COMPREENDER A CONTABILIDADE NACIONAL

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1 COMPREENDER A CONTABILIDADE NACIONAL R2014/02 ANTÓNIO MACHADO LOPES MARÇO 2014

2 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Atóio Machado Lopes R_2014/02 1. O UE É O SISTEMA DE CONTABILIDADE NACIONAL 3 2. OS AGENTES ECONÓMICOS Os sectores istitucioais Os ramos de actividades e os produtos (bes e serviços) 7 3. AS TRANSACÇÕES/OPERAÇÕES As operações sobre produtos Produção (P.1) A produção em algus ramos específicos Cosumo Itermédio (P.2) Despesa de Cosumo Fial (P.3)/Cosumo fial efectivo (P.4) Formação bruta de capital (P.5) Exportação de bes e serviços (P.6) Importação de bes e serviços (P.7) As operações de distribuição Operações fiaceiras METODOLOGIA Critério de residêcia Sistema cotabilístico As cotas corretes As cotas de acumulação O pricípio das partidas dobradas Valorização Critério compromisso/critério de caixa: Dupla valorização dos produtos: preços base e preços de aquisição CONTAS DOS SECTORES INSTITUCIONAIS A cota de exploração A Cota de afectação do redimeto primário 37 INE Istituto Nacioal de Estatística e ISCTE IUL.

3 Compreeder a Cotabilidade Nacioal 5.5. A cota de redistribuição do redimeto em espécie A cota de variações do patrimóio líquido resultates da poupaça e das trasferêcias de capital A cota de aquisição de activos ão fiaceiros EUILÍBRIO EMPREGOS-RECURSOS As cotas dos ramos de actividade O equilíbrio Empregos Recursos O uadro de Equilíbrio Empregos - Recursos O quadro etradas-saídas simétrico Apresetação do quadro simétrico A modelização do quadro simétrico DECOMPOSIÇÃO PREÇO-VOLUME Aspectos gerais Os ídices de Laspeyres e de Paasche A decomposição preço-volume Critérios de escolha da decomposição Volumes Ecadeados O problema da ão aditividade O Caso das Cotas Nacioais Portuguesas 69 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 71 DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 2

4 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Compreeder a Cotabilidade Nacioal 1. O UE É O SISTEMA DE CONTABILIDADE NACIONAL Geericamete, a Cotabilidade Nacioal é um sistema de represetação e classificação, de forma coerete e quatificável, do cojuto de relações ecoómicas e fiaceiras que se estabelecem um determiado período de tempo um determiado sistema ecoómico e fiaceiro. Esta oção carece de maior especificação. Com efeito, é ecessário idetificar e classificar os agetes ecoómicos, os objectos ecoómicos e as relações estabelecidas pelos agetes ecoómicos. E iteressa também delimitar a ecoomia. Para além disso, é ecessário defiir as regras de registo das relações ecoómicas e especificar os coceitos daí decorretes. Esta caracterização far-se-á com base o sistema europeu de cotas ecoómicas, defiido o Regulameto (CE) º 2223/96 do Coselho, de 25 de Juho de 1996, relativo ao Sistema europeu de cotas ecoómicas e regioais a Comuidade (cohecido por SEC-95). Por sua vez, o sistema europeu fudameta-se o Sistema de Cotas Nacioais, da ONU, de 1993 (SCN-93). O esquema seguite permite uma percepção global da estrutura da Cotabilidade Nacioal: A estrutura das Cotas Nacioais Cotabilidade acioal Agetes ecoómicos Trasacções (operações) Sectores Istitucioais (critério istitucioal) Ramo/produtos (critério fucioal) Sobre produtos Distribuição/redistribuição Cotas de Sectores e Ramos de actividade uadro Emprego Recursos) udros Simétricos Fiaceiras Critério de residêcia Cotas auais, regioais, trimestrais Metodologia Sistema cotabilístico Tipo de valorização Cotas Satélites DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 3

5 Compreeder a Cotabilidade Nacioal O esquema acima estabelece um primeiro ível de caracterização do sistema de Cotabilidade Nacioal (CN), mostrado os seus fudametos: uma relação ecoómica ou fiaceira tem um objecto e pressupõe agetes que a suportam. Esses agetes são de diferetes tipos, cosoate os atributos que se pretedem realçar e a diversidade dos objectos em apreesão (trasformação e troca). Além disso, dada a complexidade que daí resulta é forçoso cosiderar metodologias adequadas para a sua compreesão (os tópicos de critério de residêcia, de sistema cotabilístico e de tipo de valorização, são algus dos mais importates traços coceptuais a cosiderar). O último bloco à direita idetifica, de cima para baixo, os mais importates potos iteros de validação dos resultados, itermédios e fiais. As cotas auais, regioais e trimestrais, bem como as cotas satélite, costituem os pricipais produtos estatísticos das CN. Desde logo se costata que o sistema de Cotabilidade Nacioal é um modelo de represetação da realidade ecoómica e fiaceira e assim, como qualquer modelo, a sua validade deve ser cosiderada relativamete aos seus objectivos, isto é, às características do real que pretede represetar. A CN avalia (idetifica e mede) feómeos moetários ou passíveis de serem avaliados moetariamete, e tem um corpo coceptual específico, orietado esse setido. Apeas simplificadamete poderá a CN ser cosiderada como um istrumeto de medida do bem-estar, uma vez que ão se toma em cota aspectos fudametais tais como os impactos de utilização de recursos ão reováveis, em tão pouco avalia a atureza éticoecoómica da produção e cosumo dos bes e serviços. Algumas extesões da CN, porém, são mais abragetes, procurado abarcar feómeos ão cosiderados o seu corpo cetral. É o caso das Cotas Satélite, que cosideram aprofudadamete diferetes temáticas (obtedo-se assim, por exemplo, Cotas Satélite da Educação, do Turismo, da Agricultura, da Eergia). E é também o caso, mais abragete, das Matrizes de Cotabilidade Social. Por outro lado, a CN é uma costrução estatística, e assim a sua validade depede em primeira-mão das estatísticas de base que a suportam. Mas depede, e ão secudariamete, do seu processo de costrução, dos potos iteros e itermédios de validação, bem como da crítica extera. Esta última existe porque a costrução da Cotabilidade Nacioal pode ser desevolvida por diferetes departametos de uma mesma ou de diferetes istituições (em Portugal, a Cotabilidade Nacioal é desevolvida pelo Istituto Nacioal de Estatística e pelo Baco de Portugal). A exposição que se segue tem em cota o esquema acima represetado, desevolvedo os aspectos aí euciados. Mesmo que, quado julgado ecessário, sejam adicioados outros elemetos coceptuais, o desevolvimeto do texto segue o essecial essa estrutura, pelo que se recomeda a sua memorização. Iclui-se também um parágrafo sobre a decomposição do DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 4

6 Compreeder a Cotabilidade Nacioal valor em volume e em preço. Em muitos potos segue-se literalmete o texto do SEC 95, e esses a fote é dada pela idicação do apropriado parágrafo do SEC 95. Ao logo do texto surgirão em egrito os coceitos quado estes forem pela primeira vez referidos e defiidos. 2. OS AGENTES ECONÓMICOS Uma característica do sistema é a utilização de dois tipos de uidades e duas formas de subdividir a ecoomia que são bastate diferetes e servem para fis aalíticos distitos. Com o objectivo de descrever o redimeto, a despesa e os fluxos fiaceiros e aida as cotas de patrimóio, o sistema agrupa uidades istitucioais em sectores com base as suas fuções, comportametos e objectivos pricipais. Para descrever processos de produção e para efectuar aálises de etradas-saídas, o sistema agrupa as uidades de actividade ecoómica ao ível local (UAE locais) por ramos de actividade. Uma actividade caracteriza-se por uma etrada de produtos, um processo de produção e uma saída de produtos. (SEC95, 1.27). Cosiderem-se sucessivamete os dois casos Os sectores istitucioais Por uidades istitucioais etedem-se etidades ecoómicas com capacidade de possuir bes e activos, de cotrair passivos e realizar actividades e operações ecoómicas com outras uidades, o seu próprio ome (SEC 95, 1.28; os parágrafos é dada uma defiição mais pormeorizada). Estas uidades istitucioais serão aqui também deomiadas de agetes ecoómicos. As uidades istitucioais caracterizam-se pela uicidade de comportameto e pela autoomia de decisão relativamete à sua actividade pricipal. São justamete estas qualidades que permitem o agrupameto das uidades de acordo com o seu tipo de produção ou a sua fução, a assumpção de tais características são idicadores do seu comportameto ecoómico. Com base em características secudárias é aida possível subdividir os sectores em subsectores istitucioais. Veja-se o quadro: DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 5

7 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Sectores Código Tipo de produtor Pricipal actividade ou fução Sociedas Não Fiaceiras Sociedades Fiaceiras Admiistrações Públicas S.11 Produtor Mercatil Produção de bes e serviços ão fiaceiros S.12 Produtor Mercatil Itermediação fiaceira, icluido seguros. Actividades fiaceiras auxiliares S.13 Outro Produtor Não Produção e forecimeto de outra produção ão Mercatil Público mercatil para cosumo colectivo e idividual e realização de operações de redistribuição do Famílias S.14 Produtor Mercatil ou produtor privado para utilização própria Istituições Sem Fis Lucrativos ao Serviço das Famílias Resto do Mudo S.2 (Fote: SEC 95, 2.20) S.15 Outro Produtor Não Mercatil Privado redimeto e da riqueza acioal Cosumo; produção mercatil e produção para utilização fial própria Produção e forecimeto de outra produção ão mercatil para cosumo idividual Agrupameto das uidades ão residetes que estabelecem relações com uidades residetes Este quadro permite já a idetificação dos diferetes sectores istitucioais, através daqueles dois critérios (tipo de produtor e fução pricipal). No etato, é claro que a total delimitação requer que sejam defiidos os coceitos de produtor mercatil, ão mercatil e para utilização própria. O critério fudametal está relacioado com a importâcia ou ão do mercado para a mauteção da actividade da uidade istitucioal, sedo estabelecido o critério de 50% : se 50% dos custos de produção forem cobertos pelas vedas, a uidade é um produtor mercatil, sedo que este critério ão pode ser aplicado potualmete, mas em permaêcia, descotado flutuações cíclicas. As vedas icluem as receitas proveietes das trasacções, excluido os impostos sobre os produtos, mas icluido todos os pagametos efectuados pelas Admiistrações Públicas ou pelas istituições da Uião Europeia, desde que ão efectuados para cobrir um défice geral. Os custos são a soma do cosumo itermédio, das remuerações dos empregados, do cosumo de capital fixo e de outros impostos sobre a produção, ão sedo deduzidos os outros subsídios à produção. A distição etre ão mercatil e para utilização fial própria resulta de o primeiro caso os bes e serviços serem forecidos a outras uidades, a título gratuito ou a preços ão sigificativos (o que se distigue da produção mercatil). Uma defiição mais precisa do coceito de produção será cosiderada mais adiate. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 6

8 Compreeder a Cotabilidade Nacioal A importâcia do critério de 50% pode ser ituída a partir do quadro 2: Tipo de uidade istitucioal Classificação 1. Produtores Privados Privado ou Público? As vedas superiores a 50% dos custos de produção? 1.1. Empresas em ome idividual Tipo de produtor Mercatil ou para utilização própria Sectores Famílias 1.2. Outros produtores privados Istituições privadas sem fis lucrativos (ISFL) Sim Mercatil Sociedades Não Não mercatil ISFLSF Outras Istituições ão ISFL Mercatil Sociedades 2. Produtores públicos (Fote: SEC 95, 3.27) 2.1. Sim Mercatil Sociedades 2.2. Não Não Mrcatil Admiistrações Públicas Como se verifica, as empresas do sector público (empresas de capitais maioritariamete públicos), desde que cumprido a regra de 50% estão classificadas o sector das sociedades, as empresas em ome idividual estão as famílias Os ramos de actividades e os produtos (bes e serviços) Na óptica fucioal, os agetes (as uidades istitucioais), a sua qualidade de produtores, são reordeados de acordo com o tipo e actividade que desevolvem. Essas actividades são determiadas de acordo com uma classificação, a Classificação estatística das actividades ecoómicas a Comuidade Europeia, NACE. São assim estabelecidas as Uidades de actividade ecoómica de ível local, UAE, correspodedo estas às uidades produtivas cohecidas como estabelecimetos. Uma mesma uidade istitucioal poderá cidir-se em diferetes UAE (mas uma UAE só poderá pertecer a uma só uidade istitucioal), procurado atigir-se uma relação de uma UAE por cada actividade. No etato, caso haja impossibilidade prática de se operar esta correspodêcia (por impossibilidade de cidir o processo produtivo, as UAE poderão icluir diferetes actividades (uma pricipal, as outras secudárias), permitidose assim a existêcia de subprodutos um úico processo de produção. A agregação das UAE e acordo com a actividade pricipal permite a costituição dos ramos de actividade. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 7

9 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Por outro lado, as ecessidades aalíticas impõem a cocepção de uidades de produção homogéea, apeas observável para os casos em que a uma dada UAE correspoda um só produto. A uidade de produção homogéea caracteriza-se por uma actividade úica, a qual se idetifica pelas suas etradas de produtos, um determiado processo de produção e as suas saídas de produtos. Os produtos que costituem as etradas e as saídas são eles próprios caracterizados, simultaeamete, pela sua atureza, o seu grau de elaboração e a técica de produção utilizada, e podem ser idetificados por referêcia a uma omeclatura de produtos (SEC 95, 2.112). A agregação das uidades de produção homogéeas de acordo com a perteça aos correspodetes produtos permite a obteção dos ramos homogéeos. Evidetemete, os produtos têm de ser codificados para que se estabeleça a perteça das uidades homogéeas aos diferetes ramos homogéeos. Essa codificação é estabelecida pela Classificação Estatística dos Produtos por Actividade, CPA. Atecipado algus aspectos a desevolver mais à frete, esta dualidade etre Ramos de Actividade e Produtos (Ramos Homogéeos) está a base de quadros iput-output ão quadrados que combiam os produtos (suas utilizações) com os ramos (que fabricam mais do que um produto). Mas aaliticamete é possível efectuar a quadratura da matriz, quer combiado produtos com produtos, quer combiado ramos de actividade com ramos de actividade (em ambos os casos, estes quadros são deomiados de matrizes simétricas). Os íveis habituais de divulgação das Cotas Nacioais são os seguites (A para ramos actividade, P para produtos): A60 e P60, respectivamete 60 ramos e 60 produtos. A 31 e P31, respectivamete 31 ramos e produtos. A 17 e P17, respectivamete 17 ramos e produtos. A6 e P6, respectivamete 6 ramos e produtos. A3 e P3, respectivamete 3 ramos e produtos. Pi6 e Pi3, para a classificação de bes de ivestimeto, em 6 e 3 produtos. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 8

10 Compreeder a Cotabilidade Nacioal As duas tabelas seguites ilustram o caso do par A6, P6: Código Referêcia Descrição NACE REV.1 1 Agricultura, caça e silvicultura; pesca e aquicultura A+B 2 Idústria, icluido eergia C+D+E 3 Costrução F 4 A6 Comércio e reparação de veículos automóveis e de bes de uso pessoal e doméstico; alojameto e restauração (restaurates e similares); trasportes e comuicações G+H+I 5 Actividades fiaceiras, imobiliárias, alugueres e serviços prestados às J+K empresas 6 Outras actividades de serviços L-P P6 Código Referêcia Descrição CPA 1 Produtos de agricultura, caça e silvicultura; pesca e aquicultura A+B 2 Produtos das Idústrias extractivas, trasformadoras e eergéticas C+D+E 3 Trabalhos de costrução F 4 Comércio, reparações, alojameto e restauração, trasportes e G+H+I comuicações 5 Serviços das actividades fiaceiras, imobiliárias, alugueres e serviços J+K prestados às empresas 6 Outros serviços L-P 3. AS TRANSACÇÕES/OPERAÇÕES Os agetes ecoómicos estabelecem relações ecoómicas, tedo por objecto os bes e serviços e activos fiaceiros. Note-se que este objecto ecoómico tem igualmete de ser defiido o quadro da CN. Com efeito, em toda a coisa modificada pela acção humaa com o objectivo de satisfazer uma ecessidade é cosiderada como objecto ecoómico. Para tal é ecessário especificar o cotexto em que se estabelece essa acção, e esse cotexto é estabelecido pela existêcia ou ão de mercado, ode possam ser trasaccioados esses objectos ou ode possam ser obtidos os recursos para essa a acção de trasformação. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 9

11 Compreeder a Cotabilidade Nacioal As relações ecoómicas têm uma desigação própria em CN, a de operações (em iglês são deomiadas de trasactios, em fracês de operatios ). Uma operação é um fluxo ecoómico que cosiste a iteracção etre uidades istitucioais, de comum acordo, ou uma acção, o âmbito de uma mesma uidade istitucioal, que é útil tratar como uma operação, frequetemete porque a uidade opera em duas qualidades distitas (SEC 95, 1.33). Cosiderado a última parte desta defiição, verifica-se que o SEC 95 iclui o coceito de operação uma acção que ão pressupõe a existêcia de duas partes, mas apeas papéis diferetes desempehados por um úico agete, a de produtor e a de cosumidor (aqui se iclui o cosumo de capital fixo e a produção para cosumo próprio). As operações dividem-se em quatro grupos pricipais: a) Operações sobre produtos - que descrevem a origem (produção itera ou importação) e utilização (cosumo itermédio, cosumo fial, formação de capital ou exportação) de produtos; b) Operações de distribuição - que descrevem a forma como o valor acrescetado gerado pela produção é distribuído etre trabalho, capital e admiistrações públicas e a redistribuição do redimeto e riqueza (impostos sobre o redimeto e o patrimóio e outras trasferêcias); c) Operações fiaceiras que descrevem as aquisições líquidas de activos fiaceiros ou o aumeto líquido de passivos em relação a cada tipo de istrumeto fiaceiro. Estas operações ocorrem frequetemete como cotrapartida de operações ão fiaceiras, mas também podem ser operações evolvedo apeas istrumetos fiaceiros; d) Outras Operações que ão se icluem os três grupos acima mecioados - cosumo de capital fixo e aquisições líquidas de cessões de activos ão fiaceiros ão produzidos. (SEC 95, 1.33). DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 10

12 Compreeder a Cotabilidade Nacioal 3.1. As operações sobre produtos As operações sobre produtos estão idetificadas a tabela seguite: Categorias de operações Código Produção P.1 Cosumo Itermédio P.2 Despesa de Cosumo Fial P.3 Cosumo Fial Efectivo P.4 Formação bruta de capital p:5 Exportação de bes e serviços P.6 Importação de bes e serviços P Produção (P.1) O SEC 95 forece uma defiição bastate extesiva, mas a oção de produção pode ser etedida siteticamete deste modo: a produção ou actividade produtiva cosiste o resultado da acção de trasformação de objectos destiados à trasacção mercatil, ou que se lhes equiparam, ou um tipo de acção que pode ser ecarado como um serviço prestado, o qual pode ser objecto de trasacção o mercado (e assim tratado-se de um serviço prestado por factores produtivos). Deste modo iclui-se a produção mercatil, a produção ão mercatil e a produção para utilização própria (este último caso restrita o SEC 95 à produção destiada à formação de capital, pois poderia ser desevolvida por qualquer sector, os produtos agrícolas, os serviços de alojameto produzidos pelos proprietários-ocupates e os serviços domésticos produzidos pelo emprego de pessoal remuerado (SEC 95, 3.21)). Note-se que a existêcia destes três tipos de produção tem implicações sobre a valorização da produção, a cosiderar com maior pormeor a parte do texto sobre esta matéria específica. Para adiatar os traços gerais do problema, a produção mercatil tem um avaliador atural, dado pelo mercado (se bem que seja ecessário cosiderar a valorização do lado do produtor e do lado do comprador), a produção para utilização própria tem um valor que deve ser estimado e a produção ão mercatil (a qual se iclui grade parte da produção das Admiistrações Públicas) é avaliada pelos custos. Refira-se aida que cada sector istitucioal do poto de vista da produção (mercatil, ão mercatil ou para utilização própria) é classificado de acordo com a sua actividade pricipal, localizada a sua UAE local pricipal, mas poderá desevolver outro tipo de produção em UAE locais secudárias ou mesmo como subproduto a UAE pricipal. O quadro DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 11

13 Compreeder a Cotabilidade Nacioal seguite mostra como o tipo de produção é cosiderado em cada tipo de produtor (recorde-se o quadro 1, o qual se classificam os agetes ecoómicos por sectores istitucioais): Distribuição da produção por tipo de produtores Produção mercatil Produtores mercatis Produtores para utilização propria Outros produtores ão mercatis X x x Total Total da produção mercatil Produção para utilização fial própria x X x Outra produção ão mercatil Total 0 0 X Produção total dos produtores mercatis Produção total dos produtores para utilização propria Produção total dos outros produtores ão mercatis Total da produção para utilização fial própria Total da outra produção ão mercatil Produção total X = Grade produção; x = pequea produção; 0 = iexistêcia de produção (por coveção) A produção em algus ramos específicos Comércio: a produção deste ramo é medida pelas marges comerciais, sedo estas defiidas pela difereça etre o preço de trasacção de um bem adquirido para reveda e o preço de reposição a suportar pelo distribuidor o mometo em que este é objecto de veda. Em cosequêcia, um mesmo produto pode ter associado sucessivas marges comerciais, de acordo com a dimesão do seu circuito de distribuição, agrupadas quado objecto de tratameto o quadro da cotabilidade acioal, formado o valor da produção do comércio. Trasportes: parte da produção de serviços de trasporte sofre um tratameto semelhate aos do comércio, estabelecedo as marges de trasporte. Este é o caso em que o comprador tem de suportar os custos de trasporte, seja este serviço prestado pelos produtores ou pelos comerciates. Itermediação fiaceira: o valor da produção para os casos em que são defiidas taxas ou comissões é medido pelos valores destas. A parte mais sigificativa do valor da produção, porém, é medida pela difereça etre os redimetos recebidos pela aplicação dos fudos alheios e os redimetos pagos aos detetores desses fudos. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 12

14 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Seguros: a produção é medida pela difereça etre o valor dos prémios cobrados, adicioado pelo valor do redimeto das aplicações das reservas técicas (isto é, dos fudos das seguradoras ecessários para horar os seus compromissos para com os segurados), e o valor das idemizações pagas, da variação das reservas matemáticas e da variação das reservas para participação dos segurados os lucros. Assim, admite-se que esta aritmética cobre o valor dos serviços prestados pela empresa (a orgaização da protecção fiaceira ou seguraça oferecida). Fudos de pesões: O processo de estimativa da produção é do mesmo tipo que o aterior, apeas que os fudos dispoíveis tomam a forma de cotribuições, e os fudos a dispoibilizar de prestações Cosumo Itermédio (P.2) O cosumo itermédio cosiste o valor dos bes e serviços cosumidos como elemetos de um processo de produção, excluido os activos fixos, cujo cosumo é registado como cosumo de capital fixo. Os bes e serviços podem ser trasformados ou utilizados o processo produtivo. (SEC 95, 3.69) Despesa de Cosumo Fial (P.3)/Cosumo fial efectivo (P.4) Cosidera-se dois coceitos relacioados com o cosumo fial, a despesa de cosumo fial e o cosumo fial efectivo. Equato o primeiro diz respeito aos agetes que efectuam a despesa, o segudo refere-se a quem dela beeficia. A despesa de cosumo fial cosiste o valor dispedido pelas uidades istitucioais residetes a aquisição de bes e serviços para a satisfação directa de ecessidades idividuais ou colectivas. Esta despesa pode ser feita o ou fora do território ecoómico. O cosumo fial efectivo cosiste o valor dos bes e serviços utilizados pelas uidades istitucioais residetes para satisfação de ecessidades idividuais ou colectivas. O cosumo fial efectivo pode ser idividual, o caso em que a utilização dos produtos por parte de uma família é pleamete aceite pela mesma e se esgota a possibilidade de utilização por parte das outras famílias; ou colectivo, quado a utilização ão esgota a possibilidade de utilização por outrem (o bem ou serviço é ão-rival). O cosumo idividual correspode ao cosumo efectivo das famílias e o cosumo colectivo correspode ao cosumo fial efectivo das admiistrações públicas. A soma correspode ao total do cosumo fial efectivo. A despesa de cosumo fial total é igual à soma da despesa de cosumo fial das admiistrações públicas, das ISFLSF e das famílias. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 13

15 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Por outro lado, os bes e serviços forecidos por uidades das admiistrações públicas podem ser dos dois tipos (idividual e colectivo). Em geral, são cosideradas como despesa com serviço de cosumo idividual forecidas pelas admiistrações públicas todas as despesas de cosumo fial respeitates às categorias de educação, saúde, seguraça social, desporto e tempos livres e cultura. Ver-se-á que estas despesas seguem um circuito específico a sequêcia de cotas, mesmo que desde já se adiate que estas despesas surgem iicialmete como uma cotribuição/prestação social (Trasferêcias sociais em espécie), metamorfoseado-se posteriormete uma compoete do redimeto dispoível ajustado das famílias e um correspodete valor de cosumo fial efectivo, também das famílias. As despesas de cosumo colectivo das admiistrações públicas abragem a gestão e regulametação da sociedade, a seguraça e a defesa, a mauteção da lei e da ordem, da legislação e da regulametação, a mauteção da saúde pública, a protecção do ambiete, a ivestigação e o desevolvimeto, as ifra-estruturas. A despesa de cosumo fial das ISFLSF é despesa em cosumo idividual, por coveção. O quadro seguite ilustra a relação etre ambos os coceitos: Sector resposável pela despesa tipo de Cosumo Admiistrações Públicas ISFLSF Famílias Aquisições totais Cosumo idividual X (= Trasferêcias em espécie) Cosumo colectivo X 0 0 Total (Fote: SEC 95) Despesa de cosumo fial das Admiistrações Públicas X Despesa de cosumo fial das ISFLSF X Despesa de cosumo fial das famílias Cosumo fial efectivo Cosumo fial efectivo Cosumo fial efectivo = despesa de cosumo fial total Iteressa também assialar que o cosumo fial pode ser referido ao território ecoómico, por residetes e ão residetes, ou fora do território, por residetes (ver 4.1., sobre os coceitos de residete e de território ecoómico). Na óptica do SEC 95 o coceito relevate é o de cosumo fial de residetes (ou acioal). A relação etre tais coceitos pode ser assim represetada: Cosumo de Residetes = Cosumo de residetes o território + Cosumo de residetes o Resto do Mudo = Cosumo o território Cosumo de ão residetes o território + Cosumo de residetes o Resto do Mudo DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 14

16 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Para efeito de compatibilização com os dados da Balaça de Pagametos, é feito um ajustameto o uadro de Empregos Recursos (a apresetar o poto correspodete), de forma a que o Cosumo de residetes o Resto do Mudo apareça adicioado às importações e o Cosumo de ão residetes o território surja as exportações Formação bruta de capital (P.5) Os bes compoetes da formação bruta de capital difereciam-se dos que compõem o cosumo itermédios porque estes últimos são icorporados os produtos fiais, esgotado-se totalmete o seu valor o prazo de um ao, equato os primeiros se icorporam os produtos fiais durate mais de um ao. A formação bruta de capital decompõe-se em formação bruta de capital fixo (P.51), variação de existêcias (P.52) e aquisições líquidas de cessões de objectos de valor (P.53). Estes últimos ( )objectos de valor são bes ão fiaceiros que ão são pricipalmete utilizados a produção ou cosumo, que ão se deterioram (fisicamete) com o tempo, em codições ormais, e que são adquiridos e coservados sobretudo como reservas de valor. (SEC, 3.125). A FBCF compreede os seguites tipos de activos: a) Aquisições líquidas de cessões de activos fixos corpóreos: (1) habitações, (2) outros edifícios e costruções, (3) maquiariam e equipameto, (4) aimais e culturas (árvores e efectivos pecuários); b) Aquisições líquidas de cessões de activos fixos icorpóreos: (1) explorações mierais, (2) software iformático, (3) origiais literários, artísticos ou recreativos, (4) outros activos fixos icorpóreos (patetes, liceças, copyrights, marcas, frachises, ); c) Melhorias importates em activos corpóreos ão produzidos, omeadamete os ligados a terreos (embora sem icluir a aquisição de activos ão produzidos); d) Os custos associados à trasferêcia de propriedade de activos ão produzidos, como terreos e activos com patete (embora sem icluir aquisição dos próprios activos). (SEC 95, 3.103) Exportação de bes e serviços (P.6) A exportação de bes e serviços cosiste as trasacções de bes e serviços de residetes para ão residetes. Em geral, as exportações de bes verificam-se quado há trasferêcia de propriedade dos bes, de residetes para ão residetes e devem ser avaliadas FOB (Free o Board). A avaliação FOB iclui os custos dos serviços de trasporte e distribuição até à DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 15

17 Compreeder a Cotabilidade Nacioal froteira do país exportador, icluido os impostos líquidos de subsídios aplicados aos bes exportados (o que o caso das trocas itra-comuitárias iclui o IVA) Importação de bes e serviços (P.7) A importação de bes e serviços cosiste as trasacções de bes e serviços de residetes para ão residetes. Em geral, as importações de bes verificam-se quado há trasferêcia de propriedade dos bes, de ão residetes para residetes e também devem ser avaliadas FOB. As importações são registadas CIF as estatísticas do comércio iteracioal, pelo que é ecessário efectuar um ajustameto que permita a passagem de CIF para FOB. A avaliação CIF (Cost Isurace Freight) cosiste o valor dos bes etregues a froteira do país importador, icluido assim todos os custos de trasporte que lhe estão associados As operações de distribuição As operações de distribuição são as operações através das quais o redimeto gerado o processo de produção é repartido pelos agetes ecoómicos. Este processo é costituído por várias fases. Numa primeira fase, de distribuição primária do redimeto, o valor acrescetado é distribuído pelos factores produtivos, trabalho e capital e também pelas admiistrações públicas, alimetado assim os redimetos dos sectores istitucioais possuidores de tais factores. Numa seguda fase, de redistribuição do redimeto, verificamse trasferêcias de redimeto etre as uidades istitucioais, e em que a maior parte destas operações itervêm pricipalmete as admiistrações públicas, seja através da colecta de impostos sobre o redimeto e o patrimóio seja através dos mecaismos de seguraça social (a descrever com algum detalhe mais à frete), estabelecedo-se os motates de recursos dispoíveis para cada sector. Estas duas fases correspodem em setido estrito às operações que icidem sobre o redimeto, icluido, portato, trasferêcias corretes de redimeto. A terceira fase refere-se às operações de redistribuição da poupaça e do patrimóio, compreededo as trasferêcias de capital. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 16

18 Compreeder a Cotabilidade Nacioal A fase da distribuição primária do redimeto compreede as seguites operações: Operações Códigos Remuerações dos empregados D1 Ordeados e salários D11 Cotribuições sociais dos empregadores D12 Cotribuições sociais efectivas D121 Cotribuições sociais imputadas D122 Impostos sobre a produção e a importação D2 Impostos sobre os produtos D21 Impostos sobre o valor acrescetado D211 Impostos e direitos de importação D212 Outros impostos sobre os produtos D214 Outros impostos sobre a produção D29 Subsídios D3 Subsídios aos produtos D31 Subsídios à importação D311 Outros subsídios sobre os produtos D312 Outros subsídios à produção D39 Redimetos de propriedade D4 Juros D41 Redimetos distribuídos das sociedades D42 Dividedos D421 Levatametos de redimetos D422 Lucros de ivestimeto estrageiro reivestido D43 Redimetos atribuídos aos detetores de apólices D44 de seguros Redas D45 Remuerações dos empregados: Icluem os ordeados e salários em diheiro e ou em espécie, e estes estão cotidos os valores de quaisquer cotribuições sociais e impostos pagos pelo empregado, mesmo que tais valores sejam retidos pelo empregador e pagos directamete a regimes de seguraça social e às autoridades fiscais. As cotribuições sociais a cargo do empregador também costituiem uma das compoetes das remuerações, que têm uma compoete efectivam, isto é, que é paga pelo empregador ao sistema de seguraça social, e uma compoete imputada, quado diz respeito a prestações directas do empregador ao empregado, sem passar pelo sistema de seguraça social (casos em que os empregadores cotiuam a pagar temporariamete o cotravalor dos ordeados e salários em caso de doeça, parto, acidete de trabalho, ivalidez, despedimeto, etc). As cotribuições sociais têm um circuito específico a sequêcia de cotas, como já foi referido, havedo difereças os circuitos de cada um dos tipos de cotribuições sociais (D121 e D122) (ver em 5., ota sobre os circuitos das cotribuições e das prestações sociais). DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 17

19 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Impostos sobre a produção e a importação: Costituem pagametos obrigatórios sem cotrapartida, cobrados pelas admiistrações públicas e pelas istâcias comuitárias, icidido sobre a produção e a importação, a utilização de trabalho ou capital o processo de produção. Estes impostos podem icidir sobre os produtos ou sobre a produção. No primeiro caso, destaca-se o IVA, os impostos sobre as importações e os outros impostos sobre os produtos (aqui se icluem os impostos específicos de cosumo, como os sobre o tabaco, bebidas alcoólicas, automóveis, produtos petrolíferos, o imposto de selo, e o imposto sobre as trasacções imobiliárias). No segudo, o imposto é devido apeas porque as empresas se dedicam à produção específica, idepedetemete das quatidades ou valores, produzidas ou vedidos (são exemplos a cotribuição autárquica e o imposto sobre a circulação de veículos). A distição etre estas operações (D21 e D29, bem como as correspodetes do lado dos subsídios, D31 e D39, respectivamete) é muito importate para a compreesão do sigificado dos saldos das cotas de produção e de exploração (ou de geração do redimeto). Nesse setido, cosidere-se o caso específico do IVA, o mais importate imposto sobre os produtos. Há uma difereça clara etre o modo como este imposto é colectado e o modo como é represetado a CN. Veja-se a ota sobre estas difereças. Subsídios: Os subsídios são trasferêcias sem cotrapartida efectuadas pelas admiistrações públicas e pelas istâcias comuitárias em beefício das empresas com o objectivo de iflueciar os seus íveis de produção, preços ou remuerações dos factores. A desagregação por tipos de subsídios segue os mesmos critérios da dos impostos. Redimetos de propriedade: São os redimetos recebidos pelos detetores de activos fiaceiros ou de activos corpóreos ão produzidos, colocados à disposição de outra uidade istitucioal. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 18

20 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Nota sobre a represetação do IVA em cotabilidade acioal O IVA (Imposto sobre o Valor Acrescetado) é um imposto que icide sobre os bes e serviços cobrado em etapas pelas empresas, e remetido sucessivamete às Admiistrações Públicas (ao subsector Estado, para ser mais exacto), mas que em última aálise é cobrado aos utilizadores fiais (pricipalmete aos cosumidores). O IVA é facturado a uma dada taxa (6%, 13% ou 23%, actualmete), e cobrado ao cliete. Mas este motate pode ser dedutível, o todo ou em parte, a partir do IVA facturado a fase seguite. Isto é, em cada fase da cadeia, a uidade istitucioal (empresa) remete para o Estado apeas o valor ão dedutível. Cosidere-se o seguite esquema, represetado o circuito em duas fases até ao utilizador fial: IVA total = 57,5 COLECTA DO IVA Estado 23 u.m. 34,5 u.m. 123 u.m. 307,5 u.m. Empresa A Empresa B Cosumidor IVA = 23 u.m. Valor Acrescetado = 100 IVA = 34,5 u.m. (57,5-23) Valor Acrescetado = 150 Cosumo = 250 Fluxos moetários Fote: Archambaut (1988) Fluxos físicos DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 19

21 Compreeder a Cotabilidade Nacioal O IVA costitui um recurso das Admiistrações Públicas, mas ão aparece como emprego em ehum sector (o cosumidor o valor total iclui o IVA, mas esse valor está cotabilizado o valor da operação de cosumo privado). Ver-se-á como este aparete desajuste se resolve o quadro da sequêcia de cotas e dos equilíbrios empregos-recursos dos produtos. Deste modo, a represetação do IVA em cotabilidade acioal pode ser apercebida através do seguite esquema: IVA total = 57,5 REPRESENTAÇÃO DO IVA EM CONTABILIDADE NACIONAL Estado 57,5 u.m. 100 u.m. Empresa A Empresa B 250 u.m. Cosumidor IVA = 23 u.m. Valor Acrescetado = 100 IVA = 34,5 u.m. (57,5-23) Valor Acrescetado = 150 Cosumo = 250 Fluxos moetários Fote: Archambaut (1988) Fluxos físicos DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 20

22 Subsídios: Os subsídios são trasferêcias sem cotrapartida efectuadas pelas admiistrações públicas e pelas istâcias comuitárias em beefício das empresas com o objectivo de iflueciar os seus íveis de produção, preços ou remuerações dos factores. A desagregação por tipos de subsídios segue os mesmos critérios da dos impostos. Redimetos de propriedade: são os redimetos recebidos pelos detetores de activos fiaceiros ou de activos corpóreos ão produzidos, colocados à disposição de outra uidade istitucioal. A seguda fase de redistribuição do redimeto compreede as seguites operações: Operações Códigos Impostos corretes sobre o redimeto e D5 patrimóio Impostos sobre o redimeto D51 Outros impostos corretes D59 Cotribuições e prestações sociais D6 Cotribuições sociais D61 Cotribuições sociais efectivas dos empregadores D6111 Cotribuições sociais dos empregados D6112 Cotribuições sociais dos trabalhadores D6113 idepedetes Cotribuições sociais imputadas D612 Prestações sociais excepto trasferêcias sociais em D62 espécie Prestações sociais em diheiro D621 Prestações sociais com costituição de fudos D622 Prestações sociais sem costituição de fudos D623 Prestações de assistêcia social em diheiro D624 Trasferêcias sociais em espécie D63 Prestações sociais em espécie D631 Trasferêcias de bes e serviços ão mercatis D632 idividuais Outras trasferêcias corretes D7 Prémios líquidos de seguros ão vida D71 Idemizações de seguros ão vida D72 Trasferêcias corretes etre Admiistrações D73 Públicas Cooperação iteracioal correte D74 Trasferêcias corretes diversas D75 Os Impostos corretes sobre o redimeto e o patrimóio icluem todos os pagametos obrigatórios sem cotrapartida, cobrados regulamete pela admiistração pública e pelo resto do mudo sobre o redimeto e o patrimóio das uidades istitucioais. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected]

23 Compreeder a Cotabilidade Nacioal As cotribuições sociais, efectivas e imputadas, correspodem aos fluxos já referidos ateriormete, em operações da de distribuição primária do redimeto, D121 e D122, respectivamete (ver mais à frete, o circuito cotabilístico das cotribuições sociais). As prestações sociais são as trasferêcias para as famílias, em diheiro ou em espécie, destiadas a cobrir os ecargos fiaceiros resultates de riscos ou ecessidades e efectuadas pela admiistração pública, ISFLSF ou regimes orgaizados de forma colectiva. Estas trasferêcias são baseadas em dispoibilidades costituídas através das cotribuições sociais (SEC 95, 4.83). Por coveção, a lista de riscos ou ecessidades que poderão origiar prestações sociais é a seguite: doeça; ivalidez, icapacidade; acidetes de trabalho ou doeça profissioal; velhice; sobrevivêcia; materidade; família; promoção do emprego; desemprego; alojameto (prestações para reduzir os ecargos com a reda de casa pelos locatários); educação; outras ecessidades básicas. (SEC 95, 484). As prestações sociais podem ser desevolvidas o âmbito da seguraça social, de regimes privados com ou sem costituição de fudos, ou da assistêcia (quado ão depedem do pagameto prévio de cotribuições). Os regimes de seguraça social são sistemas em que os empregados são obrigados ou icetivados pelos empregadores ou pelas admiistrações públicas a aderir, com objectivo de se segurarem cotra riscos ou circustâcias que afectem o seu bem-estar ou o dos seus depedetes. Podem ser classificados em: Regimes que abragem amplos segmetos da comuidade e que são impostos, cotrolados e fiaciados pelas admiistrações públicas. Regimes privados com costituição de provisões, seja quado as cotribuições são pagas a terceiros (seguradoras, fudos de pesões autóomos) ou quado são costituídas provisões, e ão se costituido uidades separadas dos empregadores. Regimes sem costituição de provisões, os quais os empregadores pagam prestações sem criarem provisões especiais para esse fim.(sec 95, 488) O parágrafo do SEC é dedicado às prestações sociais, com excepção das trasferêcias sociais em espécie (D.62): As Prestações sociais em diheiro (D.621) são prestações pagas às famílias pelos fudos de seguraça social (à excepção dos reembolsos). As Prestações sociais com costituição de fudos (D. 622) são prestações (em diheiro ou em espécie) pagas pelas seguradoras ou outras que admiistrem regimes privados com costituição de fudos. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 22

24 Compreeder a Cotabilidade Nacioal As Prestações sociais sem costituição de fudos (D. 623) são prestações (em diheiro ou em espécie) a pagar pelos empregadores que admiistrem regimes de seguraça social sem costituição de fudos (pagametos de salários ormais, ou reduzidos, em situações de doeças, acidete, materidade, etc; pagameto de idemizações por rescisão do cotrato de trabalho; serviços médicos gerais). Estão por isso cotabilisticamete ligadas às cotribuições sociais imputadas (ver a seguir quadro com mecaismo cotabilístico das cotribuições e prestações sociais imputadas). As Prestações de assistêcia social em diheiro (D. 624) são prestações desevolvidas fora dos regimes em que a prestações são suportadas pelas cotribuições sociais dos participates. As Trasferêcias sociais em espécie (D. 63) cosistem em bes e serviços idividuais forecidos às famílias pelas admiistrações públicas e pelas ISFLSF (ver poto sobre o cosumo fial, a parte sobre o cosumo efectivo idividual forecido pelas admiistrações e pelas ISFLSF). Iclui: a) as Prestações sociais em espécie (D.631), as vertetes de reembolso (D.6311) e de forecimeto directo do bem ou serviço, deomiadas de Outras Prestações de seguraça social em espécie (D ), e quado as prestações são equadradas em assistêcia social (D ); b) as Trasferêcias de bes e serviços ão mercatis idividuais (D.632) (parte restate do cosumo efectivo idividual forecido pelas admiistrações e pelas ISFLSF) (SEC 95, 4.104, e 4.106). Em Outras trasferêcias corretes (D.7) icluem-se as verbas pagas pelas uidades istitucioais a subscrição de apólices, líquidas das verbas correspodetes aos prémios adquiridos (isto é, referete ao período cotabilístico) e dos suplemetos destiados aos redimetos de propriedade atribuídos aos segurados, bem como do serviço prestado pelas seguradoras. Iclui-se aida o valor das idemizações pagas pelas seguradoras, as trasferêcias etre a admiistração pública, bem como etre esta e as do resto do mudo ou 1 SEC 95, 4.105: Trata-se de trasferêcias sociais em espécie, excepto reembolsos, feitas pelos fudos de seguraça social às famílias. A maior parte das prestações desta rubrica cosistirá em tratametos médicos ou detários, iterveções cirúrgicas, estada em hospitais, óculos ou letes de cotacto, aparelhos ou equipameto médico e bes ou serviços semelhates o âmbito de riscos ou ecessidades sociais. O serviço é forecido directamete aos beeficiários, sem reembolso, por produtores mercatis ou ão mercatis e deve ser avaliado em coformidade. Devem ser deduzidos quaisquer pagametos feitos pelas próprias famílias. Note-se que os bes ou serviços podem ser produzidos por produtores mercatis e comprados por uidades das admiistrações públicas ou pelas ISFLSF (D.63121) ou por produtores ão mercatis (D.63122). 2 Para o caso das prestações D.6313: Trata-se de trasferêcias em espécie a favor das famílias feitas por uidades das admiistrações públicas ou ISFLSF e de atureza semelhate às prestações de seguraça social em espécie, mas que ão são forecidas o quadro de um regime de seguraça social. Icluem-se, caso ão estejam abragidos por um regime de seguraça social, a habitação social, o subsídio de alojameto, cetros de dia, formação profissioal, reduções os preços dos trasportes (desde que haja uma fialidade social) e bes e serviços semelhates, o âmbito de riscos ou ecessidades sociais. Devem ser deduzidos quaisquer pagametos feitos pelas próprias famílias. (SEC 95, 4.105) DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 23

25 Compreeder a Cotabilidade Nacioal orgaismos iteracioais. Na rubrica de trasferêcias corretes diversas iclui-se, etre outros, o registo do quarto recurso próprio com base o PNB, uma trasferêcia correte das admiistrações de cada Estado membro para as istituições da Uião Europeia. Nota sobre o ajustameto pela variação da participação líquida das famílias os fudos de pesões Este ajustameto é ecessário para que a poupaça das famílias se iclua a variação das reservas matemáticas das compahias de seguros e fudos de gestão sobre as quais as famílias têm um direito defiido (e que reaparece como activo fiaceiro as cotas fiaceiras). Com efeito, cosidera-se que as famílias são proprietárias das provisões dos regimes privados com costituição de fudos, sedo ecessário adicioar às poupaças das famílias o excedete das cotribuições para as pesões em relação aos recebimetos efectuados. Ajustameto = valor das cotribuições sociais efectivas relativas a pesões + valor dos suplemetos de cotribuições a pagar pelos redimetos de propriedade dos segurados valor do serviço prestado valor das pesões pagas como prestações de regimes de pesões privados com costituição de fudos Operações fiaceiras Uma operação fiaceira cosiste o estabelecimeto de uma relação etre uidades istitucioais, ou etre uma uidade istitucioal e o resto do mudo, por acordo mútuo, através da qual se verifica uma mudaça de propriedade de um activo fiaceiro ou a assução de um passivo, ou a criação e a liquidação simultâea de um activo fiaceiro e do passivo correspodete. Os activos fiaceiros são activos ecoómicos, eglobado meios de pagameto, créditos fiaceiros e activos ecoómicos que sejam similares, por atureza, a créditos fiaceiros. Os meios de pagameto compreedem o ouro moetário, os direitos de saque especiais, o umerário e depósitos trasferíveis. Os créditos fiaceiros dão aos seus detetores, os credores, o direito de receber um ou mais pagametos, sem qualquer cotrapartida, de outras uidades istitucioais, os devedores, que icorreram os passivos correspodetes. (SEC 95, 5.03 e 5.04). São exemplos de activos ecoómicos similares, por atureza, a créditos fiaceiros as acções e outras participações e os activos parcialmete codicioais. A uidade istitucioal que emite tais activos fiaceiros é cosiderada como tedo icorrido um passivo de cotrapartida. (SEC 95, 5.03 e 5.04). DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 24

26 Compreeder a Cotabilidade Nacioal As operações são as seguites: Operações Códigos Ouro moetário e direitos de saque especiais F.1 Ouro moetário F.11 Direitos de saque especiais F.12 Numerário e depósitos F.2 Numerário F.21 Depósitos trasferíveis F.22 Outros depósitos F.29 Títulos excepto acções F.3 Excluido derivados fiaceiros F.33 De curto prazo F.331 De logo prazo F.332 Derivados fiaceiros F.34 Empréstimos F.4 De curto prazo F.41 De logo prazo F.42 Acções e outras participações F.5 Excluido participações em fudos de ivestimeto F.51 Acções cotadas F.511 Acções ão cotadas F.512 Outras participações F.513 Participações em fudos de ivestimeto F.52 Provisões técicas de seguros F.6 Participações das famílias as provisões de seguros F.61 de vida e os fudos de pesões Provisões de seguros vida F.611 Nos fudos de pesões F.612 Provisões para prémios ão adquiridos e provisões F.62 para siistros Outros débitos e créditos F.7 Créditos comerciais F.71 Outros F.79 Estas operações têm sempre uma cotrapartida o sistema de cotas, que pode ser de dois tipos: Cotrapartida fiaceira: o aumeto ou redução de um activo fiaceiro e de um passivo fiaceiro em simultâeo, ou a troca de um activo por outro activo, são registados itegralmete as cotas fiaceiras dos sectores istitucioais (ou do resto do mudo) evolvidos, e ão implica qualquer alteração a capacidade/ecessidade líquida das uidades evolvidas. Cotrapartida ão fiaceira, em operações sobre produtos ou de distribuição do redimeto, ou aida em operações sobre activos ão fiaceiros ão produzidos. Neste caso há um registo a cota fiaceira e outro registo uma das cotas correspodete à operação ão fiaceira evolvida, havedo lugar a uma alteração a capacidade/ecessidade líquida das uidades evolvidas. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 25

27 Compreeder a Cotabilidade Nacioal 4. METODOLOGIA Nesta secção serão cosiderados os aspectos mais relevates sobre os procedimetos metodológicos aplicados pelo sistema de Cotas Nacioais. Esses aspectos permitem defiir o âmbito da ecoomia (critério da residêcia), o processo de compatibilização da iformação estatística (o sistema cotabilístico), e aida os critérios de valorização moetária das operações Critério de residêcia Na delimitação do de ecoomia acioal toma-se com pricipal critério o da residêcia. Uma uidade ecoómica é cosiderada residete desde que teha um cetro de iteresse ecoómico o território ecoómico. Cetro de iteresse sigifica que essa uidade tem uma localização o território ecoómico a partir da qual desevolve actividades ecoómicas e trasacções com uma carácter suficietemete duradouro, isto é, durate pelo meos um ao. Por Território ecoómico etede-se o espaço geográfico sob uma admiistração cetralizada e úica e o qual se verifica mobilidade de pessoas, bes e serviços e capitais. Icluem-se os eclaves situados o resto do mudo mas sujeitos a admiistração acioal, de acordo com os acordos e tratados iteracioais, como sejam as embaixadas, cosulados, bases militares. Correspodetemete, excluem-se os eclaves de outros países o território geográfico acioal. A defiição de residete é assim idepedete do critério de acioalidade e da preseça. Um idivíduo de acioalidade iglesa poderá ser residete em Portugal (desevolve actividades regulares o território ecoómico português), embora possa ão estar presete em Portugal (poderá estar em visita a Iglaterra) Sistema cotabilístico O sistema de partidas dobradas garate a coerêcia da iformação compilada, estabelecedo-se um sistema de cotas. Uma cota é um meio de registar, para um determiado aspecto da vida ecoómica, os empregos e os recursos ou as variações dos activos e dos passivos durate o período cotabilístico, ou o stock de activos e passivos que existem o iício ou o fim deste período. (SEC 95, 1.48). Estado defiidos os agetes ecoómicos, seja por classificação relacioada com a actividade produtiva (os ramos de actividade e de produção homogéea), seja por fuções e objectivos (sectores istitucioais), bem como o tipo de operações ecoómicas e DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 26

28 Compreeder a Cotabilidade Nacioal fiaceiras, é possível estabelecer um sistema de cotas por tipo de agetes ecoómicos e por agrupametos de operações. Assim, as cotas dividem-se em cotas corretes e de acumulação (cotas que reportam operações de variáveis - fluxo) e cotas de patrimóio (cotas que reportam operações de variáveis - stock 3 ) 4. Em qualquer cota relacioada com os agetes ecoómicos, o lado direito é utilizado para o registo dos recursos, ou para as variações dos passivos fiaceiros, do sector ou da uidade ecoómica, equato o lado esquerdo é utilizado para o registo das utilizações/empregos, ou da variação dos activos fiaceiros (para cada um dos lados, cosoate se trate de cotas corretes ou de acumulação, respectivamete) As cotas corretes As cotas de corretes dividem-se em cotas de produção, de exploração (ou de geração de redimeto), de distribuição e de redistribuição do redimeto, e aida de utilização do redimeto. Nas cotas de produção, de exploração e de distribuição, gera-se e distribui-se o redimeto primário (o que remuera os factores produtivos aplicados ao processo produtivo). Este redimeto é distribuído às famílias, de acordo com a posse relativa dos factores, e em cojuto com o valor das trasferêcias por estas recebidas, líquidas dos impostos, compõe o redimeto distribuído, a cota de distribuição secudária do redimeto. Há um ajustameto a fazer a esse redimeto, que é aumetado do valor da despesa efectuada pelas AP e pelas ISFLSF em cosumo idividual, isto é, em que aumeta o valor dos bes e serviços cosumidos pelas famílias. O redimeto dispoível é utilizado a aquisição de bes para cosumo (cota de utilização do redimeto). 3 Possíveis defiições de variáveis fluxo e stock: variáveis fluxo são aquelas cujos valores um determiado itervalo de tempo são obtidos esse mesmo itervalo (ex: redimeto, cosumo e poupaça, referem-se a um itervalo de tempo (período), por exemplo, um ao). Variáveis stocks: são aquelas cujos valores um determiado mometo temporal são determiados em períodos sucessivos de tempo, icluido o que termiou esse mometo (ou excluido o que se iicia esse mometo) (ex.: stock de capital produtivo, patrimóio familiar). Uma imagem física permite também estabelecer a ligação etre fluxo e sotck: cosidere-se um reservatório com um fluxo de etrada de um dado líquido por uidade de tempo (por exemplo, a hora), outro fluxo de saída de líquido por hora. Num dado istate, iício ou fial de uma dada hora, há uma quatidade determiada desse líquido o reservatório, que depede das etradas e saídas ateriores, icluido as que se registaram a última hora. 4 Focar-se-ão apeas as cotas de fluxo, isto é, excluir-se-ão da exposição as cotas de patrimóio. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 27

29 Compreeder a Cotabilidade Nacioal As cotas de acumulação As cotas de acumulação compreedem as alterações dos activos e dos passivos e do patrimóio líquido. Atecededo a cota fiaceira, iclui-se a cota de capital. Esta cota subdivide-se em duas cotas, a cota de variações do patrimóio líquido resultates da poupaça e das trasferêcias de capital e a cota de aquisição de activos ão fiaceiros (descotado-se à FBCF o cosumo de capital fixo e adicioado a aquisição líquida de objectos de valor e a aquisição líquida de activos ão fiaceiros ão produzidos). Esta última cota permite idetificar que tipo de aquisições foram efectuadas, bem como o respectivo valor, revelado através do seu saldo a capacidade ou ecessidade de fiaciameto do sector em causa (líquida, se descotado o cosumo de capital fixo). Teoricamete, o saldo da cota de capital, ao traduzir o modo de fiaciameto das aquisições de activos ão fiaceiros deverá ser igual ao saldo da cota fiaceira (ambos deomiados como capacidade/ecessidade fiaceiras), que reflecte as operações fiaceiras efectuadas. Na verdade, dado que as fotes estatísticas são diferetes, e diferete a perspectiva de abordagem, uma pelos fluxos reais, outra pelos fluxos com cotrapartida daqueles ou estritamete fiaceira, há lugar a uma rubrica de discrepâcias estatísticas. Estas cotas revelam as alterações do patrimóio dos sectores, resultates da aquisição de activos reais e de activos/passivos fiaceiros. No etato, há outras causas para as alterações do patrimóio, que ão passam pelo estabelecimeto directo de uma relação com outra uidade/sector istitucioal. Essas causas são as reavaliações, provocadas pelas alterações dos preços dos activos e dos passivos, e as alterações do volume de activos e passivos fiaceiros, ão devidas a operações fiaceiras. As primeiras são registadas a cota de reavaliação e as segudas a cota de outras variações o volume de activos (perdas resultates de catástrofes, aparecimeto ecoómico de activos ão produzidos, ). As operações que costam deste cojuto de cotas ecotram-se a tabela seguite: DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 28

30 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Operação Código Cosumo de capital fixo K1 Aquisição líquida de cessões de activos ão K2 fiaceiros ão produzidos Aparecimeto ecoómico de activos ão K3 produzidos Aparecimeto ecoómico de activos produzidos K4 Crescimeto Natural de recursos biológicos ão K5 cultivados Desaparecimeto ecoómico de activos ão K6 produzidos Perdas resultates de catástrofes K7 Expropriações sem idemizações K8 Outras variações o volume de activos ão K9 fiaceiros Outras variações o volume de activos e passivos K10 fiaceiros Alterações de classificação e estrutura K12 Gahos/perdas de deteção omial K O pricípio das partidas dobradas Esta regra sigifica que uma dada operação terá de ser registada duas vezes, uma como recurso (ou variação de passivos), outra como emprego (ou variação de activos). Na verdade, o sistema de cotas fucioa um esquema de quádruplas etradas, uma vez que a maior parte das trasacções evolve duas uidades istitucioais. Por exemplo, um pagameto de ordeados a uma família por parte de uma sociedade, represeta do lado das famílias um movimeto do lado direito a cota correte (recursos) e um movimeto do lado esquerdo da cota fiaceira (variação positiva de activos fiaceiros): por seu turo, a cota das sociedades há um movimeto do lado esquerdo da cota correte (empregos), em remuerações, tedo por cotrapartida um movimeto do lado esquerdo a cota fiaceira, de dimiuição de depósitos (variação egativa de activos fiaceiros). Admitase que o motate evolvido é de 1000 uidades moetárias (u.m.): cota correte Sectores Famílias Sociedades Empregos Recursos Empregos Recursos Operação Remuerações 1000 u.m 1000 u.m cota fiaceira Δ Activos Δ Passivos Δ Activos Δ Passivos Operação Depósitos 1000 u.m u.m Deve otar-se que se trata de uma represetação sobre a forma cotabilística, e ão do registo cotabilístico, operação a operação, para e etre cada uidade istitucioal. Na verdade, trata-se DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 29

31 Compreeder a Cotabilidade Nacioal uma compilação de iformação ecoómica e fiaceira, referete a um determiado período de tempo, que é classificada segudo os critérios da CN (operações, tipo de produtos, tipo de agetes, ), gahado coerêcia através do sistema de cotas acima descrito, bem como de outros istrumetos, apeas referidos por equato, como os equilíbrios empregos-recursos para os produtos. Do poto de vista metodológico é possível estabelecer os equilíbrios etre as cotas corretes dos agetes ecoómicos (movimetos de empregos e recursos, as famílias e as sociedades), por um lado, e os equilíbrios etre as cotas fiaceiras (movimetos de aumetos de activos fiaceiros e de dimiuição de activos ou de aumetos de passivos fiaceiros), por outro lado. Deste modo, tora-se possível uma separação etre as etidades que produzem as estatísticas da cotabilidade acioal: pode haver etidades produtoras das cotas de ramos e dos equilíbrios empregos-recursos e etidades produtoras das cotas dos sectores istitucioais, sedo ecessários os mecaismos correctores resultates do diálogo técico e das reavaliações iteras. A sequêcia de cotas é represetada as tabelas seguites, as quais se destacam os sucessivos saldos. Na secção seguite cosiderar-se-á detalhadamete a sequêcia de cotas para a ecoomia portuguesa o ao de 2009, ilustrado-se os saldos e dos agregados mais sigificativos da CN. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 30

32 EMPREGOS Cosumo Itermédio Valor acrescetado bruto Cosumo de capital fixo Valor acrescetado Líquido Compreeder a Cotabilidade Nacioal I. Cota de Produção Produção RECURSOS EMPREGOS Remuerações dos Empregados Outros impostos sobre a produção Outros Subsídios à Produção Excedete de exploração II.1.1. Cota de Exploração (geração de redimeto) Valor acrescetado bruto Cosumo de capital fixo Valor acrescetado Líquido RECURSOS EMPREGOS Redimetos de Propriedade Redimeto primário bruto II.1.2. Cota de afectação do redimeto primário Excedete de exploração Remuerações Empregados RECURSOS EMPREGOS II. 2. Cota de distribuição secudária de redimeto Impostos Corretes Sobre o Redimeto e Patrimóio Redimeto primário bruto Cotribuições sociais Prestações sociais meos trasferêcias em espécie Prémios de seguros Idemizações de seguros ão-vida RECURSOS Redimeto dispoível bruto Trasferêcias corretes diversas EMPREGOS Despesa de Cosumo Idividual II.4.1. Cota de utilização do redimeto dispoível Redimeto dispoível bruto RECURSOS Ajust. pela variação da participação líquida das famílias os f. pesões Poupaça bruta DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 31

33 Compreeder a Cotabilidade Nacioal EMPREGOS Redimeto dispoível ajustado bruto Redimeto dispoível ajustado bruto II.3. Cota de redistribuição do redimeto em espécie Redimeto dispoível bruto Trasferêcias sociais em espécie RECURSOS EMPREGOS Cosumo Fial Efectivo Poupaça bruta ajustada Poupaça líquida ajustada II.4.2. Cota de utilização do redimeto dispoível ajustado RECURSOS Redimeto dispoível.ajustado bruto Ajust. pela variação da participação líquida das famílias os f. pesões EMPREGOS Variações do patrimóio líquido resultates de poupaça e de trasferêcias de capital EMPREGOS Formação Bruta de Capital Fixo Cosumo de capital fixo III.1.1. Cota de variações do patrimóio líquido resultates da poupaça e das trasferêcias de capital Poupaça bruta Poupaça líquida Trasf. de capital, a receber Trasf. de capital, a pagar RECURSOS III.1.2. Cota de aquisição de activos ão fiaceiros RECURSOS Variações do patrimóio líq.resultates de poupaça e trasf. Capital Variação de Existêcias Aquisições Líquidas de Cessões de Objetos de Valor Aquisições líquidas de cessões de ativos ão-fiaceiros ão produzidos Capacidade /ecessidade líquida de fiaciameto Variações do Activo Ouro moetário e direitos de saque especiais Numerário e depósitos Títulos excepto acções Empréstimos Acções e outras participações Provisões técicas de seguros DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos Outros sobre débitos a Mudaça e créditos Socioecoómica e o Território ISCTE-IUL Capacidade Av. das /ecessidade Forças Armadas, líquida de fiaciameto Lisboa, PORTUGAL Tel Extesão [email protected] Variações do Passivo 32

34 Compreeder a Cotabilidade Nacioal 4.4. Valorização Com este termo pretede-se abarcar os aspectos mais importates sobre o modo como os produtos e as operações são avaliados o sistema de cotas Critério compromisso/critério de caixa: O sistema regista os fluxos com base as operações, isto é, quado o valor ecoómico é criado, trasformado ou extito ou quado se criam, trasformam ou extiguem os direitos e as obrigações. Por coseguite, a produção é registada aquado do acto de produção e ão quado é paga pelo comprador e a veda de um activo é registada quado o activo muda de mãos e ão quado é efectuado o pagameto correspodete. O juro é registado o período cotabilístico em que se vece, idepedetemete de ser efectivamete pago esse período. Esta base aplicase a todos os fluxos, moetários ou ão moetários, iteros ou etre várias uidades. No etato, em algus casos é ecessária alguma flexibilidade o que respeita ao mometo do registo. Isto aplica-se, em particular, aos impostos e outros fluxos relativos às admiistrações públicas, que são frequetemete registados as cotas destas admiistrações com base caixa. É por vezes difícil executar uma trasformação exacta destes fluxos, passadoos de uma base caixa para uma base de especialização ecoómica. Nestes casos pode, pois, ser ecessário recorrer a aproximações. (SEC, 1.57). Eis mais algus exemplos: Os produtos utilizados como cosumo itermédio devem ser registados e avaliados o mometo em que etram o processo produtivo. (SEC, 3.72). Na prática, as uidades de produção ão registam ormalmete de forma directa o emprego efectivo de bes a produção. Registam as aquisições destiadas ao processo produtivo e as variações verificadas as existêcias desses bes. O cosumo itermédio deve, pois, ser calculado deduzido ao valor das aquisições as variações de existêcias de produtos destiados à produção (ver potos a para a correcta avaliação destas últimas). (SEC, 3.73) A despesa em bes de cosumo deve ser registada o mometo em que se verifica a mudaça da sua titularidade; a despesa correspodete a um serviço deve ser registada o mometo em que se completa a prestação deste (SEC, 3.89). DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 33

35 Compreeder a Cotabilidade Nacioal A formação bruta de capital fixo é registada quado a propriedade dos activos fixos é trasferida para a uidade istitucioal que pretede utilizá-los a actividade produtiva. (SEC, 3.112) Dupla valorização dos produtos: preços base e preços de aquisição O sistema de CN cosidera dois tipos de preços, os preços de base e os preços de aquisição. Veja-se a defiição de cada um: No mometo da aquisição, o preço de aquisição é o preço que o comprador paga efectivamete pelos produtos: a) Icluido os impostos líquidos de subsídios aos produtos (mas excluido impostos dedutíveis, como o IVA sobre os produtos); b) Icluido os custos do trasporte que teham sido pagos separadamete pelo comprador para receber os produtos o mometo e lugar pretedidos; c) Após dedução dos descotos cocedidos por compras por juto ou fora dos períodos de pota, relativamete aos preços ou custos ormais; d) Excluido os ecargos com juros ou serviços resultates de cotratos de empréstimo; e) Excluido quaisquer ecargos adicioais resultates da falta de pagameto detro do período fixado o mometo das aquisições. (SEC 95, 1.54) O preço de base é o preço que os produtores recebem do adquirete de uma uidade de um bem ou serviço produzido ou prestado, deduzido dos impostos a pagar (ver poto 4.27) relativamete a essa uidade, em cosequêcia da sua produção ou veda (ou seja, os impostos sobre os produtos), e acrescido de qualquer subsídio a receber relativamete a essa uidade, em cosequêcia da sua produção ou veda (ou seja, os subsídios aos produtos). Não egloba despesas de trasporte facturadas à parte pelo produtor, mas iclui as marges de trasporte cobradas pelo produtor a mesma factura, mesmo que estejam icluídas uma rubrica autóoma desta. (SEC 95, 3.06). A existêcia desta valorização dual explica-se pela difereça etre duas perspectivas de ecarar uma trasacção, a do produtor e a do comprador. A perspectiva do segudo espelha-se o preço de aquisição, por represetar o valor que desembolsa por cada uidade que adquire. A perspectiva do primeiro é dada pelo preço de base, por represetar o valor que o produtor efectivamete recebe por cada uidade produzida. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 34

36 Compreeder a Cotabilidade Nacioal uado o comprador adquire directamete ao produtor, a difereça reside os impostos sobre os produtos e os custos de trasporte. uado o produto passa pelas cadeias de distribuição por grosso e a retalho, a difereça etre o preço de aquisição e o preço base é igual aos custos de trasporte, marges comerciais e impostos líquidos sobre os produtos (icluido evetuais impostos líquidos de subsídios sobre as marges comerciais). Para se perceber o alcace desta difereça, importa ter presete que os impostos sobre a produção se decompõem em impostos sobre os produtos, que icidem sobre cada uidade produzida, e os outros impostos sobre a produção, que ão depedem dos produtos, mas sim da existêcia ou ão da actividade (isto é, que são cobrados idepedetemete dos produtos). Como referido, a primeira categoria icluem-se o IVA e os impostos específicos de cosumo, como os sobre o tabaco, bebidas alcoólicas, automóveis, produtos petrolíferos, o imposto de selo, e o imposto sobre as trasacções imobiliárias. Na seguda, são exemplos a cotribuição autárquica e o imposto sobre a circulação de veículos. Os impostos sobre os produtos, líquidos dos subsídios, ão estão icluídos o preço base, ao cotrário do que acotece com os outros impostos sobre a produção, líquidos dos outros subsídios (aliás, a difereça etre o preço base e o preço a custos de factores, que ão é cosiderado o actual sistema europeu de cotas, está justamete os outros impostos líquidos de subsídios à produção, que também estão excluídos a avaliação a custos de factores). Como ilustração geérica, tome-se um dado produto em setido estrito. Do lado dos recursos cosidera-se, em primeiro lugar, a produção, que está avaliada a preços base; somadose a importação de bes e serviços, (avaliada CIF - custo, seguraça, frete -, ou seja, icluido os custos até à froteira do importador), os impostos líquidos de subsídios sobre os produtos, e as marges comerciais e de trasportes, obtém-se os recursos avaliados a preços de aquisição. Este valor deverá ser idêtico ao que se obtém, para cada produto, do lado dos empregos, como se verá o parágrafo sobre este tema. Como se viu, o VAB é dado pela difereça etre a produção e o cosumo itermédio. Esta última variável é avaliada a preços de aquisição (icluido marges comerciais, se passou pelo circuito de distribuição), mas a produção é tomada a preços base. Em cosequêcia, o VAB é também avaliado a preços base (é a difereça etre o que efectivamete recebe e o que efectivamete paga, excluido a parte dedutível do IVA). DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 35

37 Compreeder a Cotabilidade Nacioal 5. CONTAS DOS SECTORES INSTITUCIONAIS Vai efectuar-se esta secção uma aálise mais detalhada sobre a sequêcia de cotas. Tomarse-á como exemplo o caso das cotas das famílias, uma vez que este sector abrage a geeralidade das operações. Recorde-se que este sector também se ecotram as empresas em ome idividual. Secudariamete, utilizar-se-ão outros sectores (o fial aparece um aexo com as cotas do cojuto dos sectores e do total da ecoomia) A cota de produção: EMPREGOS I. Cota de Produção P.1 Produção P.11 Produção mercatil P.12 Produção para utilização fial própria P.13 Outra produção ão-mercatil 9433 RECURSOS P.2 Cosumo Itermédio B.1G Valor acrescetado bruto 9145 K.1 Cosumo de capital fixo B.1N Valor acrescetado Líquido A produção surge como um recurso e é avaliada a preços base, sedo os cosumos itermédios avaliados a preços de aquisição. Cosequetemete, o VAB está a preços base. O somatório dos VAB dos sectores, adicioado do valor dos impostos líquidos de subsídios sobre os produtos (D21-D.31, que ão aparece esta cota em como emprego em como recurso de qualquer sector, seão o do cojuto da ecoomia), costitui o PIB a preços de aquisição:, em que o ídice i se PIB (Pr od CI ) ( Tp Sp ) VAB ( Tp Sp ) pa s i i i, pb i i s i i i refere aos diferetes produtos, pa sigifica preços de aquisição e pb, preços base. A última parcela refere-se à totalidade de impostos líquidos de subsídios sobre os produtos A cota de exploração Como se viu, o VAB (ou o VAL, caso se teha subtraído o valor do cosumo de capital), saldo da cota de produção é a primeira etrada de recursos da cota de exploração (ou de geração do redimeto). DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 36

38 Compreeder a Cotabilidade Nacioal EMPREGOS II.1.1. Cota de Exploração (geração de redimeto) B.1G Valor acrescetado bruto B.1N Valor acrescetado Líquido D.1 Remuerações dos Empregados 4553 D.11 Ordeados e salários 731 D.12 Cotribuições Sociais dos Empregadores 687 D.29 Outros impostos sobre a produção -622 D.39 Outros Subsídios à Produção B.2A3G Excedete de exploração + Redimeto misto (brutos) RECURSOS O VAB será utilizado pelos diferetes sectores istitucioais, equato produtores, para remuerar os factores produtivos. Desde logo, os trabalhadores assalariados, e aida para pagar os outros impostos sobre a produção, líquidos de subsídios (D.29-D.39), sedo o saldo desta cota o Excedete Bruto de Exploração + Redimeto misto (EBE + RMx). O EBE é o resto que permitirá remuerar o capital e outras formas de propriedade, o RMx é a parte excedetária que ão é passível de ser separada etre capital e trabalho, por haver uma simbiose etre os proprietários destes factores. Por outras palavras, o caso das famílias a maior parte do VAB é distribuída em redimeto misto (veja-se a cota II Cota de Exploração). Tem-se aida para o cojuto da ecoomia:, em que o ídice s se refere aos PIB Re m ( OT OS ) ( EBE RMx) pa s s s s s s diferetes sectores istitucioais. Para cada um dos sectores o agregado relevate ão seria o PIB, mas sim o VAB gerada o respectivo sector. A equação referete ao cojuto d ecoomia permite uma outra visão do PIB, já ão dada pelo lado da produção, mas sim pela remueração dos factores produtivos A Cota de afectação do redimeto primário Voltado às cotas das famílias, o EXE+RMx aparece como a primeira etrada do lado dos recursos da cota II.1.2. Cota de afectação do redimeto primário. Esta parcela será utilizada para remuerar as diferetes formas de capital que participaram o processo produtivo cotrolado pelo sector das famílias (este caso 3796 milhões de euros como juros pagos, mais 50 milhões de euros a forma de redas). Iversamete, as famílias receberam como titulares de capital milhões de euros. Outra fote de recursos é costituída pelas remuerações (66493 milhões de euros). Resumidamete, o saldo desta cota costitui o Redimeto Primário Bruto = (EXE+RMx) + RLP + Rem (RlP são os redimetos líquidos de propriedade). Grosso DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 37

39 Compreeder a Cotabilidade Nacioal modo, o redimeto primário reparte-se em duas partes: uma, resultate da aplicação de factores produtivos o processo produtivo cotrolado pelas famílias (EXE+RMx), outra, resultate da aplicação de capital em processos de produção ão cotrolados pelas famílias (Rem+ RLP). Alterativamete, e cosiderado o cojuto da ecoomia tem-se o redimeto Nacioal Bruto, agora dado a perspectiva dos sectores istitucioais (acoselha-se a acompahar esta parte com os quadros em aexo sobre o cojuto da ecoomia). EMPREGOS II.1.2. Cota de afectação do redimeto primário B.2A3G Excedete de exploração + Redimeto misto (brutos) D.1 Remuerações dos Empregados D.11 Ordeados e salários D.12 Cotribuições Sociais dos Empregadores 3847 D.4 Redimetos de Propriedade D.41 Juros 6016 D.42 Redimetos Distribuídos das 5345 Sociedades D.43 Lucros do Ivestimeto Direto Estrageiro Reivestidos D.44 Redimetos de Propriedade 2207 atribuídos aos detetores de apólices de seguro 50 D.45 Redas B.5G Redimeto primário bruto RECURSOS Para o cojuto da ecoomia fica:, em que a última parcela RNB ( EBE RMx) Re m RLP ( TP SP) s s s i, AP s s s i se refere à totalidade dos impostos sobre a produção e as importações, líquidos da totalidade de subsídios à produção (D.2 D.3), que é um recurso das Admiistrações Públicas. Note-se que a 3ª parcela do lado direito da equação, sobre os redimetos líquidos de propriedade só ão se aula porque a ecoomia está aberta ao Resto do Mudo, sedo por isso ecessário cotar com os redimetos de propriedade recebidos por residetes e pagos ao ão residetes, em resultado das trocas estabelecidas. Assim, um valor positivo dos redimetos de propriedade recebido pelo cojuto de residetes correspode a um valor egativo dos redimetos de propriedade recebido pelo Resto do Mudo. Por outras palavras, a equação aterior pode coverter-se em: RNB ( EBE RMx) Re m RLP ( TP SP) s s s/ RM i, AP s s i DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 38

40 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Aliás, o mesmo se verifica relativamete aos redimetos do trabalho, isto é, uma pequea parcela do valor das remuerações é proveiete do saldo etre as remuerações recebidas e pagas ao Resto do Mudo.,em que RNB ( EBE RMx) ( Rem Re ml ) RLP ( TP SP) s s, I s/ RM s/ RM i, AP s s i a seguda parcela, sobre as remuerações, se decompôs uma parte itera e uma parte líquida face ao Resto do Mudo A Cota de distribuição secudária do redimeto Etra-se agora uma fase de redistribuição do redimeto, com a cota de II.2. Cota de distribuição secudária do redimeto. EMPREGOS II. 2. Cota de distribuição secudária de redimeto B.5G Redimeto primário bruto D.5 Impostos Corretes Sobre o Redimeto, Patrimóio, etc D.51 Impostos sobre o redimeto 405 D.59 Outros impostos corretes D.61 Cotribuições sociais D.611 Cotribuições sociais efetivas 7789 D.612 Cotribuições sociais imputadas D.62 Prestações sociais exceto trasferêcias sociais em espécie 3952 D.7 Outras trasferêcias corretes D.71 Prémios líquidos de seguros ãovida D.72 Idemizações de seguros ãovida D.75 Trasferêcias corretes diversas B.6G Redimeto dispoível bruto RECURSOS Esta cota tem o redimeto dispoível como saldo, dado pela combiação etre o redimeto primário, os impostos sobre o redimeto e o patrimóio, as prestações líquidas das cotribuições sociais e outras trasferêcias. Tal como o caso do redimeto primário, em que é ecessário cotar com o saldo dos redimetos do e para o Resto do Mudo, também aqui é ecessário cotar com o saldo das prestações e trasferêcias de e para o Resto do Mudo. Note-se que ão é apeas o sector das famílias para o qual é relevate o redimeto dispoível, embora este seja o caso mais importate, represetado cerca de 3/4 do redimeto dispoível DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 39

41 Compreeder a Cotabilidade Nacioal para o total da ecoomia (isto é, para o cojuto dos sectores residetes). Agrupado coveietemete as diversas compoetes, tem-se: Yd B RNB Td Tril Trxl Note-se que o termo Td se icluem a operações de impostos, de cotribuições sociais, quer por parte do empregador, quer por parte dos empregados. NOTA SOBRE OS CIRCUITOS DAS CONTRIBUIÇÕES/PRESTAÇÕES SOCIAIS Importa estabelecer o percurso das cotribuições sociais ao logo da sequêcia de cotas. Na cota de exploração estão do lado dos empregos das famílias (sociedades ou famílias, equato empresas em ome idividual), aí se icluido as cotribuições dos empregadores. Daí trasitam para a cota de afectação primária do redimeto, como recurso, em compoete das remuerações recebidas pelas famílias. Desta maeira se cocretiza a oção de que estas cotribuições são uma compoete bruta das remuerações. Mas o circuito cotiua, a cota de distribuição secudária do redimeto, como um emprego das famílias e um recurso de um subcojuto das Admiistrações Públicas, a Seguraça social. Cotribuições Sociais Efectivas Famílias (S.14) Cota de afectação primária do redimeto Empregos Recursos D.121 Remuerações - Cotribuições sociais efectivas Empresas Cota de exploração Empregos D.121 Remuerações - Cotribuições sociais efectivas Recursos Famílias (S.14) Cota de distribuição secudária do redimeto Empregos Recursos D.611 Cotribuições sociais efectivas Seguraça Social (S.13) Cota de distribuição secudária do redimeto Empregos Recursos D.611 Cotribuições sociais efectivas Neste esquema ão está cotemplado o caso das prestações sociais operadas pelos empregadores, sem carácter obrigatório e sem costituição prévia de fudos. Tais prestações icluem, por exemplo, o pagameto dos salários, total ou parcialmete, em caso de doeça, acidete, materidade; iclui complemetos familiares para efeitos de educação, pagameto de pesões de reforma ou de sobrevivêcia, ou idemizações em caso de despedimeto, acidete, etc, e também serviços médicos DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 40

42 Compreeder a Cotabilidade Nacioal gerais. As prestações deomiam-se de prestações sociais sem costituição de fudos. O circuito a sequêcia de cotas deve ser estabelecido de forma a represetar estas prestações como uma compoete adicioal das remuerações, represetado-as simultaeamete como um processo de redistribuição do redimeto. Assim, deverão ser represetadas como um emprego das empresas a cota de exploração e um recurso as famílias a cota de afectação primária do redimeto, em ambos os casos como compoete das remuerações. Em seguida a cota de redistribuição secudária do redimeto deverão ser cosideradas como um emprego por parte das famílias e um recurso das empresas, um esquema formalmete idêtico ao que se verifica o caso das cotribuições sociais efectivas. O passo adicioal está directamete relacioado com o tipo de prestações evolvidas. Sobre esta questão, veja-se primeiro o caso das prestações sociais fiaciadas pelas cotribuições sociais efectivas, relacioadas com a seguraça social: a existêcia de fudos resultates da acumulação das cotribuições sociais a seguraça social permite que em caso de ecessidade as famílias beeficiem de prestações sociais; ão se segue, o etato, que um espaço de um ao o valor das prestações seja igual ao valor das cotribuições. O mesmo ão se passa com as prestações sócias sem a costituição de fudos: a verdade, este caso o fucioameto é ao cotrário, é o valor das prestações sociais que determia o valor das cotribuições, sedo estas do mesmo valor que as primeiras. E assim, tem-se a mesma cota de distribuição secudária, o movimeto de empregos, por parte das empresas, e de recursos por parte das famílias. Cotribuições e Prestações Sociais Imputadas Famílias (S.14) Cota de afectação primária do redimeto Empregos Recursos D.122 Remuerações - Cotribuições sociais imputadas Empresas Cota de exploração Empregos D.122 Remuerações - Cotribuições sociais imputadas Recursos Famílias (S.14) Cota de distribuição secudária do redimeto Empregos Recursos D.612 Cotribuições D.623 Prestações sociais imputadas sociais s/costituição de fudos Empresas Cota de distribuição secudária do redimeto Empregos Recursos D.623 Prestações sociais D.612 Cotribuições s/ costituição de sociais imputadas fudos Veja-se o deserolar destes dois circuitos para 2009, cosiderado a sequêcia de cotas das famílias: Equato empresas em ome idividual, as famílias têm, o lado dos empregos da cota de exploração, 731 milhões de euros (m.e.) a operação de D.12. Cotribuições sociais dos empregadores. Este valor, DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 41

43 Compreeder a Cotabilidade Nacioal que faz parte das remuerações pagas pelas famílias, reparte-se em 42 m.e. para cotribuições sociais imputadas e em 689 m.e. para cotribuições sociais efectivas (o primeiro destes valores obtém-se cosiderado o valor das cotribuições sociais imputas a cota da distribuição secudária do redimeto; o outro valor obtém-se por difereça). Na cota de afectação do redimeto primário iscreve-se o valor de m.e. como recurso das famílias. Este valor tem como cotrapartida os valores iscritos em empregos as cotas de todos os sectores, icluido as famílias. Nomeadamete esses empregos das famílias, há uma parte que diz respeito ao circuito das cotribuições sociais efectivas, o tal valor de 689 m.e., outra parte refere-se ao valor de 42 m.e. em cotribuições sociais imputadas. Os empregos restates esta operação são a ordem de m.e., valor que se obtém por difereça etre m.e. e 731 m.e. (ver-se-á que o valor de m.e. se reparte em 7747 me. para cotribuições sociais imputadas e em m.e. para cotribuições sociais efectivas). Na cota de distribuição secudária do redimeto iscreve-se os empregos, a operação cotribuições sociais efectivas, o valor de m.e.. A cotrapartida deste valor iscreve-se como recurso a cota da seguraça social (por outro lado, a origem deste valor ecotra-se os empregos de todos os sectores, icluido o RM em termos líquidos, a cota de exploração). Na mesma cota de distribuição secudária das famílias está iscrito o valor de 7789 m.e. as cotribuições sociais imputadas. Este valor tem origem as cotribuições das famílias, 42 m.e. e as cotribuições dos restates sectores, 7747 m.e., que se obtém por difereça (e explica a repartição do valor de m.e., acima referida a aálise da cota de afectação primária do redimeto). Em resumo, o valor de 42 m.e. iscreve-se duplamete a cota de distribuição secudária porque as famílias aparecem com um duplo papel, equato cotribuites e equato prestamistas da acção social, de prestações sociais sem costituição de fudos (ote-se que etre as cotas de exploração e de afectação primária do redimeto também apareciam com um duplo papel, do lado dos empregos da 1ª cota, como empresas em ome idividual, e do lado dos recursos da 2ª cota, como agregado familiar). Do lado dos recursos, porque retora para as famílias equato etidades substitutas da seguraça social (a cotrapartida deste movimeto está icluída o valor de 7789 m.e. da famílias, equato cotribuites desse substituto ). Aparece outra vez do lado dos empregos, equato acção social desse substituto. Fialmete, o valor de m.e., também aparece icluído o valro de 42 m.e., sedo o restate proveiete dos empregos dos outros sectores (as sociedades, as ISFLSF e as AP, equato etidades substitutas da seguraça social A cota de redistribuição do redimeto em espécie A cota seguite, II.3 cota de redistribuição do redimeto em espécie, permite a icorporação o redimeto das famílias do valor da despesa efectuada pelas AP e pelas ISLSF em bes e serviços para cosumo idividual, isto é, oferecidos directa ou idirectamete por essas istituições para cosumo das famílias. Icluem-se aqui os bes e serviços cosiderados DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 42

44 Compreeder a Cotabilidade Nacioal a operação de D.63, trasferêcias sociais em espécie. Estas prestações icluem a vertete de prestações sociais em espécie (D.631) e de trasferêcias de bem e serviços ão mercatis (D.632). A primeira iclui as aquisições efectuadas directamete pelas famílias, mas sedo estas posteriormete reembolsadas (caso dos reembolsos da ADSE, por exemplo), classificadas como D.6311; iclui também os casos em que os serviços são forecidos directamete ou adquiridos pelas AP ou ISFLSF mediate cotratos estabelecidos com outros sectores istitucioais (é o caso, dos serviços médicos prestados por clíicas com cotratos com a ADSE, classificados como D.6312). As trasferêcias de bem e serviços ão mercatis (D.632) correspodem ao forecimeto do mesmo tipo de serviços, mas forecidos às famílias a título gratuito ou a preços ecoomicamete ão sigificativos, isto é, quado meos de 50 % dos custos de produção forem cobertos pelas vedas. EMPREGOS II.3. Cota de redistribuição do redimeto em espécie B.6G Redimeto dispoível bruto D.63 Trasferêcias sociais em espécie RECURSOS B.7G Redimeto dispoível ajustado bruto Note-se que a cotrapartida deste movimeto o sector das famílias correspode a movimetos as cotas das AP e das ISFLSF, do lado dos empregos. este é ajustado: As duas cotas seguites são de utilização do redimeto dispoível, icluido quado A difereça etre o valor do cosumo fial efectivo e o valor da despesa de cosumo fial reside exactamete o valor das trasferêcias sociais em espécie. Por outro lado, o caso das AP, a difereça etre o valor das despesas de cosumo fial e o valor das prestações sociais é igual ao valor do cosumo colectivo. EMPREGOS II.4.1. Cota de utilização do redimeto dispoível B.6G Redimeto dispoível bruto P.3 Despesa de Cosumo Fial P.31 Despesa de Cosumo Idividual D.8 Ajustameto pela variação da participação líquida das famílias os fudos de pesões B.8G Poupaça bruta 189 RECURSOS EMPREGOS II.4.2. Cota de utilização do redimeto dispoível ajustado B.7G Redimeto dispoível ajustado bruto P.4 Cosumo Fial Efectivo RECURSOS P.41 Cosumo Idividual Efectivo D.8 Ajustameto pela variação da participação líquida das famílias os fudos de pesões B.8G Poupaça bruta ajustada 189 DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 43

45 Compreeder a Cotabilidade Nacioal A operação D.8, ajustameto pela variação da participação líquida das famílias os fudos de pesões, decorre do recohecimeto de que as famílias são proprietárias das provisões dos regimes privados com costituição de fudos, sedo ecessário adicioar às poupaças das famílias o excedete das cotribuições para as pesões em relação aos recebimetos efectuados. Assim, o referido ajustameto é dado por: Ajustameto = valor das cotribuições sociais efectivas relativas a pesões + valor dos suplemetos de cotribuições a pagar pelos redimetos de propriedade dos segurados valor do serviço prestado valor das pesões pagas como prestações de regimes de pesões privados com costituição de fudos. Esta operação regista-se as cotas de utilização do redimeto, como empregos o sector das seguradoras e outros sectores que admiistrem estes fudos, e como recursos a cota de utilização do redimeto das famílias e a cota extera de redimetos primários e trasferêcias corretes (caso as famílias beeficiárias sejam ão residetes). O saldo da cota é igual à poupaça das famílias, decorredo que a poupaça itera é igual à soma das poupaças dos sectores residetes A cota de variações do patrimóio líquido resultates da poupaça e das trasferêcias de capital Segue-se a primeira cota de acumulação, a cota de variações do patrimóio líquido resultates da poupaça e das trasferêcias de capital. Esta cota toma a poupaça como primeira etrada do lado dos recursos. Será dada êfase à poupaça líquida, dada por subtracção do cosumo de capital fixo à poupaça bruta, por ser esta a forma mais adequada para aalisar as ecessidades/capacidades de fiaciameto. Ao valor da poupaça líquida adicioa-se o valor das trasferêcias de capital em termos líquidos, obtedo-se o saldo que dá o título à cota. EMPREGOS III.1.1. Cota de variações do patrimóio líquido resultates da poupaça e das trasferêcias de capital B.8G Poupaça bruta B.8N Poupaça líquida 4583 D.9 Trasferêcias de capital, a 369 D.91 receber Impostos de capital D.92 Ajudas ao ivestimeto 194 D.99 Outras trasferêcias de capital 175 D.9 Trasferêcias de capital, a pagar -119 D.91 Impostos de capital -0.3 D.92 Ajudas ao ivestimeto -119 D.99 Outras trasferêcias de capital 4833 B.101 Variações do patrimóio líquido resultates de poupaça e de trasferêcias de capital RECURSOS DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 44

46 Compreeder a Cotabilidade Nacioal 5.7. A cota de aquisição de activos ão fiaceiros Este saldo é a primeira etrada da cota de aquisição de activos ão fiaceiros. Do lado dos empregos cosidera-se a FBCF, e as suas diferetes compoetes, bem como as operações de aquisição líquida de objectos de valor e de activos ão produzidos (como os diferetes tipos de terreos), represetado o total das aquisições de activos ão fiaceiros. Esta despesa é fiaciada pela poupaça líquida, adicioada das trasferêcias líquidas de capital, bem como pelo edividameto, caso se verifique um défice. Caso cotrário, se o valor da poupaça mais as trasferêcias for superior à despesa de aquisição de activos ão fiaceiros, o sector será excedetário e terá capacidade de fiaciameto. O saldo da cota é justamete a capacidade/ecessidade de fiaciameto. EMPREGOS III.1.2. Cota de aquisição de activos ão fiaceiros B.101 Variações do patrimóio líquido resultates de poupaça e de trasferêcias de capital 4833 RECURSOS 7145 P.51 Formação Bruta de Capital Fixo 9145 K.1 Cosumo de capital fixo 14 P.52 Variação de Existêcias 110 P.53 Aquisições Líquidas de Cessões de Objetos de Valor K.2 Aquisições líquidas de cessões de ativos ão-fiaceiros ão produzidos 9004 B.9 Capacidade /ecessidade líquida de fiaciameto Cosiderado o cojuto dos sectores residetes, obtém-se o total da FBCF e das variações de activos ão fiaceiros, bem como da posição da ecoomia face ao Resto do Mudo, podedo esta ser deficitária ou excedetária, caso a soma da poupaça com as trasferêcias em termos líquidos for iferior ou superior, respectivamete àquele valor. Percorredo o camiho a partir das cotas fiaceiras, ou seja, compilado a iformação das trasacções fiaceiras decorretes das operações sobre bes e serviços e sobre as decorretes de actos fiaceiros autóomos, obtém-se também uma imagem sobre a posição de cada sector e do cojuto da ecoomia, em termos de capacidade ou ecessidade de fiaciameto, que deverá ser idêtica à forecida pelas cotas ão fiaceiras. Na prática estatística, há uma rubrica de erros, que permite o acerto etre os dois tipos de cotas, pois as fotes estatísticas são de diferete atureza, e todas elas sujeitas a erros e a processo de estimativa do valor das operações. Observado a tabela seguite verifica-se que a ecoomia portuguesa em 2009 era deficitária, em m.e., sedo este resultado a combiação de duas pricipais situações DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 45

47 Compreeder a Cotabilidade Nacioal deficitárias, das Sociedades Não Fiaceiras e das Admiistrações Públicas, e de duas situações excedetárias, das Sociedades Fiaceiras e, sobretudo, das Famílias. U: 10 6 euros S.11-Soc. N. Fiaceiras S.12-Soc. Fiaceiras S.13-A.P. S.14-Famílias S.15-ISFSFL S.1-Eco. S.2-R.M. Poupaça líquida Trasferêcias líquidas de capital Δ Activos Não Fiaeiros Capacidade /Necessidade de fiaciameto F: INE A tabela acima faz um retrato da posição da ecoomia, mas mais importate aida é a imagem da evolução que se poderá obter combiado dois aos sucessivos, o que permite observar, omeadamete, como a variação da aquisição de activos fiaceiros foi acompahada pelas evoluções das poupaças e do fiaciameto do Resto do Mudo. 6. EUILÍBRIO EMPREGOS-RECURSOS Até ao mometo, esta exposição apresetaram-se as cotas dos sectores istitucioais. Porém, as cotas dos ramos e os equilíbrios dos produtos têm um papel fudametal a costrução de um sistema de dados coeretes sobre a situação macroecoómica. No que se segue tomam-se as cotas do INE para o ao A exposição permitirá esclarecer algus aspectos específicos da metodologia das cotas acioais As cotas dos ramos de actividade As cotas de produção e de exploração são também aplicáveis aos ramos de produção. Tome-se o caso do ramo da idústria: Idústria, eergia, água e saeameto EMPREGOS I. Cota de Produção RECURSOS P.1 Produção P.2 Cosumo Itermédio B.1G Valor acrescetado bruto DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 46

48 Compreeder a Cotabilidade Nacioal EMPREGOS II.1.1. Cota de Exploração (geração de redimeto) RECURSOS B.1G Valor acrescetado bruto D.1 Remuerações dos Empregados D.11 Ordeados e salários 2840 D.12 Cotribuições Sociais dos Empregadores 223 D.29 Outros impostos sobre a produção -66 D.39 Outros Subsídios à Produção B.2A3G Excedete de exploração + Redimeto misto (brutos) U. milhões de euros Note-se que do lado dos recursos se poderia detalhar a atureza da produção, se mercatil ou ão mercatil, ou se para auto utilização. E do lado dos empregos, poder-se-ia acrescetar o cosumo de capital fixo e o valor acrescetado líquido. Na cota de exploração é de otar que deverão ser tomados os impostos e os subsídios à produção, mas ão os impostos sobre os produtos líquidos dos subsídios, uma vez que se está a tomar os preços base como referêcia para avaliar a produção. Cosiderem-se aida o caso do agrupameto de comércio e reparações, trasportes e armazeagem, alojameto e restauração: Comércio e reparação de veículos; trasportes e armazeagem; alojameto e restauração EMPREGOS I. Cota de Produção RECURSOS P.1 Produção P.2 Cosumo Itermédio B.1G Valor acrescetado bruto Note-se que a parte respeitate ao comércio represeta cerca de 55% do total da produção deste agrupameto de três ramos de actividade e diz respeito sobretudo às marges comerciais. EMPREGOS II.1.1. Cota de Exploração (geração de redimeto) RECURSOS B.1G Valor acrescetado bruto D.1 Remuerações dos Empregados D.11 Ordeados e salários 3863 D.12 Cotribuições Sociais dos Empregadores 340 D.29 Outros impostos sobre a produção -77 D.39 Outros Subsídios à Produção B.2A3G Excedete de exploração + Redimeto misto (brutos) U. milhões de euros DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 47

49 Compreeder a Cotabilidade Nacioal 6.2. O equilíbrio Empregos Recursos Este procedimeto permite balacear a avaliação dos recursos com os empregos. De otar que os empregos estão avaliados a preços de aquisição e a produção está avaliada a preços base. A passagem para preços de aquisição faz-se tomado os impostos líquidos de subsídios sobre os produtos, icluido os impostos sobre as importações, e adicioado as marges comerciais e de trasportes. Cosidere-se, em primeiro lugar, o caso dos produtos idustriais: Recursos Idústria Produção preços base Total cosumo itermédio Importação bes (CIF) Desp. de cosumo fial das famílias Importação serviços Desp. cosumo fial das AP Marges de distribuição Desp. de cosumo fial das ISFLSF Impostos - subsídios aos produtos Formação bruta de capital fixo 102 Aq.líq.cessões de objetos de valor Variação de existêcias Exportação bes (FOB) 220 Exportação serviços Total de recursos Total de empregos Empregos Como seria de esperar os produtos da idústria trasformadora têm todas as utilizações cotabilizáveis. Tomem-se aida mais algus casos: Recursos Costruções e trabalhos de costrução Produção preços base Total cosumo itermédio Importação bes (CIF) Desp. de cosumo fial das famílias Importação serviços 2 44 Desp. cosumo fial das AP Marges de distribuição 0 0 Desp. de cosumo fial das ISFLSF Impostos - subsídios aos produtos Formação bruta de capital fixo 0 Aq.líq.cessões de objetos de valor 234 Variação de existêcias 0 Exportação bes (FOB) 3 Exportação serviços Total de recursos Total de empregos Empregos Observe-se que as marges comerciais etram com sial egativo os recursos do ramo comércio (e o mesmo acotece com as marges de trasporte o ramo de trasportes): Recursos Serviços de comércio Produção preços base Total cosumo itermédio Importação bes (CIF) Desp. de cosumo fial das famílias Importação serviços Desp. cosumo fial das AP Marges de distribuição Desp. de cosumo fial das ISFLSF Impostos - subsídios aos produtos Formação bruta de capital fixo 0 Aq.líq.cessões de objetos de valor 0 Variação de existêcias 0 Exportação bes (FOB) 471 Exportação serviços Total de recursos Total de empregos Empregos DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 48

50 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Cosidere-se aida o caso das Admiistrações Públicas: Recursos Admiistrações públicas e serviços de defesa; serviços da seguraça social obrigatória Produção preços base Total cosumo itermédio Importação bes (CIF) Desp. de cosumo fial das famílias Importação serviços Desp. cosumo fial das AP Marges de distribuição 0 86 Desp. de cosumo fial das ISFLSF Impostos - subsídios aos produtos 0 0 Formação bruta de capital fixo 0 Aq.líq.cessões de objetos de valor 0 Variação de existêcias 0 Exportação bes (FOB) 0 Exportação serviços Total de recursos Total de empregos Empregos Neste exemplo importa otar que: a) tratado-se de um serviço, ão se aplicam marges comercias e de trasporte; b) sedo um serviço ão mercatil, ão tem utilizações itermédias (ou tem margialmete, por efeitos de agregação). Tomado todos os produtos, obtém-se a defiição de PIB dado pelo lado da despesa: Produção - Cosumos itermédios + Importações = Utilizações Fiais Iteras + Exportações o que é equivalete a: PIB = Utilizações Fiais Iteras + Exportações Importações = Recursos Produção preços base Total cosumo itermédio Importação bes (CIF) Despesa de cosumo fial das famílias- CFRfTE - CIF/FOB s/ CFNRTE+CFRfTE Import.Serviços+ CFRfTE Desp. cosumo fial das AP +CIF/FOB s/ Importações Marges de distribuição Despesa de cosumo fial das ISFLSF Impostos-subs.produtos Formação bruta de capital fixo Impostos - subsídios aos produtos 124 Aq.líq.cessões de objetos de valor -703 Variação de existêcias Exportação bes (FOB)+CFNRTE Exportação serviços+cfnrte-cfrfte Total de recursos Total de empregos Empregos 6.3. O uadro de Equilíbrio Empregos - Recursos Este quadro sitetiza o cojuto de equilíbrios empregos de da ecoomia, expadido a aálise dos cosumos itermédios de forma a idetificar ão só o valor das utilizações dos produtos para usos itermédios como também os ramos utilizadores dos produtos. O uadro tem uma estrutura em tríptico, tedo a zoa do lado esquerdo os recursos e a zoa do lado direito os empregos fiais. Cetralmete ecotram-se as utilizações itermédias de cada produto, para DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 49

51 Compreeder a Cotabilidade Nacioal cada ramo utilizador. Assim, é também possível uma leitura em colua, que permite idetificar os cosumos itermédios de cada ramo. Abaixo da parte cetral, poderá haver uma bada, sitetizado as cotas de produção e de exploração dos ramos. Por último, há aida uma zoa de ajustametos que permite passar de uma valorização CIF para uma valorização FOB das importações, bem como da oção de despesa o território para a despesa de residetes, como os correspodetes ajustametos do lado do cosumo e das exportações. Veja-se o exemplo do quadro a 8 ramos para 2009 (esta apresetação as vedas para cosumo itermédio foram compactadas para um vector que apreseta as vedas totais para esse fim, ão se idetificado, em cosequêcia as utilizações dos diferetes produtos por cada ramo de actividade): uadro de Empregos - Recursos uadro de Recursos ( produtos por r recursos) uadro de Cosumos itermédios (com lihas, para os produtos, e m coluas para os ramos de produção) uadro de Empregos fiais ( produtos por e empregos) Zoa de Ajustametos de variáveis DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 50

52 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Uidade: milhões euros RECURSOS Produtos Produção preços base Importação bes (CIF) Importação serviços Marges de distribuição Impostos líquidos de subsídios aos produtos Total de recursos A Produtos da agricultura, silvicultura e pesca B+C Idústria D+E Electricidade, Gás, Água; Distribuição de água, esgotos, gestão de resíduos F Costruções e trabalhos de costrução G Serviços de comércio e de Trasporte H+I+J+K+L+ M+N O Serviços mercatis às empresas e famílias Admiistrações públicas e serviços de defesa; serviços da seguraça social obrigatória P++R+S+T +U Outros serviços (com predomiâcia ão mercatil) Total Ajustametos: Cosumo fial de ão residetes o território ecoómico (-) Cosumo fial de residetes fora do território ecoómico (+) CIF/FOB sobre as importações Total após ajustametos DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 51

53 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Uidade: milhões euros EMPREGOS Produtos Total cosumo itermédio Despesa de cosumo fial das famílias Despesa de cosumo fial das admiistrações públicas Despesa de cosumo fial das ISFLSF Formação bruta de capital fixo Aquisições líquidas de cessões de objetos de valor Variação de existêcias Exportação bes (FOB) Exportação serviços Total de empregos A Produtos da agricultura, silvicultura e pesca B+C Idústria D+E Electricidade, Gás, Água; Distribuição de água, esgotos, gestão de resíduos F Costruções e trabalhos de costrução G Serviços de comércio e de Trasporte H+I+J+K+L+ Serviços mercatis às empresas e famílias M+N O Admiistrações públicas e serviços de defesa; serviços da seguraça social obrigatória P++R+S+T +U Outros serviços (com predomiâcia ão mercatil) Total Ajustametos: Cosumo fial de ão residetes o território ecoómico (-) Cosumo fial de residetes fora do território ecoómico (+) CIF/FOB sobre as importações Total após ajustametos DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 52

54 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Tipos de ajustameto efectuados: Passagem de valorização de CIF para FOB as importações: a parte de serviços de trasporte deve ser subtraída ao valor das importações e adicioada aos serviços importados, desde que tais serviços ão teham sido efectuados por residetes. Assim, subtraiu-se 2348 m.e. ao valor dos bes importados e adicioou-se aos serviços importados apeas uma fracção dessa difereça (1754 m.e.). O restate, 594 m.e., foi subtraído às importações totais, uma vez que correspodia a um serviço prestado por residete (o trasporte de mercadorias importadas). Por outro lado, a área dos recursos o valor correspodete a este serviço ecotra-se cotabilizado a produção do serviço de trasporte de mercadorias. Na colua das importações de bes e a de serviços adicioou-se a despesa efectuada por residetes o resto do mudo (viages de egócios ou turismo, correspode a todo tipo de despesas efectuadas, desde que a aquisição de bes ou serviços a ão residetes). Correspodetemete, há também a acrescetar ao valor das exportações, a parte de cosumo de ão-residetes o território ecoómico, o que se efectua a zoa de ajustameto adjacete à área das utilizações fiais). Foi subtraída à despesa de cosumo fial o território a parcela que dizia respeito a despesa efectuada por ão residetes, e adicioada ao valor das exportações. Cálculo do PIB pelo lado da Despesa: PIB = Despesa de Cosumo Fial das Famílias + Despesa de Cosumo Fial das Adm. Públicas + Despesa de Cosumo Fial das ISFLSF + FBCF total + Aq. Líquidas de Objectos de Valor + Variação de Existêcias + Exportações de Bes e serviços - Importações de Bes e serviços = milhões de euros 6.4. O quadro etradas-saídas simétrico Apresetação do quadro simétrico O quadro etradas-saídas simétrico tem uma difereça crucial relativamete ao quadro empregos-recursos: este último relacioa os recursos dos diferetes produtos, partido duma avaliação a preços base para chegar aos valores a preços de aquisição, com os empregos itermédios dos ramos de actividade e com os empregos fiais; o primeiro, o quadro simétrico, combia produtos com produtos (combiar ramos de actividade com ramos de actividade é DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 53

55 Compreeder a Cotabilidade Nacioal outra modalidade), sedo que a avaliação é feita sempre com o mesmo critério de valorização, preços base. O quadro empregos-recursos adequa-se às estatísticas primárias dispoíveis e ao fucioameto efectivo das empresas: estas têm dispoíveis iformação sobre os produtos que fabricam e também sobre os produtos que adquirem para utilizações itermédias, mas ão de quais e em que proporções são utilizados a fabricação de cada tipo de produto. Isto é, fica facilitada a afectação dos produtos às empresas, estado estas classificadas segudo a sua actividade pricipal, e também às UAE locais (uidades de actividade ecoómica ao ível local). Iversamete, para se defiir os quadros simétricos produto X produto é ecessário estabelecer um cojuto de hipóteses sobre os processos produtivos, baseadas em iformação avulsa (isto é, ão decorretes da base estatística das cotas acioais), como estudos sectoriais e avaliações feitas por peritos dos processo produtivos, que permitam afectar os produtos, e as proporções adequadas, aos diferetes processos produtivos. Por outro lado, os quadros simétricos têm mais poder aalítico. Torado a iformação sobre os empregos e recursos mais homogéea e estabelecedo um formato de matriz quadrada para os cosumos itermédios, criam-se as codições para a modelização ecoómica, o que permite o desevolvimeto de esaios/ceários sobre possíveis evoluções da estrutura ecoómica. O quadro etradas-saídas simétrico tem o seguite formato: uadro de Etradas-Saídas Simétrico Classificação dos produtos uadro Simétrico de Cosumos itermédios (com lihas para os produtos, e coluas para os produtos utilizadores ) uadro de Empregos fiais ( produtos por e empregos) Cotas de produção, de exploração e outros iputs primários A zoa a base, abaixo do quadro simétrico de cosumos itermédios, é idetificadora das variáveis a cosiderar as cotas de produção e de exploração, bem como das importações de produtos. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 54

56 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Apreseta-se em seguida o quadro etradas-saídas simétrico para 2008 (a preços corretes) (veja-se quadro da págia 42): A modelização do quadro simétrico Os processos de modelização partem da seguite formalização: A importâcia relativa de cada produto o processo de produção de um determiado produto j é dada pelo coeficiete técico: a ij x X ij j, com i = 1,2, p Em que x ij é o valor das vedas do produto i ecessárias para a produção do produto j, e X j correspode ao total de recursos desse produto. A partir desta especificação é possível chegar ao seguite modelo composto por p equações: X1 a11 a12... a1 p X1 Y1 X 2 a21 a22... a 2 p X 2 Y X p ap 1 ap2... app X p Yp Em que os Yi correspodem às vedas para a procura fial. De forma compacta, tem-se: X AX Y, o que é equivalete a 1. X I A Y. A última equação permite estabelecer a os impactos directos e idirectos das variações da procura fial sobre o total dos X I A Y recursos/empregos: 1. De forma aáloga, podem ser estabelecidos os coeficietes de mercado, que medem a importâcia relativa das vedas itermédias de um dado produto, de forma a que a fabricação de cada produto possa ser efectuada. Assim, tem-se: xij ij, com j = 1,2, p X i Adicioalmete, os iputs primários do produto j expressam-se por V ' [ r ( t s) ebe m ]', em que os três primeiros elemetos represetam uma j j j j j DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 55

57 Compreeder a Cotabilidade Nacioal decomposição do VAB e o quarto refere-se às importações do produto j. Note-se que se pode ter uma otação referete a um daqueles quatro tipos de iput, mas extesivo a todos os produtos: V ' [ v v... v ]', em que i se refere ao tipo de iput. De modo semelhate, agregado i i1 i2 ip todos os iputs de cada produto, tem-se V ' [ V1 V2... V p ]'. Assim, para o cojuto da ecoomia obtém-se a seguite equação matricial: X p1 X1 V1 X p2 X 2 V 2. (ote-se que a matriz β foi trasposta) X p 1p 2p... p X p Vp De forma compacta, tem-se X ' X V, o que é equivalete a ' 1 X I. V. Esta equação expressa o total de recursos/empregos como fução dos iputs primários. Note-se que em termos de variações as importações poderão ser excluídas deste vector, ficado ΔV igual a ΔVAB. Para ser mais exacto, em geral, ΔV poderá represetar qualquer iput primário. Deste modo é possível determiar os impactos das variações dos iputs primários (ou de qualquer uma das suas decomposições) sobre o total dos recursos. ' 1 X I. V, em que V ' [ vi 1 vi 2... vip ]', para um dado tipo de iput V ' [ V V... V p ]', para todos os iputs. ou 1 2 DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 56

58 Compreeder a Cotabilidade Nacioal U.: 106 Euros A C D+E F G H+I+J+K + L+M+N O P++R+S+T+U Produtos Produtos da agricultura, caça e pesca Idústria Eletricidade, gás, vapor, água; gestão de resíduos Costruções e trabalhos de costrução Comércio e reparação de automóveis Serviços mercatis Serviços da admiistração pública, defesa e seguraça social obrigatória Serviços pred. ão mercatis Total Despesa de cosumo fial das famílias Despesa de cosumo fial das ISFLSF Despesa de cosumo fial das admi. públicas Despesa de cosumo fial Formação bruta de capital fixo Aquisições líquidas de cessões de objetos de valor Variação de existêcias Formação bruta de capital Exportação (FOB) Total empregos fiais Total empregos A Produtos da agricultura, caça, pesca C Idústria D+E F G H+I+J+K+L +M+N O P++R+S+ T+U Eletricidade, gás, água; gestão de resíduos Costruções e trabalhos de costrução Comércio e reparação de automóveis Serviços mercatis admiistração pública, defesa e seguraça social obrigatória Serviços pred.ão mercatis Total Impostos líquidos de subsídios aos produtos Cosumo itermédio ajustado/ Procura fial a preços de aquisição Remuerações Ordeados e salários Outros impostos líquidos de subsídios à produção Cosumo de capital fixo Excedete líquido de exploração Excedete bruto de exploração Valor acrescetado bruto Produção a preços de base Importação (CIF) Total de recursos a preços de base DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 57

59 Compreeder a Cotabilidade Nacioal ANEXO à Secção 6: O SISTEMA DE CONTAS DOS SECTORES INSTITUCIONAIS EMPREGOS S.2-R.M. S.1-Eco. S.15-ISFSFL S.14-Fam S.13-A.P. S.12-Soc. Fiaceiras S.11-Soc. N. Fiaceiras I. Cota de Produção P.2 Cosumo Itermédio D.21-D.31 Impostos sobre os produtos líquidos de B.1G subsídios VAB / Produto itero bruto K.1 Cosumo de capital fixo B.1N VAL / Produto itero líquido S.11-Soc. N. Fiaceiras S.12-Soc. Fiaceiras RECURSOS S.13-A.P. S.14-Fam S.15-ISFSFL S.1-Eco. S.2-R.M. P.1 Produção P.11 Produção mercatil P.12 Produção para utilização fial própria P.13 Outra produção ão-mercatil EMPREGOS S.2-R.M. S.1-Eco. S.15-ISFSFL S.14-Fam S.13-A.P. S.12-Soc. Fiaceiras S.11-Soc. N. Fiaceiras II.1.1. Cota de Exploração (geração de redimeto) D.1 Remuerações dos Empregados D.11 Ordeados e salários D.12 Cotribuições Sociais dos Empregadores D.21-D.31 Impostos sobre os produtos líquidos de subsídios D.29 Outros impostos sobre a produção D.39 Outros Subsídios à Produção B.2A3G Excedete de exploração + Redimeto misto (brutos) S.11-Soc. N. Fiaceiras S.12-Soc. Fiaceiras RECURSOS S.13-A.P. S.14-Fam S.15-ISFSFL S.1-Eco. S.2-R.M. B.1G Valor acrescetado bruto B.1N Valor acrescetado Líquido DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 58

60 Compreeder a Cotabilidade Nacioal EMPREGOS S.2-R.M. S.1-Eco. S.15-ISFSFL S.14-Fam S.13-A.P. S.12-Soc. Fiaceiras S.11-Soc. N. Fiaceiras II.1.2. Cota de afectação do redimeto primário S.11-Soc. N. Fiaceiras S.12-Soc. Fiaceiras RECURSOS S.13-A.P. S.14-Fam S.15-ISFSFL S.1-Eco. S.2-R.M. B.2A3G Excedete de exploração + Redimeto D.1 misto Remuerações (brutos) dos Empregados D.11 Ordeados e salários D.12 Cotribuições Sociais dos Empregadores D.2 Impostos sobre a Produção e Importação D.21 Impostos sobre os produtos D.211 Impostos do tipo Valor Acrescetado D.212 (IVA) Impostos e direitos sobre a importação, D.214 exceto Impostos IVA sobre os produtos, exceto o IVA D.29 e Outros os impostos impostos sobre sobre a importação a produção D.3 Subsídios aos Produtos e à produção D.31 Subsídios aos Produtos D.39 Outros Subsídios à Produção D.4 Redimetos de Propriedade D.41 Juros D.42 Redimetos Distribuídos das D.43 Sociedades Lucros do Ivestimeto Direto D.44 Estrageiro Redimetos Reivestidos de Propriedade atribuídos D.45 aos Redas detetores de apólices de seguro B.5G Redimeto primário bruto/redimeto Nacioal Bruto DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 59

61 Compreeder a Cotabilidade Nacioal EMPREGOS S.2-R.M. S.1-Eco. S.15-ISFSFL S.14-Fam S.13-A.P. S.12-Soc. Fiaceiras S.11-Soc. N. Fiaceiras II. 2. Cota de distribuição secudária de redimeto B.5G Redimeto primário bruto/redimeto Nacioal Bruto S.11-Soc. N. Fiaceiras S.12-Soc. Fiaceiras RECURSOS S.13-A.P. S.14-Fam S.15-ISFSFL S.1-Eco. S.2-R.M D.5 Impostos Corretes Sobre o Redimeto, Patrimóio, etc D.51 Impostos sobre o redimeto D.59 Outros impostos corretes D.6 Cotribuições sociais e prestações D.61 sociais Cotribuições sociais D.611 Cotribuições sociais efetivas D.612 Cotribuições sociais imputadas D.62 Prestações sociais exceto trasferêcias D.7 sociais Outras trasferêcias em espécie corretes D.71 Prémios líquidos de seguros ão-vida D.72 Idemizações de seguros ão-vida D.74 Cooperação iteracioal correte D.75 Trasferêcias corretes diversas D.751 das quais: 4º recurso próprio com base B.6G o Redimeto PNB dispoível bruto 0 EMPREGOS S.2-R.M. S.1-Eco. S.15-ISFSFL S.14-Fam S.13-A.P. S.12-Soc. Fiaceiras S.11-Soc. N. Fiaceiras II.3. Cota de redistribuição do redimeto em espécie S.11-Soc. N. Fiaceiras S.12-Soc. Fiaceiras RECURSOS S.13-A.P. S.14-Fam S.15-ISFSFL S.1-Eco. S.2-R.M. B.6G Redimeto dispoível bruto D.63 Trasferêcias sociais em espécie D.631 Prestações sociais em espécie D.632 Trasferêcias de bes e serviços ão mercatis B.7G Redimeto dispoível ajustado bruto DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 60

62 Compreeder a Cotabilidade Nacioal EMPREGOS S.2-R.M. S.1-Eco. S.15-ISFSFL S.14-Fam S.13-A.P. S.12-Soc. Fiaceiras S.11-Soc. N. Fiaceiras II.4.2. Cota de utilização do redimeto dispoível ajustado P.4 Cosumo Fial Efectivo P.41 Cosumo Idividual Efectivo P.42 Cosumo Coletivo Efectivo 189 D.8 Ajustameto pela variação da participação líquida das famílias os B.8G Poupaça bruta ajustada S.11-Soc. N. Fiaceiras S.12-Soc. Fiaceiras RECURSOS S.13-A.P. S.14-Fam S.15-ISFSFL S.1-Eco. S.2-R.M. B.7G Redimeto dispoível ajustado bruto EMPREGOS S.2-R.M. S.1-Eco. S.15-ISFSFL S.14-Fam S.13-A.P. S.12-Soc. Fiaceiras III.1.1. Cota de variações do patrimóio líquido resultates da poupaça e das trasferêcias de capital S.11-Soc. N. Fiaceiras B.101 Variações do patrimóio líquido resultates de poupaça e de S.11-Soc. N. Fiaceiras S.12-Soc. Fiaceiras RECURSOS S.13-A.P. S.14-Fam S.15-ISFSFL S.1-Eco. S.2-R.M. B.8G Poupaça bruta B.8N Poupaça líquida D.9 Trasferêcias de capital, a receber D.91 Impostos de capital 0 0 D.92 Ajudas ao ivestimeto D.99 Outras trasferêcias de capital D.9 Trasferêcias de capital, a pagar D.91 Impostos de capital D.92 Ajudas ao ivestimeto D.99 Outras trasferêcias de capital DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 61

63 Compreeder a Cotabilidade Nacioal 7. DECOMPOSIÇÃO PREÇO-VOLUME 7.1. Aspectos gerais uado as gradezas omiais, isto é, as variáveis em uidades moetárias, evoluem de um período para o outro, surge o problema de saber se os ovos valores são resultado de uma evolução dos preços, das quatidades dos produtos que estão a ser cosiderados, ou de evoluções cojutas. Tratado-se de um só produto, a decomposição do valor é fácil: V t Ptt, e para o período aterior V Dividido uma gradeza pela outra: P P P P t t t t t1 t1 t1 t1 t P 1 t1 t 1. 1 p 1 q, em que p e q são, respectivamete as taxas de variação dos preços e das quatidades 5. uado está em causa um cojuto de produtos agregados, costituido a variável Y t = Pitit, a ituição apota para que a variação do preço desse agregado possa ser uma média poderada das taxas de variação dos preços dos produtos compoetes. Os poderadores deverão represetar a importâcia relativa de cada produto o total. Assim, poder-se-á ter para a variação do preço de Y t : P P it it1. P P it1 it1 it1 it1 produto i o total do agregado., em que o segudo factor represeta a importâcia relativa do de cada 5 Por comodidade tomar-se-á (1 x) como a taxa de variação de da variável x. Na verdade, trata-se de uma taxa de variação iteira. Subtraido a uidade e multiplicado por 100 obtém-se a variação percetual. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 62

64 Compreeder a Cotabilidade Nacioal 7.2. Os ídices de Laspeyres e de Paasche Na verdade, a expressão aterior represeta o Ídice de Laspeyres de preços (IL(p)), o qual pode ser dado também do seguite modo: IL(p) = P P itit1 it1 it1 Podedo este ídice ser aplicado a qualquer variável, tem-se também o Ídice de Laspeyres de volume (quatidades) 6 : IL(q) = P itit P itit1 Por outro lado, a comparação pode ser feita com o período imediatamete aterior ou etão com um período tomado como base (para o qual há iformação estatística suficiete para se determiar os pesos relativos dos produtos compoetes do agregado). E esse caso ter-se-á os Ídices de Laspeyres de base fixa para os casos dos preços e do volume, respectivamete: ILf(p) = P P iti0 i0 i0 e ILf(q) = P P i0 it i0 i0 No caso português, o ídice de preços o cosumidor (IPC) foi até há pouco tempo um ídice de Laspeyres de base fixa, tedo evoluído para um ídice em que os poderadores são actualizados todos os aos de acordo com a própria evolução dos preços. O ídice de produção idustrial é um ídice de Laspeyres de quatidades de base fixa, tedo codições para evoluir para um ídice de Laspeyres de base móvel. Um dos problemas do ídice de Laspeyres, especialmete a modalidade de base fixa, é o evelhecimeto da estrutura de poderadores, que será tato maior quato a maior a distâcia temporal etre o ao da base e o mometo de aálise. Assim, em alterativa, e caso haja tal possibilidade, poder-se-á tomar com referêcia as quatidades do próprio período, ao ivés das do período aterior ou do período base. 6 Os ídices são habitualmete apresetados após a sua multiplicação por 100, o que ão está aqui a ser represetado. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 63

65 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Nesse caso, tem-se o ídice de Paasche: IP(p) = IP(q) = IPf(p) = P P itit it1 it. E pode cosiderar-se também um ídice de Paasche para as quatidades: P itit P itit1. Por outro lado, os ídices de Paasche podem também ser de base fixa, de preços ou de quatidades: P P it it i0 it e IPf(q) = P it it P iti0 As Cotas Nacioais tomam como deflatores os ídices de Paasche do ao aterior (como se verá mais desevolvidamete) A decomposição preço-volume Os ídices apresetados 7 têm, cruzadamete, uma propriedade iteressate: IV () = i 1 P P itit it1 it1 = P P itit it1 it. P P it1 it it1 it1 Isto é, O ídice em valor é igual ao produto do ídice de Paasche de preços pelo ídice de Laspeyres de quatidades. E também: IV () = i 1 P P itit it1 it1 = P P itit1 it1 it1. P itit P itit1. 7 Há outros tipos de ídices, sedo de destacar os Ídices de Fisher, dados pela média geométrica dos ídices de Laspeyres e de Paasche para a mesma variável. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 64

66 Compreeder a Cotabilidade Nacioal O ídice em valor é igual ao produto do ídice de Laspeyres de preços pelo ídice de Paasche de quatidades. Esta propriedade revela que do poto de vista da variação em valor é idiferete escolher uma ou outra modalidade. Mas a escolha de uma ou outra produz resultados diferetes para as evoluções em volume e dos preços, que se afastarão tato mais quato mais itesas forem as alterações das estruturas que servem de poderação Critérios de escolha da decomposição uado se trata de escolher etre ídices de base fixa, a escolha a favor do ídice de Paasche como deflator é fudametada a hipótese da relevâcia do efeito de substituição. O efeito de substituição estabelece uma relação iversa etre a procura dos produtos e os seus preços relativos. Em cosequêcia, a avaliação do comportameto dos preços seria eviesada, caso se tomasse uma estrutura de poderação fixa o tempo, que ão tomaria em cota a dimiuição do peso dos produtos cujos preços aumetaram relativamete aos restates (caso a elasticidadepreço for superior a um). E o viés seria o setido da sobrevalorização dos ídices de preços, e cosequete subavaliação dos ídices de volumes. Mas também outros efeitos cotam para que se prefira um ídice de Paasche, a preseça de ídices de base fixa, como o efeito-redimeto, ou seja, do impacto sobre a procura que resulta de variações do redimeto. Na preseça de bes ormais (bes com um efeito redimeto positivo), um aumeto do redimeto gerará um maior ou meor aumeto da procura dos bes de acordo com a itesidade relativa das correspodetes elaticidades-redimeto. O ídice de Laspeyeres ão apaha estes efeitos. Por outro lado, a escolha de uma base fixa, seja com ídices de Laspeyres seja com ídices de Paasche tem uma debilidade que se acetua com o tempo, a saber a difereça etre o padrão de produtos que se toma como referêcia, como termo de comparação, e o cabaz de produtos relevate um determiado período de tempo. uato maior a difereça temporal etre o ao de base e o ao correte, maior será também aquela difereça. À medida que vão ocorredo iovações e se estabelecem ovas ecessidades, os produtos ateriormete de referêcia deixam de o ser, passado a ser pouco procurados, ou mesmo desaparecedo 8. Compreede-se assim que o Sistema de Cotas Nacioais (Sistema Europeu de Cotas) privilegie a utilização do ídice de Paasche de base móvel, o que permite uma avaliação das quatidades a preços do ao aterior. 8 Há técicas mais ou meos sofisticadas para ateuar estas debilidades, permitido estimar o impacto das alterações de qualidade sobre os preços dos produtos. Mas o problema é recorrete. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 65

67 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Para o cálculo a preços do ao aterior, divide-se o valor omial pelo ídice, fica: Deflação com Paasche móvel = Pit / it P Pitit it1 it = Pit1 it, obtémse o valor a preços do ao aterior, o que costitui uma medida de volume, uma vez que os preços se matêm costates. Se o ídice de Paasche fosse de base fixa, os valores seriam avaliados a preços costates do ao base: Deflação com Paasche fixo = / costituiria uma medida de volume. Pitit P P it it i0 it = P i0 it, o que também Nos dois casos, o quociete etre o valor a preços do ao aterior (valor a preços costates de um ao base) e o valor do ao aterior foreceria uma medida da variação relativa do volume (isto é, do valor, estado este expurgado do efeito das variações de preços): P P it1 it it1 it1 1q m Pi0 it ou 1q f Pi 0 it Volumes Ecadeados Em certas circustâcias é coveiete ter valores referidos a um certo período temporal (ormalmete um dado ao) mas sem ter os icoveietes da deflação com base fixa. Nesse caso os valores são ecadeados. Isto sigifica que os valores omiais são deflacioados com um Paasche móvel, sedo assim, as quatidades de cada ao são avaliados a preços do ao aterior, mas toma-se em seguida o valor de um ao como referêcia, ecadeado-se os dados por aplicação das sucessivas taxas de variação em volume (obtidas pelo quociete etre o agregado a preços do ao aterior e o seu valor do ao aterior). DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 66

68 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Y ct = P. i0 i0 P P i0 i1 i0 i0. P P i1 i2 i1 i1.. P P it1 it it1 it1 O Valor de Y o período t, tomado como referêcia o ao zero (por exemplo, 2000), resulta da aplicação ao valor do ao base (a preços do ao base, portato, valores a preços corretes) de sucessivas taxas de variação (em que as taxas de variação são ídices de Laspeyres de quatidades). Verifica-se imediatamete que a partir do período 2, iclusive, os valores ecadeados em volume são diferetes dos valores a preços costates do ao zero. Este procedimeto é o adoptado pelo INE, a produção de Cotas Nacioais Trimestrais. Metodologicamete, toma-se como restrições as taxas de variação auais em volume, obtidas pelas Cotas Nacioais Auais, e produzem-se dados em volume ecadeados, tomado o ao 2000 como referêcia. A própria metodologia de estimação dos valores trimestrais obriga a trasformar os valores a preços do ao aterior em valores ecadeados em volume. uado se estabelece o ecadeameto em volume (repetido, por aplicação de sucessivos ídices de Laspeyres em volume ao volume a preços do ao de referêcia), o deflator implícito é um ídice de Paasche ecadeado. Com efeito, dividido o valor pelo volume ecadeado, fica: /(. i Pitit P 0 i0 P P i0 i1 i0 i0 * P P i1 i2 i1 i1.. P P it1 it it1 it1 ) = = P P it it i0 i1. P P i1 i1 i1 i2. P P i2 i2 i2 i3. P P it1 it1 it1 it = P P i1 i1 i0 i1. P P i2 i2 i1 i2.. P P itit it1 it DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 67

69 Compreeder a Cotabilidade Nacioal 7.6. O problema da ão aditividade uado se cosideram valores a preços costates de um dado ao (evetualmete, o ao imediatamete aterior), o valor total pode obter-se a partir da soma dos valores mais elemetares. Para o caso do PIB, este pode ser determiado pela óbvia soma das suas compoetes. Seja o caso da determiação do lado da procura: PIB a preços costates = Utilizações Fiais Importações totais. A validade deste cálculo pode ser dada pela expressão que forece o PIB a preços costates: Pi0, para qualquer t. it Para efeitos da demostração seguite, cosidere-se que o PIB é dado por duas compoetes, a procura itera (Despesa de Cosumo Fial das Famílias e das Admiistrações Públicas e das ISFLSF + FBCF) e a procura extera líquida (exportações totais meos importações). Facilmete se costata que o total é igual à soma das partes: Y cost,t = Pi0 = it i i Pi0 + it x x Pi0, para qualquer t. it Esta propriedade deixa de ser válida a partir de t = 2 quado se tomam os valores ecadeados, como se verá em seguida. Prelimiarmete, cosidere-se de ovo as duas compoetes do PIB e cosidere-se o caso de ecadeameto, com t = 2: Y ec,2 = P. i0 i1 P P i1 i2 i1 i1 = i i x x = ( + i0 ). ( i0 P it P it P i i i1 i2 i1 i2 P i i i1 1 i1 i i1 P P x x x x ) (a) Note-se a idetidade dos factores homólogos do produto de cada lado da igualdade. Na verdade o que se tem é a aplicação da taxa de variação do PIB do ao 2 (dada por um ídice de Laspeyres de base móvel) ao PIB do ao aterior (t = 1) a preços do ao de referêcia (t = 0). Ficou assim calculado directamete o agregado em causa. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 68

70 Compreeder a Cotabilidade Nacioal Tome-se agora cada uma das compoetes do PIB e apliquem-se as correspodetes taxas de variação em volume, calculadas do mesmo modo, aos correspodetes valores a preços do ao base, somado-se em seguida: Y i ec2 + Y x ec2 = i i. P i0 i1 P i P i i i1 i2 i i1 i1 + x x. P i0 i1 P P x x x i1 i2 x i1 i1 Facilmete se coclui que a igualdade (a) é diferete da igualdade (b), isto é todo é diferete da soma das partes. Em resultado desta característica, o PIB ecadeado em volume, difudido pelas Cotas Nacioais Trimestrais, iclui o valor das discrepâcias associado a esta ão aditividade. (b) O Caso das Cotas Nacioais Portuguesas Veja-se os resultados obtidos pelo INE, tomado a Cotabilidade Aual e Trimestral (ova base de 2006 e dados ecadeados em volume, com ao de referêcia 2006, respectivamete): Ecadeameto em volume: Ievitavelmete, os dados a preços do ao aterior são diferetes dos ecadeados em volume. Mas as taxas de variação em volume são idêticas. U.: 10 6 euros PIB Cotabilidade Nacioal Aual PIB Cotabilidade Nacioal Trimestral F: INE Aos preços corretes preços do ao aterior taxas de variação em volume preços corretes ecadeados em volume Base 2006 taxas de variação em volume Determiação dos deflatores: Nas cotas auais, utilizado os valores a preços corretes e a preços do ao aterior, calculam-se os deflatores (Paasche móvel), sedo que o resultado é DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 69

71 Compreeder a Cotabilidade Nacioal imediatamete a taxa iteira. O cálculo das taxas de variação percetuais decorre desde cálculo iicial. U.: 10 6 euros PIB Cotabilidade Nacioal Aual PIB Cotabilidade Nacioal Trimestral F: INE Aos preços corretes preços do ao aterior taxas de variação em volume preços corretes ecadeados em volume Base 2006 taxas de variação em volume uado se utilizam os volumes ecadeados, os deflatores têm um ao de referêcia, o caso o ao A partir daqui calculam-se as taxas de variação. Como se esperaria as taxas de variação dos preços são idêticas. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 70

72 Compreeder a Cotabilidade Nacioal U.: 10 6 euros Aos preços corretes ecadeados em volume Base 2006 PIB Cotabilidade Nacioal Trimestral taxas de variação em valor deflator taxas de variação do deflator F: INE REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS EUROSTAT, (1996), Europea System of Accouts ESA 95, (SEC 95, Sistema Itegrado de Cotas Nacioais e Regioais da Comuidade, Regulameto (CE) º 2223/96 do Coselho de 25 de Juho de 1996, Joral Oficial das Comuidades L310, 30 de Novembro de 1996). ONU (1993), SNA 93, System of Natioal Accouts. SANTOS, D. (1999), Cotabilidade Nacioal, Uiversidade Nova de Lisboa/Istituto Superior de Estatística e Gestão de Iformação, 1999/2000. ARCHAMBAULT, Edith (1988), Comptabilité Natioale, Ecoomica. ONU, Departmet of Ecoomic ad Social Affairs Statistics Divisio (2003), Natio Accouts: A Practical Itroductio. DINÂMIA CET IUL, Cetro de Estudos sobre a Mudaça Socioecoómica e o Território Tel Extesão [email protected] 71

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