aos estímulos da OUC.
219 Valores, e que buscam a valorização de seus ativos para alimentar os fundos de investimentos imobiliários. (KARA JOSÉ, 2010, p.190) Em função de mudanças ocorridas no Sistema Financeiro Imobiliário SFI e da criação do instrumento de alienação fiduciária 19, a partir de meados dos anos 2000 foram lançadas no mercado linhas de financiamento para a classe média. KARA JOSÉ, 2010, p.195) Em São Paulo, da média histórica de aproximadamente 3,4 milhões de metros quadrados lançados pelo mercado imobiliário residencial, por ano, entre 1993 e 2005 (EMBRAESP e SMDU), ocorre um salto para mais de 5 milhões de metros quadrados em 2006 e chega a 6,8 milhões em Com a crise econômica que emerge nos países desenvolvidos, em 2008, a euforia do mercado imobiliário é contida, mas mantém uma média ponderada de 4,5 milhões de metros quadrados lançados entre 2008 e 2014, com pico acima dos 5 milhões em 2010 ano que a taxa de crescimento do PIB brasileiro ultrapassa 7,5%, maior índice em 24 anos (IBGE). Em 2015, com a crise político- econômica que assola o país, esse volume despenca para 2,05 milhões de metros quadrados menor volume lançado desde 1992 (último ano do governo Collor). 19 Segundo KARA JOSÉ (2010, pg.195): a alienação fiduciária substituiu a hipoteca nos instrumentos de compra e venda de imóveis. Segundo explicação de um incorporador, no caso de existência de inadimplência, com a hipoteca a recuperação do imóvel pela instituição financeira demorava em torno de 20 anos; com a alienação fiduciária, este tempo caiu para 60 dias, conferindo maior segurança aos bancos e investidores para liberação do crédito. Este fato teria sido decisivo para abertura de capital das incorporadoras na bolsa de valores em 2006 e colocação no mercado de novos tipos de financiamento imobiliário com juros mais baixos do que os até então existentes 211
220 Fig. 163 Área total lançada em m2 (residenciais) no município e na subprefeitura da Sé. Fonte: EMBRAESP/SMDU- PMSP O boom imobiliário provoca uma expressiva valorização do solo na cidade. A competição entre incorporadoras para adquirir os melhores terrenos da cidade principalmente na região sudoeste provoca essa valorização. Num curto espaço de tempo, terrenos pouco atraentes em outras áreas da cidade extremos das zonas leste, norte e sul também se valorizam exponencialmente, já que no vetor sudoeste os lotes disponíveis começam a ficar cada vez mais exíguos e caros. A região central, até então estigmatizada pela degradação e popularização, começa a ser atraente para o mercado, que atraído pelos incentivos da OUC, lança dezenas de novos edifícios residenciais, principalmente a partir de Entre 2006 e 2010, poucos edifícios são construídos na OUC. Na região do entorno do Minhocão os lançamentos imobiliários começam nesse período e são intensificados depois da nova aceitação da região central, confirmada pelas boas vendas a partir de Nas tabelas elaboradas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) e embasadas nos números fornecidos pela EMBRAESP percebe- se esse movimento do mercado 212
221 na região central (figura 163). Os números dos distritos Sé e República evidenciam o desinteresse pela OUC até A somatória da área lançada de edifícios residenciais lançados no distrito da República entre 1992 e 2009 é de aproximadamente 100 mil metros quadrados nestes 18 anos. Isso equivale a uma média de 5,5 mil metros quadrados lançados por ano. Sendo que, neste período, durante 7 anos (1993, 1995, 1996, 1997, 1998, 2001 e 2004) não foi lançado nenhum edifício. A mudança ocorre somente em 2010, quando são lançados 70,7 mil metros quadrados. O total entre 2010 e 2015 chega a 362 mil metros quadrados. Nesses seis anos, a média de lançamentos atinge mais de 60 mil metros quadrados por ano, um crescimento extraordinário de mais de 10 vezes se comparado à média dos 18 anos anteriores. Sendo que o pico de volume neste período é o ano de 2014, com quase 100 mil metros quadrados. No distrito Sé, área mais antiga da cidade, repleta de construções históricas tombadas e com poucos terrenos disponíveis, a situação só muda em 2012 com o lançamentos de edifícios próximos à região da baixada do Glicério e próximos à Rua Tabatinguera. Entre 1992 e 2007 nada é lançado. Em 2008 existe um número pequeno lançado, de pouco mais de mil metros quadrados. Entre 2009 e 2011 nada é lançado também. Porém em 2012 são lançados mais de 34 mil metros quadrados, que somados aos lançamentos de 2015 totalizam 52 mil metros quadrados neste distrito nos últimos 4 anos. A Rua Amaral Gurgel é o único trecho do Minhocão pertencente à OUC e ao distrito da República, portanto, evidencia parte do interesse do mercado imobiliário nos arredores da via 213
222 elevada. Já os outros distritos cruzados pelo elevado Santa Cecília e Consolação estão fora do perímetro da OUC e tem essa redescoberta do mercado evidenciada junto com o boom imobiliário iniciado em No distrito de Santa Cecília, foram lançados aproximadamente 500 mil metros quadrados em edifícios residenciais entre 1992 e Com uma média ponderada nesses 14 anos de cerca de 35,7 mil metros quadrados lançados por ano. A partir de 2006 até 2015 são lançados cerca de 530 mil metros quadrados, com uma média de 53 mil por ano. Um crescimento expressivo de 48,5%. Já no distrito da Consolação, a área mais elitizada dos arredores do elevado, onde situa- se o bairro de Higienópolis, o crescimento é bem menos impactante. Passa de uma média de 35 mil metros quadrados por ano entre 1992 e 2005, para cerca de 38,5 mil metros quadrados entre 2006 e 2015, um crescimento de 10% entre os dois períodos. Cruzando algumas informações elaboradas pela SMDU e baseadas no Censo de 2010, do IBGE, podemos compreender os tipos de domicílios segundo a tipologia (casa, apartamento, cortiços etc.); a quantidade de moradores por domicílio; e a condição de propriedade (casa própria, alugada, outras formas), comparando a área central com o restante do município. No município de São Paulo existem cerca de 3,5 milhões de domicílios (figura 164), sendo 2,5 milhões de casas próprias (70% do total), 830 mil alugadas (23% do total) e os 7% restantes cedidos, emprestados pelo empregador ou feitos em outras condições. Na subprefeitura Sé (Região Central, composta por 8 distritos: Bela Vista, Bom Retiro, Cambuci, 214
223 Consolação, Liberdade, República, Santa Cecília e Sé) existem cerca de 178 mil domicílios, sendo 99 mil domicílios próprios (56% do total), 70 mil alugados (39%) e os outros 5% cedidos ou sob outras condições de uso. Portanto, a quantidade de imóveis alugados é muito superior na região central do que na média do município. Isso representa o risco da chamada gentrificação (expulsão dos moradores que não conseguem pagar os custos de vida e os custos do solo da região que se valoriza). Recortando ainda mais os dados, podemos somar apenas os distritos onde se localiza o Minhocão e entender como se configuram os domicílios nos seus arredores República, Santa Cecília e Consolação. Nestes distritos existem cerca de 88,5 mil domicílios, sendo cerca de 50 mil domicílios próprios (56% do total), 34,5 mil alugados (39%) e os outros 5% cedidos ou sob outras condições de uso. Ou seja, números idênticos na proporção se comparados com os de toda a região central. Porém, analisando somente os imóveis alugados, existem variações de distrito para distrito, enquanto na Consolação a média cai para 34%, na República atinge cerca de 45% dos imóveis. Em Santa Cecília existe um número mais equilibrado em torno de 38%. Nos dados fornecidos sobre domicílios segundo as tipologias residenciais (figura 165), podemos perceber que no município de São Paulo cerca de 70,3% são casas (formais ou precárias), 28,5% são apartamentos e 1,2% são cortiços (ou casa de cômodos). Na região central, uma área muito mais verticalizada, cerca de 9,2% são casas, 87,7% são apartamentos e 3,1% são cortiços ou casas de cômodos (quase três vezes a média da cidade). Nos três distritos atingidos pelo Minhocão: cerca de 3,5% são casas, 94,1% são apartamentos e 2,4% são cortiços ou casas de cômodos (duas vezes a média da cidade). 215
224 Fig. 164 (acima) Domicílios segundo condição de propriedade no município e nas subprefeitura da Sé e Pinheiros. Fonte: EMBRAESP/SMDU- PMSP Fig. 165 (abaixo) Domicílios segundo condição de Tipologias Residenciais no município e nas subprefeituras da Sé e de Pinheiros. Fonte: EMBRAESP/SMDU- PMSP 216
225 O Outro dado importante, principalmente em relação ao Centro e ao entorno do Minhocão é a questão do grande número de moradores de rua: Ao falar da população residente no Centro, uma das principais questões é a existência de um grande número de moradores de rua da região. Essa população não faz parte dos censos demográficos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), justamente por não terem domicílio. Por encomenda da Prefeitura Municipal de São Paulo, a FIPE realizou alguns censos desses moradores de rua e identificação do seu perfil socioeconômico. Em levantamento de 2000, foram identificados moradores de rua em São Paulo. No segundo, realizado em 2003, foram contadas pessoas. Em 2008, foram identificadas pessoas em situação de rua. Ou seja, [...] cresceu 59% [entre 2000 e 2008]. Do total de pessoas levantadas em 2008, (54%) estão na região central [...] (KARA JOSÉ, 2010, p.54) No levantamento feito em 2015 (figura 166), o número de pessoas em situação de rua no município de São Paulo subiu para Um crescimento de 16,4% em relação a Porém na subprefeitura da Sé (região central) o número caiu para 6.302, 40% do total. Fig. 166 (ao lado) Censo da população em situação de rua no município e na subprefeitura da Sé. Fonte: EMBRAESP/SMDU- PMSP 217
226 3.2. Novas construções: do elevado camuflado ao elevado como chamariz Conforme já abordado no subcapítulo 2.2, a região central e o entorno do Minhocão receberam dois grandes incentivos da prefeitura do município. O primeiro ainda em fins dos anos 1980, no governo Luiza Erundina através do fechamento da via elevada para carros no período noturno a partir das 21h30 que transforma lentamente a aceitação da população moradora, que, aos poucos, começa a usufruir do Minhocão para o lazer. O segundo no início dos anos 2000, mais precisamente em 2001, no governo Marta Suplicy, com o incentivo do uso de lazer aos domingos com o lançamento do programa Domingo no Minhocão. Esses dois incentivos, em conjunto com outras ações na região central (Reurbanização do Vale do Anhangabaú, Programa Morar no Centro, de 2004, entre outros), são tentativas do poder público de mudar a percepção da população paulistana em relação ao medo (adquirido nas décadas anteriores) da região central e, também, de estancar a saída de moradores dessa zona. O mercado imobiliário lança o primeiro edifício no entorno do Minhocão em , o Avant Place Downtown da construtora Encol 21. Nesse ano o Brasil passava por um dos seus 20 Depois de mais de vinte anos da construção do elevado (1971), conforme já sublinhado no subcapítulo 2.2, páginas Desde 1994 o Ministério Público investigava a empresa por indícios de sonegação de impostos (VEJA, 27/08/1997). Ela tem falência decretada em Prejudica cerca de 42 mil clientes e 23 mil funcionários (segundo a reportagem do site Marketing Imobiliário em: caso- encol- grande- licao- para- o.html). E o esqueleto do edifício fica alguns anos dominando a paisagem de quem passava na Avenida General Olímpio da Silveira ou pelo Elevado. 218
227 períodos históricos mais caóticos nas esferas política e econômica com a derrocada do governo Collor (o processo de impeachment e a sua renúncia em dezembro) e a hiperinflação. Apesar das perspectivas positivas quanto ao lançamento do edifício, o momento talvez não fosse o mais adequado para se investir em imóveis. Esse empreendimento, apesar do sucesso de vendas, não atraiu outros lançamentos, e, sozinho, não alterou as características negativas adquiridas pela região nas duas décadas anteriores, até porque com a falência da construtora Encol a obra ficou paralisada por mais de dez anos e só foi finalizada em janeiro de 2005, pela construtora Tarjab. Poucas construções novas (nenhuma nas quadras lindeiras ao elevado) são construídas entre 1992 e Somente a partir de meados dos anos 2000, principalmente com o boom imobiliário iniciado a partir de , que as incorporadoras e as construtoras realmente retornam com lançamentos de novos edifícios no perímetro em estudo. O edifício Avant Place Downtown foi implantado numa quadra inteira, mas, diferente dos edifícios da região construídos antes de 1970, ele é isolado no lote, como um grande condomínio- clube. O acesso ao condomínio nega a presença do elevado e acontece pela rua posterior (paralela) ao Minhocão, a Rua Oscar Thompson, uma rua local. A torre residencial em lâmina possui 16 apartamentos por andar voltados para duas faces da quadra: para a face sudoeste de frente para o Minhocão (Avenida General Olímpio da Silveira) e para a face nordeste oposta ao Minhocão (voltada para a rua de acesso). A lâmina residencial, com 17 pavimentos tipo, apoia- se num grande bloco de uso comercial, com 2 pavimentos, e sobre esse bloco foram implantadas as áreas de lazer do setor residencial. O prédio está implantado no 219
228 fundo do terreno, isolado por uma área frontal de lazer (OESP, 18/10/1992). Esse bloco fica recuado mais de dez metros da testada do lote na face do Minhocão e hoje possui uma grande loja de produtos para animais domésticos (os chamados pet- center ). Há alguns anos existe na cidade a visão de que morar próximo ao Elevado Costa e Silva é desinteressante, para dizer o mínimo. Essa afirmação, entretanto, parece já não corresponder à realidade e pode estar com seus dias contados. A Encol aposta nisso e está construindo um empreendimento residencial em plena Avenida General Olímpio da Silveira [...]. É o Avant Place Downtown, um prédio com apartamentos de dois dormitórios (uma suíte) e andares, lançado em junho. A iniciativa da Encol em construir o edifício, que ocupa uma quadra inteira no bairro vem na esteira de melhorias como o Memorial da América Latina e a estação Marechal Deodoro do metrô, que estão dando à região um caráter revitalizador. É hora, portanto, de aproveitar essa tendência e chegar na frente com um empreendimento diferenciado [...] conta Dolzonan da Cunha Mattos, diretor superintendente da Encol, em São Paulo. O Avant Place, segundo Mattos, foi projetado em função da presença do Minhocão. Os prédios existentes são anteriores ao elevado, por isso não tiveram esse tratamento. A forma que a Encol encontrou foi construir o edifício no fundo da quadra e implantar um centro de lazer na área frontal, lindeira a avenida, com função de barreira acústica, ajudada pelas árvores preservadas no terreno. São dois subsolos, mais três andares intermediários, onde ficarão instalações do condomínio. Os apartamentos estão a partir do quinto andar. A distância em relação ao Minhocão é a mesma que há para uma rua normal, diz Mattos. O Avant Place tem 272 unidades no total, das quais 175 já estão vendidas. [...] A expectativa de Mattos é vender todas as unidades até o fim de novembro. Acho que nosso prédio vai impulsionar outros empreendedores a investirem no local, prevê Mattos. Para ele a região tem sofrido os efeitos de um estigma: A área pavimentos no total, com 17 pavimentos tipo + pavimento de lazer + 2 pavimentos comerciais (térreo e mezanino) + 1 pavimento de instalações + 2 subsolos, conforme conferido in loco pelo autor. 220
229 central tem atrativos para os moradores, diz. Uma das vantagens que aponta é a tranquilidade dos fins de semana e as opções de lazer, com restaurantes e teatros próximos, conclui. (OESP, 18/10/1992) Os prédios vizinhos possuem a implantação seguindo o urbanismo tradicional, com a construção ocupando o terreno por inteiro, com fachada ativa no nível da rua (com comércio) e com portaria e hall de entrada com acesso direto à rua, sem os sistemas de segurança atuais que cada vez mais afastam os moradores do convívio com a rua e a cidade, como exemplo: os diversos portões formando baias de contingência (chamadas no mercado imobiliário de pulmão, trata- se do espaço entre dois portões onde a abertura do segundo portão está condicionada ao fechamento do primeiro, de acesso à rua. Isso se transformou em regra de segurança em praticamente todos os lançamentos imobiliários da cidade a partir dos anos 1990 e é um sinal de como a sociedade mudou no período). Na redescoberta do entorno do elevado pelo mercado imobiliário, em meados dos anos 2000, os condomínios negaram a presença da via. Inclusive negaram fazer parte do bairro, da cidade. A análise de Teresa Pires do Rio Caldeira, no livro Cidade de Muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo (2000), reflete bem esse novo modelo: Os condomínios fechados são a versão residencial de uma categoria mais ampla de novos empreendimentos urbanos que chamo de enclaves fortificados [ ], os enclaves tendem a ser ambientes socialmente homogêneos. Aqueles que escolhem habitar esses espaços valorizam viver entre pessoas seletas (ou seja, do mesmo grupo social) e longe das interações indesejadas, movimento, 221
230 heterogeneidade, perigo e imprevisibilidade das ruas. Os enclaves privados e fortificados cultivam um relacionamento de negação e ruptura com o resto da cidade e com o que pode ser chamado de um estilo moderno de espaço público aberto à livre circulação. (CALDEIRA, 2000, p ) Nesse contexto, o uso da propaganda foi fundamental para que as vendas dos empreendimentos acontecessem. O objetivo das propagandas é seduzir. Os anúncios usam um repertório de imagens e valores que fala à sensibilidade e fantasia das pessoas a fim de atingir seus desejos. Como Augé indica em sua análise dos anúncios dos châteaux e domaines franceses, seu efeito jaz no descobrimento ou na súbita revelação a um indivíduo específico de um lugar onde, ele imagina, a vida será possível para ele (1989:28-9) 23. Para conseguir esse efeito, os anúncios e as pessoas a quem eles apelam têm que compartilhar um repertório comum. Se os anúncios falham em articular imagens que as pessoas possam entender e reconhecer como suas, eles falham em seduzir. (CALDEIRA, 2000, p.264) Para as classes média e alta, a criação de uma residência é mediada por anúncios publicitários e pelas indústrias imobiliária e da construção. Nos últimos 20 anos, esses anúncios elaboraram o que chamam de um novo conceito de moradia e o transformaram no tipo mais desejável de residência. Esse novo conceito de moradia articula cinco elementos básicos: segurança, isolamento, homogeneidade social, equipamentos e serviços. A imagem que confere o maior status (e é mais sedutora) é a da residência enclausurada, fortificada e isolada, um ambiente seguro no qual alguém pode usar vários equipamentos e serviços e 23 AUGÉ, Marc. Domaines et Châteaux. Paris: Seuil, (referência de Teresa Caldeira, não consultada nesta dissertação) 222
231 viver só com pessoas percebidas como iguais. Os anúncios apresentam a imagem de ilhas para as quais se pode retornar todos os dias para escapar da cidade e para encontrar um mundo exclusivo de prazer entre iguais. (CALDEIRA, 2000, p.265) Nesta redescoberta, os primeiros lançamentos começaram tímidos e voltados para famílias de classe média baixa ou apostando em jovens solteiros ou recém- casados. O antigo kitchenette, transformado em studio, com uma série de serviços e espaços coletivos, também aparece nas áreas mais centrais em locais valorizados, ficado no público jovem e com renda garantida. (VARGAS; ARAÚJO, 2014, p.164) Nesta pesquisa, foram levantados 21 empreendimentos 24 construídos entre 2005 e 2015 nas quadras do entorno do Minhocão. Os três que foram lançados primeiro Edifício Cult, Edifício Estilo Campos Elíseos e Edifício Nolita possuem apartamentos com um dormitório ou são quitinetes 25 (chamadas atualmente pelo mercado de studios ). Com área útil entre 27 e 40 metros quadrados, buscam claramente compradores jovens ( descolados segundo o próprio fôlder de vendas) que querem morar próximo aos principais meios de transporte (metrô, trem, corredor de ônibus), e, ao mesmo tempo, usam do marketing para divulgar o projeto ou a localidade como algo exclusivo fortemente inspirado nos anseios da elite. 24 Ver Figura 168, página 218, com dados levantados dos 21 empreendimentos. 25 Quitinete, do inglês Kitchenette, pequena cozinha apartamento pequeno. 223
232 O controle completa o novo conceito de moradia, isto é, a imagem de um mundo exclusivo, isolado, disciplinado, fortificado, homogêneo e autossuficiente, que parece sintetizar a noção de um estilo de vida alternativo personificando o que a elite paulista dos anos 90 chama de liberdade. (CALDEIRA, 2000, p.272) Dos 21 empreendimentos levantados, 6 fazem referência no próprio nome ao bairro de Higienópolis, são eles: Jardins de Higienópolis, Attualitá Nova Higienópolis, Cosmopolitan Higienópolis, Helbor Trend Higienópolis, Norah Higienópolis e o Edifício Varanda Expressions que não possui a localidade no nome mas coloca o bairro no fôlder de vendas como a Nova Higienópolis de São Paulo. Outros 3 trazem o bairro de Santa Cecília como complemento ao nome principal, são eles: You Now Santa Cecília, Cosmopolitan Santa Cecília e Smart Santa Cecília. O bairro do Pacaembu aparece no nome de 2: Urban Living Pacaembu e Urban Office Pacaembu (são empreendimentos vizinhos lançados pela mesma construtora). Outros 4 trazem referências específicas: Estilo Campos Elíseos, Novo Centro Arouche, Novo Centro República e Setin Downtown São João. Por fim, 6 não trazem a localidade no nome, mas usam, na maioria dos casos, nomenclaturas em língua estrangeira: Cult, Nolita, You New Town, Brasília Financial, Dorchester e Marignan (sendo que os dois últimos foram vendidos como localizados no bairro de Higienópolis, afinal eles ficam na área menos afetada pelo Minhocão, no lado sul da via expressa, e possuem 1 apartamento por andar, de 537 e 260 metros quadrados respectivamente). 224
233 O valor do metro quadrado no entorno do Minhocão para imóveis residenciais começa, em 2005, em torno de dois mil reais (R$ 2.000,00); passa para três mil reais (R$ 3.000,00) em 2007 ainda no início do boom imobiliário; chega a dez mil reais (R$ ,00) em 2012; e em 2016 o valor passa a variar entre R$ ,00 e R$ ,00 reais dependendo do tipo e do padrão de acabamento. Ou seja, nos últimos quatro anos, os valores se estagnaram devido à crise que começa a afetar primeiro o mercado imobiliário (ainda em 2012, conforme reportagem da revista Exame 26 ), mas continuam elevados. Esses números são bem similares aos bairros de classe média da cidade. A seguir, serão apresentadas fichas técnicas de cada empreendimento, com descrição dos projetos e, em alguns casos, com as informações do material de vendas impresso (fôlder de vendas) e, também, citações e reportagens que foram publicadas na imprensa escrita (jornais e revistas). 26 Revista Exame - edição /02/
234 226 Fig. 167 (ao lado) Mapa feito pelo autor com levantamento de novos edifícios no entorno do Minhocão ( ). Fonte: autor
235 Fig. 168 Quadro com levantamento de novos edifícios no entorno do Minhocão ( ). Fonte: autor 227
236 I) Edifício Cult Rua Adolfo Gordo, 52 (esquina com Alameda Nothmann, 820) Realização: Klabin Segall PDG Incorporadora Lançamento: 2005 (novembro) Entrega: 2008 (março) Arquitetura: Jonas Birger Paisagismo: Neusa Nakata Terreno: (sem dado) Torres: 1 Pavimentos: 27 andares (12 por andar) + térreo Apartamentos: Studios (27m2) e 1 dormitório (36m2) Unidades: 316 Dados coletados em: fôlder, propaganda em jornal e site da construtora Proximidade do Minhocão: 3 quadras (no limite da área de estudo), aproximadamente a 315 metros do elevado O projeto oferece lavanderia coletiva e todos os apartamentos possuem uma vaga de garagem. No folheto de vendas (fôlder) os destaques (em negrito, grifo nosso) mostram exatamente a tese da antropóloga Teresa Caldeira, citada acima. Funcional, despojado, completo. Um Cult residencial no coração da cidade. Fig. 169 Propaganda do Edifício Cult Fonte: folheto de vendas Falta verde no centro? Bem, aqui no seu condomínio não. Desça o elevador e sinta o clima de bem- estar do térreo. Conviva intensamente com a metrópole e depois relaxe no mais charmoso e completo imóvel do novo centro. 228
237 Todo cidadão tem o direito a momentos de relax e prazer, mesmo o mais ocupado paulistano. Cult é para os antenados, descolados, informados, hypes; Conectividade é tudo. CULT é um projeto diferenciado, feito especialmente para atender a suas expectativas de moradia em nosso centro revitalizado. Inclui ambientes ao ar livre bem descontraídos nas áreas comuns do empreendimento, cercados de verde e sombras. Um pouco mais de natureza em nosso centro vai muito bem, ainda mais quando ele ocupa o seu próprio quintal. As artérias que levam à toda a cidade saem do Centro. Consolação, Angélica, o Elevado, a Vinte e Três de Maio. CULT está bem ali. Você chega rápido a qualquer ponto. Fica perto da faculdade, fica perto do jornal, perto do cinema e da praça de alimentação, do underground e do mainstream também. E como ninguém pára nenhum minuto, transporte fácil é fundamental. CULT está colado nas estações Santa Cecília e Marechal Deodoro do metrô. À volta, descansam tranquilos os sobrados neoclássicos da época em que vivia aqui a empertigada aristocracia do café que, inspirada pela arquitetura de Paris, quis reproduzir a atmosfera da Avenida Champs Elysées, criando seu Campos Elíseos, o primeiro bairro projetado de São Paulo, em O Elevado não aparece nos mapas de localização do fôlder, apenas a Avenida São João. E, no texto da propaganda, nota- se que ele aparece de forma discreta entre as artérias que levam à toda a cidade. Ele está escondido, camuflado como diz o título deste subcapítulo. E um dos sinônimos da região, o underground (os bares, boates que funcionaram em meados dos anos 2000 e a diversidade LGBT), também é citado como uma das características da região. Mas Fig. 170 Plantas apartamentos do Edifício Cult Fonte: fôlder de vendas 229
238 Fig. 171 (esq.) Fachada do Edifício Cult. Fonte: fôlder de vendas Fig. 172 (dir.) Imagens do Edifício Cult. Fonte: fôlder de vendas 230
239 Fig. 173 (esq.) Localização do Edifício Cult. Fonte: fôlder de vendas Fig. 174 (dir.) Implantação do Edifício Cult. Fonte: site construtora a tentativa de ligação do bairro com a elite, com a aristocracia, fica evidente, mesmo que os apartamentos tenham áreas diminutas. Em 2006 é lançado pela prefeitura a segunda edição do Prêmio Prestes Maia de Urbanismo, um Concurso de Ideias para intervenções no Minhocão: a busca de soluções apropriadas à redução dos impactos negativos [provocados pela obra], bem como a avaliação do papel que desempenha na circulação viária de São Paulo (LUNA; MAGALHÃES Jr. apud ARTIGAS; MELLO; CASTRO, 2008, p.7-8). Conforme já comentado no subcapítulo 2.2 (p.151) 231
240 uma longa reportagem é publicada no jornal OESP, no dia 18 de junho de 2006, no caderno Imóveis, sendo que na terceira página o destaque da manchete se refere a um provável aquecimento do mercado na área: Revitalização deve mexer com mercado, com os seguintes destaques no texto: A revitalização do Elevado Costa e Silva pode trazer um novo ânimo para o mercado imobiliário da região de Santa Cecília, Campos Elíseos e Barra Funda, considerado hoje pelas imobiliárias pouco movimentado, se comparado a áreas vizinhas. Tão próximas a Higienópolis, um dos bairros mais valorizados de São Paulo, e a universidades como Mackenzie, Santa Casa e PUC, as quadras do entorno do Minhocão terão chance de recuperar valorização. [...] Hoje, a diferença de preço de um quarteirão para outro é gritante. [...] quanto mais perto do Minhocão, menor o valor. Nas transversais, cada quadra é um perfil. Na Alameda Barros, o padrão é quase Higienópolis, mas são prédios sem recuo e, por isso, mais baratos, explica o corretor. [...] Para a gerente de vendas e aluguéis da imobiliária Lello, Roseli Hernandez, a região tem tudo para ser valorizada. O que atrapalha mesmo é o Minhocão. Se revitalizar vai mexer com o mercado. Porque, se não fosse o Minhocão. A procura seria maior e o preço melhor, acredita. (OESP, 18/06/2006) Em reportagem na mesma página, o Edifício Cult é usado como referência: Valorização da área é aposta da Klabin Segall, 232 Atenta às transformações da região, a construtora e incorporadora Klabin Segall lançou no fim do ano passado o condomínio cult, na Alameda Nothmann, nos Campos Elíseos. A Klabin historicamente gosta de desenvolver empreendimentos em fronteiras de mercado, não apenas nos eixos óbvios,
241 afirma a gerente de Marketing da empresa, Marcella Carvalhal. A boa infraestrutura do bairro contou muito. É uma região com ingredientes férteis para lançamentos e com carência de empreendimentos residenciais. Com unidades de um e dois dormitórios, o condomínio é voltado para jovens casais e solteiros. É para quem procura a primeira moradia, trabalha e precisa de facilidades. Cerca de 50% das unidade já foram vendidas. Os preços vão de R$ 59,9 mil a R$ 79,9 mil. (OESP, 18/06/06) Não foi possível ter em mãos o material de vendas dos outros dois edifícios. Aqui estão apenas fichados com informações técnicas (e quantitativas) e com as imagens (plantas, perspectivas e fotos) que foi possível levantar via internet e acervos digitais de jornais. II) Edifício Estilo Campos Elíseos Rua Dr. Carvalho de Mendonça, 251 (esquina com a Rua General Júlio Marcondes Salgado) Realização: MKF Construtora Lançamento: 2005 Entrega: 2008 Arquitetura: (sem dado) Paisagismo: (sem dado) Terreno: (sem dado) Torres: 1 Pavimentos: 12 andares (8 por andar) + térreo + cobertura lazer Apartamentos: 1 dormitório (30,84m2 e 39,23m2) Unidades: 84 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: 1 quadra, aproximadamente a 180 metros do elevado Fig. 175 Fachada do Estilo Campos Elíseos Fonte: site da construtora Fig. 176 Planta apartamento de 30,84m2 Fonte: site construtora 233
242 III) Edifício Nolita Rua Brigadeiro Galvão, 127 Realização: Majer Engenharia Lançamento: 2005 Entrega: 2008 (1º semestre) Arquitetura: ARQDonini Paisagismo: (sem dado) Terreno: (sem dado) Torres: 1 Pavimentos: 13 andares (8 por andar) + térreo Apartamentos: Studios Unidades: 104 Dados coletados em: site da construtora e do arquiteto Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, aproximadamente a 50 metros em linha reta ou a 160 metros caminhando pela rua Fig. 177 Foto do Edifício Nolita Fonte: site construtora Fig. 178 (esq.) Planta apartamento Edif. Nolita Fonte: site construtora 234
243 Esses três edifícios possuem muitas características em comum, além das pequenas dimensões dos apartamentos, dos espaços de lazer e do isolamento das torres no centro dos lotes, uma característica preponderante é a localização. Os três estão no entorno ao norte do Minhocão, numa região mais popular da região central, os Campos Elíseos, separados, pelo elevado, da região de Santa Cecília e de Higienópolis (bairros mais elitizados), ao sul da via elevada. Os edifícios seguintes que foram lançados na região foram: Condomínio Jardins de Higienópolis (2005), Condomínio Novo Centro Arouche (2006) e Edifício Attualitá Nova Higienópolis (2007). Dois têm em comum estarem na face sul do elevado e fazerem referência ao bairro de Higienópolis numa tentativa de associarem os empreendimentos a um dos bairros de maior renda per capita da cidade, mesmo estes não estando na localidade e sim no bairro de Santa Cecília. E o Novo Centro Arouche é o primeiro deste estudo que realmente está dentro da Operação Urbana Centro e na divisa do distrito de Santa Cecília com o distrito da República. Porém, diferente dos três primeiros empreendimentos lançados, estes últimos se caracterizam pela tentativa de conquistar prioritariamente famílias ao invés de jovens descolados. Enquanto nos primeiros a tipologia padrão era o studio ou o apartamento de um dormitório, nesses vão predominar apartamentos de dois dormitórios (inclusive com suíte), com área de até 56 metros quadrados. 235
244 IV) Edificios Condomínio Jardins de Higienópolis Rua Martim Francisco, 67 Realização: BR CORP Empreendimentos, Requadra Desenvolvimento Imobiliário e Sinco Engenharia Lançamento: 2005 (sem confirmação) Entrega: 2008 (fevereiro) Arquitetura: Jonas Birger Paisagismo: Martha Gavião Terreno: 2.440m2 Torres: 2 Pavimentos: 17 andares (torre 1) e 18 andares (torre 2) + térreos Apartamentos: 1 dormitório (37m2) e 2 dormitórios (51m2) Unidades: 210 Dados coletados em: folheto simples de vendas e site da construtora Proximidade do Minhocão: 2 quadras, aproximadamente a 190 metros do elevado Fig. 179 Fachada Jardins de Higienópolis Fonte: site construtora Fig. 180 Foto do Jardins de Higienópolis Fonte: site construtora 236
245 Fig. 181 Implantação do Jardins de Higienópolis Fonte: site construtora 237
246 Fig. 182 Foto do Jardins de Higienópolis Fonte: site construtora Fig. 183 (esq. acima) Planta de 2 dormitórios Fonte: site construtora Fig. 184 (esq. abaixo) Planta de 1 dormitório Fonte: site construtora 238
247 V) Edifícios Condomínio Novo Centro Arouche Avenida Duque de Caxias, 159 (fundos para a Rua Frederico Steidel) Realização: TPA Empreendimentos Lançamento: 2007 Entrega: 2010 Arquitetura: Jonas Birger Paisagismo: Martha Gavião Terreno: (sem dado) Torres: 2 Pavimentos: 15 andares (8 por andar) + térreo Apartamentos: 2 dormitórios (48m2 e 52m2) Unidades: 240 (120 por torre) Dados coletados em: fôlder, propaganda em jornal e site da construtora Proximidade do Minhocão: 1 quadra, aproximadamente a 40 metros em linha reta ou a 200 metros caminhando pela rua Fig. 185 Capa fôlder do Novo Centro Arouche, com a banca de flores do Largo do Arouche Fonte: fôlder de vendas No início de 2007 são lançados os edifícios do Condomínio Novo Centro Arouche, da incorporadora TPA, que foi publicado em destaque numa reportagem do caderno Cidades do jornal OESP do dia 25 de fevereiro 27, No anúncio, uma aquarela mistura a imagem de bancas de flores do Largo do Arouche com a perspectiva dos prédios. No detalhe, o poste de iluminação característico da região. O apelo publicitário, claro, é a localização: perto de tudo. É dessa forma que o centro de São Paulo recebe o primeiro lançamento imobiliário, vendido na planta, dos últimos 20 anos, pelo menos. [...] A gente percebe que há uma procura, há um público interessado na região, afirma José 27 Conforme descrito no subcapítulo 2.2, páginas
248 Roberto Federighi, responsável pela consultoria imobiliária à incorporadora, a TPA, que resultou no lançamento do Novo Centro Arouche. Federighi é também vice- presidente do Sindicato da Habitação (Secovi) e diz ter outros terrenos em vista para novos empreendimentos caso esse seja bem- sucedido. O Novo Centro Arouche terá 200 apartamentos de dois dormitórios, de 48m2 a 52m2 de área útil, com preços a partir de R$ 120 mil. No térreo, área de lazer com piscina, playground e quadra poliesportiva, muito diferente das lojas comerciais e de serviços que costumam ocupar a mesma base de velhos prédios residenciais do centro. (OESP, 25/02/2007) E continua, Eu acho que se abre uma ótima oportunidade de trazer para o centro uma população que já morou na região, e a piora progressiva no trânsito é a principal razão disso, considera Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). O centro se tornou um local privilegiado, cheio de qualidades. A Embraesp acompanha todos os lançamentos do mercado imobiliário paulistano desde Nos últimos 27 anos, foram registrados oito lançamentos na Sé e na República, porém seis retrofit (reforma e requalificação de prédios antigos), segundo Pompéia. [...] Bairros vizinhos, como Campos Elíseos e Liberdade, estão recebendo lançamentos, o que reforça a tese de que há um movimento de valorização do centro, afirma Pompéia. Para o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Emílio Hadad, a divulgação das iniciativas de revitalização pode justificar esse movimento. Mas são distritos com poucos terrenos. (OESP, 25/02/2007) No fôlder de vendas, a capa mostra (como uma tela, uma obra de arte) a banca de flores do Largo do Arouche e a frase: Descubra como é bom morar no Centro de São Paulo. E, ao abri- lo, outra chamada com letras garrafais: No Centro você está a poucos minutos de qualquer Fig. 186 Infraestrutura da região central Fonte: fôlder de vendas 240
249 ponto da cidade, mostrando uma foto panorâmica do Vale do Anhangabaú. O panfleto lista todas as opções de transporte que a região central possui. Logo abaixo, na mesma página, diz: Revitalizado, o Centro ressurge por inteiro. Morar no Centro. De novo, a melhor opção em São Paulo. Nas páginas seguintes, usa outros métodos de convencimento, mesmo que estes sejam imprecisos: O Centro de São Paulo tem estilo e charme europeus. O perfil europeu do Centro está presente até hoje nos detalhes arquitetônicos das várias construções remanescentes do século 19, que foram inspiradas ou até mesmo importadas diretamente da Europa. Compras, lazer, cultura, arte, segurança, gastronomia, transportes. Tudo o que você precisa para viver bem, o Centro de São Paulo tem. Um projeto que une todo o lazer e conforto com a praticidade que você quer. Viva o privilégio de morar com muito lazer e garagem em pleno Centro. Ao mesmo tempo que faz propaganda de todos os equipamentos da região central, de lazer e de infraestrutura, o anúncio entra em contradição e vende o condomínio- clube fechado ( sonho do paulistano): Lazer a vontade. Você nem precisa sair de casa. Fig. 187 Desenho artístico da Fachada do Novo Centro Arouche Fonte: fôlder de vendas 241
250 242 Fig. 188 Preço no lançamento do Novo Centro Arouche e imagens internas Fig. 189 (esq. acima) Os atrativos do Centro Fig. 190 (esq. abaixo) Entrada para Av. Duque de Caxias Fonte: fôlder de vendas
251 Fig. 191 (esq.) Planta de 2 dormitórios (52m2) e Fig. 192 (dir.) Planta de 2 dormitórios (48m2) Fonte: site construtora Fig. 193 Foto Novo Centro Arouche Fonte: site construtora 243
252 244 Fig. 194 Implantação do Novo Centro Arouche Fonte: site construtora
253 VI) Edifício Attualitá Nova Higienópolis Rua das Palmeiras, 283 Realização: ZKF Engenharia Lançamento: 2007 Entrega: 2010 (julho) Arquitetura: (sem dado) Paisagismo: (sem dado) Terreno: (sem dado) Torres: 1 Pavimentos: 20 andares (8 por andar) + térreo Apartamentos: 1 dormitório (41m2) e 2 dormitórios (56m2) Unidades: 160 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: 1 quadra, aproximadamente a 150 metros do elevado Fig. 195 Fachada Attualitá Nova Higienópolis Fonte: site construtora Fig. 196 (esq.) Foto do edifício Fonte: autor 245
254 VII) Edifício Varanda Expressions Rua Brigadeiro Galvão, 153 (fundos para a Praça Marechal Deodoro) Realização: MAC Construtora e Incorporadora / Cyrela Brazil Realty Lançamento: 2007 (dezembro) Entrega: 2011 (março) Arquitetura: MCAA (Márcio Cury & Azevedo Antunes) Paisagismo: Neusa Nakata Terreno: 3.350m2 Torres: 1 Pavimentos: 28 andares (8 por andar) + térreo Apartamentos: 2 dormitórios (67m2) e 3 dormitórios (81m2) Unidades: 208 Dados coletados em: fôlder, propaganda em jornal e site da construtora Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, fundos para a via elevada, ou a 150 metros da entrada do empreendimento na rua paralela caminhando pela rua até o elevado Em dezembro de 2007 é lançado pela construtora MAC e pela incorporadora Cyrela, o Edifício Varanda Expressions, próximo à Praça Marechal Deodoro. O primeiro deste estudo com apartamentos de 3 dormitórios (81 metros quadrados), além dos apartamentos com 2 dormitórios, sendo uma suíte (67 metros quadrados). O nome faz referência às grandes varandas dos apartamentos. O empreendimento restaura um edifício tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) com fachada para a Praça Marechal Deodoro (e para o Minhocão) e o transforma em edifício de lazer do condomínio, nomeado de Espaço de Expressão. Fig. 197 Fachada do Edif. Varanda Expressions com o prédio tombado nos fundos Fonte: fôlder de vendas 246
255 No fôlder de vendas (grifos nossos): O Varanda Expressions é um empreendimento como você nunca viu em São Paulo. Não só um edifício com lazer completo e uma varanda inédita na região: é também um projeto para quem conhece a arte de viver. Você não vai estar só ao lado dos principais pontos da cidade, como vai ter um espaço mais do que especial dentro do próprio edifício. Num prédio tombado pelo Patrimônio Histórico e revitalizado durante a construção, vai funcionar o Espaço de Expressão, com atelier, Cine teatro, salão de jogos adulto e um lounge. O Varanda Expressions vai ser um lugar para sua família morar, se expressar e viver melhor. Uma expressão de refinamento e segurança: As linhas contemporâneas do Varanda Expressions convivem em harmonia com a estrutura tradicional do prédio tombado pelo Patrimônio Histórico que irá fazer parte do empreendimento. E toda essa beleza vai ser cercada por muita segurança. As portarias serão monitoradas 24 horas, para que não falte tranquilidade na sua vida. Aproveite seu clube privativo: Você não precisa mais sair de casa para aproveitar seus fins de semana. O Varanda Expressions conta com uma piscina adulto com raia e cascata e, ainda, uma piscina infantil. Um verdadeiro clube para você. Fig. 198 Foto entrada do Edifício Varanda Expressions (recém- inaugurado em 2011) Fonte: autor O único prédio de São Paulo com Espaço de Expressão. 247
256 Espaço para você ver suas histórias ou criar as suas: Dentro do Espaço de Expressão você vai poder expressar o melhor da sua arte no atelier e ainda apreciar peças e filmes no cine teatro. No salão de jogos e no lounge você vai ter espaço para confraternização com os amigos e para expressar a alegria de viver. No mapa de localização o Minhocão não existe. Aparece como Avenida General Olimpio da Silveira, sendo que o endereço real, nos fundos, é a Praça Marechal Deodoro. Fig. 199 Foto da fachada do prédio art déco tombado com frente para o Minhocão (Praça Marechal Deodoro) Fonte: autor Fig. 200 Implantação do Varanda Expressions com a ligação com o prédio tombado (a direita no desenho) Fonte: fôlder de vendas 248
257 Fig. 201 (esq.) Desenho da fachada do prédio art déco tombado com frente para o Minhocão (Praça Marechal Deodoro) e atrás o novo edifício com 28 andares Fonte: fôlder de vendas Fig. 202 (dir.) Foto da fachada do prédio art déco tombado com frente para o Minhocão Fonte: site da construtora 249
258 Fig. 203 (esq.) Planta de 3 dormitórios Fonte: fôlder de vendas Fig. 204 (dir.) Planta de 2 dormitórios Fonte: fôlder de vendas 250
259 VIII) Edifício Dorchester Alameda Barros, 702 Realização: Construtora Elias Victor Nigri (CEVN) Lançamento: 2008 Entrega: 2011 (outubro) Arquitetura: Israel Rewin Paisagismo: (sem dado) Terreno: 4.450m2 Torres: 1 Pavimentos: 27 andares (1 por andar) + Duplex (28/29 pavto.) + térreo Apartamentos: 4 dormitórios (537m2) e Duplex (840m2) Unidades: 28 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: 1 quadra, aproximadamente a 190 metros do elevado Fig. 205 Foto fachada do Edifício Dorchester Fonte: site da construtora Fig. 206 (esq.) Planta de 4 dormitórios Fonte: site da construtora 251
260 IX) Condomínio Novo Centro República Rua Major Sertório, 321 Realização: TPA Empreendimentos Lançamento: 2009 Entrega: 2012 Arquitetura: (sem dado) Paisagismo: (sem dado) Terreno: (sem dado) Torres: 1 Pavimentos: 29 andares (8 por andar) + térreo Apartamentos: Studios, 1 dormitório (37m2) e 2 dormitórios (59m2) Unidades: 200 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, aproximadamente a 50 metros do elevado Fig. 207 Fachada Novo Centro República Fonte: site da construtora Fig. 208 (esq.) Implantação em perspectiva do Novo Centro República Fonte: site da construtora 252
261 Fig. 209 Foto fachada do Edifício Novo Centro República Fonte: site da construtora Fig. 210 (esq. acima) Planta 2 dormitórios Fonte: site da construtora Fig. 211 (esq. abaixo) Planta 1 dormitório Fonte: site da construtora 253
262 X) Edifício Urban Living Pacaembú Rua Conselheiro Brotero, 528 (esquina com a Rua Camaragibe) Realização: Brookfield Incorporações Lançamento: 2010 (novembro) Entrega: 2013 (dezembro) Arquitetura: Wilson Marchi EGC Paisagismo: Benedito Abbud Terreno: 2.413,82 m2 Torres: 1 Pavimentos: 25 andares (6 por andar) + térreo Apartamentos: 2 dormitórios (51m2 e 57m2) e 3 dormitórios (71m2) Unidades: 150 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, aproximadamente a 60 metros do elevado Fig. 212 Fachada do Urban Living Pacaembu Fonte: site da construtora Fig. 213 (esq.) Implantação Fonte: site da construtora 254
263 Fig. 214 (esq.) Planta 3 dormitórios. Fonte: site construtora. Fig. 215 (dir.) Planta 2 dormitórios com suíte. Fonte: site construtora Fig. 216 Planta 2 dormitórios. Fonte: site construtora. 255
264 XI) Edifício Urban Office Pacaembú Rua Mario de Andrade, 48 (fundos para a Rua Camaragibe) Realização: Brookfield Incorporações Lançamento: 2011 Entrega: 2014 Arquitetura: (sem dado) Paisagismo: (sem dado) Terreno: m2 Torres: 1 Pavimentos: 20 andares (16 salas por andar) + térreo Salas comerciais: 30m2 e 37m2 Unidades: 320 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, aproximadamente a 70 metros do elevado Fig. 217 Fachada do Urban Office Pacaembu Fonte: site da construtora Fig. 218 (esq.) Implantação Fonte: site da construtora Fig. 219 (centro) Foto do edifício Fonte: autor 256
265 Fig. 220 Planta do pavimento Tipo com opções de junções dos conjuntos Fonte: site da construtora Fig. 221 Planta do conjunto de 37 m2 Fonte: site da construtora 257
266 XII) Edifício Setin Downtown São João Avenida São João, 1427 Realização: Setin Incorporadora Lançamento: 2011 (novembro) Entrega: 2014 Arquitetura: MCAA (Márcio Cury & Azevedo Antunes) Paisagismo: Benedito Abbud Terreno: 2.224m2 Torres: 1 Pavimentos: 18 andares (8 por andar) + térreo Apartamentos: 1 dormitório (42m2) e 2 dormitórios (59m2) Unidades: 144 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: 1 quadra, aproximadamente a 200 metros do elevado andando pela rua ou a 110 metros em linha reta Fig. 222 Fachada do Setin Downtown São João Fonte: site da construtora Fig. 223 (esq.) Implantação Fonte: site da construtora 258
267 Fig. 224 (esq.) Planta 2 dormitórios (59m2) e Fig. 225 (dir.) Planta 1 dormitório (42m2) Fonte: site da construtora Fig. 226 Foto da Fachada do Setin Downtown São João Fonte: site da construtora 259
268 Em agosto de 2011 foi publicada uma reportagem na capa do caderno de Imóveis do jornal OESP: Transformação, entre o novo e o decadente Adquirir imóvel em área sob processo de renovação pode ser uma aposta arriscada. A eventual valorização atrai, mas a imprevisibilidade da mudança é empecilho e na quinta página: Risco marca aquisições em área de recuperação: Imprevisível, a valorização de regiões degradadas pode não atender à expectativa : Entre prós e contras, a dentista Elaine de Moura Campos, de 39 anos, tornou- se proprietária de um apartamento recém- inaugurado em Santa Cecília 28, a uma quadra do Minhocão e a 350 metros da Rua Apa um ponto de concentração de viciados em drogas. O prédio está a menos de 200 metros do meu trabalho. Em segundo lugar, gosto do comércio do local, e a localização me favorece: estou perto do centro e das saídas da cidade, explica. [...] A expansão informal dos domínios de bairros consolidados explica o dinamismo imobiliário no centro expandido, na opinião do professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), Nabil Bonduki: Essa região está passando por certo dinamismo, porque está muito próxima de uma área já valorizada. (OESP, 21/08/2011) O risco apontado na reportagem acaba não se tornando realidade, já que nos 4 anos seguintes são lançados diversos edifícios no entorno do Minhocão. 28 Refere- se ao Edifício Varanda Expressions finalizado em março de
269 XIII) Edifício Brasília Financial Avenida Angélica, 321 (lateral do prédio para a Praça Marechal Deodoro) Realização: Escritório Brasília de Imóveis (E.B.I.) e C2J Construtora Lançamento: 2012 Entrega: 2015 Arquitetura: Alexandre Milleu Arquitetura Paisagismo: (sem dado) Terreno: (sem dado) Torres: 1 Pavimentos: 23 andares (8 salas por andar) + térreo Salas comerciais: 50m2 até 400m2 (andar inteiro) Unidades: 184 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, fachada lateral para a Praça Marechal Deodoro, ou aproximadamente a 80 metros andando pela rua Fig. 227 Fachada do Edifício Brasília Financial Fonte: site da construtora Fig. 228 (esq.) Planta do pavimento Tipo Fonte: site da construtora 261
270 Fig. 229 Foto do Edifício Brasília Financial Fonte: site da construtora Fig. 230 (esq.) Foto do Edifício Brasília Financial Vista da Praça Marechal Deodoro Fonte: site da construtora Fig. 231 (centro) Foto do Ed. Brasília Financial Fonte: site da construtora 262
271 XIV) Edifício You New Town Rua das Palmeiras, 322 Realização: YOU,INC. Incorporações e Tibério Construções e Incorporações Lançamento: 2012 Entrega: 2015 Arquitetura: Jonas Birger Paisagismo: (sem dado) Terreno: m2 Torres: 1 Pavimentos: 14 andares (6 por andar) + térreo Apartamentos: 1 dormitório (36 a 41m2) Unidades: 76 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, aproximadamente a 140 metros do elevado andando pela rua ou a 30 metros em linha reta Fig. 232 Fachada do Edifício You New Town Fonte: site da construtora Fig. 233 (esq.) Implantação Fonte: site da construtora 263
272 Fig. 234 (esq.) Planta 1 dormitório (36m2) e Fig. 235 (dir.) Planta 1 dormitório (41m2) Fonte: site da construtora 264
273 XV) Edifício You Now Santa Cecília Rua Brigadeiro Galvão, 738 Realização: YOU,INC. Incorporações e Tibério Construções e Incorporações Lançamento: 2013 Entrega: 2016 Arquitetura: Itamar Berezin Paisagismo: Núcleo Arquitetura da Paisagem Terreno: m2 Torres: 1 Pavimentos: 18 andares (6 por andar) + térreo Apartamentos: 1 dormitório (37 a 40m2) Unidades: 108 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: 3 quadras (no limite da área de estudo), aproximadamente a 300 metros do elevado Fig. 236 Fachada do Edifício You Now Santa Cecília Fonte: site da construtora Fig. 237 (esq.) Implantação Fonte: site da construtora 265
274 Fig. 238 (esq.) Planta 1 dormitório (37m2) e Fig. 239 (dir.) Planta 1 dormitório (40m2) Fonte: site da construtora 266
275 XVI) Edifício Marignan Rua São Vicente de Paulo, 102 Realização: Construtora Elias Victor Nigri (CEVN) Lançamento: 2013 Entrega: 2016 (julho) Arquitetura: Itamar Berezin Paisagismo: (sem dado) Terreno: m2 Torres: 1 Pavimentos: 18 andares (1 por andar) + térreo Apartamentos: 4 dormitórios (260m2) Unidades: 18 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: 100 metros Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, aproximadamente a 100 metros do elevado Fig. 240 Fachada do Edifício Marignan Fonte: site da construtora Fig. 241 (esq.) Planta 4 dormitórios (260m2) Fonte: site da construtora 267
276 Depois desses 16 casos, ocorre uma mudança significativa, principalmente a partir de 2012 e 2013, quando diversos coletivos (grupos organizados pela comunidade sociedade civil) e a própria prefeitura começam a produzir festas e eventos sobre o tabuleiro do Minhocão. O Festival BaixoCentro e a Virada Cultural são alguns exemplos. Outro fato importante é a mudança administrativa com a posse do novo prefeito, em janeiro de 2013, que incentivou o uso das ruas (incluindo o elevado) e, principalmente, promulgou o novo Plano Diretor em 2014, propondo o fim do uso viário do viaduto (transformando- o em parque, demolindo- o ou alguma alternativa mista). Todos esses acontecimentos somados geram uma nova perspectiva do mercado (e da população) para as transformações que acontecerão no entorno do Minhocão. Assim, a partir de 2014, os lançamentos imobiliários começam a usar o Minhocão como chamariz de vendas. Em alguns folhetos de vendas o Minhocão é inserido nas opções de lazer das redondezas ou nas opções de parques próximos. Os corretores dos novos lançamentos são instruídos a comentar sobre o artigo 375 do PD- 2014, vendendo o fim do Elevado para carros e seu futuro: o parque sobre o tabuleiro, o boulevard sem a estrutura de concreto etc. Os empreendimentos listados a seguir usaram dessa estratégia de marketing para incentivar as vendas dos apartamentos. O único que não foi possível descobrir, porque seu fôlder é mais simples, é o Edifício Norah Higienópolis, todos os outros citam o Minhocão ou no folheto de vendas ou nos sites de vendas das construtoras. 268
277 XVII) Edifício Cosmopolitan Higienópolis Rua Olímpia de Almeida Prado, 27 (esquina com a Av. General Olímpio da Silveira) Realização: MAC Incorporadora e Construtora Lançamento: 2014 (outubro) Entrega: 2017 (agosto, previsão) Arquitetura: MCAA (Márcio Cury & Azevedo Antunes) Paisagismo: Benedito Abbud Terreno: m2 Torres: 1 Pavimentos: 18 andares (18 por andar) + térreo Apartamentos: 1 dormitório (32,61 a 36,74m2) Unidades: 329 Dados coletados em: fôlder, propaganda em jornal e site da construtora Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, em frente ao elevado, ou a 20 metros entre a portaria na rua lateral e o elevado O edifício Cosmopolitan Higienópolis, da construtora MAC (a mesma que lançou o edifício Varanda Expressions em 2007), ainda está em construção 29. É localizado em frente ao elevado, porém, a entrada do edifício foi implantada na rua lateral (Rua Olímpia de Almeida Prado) e na calçada voltada para o Minhocão está proposto um muro (ou seja, no marketing o Minhocão é chamariz, na arquitetura ele ainda é negado). Fig. 242 Fachada do Cosmopolitan Higienópolis Fonte: fôlder de vendas Charme de Higienópolis 29 Setembro de 2016 (dado do autor) 269
278 Bem- vindo ao privilégio de viver uma região que é puro charme. Com um perfil perfil versátil, que passeia do residencial ao comercial, aqui ainda existe acentuada diversidade cultural, o que nos confere um irresistível ar cosmopolita. Além disso, ter o melhor de Higienópolis ao seu alcance torna a região o lugar ideal para morar. Ideal para receber este projeto único, que reúne tudo o que se pode desejar para viver com tranquilidade, conforto e sofisticação: o Cosmopolitan Higienópolis. Projeto único, cercado de infraestrutura e bem- estar: Lazer, cultura, educação e entretenimento. Uma localização privilegiada, repleta de facilidades em todo o entorno. No Cosmopolitan Higienópolis você tem uma ampla gama de comércio e serviços ao redor. A região oferece diversos bares, restaurantes, teatros e proporciona todo o clima da charmosa região de Higienópolis. Na sequência, o fôlder mostra fotos das redondezas: Elevado (com pessoas caminhando e andando de bicicleta nos finais de semana); Praça Buenos Aires (está a aproximadamente 1,5 quilômetro do local); Praça Vilaboim (está, também a 1,5 quilômetro do empreendimento); Estádio do Pacaembú (está a 2 quilômetros do edifício). Conveniência e modernidade simplificando seu dia a dia. Alguns dos serviços básicos oferecidos no folheto são: controle de acesso 24 horas; segurança 24 horas; manobrista 24 horas, lavanderia coletiva, entre outros. 270
279 Fig. 244 Elevado Costa e Silva (Minhocão) como equipamento de lazer da região Fonte: fôlder de vendas Fig. 243 (página anterior) Folheto de vendas do Cosmopolitan Higienópolis Fonte: site da construtora Fig. 245 (próxima página) Pavimento de acesso, térreo elevado e cobertura de lazer Fonte: fôlder de vendas 271
280 272
281 273
282 Fig. 247 Lavanderia coletiva Fonte: fôlder de vendas Fig. 246 (página anterior) Opções de plantas Fonte: fôlder de vendas Fig. 248 (próxima página) Minhocão como parque (material de orientação de vendas para corretores) Fonte: site construtora 274
283 275
284 XVIII) Edifício Cosmopolitan Santa Cecília Rua Helvétia, 980 (esquina com a Avenida São João, 1723) Realização: MAC Incorporadora e Construtora Lançamento: 2015 (abril) Entrega: 2018 (janeiro, previsão) Arquitetura: Itamar Berezin Paisagismo: Benedito Abbud Terreno: m2 Torres: 1 Pavimentos: 20 andares (10 por andar) + térreo Apartamentos: 1 dormitório (35m2) e 2 dormitórios (49m2) Unidades: lojas no térreo Dados coletados em: fôlder, propaganda em jornal e site da construtora Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, em frente ao elevado, ou a 20 metros, distância entre a portaria na rua lateral e o elevado O edifício Cosmopolitan Santa Cecília também é um empreendimento da construtora MAC e está sendo construído 30 no terreno onde ficava o antigo Teatro Dercy Gonçalves (até a década de 1990). Ele está localizado em frente ao Minhocão, na esquina da Avenida São João com a Rua Helvétia, e, assim como seu irmão (o Cosmopolitan Higienópolis), o acesso ao condomínio também acontecerá pela rua lateral ao Minhocão, mas, neste caso, foram propostas lojas na calçada da Avenida São João já atendendo a uma obrigatoriedade do novo Plano Diretor de 2014: a fachada ativa para lotes com mais de 20 metros de testada (o que enriquece o projeto e promove maior vitalidade à calçada em frente ao elevado). Fig. 249 Fachada do Cosmopolitan Santa Cecília Fonte: fôlder de vendas 30 Setembro de 2016 (visita do autor) 276
285 Na capa do fôlder a frase: Viva Santa Cecília Na página seguinte são descritos outros dois empreendimentos da construtora da linha Cosmopolitan, o Higienópolis e o High Garden (no bairro do Campo Belo) da seguinte maneira: Ser cosmopolita é ter um estilo de vida moderno, totalmente conectado e adaptado ao que há de melhor pelo mundo. É saber acompanhar grandes tendências e inspira- se nelas dia a dia, para tirar o melhor proveito de tudo ao seu redor. A linha MAC de produtos COSMOPOLITAN conta com três empreendimentos especialmente desenhados para esse perfil. Pessoas que apreciam e se identificam com a sofisticação, a praticidade, a mobilidade e desejam viver em um lugar que valorize seu tempo. Essa identificação fez o sucesso COSMOPOLITAN. Na sequência, o empreendimento apresenta o bairro de Santa Cecília: Santa Cecília é um dos pontos mais desejados da região central da cidade, repleto de acessos e mobilidade, com diversas linhas de metrô e 6 km de ciclovias. Tudo isso eleva a qualidade de vida, otimiza o seu tempo e facilita sua circulação pelas principais regiões da cidade. Fig. 250 Folheto de vendas do Cosmopolitan Santa Cecília Minhocão em destaque Fonte: site da construtora Na página seguinte, o Minhocão é o maior destaque. Ocupa a página inteira com um desenho artístico de jovens andando de patins e pessoas caminhando. E na lista de equipamentos de lazer da região aparece na sequência: Elevado Costa e Silva, Coconut, Siga La Vaca, A Casa dos Artistas, Shopping Pátio Higienópolis, Praça Roosevelt e Parque Buenos Aires. 277
286 Fig. 251 Elevado Costa e Silva (Minhocão) como equipamento de lazer da região Fonte: fôlder de vendas Fig. 252 (próxima página) Lojas no térreo Fachada ativa voltada para a Avenida São João Fonte: fôlder de vendas Fig. 253 (próxima página) Lavanderia coletiva Fonte: fôlder de vendas 278
287 279
288 Fig. 254 Pavimento de acesso e térreo elevado de lazer Fonte: fôlder de vendas Fig. 255 (próxima página) Opções de plantas Fonte: fôlder de vendas 280
289 281
290 XIX) Edifício Helbor Trend Higienópolis Rua Santa Isabel, 272 (esquina com a Rua Amaral Gurgel) Realização: Helbor Empreendimentos S.A. e Tempo Real Negócios Imobiliários Lançamento: 2015 Entrega: 2018 (previsão) Arquitetura: LATL Arquitetura (Luiz Alcino Teixeira Leite Arquitetos Associados) Paisagismo: Habitat Arquitetura da Paisagem Terreno: 1.599,63 m2 Torres: 1 Pavimentos: 24 andares (escalonado 12 por andar, 6 por andar e 4 por andar) + térreo Apartamentos: 1 dormitório (40m2) e 2 dormitórios (52m2) Unidades: 226 Dados coletados em: folder, propaganda em jornal e site da construtora Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, em frente ao elevado, ou a 20 metros, distância entre a portaria na rua lateral e o elevado O edifício Helbor Trend Higienópolis da construtora Helbor está em construção 31 e é localizado em frente ao elevado, na região da Vila Buarque, ao lado da Santa Casa de Misericórdia. Porém também usa como marketing o bairro de Higienópolis como elemento de aproximação com a elite. A entrada do edifício também foi implantada na rua lateral (Rua Santa Isabel) e na calçada voltada para o Minhocão (Rua Amaral Gurgel) está proposto um muro (assim como no Cosmopolitan Higienópolis). Ele fica na área limite da Operação Urbana Centro e, por este motivo, o projeto consegue implantar mais andares e mais apartamentos do que o Fig. 256 Fachada do Helbor Trend Higienópolis Fonte: Revista corporativa Helbor News 31 Setembro de 2016 (visita do autor) 282
291 concorrente mais próximo (Cosmopolitan Santa Cecília) mesmo possuindo uma área de terreno menor (1.599,63 m2 ante m2 do concorrente). No fôlder lê- se: Higienópolis, o bairro mais bonito e charmoso de São Paulo (e mostra uma moça tomando sorvete e uma bicicleta). Há também: Helbor Trend Higienópolis: o clássico e o contemporâneo nunca combinaram tão bem (frase ao lado da perspectiva da fachada do edifício). Fig. 257 Propaganda do Helbor Trend Higienópolis Fonte: FSP Fig. 258 (esq.) Implantação Fonte: site da construtora 283
292 Fig. 259 (esq.) Planta 2 dormitórios (52m2) e Fig. 260 (dir.) Planta 1 dormitório (40m2) Fonte: site da construtora Fig. 261 Propaganda do Helbor Trend Higienópolis, destaque para o uso da bicicleta Fonte: Fôlder de vendas 284
293 XX) Edifício Norah Higienópolis Alameda Barros, 90 Realização: Projete Construtora e Serprenco Empreendimentos Lançamento: 2015 (julho) Entrega: 2018 (fevereiro) Arquitetura: ZOOM Arquitetura Paisagismo: Karin Ricciardi Terreno: 1.135,35 m2 Torres: 1 Pavimentos: 13 andares (6 por andar) + térreo Apartamentos: 1 dormitório (33, 36 e 41m2) Unidades: 60 Dados coletados em: fôlder simples e site da construtora Proximidade do Minhocão: 2 quadras, aproximadamente a 300 metros do elevado O edifício Norah Higienópolis possui um folheto de vendas bem simples, com plantas e imagem da fachada, porém, como ele está situado na Alameda Barros, a proximidade com o bairro de Higienópolis começa a fazer sentido no nome adotado. Não usa o Minhocão como chamariz no material de vendas, mas no mapa de localização aparece o Elevado Costa e Silva, sem a camuflagem que existia nos empreendimentos até a transição dos anos 2000 para os anos Fig. 262 Folheto de vendas do Norah Higienópolis Fonte: Fôlder de vendas 285
294 Fig. 263 (acima) Fachada do Edifício Norah Fonte: site da construtora Fig. 264 (esq. acima) Implantação Fonte: site da construtora Fig. 265 (esq. abaixo) Mapa com o Elevado Fonte: fôlder de vendas 286
295 Fig. 266 Norah Higienópolis Fonte: fôlder de vendas Fig. 267 (esq. acima) Planta 33 m2 Fonte: site da construtora Fig. 268 (esq. abaixo) Planta 41 m2 Fonte: site da construtora 287
296 XXI) Edifício Smart Santa Cecília Avenida Duque de Caxias, 61 (fundos para a Rua Frederico Steidel) Realização: Gafisa S.A. Lançamento: 2015 Entrega: 2018 (março, previsão) Arquitetura: Candusso Arquitetos Paisagismo: Núcleo Arquitetura da Paisagem Terreno: 1.446,20 m2 Torres: 1 Pavimentos: 14 andares + térreo + cobertura lazer Apartamentos: Studios (26m2), 1 dormitório (36m2) e 2 dormitórios (52m2) Unidades: 261 Dados coletados em: fôlder, propaganda em jornal e site da construtora Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, aproximadamente a 100 metros andando pela rua ou a 30 metros em linha reta (entre a fachada posterior e o elevado) O edifício Smart Santa Cecília está sendo construído pela construtora Gafisa e, também, fica na Operação Urbana Centro (no limite do perímetro, na Avenida Duque de Caxias, próximo ao Condomínio Novo Centro Arouche, lançado em 2006). No fôlder e no site são apontados como diferenciais do projeto: Fig. 269 Fachada do Edifício Smart Santa Cecília Fonte: fôlder de vendas Compartilhe de um jeito inteligente de viver. Uma das melhores localizações de São Paulo que oferece as mais incríveis opções de lazer e infraestrutura. Confira o que você poderá aproveitar: Bar Brahma, Ciclofaixas, Largo do Arouche, Mackenzie, Minhocão, Pinacoteca, Praça da República, Sala São Paulo e Terminal Amaral Gurgel. 288
297 Fig. 270 Elevado Costa e Silva no mapa Fonte: fôlder de vendas Fig. 271 Minhocão como um diferencial de lazer e infraestrutura para o Edifício Smart Santa Cecília Fonte: site da construtora 289
298 O empreendimento vai disponibilizar para uso conjunto carros, bicicletas, wi- fi e até um apartamento sharing 32 inteiramente mobiliado e equipado para os moradores que desejarem acomodar suas visitas. Em informe publicitário com oito páginas distribuído em anexo do jornal FSP, no dia 29 de agosto de 2015, o gerente de Negócios da construtora aponta o perfil do comprador que o empresa busca: O novo empreendimento da Gafisa pretende atingir três tipos de perfis distintos [de compradores]. De acordo com o gerente de Negócios da empresa. Octávio Noronha, um deles é o comprador de fora de São Paulo, que visita a capital esporadicamente ou deseja comprar para investir em locação. Há ainda os comerciantes do centro que já vivenciam a experiência do bairro e pretendem investir para locar, por exemplo, para médicos que trabalham nos arredores, devido à proximidade da Santa Casa. O último perfil é o usuário que trabalha em empresas de grande porte na região e deseja morar perto do trabalho, ou ainda recém- casados que não planejam ter filhos tão cedo. No mesmo anúncio publicitário, com o título Efervescência cultural é destaque na região, o Minhocão é elencado como equipamento de lazer da região, Fig. 272 Informe publicitário do Edifício Smart Santa Cecília Fonte: FSP Completando o lazer na região, o Elevado Costa e Silva (Minhocão) agora fecha para carros aos sábados (a partir das 15h) e domingos, quando vira uma extensa área para adultos e crianças que gostam de correr ou andar de bicicleta. 32 espaço de uso compartilhado pelos condôminos 290
299 Fig. 273 Bicicletário Fonte: site da construtora Fig. 274 (esq. acima) Implantação Fonte: site da construtora Fig. 275 (esq. abaixo) Cobertura lazer Fonte: site da construtora 291
300 Fig. 276 Planta 2 dormitórios (52m2) Fonte: site da construtora Fig. 277 Planta Studio (26m2) Fonte: site da construtora 292
301 Além de atrair novamente o mercado imobiliário que lançou os empreendimentos acima citados, o entorno do elevado também teve alguns prédios reformados (pelos próprios condôminos) e teve pelo menos dois casos de retrofit 33. Aqui relatado apenas o retrofit de um 34 prédio abandonado que foi totalmente recuperado e vendido pela empresa Centro Vivo, na esquina da Rua Amaral Gurgel com a Rua Jaguaribe (limite da OUC). Um edifício construído em 1940, com dois pavimentos, sendo 3 apartamentos por andar, e lojas no térreo. Foi recuperado e totalmente vendido em 2013 com a nova designação de Edifício Ricardo Marques (a Construtora Centro Vivo homenageia os funcionários da empresa nomeando os empreendimentos retrofitados com seus nomes). Edifício Ricardo Marques Rua Amaral Gurgel, 20 (esquina com a Rua Jaguaribe) Realização: Centro Vivo Lançamento: Retrofit edifício de 1940 Entrega: 2013 (julho) Arquitetura: CENTRO VIVO Paisagismo: (não há) Terreno: (sem dado) Torres: 1 Pavimentos: 2 andares (3 por andar) + térreo Apartamentos: 1 dormitório e 2 dormitórios Unidades: 6 Dados coletados em: site da construtora Proximidade do Minhocão: quadra adjacente, de frente para o elevado Fig. 278 Foto do prédio antes do retrofit Fonte: Blog São Paulo Antiga Fig. 279 Foto do prédio durante a obra Fonte: Blog São Paulo Antiga 33 Retrofit = reforma com mudanças (ou não) do projeto original 34 Do outro projeto, na Avenida São João, nº 1728, não há nenhuma informação disponível. 293
302 Fig. 280 Foto do prédio antes do retrofit (visto a partir do Minhocão) Fonte: autor Fig. 281 Foto do prédio antes do retrofit Fonte: autor 294
303 Fig. 283 Foto da placa do prédio finalizado Fonte: Blog São Paulo Antiga Fig. 282 Foto do prédio finalizado Fonte: Blog São Paulo Antiga 295
304 Em reportagem publicada no caderno de Imóveis do jornal OESP em 8 de dezembro de 2013, o fácil acesso à região central é divulgada como o Apelo do centro e mostra a valorização que a área passou nos últimos anos e o perfil dos novos moradores: Nos últimos cinco anos, o metro quadrado para aluguel de um quarto [...], que valia no mínimo R$ 17,21, chegou a R$ 28,52 em (OESP, 08/12/2013) O programa Casa Paulista e as próprias diretrizes constantes da proposta do Pano Diretor Estratégico da cidade procuram transformar o Centro cada vez mais em uma região também residencial. Hoje, as incorporadoras veem a área com outros olhos segundo a diretora de Incorporação da Stan, Leila Jacy. [...] Os novos empreendimentos, [...] têm perfil geralmente vinculados a jovens [...] Entre os atrativos para as novas gerações estão a ampla oferta cultural, a rede de transporte público e a proximidade com universidades. A região atrai jovens de classe média alta que saem da casa dos pais e o público GLS, além de viúvas e idosos diz Viana Neto 35. (OESP, 08/12/2013) E logo abaixo em reportagem paralela: Retrofit recupera imóveis antigos e mantém design Reformas de prédios atraem novo perfil de residente para o Centro da cidade, como profissionais liberais, em resumo: O arquiteto Guilherme Thomé e a mulher, a designer de interiores Andressa de Souza, moram no Centro há oito anos. O casal não tem carro e dispensa as 35 José Augusto Viana Neto, vice- presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci- SP) 296
305 facilidades dos novos empreendimentos imobiliários, como piscina e academias. Por isso, um prédio da década de 1940 que passava por retrofit lhes pareceu uma boa opção. Não queremos abandonar o Centro. Retrofit é uma reforma em imóveis antigos que restaura as estruturas e mantém, em boa parte dos casos, o design original. Foi assim com o prédio de Guilherme e Andressa, na Rua Amaral Gurgel [...] Foram trocados pisos, escadarias e tubulações. É como se fosse um apartamento novo, conta o arquiteto. A Centro Vivo, incorporadora responsável pela obra, reformou dez edifícios nos últimos cinco anos. Em média, os preços desses imóveis dão 20% inferior a empreendimentos novos. (OESP, 08/12/2013) Fig. 284 Planta Apartamento Fonte: site construtora Fig. 285 (acima) Planta Apartamento Fonte: site construtora Fig. 286 (esq.) Planta Apartamento Fonte: site construtora 297
306 3.3. Futuras construções: perspectivas de adensamento A região do entorno do Minhocão ainda concentra diversos imóveis subutilizados, galpões, estacionamentos e alguns terrenos que provavelmente, em breve, serão objeto do mercado (a especulação imobiliária está aguardando a economia melhorar, sair da crise, para voltar a investir não só nesta região como em toda a cidade). Como visto no subcapítulo 2.3 esta região faz parte do principal eixo previsto de desenvolvimento da metrópole contido tanto no Plano Diretor (2014) como na nova Lei de Zoneamento (2016): o Arco do Futuro e seu recorte principal, o Arco Tietê. Porém, isso dependerá (muito) da continuidade que a próxima administração municipal ( ) dará nos projetos de leis e nos decretos que precisam ser aprovados para que o PD e a LUOS funcionem integralmente. Por exemplo, ainda estão sendo desenvolvidos os Planos Regionais das Subprefeituras, que seguem o novo zoneamento (e não aconteça como em 2005, quando a antiga LUOS /2004 não foi complementada pela administração que sucedeu o governo Marta Suplicy e acabou sendo distorcida por decretos paralelos que atendiam à pressão do mercado imobiliário). O momento atual com a explosão da crise em 2015, diminuiu o ritmo de novos empreendimentos do mercado imobiliário e, por enquanto, a região do Minhocão segue sem nenhum lançamento em
307 Conforme reportagem publicada pela revista EXAME em 17 de agosto de : A hora do pesadelo Dezenas de construtoras não conseguem entregar os imóveis que venderam. Cerca de famílias foram prejudicadas até agora. O que isso diz sobre a saúde do mercado imobiliário?, faz referência histórica entre a falência da construtora Encol e a mudança propulsora do mercado de imóveis promovida por leis do governo federal entre 2004 e 2005, principalmente sobre alienação fiduciária: [...] A falência da Encol, que era uma das maiores incorporadoras do país na década de 90, paralisou o mercado imobiliário. Comprar na planta virou sinônimo de loucura e os bancos, que também perderam dinheiro no processo, reduziram ainda mais as linhas de crédito para as construtoras. Para tentar reanimar o setor, o governo editou um conjunto de novas regras em 2004 que foram vistas como a salvação do mercado. Uma delas estabelecia que todo o dinheiro que os compradores de um imóvel pagavam à construtora deveria ser utilizado nas obras daquele imóvel ou seja, não poderia ir para o caixa da empresa [...] O objetivo da nova regra era dar mais segurança aos consumidores (EXAME, 17/08/2016). Fig. 287 Capa da Revista Exame edição 1119 Fonte: site da revista Em seguida, mostra a evolução dos números do mercado imobiliário, o seu boom atingindo os valores máximos em 2014 (como comentado nessa dissertação) até a crise atual: 36 Revista Exame, edição 1119, nº 15 17/8/
308 Outra mudança foi feita para deixar os bancos mais tranquilos. No período da construção, o banco, e não a empresa ou os compradores, deveria ser o proprietário legal dos imóveis. Assim a tomada de unidades em caso de inadimplência seria mais rápida. Por quase uma década, as novas medidas deram um grande impulso no mercado. Os bancos passaram a emprestar como nunca para clientes e consumidores. O volume de crédito imobiliário saltou de 5 bilhões de reais, em 2005, para 113 bilhões de reais, em De 2005 a 2007, quase 20 incorporadoras abriram o capital e captaram 11 bilhões de reais para lançar e construir novos empreendimentos. Os preços dos imóveis dispararam: subiram quase 150% de 2009 a Com as novas regras e o crédito farto, comprar na planta voltou a ser visto como um bom negócio. Quando veio a crise, porém, a limitação das novas regras ficou evidente. Ainda que as incorporadoras destinem todo o dinheiro que recebem numa obra à própria obra, a desistência de parte dos compradores inviabiliza empreendimentos inteiros. (EXAME, 17/08/2016) Em seguida fala das expectativas para o futuro, [...] A expectativa de analistas é que os preços dos imóveis, que vêm caindo, voltem a subir lentamente a partir de 2017, quando se espera que a economia cresça novamente. Quando a crise passar, será que os consumidores voltarão a comprar casas e apartamentos na planta? Ou vão preferir não correr riscos? Em muitos casos, a decisão depende de quanto dinheiro esses consumidores têm. O desejo de ter a casa própria ainda é muito forte. Como a maioria das pessoas não consegue fazer uma poupança, a alternativa é comprar na planta, diz Mirella Parpinelli, diretora de atendimento da corretora Lopes. (EXAME, 17/08/2016) 300
309 Sendo assim, as perspectivas imediatas para o mercado imobiliário e a região do Minhocão, não são as melhores até Depois disso, são especulações. Porém, como a região passou a ser a foco do mercado, provavelmente continuará atraindo novos lançamentos. Uma das mudanças percebidas nesta dissertação refere- se a tese de Beatriz Kara José de Nesse intervalo de seis anos, as vendas para a classe média passaram por algumas alterações na região central e no entorno do Minhocão. Dizia ela: A maioria dos novos empreendimentos tem sido voltada para faixa de renda média baixa, e alguns para média. Eles demostram a existência de demanda residencial no Centro, uma vez que, tanto as novas unidades, como as produzidas por reformas, têm sido, no geral, rapidamente absorvidas. Entretanto, alguns dos empreendimentos voltados para renda média [...] não tiveram sucesso imediato. Talvez isto decorra da estigmatização do Centro para esses grupos, o que teria resultado na adoção dos discursos sobre a revitalização na campanha de marketing desses empreendimentos. (KARA JOSÉ, 2010, p.227) Ou seja, atualmente a maioria dos empreendimentos estão voltados para a classe média (a classe média baixa não consegue absorver os atuais valores do metro quadrado na área) e as vendas aconteceram de forma rápida (pelo menos antes da crise de ), mas a campanha de marketing sobre a revitalização do Centro e, no caso, na reconversão do Minhocão (em parque, ou a sua demolição) continuam atuais. Em reportagem especial publicada em agosto no jornal OESP sobre economia e imóveis, as regiões da cidade de São Paulo são analisadas separadamente, e na região central, 80% dos 301
310 apartamentos são de 1 dormitório, com a manchete: 24 mil opções no mercado de SP são 5 mil na zona oeste e 3,5 mil no centro [...] : Na região central, de acordo com o painel de mercado da Lopes, foram lançados 49 empreendimentos, com 53 torres e 8,6 mil unidades nos últimos 3 anos. Ainda há 3,5 mil apartamentos disponíveis para venda com preço médio de R$ 11,1 mil/m² -, o que representa 41% de tudo o que foi lançado na zona central em 36 meses. É o mais alto índice porcentual entre as cinco regiões de São Paulo. A maior parcela, com 1,9 mil imóveis, tem preço de R$ 200 mil a R$ 399 mil. Também existem, 1,3 mil unidades que custam de R$ 400 mil a R$ 699 mil. [...] Metade das unidades do estoque da região central referem- se a projetos lançados de um ano para cá. [...] Em média, o preço é R$ 8,8 mil/m² no Bom Retiro, chegando a R$ 11 mil na Santa Cecília e a R$ 11,5 mil no centro. A Bela Vista é a mais cara: R$ 12,2 mil/m². (OESP, 21/08/2016) Reportagem do jornal FSP do dia 13 de setembro de 2015, caderno especial Morar (Centro/Paulista) com manchete na capa: No centro das atenções A região mais bem equipada e menos povoada da cidade volta a atrair moradores, com empreendimentos desenhados para o público jovem. E em reportagem no interior do caderno: Cicatriz, Minhocão inibe empreendimentos ao seu redor Incorporadoras, porém, acreditam que novos imóveis devem criar círculo virtuoso de revitalização, atraindo mais moradores 302 O entorno do Minhocão [...] é o trecho com menor oferta de novos imóveis no centro. [...] O Minhocão criou uma cicatriz profunda na região. Ali você tem poluição visual e do ar, ruído, insegurança, tudo concentrado naquele corredor
311 de concreto. É natural que os empreendimentos fujam disso, resume a arquiteta e urbanista Adriana Levinsky. [...] O diretor comercial da incorporadora Setin, João Mendes, diz [...] Entregamos um edifício a cem metros do Minhocão e não tivemos dificuldade para vender os imóveis. A expectativa é que empreendimentos similares ajudem a requalificar aquele espaço. (FSP, 13/09/2015) Ou seja, a área do entorno do Minhocão apesar da resiliência nos últimos dez anos, ainda é a área da região central com menor oferta de novos imóveis no centro (excluída a região da Cracolândia ). O uso recreativo do elevado mudou muito a aceitação de considerável parcela da população que, hoje, aceita morar próximo do Minhocão. Ele virou chamariz nas propagandas das imobiliárias, mas ainda afujenta outra parcela de cidadãos. Na área em estudo foram identificados pelo menos dez grandes áreas que estão aguardando a especulação imobiliária. A maioria são estacionamentos ou lava- rápidos, mas existem dois terrenos que surgiram depois da demolição de diversos imóveis no início de 2015, ou seja, cerca de 18 meses atrás (e estão sem uso algum até o momento, provavelmente aguardando a aprovação de projeto, ou a melhoria do mercado). Mas é evidente que sobradinhos antigos e outras construções (que são impossíveis de avaliar ou quantificar) também darão espaço para novos edifícios. Abaixo foram fichadas as dez áreas: com endereço, localização aérea e foto da testada do lote (ver figura 167, na página 219, com o mapa do levantamento dos terrenos vazios ou subutilizados). 303
312 Terreno A Rua Brigadeiro Galvão x Rua Barra Funda Uso atual: Estacionamento Fig. 289 Mapa de localização Terreno A Fonte: Google Street View Fig. 288 Foto da rua Fonte: Google Street View 304
313 Terreno B Rua Brigadeiro Galvão Uso atual: Estacionamento e lava rápido Fig. 291 Mapa de localização Terreno B Fonte: Google Street View Fig. 290 Foto da rua Fonte: Google Street View 305
314 Terreno C Rua Brigadeiro Galvão Uso atual: sem uso, vazio (imóveis derrubados em 2015) Fig. 293 Mapa de localização Terreno C Fonte: Google Street View Fig. 292 Foto da rua Fonte: Google Street View 306
315 Terreno D Praça Marechal Deodoro Uso atual: estacionamento Fig. 295 Mapa de localização Terreno D Fonte: Google Street View Fig. 294 Foto da rua Fonte: autor 307
316 Terreno E Rua Brigadeiro Galvão x Av. Angélica Uso atual: sem uso, vazio (imóveis derrubados em 2015) Fig. 297 Mapa de localização Terreno E Fonte: Google Street View Fig. 296 Foto da rua Fonte: Google Street View 308
317 Terreno F Avenida São João x Rua Apa Uso atual: estacionamento; carga e descarga (empresa), sem identificação Fig. 299 Mapa de localização Terreno F Fonte: Google Street View Fig. 298 Foto da rua Fonte: Google Street View 309
318 Terreno G Av. São João x Rua Frederico Steidel x Rua Ana Cintra Uso atual: estacionamento e uma pequena lanchonete Fig. 301 Mapa de localização Terreno G Fonte: Google Street View Fig. 300 Foto da rua Fonte: Google Street View 310
319 Terreno H Av. São João x Rua Frederico Steidel x Vila Adelaide Uso atual: estacionamento (antigo Cinespacial) Fig. 303 Mapa de localização Terreno H Fonte: Google Street View Fig. 302 Foto da rua Fonte: Google Street View 311
320 Terreno I Rua Frederico Abranches Uso atual: estacionamento Fig. 305 Mapa de localização Terreno I Fonte: Google Street View Fig. 304 Foto da rua Fonte: Google Street View 312
321 Terreno J Rua Amaral Gurgel Uso atual: estacionamento Fig. 307 Mapa de localização Terreno I Fonte: Google Street View Fig. 306 Foto da rua Fonte: autor 313
322 314
323 CONSIDERAÇÕES FINAIS 315
324 316
325 CONSIDERAÇÕES FINAIS A pretensão de fazer um comparativo entre duas épocas 1970 e 2016 ao levantar dados e projetos de alguns dos mais significativos imóveis que fazem frente/ ou fundos para a linha do Minhocão, no seu trajeto de quase 2,8 km (dois quilômetros e oitocentos metros) e, também, nos seus arredores, talvez seja um pouco grandiosa demais. Esta era a ideia inicial do projeto de pesquisa que deu origem a essa dissertação. Porém, durante a garimpagem de informações nos diversos orgãos/ bibliotecas etc foi necessário reduzir um pouco este recorte. Optou- se por mostrar a degradação dos edifícios construídos, o empobrecimento/esvaziamento populacional e a resiliência recente. Através da pesquisa, notou- se que mesmo antes da inclusão do artigo no Plano Diretor de 2014 que determina a transformação do elevado em parque ou a sua demolição, a sociedade e o mercado já vinham mudando o apreço pela região. O Minhocão não é mais apenas um problema sem solução. Ainda incomoda, ainda há degradação. Mas o tempo minimizou seu impacto, houve resiliência. A população da região voltou a crescer e nos últimos anos dezenas de prédios foram construídos ou reformados. Um problema ainda sem solução é a parte de baixo do elevado, sua sombra o nível da rua. 317
326 Carlos Lemos: Para complementar esta dissertação, uma precisa análise/observação do professor O patrimônio não é composto só de coisas belas, só de obras- primas. O patrimônio é o que a gente tem, Hão de se abrir os olhos do povo. Devemos pegar esses poucos exemplos de reação popular contra destruições indiscriminadas e exaltá- los como modelos a serem seguidos nas dezenas de oportunidades que se estão repetindo por aí e mostrar aos destruidores do patrimônio ambiental urbano que nem sempre a solução está na demolição apressada sem a concordância de seus pares. (LEMOS , 2013, p.141) Qual será a solução para o futuro do Minhocão? Em 2006 o Prêmio Prestes Maia elegeu como vencedor o projeto da dupla de arquitetos José Alves e Juliana Corradini para transformar o Minhocão num grande túnel elevado e sobre ele um parque (ou seja, o viário seria mantido e seria construída uma nova laje, um novo tabuleiro sobre o viaduto atual). Mas esse concurso foi realizado 10 anos atrás e gerou muita polêmica. Seria importante uma rediscussão com a sociedade para elaborar a solução mais democrática (ou ideal) para o futuro do elevado. Abaixo, algumas notícias recentes e opiniões de especialistas e moradores da região. Em reportagem do jornal OESP de 27 de maio de 2012: Minhocões são rediscutidos no mundo 17 cidades demoliram suas estruturas ou estão prestes a fazê- lo -, enquanto São Paulo segue sem planos definidos para derrubar seu elevado. Fig. 308 Tabela dos elevados que foram derrubados. Fonte: OESP 318
327 O número foi levantado pelo Institute for Transportation & Development Policy (IDTP), que analisou tanto as causas quanto as consequências das remoções. [...] a remoção dos minhocões não acontece simplesmente porque os governos locais estão percebendo que a cultura do transporte individual é ruim. [...] Um deles é o custo da manutenção [...] Outro motivo [...] são os projetos de revitalização de áreas urbanas degradadas [...]. (OESP, 27/05/2012) Seria interessante seguir os passos do High Line novaiorquino? Em reportagem do jornal O Globo de 12 de outubro de 2014: Linha arquitetônica Parque suspenso em Manhattan ganha companhia de prédios projetados por astros do design. Shigeru Ban, [...] Jean Nouvel e Frank Gehry [...] Norman Foster e Zaha Hadid [...] e o paulista Isay Weinfeld será o mais novo integrante daquele que vem sendo considerado o maior museu de arquitetura a céu aberto do mundo: o High Line. [...] Os imóveis projetados pelos chamados starchitects em volta do High Line custam, em média, 50% mais caro. [...] Curador de arquitetura do MoMa, o português Pedro Galdanho é um entusiasta do parque, que, para ele, alterou o modo de se ver a cidade enquanto se passeia pela plataforma elevada. [...] Mas Gadanho enxerga nas mudanças ocorridas no bairro uma faca de dois gumes: Por um lado, o sucesso da iniciativa é evidente, e valorizou a área para além de todas as expectativas. Por outro, a certo ponto o projeto parece uma vítima do seu sucesso, e é frequente ouvir os habitantes locais queixarem- se do excesso de turistas, e do fato de que já não podem usufruir de um espaço que supostamente era também deles. E ao mesmo tempo em que o High Line atraiu novos projetos, a transformação poderá ser radical no sentido da gentrificação (O GLOBO, 12/10/2014) Fig. 309 Capa Veja São Paulo. Fonte: Veja São Paulo Revista Veja São Paulo, edição nº 20, dia 20 de maio de 2015: 319
328 A discussão sobre o futuro do Minhocão divide os paulistanos. Pesquisa Datafolha de 2014 mostrou que, para 53% dos entrevistados, o elevado deveria continuar como está, ou seja, voltado apenas para os carros. Outros 23% acham que ele deveria virar um parque. Apenas 7% são a favor da demolição e 17% não souberam responder. A turma que defende a ideia do parque é uma das mais ativas no lobby. [...] De acordo com alguns especialistas, no entanto, esse tipo de intervenção ainda que cheio de boas intenções, traria mais problemas que benefícios à capital. Para eles, a demolição da obra é o melhor caminho a ser adotado. Não se pode curar câncer com aspirina, compara Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A existência do Minhocão é um fator limitante para o desenvolvimento da cidade e a qualificação dos espaços públicos, pois os estragos que ele provoca não são reversíveis com ações paliativas. Outra questão é que a sua estrutura está comprometida com infiltração, desnivelamento e inunda com fortes chuvas. [...] Sem o Minhocão, os imóveis dali vão se equiparar aos outros do centro, afirma Mauro Peixoto, consultor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). (VEJA SÃO PAULO, 20/05/2015) Entrevista com Paulo Maluf na mesma edição: Como se sente ao ver o avanço dos projetos para desativar o Minhocão? A pessoa que propõe isso é um terrorista contra a cidade. O Minhocão é como se fosse uma engrenagem de um relógio. Sem ele, o resto do complexo que eu construí não funciona. Com o avanço do projeto que fecha o viaduto nos sábados, o Minhocão caminha para virar um parque. O que o senhor acha disso? Experimente fechá- lo um sábado sim, outro não, para ver o caos. Eu fiz o projeto e a execução e sei que não dá para fazer um parque ali. Os vizinhos do viaduto sempre reclamaram do barulho e da falta de privacidade. Como justificar isso? É mentira. Eles não existem. Tenho estudos que mostram que o 320
329 barulho embaixo do Minhocão é maior que em cima. Sem ele, a região teria ainda mais problemas. Se o elevado fosse demolido, como o senhor se sentiria? Tem gente que quer destruir São Paulo. Isso é proposta de imbecil e idiota. Se isso acontecer, haverá de ter cidadão que entre na Justiça contra esse crime. O senhor moraria num apartamento vizinho ao Minhocão? Não vou responder isso. (VEJA SÃO PAULO, 20/05/2015) Em reportagem no jornal FSP do dia 23 de maio de 2015: Futuro do Minhocão opõe morador a ativista Viaduto de 3,4 km do centro de SP tem embate ideológico entre quem defende transformá- lo em parque ou demoli- lo Fig. 310 Reportagem sobre o Futuro do Minhocão. Fonte: FSP [...]o viaduto tem data para ser desativado, segundo o recente Plano Diretor: O que será do gigante de concreto depois disso vai depender do embate ideológico entre dois grupos e de como a prefeitura vai se posicionar. De um lado, moradores e comerciantes locais e urbanistas que querem que o Minhocão seja demolido. De outro, arquitetos, fotógrafos, advogados e também alguns moradores que desejam ali um parque linear, nos moldes do High Line, de Nova York [...] (FSP, 23/05/2015) Desde agosto de 2013, o grupo pró- parque se organiza na Associação Parque Minhocão. Para um de seus idealizadores, o fotografo Felipe Morozini, 39, que mora no local, a área, na prática, já está estabelecida para lazer. O parque já existe, informalmente. Milhares de pessoas frequentam e usam como área de lazer todas as noites e aos domingos, diz. [...] Entre os que querem a demolição do Minhocão, os argumentos são pelo fim do ruído excessivo, da fuligem causada pelos carros, da paisagem degradada e da desvalorização dos imóveis [Movimento Desmonte Minhocão]. [...] Em debate na TV Folha, o engenheiro Sérgio Ejzenberg, mestre em transportes pela USP, disse que transformar o Minhocão em parque pode piorar a deterioração. Se matarmos a alternativa 321
330 viária que é o Minhocão, mantendo a estrutura, embaixo, vai ficar mais congestionado. O comércio, que tenta sobreviver, vai terminar de morrer. Já o vereador Police Neto (PSD) avaliou que, embora seja a melhor opção futura, a demolição demora e, por enquanto, já vale ter um parque. (FSP, 23/05/2015) Em edição especial no caderno Metrópole do jornal OESP de 19 de julho de 2015 com o tema Para onde vai São Paulo foram publicadas diversas reportagens sobre mobilidade urbana na cidade e, uma delas analisou o destino do elevado: Como fica o trânsito se o Minhocão acabar? Estudo da CET mostra que a desativação não influenciaria no tráfego da região; moradores e especialistas se dividem A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) tem estudo que mostra que desativá- lo não influenciaria no trânsito da região. No horário de pico, são cerca de 6 mil veículos nos dois sentidos 3 mil continuariam no entorno. Esse volume seria praticamente todo absorvido hoje, explica o superintendente de Planejamento e Projetos da CET, Ronaldo Tonobohn. Luiz Célio Bottura, engenheiro de tráfego, diz ser favorável a desativar o elevado, mas que as possibilidades de tirá- lo dali são demoradas e onerosas. Tem de arrumar uma solução. Eliminar em um passe de mágica uma via que tem 80 mil veículos por dia é arriscado. Teria de fazer uma remodelação do entorno, afirma Bottura. (OESP, 19/07/2015) Embora os empreendimentos aqui elencados demonstrem uma mudança de aceitação da população moradora da vizinhança (ou os que serão) em relação ao elevado, não é possível concluir que o destino da obra, o seu futuro, seja sua transformação em parque elevado efetivo 322
331 a exemplo do High Line nova- iorquino. A demolição do elevado (ou desmonte como seria a designação correta) deve ser avaliada, assim como uma solução mista de desmonte no trecho histórico da Avenida São João e a preservação do elevado (em parque) no trecho da Rua Amaral Gurgel e Santa Cecília. Porque o fato da aceitação acontecer por causa do tabuleiro, da parte superior do Minhocão (do seu uso para o lazer, tão deficiente e rarefeito na cidade), não minimiza ou extingue os graves problemas urbanos (e sociais) da parte inferior da via, sua sombra, seus baixios. O objetivo dessa dissertação não era defender (ou propor) alguma solução para o Minhocão e sim, demonstrar as transformações que a região do elevado passou nos últimos 45 anos. Porém, ao concluirmos esse trabalho fica um pouco mais claro que o Minhocão não pode ser analisado sob um único ponto de vista: cada área por ele afetada reagiu e se transformou de uma maneira diferente depois da sua construção em O parque elevado poderia ser executado na Rua Amaral Gurgel? (já que ela é uma via mais larga que a São João e menos importante historicamente? E que tem uma vida noturna ainda agitada por estar no centro da Vila Buarque e suas boites?). O elevado deveria ser desmontado na Avenida São João e na Praça Marechal Deodoro para reabrir os horizontes de uma das avenidas mais importantes da cidade? E recuperar a ambiência urbana desta praça com construções históricas que formam um conjunto arquitetônico tão fascinante? O uso e ocupação da rua pela população, como está evidente no recente fechamento da Avenida Paulista aos carros aos domingos não poderia ser estimulada nessa renovada Avenida São João? Abrir a avenida para as pessoas. E sobre a 323
332 Avenida General Olímpio da Silveira, manter ou descartar o elevado? As respostas para essas perguntas devem ser formuladas e debatidas por especialistas juntamente com a população, mas essa dissertação poderá ajudar nessa formulação ao demonstrar o histórico da região e as transformações pela qual passou nessas quase cinco décadas (ou melhor, desde fins dos anos 1920). Mais de apartamentos construídos no entorno do elevado nos últimos dez anos. Quase 10 mil novos habitantes atraídos para uma região que ficou quase 30 anos esquecida. Terrenos vazios aguardando a especulação imobiliária. A região, provavelmente se transformará mais intensamente nos próximos 10 anos, e para que seu futuro faça parte de uma cidade de São Paulo mais vibrante e mais democrática é importante que toda essa bagagem histórica seja levada em consideração, em conjunto com novas ideias (dos especialistas/ da população) e novos incentivos (governamentais). 324
333 GALERIA DE FOTOS 325
334 Fig. 311 a 314 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor 326
335 Fig. 315 a 318 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor 327
336 Fig. 319 a 322 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor 328
337 Fig. 323 a 326 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor 329
338 Fig. 327 a 330 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor 330
339 Fig. 331 a 334 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor 331
340 332
341 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 333
342 334
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358 Blog Cidades para quem: < o- minhoco- e- a- gentrificao> Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (leis de uso e ocupação do solo): < nto_urbano/ Gestão Urbana (SMDU): < Sites de construtoras e imobiliárias dos edifícios estudados: (Acesso em: 19 de setembro de 2016) 1- CULT 2- ESTILO CAMPOS ELISEOS detalhes.php?id= NOLITA JARDINS DE HIGIENOPOLIS de- higienopolis- 2/ de- higienopolis 5- NOVO CENTRO AROUCHE centro- arouche- apartamentos- residenciais- sao- paulo- sp- centro/23- novo- centro- arouche- apartamentos- residenciais- sao- paulo- sp- centro 6- ATTUALITÁ NOVA HIGIENÓPOLIS produto.asp?idempreendimento=4 nova- higienopolis 7- VARANDA EXPRESSIONS expressions- apartamento- santa- cecilia- centro- sao- paulo- sp varanda- expressions expressions 8- DORCHESTER dorchester 350
359 9- NOVO CENTRO REPÚBLICA centro- republica- apartamentos- residenciais- sao- paulo- sp- centro/22- novo- centro- republica- apartamentos- residenciais- sao- paulo- sp- centro centro- republica/ centro- republica 10- URBAN LIVING PACAEMBÚ paulo/apartamento- residencial- pacaembu- urban- living- pacaembu living- pacaembu 11- URBAN OFFICE PACAEMBÚ paulo/imovel- salas- comercial- escritorios- pacaembu- urban- office- pacaembu office- pacaembu 12- SETIN DOWNTOWN SÃO JOÃO downtown- sao- joao novo/downtown- sao- joao.html downtown- sao- joao 13- BRASÍLIA FINANCIAL financial.html imoveis.com.br/empreendimento- detalhes.aspx?id_empreendimento= YOU NEW TOWN newtown paulo/santa- cecilia/you- new- town new- town 15- YOU NOW SANTA CECILIA now- santa- cecilia paulo/santa- cecilia/you- now- santa- cecilia 1- dormitorio- santa+cecilia- sao+paulo- com- garagem- 79m2- ref MARIGNAN marignan 17- COSMOPOLITAN HIGIENOPOLIS higienopolis 1- dormitorio- barra+funda- sao+paulo- com- garagem- 83m2- ref higienpolis 351
360 18- COSMOPOLITAN SANTA CECÍLIA cosmopolitansantacecilia dormitorio- santa+cecilia- sao+paulo- com- garagem- 109m2- ref imovel/ marques/ 19- HELBOR TREND HIGIENOPOLIS higienopolis/ 2- dormitorios- santa+cecilia- sao+paulo- com- garagem- 97m2- ref NORAH HIGIENOPOLIS higienopolis_completo/ higienopolis- edificio- norah- higienopolis SMART SANTA CECILIA novo/smart- santa- cecilia-.html compartilhado- sao- paulo 22- RICARDO MARQUES 352
361 LISTA DE FIGURAS Fig. 01 Mapa de 1877 Mappa da Capital da Província de São Paulo (Francisco de Albuquerque e Jules Martin). Fonte: Mapas do IV Centenário PMSP Fig. 02 Mapa de 1810 Planta da Imperial Cidade de São Paulo com a Rua de São João no sentido vertical (norte girado) e (1.200 metros de extensão). Fonte: Mapas do IV Centenário PMSP Fig. 03 Trecho ampliado do Mapa de 1881, com a Rua de São João (1.400 metros de extensão). Fonte: Mapas do IV Centenário PMSP Fig. 04 Mapa (inteiro) de Fonte: Mapas do IV Centenário PMSP Fig. 05 Mapa (inteiro) de Fonte: Mapas do IV Centenário PMSP Fig. 06 Trecho ampliado do Mapa de 1897, de Gomes Cardim a Rua de São João estende- se até a Alameda Glette (1.800 metros de extensão). Fonte: Mapas do IV Centenário PMSP Fig. 07 Trecho ampliado do Mapa de 1916, da Directoria de Obras e Viação da PMSP. A Praça Marechal Deodoro ainda não existia. Fonte: PMSP SMDU Fig. 08 Trecho ampliado do Mapa de 1926, projeto preliminar de iluminação pública de São Paulo. A Praça Marechal Deodoro aparece pela primeira vez em mapas oficiais. E o prolongamento final da Avenida São João, construído entre 1926 e 1930, aparece tracejado. Fonte: PASSOS; EMÍDIO, 2009 Fig. 09 Notícia do dia 04/05/1929 no OESP, inauguração do Monumento a Luiz Pereira Barretto. Fonte: Acervo Estado Fig. 10 Foto de 1930 do prolongamento da Avenida São João (vista da Praça Marechal em direção ao centro, com o Ed. Martinelli ao fundo). Nota- se diversas construções ainda no meio do caminho. A esquerda é possível ver a torre do Castelinho da Rua Apa. Fonte: PMSP Fig. 11 Foto de 1929 do alargamento da Avenida São João (vista do centro em direção a Praça Marechal que na época já possuía uma incipiente verticalização). Fonte: SOMEKH, MAIA, 1930 Fig. 12 Fachada do Edifício Angélica (1927) Arq. Júlio de Abreu Jr. Fonte: XAVIER, 1983 Fig. 13 Planta do Edifício Angélica (1927) Arq. Júlio de Abreu Jr. Fonte: XAVIER, 1983 Fig. 14 Mapa inteiro (exemplo) SARABRASIL, Fonte: Mapas do IV Centenário PMSP Fig. 15 Trecho ampliado do Mapa SARABRASIL de 1930: nesta colagem de dois mapas vê- se o prolongamento da Av. São João até a Praça Marechal Deodoro, ainda com algumas construções no meio do caminho a serem demolidas ou desapropriadas. Fonte: Mapas do IV Centenário - PMSP Fig. 16 Foto da Praça Marechal Deodoro (1942) com o edifício Angélica à direita. Fonte: Benedito Junqueira Duarte, acervo da Casa da Imagem Fig. 17 Cartão Postal da Praça Marechal Deodoro com o edifício Angélica à direita (década de 1940). Fonte: Fig. 18 Cartão Postal da Praça Marechal Deodoro com o Monumento a Pereira Barretto ao centro (1942). Avista- se a torre da Igreja de Santa Cecília ao fundo. Fonte: Fig. 19 Notícia do dia 20/03/1940 no OESP. Fonte: Acervo Estado Fig. 20 Trecho ampliado do Mapa VASP- CRUZEIRO de 1954: nesta colagem de dois mapas vê- se a Av. São João com poucos terrenos livres e a Rua Amaral Gurgel ainda não tinha sido alargada (abaixo). Fonte: PMSP Fig. 21 Mapa VASP- CRUZEIRO (1954) (inteiro). Fonte: PMSP Fig. 22 Notícia do dia 16/10/1954 no OESP. Fonte: Acervo Estado Fig. 23 Notícia do dia 01/06/1965 no OESP. Fonte: Acervo Estado Fig. 24 Mapa com o trajeto do Corso de Carnaval de 1940, OESP, 04/02/1940. Em sentido horário: Av. Angélica, Av. São João, Av. Anhangabaú, Av. Brigadeiro Luiz Antônio e Av. Paulista. Fonte: Acervo Estado Fig. 25 Notícia do Carnaval de 1940, OESP, 04/02/1940. Fonte: Acervo Estado Fig. 26 Fachada do Ufa- Palácio (1936). Fonte: Fig. 27 Cartaz de inauguração do Ufa- Palácio, com propaganda do escritório Rino Levi. Fonte: 40s- 50s- 60s.blogspot.com.br/2013/11/cine- art- palacio.html Fig. 28 Fachada do Cine Metrô (maio de 1938). Fonte: Acrópole Fig. 29 Propaganda com a fachada da Rádio Cultura (maio de 1939). Fonte: Acrópole Fig. 30 Fachada do Cine Santa Cecília. Fonte: (sem data) Fig. 31 Fachada do Cine Esmeralda (setembro de 1947). Fonte: Acrópole Fig. 32 Fachada do Cine Plaza e reportagem (dezembro de 1951). Fonte: Acrópole Fig. 33 Cartaz de inauguração do Cine Plaza (sem data). Fonte: 353
362 Fig. 34 Público de cinema na cidade de São Paulo entre 1940 e Fonte: SIMÕES, 1990 Fig. 35 Público de cinema entre 1951 e 1970 na capital e no interior do estado de São Paulo. Fonte: SIMÕES, 1990 Fig. 36 Reportagem sobre a construção do Martinelli, OESP, 03/01/1929 Fonte: Acervo Estado Fig. 37 Foto da construção do Martinelli, anos Fonte: Acervo Estado Fig. 38 Fachada do Prédio Lívia Maria na Av. São João esquina com a Rua dos Timbiras. Características art déco (março de 1939). Fonte: Acrópole Fig. 39 Desenho da fachada do Edifício Pirineus na esquina da Av. São João com a Rua dos Pirineus. Fonte: SOMEKH, 2014 Fig. 40 Planta do Edifício Pirineus. Fonte: SOMEKH, 2014 Fig. 41 Fachada do Edifício Porchat. Fonte: ANELLI, 2001 Fig. 42 Planta do Edificio Porchat na esquina da Av. São João com a Rua Apa. Fonte: ANELLI, 2001 Fig. 43 Propaganda de fogões elétricos no Edificio Porchat (anos 1940). Fonte: Fig. 44 Edifício Columbus (1934) na Av. Brig. Luiz Antônio (demolido em 1969). Fonte: ANELLI, 2001 Fig. 45 Edifício Higyenópolis (1935) na Rua Conselheiro Brotero. Fonte: ANELLI, 2001 Fig. 46 Edifício Guarani no Parque Pedro II. Fonte: Revista LIFE Fig. 47 Edifício Gonçalves Biar (abril de 1939) na Av. São João, Fonte: Acrópole Fig. 48 Edifício Santa Marina (agosto de 1940) na Rua General Olympio da Silveira, 83. Fonte: Acrópole Fig. 49 Prédio Zena (março de 1940) à Rua Frederico Abranches esquina com a Rua Sebastião Pereira. Fonte: Acrópole Fig. 50 Edifício Marília (fevereiro de 1941) na Av. Angélica esquina com a Praça Marechal Deodoro. Fonte: Acrópole Fig. 51 Inca Hotel (fevereiro de 1943) na Av. São João esquina com a Rua dos Timbiras. Fonte: Acrópole Fig. 52 Edifício Abreu Sodré (dezembro de 1941) (foto superior). Na Avenida São João com a Alameda Nothman. Fonte: Acrópole Fig. 53 Propaganda do Condomínio Antonio Egidio no OESP 02/06/1946. Na Praça Marechal Deodoro, 113 (vizinho do Ed. Marília). Fonte: Acervo Estado Fig. 54 Propaganda do Edifício Bento Ferraz no OESP 09/05/1948. Na Av. São João esquina com a Rua dos Timbiras. Fonte: Acervo Estado Fig. 55 Propaganda no OESP 05/03/1950. Na Praça Marechal Deodoro esquina com Av. Angélica (edifício já aparece em fotos de 1942). Fonte: Acervo Estado Fig. 56 Fachada do Edifício Trussardi (1941). Fonte: ANELLI, 2001 Fig. 57 Propaganda do Ed. Trussardi no OESP em 01/08/1948. Fonte: Acervo Estado Fig. 58 Propaganda da primeira versão do Edifício Pacaembu, no OESP 01/09/1946. Situado na Av. General Olimpio da Silveira. Fonte: Acervo Estado Fig. 59 Propaganda da versão construída do Edifício Pacaembu, no OESP 01/12/1946. Fonte: Acervo Estado Fig. 60 Propaganda da entrega do Edifício Pacaembu, no OESP 01/10/1950. Fonte: Acervo Estado Fig. 61 Imagens do Edifício Pacaembu (novembro de 1950). Fonte: Acrópole Fig. 62 Foto Edifício Pacaembu (anos 1950). Fonte: Fig. 63 Imagens do Edifício Leon Kasinsky (junho de 1952). Fonte: Acrópole Fig. 64 Edifício Sede do Banco do Estado de São Paulo - BANESPA (dezembro de 1947). Fonte: Acrópole Fig. 65 Nova Sede do Banco do Brasil em São Paulo (maio de 1949). Fonte: Acrópole Fig. 66 Perspectiva do Edifício Washington (maio de 1949). Fonte: Acrópole Fig. 67 Propaganda Vidrotil com a foto do Ed. Washington finalizado (agosto de 1952). Fonte: Acrópole Fig. 68 Propaganda do Edifício Araraúnas, no OESP 06/09/1953. Situado na Av. São João esquina com a Alameda Glette. Fonte: Acervo Estado Fig. 69 Fachada do Edifício Araraúnas (abril de 1958). Fonte: Acrópole Fig. 70 Plantas do Edifício Araraúnas (abril de 1958). Fonte: Acrópole Fig. 71 Edifício Racy em construção (anos 1950). Fonte: Acervo Estado 354
363 Fig. 72 Anúncio do Edifício Nova Ipiranga no OESP em 03/04/1955. Fonte: Acervo Estado Fig. 73 Anúncio do Edifício Sul Americana no OESP em 07/06/1959. Fonte: Acervo Estado Fig. 74 Fachada do Edifício Seguradoras (março de 1959). Fonte: Acrópole Fig. 75 Marquise e Planta do Ed. Seguradoras (março de 1959). Fonte: Acrópole Fig. 76 Propaganda Elevadores Atlas com a imagem do Ed. Andraus (janeiro de 1961). Fonte: Acrópole Fig. 77 Fachada do Edifício Andraus (julho de 1962). Fonte: Acrópole Fig. 78 Plantas do Ed. Andraus (julho de 1962). Fonte: Acrópole Fig. 79 Edifício General Jardim recém concluído (final dos anos 1950). Fonte: Fig. 80 Mapa de localização do elevado, com os distritos de Santa Cecília, República e Consolação em destaque. Fonte: Mapa R7, com sobreposição do autor Fig. 81 Esquema teórica do Plano de Avenidas. Fonte: MAIA, 1930 Fig. 82 Estrutura viária proposta no Programa de Melhoramentos de São Paulo. Fonte: MOSES, Acervo da Biblioteca da FAUUSP Fig. 83 Robert Moses. Fonte: C. M. Stieglitz (Library of Congress) Fig. 84 Jane Jabobs então porta- voz de um grupo de cidadãos em Greenwich Village, numa conferência de imprensa em 1961, protesto contra Robert Moses. Fonte: Phil Stanziola (Library of Congress) Fig. 85 Um dos mapas do PUB. Fonte: SOMEKH, CAMPOS, 2002 Fig. 86 Anúncio da construção da via elevada no jornal OESP em 21/08/1969. Fonte: Acervo Estado Fig. 87 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 18/09/1969. Fonte: Acervo Estado Fig. 88 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 12/10/1969. Fonte: Acervo Estado Fig. 89 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 23/09/1969. Fonte: Acervo Estado Fig. 90 Reportagem sobre o governo Maluf no jornal OESP em 08/04/1970. Fonte: Acervo Estado Fig. 91 Reportagem sobre o governo Maluf no jornal OESP em 08/04/1970. Fonte: Acervo Estado Fig. 92 Reportagem sobre a via elevada no jornal FSP em 01/01/1971. Fonte: Acervo Folha Fig. 93 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 01/12/1970. Fonte: Acervo Estado Fig. 94 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 23/01/1971. Fonte: Acervo Estado Fig. 95 Reportagem sobre a via elevada no jornal FSP em 24/01/1971. Fonte: Acervo Estado Fig. 96 Reportagem sobre a via elevada no jornal OESP em 26/01/1971. Fonte: Acervo Estado Fig. 97 Corte em perspectiva do elevado, Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 98 Planta do conjunto e corte típico, Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 99 Perspectiva do projeto original, 1969 (trecho sobre Largo do Arouche). Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 100 Perspectiva do projeto original, 1969 (trecho sobre Praça Marechal Deodoro). Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 101 Perspectiva do projeto original, 1969 (rampa de acesso da Av. São João). Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 102 Perspectiva do projeto original linha completa do elevado. Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 103 Perspectiva do projeto original, Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 104 Perspectiva do projeto original, 1969 (acessos da Praça Padre Péricles). Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 105 Esquema construtivo do projeto original. Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 106 Planta e cortes da estrutura do elevado, Fonte: BRANCO, 2006 (Originais Arquivo da SIURB PMSP) Fig. 107 Foto da Rua Amaral Gurgel, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 108 Foto da Rua Amaral Gurgel, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 109 Vista aérea da Rua Amaral Gurgel, Fonte: Arquivo da PMSP 355
364 Fig. 110 Vista aérea da Rua Amaral Gurgel, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 111 Vista aérea Sta. Cecília- São João, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 112 Vista aérea Sta. Cecília- São João, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 113 Foto da Av. São João sem o elevado, anos Fonte: Fig. 114 Vista aérea Av. São João sem o elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 115 Foto da Avenida São João e o início da construção do elevado, Fonte: Folhapress Fig. 116 Foto da Avenida São João e da construção do elevado, Fonte: Folhapress Fig. 117 Foto da Avenida São João e da finalização da construção do elevado, Fonte: Folhapress Fig. 118 Vista da da Praça Marechal Deodoro, Fonte: Folhapress Fig. 119 Vista da região da Praça Marechal Deodoro antes da construção do elevado, anos Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 120 Vista da região da Praça Marechal Deodoro no início da construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 121 Vista da região da Praça Marechal Deodoro durante a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 122 Vista da região da Praça Marechal Deodoro durante a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 123 Vista da região da Praça Marechal Deodoro após a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 124 Vista da região da Av. General Olimpio da Silveira durante a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 125 Vista da região da Av. General Olimpio da Silveira após a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 126 Vista da região p Lardo do Padre Péricles durante a construção do elevado, Fonte: Arquivo da PMSP Fig. 127 Foto da região da Av. General Olimpio da Silveira durante a construção do elevado, Fonte: Folhapress Fig. 128 Cartão postal com o eixo da Av. São João (a dir. Cine Santa Cecília) anos Fonte: http- // da- moda/fotos- da- sao- paulo- antiga- homenagem- ao- aniversario- da- cidade/ Fig. 129 Cartão postal com o eixo da Av. São João, Fonte: Fonte: Fig. 130 Propaganda da Hidroservice vinculada no dia da inauguração do elevado em 24/01/1971 com dados da obra. Fonte: Arquivo Estado Fig. 131 Reportagem OESP em 14/01/1971. Fonte: Acervo Estado Fig. 132 Reportagem FSP em 21/05/1972. Fonte: Acervo Folha Fig. 133 Reportagem FSP em 10/07/1974. Fonte: Acervo Folha Fig. 134 Reportagem OESP em 07/11/1976. Fonte: Acervo Estado Fig. 135 Reportagem OESP em 23/12/1976. Fonte: Acervo Estado Fig. 136 Reportagem FSP em 18/08/1980. Fonte: Acervo Folha Fig. 137 Reportagem OESP em 09/12/1983. Fonte: Acervo Estado Fig. 138 Reportagem FSP em 24/08/1984. Fonte: Acervo Folha Fig. 139 Reportagem OESP em 11/10/1984. Fonte: Acervo Estado Fig. 140 Reportagem OESP em 24/11/1989. Fonte: Acervo Estado Fig. 141 Reportagem OESP em 20/01/1991. Fonte: Acervo Estado Fig. 142 Reportagem OESP em 18/10/1992. Fonte: Acervo Estado Fig. 143 Reportagem OESP em 21/11/2001. Fonte: Acervo Estado Fig. 144 Reportagem OESP em 08/04/2001. Fonte: Acervo Estado Fig. 145 Quadro com os censos de 1980, 1991, 2000 e 2010 nos distritos centrais. Os distritos afetados pelo Minhocão são Santa Cecília, República e Consolação. Fonte: IBGE Fig. 146 Reportagem OESP em 18/06/2006. Fonte: Acervo Estado Fig. 147 Reportagem OESP em 18/06/2006. Fonte: Acervo Estado Fig. 148 Reportagem OESP em 18/06/2006. Fonte: Acervo Estado 356
365 Fig. 149 Reportagem OESP em 25/02/2007. Fonte: Acervo Estado Fig. 150 Reportagem OESP em 07/05/2010. Fonte: Acervo Estado Fig. 151 Reportagem OESP em 21/08/2011. Fonte: Acervo Estado Fig. 152 Reportagem OESP em 18/07/2012. Fonte: Acervo Estado Fig. 153 Reportagem OESP em 07/01/2013. Fonte: Acervo Estado Fig. 154 Reportagem OESP em 14/09/2014. Fonte: Acervo Estado Fig. 155 Reportagem OESP em 04/07/2015. Fonte: Acervo Estado Fig. 156 Mapa de Zoneamento Fonte: CAMPOS, SOMEKH, 2002 Fig. 157 Recorte do Mapa de Zoneamento 2004 (erro no mapa: onde está escrito Av. Francisco Matarazzo o correto é Avenida São João). Fonte: SMDU- PMSP Fig. 158 Recorte do Quadro 04 Anexo PRE- SÉ com os índices urbanísticos do Zoneamento de Fonte: SMDU- PMSP Fig. 159 Mapa da Operação Urbana Centro (perímetro roxo) e da antiga Operação Urbana Anhangabaú (perímetro verde, já revogada). Fonte: SMDU- PMSP Fig. 160 Recorte do artigo 375 do novo Plano Diretor de Fonte: SMDU- PMSP Fig. 161 Recorte do Mapa de Zoneamento (ver legenda ao lado). Fonte: SMDU- PMSP Fig. 162 Empregos formais comparando a subprefeitura Sé com a de Pinheiros. Fonte: SMDU- PMSP Fig. 163 Área total lançada em m2 (residenciais) no município e na subprefeitura da Sé. Fonte: EMBRAESP/SMDU- PMSP Fig. 164 Domicílios segundo condição de propriedade no município e nas subprefeitura da Sé e Pinheiros. Fonte: EMBRAESP/SMDU- PMSP Fig. 165 Domicílios segundo condição de Tipologias Residenciais no município e nas subprefeituras da Sé e de Pinheiros. Fonte: EMBRAESP/SMDU- PMSP Fig. 166 Censo da população em situação de rua no município e na subprefeitura da Sé. Fonte: EMBRAESP/SMDU- PMSP Fig. 167 Mapa feito pelo autor com levantamento de novos edifícios no entorno do Minhocão ( ). Fonte: autor Fig. 168 Quadro com levantamento de novos edifícios no entorno do Minhocão ( ). Fonte: autor Fig. 169 Propaganda do Edifício Cult. Fonte: folheto de vendas Fig. 170 Plantas apartamentos do Edifício Cult. Fonte: fôlder de vendas Fig. 171 Fachada do Edifício Cult. Fonte: fôlder de vendas Fig. 172 Imagens do Edifício Cult. Fonte: fôlder de vendas Fig. 173 Localização do Edifício Cult. Fonte: fôlder de vendas Fig. 174 Implantação do Edifício Cult. Fonte: site construtora Fig. 175 Fachada do Estilo Campos Elíseos. Fonte: site da construtora Fig. 176 Planta apartamento de 30,84m2. Fonte: site construtora Fig. 177 Foto do Edifício Nolita. Fonte: site construtora Fig. 178 Planta apartamento Edif. Nolita. Fonte: site construtora Fig. 179 Fachada Jardins de Higienópolis. Fonte: site construtora Fig. 180 Foto do Jardins de Higienópolis. Fonte: site construtora Fig. 181 Implantação do Jardins de Higienópolis. Fonte: site construtora Fig. 182 Foto do Jardins de Higienópolis. Fonte: site construtora Fig. 183 Planta de 2 dormitórios. Fonte: site construtora Fig. 184 Planta de 1 dormitório. Fonte: site construtora Fig. 185 Capa fôlder do Novo Centro Arouche, com a banca de flores do Largo do Arouche. Fonte: fôlder de vendas Fig. 186 Infraestrutura da região central. Fonte: fôlder de vendas Fig. 187 Desenho artístico da Fachada do Novo Centro Arouche. Fonte: fôlder de vendas Fig. 188 Preço no lançamento do Novo Centro Arouche e imagens internas. Fonte: fôlder de vendas Fig. 189 Os atrativos do Centro. Fonte: fôlder de vendas 357
366 Fig. 190 Entrada para Av. Duque de Caxias. Fonte: fôlder de vendas Fig. 191 Planta de 2 dormitórios (52m2). Fonte: site construtora Fig. 192 Planta de 2 dormitórios (48m2). Fonte: site construtora Fig. 193 Foto Novo Centro Arouche. Fonte: site construtora Fig. 194 Implantação do Novo Centro Arouche. Fonte: site construtora Fig. 195 Fachada Attualitá Nova Higienópolis. Fonte: site construtora Fig. 196 Foto do edifício. Fonte: autor Fig. 197 Fachada do Edif. Varanda Expressions com o prédio tombado nos fundos. Fonte: fôlder de vendas Fig. 198 Foto entrada do Edifício Varanda Expressions (recém- inaugurado em 2011). Fonte: autor Fig. 199 Foto da fachada do prédio art déco tombado com frente para o Minhocão (Praça Marechal Deodoro). Fonte: autor Fig. 200 Implantação do Varanda Expressions com a ligação com o prédio tombado (a direita no desenho). Fonte: fôlder de vendas Fig. 201 Desenho da fachada do prédio art déco tombado com frente para o Minhocão (Praça Marechal Deodoro) e atrás o novo edifício com 28 andares. Fonte: fôlder de vendas Fig. 202 (dir.) Foto da fachada do prédio art déco tombado com frente para o Minhocão. Fonte: site da construtora Fig. 203 Planta de 3 dormitórios. Fonte: fôlder de vendas Fig. 204 Planta de 2 dormitórios. Fonte: fôlder de vendas Fig. 205 Foto fachada do Edifício Dorchester. Fonte: site da construtora Fig. 206 Planta de 4 dormitórios. Fonte: site da construtora Fig. 207 Fachada Novo Centro República. Fonte: site da construtora Fig. 208 Implantação em perspectiva do Novo Centro República. Fonte: site da construtora Fig. 209 Foto fachada do Edifício Novo Centro República. Fonte: site da construtora Fig. 210 Planta 2 dormitórios. Fonte: site da construtora Fig. 211 Planta 1 dormitório. Fonte: site da construtora Fig. 212 Fachada do Urban Living Pacaembu. Fonte: site da construtora Fig. 213 Implantação. Fonte: site da construtora Fig. 214 Planta 3 dormitórios. Fonte: site construtora Fig. 215 Planta 2 dormitórios com suíte. Fonte: site construtora Fig. 216 Planta 2 dormitórios. Fonte: site construtora Fig. 217 Fachada do Urban Office Pacaembu. Fonte: site da construtora Fig. 218 Implantação. Fonte: site da construtora Fig. 219 Foto do edifício. Fonte: autor Fig. 220 Planta do pavimento Tipo com opções de junções dos conjuntos. Fonte: site da construtora Fig. 221 Planta do conjunto de 37 m2. Fonte: site da construtora Fig. 222 Fachada do Setin Downtown São João. Fonte: site da construtora Fig. 223 Implantação. Fonte: site da construtora Fig. 224 Planta 2 dormitórios (59m2). Fonte: site da construtora Fig. 225 Planta 1 dormitório (42m2). Fonte: site da construtora Fig. 226 Foto da Fachada do Setin Downtown São João. Fonte: site da construtora Fig. 227 Fachada do Edifício Brasília Financial. Fonte: site da construtora Fig. 228 Planta do pavimento Tipo. Fonte: site da construtora Fig. 229 Foto do Edifício Brasília Financial. Fonte: site da construtora Fig. 230 Foto do Edifício Brasília Financial Vista da Praça Marechal Deodoro. Fonte: site da construtora Fig. 231 Foto do Ed. Brasília Financial. Fonte: site da construtora Fig. 232 Fachada do Edifício You New Town. Fonte: site da construtora Fig. 233 Implantação. Fonte: site da construtora 358
367 Fig. 234 Planta 1 dormitório (36m2). Fonte: site da construtora Fig. 235 Planta 1 dormitório (41m2). Fonte: site da construtora Fig. 236 Fachada do Edifício You Now Santa Cecília. Fonte: site da construtora Fig. 237 Implantação. Fonte: site da construtora Fig. 238 Planta 1 dormitório (37m2). Fonte: site da construtora Fig. 239 Planta 1 dormitório (40m2). Fonte: site da construtora Fig. 240 Fachada do Edifício Marignan. Fonte: site da construtora Fig. 241 Planta 4 dormitórios (260m2). Fonte: site da construtora Fig. 242 Fachada do Cosmopolitan Higienópolis. Fonte: fôlder de vendas Fig. 243 Folheto de vendas do Cosmopolitan Higienópolis. Fonte: site da construtora Fig. 244 Elevado Costa e Silva (Minhocão) como equipamento de lazer da região. Fonte: fôlder de vendas Fig. 245 Pavimento de acesso, térreo elevado e cobertura de lazer. Fonte: fôlder de vendas Fig. 246 Opções de plantas. Fonte: fôlder de vendas Fig. 247 Lavanderia coletiva. Fonte: fôlder de vendas Fig. 248 Minhocão como parque (material de orientação de vendas para corretores). Fonte: site construtora Fig. 249 Fachada do Cosmopolitan Santa Cecília. Fonte: fôlder de vendas Fig. 250 Folheto de vendas do Cosmopolitan Santa Cecília Minhocão em destaque. Fonte: site da construtora Fig. 251 Elevado Costa e Silva (Minhocão) como equipamento de lazer da região. Fonte: fôlder de vendas Fig. 252 Lojas no térreo Fachada ativa voltada para a Avenida São João. Fonte: fôlder de vendas Fig. 253 Lavanderia coletiva. Fonte: fôlder de vendas Fig. 254 Pavimento de acesso e térreo elevado de lazer. Fonte: fôlder de vendas Fig. 255 Opções de plantas. Fonte: fôlder de vendas Fig. 256 Fachada do Helbor Trend Higienópolis. Fonte: Revista corporativa Helbor News Fig. 257 Propaganda do Helbor Trend Higienópolis. Fonte: FSP Fig. 258 Implantação. Fonte: site da construtora Fig. 259 Planta 2 dormitórios (52m2). Fonte: site da construtora Fig. 260 Planta 1 dormitório (40m2). Fonte: site da construtora Fig. 261 Propaganda do Helbor Trend Higienópolis, destaque para o uso da bicicleta. Fonte: Fôlder de vendas Fig. 262 Folheto de vendas do Norah Higienópolis. Fonte: Fôlder de vendas Fig. 263 Fachada do Edifício Norah. Fonte: site da construtora Fig. 264 Implantação. Fonte: site da construtora Fig. 265 Mapa com o Elevado. Fonte: fôlder de vendas Fig. 266 Norah Higienópolis. Fonte: fôlder de vendas Fig. 267 Planta 41m2. Fonte: site da construtora Fig. 268 Planta 33m2. Fonte: site da construtora Fig. 269 Fachada do Edifício Smart Santa Cecília. Fonte: fôlder de vendas Fig. 271 Minhocão como um diferencial de lazer e infraestrutura para o Edifício Smart Santa Cecília. Fonte: site da construtora Fig. 270 Elevado Costa e Silva no mapa. Fonte: fôlder de vendas Fig. 272 Informe publicitário do Edifício Smart Santa Cecília. Fonte: FSP Fig. 273 Bicicletário. Fonte: site da construtora Fig. 274 Implantação. Fonte: site da construtora Fig. 275 Cobertura lazer. Fonte: site da construtora Fig. 276 Planta 2 dormitórios (52m2). Fonte: site da construtora 359
368 Fig. 277 Planta Studio (36m2). Fonte: site da construtora Fig. 278 Foto do prédio antes do retrofit. Fonte: Blog São Paulo Antiga Fig. 279 Foto do prédio durante a obra. Fonte: Blog São Paulo Antiga Fig. 280 Foto do prédio antes do retrofit (visto a partir do Minhocão). Fonte: autor Fig. 281 Foto do prédio antes do retrofit. Fonte: autor Fig. 282 Foto do prédio finalizado. Fonte: Blog São Paulo Antiga Fig. 283 Foto da placa do prédio finalizado. Fonte: Blog São Paulo Antiga Fig. 284 Planta Apartamento. Fonte: site construtora Fig. 285 Planta Apartamento. Fonte: site construtora Fig. 286 Planta Apartamento. Fonte: site construtora Fig. 287 Capa da Revista Exame edição Fonte: site da revista Fig. 288 Foto da rua. Fonte: Google Street View Fig. 289 Mapa de localização Terreno A. Fonte: Google Street View Fig. 290 Foto da rua. Fonte: Google Street View Fig. 291 Mapa de localização Terreno B. Fonte: Google Street View Fig. 292 Foto da rua. Fonte: Google Street View Fig. 293 Mapa de localização Terreno C. Fonte: Google Street View Fig. 294 Foto da rua. Fonte: autor Fig. 295 Mapa de localização Terreno D. Fonte: Google Street View Fig. 296 Foto da rua. Fonte: Google Street View Fig. 297 Mapa de localização Terreno E. Fonte: Google Street View Fig. 298 Foto da rua. Fonte: Google Street View Fig. 299 Mapa de localização Terreno F. Fonte: Google Street View Fig. 300 Foto da rua. Fonte: Google Street View Fig. 301 Mapa de localização Terreno G. Fonte: Google Street View Fig. 302 Foto da rua. Fonte: Google Street View Fig. 303 Mapa de localização Terreno H. Fonte: Google Street View Fig. 304 Foto da rua. Fonte: Google Street View Fig. 305 Mapa de localização Terreno I. Fonte: Google Street View Fig. 306 Foto da rua. Fonte: autor Fig. 307 Mapa de localização Terreno I. Fonte: Google Street View Fig. 308 Tabela dos elevados que foram derrubados. Fonte: OESP Fig. 309 Capa Veja São Paulo. Fonte: Veja São Paulo Fig. 310 Reportagem sobre o Futuro do Minhocão. Fonte: FSP Fig. 311 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 312 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 313 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 314 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 315 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 316 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 317 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 318 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 319 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 320 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 321 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 322 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor 360
369 Fig. 323 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 324 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 325 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 326 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 327 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 328 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 329 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 330 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 331 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 332 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 333 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor Fig. 334 Foto paisagem. Fonte: Douglas Noldor 361
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