Rodada #1 Direito Penal
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- Sérgio Aleixo Palha
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1 Rodada #1 Direito Penal Professora Lorena Nascimento Assuntos da Rodada Noções de Direito Penal Dos crimes contra a Administração Pública: Crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral, crimes praticados por particular contra a administração em geral, crimes contra a administração da justiça, crimes contra as finanças públicas. Legislação Especial: Crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor: Lei nº 7.716/1989. O direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa, civil e penal, nos casos de abuso de autoridade: Lei nº 4.898/1965.
2 a) TEORIA EM TÓPICOS 1. Dos Crimes Praticados Por Funcionário Público Contra A Administração Em Geral 1.1. Conceito. Tratam os crimes funcionais de delitos praticados por funcionário público contra a administração em geral. Esses crimes são graves porque ferem o escorreito e hígido funcionamento da máquina administrativa Sujeito ativo. Será sempre o funcionário público Sujeito passivo é sempre a Administração Pública. Os particulares, poderão, todavia, concorrer com o funcionário público (art. 30, CP), no papel de sujeito ativo, bem como serem vítimas, juntamente com a Administração Pública Características: No Direito Penal o funcionário público que comete crime é chamado de INTRANEUS e, um outro partícipe, que não o seja, é denominado EXTRANEUS, e se for mais de um, serão EXTRANEI Os crimes funcionais são todos CRIMES PRÓPRIOS, porque exigem de seu sujeito passivo a condição especial de funcionário público Em que pese a gravidade dos crimes, as suas penas são extremamente leves quando comparadas com a gravidade de suas condutas O legislador pátrio entendeu que os crimes funcionais sofrerão a força da lei brasileira, ainda que praticados fora do Brasil, adotando-se o princípio da extraterritorialidade incondicionada (Artigo 7 o, I, c, PC) O 4 o do artigo 33 do CP apresenta um requisito objetivo de progressão do regime para os condenados pela prática de crime contra a administração pública, além de demonstração de mérito, cumprimento de 1/6 da pena. Para quem não tem condições de reparar o dano não incidirá tal requisito por analogia in bonam partem Espécies de crimes funcionais Crimes funcionais próprios: faltando a qualidade de funcionário público do agente, o fato será atípico, ou seja, seria uma atipicidade 2
3 absoluta. Exemplo: crime de prevaricação. Retirando a condição de funcionário público do agente, o fato não encontra mais enquadramento em nenhum outro tipo penal Crimes funcionais impróprios: faltando a qualidade de funcionário público do agente, o fato deixa de configurar crime funcional, se ajustando a um crime comum, é um caso de atipicidade relativa. Exemplo: peculatofurto. Na verdade, são crimes comuns agravados ou majorados pela condição de servidor público do agente. Dos Crimes em Espécie 1.6. Do Peculato. Peculato Desvio, Peculato Apropriação e Peculato Furto Fundamento legal: art. 312, caput e 1º do CP Bem jurídico. É a Administração Pública, em relação ao seu interesse patrimonial e moral Sujeito ativo. Funcionário público e o particular que com ele concorre sabendo de sua condição (art. 30, CP) Sujeito passivo. O Estado (Administração em geral) (vítima primária e constante de todos os crimes funcionais), as entidades de direito público e o particular (proprietário ou possuidor) (vítima secundária) Conduta. O artigo prevê 03 condutas distintas: apropriar-se (peculato apropriação), desviar (peculato desvio) e subtrarir ou concorrer com a subtração (peculato-furto) Tipo subjetivo. É o dolo, sendo indispensável a presença do elemento subjetivo especial do tipo, representado pelo especial fim de agir (em proveito próprio ou alheio), presente em todas as modalidades. O crime dispensa o enriquecimento do agente Consumação. O crime de peculato consuma-se com a prática da conduta, sendo irrelevante o real prejuízo para o sujeito passivo. No peculato apropriação consuma-se com a inversão do animus da posse. Peculato desvio consuma-se quando se dá à coisa a destinação diversa da prevista originariamente. 3
4 Tentativa: é admissível Figura majorada: artigo 327, 2 o do CP Comunicabilidade do delito. A qualidade de funcionário público do agente se estende também aos co-autores ou partícipes do delito. Contudo, se o particular desconhece ser o sujeito ativo funcionário público, responde por outro crime, excluído o peculato. Eemplo: apropriação indébita no caso de peculato apropriação Reparação do dano ou devolução da coisa: circunstância atenuante Peculato Apropriação. Trata-se de crime de apropriação indébita praticado por funcionário público, no qual há a inversão do ânimo da posse. A maioria dos autores afirmam que mesmo aquele que tem detenção também pratica o peculato apropriação. Há quem entenda que, se o agente não tem a posse, mas sim detenção, pratica o peculato furto Peculato Desvio. O funcionario público posiciona-se em relação à coisa como se fosse seu proprietário (animus domini). O sujeito comporta-se como se fosse dono do objeto material, retendo-o, consumindo-o, destruindo-o, alienando-o etc Diferença entre o peculato desvio e o emprego irregular de verbas públicas(art. 315, CP). No peculato desvio há desvio de renda em benefício próprio ou alheio, sempre em benefício particular. No crime de desvio de rendas públicas há desvio de renda em benefício ou no interesse público. É tumulto na gestão das rendas públicas Peculato Furto. Trata-se de crime de furto qualificado pela qualidade de funcionário público do agente. Para ser peculato furto o funcionário público deve encontrar facilidades na subtração, em razão de sua condição específica de funcionário público. Se, apesar de funcionário público tiver que agir como qualquer outra pessoa agiria, não encontrando nenhuma facilidade que o cargo pudesse lhe proporcionar, responderá por furto comum e não por peculato furto Peculato de Uso. Não é crime. O peculato de uso é fato atípico, mas configura ato de improbidade administrativa. A jurisprudência, no entanto, 4
5 informa depender da natureza jurídica da coisa usada para se configurar ou não crime. Vejamos. a) coisa fungível: há crime. A jurisprudência penal (não é técnica) quando fala de coisa fungível refere-se à coisa consumível, a qual, por sua vez, será objeto do peculato apropriação. Exemplo: funcionário público que usa dinheiro público para comprar uma casa. b) coisa infungível: não há crime. A jurisprudência penal quando fala de coisa infungível refere-se à coisa não consumível, será o peculato de uso, sendo fato atípico. Exemplo: usar veículo automotor. Entende-se que não há crime na conduta de usar serviços ou mão-de-obra pública. Ex.: mandar subalterno pintar sua casa. É ato de improbidade, entretanto, não há crime, salvo se for prefeito, por força do art. 1º, II, do DL 201/ Princípio da bagatela e da insignificância e crimes funcionais. Os tribunais federais e o STJ, na maioria de seus julgados, entendem não ser possível a aplicação deste princípio nos crimes contra a Administração Pública. Em tais tipos de crimes, ainda que o valor da lesão possa ser considerado ínfimo, a norma busca resguardar não somente o aspecto patrimonial, mas a moral administrativa, o que torna inviável a afirmação do desinteresse estatal à sua repressão (Resp /DF) Peculato culposo Fundamento legal art º e 3º do CP Ocorre mediante a conduta culposa do funcionário público, ao inobservar o dever objetivo de cuidado da coisa móvel da Administração Pública ou sob sua vigilância. É necessário, ainda, a prática de um crime doloso por terceira pessoa, aproveitando-se da facilidade culposamente proporcionada pelo funcionário público Peculato culposo e concurso de pessoas. Como não se admite a participação culposa em crime doloso, não há concurso de pessoas, na forma disciplinada pelo art. 29, caput, do Código Penal. Concretizada a subtração, por exemplo, o funcionário público relapso responde pelo peculato culposo, ao 5
6 passo que ao terceiro será imputado delito diverso (peculato, se também ostentar a condição funcional, ou, se particular, por crime de outra natureza, notadamente o furto) Consumação. Ocorre no momento em que se consuma o crime doloso praticado pelo terceiro Tentativa. Por se tratar de crime culposo, não se admite tentativa, razão pela qual o funcionário público somente responderá pelo peculato culposo na hipótese de consumação do crime doloso cometido por terceiro. Se o crime doloso ficar na fase da tentativa, não se aperfeiçoa o peculato culposo. O terceiro, no entanto, deverá responder pelo conatus (tentativa) do seu crime doloso Reparação do dano. Se preceder à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe for posterior, reduz de metade a pena imposta (art. 312, 3º do CP) Peculato Mediante Erro De Outrem. Também conhecido como peculato estelionato Fundamento legal art. 313 do CP Conduta. O agente, no exercício do cargo, recebeu a coisa por erro de outrem. O agente percebe o erro e se apropria da coisa. O erro do terceiro tem que ser espontâneo Diferenças entre o peculato mediante erro de outrem e as demais espécies. a) Peculato apropriação e desvio o agente tem a posse legítima da coisa. b) Peculato furto o agente não tem a posse da coisa c) Peculato estelionato a gente tem a posse ilegítima da coisa, fruto de erro de terceiro. Se o erro foi provocado pelo agente o crime é de estelionato, e não crime funcional de peculato estelionato. Exemplo: o agente afirma para a vítima que o bem deve ser entregue a ele Peculato Eletrônico. 6
7 Fundamento legal art. 313-A e 313-B do CP Inserção de Dados Falsos em Sistema de Informações (art. 313-A) Conduta. inserir um dado falso ou excluir um dado verdadeiro. Exemplos: excluir as multas e pontuações de carteira de motorista ou colocar multas em nome de terceiro desafeto Sujeito ativo. Funcionário público autorizado a manejar sistema de informações Concurso de pessoas. É cabível, com o particular e com outro funcionário público não autorizado Sujeito passivo. Administração pública ou particular prejudicado Objeto material. O objeto material são os dados dos sistemas de informação; não há alteração do software, o conteúdo dos dados é que é alterado, o sistema permanece preservado Elemento subjetivo. Elemento doloso acrescido da finalidade específica: visando a auferir vantagem para si ou para outrem ou causar dano Consumação. O crime é formal e consuma-se com a prática da conduta, não dependendo da obtenção de vantagem ou o prejuízo de terceiro (mesmo que possa haver o resultado naturalístico, para a sua consumação não é imprescindível, a sua ocorrência é mero exaurimento do crime). É crime de consumação antecipada Tentativa. É admitida Modificação ou Alteração não Autorizada de Sistema de Informações (art. 313-B do CP) Conduta. Modificar o sistema de informações Sujeito ativo. Funcionário público Concurso de pessoas. É cabível Sujeito passivo. Administração Pública ou particular prejudicado. 7
8 Objeto material. O objeto material é o sistema de informação ou o programa de informática Elemento subjetivo. Elemento doloso (NÃO há elemento subjetivo, basta o dolo), NÃO existe finalidade específica descrita no tipo penal Consumação. É crime formal, consuma-se com a prática da conduta Tentativa. É admitida Efetivo dano. Trata-se de causa de aumento da pena (art. 313-B, parágrafo único) Extravio, Sonegação ou Inutilização de Livro ou Documento (art. 314 do CP) Crime de subsidiariedade expressa. Em seu preceito secundário (pena), última parte, encontra-se expresso se o fato não constitui crime mais grave. (Exemplo: quando houver a finalidade de frustrar a fé publica, o crime passa a ser o tipo penal descrito no art. 305, CP) Objeto jurídico. A Administração Pública, em seus aspectos patrimonial e moral Objeto material. É o Livro Oficial ou o documento. Por Livro Oficial entende-se o criado por lei para os registros pertinentes às atividades da Administração Pública. Por documento tende-se qualquer escrito, instrumento ou papel, público ou particular Conduta. Extraviar (fazer com que algo não chegue ao seu destino), sonegar (ocultar, esconder) ou inutilizar (tornar imprestável, total ou parcialmente) livro ou documento Sujeito ativo. Funcionário público que possui a guarda de Livro Oficial ou de documento em razão do cargo. Caso seja funcionário público não investido de tal função, ou um particular, será ao agente imputado o crime de subtração ou inutilização de livro ou documento (art. 337 do CP) Concurso de pessoas. É cabível. 8
9 Sujeito passivo. É o Estado e, indiretamente, a pessoa física ou jurídica prejudicada pela conduta criminosa Elemento subjetivo. Elemento doloso. Não existe finalidade específica descrita no tipo penal Consumação. É crime formal, de consumação antecipada ou resultado cortado. Consuma-se no instante em que o sujeito estravia livro oficial ou documento Tentativa. É admitida Emprego Irregular de Verbas ou Rendas Públicas (art. 315 do CP) Peculiaridades. O crime se caracteriza pelo emprego de verbas públicas em benefício da própria Administração, de forma que o ilícito reside no fato de o funcionário empregá-las de forma diversa da prevista em lei. É pressuposto do crime a existência de uma lei regulamentando o emprego da verba ou da renda pública e que o agente as empregue de maneira contrária à descrita em lei Objeto jurídico. A Administração Pública, no tocante à regularidade da aplicação dos seus recursos públicos, conforme determinação legal Objeto material. São as verbas públicas Conduta. Dar (empregar ou utilizar) verbas ou rendas públicas em finalidade diversa da estabelecida em lei Sujeito ativo. Funcionário público com poder de gestão das verbas públicas desviadas. (Prefeitos, governadores, Ministros, Presidente da República etc) Concurso de pessoas. É cabível Sujeito passivo. É o Estado e, indiretamente, a pessoa física ou jurídica prejudicada pela conduta criminosa Elemento subjetivo. Crime doloso, não ensejando finalidade específica Consumação. Trata-se de crime material. Consuma-se com a efetiva aplicação das verbas públicas em finalidade diversa para legalmente prevista. Exemplo: Prefeito que constrói uma praça com verba destinada à educação) Tentativa. É admitida. 9
10 1.9. Concussão (art. 316 do CP Conduta. É um crime de extorsão qualificado pela qualidade especial do agente, o qual exige vantagem indevida, valendo-se do temor que seu cargo impõe (metus publique postestat). É o abuso da autoridade pública como meio de coação. A vítima, temendo alguma represália, cede à exigência Peculiaridades: a) a vantagem pode ser exigida de forma direta (na presença da vítima) ou indireta (feita através de interposta pessoa, que será co-autora); expressa ou explícita (quando clara) ou velada ou implicitamente (quando fica nas entre linhas); b) a vantagem pode ser para o funcionário ou para outra pessoa; c) a vantagem exigida tem que ser indevida, se for devida será abuso de autoridade (art. 4º, h, da Lei 4.898). d) a vantagem pode ter qualquer natureza, tais como financeira, sentimental ou sexual; e) É indispensável que o funcionário público que fez a exigência indevida tenha poderes para a prática dos atos que está afirmando. Na falta de poderes para a conduta da ameaça, o agente pratica crime de extorsão Sujeito ativo. Poderão configuar como sujeito ativo do crime de concussão: funcionário público no exercício da função; funcionário público fora do exercício da função; ou, particular na iminência de assumir função pública (carteirada com o diário oficial). Se o sujeito ativo for fiscal de rendas o crime é o artigo 3o, II, Lei 8137/90, não sendo o crime de concussão Se o sujeito ativo é policial militar o crime é o previsto no CPM (artigo 305), sendo competente a justiça castrense para julgamento Concurso de pessoas. É cabível nas duas modalidades, mas desde que o particular saiba que está auxiliando um funcionário público Sujeito passivo. Administração Pública ou particular (secundário) prejudicado. 10
11 Elemento subjetivo. É o dolo Consumação. Consuma-se o delito com o ato de exigir a vantagem. Trata-se de crime formal de consumação antecipada. Basta exigir e o crime já está consumado. Se conseguir o que exigiu (locupletamento) trata-se mero exaurimento, que será considerado no momento da fixação da pena, e, certamente, a pena base não inciará do mínimo possível. Não é cabível a prisão em flagrante no momento em que o agente se encontra recebendo o dinheiro, vez que ato é mero exaurimento da conduta Tentativa. É cabível no caso de concussão escrita (carta de extorsão é interceptada) essa é a posição da maioria. NELSON HUNGRIA: esse caso é ato preparatório, sendo uma intenção criminosa não exteriorizada Excesso de Exação (art. 316, 1º e 2º do CP) Na hipótese do 1º, primeira parte, é também chamada da concussão própria. Dar-se-á quando o funcionário exige o tributo ou contribuição social que sabe ser indevida. Na hipótese do 1º, in fine, o funcionário público exige tributo ou contribuição social devida; mas emprega meio vexatório ou gravoso qua a lei não autoriza Conduta. Exigir, empregar (no 1º). Nestas espécies de concussão contidas no 1º o crime é formal, de consumação antecipada ou de resultado cortado, pois o crime se consuma com a exigência indevida ou com o emprego de meio vexatório ou gravoso do tributo ou contribuição social, independentemente do seu efetivo pagamento Tentativa. É possível se a forma de cobrança indevida vexatória ou gravosa se der por escrito, sendo esta interceptada Figura qualificada. O 2º descreve uma figura qualificada. Após receber o tributo, o funcionário público o desvia (conduta), para si ou para outrem, o tributo ou contribuição social que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos. Neste caso, observamos o fracionamento do delito em duas etapas: i) recolhimento indevido do tributo para o Poder Público; 11
12 ii) desvio do valor recebido em proveito próprio ou de outrem Consumação. Trata-se de crime material, consumando-se com o efetivo desvio dos valores indevidamente recebidos Corrupção Passiva (art. 317 do CP) Conceito. Também conhecida como peita ou suborno, caracteriza-se pela venalidade no desempenho da função pública. A corrupção passiva ocorre quando envolve a atuação do funcionário público corrompido. Já a corrupção ativa se inerente à conduta do particular corruptor (art. 333 do CP). Na solicitação a conduta inicial é do funcionário público. No recebimento ou na aceitação a conduta inicial é do corruptor (particular), hipótese em que o funcionário responderá por corrupção passiva e o particular por corrupção ativa Conduta. Haverá crime formal nas condutas de solicitar e aceitar promessa, mas na modalidade receber o crime é material Sujeito ativo. São os mesmos da concussão: funcionário público no exercício da função; funcionário público fora do exercício da função ou particular na iminência de assumir função pública (carteirada com o diário oficial). O agente tem que ser competente para realização do ato comercializado, se fingiu uma competência que não tem poderá ter a sua conduta enquadrada em outro crime. Se o sujeito ativo for fiscal de rendas o crime é o artigo 3 o, II, Lei 8137/90, não sendo o crime de corrupção passiva. O mesmo inciso da lei especial pune os dois crimes: concussão e corrupção passiva. Se o sujeito ativo é policial militar o crime é o previsto no CPM (artigo 305), sendo competente a justiça castrense para julgamento. Perito oficial e corrupção passiva. O perito oficial pratica o crime de corrupção passiva porque é equiparado a funcionário público Sujeito passivo. É a Administração Pública (primário) e o particular (secundário), desde de que a corrupção não tenha partido dele (corrupção ativa), trata-se de uma exceção pluralística à teoria monista. Natureza da vantagem. Aplicam-se as mesmas regras da concussão. 12
13 Corruptor menor inimputável. Se o menor oferece dinheiro para o funcionário público não prendê-lo, haverá corrupção passiva, em que pese não existir o crime de corrupção ativa Corrupção passiva própria ou imprópria. Na corrupção passiva própria, pretende-se que o funcionário realize ou deixe de realizar ato ilegal. Na corrupção passiva imprópria, quando se pretende que o ato do funcionário seja legal: oficial de justiça que cobra para efetivar citação Corrupção passiva antecedente ou subsequente. Há corrupção passiva antecedente quando a vantagem antecede à prática do ato comercializado. Há corrupção passiva subsequente quando a vantagem é posterior à prática do ato comercializado Elemento subjetivo. Tipo penal doloso Consumação. O crime de corrupção passiva nas modalidades solicitar e aceitar promessa é crime formal, ou seja, o crime se consuma independentemente do enriquecimento do agente. Mas na modalidade receber é crime material, para a consumação depende de enriquecimento do agente Tentativa. A modalidade receber, em que pese ser crime material, não admite tentativa. Porque o aceitar já é consumação do crime Aumento da pena ou corrupção passiva majorada. A doutrina costuma falar em qualificadora, mas não é, é uma causa de aumento de pena. Assim o mero exaurimento é considerado pela lei como uma causa de aumento de pena (art. 317, 1º do CP) Corrupção passiva e concurso de crimes. Se o agente praticar um ato criminoso como exaurimento, haverá concurso material de crimes: corrupção passiva majorada e outro crime. Há doutrina dizendo que haverá o concurso formal simples entre os crimes: corrupção passiva simples e o outro crime Corrupção privilegiada.(art. 317, 2º do CP). É o famoso quebra um galho, seu guarda! (favores da Administração Pública). O agente pratica o ato cedendo a pedido ou influência de outrem, praticando corrupção passiva privilegiada. Nesse caso, trata-se de crime material. 13
14 1.12. Facilitação de Contrabando ou Descaminho (art. 318 do CP) Conceito. Trata-se de crime remetido, vez que a a descrição típica da facilitação de contrabando ou descaminho refere-se ao art. 334, remetendo o intérprete a outro tipo penal, que o complementa. Caracteriza-se pelo fato de o funcionário público facilitar a prática dos crimes de contrabando ou descaminho, respondendo este por crime mais grave, tipificado no art. 318 do Código Penal, justamente em razão da sua condição funcional, a qual torna mais reprovável a conduta por ele praticada Distinção entre entre contrabando e descaminho. O crime de contrabando caracteriza-se por se introduzir ou daqui remeter produto absoluta ou relativamente impedido de ingresso no país. No crime de descaminho é uma burla ao fisco, vez que a mercadoria lícita ingressa em território nacional sem o pgamento dos tributos devidos Sujeito ativo. Não é qualquer funcionário, é o funcionário que tenha o dever funcional. O funcionário público comum pode ser partícipe do crime se assessorar um funcionário público com dever funcional, nos termos do crime do artigo 318 (facilitação de contrabando ou descaminho) Concurso de pessoas. É possivel, desde que o concorrente saiba das qualidades especiais do sujeito ativo (dever funcional de reprimir). Sujeito passivo. É a Administração Pública Conduta. É a facilitação do contrabando ou do descaminho, ou seja, a conduta pode ser omissiva ou comissiva Elemento subjetivo. Trata-se de crime doloso Consumação. Trata-se de crime formal ou de consumação antecipada. Consuma-se com a simples facilitação e importa que o contrabandista não consiga ingressar ou sair do país com a mercadoria Tentativa. Se a facilitação se traduz em uma ação cabe a tentativa (hipóteses comissivas), mas se a conduta é omissiva não cabe a tentativa Competência. Não importa o status do funcionário público, o crime é sempre da competência da Justiça Federal. 14
15 1.13. Prevaricação (art. 319 do CP) Conceito. Trata-se do não cumprimento pelo funcionário público das obrigações que lhe são inerentes, em razão de interesses ou sentimentos próprios. Trata-se de uma auto-corrupção própria Sujeito ativo: é o funcionário público em sentido amplo do artigo 327, ou seja, o funcionário típico ou o equiparado. É possível o concurso de agentes: Sujeito passivo. É a Administração Pública (primário) e o particular prejudicado (secundário) Elemento subjetivo. Dolo especial. A conduta é punida com dolo, que é acrescido do elemento subjetivo para satisfazer interesse ou sentimento pessoal (ódio, amor, vingança, preguiça e outros). Se o interesse for financeiro pode configurar o crime de corrupção. A denúncia tem que descrever qual foi a conduta que demonstra o sentimento ou o interesse pessoal que moveu o agente Distinção entre prevarização e corrupção passiva. Nesta, o funcionário objetiva uma vantagem indevida, o que não ocorre na prevaricação, porque a violação é para atender objetivos pessoais. O interesse pessoal pode ser patrimonial ou moral Prática contra disposição expressa de lei. A prevaricação é norma penal em branco, ou seja, deve existir uma lei que disponha sobre a proibição expressa. Se o ato está dentro da discricionariedade do funcionário público não há o crime de prevaricação Consumação. Com a prática dos núcleos do tipo, independentemente se o agente conseguiu ou não satisfazer o seu interesse Tentativa. Possibilidade somente nas hipóteses de verificação por ação praticá-lo contra disposição expressa de lei, vez que nesse caso é possível o fracionamento do iter criminis Condescendência Criminosa (art. 320 do CP) 15
16 Conceito. O crime ocorre quando o superior hierárquico é condescendente com a conduta criminosa de seu servidor subordinado. Se esse crime não estivesse previsto, o agente praticaria o crime de prevaricação. Trata-se a condescendência criminosa de uma prevaricação especial, já que o interesse ou sentimento pessoal é a tolerância ou indulgência Sujeito ativo. Somente o funcionário público superior hierárquico ao funcionário infrator. Não basta ser funcionário público, é preciso ser funcionário público superior hierárquico do infrator Sujeito passivo. É a Administração Pública Conduta. Deixar de responsabilizar, tolerância por indulgência (quando tem poderes para punir) ou deixar de levar ao conhecimento da autoridade competente (quando não tem poderes para punir). Somente haverá o crime se a infração for referente ao exercício da função, caso contrário, dispensa-se a pronta atuação da autoridade administrativa. O sentimento de indulgência há de estar presente em ambas condutas Consumação. Trata-se de crime de mera conduta, e se consuma com uma das duas omissões Tentativa. Por ser crime omissivo próprio, assim não admite tentativa Advocacia Administrativa (art. 321 do CP) Conceito. Caracteriza-se o delito pela defesa de interesses privados perante a Administração Pública, aproveitando-se o funcionário publico das facilidades proporcionadas pelo cargo ocupado. Ao patrocinar o interesse privado, o funcionário público viola a impessoalidade bem como a moralidade como princípios essenciais da Administração Pública Modalidades. A advocacia administrativa poderá ser própria ou imprópria. No primeiro caso, a advocacia administrativa o interesse é ilegítimo (art. 321, parágrafo único); no segundo, o interesse patrocinado é legítimo. Não existe infração se o funcionário patrocina interesse próprio Objeto jurídico. O bem jurídico protegido é a Administração Pública, quanto ao seu regular funcionamento e quanto à moralidade administrativa. 16
17 Objeto material. É o interesse interesse privado e alheio patrocinado pelo funcionário público, importando vantagem ou meta a ser alcançada em favor de particular Sujeito ativo. Funcionário público Sujeito passivo. É o Estado Elemento subjetivo. É o dolo, independentemente de qualquer finalidade específica. Não se admite a modalidade culposa Consumação. Trata-se de crime formal, de consumação antecipada ou de resultado cortado. Consuma-se o delito com o simples patrocínio pelo funcionário público do interesse privado e alheio, independentemente da efetiva obtenção de benefício pelo particular Tentativa. Possibilidade, salvo na conduta omissiva. Nesse caso o crime será unissubsistente, não cabendo, portanto, o conatus Violência Arbitrária (art. 322 do CP) Polêmica quanto à vigência do delito. Para parte da doutrina referido artigo encontra-se revogado pela Lei 4.898/65, em razão tal tal normativo haver regulado inteiramente os crimes de abuso de poder, gênero a que se refere à violência arbitrária. Na jurisprudência, entretanto, entende-se não estar o delito revogado. Segundo o STF: O artigo 322 do Código Penal, que tipifica o crime de violência arbitrária, não foi revogado pelo artigo 3.º, alínea I, da Lei n /65 (Lei de Abuso de Autoridade) Crime pluriofensivo. A lei penal protege a Administração Pública, especialmente no tocante à integridade da atuação dos seus agentes, e também a integridade física e a liberdade das pessoas em geral Objeto material. É a pessoa contra quem a violência é dirigida, podendo ser um particular ou mesmo outro funcionário público Conduta. Praticar, no sentido de exercer ou cometer violência contra a pessoa. A elementar violência há de ser entendida como sinônimo de lesão corporal ou vias de fato. 17
18 Sujeito ativo. O funcionário público, que deve empregar a violência no exercício da função ou a pretexto de exercê-la Sujeito passivo. É o Estado e, mediatamente, a pessoa física prejudicada pela conduta criminosa Elemento subjetivo É o dolo, acrescido de um especial fim de agir (elemento subjetivo específico), consistente na intenção do funcionário público de abusar de sua autoridade. Não se admite a modalidade culposa Consumação. Trata-se de crime material, consumando-se no momento em que o funcionário público, de forma abusiva, pratica o ato violento, no exercício da função ou a pretexto de exercê-la. Em regra é comissivo Tentativa. Possibilidade face ao caráter plurissubsistente do delito Abandono de Função (art. 323 do CP) Conceito. A terminologia correta seria abandono de cargo público. Trata-se da ausência do funcionário público durante determinado período relativamente longo de tempo previsto em Estatuto como necessário para que aconteça administrativamente o abandono. No momento em que estiver consumada a infração administrativa do abandono, estará também consumada a infração penal correspondente. Há crime mesmo que o abandono não resulte prejuízo nenhum para a administração pública Sujeito ativo. Somente o funcionário que exerce cargo público, a despeito do nomen iuris do crime (abandono de função). É possível o concurso de pessoas Sujeito passivo. É a Administração em geral Conduta. O crime é abandonar cargo público provocando probabilidade de dano para a Administração Pública. O agente deixa o cargo público por tempo juridicamente relevante, ou seja, a análise será casuística, o caso concreto dirá se o abandono de função foi relevante ou não. A greve do funcionalismo público caracteriza prática do abandono de função, vez que se trata de um exercício de direito. 18
19 Elemento subjetivo. Dolo. O crime é punido somente a título de dolo, o agente deve saber que com o abandono pode vir a causar prejuízos à administração Consumação. O crime se consuma com o abandono por tempo juridicamente relevante Tentativa. O crime é omissivo puro e, portanto, não admite tentativa Abandono de função qualificado (art. 323, 1 o do CP). Se do fato resulta o efetivo prejuízo há a incidência do 1 o do art. 323 do CP, mas o crime continua sendo de menor potencial ofensivo Abandono de função qualificado em região de fronteira. (art. 323, 2 o do CP) Há um significativo aumento quando se tratar de faixa de fronteira (artigo 20, 2 o, CF = 150 km em fronteira terrestre), ou seja, área fundamental para a defesa nacional. Exemplo: fiscal da Receita Federal, lotado em Foz do Iguaçu, tem abandona seu posto por mais de uma semana Exercício Funcional Ilegalmente Antecipado ou Prolongado (art. 324 do CP) Conceito. O Codigo Penal criminaliza a conduta do agente que ingressa no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continua a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso Objeto jurídico. A Administração Pública, no tocante ao seu normal funcionamento Objeto material. É a função pública ilegalmente exercida Conduta. O crime possui duas ações: entrar no exercício e continuar a exercê-lo. Entrar no exercício significa dar início ao desempenho de determinada função pública; continuar a exercê-la, significa a ela dar prosseguimento. Trata-se de crime instantâneo Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais. 19
20 Exemplo: pessoa já aprovada e nomeada em concurso público, dolosamente entra no exercício da função antes de sua posse, ou antes de perfectibilizadas todas as exigências legais (apresentação de exames médicos). O artigo nessa conduta contém uma lei penal em branco homogênea, pois o preceito primário reclama complementação pela legislação específica de cada funcionário público para saber quais são as exigências legais a serem satisfeitas Continuar a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso. É necessária a ciência do funcionário público de ato de desligamento da funçã por motivos de exoneração, remoção, substituição ou suspensão. Esta segunda parte apresenta um elemento normativo, pois o tipo penal reclama seja a conduta praticada sem autorização Sujeito ativo. O indivíduo que se encontra na iminência de se tornar funcionário público, ou o que era, porém deixou de sê-lo em razão de ter sido oficialmente exonerado, removido, substituído ou suspenso. Em ambas hipóteses, o crime é de mão própria, vez que sua execução é privativa do funcionário público expressamente indicado no tipo penal. Se um particular entrar no exercício da função pública incorrerá ele no crime de usurpação de função pública (CP, art. 328) Sujeito passivo. É o Estado. Elemento subjetivo. Trata-se de crime doloso. O dolo é o direito, caracterizado na expressão depois de saber Consumação. Trata-se de crime formal, de consumação antecipada ou de resultado cortado. O crime ocorre quando o sujeito realiza indevidamente o primeiro ato inerente à função pública, não sendo necessária a comprovação de efetivo prejuízo à Administração Pública Tentativa. É possível, em face do caráter plurissubsistente do delito, permitindo o fracionamento do iter criminis. Exemplo: Delegado de Polícia já aprovado em concurso público, mas ainda não empossado, entra numa delegacia dizendo-se o novo Delegado plantonista, mas, antes de adotar 20
21 qualquer diligência atinente a uma autoridade policial, é preso em flagrante pelo Delegado Titular da Unidade Violação de Sigilo Funcional (art. 325 do CP) Conceito. Em razão de seu dever de lealdade para com a Administração Pública, ao funcionário público são impostas muitas situações as quais ele tem o dever de guardar segredo sobre determinados fatos. Sua indevida revelação a terceiros não autorizados poderá importar na prática do delito de violação de sigilo funcional. Exemplo: policial que revela a terceiros alvos de operação, inclusive com revelação de mandado de priso a ser cumprido em dia específico Soldado de reserva. Há previsão do princípio da subsidiariedade expressa, porque o crime somente será cometido, se a conduta não configurar crime mais grave Sujeito ativo. O funcionário público (na ativa e o aposentado). Há quem defenda que o funcionário público aposentado não é mais funcionário público, inseri-lo no artigo é analogia in malam partem. Trata-se de crime de mão própria, de atuação pessoal ou de conduta infungível, pois somente pode ser praticado pelo funcionário público que em razão do cargo tinha o dever de guardar o segredo do Estado Sujeito passivo. É a Administração em geral Condutas criminosas. O tipo se concretiza por meio das ações, revelar o segredo funcional ; facilitar a revelação do segredo funcional. O agente deverá ter conhecimento do fato e a obrigação de mantê-lo em segredo como decorrência das suas atribuições. Caso o agente conhece o fato por outros meios, que não os de suas funções não pratica a conduta do crime do artigo 325, podendo, eventualmente, incorrer no crime previsto no art. 154 do CP Modalidades. A reveleção poderá ocorrer de forma direta ou indireta. No primeiro caso, o próprio agente comunica o fato a terceiro, ou mediante determinação de outrem; no segundo, limita-se a facilitar a terceiro o conhecimento do fato. 21
22 Princípio da especialidade. Há leis especiais que tratam dessa figura específica, tais como Lei de Organizações Criminosas; Lei de Drogas; Lei de Crimes contra o Sistema Financeiro; etc Dolo. O crime é punido a título de dolo Consumação. A partir do momento em que terceiro não autorizado toma ciência do segredo Tentativa. É possível somente por escrito, quando seja interceptado por aquele que não tem o conhecimento Figuras equiparadas (art. 325, 1 o do CP) Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: I permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública; Ocorre quando o funcionário público com autorização de livre ingresso nos sistemas de informações ou bancos de dados da Administração Pública neles permite (autoriza) ou facilita (simplifica) o acesso de pessoas não autorizadas (particulares ou outros funcionários públicos), mediante atribuição, fornecimento empréstimo de senha ou outra forma qualquer. Exemplo: policial que fornece a senha do INFOSEG para amigo identificar placa de veículo que abalroou o seu. II se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. Nessa hipótese, o funcionário público acessa o sistema de informações ou banco de dados, mas em área que lhe é vedada. Exemplo: policial que manuseia autos de inquérito sigiloso sem autorização para passar informações a terceiros Qualificadora. Havendo dano para a Administração, o delito estará enquadrado 2 o, na sua forma qualificada. Cuida-se, em verdade, do exaurimento do delito, utilizado pelo legislador como qualificadora em razão da maior gravidade que reveste o fato cometido pelo funcionário público Violação do Sigilo de Proposta de Concorrência (art. 326 do CP) 22
23 Tal dispositivo foi tacitamente revogado pelo art. 94, da Lei 8666/93, que tem uma redação mais abrangente, punindo com detenção, de dois a três anos, e multa qualquer devassa em sigilo envolvendo procedimento licitatório. 2. Conceito de FUNCIONÁRIO PÚBLICO (art. 327 do CP) 2.1. O conceito é extremamente amplo: cargo, emprego ou função pública, mesmo que transitoriamente e sem remuneração. Exemplos: mesário, jurados e estagiário são funcionários públicos para fins do artigo 327. Aquele que exerce um encargo público ou múnus público não pode ser sujeito ativo de crime de funcionário público. Exemplos: síndico de falência, inventariante dativo, advogado que atua no lugar do Defensor Público, por convênio com a OAB Cargo. Há de ser o criado por lei, com denominação própria, em número certo e pago pelos cofres públicos Emprego. Tanto para serviço temporário com o regime comum da CLT Função pública. Conjunto de atribuições públicas que não correspondam a cargo ou emprego público (jurado, mesário etc) Funcionário público por equiparação (art. 327, 1º do CP) Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública Funcionário público e terceirizados. São considerados funcionários por equiparação. O STJ entende que, para efeito de ações penais, a definição de funcionário público deve ser ampla e elástica. O Código Penal, no artigo 327, considera servidor público todo aquele que exerce função pública, mesmo que seja contratado, mensalista, diarista, nomeado temporariamente ou até sem remuneração. (HC 9602) 2.7. Causa de aumento de pena (art. 327, 2º do CP) A pena será aumentada da terça parte quando os agentes forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da 23
24 administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. Ocupante de cargo em comissão ou de função de direção ou assessoramento de uma autarquia, que não faz parte da Administração Direta não pode sofrer esse aumento de pena, vez que o artigo 327 não previu essa possibilidade e não cabe ao intérprete ampliar a mens legis. Os Chefes do Poder Executivo encontram-se abrangidos pelo art. 327 do CP. 24
25 b) REVISÃO 01 - Questões QUESTÃO 01 CONSULPLAN - TJ-MG - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTRO 2015 Acerca dos crimes contra a administração pública, assinale a alternativa INCORRETA. a) O agente público comete crime de prevaricação quando retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou o pratica, contra disposição legal, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. b) A pena do crime de corrupção passiva é aumentada de um terço quando o funcionário público, em razão de vantagem ou promessa, retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional. c) Quanto aos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral, é correto afirmar que o crime de concussão pode ser praticado por quem exerce cargo em entidade paraestatal. d) Apenas dinheiro, valores e bens móveis públicos constituem objeto do crime de peculato. QUESTÃO 02 - CONSULPLAN CBTU - ANALISTA DE GESTÃO - CONTADOR 2014 (ADAPTADA) Joaquim, nomeado no concurso para o cargo de delegado da polícia civil do Estado X, ao tomar conhecimento de que seria logo empossado no cargo, procura Felipe, conhecido traficante local e, em razão do cargo que passaria a ocupar, exige o pagamento de quantia equivalente a 10% do rendimento mensal do tráfico, alertando-o sobre possíveis problemas que poderia enfrentar, caso a exigência não fosse atendida. Considerando o caso, é correto afirmar que Joaquim praticou. a) crime de concussão. b) crime de corrupção ativa c) crime de corrupção passiva d) fato atípico, já que ainda não tomou posse no cargo público. 25
26 QUESTÃO 03 CONSULPLAN - TRE-MG - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA No município X, o funcionário Mévio ocupava cargo em comissão na Prefeitura. No entanto, foi exonerado ex officio, pelo prefeito, mediante mera publicação no Diário Oficial, a qual não chegou ao conhecimento do servidor, que chegou a praticar diversos atos de ofício. Considerando que não havia autorização para a prática dos citados atos, é correto afirmar que Mévio a) praticou o crime de prevaricação (Art. 319 do Código Penal). b) praticou o ato amparado por uma causa excludente da culpabilidade c) praticou o crime de exercício funcional ilegalmente prolongado (Art. 324 do Código Penal). d) se estivesse em gozo de férias e praticasse atos de ofício, teria cometido o crime de exercício funcional ilegalmente prolongado (Art. 324 do Código Penal). e) não praticou crime, pois o fato é atípico. Para que cometesse o crime de exercício funcional ilegalmente prolongado, ele deveria ter conhecimento real de sua exoneração. QUESTÃO 04 CONSULPLAN TJ/MG - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTRO 2015 Tícia, na qualidade de ordenadora de despesas de órgão público, emitiu cheques para pagamento de serviços fictícios de empresa particular pertencente a fraudelina. Atendendo ao prévio ajuste, os valores foram repartidos entre ambas. Segundo as disposições aplicáveis ao concurso de pessoas, é correto afirmar: a) Tícia responderá por peculato e Fraudelina responderá por corrupção ativa, pois as circunstâncias e as condições de caráter pessoal não se comunicam. b) Tícia responderá por peculato e Fraudelina responderá por estelionato, pois as circunstâncias e as condições de caráter pessoal não se comunicam. c) Ticia e Fraudelina responderão, respectivamente, por corrupção passiva e corrupção ativa. 26
27 d) Tícia e Fraudelina responderão por peculato. QUESTÃO 05 NUCEPE - SEJUS-PI - AGENTE PENITENCIÁRIO José, funcionário público, é responsável pelo almoxarifado onde ficam guardados os produtos de limpeza da repartição. Marque a alternativa CORRETA. a) José, ao subtrair 02 resmas de papel de uma papelaria no centro comercial, cometerá crime de peculato. b) José tinha costume de deixar a porta do almoxarifado aberto, mas neste dia fechou a porta do almoxarifado com cadeado, ao retornar, a porta havia sido arrombada e vários objetos foram subtraídos, ele deve responder por peculato culposo. c) José, ao receber vantagem indevida, infringindo dever funcional, responde por crime de corrupção passiva, já aquele que ofereceu ou prometeu cometeu o crime de corrupção ativa. d) José discutir com seu vizinho na porta de sua casa e este afirma que JOSÉ é um cidadão desqualificado, ocorre nesta situação crime de desacato. e) José, ao patrocinar interesse de seu vizinho perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário responde por crime de advocacia administrativa; Seu vizinho responde por corrupção passiva e tráfico de influência. QUESTÃO 06 FCC SEGEP/MA - AUDITOR FISCAL DA RECEITA ESTADUAL - ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA 2016 (ADAPTADA) Ocorre o crime de peculato culposo: a) Quando o funcionário público concorre culposamente para o crime de outrem. b) Quando o particular concorre culposamente para o crime de outrem. c) Quando o funcionário público pratica o peculato-apropriação ou o peculatodesvio mediante erro determinado por terceiro. 27
28 d) Quando o particular pratica o peculato-apropriação ou o peculato-desvio mediante imprudência, imperícia ou negligência. QUESTÃO 07 FCC - SEGEP-MA - AUDITOR FISCAL DA RECEITA ESTADUAL - ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA 2016 (ADAPTADA) A vantagem indevida obtida pelo funcionário público só caracteriza o crime de concussão quando for a) exigida. b) solicitada. c) aceita. d) oferecida. QUESTÃO 08 - CESPE TCE/PR - ANALISTA DE CONTROLE - JURÍDICA 2016 (ADAPTADA) No que se refere ao crime de peculato, assinale a opção correta com base na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). a) A reparação do dano pelo funcionário público antes do recebimento da denúncia exclui a configuração do crime de peculato doloso. b) A qualidade de funcionário público do sujeito ativo é elementar do crime de peculato, a qual não se comunica a coautores e partícipes estranhos ao serviço público. c) A circunstância de o sujeito ativo ser funcionário público ocupante de cargo de elevada responsabilidade justifica a majoração da pena-base aplicada em decorrência da condenação pela prática do crime de peculato. d) A consumação do crime de peculato-apropriação ocorre com a posse mansa e pacífica do objeto material pelo funcionário público. QUESTÃO 09 - QUADRIX - CRQ 18 REGIÃO PI - ADVOGADO 2016 (ADAPTADA) No campo do Direito Penal, no capítulo referente aos crimes contra a administração pública, a doutrina e jurisprudência tem entendido o seguinte: 28
29 a) pratica crime contra a administração pública aquele que facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho. b) os crimes contra a administração pública são puníveis apenas na modalidade dolosa. c) aquele que der às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei comete crime de prevaricação. d) aquele que pratica violência no exercício da função, ou a pretexto de exercêla, comete crime de concussão. QUESTÃO 10 COMPERVE - CÂMARA DE NATAL RN - GUARDA LEGISLATIVO Nos crimes contra a administração, existe uma gama de crimes praticados por funcionários públicos. Nesse contexto, é primordial definir o que é funcionário público para efeitos penais e suas consequências, inclusive para efeito de majoração da pena. Sobre essa questão, o código Penal estabelece: a) considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem está legalmente investido em cargo público efetivo perante a administração direta. b) considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, apenas permanentemente, exerce cargo, emprego ou função pública. c) será aumentada a pena da terça parte quando os autores dos crimes previstos no código penal forem ocupantes de cargos efetivos de direção, assessoramento e consultoria de órgão da administração direta, indireta, suas autarquias e fundações. d) equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. 29
30 c) REVISÃO 02 Questões QUESTÃO 11 - CONSULPLAN - TJ-MG - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - PROVIMENTO Mévio, no exercício de sua função no cartório extrajudicial, não cumpriu o mandado judicial de averbação do divórcio no registro de casamento. Mévio assim agiu porque o divórcio era de sua vizinha Cleofa e não queria vê-la divorciada. A conduta de Mévio configura crime de a) desacato. b) desobediência. c) resistência. d) prevaricação. QUESTÃO 12 - FCC - SEGEP-MA - TÉCNICO DA RECEITA ESTADUAL - ARRECADAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DE MERCADORIAS EM TRÂNSITO - CONHECIMENTOS GERAIS 2016 (ADAPTADA) Praticado o peculato culposo, fica extinta a punibilidade do funcionário público que repara o dano antes a) do oferecimento da denúncia. b) da sentença irrecorrível. c) da conclusão da investigação penal. d) de ser exonerado do serviço público. QUESTÃO 13 IBADE - PREFEITURA DE RIO BRANCO AC ADMINISTRADOR 2016 O servidor público que solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem, incorrerá na prática do crime de: a) concussão. b) peculato. 30
31 d) corrupção ativa. d) corrupção passiva. QUESTÃO 14 - PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO RJ - PREFEITURA DE RIO DE JANEIRO RJ ASSISTENTE ADMINISTRATIVO 2016 Se o funcionário público se apropria de bem móvel público de que tem a posse em razão do cargo, acaba por praticar o seguinte crime: a) extravio b) concussão c) patrocínio d) peculato QUESTÃO 15 FGV - MPE-RJ - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO - ADMINISTRATIVA 2016 (ADAPTADA) João foi aprovado em concurso público para ingresso no quadro de funcionários do Ministério Público, sendo nomeado e tendo tomado posse, e, apesar de não ter assumido sua função por razões burocráticas, já foi informado de que seria designado para atuar junto à Promotoria de Justiça Criminal de Duque de Caxias. Ciente da existência de investigação para apurar ilícitos fiscais que estariam sendo praticados por empresário da cidade, colega de seu pai, procura o advogado do investigado e narra que será designado para atuar na Promotoria com atribuição para o caso, passando a solicitar a quantia de 50 mil reais para, de alguma forma, influenciar naquela investigação de maneira favorável ao indiciado. Considerando a situação narrada, é correto afirmar que a conduta de João, em tese: a) configura crime de corrupção passiva; b) configura crime de prevaricação; c) configura crime de advocacia administrativa; d) configura crime de exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado; 31
32 QUESTÃO 16 FGV MPE/RJ - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO - ADMINISTRATIVA 2016 (ADAPTADA) Caio ocupa cargo em comissão em órgão da administração direta, tendo se apoderado, indevidamente e em proveito próprio, de um laptop pertencente ao órgão por ele dirigido e do qual tinha a posse em razão do cargo. Diante do fato narrado, Caio deverá responder por: a) crime comum, mas não próprio, já que não pode ser considerado funcionário público; b) peculato-furto, com o aumento de pena em razão do cargo comissionado ocupado; c) peculato apropriação, com o aumento de pena em razão do cargo comissionado ocupado; d) peculato apropriação, com direito à extinção da punibilidade se devolvida a coisa ou reparado o dano antes do recebimento da denúncia; QUESTÃO 17 FGV MPE/RJ - ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO - ADMINISTRATIVA 2016 (ADAPTADA) Paulo é chefe de uma repartição pública, onde também trabalha Julia, sob a sua supervisão e subordinação. Tomando conhecimento de uma falta funcional praticada por esta sua funcionária, deixa de tomar as providências próprias exigidas por seu cargo e de responsabilizá-la, pois sabendo que ela é mãe de três filhos, acredita que necessita continuar exercendo suas funções sem mácula na ficha funcional. Descoberto o fato, em tese, a conduta de Paulo: a) é atípica; b) configura crime de corrupção passiva; c) configura crime de prevaricação; d) configura crime de condescendência criminosa; QUESTÃO 18 FGV - MPE/RJ - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO - NOTIFICAÇÕES E ATOS INTIMATÓRIOS 2016 (ADAPTADA) 32
33 Técnico de notificação do Ministério Público recebe documentos sigilosos oriundos de determinando procedimento para cumprimento de diligência. De maneira negligente, porém, joga-os no lixo juntamente com outros papéis de contas pessoais, causando, assim, o sumiço do importante documento público. Considerando a situação narrada, a conduta do técnico de notificação, sob o ponto de vista penal: a) configura crime de excesso de exação; b) configura crime de extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento público; c) configura crime de violação do sigilo funcional; d) é atípica; QUESTÃO 19 FUMARC - PREFEITURA DE MATOZINHOS MG ADVOGADO 2016 No que se refere aos crimes contra a Administração Pública, é CORRETO afirmar: a) Não são funcionários públicos para fins penais agentes de autarquias e de empresas privadas concessionárias de serviço público, ainda que no exercí- cio de atividade tipicamente estatal. b) Não constitui crime contra a Administração Pública dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei. c) Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, apenas quem é titular de cargo público. d) A pena imposta pelo crime praticado por funcionário público contra a Administração em geral será aumentada da terça parte se o autor do crime for ocupante de cargo em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta. QUESTÃO 20 - FGV MPE/RJ - ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO - ADMINISTRATIVA 2016 (ADAPTADA) 33
34 O conceito de funcionário público para fins penais não se confunde com o conceito para outros ramos do Direito. Em sendo crime próprio praticado por funcionário público contra a Administração, aplica-se o artigo 327 do Código Penal, que apresenta um conceito amplo de funcionário público para efeitos penais. Por outro lado, o artigo respeita o princípio da legalidade, disciplinando expressamente em que ocasiões determinado indivíduo será considerado funcionário público para fins de definição do sujeito ativo de crimes próprios. Sobre o tema ora tratado e de acordo com o dispositivo acima mencionado, é correto afirmar que: a) exige-se o requisito da permanência para que seja reconhecida a condição de funcionário público no campo penal; b) somente pode ser considerado funcionário público aquele que recebe qualquer tipo de remuneração no exercício de cargo, emprego ou função pública; c) aquele que exerce cargo em autarquias, entidades paraestatais ou fundações públicas, não é considerado funcionário público para efeitos penais; d) é equiparado a funcionário público, para efeitos penais, aquele que trabalha para empresa contratada para a execução de atividade típica da Administração Pública. 34
35 d) REVISÃO 03 Mapas mentais 35
36 36
37 37
38 38
39 e) GABARITO D A D D C A A C A D D B D D A C D D D D 39
40 g) NORMAS UTILIZADAS Codigo Penal Peculato Art Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. Peculato culposo 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta. Peculato mediante erro de outrem Art Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Inserção de dados falsos em sistema de informações Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar dano: Pena reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de informações ou programa de informática sem autorização ou solicitação de autoridade competente: 40
41 Pena detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. As penas são aumentadas de um terço até a metade se da modificação ou alteração resulta dano para a Administração Pública ou para o administrado. Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento Art Extraviar livro oficial ou qualquer documento, de que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou inutilizá-lo, total ou parcialmente: Pena - reclusão, de um a quatro anos, se o fato não constitui crime mais grave. Emprego irregular de verbas ou rendas públicas Art Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei: Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. Concussão Art Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. Excesso de exação 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza: Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. Corrupção passiva Art Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. 41
42 1º - A pena é aumentada de um terço, se, em conseqüência da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo dever funcional. 2º - Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. Facilitação de contrabando ou descaminho Art Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (art. 334): Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa. Prevaricação Art Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo: Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano. Condescendência criminosa Art Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. Advocacia administrativa Art Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário: Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo: Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa. Violência arbitrária 42
43 Art Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la: Pena - detenção, de seis meses a três anos, além da pena correspondente à violência. Abandono de função Art Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. 1º - Se do fato resulta prejuízo público: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 2º - Se o fato ocorre em lugar compreendido na faixa de fronteira: Pena - detenção, de um a três anos, e multa. Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado Art Entrar no exercício de função pública antes de satisfeitas as exigências legais, ou continuar a exercê-la, sem autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. Violação de sigilo funcional Art Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave. 1 o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem: I permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública; II se utiliza, indevidamente, do acesso restrito. 2 o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem: Pena reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. Violação do sigilo de proposta de concorrência Art Devassar o sigilo de proposta de concorrência pública, ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo: Pena - Detenção, de três meses a um ano, e multa. 43
44 Funcionário público Art Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. 44
45 h) BREVES COMENTÁRIOS ÀS QUESTÕES QUESTÃO 01 CONSULPLAN - TJ-MG - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTRO 2015 Acerca dos crimes contra a administração pública, assinale a alternativa INCORRETA. a) O agente público comete crime de prevaricação quando retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou o pratica, contra disposição legal, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. b) A pena do crime de corrupção passiva é aumentada de um terço quando o funcionário público, em razão de vantagem ou promessa, retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional. c) Quanto aos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral, é correto afirmar que o crime de concussão pode ser praticado por quem exerce cargo em entidade paraestatal. d) Apenas dinheiro, valores e bens móveis públicos constituem objeto do crime de peculato. O item D encontra-se incorreto pq contraria o disposto no art. 312 caput do CP, haja vista a possibilidade de o crime de peculato ter por objeto dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que o agente tem a posse em razão do cargo. Vejamos. Art Peculato "Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio". Gabarito D. QUESTÃO 02 - CONSULPLAN CBTU - ANALISTA DE GESTÃO - CONTADOR 2014 (ADAPTADA) Joaquim, nomeado no concurso para o cargo de delegado da polícia civil do Estado X, ao tomar conhecimento de que seria logo empossado no cargo, procura Felipe, conhecido traficante local e, em razão do cargo que passaria a 45
46 ocupar, exige o pagamento de quantia equivalente a 10% do rendimento mensal do tráfico, alertando-o sobre possíveis problemas que poderia enfrentar, caso a exigência não fosse atendida. Considerando o caso, é correto afirmar que Joaquim praticou. a) crime de concussão. b) crime de corrupção ativa c) crime de corrupção passiva d) fato atípico, já que ainda não tomou posse no cargo público. A questão descreve o crime de concussão, descrito no art. 316 do CP.Vejamos Art Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida. Gabarito. A. QUESTÃO 03 CONSULPLAN - TRE-MG - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA 2013 (ADAPTADA) No município X, o funcionário Mévio ocupava cargo em comissão na Prefeitura. No entanto, foi exonerado ex officio, pelo prefeito, mediante mera publicação no Diário Oficial, a qual não chegou ao conhecimento do servidor, que chegou a praticar diversos atos de ofício. Considerando que não havia autorização para a prática dos citados atos, é correto afirmar que Mévio a) praticou o crime de prevaricação (Art. 319 do Código Penal). b) praticou o ato amparado por uma causa excludente da culpabilidade c) praticou o crime de exercício funcional ilegalmente prolongado (Art. 324 do Código Penal). d) não praticou crime, pois o fato é atípico. Para que cometesse o crime de exercício funcional ilegalmente prolongado, ele deveria ter conhecimento real de sua exoneração. O crime de Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado exige do sujeito ativo que o pratique na modalidade DOLO. 46
47 Na presente questão, entretanto, o funcionário público Mévio praticou atos de ofício no exercício da função pois desconhecia que tinha sido exonerado, logo não ficou caracterizado o DOLO (ânimo de praticar, ainda assim, atos de ofício mesmo depois de exonerado). Como o crime não prevê modalidade CULPOSA, o fato praticado por Mévio é Atípico. Gabarito. D QUESTÃO 04 CONSULPLAN TJ/MG - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTRO 2015 Tícia, na qualidade de ordenadora de despesas de órgão público, emitiu cheques para pagamento de serviços fictícios de empresa particular pertencente a fraudelina. Atendendo ao prévio ajuste, os valores foram repartidos entre ambas. Segundo as disposições aplicáveis ao concurso de pessoas, é correto afirmar: a) Tícia responderá por peculato e Fraudelina responderá por corrupção ativa, pois as circunstâncias e as condições de caráter pessoal não se comunicam. b) Tícia responderá por peculato e Fraudelina responderá por estelionato, pois as circunstâncias e as condições de caráter pessoal não se comunicam. c) Ticia e Fraudelina responderão, respectivamente, por corrupção passiva e corrupção ativa. d) Tícia e Fraudelina responderão por peculato. Não há corrupção ativa nem passiva descrita na questão, vez que nela não se menciona o oferecimento ou recebimento de determinada importância. Há, na verdade, a prática do crime de peculato desvio, previsto na parte final do art. 312, caput, do CP, em concurso de pessoas, visto que a qualidade pessoal de funcionária pública de Tícia é elementar do crime e, assim, comunica-se à pessoa de Fraudeulina. Art Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: 47
48 Art Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime. Gabarito. D. QUESTÃO 05 NUCEPE - SEJUS-PI - AGENTE PENITENCIÁRIO José, funcionário público, é responsável pelo almoxarifado onde ficam guardados os produtos de limpeza da repartição. Marque a alternativa CORRETA. a) José, ao subtrair 02 resmas de papel de uma papelaria no centro comercial, cometerá crime de peculato. b) José tinha costume de deixar a porta do almoxarifado aberto, mas neste dia fechou a porta do almoxarifado com cadeado, ao retornar, a porta havia sido arrombada e vários objetos foram subtraídos, ele deve responder por peculato culposo. c) José, ao receber vantagem indevida, infringindo dever funcional, responde por crime de corrupção passiva, já aquele que ofereceu ou prometeu cometeu o crime de corrupção ativa. d) José discutir com seu vizinho na porta de sua casa e este afirma que JOSÉ é um cidadão desqualificado, ocorre nesta situação crime de desacato. e) José, ao patrocinar interesse de seu vizinho perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário responde por crime de advocacia administrativa; Seu vizinho responde por corrupção passiva e tráfico de influência. A existência da corrupão ativa independe da passiva e vice versa, isto é, a bilateralidade não é requisito indispensável para a configuração do crime.entretanto, o Núcleo do tipo da corrução passiva: RECEBER é a única exceção. Pois, se houve recebimento houve també m a oferta. Por tal fato, José responderá por crime de corrupção passiva, previsto do art. 317 do CP. Gabarito. C. 48
49 QUESTÃO 06 FCC SEGEP/MA - AUDITOR FISCAL DA RECEITA ESTADUAL - ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA 2016 (ADAPTADA) Ocorre o crime de peculato culposo: a) Quando o funcionário público concorre culposamente para o crime de outrem. b) Quando o particular concorre culposamente para o crime de outrem. c) Quando o funcionário público pratica o peculato-apropriação ou o peculatodesvio mediante erro determinado por terceiro. d) Quando o particular pratica o peculato-apropriação ou o peculato-desvio mediante imprudência, imperícia ou negligência. O item A encontra previsão no art. 312, 2º do CP. Vejamos Art (...) 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Gabarito. A. QUESTÃO 07 FCC - SEGEP-MA - AUDITOR FISCAL DA RECEITA ESTADUAL - ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA 2016 (ADAPTADA) A vantagem indevida obtida pelo funcionário público só caracteriza o crime de concussão quando for a) exigida. b) solicitada. c) aceita. d) oferecida. O núcleo verbo do tipo do crime de concussão é exigir, consoante disposto no art. 316 do CP. Vejamos. Concussão 49
50 Art Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida. Gabarito. A. QUESTÃO 08 - CESPE TCE/PR - ANALISTA DE CONTROLE - JURÍDICA 2016 (ADAPTADA) No que se refere ao crime de peculato, assinale a opção correta com base na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). a) A reparação do dano pelo funcionário público antes do recebimento da denúncia exclui a configuração do crime de peculato doloso. b) A qualidade de funcionário público do sujeito ativo é elementar do crime de peculato, a qual não se comunica a coautores e partícipes estranhos ao serviço público. c) A circunstância de o sujeito ativo ser funcionário público ocupante de cargo de elevada responsabilidade justifica a majoração da pena-base aplicada em decorrência da condenação pela prática do crime de peculato. d) A consumação do crime de peculato-apropriação ocorre com a posse mansa e pacífica do objeto material pelo funcionário público. O item C traz um entendimento do STJ quanto ao maior grau de reprovabilidade da conduta do agente, em razão de ocupar cargo de elevada responsabilidade. O julgado a seguir transcrito corrobora o entendimento daquela Egrégia Corte. Vejamos. DIREITO PENAL. MAIOR GRAU DE REPROVABILIDADE DA CONDUTA DE PROMOTOR DE JUSTIÇA EM CRIME DE CORRUPÇÃO PASSIVA. O fato de o crime de corrupção passiva ter sido praticado por Promotor de Justiça no exercício de suas atribuições institucionais pode configurar circunstância judicial desfavorável na dosimetria da pena. Isso porque esse fato revela maior grau de reprovabilidade da conduta, a justificar o reconhecimento da acentuada culpabilidade, dada as específicas atribuições do promotor de justiça, as quais são distintas e incomuns se equiparadas aos demais servidores 50
51 públicos latu sensu. Assim, a referida circunstância não é inerente ao próprio tipo penal. REsp AM, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 16/10/2014. Gabarito. C. QUESTÃO 09 - QUADRIX - CRQ 18 REGIÃO PI - ADVOGADO 2016 (ADAPTADA) No campo do Direito Penal, no capítulo referente aos crimes contra a administração pública, a doutrina e jurisprudência tem entendido o seguinte: a) pratica crime contra a administração pública aquele que facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho. b) os crimes contra a administração pública são puníveis apenas na modalidade dolosa. c) aquele que der às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei comete crime de prevaricação. d) aquele que pratica violência no exercício da função, ou a pretexto de exercêla, comete crime de concussão. O item A descreve o crime de facilitaçãoo de contrabando ou descaminho, previsto no art. 318 do CP. Vejamos. Art Facilitar, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho (art. 334) Gabarito. A. QUESTÃO 10 COMPERVE - CÂMARA DE NATAL RN - GUARDA LEGISLATIVO Nos crimes contra a administração, existe uma gama de crimes praticados por funcionários públicos. Nesse contexto, é primordial definir o que é funcionário público para efeitos penais e suas consequências, inclusive para efeito de majoração da pena. Sobre essa questão, o código Penal estabelece: a) considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem está legalmente investido em cargo público efetivo perante a administração direta. 51
52 b) considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, apenas permanentemente, exerce cargo, emprego ou função pública. c) será aumentada a pena da terça parte quando os autores dos crimes previstos no código penal forem ocupantes de cargos efetivos de direção, assessoramento e consultoria de órgão da administração direta, indireta, suas autarquias e fundações. d) equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. O item D encontra seu fundamento no art. 327, 1º do CP. Vejamos. Funcionário público Art Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. Gabarito. D. QUESTÃO 11 - CONSULPLAN - TJ-MG - TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS - PROVIMENTO Mévio, no exercício de sua função no cartório extrajudicial, não cumpriu o mandado judicial de averbação do divórcio no registro de casamento. Mévio assim agiu porque o divórcio era de sua vizinha Cleofa e não queria vê-la divorciada. A conduta de Mévio configura crime de a) desacato. b) desobediência. c) resistência. d) prevaricação. 52
53 A conduta de Mévio encontra-se descrita no art. 319 do CP, o qual descreve o crime de prevaricação. Vejamos. Prevaricação: ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Gabarito. D. QUESTÃO 12 - FCC - SEGEP-MA - TÉCNICO DA RECEITA ESTADUAL - ARRECADAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DE MERCADORIAS EM TRÂNSITO - CONHECIMENTOS GERAIS 2016 (ADAPTADA) Praticado o peculato culposo, fica extinta a punibilidade do funcionário público que repara o dano antes a) do oferecimento da denúncia. b) da sentença irrecorrível. c) da conclusão da investigação penal. d) de ser exonerado do serviço público. A resposta da presente questão encontra seu fundamento no art. 312, 3º do CP. Vejamos. Art. 312 (...) 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta. Gabarito. B. QUESTÃO 13 IBADE - PREFEITURA DE RIO BRANCO AC ADMINISTRADOR 2016 O servidor público que solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão 53
54 dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem, incorrerá na prática do crime de: a) concussão. b) peculato. d) corrupção ativa. d) corrupção passiva. O enunciado da questão descreve o crime de corrupçãoo passiva, previsto no art. 317 do CP. Vejamos. Art Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem. Gabarito. D. QUESTÃO 14 - PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO RJ - PREFEITURA DE RIO DE JANEIRO RJ ASSISTENTE ADMINISTRATIVO 2016 Se o funcionário público se apropria de bem móvel público de que tem a posse em razão do cargo, acaba por praticar o seguinte crime: a) extravio b) concussão c) patrocínio d) peculato O enuncado da questão descreve o crime previsto de peculato, previsto no art. 312 do CP. Vejamos. Art Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: Gabarito. D. QUESTÃO 15 FGV - MPE-RJ - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO - ADMINISTRATIVA 2016 (ADAPTADA) 54
55 João foi aprovado em concurso público para ingresso no quadro de funcionários do Ministério Público, sendo nomeado e tendo tomado posse, e, apesar de não ter assumido sua função por razões burocráticas, já foi informado de que seria designado para atuar junto à Promotoria de Justiça Criminal de Duque de Caxias. Ciente da existência de investigação para apurar ilícitos fiscais que estariam sendo praticados por empresário da cidade, colega de seu pai, procura o advogado do investigado e narra que será designado para atuar na Promotoria com atribuição para o caso, passando a solicitar a quantia de 50 mil reais para, de alguma forma, influenciar naquela investigação de maneira favorável ao indiciado. Considerando a situação narrada, é correto afirmar que a conduta de João, em tese: a) configura crime de corrupção passiva; b) configura crime de prevaricação; c) configura crime de advocacia administrativa; d) configura crime de exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado; A questão descreve o crime de corrupção passiva, previsto no art. 317 do CP. Vejamos. Art Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem. Gabarito. A. QUESTÃO 16 FGV MPE/RJ - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO - ADMINISTRATIVA 2016 (ADAPTADA) Caio ocupa cargo em comissão em órgão da administração direta, tendo se apoderado, indevidamente e em proveito próprio, de um laptop pertencente ao órgão por ele dirigido e do qual tinha a posse em razão do cargo. Diante do fato narrado, Caio deverá responder por: a) crime comum, mas não próprio, já que não pode ser considerado funcionário público; 55
56 b) peculato-furto, com o aumento de pena em razão do cargo comissionado ocupado; c) peculato apropriação, com o aumento de pena em razão do cargo comissionado ocupado; d) peculato apropriação, com direito à extinção da punibilidade se devolvida a coisa ou reparado o dano antes do recebimento da denúncia; O enunciado da questão descreve o crime de peculato apropriação, previsto no art. 312, caput. do CP, c/c o disposto no art. 327, 2 o do CP. Vejamos. Art Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo em proveito próprio ou alheio; Art Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transittoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. (...) 2 o - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. Gabarito. C. QUESTÃO 17 FGV MPE/RJ - ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO - ADMINISTRATIVA 2016 (ADAPTADA) Paulo é chefe de uma repartição pública, onde também trabalha Julia, sob a sua supervisão e subordinação. Tomando conhecimento de uma falta funcional praticada por esta sua funcionária, deixa de tomar as providências próprias exigidas por seu cargo e de responsabilizá-la, pois sabendo que ela é mãe de três filhos, acredita que necessita continuar exercendo suas funções sem mácula na ficha funcional. Descoberto o fato, em tese, a conduta de Paulo: a) é atípica; 56
57 b) configura crime de corrupção passiva; c) configura crime de prevaricação; d) configura crime de condescendência criminosa; Paulo praticou o crime de condescendência criminosa previsto no art. 320 do CP. Condescendência criminosa Art Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente: Gabarito. D. QUESTÃO 18 FGV - MPE/RJ - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO - NOTIFICAÇÕES E ATOS INTIMATÓRIOS 2016 (ADAPTADA) Técnico de notificação do Ministério Público recebe documentos sigilosos oriundos de determinando procedimento para cumprimento de diligência. De maneira negligente, porém, joga-os no lixo juntamente com outros papéis de contas pessoais, causando, assim, o sumiço do importante documento público. Considerando a situação narrada, a conduta do técnico de notificação, sob o ponto de vista penal: a) configura crime de excesso de exação; b) configura crime de extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento público; c) configura crime de violação do sigilo funcional; d) é atípica; A conduta do agente é atípica dado o fato de que ele agiu culposamente. O crime de crime de violação de sigilo funcional (art. 325, CP), supostamente ventilado na questão somente prevê a sua modalidade dolosa, razão pela qual, no caso em questão, a conduta torna-se atípica. Poderá o servidor, entretanto, responder administrativamente pela negligência. 57
58 Atentem para o fato de que o único crime contra a administração que admite a modalidade culposa é o peculato cuposo. Gabarito D. QUESTÃO 19 FUMARC - PREFEITURA DE MATOZINHOS MG ADVOGADO 2016 No que se refere aos crimes contra a Administração Pública, é CORRETO afirmar: a) Não são funcionários públicos para fins penais agentes de autarquias e de empresas privadas concessionárias de serviço público, ainda que no exercí- cio de atividade tipicamente estatal. b) Não constitui crime contra a Administração Pública dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei. c) Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, apenas quem é titular de cargo público. d) A pena imposta pelo crime praticado por funcionário público contra a Administração em geral será aumentada da terça parte se o autor do crime for ocupante de cargo em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta. O Item D corresponde ao art. 327, 2º do CP. Vejamos ART. 327 (...) 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. Gabarito D. QUESTÃO 20 - FGV MPE/RJ - ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO - ADMINISTRATIVA 2016 (ADAPTADA) 58
59 O conceito de funcionário público para fins penais não se confunde com o conceito para outros ramos do Direito. Em sendo crime próprio praticado por funcionário público contra a Administração, aplica-se o artigo 327 do Código Penal, que apresenta um conceito amplo de funcionário público para efeitos penais. Por outro lado, o artigo respeita o princípio da legalidade, disciplinando expressamente em que ocasiões determinado indivíduo será considerado funcionário público para fins de definição do sujeito ativo de crimes próprios. Sobre o tema ora tratado e de acordo com o dispositivo acima mencionado, é correto afirmar que: a) exige-se o requisito da permanência para que seja reconhecida a condição de funcionário público no campo penal; b) somente pode ser considerado funcionário público aquele que recebe qualquer tipo de remuneração no exercício de cargo, emprego ou função pública; c) aquele que exerce cargo em autarquias, entidades paraestatais ou fundações públicas, não é considerado funcionário público para efeitos penais; d) é equiparado a funcionário público, para efeitos penais, aquele que trabalha para empresa contratada para a execução de atividade típica da Administração Pública. A questão encontra seu fundamento no item D, o qual corresponde ao art. 327, 1º do CP. Vejamos. Funcionário público Art Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública. 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. Gabarito D. 59
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