Genes Hox e a padronização do esqueleto axial
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- Mônica de Sousa Gama
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1 UNIVERSIDADE DE LISBOA FACULDADE DE CIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA ANIMAL Genes Hox e a padronização do esqueleto axial Andreia Marcelino Nunes Mestrado em Biologia Evolutiva e do Desenvolvimento 2011
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3 UNIVERSIDADE DE LISBOA FACULDADE DE CIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA ANIMAL Genes Hox e a padronização do esqueleto axial Andreia Marcelino Nunes Dissertação orientada por: Doutor Moisés Mallo Perez Professora Doutora Sólveig Thornsteinsdóttir Mestrado em Biologia Evolutiva e do Desenvolvimento 2011
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5 AGRADECIMENTOS Ao longo deste caminho são muitas as pessoas a quem quero agradecer por todo o apoio e ajuda. Quer seja por terem tido um papel activo e mais directo na elaboração da minha tese, quer por terem estado simplesmente presentes, queria agradecer a todos. Quero começar por agradecer ao Moisés, o meu orientador, em primeiro lugar por ter aceitado a minha entrada no seu laboratório e ter, por isso, depositado a sua confiança no trabalho que poderia vir a realizar. Em segundo lugar, quero agradecer pela orientação que deu ao longo da tese, por estar sempre disponível a uns pares de metros para esclarecer qualquer questão. Agradeço todo o conhecimento e entusiasmo que sempre transmitiu ao longo de toda a tese e por todas as sugestões. Quero ainda agradecer toda a ajuda na escrita da tese. Em segundo lugar, quero agradecer à minha orientadora interna, a professora Sólveig, que deu sempre palavras de incentivo e apoio durante as reuniões que foram combinadas ao longo da tese. Pela disponibilidade, pelas palavras sensatas e conselhos e por ter sido literalmente uma orientadora, no sentido de fazer sugestões e questões que ajudaram a pensar sobre as questões subjacentes ao meu trabalho. Quero também agradecer (não podia deixar de ser!) a todo o grupo de trabalho no laboratório, e este grupo inclui não só o grupo do Moisés, mas também o grupo do Joaquín Léon. Sinto que somos praticamente um grupo apenas, que apesar de ter objectos de estudo diferentes funciona como uma equipa que se entreajuda sempre que necessário. Gostaria de agradecer à Isabel por toda a ajuda que me deu no início da tese. Apesar de termos trabalhado juntas e ter sido tua discípula de bancada apenas até Dezembro, a tua ajuda foi essencial. Não só pelos conhecimentos práticos que aprendi contigo, mas também por toda a atitude e postura científica que pude apreender contigo. Em termos práticos, não podia deixar de agradecer a minha iniciação nos Westerns e nos EMSAs! Nem podia deixar de agradecer os teus desenrascanços quando as coisas não podiam ser feitas da forma convencional! Ao Arnon, a quem quero também dizer um grande obrigado pela paciência e por todas as vezes que cascou em mim. Aprendi contigo muitas coisas, entre as quais, o planeamento criterioso das experiências e a aquisição de independência no laboratório. À semelhança do que aconteceu com a Isabel aprendi também contigo muito acerca de postura científica. Ah, e obrigado pela ajuda nas clonagens, claro! Os meus problemas com as clonagens Agradeço à Ana pela boa disposição e pelo incentivo com os resultados que ia obtendo. Não podia também deixar de agradecer a tua precisão como microinjectora já que é graças a ti que existem embriões transgénicos no laboratório e sem isso, o nosso trabalho não teria a mesma relevância. Agradeço à Laure que trabalhou durante uns meses no laboratório e foi sempre uma companhia muito divertida. Uma vizinha de bancada excepcional! À Aybuke, agradeço toda a disponibilidade para ajudar em qualquer aspecto e pela boa disposição. Quero agradecer ainda à Inês que apesar do pouco tempo que passou no laboratório deu dicas muito importantes para a apresentação dos meus EMSAs. E ao membro mais recente do laboratório, à Ana (a Casaca) com quem tive a oportunidade de discutir alguns aspectos da minha tese. Por fim, a todo o grupo da organogénese, que à semelhança de todos os outros membros do laboratório, trouxeram boa disposição ao laboratório. À Joana, pelas tuas palavras sensatas, à Rita, pelo teu
6 espírito positivo e divertido e à Diana, minha contemporânea, por toda a boa música que meteste a tocar! A todos, obrigado por terem partilhado géis de agarose comigo e terem assim contribuído para que fossemos um laboratório mais ecológico (ou mais preguiçoso...)! À parte dos agradecimentos para as pessoas que mais directamente estiveram ligadas à minha tese, queria agradecer a outras pessoas importantes que contribuíram indirectamente para a minha tese, simplesmente por estarem incondicionalmente presentes. Quero agradecer à minha família por estar sempre presentes nos momentos mais marcantes. À minha mãe que deu tudo para que pudesse chegar aqui. Aos meus irmãos Vanessa e Jorge, aos meus tios e tias e aos meus avós. Ao meu pai que já não pode estar presente, mas que à semelhança da minha mãe, contribuiu indiscutivelmente para que eu chegasse aqui. E ah, não me posso esquecer da minha fera! Um obrigado ao Danny, o canito mais maluco e brincalhão de sempre, pela companhia! Quero agradecer ao meu grupo de amigas mais próximas por todos os momentos divertidos e por contribuírem de formas incontáveis para que tudo seja mais fácil. Em primeiro lugar, um obrigado especial para a Patrícia, porque tens sido sempre um pilar fulcral e devo-te muito. Sem ti, tudo seria mais complicado. Maggie, obrigado pela tua tosquice e pela constante preocupação e apoio. Inês, pelo teu incentivo e pela disponibilidade incondicional. À Rachel, pelo interesse no trabalho e pelo incentivo. À Sofs, por toda diversão que a tua companhia sempre proporciona. E à Juanita e à Vanessa, que com vossa presença sempre muito recatada, estiveram sempre presentes com toda a vossa boa vontade. A todos, um grande obrigado!!! P.S.: Esta é para os que quiseram que eu contasse os meus EMSA e que acharam divertido nos vários lab meetings eu dizer que tinha feito uns novos EMSAs durante essa semana: VIVA OS EMSAS!
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8 RESUMO Os genes Hox são considerados os motores da padronização antero-posterior nos Bilatéria. Nos Vertebrados, estes factores de transcrição desempenham um papel essencial no desenvolvimento do esqueleto axial. As proteínas Hox dos grupos parálogos 6 e 10 encontramse envolvidas no desenvolvimento da região torácica e lombar, respectivamente, através da ligação ao enhancer H1 dos genes Myf5 e MYf6 que permite regular a expressão destes no miótomo hipaxial. Apesar de os genes Hox apresentarem elevada especificidade funcional in - vivo, as análises da sequência do homeodomínio revelaram-se insuficientes para explicar esta especificidade. Este trabalho teve como um dos seus objectivos, avaliar o impacto de uma variação nucleotídica nas sequências alvo das proteínas Hox dos enhancers H1 da cobra e do elefante na padronização do esqueleto destes animais. Os dados obtidos fornecem indicações de que esta variação é importante para a padronização dos esqueletos da cobra e do elefante, dado que as proteínas Hoxa10 têm reduzida afinidade para o enhancer H1 da cobra e do elefante. Os nossos resultados mostram também que Hoxb6 forma um complexo com Pax3 com capacidade de ligação ao enhancer H1 de ratinho, uma capacidade não partilhada por Hoxa10. Surpreendentemente, apesar de Hoxb6 não ser capaz de ligar-se individualmente ao enhancer H1 da cobra e do elefante, é capaz de ligar-se a este enhancer em forma de complexo com Pax3. À semelhança de Hoxb6, Hoxb9 apresenta também capacidade de ligação ao enhancer H1 em complexo com Pax3. O segundo objectivo deste trabalho consistiu no estudo de possíveis assinaturas moleculares das proteínas Hox10 e Hox6. Os dados obtidos demonstraram que os resíduos treonina e serina do motivo NWLTAKSG de Hoxa10 são necessários para a ligação destas proteínas ao enhancer H1. Ainda não foram obtidos dados acerca da relevância do motivo YPWM e da linker region para a função das proteínas Hox6. Palavras-chave: Genes Hox, Padronização do esqueleto axial, Enhancer H1, Afinidade de ligação, Especificidade funcional VIII
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10 ABSTRACT Hox genes are considered the main engines of bilaterian anterior-posterior patterning. In vertebrates, these transcription factors play a central role in axial skeleton development. Hox proteins of the groups 6 and 10 are involved in the development of the thoracic and lumbar regions, respectively, through their binding to the H1 enhancer which regulates Myf5 and Myf6 expression in the hypaxial myotome. Although Hox genes have a high functional specificity in -vivo, sequence analysis of the homeodomain fail to explain this specificity. In this work, one of the main goals was to study the possible relevance of a nucleotide variation in the Hox binding site present in the H1 enhancer of snakes and elephants for skeletal patterning in these animals. We show that this might indeed be the case, as Hoxa10 binds with very low affinity to H1 enhancer of snake and elephant. We also show that Hoxb6, but not Hoxa10, binds to the mouse H1 enhancer as a complex with Pax3. On its own, Hoxb6 also presented low affinity for the H1 enhancer of snake and elephant, but it was able to bind this enhancer as a complex with Pax3. Similar to Hoxb6, Hoxb9 also forms a complex with Pax3 able to bind to the mouse H1 enhancer. The second objective of this work was to study possible molecular signatures of Hox10 and Hox6 proteins. The analysis of Hoxa10 proteins with mutations in their NWLTAKSG motif showed that the threonine and serine residues of this motif are necessary for high affinity binding of Hoxa10 to the H1 enhancer. Until now, there s no data concerning the importance of the YPWM and linker region of Hoxb6 for its patterning function. Key-words: Hox genes, Axial Patterning, Binding affinity, Enhancer H1, Functional Specificity X
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12 ÍNDICE AGRADECIMENTOS V RESUMO VIII ABSTRACT X I. INTRODUÇÃO 2 I.1 Esqueleto axial 2 I.1.1 Fórmula vertebral 2 I.1.2 Origem embrionária do esqueleto axial 2 I.2 Genes Hox e a padronização do esqueleto axial 3 I.2.1 O que são genes Hox? 3 I.2.2 Padronização do esqueleto axial 4 I Envolvimento dos genes Hox na padronização do esqueleto axial 4 I Início, estabelecimento e manutenção dos domínios de expressão dos genes Hox 5 I Envolvimento dos genes Hox de diferentes grupos parálogos na padronização do esqueleto axial 6 I Desenvolvimento da caixa torácica 6 I Desenvolvimento da região lombar 8 I Mecanismo de actuação das proteínas Hox6 e Hox10 8 I Especificidade Funcional 10 I.3 O caso da cobra 11 I.4 Objectivos 13 II. MATERIAIS E MÉTODOS 15 II.1 Produção de transgénicos 15 II.1.1 Mutagénese por PCR (Polymerase Chain Reaction) 15 II.1.2 Clonagem 17 II Mini-preparação (cultura primária) 18 II Midi-preparação (cultura secundária) 18 II.2 Ensaios da capacidade de ligação ao ADN 18 II.2.1 Produção de proteínas 18 II Produção de proteínas pelo sistema TNT 19 II Reacção de transcrição e tradução 19 II Produção de extractos nucleares de células 293T transfectadas 20 II Cultura celular 20 II Transfecção 20 II Recolha de extractos nucleares 20 II Western blot 21 II Imunodepleção 21 II.2.2 EMSA (Electrophoretic mobility shift assay) 22 II Marcação do ADN com radioactividade 22 II Ensaio de ligação 23 III. RESULTADOS 25 XII
13 III.1 Qual o número de costelas a desenvolver? : O caso da cobra e do elefante 25 III.2 Interacções entre proteínas Hox e Pax3 27 III.2.1 Interacção entre Hoxb6 e Pax3 27 III.2.2 Interacção entre Hoxb9 e Pax3 32 III.3 Especificidade funcional 34 III.3.1 Especificidade funcional das proteínas Hox10 34 III.3.2 Especificidade funcional das proteínas Hox6 36 IV. DISCUSSÃO 39 IV.1 O caso da cobra e do elefante 39 IV.2 Interacções entre proteínas Hox e Pax3 41 IV.3 Especificidade funcional das proteínas Hox10 e Hox6 42 IV.4 Conclusões e direcções futuras 43 V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 45 ANEXO I- Procedimentos AI-II ANEXO II- Soluções, Meios, Tampões e Kits AII-II ANEXO III- Sequências de ADN AIII-II ANEXO IV- Mapas de vectores plasmídicos AIV-II XIII
14 Introdução CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO 1
15 Introdução I. INTRODUÇÃO I.1 Esqueleto axial I.1.1 Fórmula vertebral O esqueleto axial dos vertebrados encontra-se dividido em vértebras cervicais, torácicas, lombares, sacrais e caudais. O número de vértebras que constitui cada uma das regiões (fórmula vertebral) varia entre grupos de vertebrados. O ratinho, a cobra e o elefante são exemplos relevantes para este estudo. O ratinho (Mus musculus) possui 7 vértebras cervicais, 13 torácicas, 6 lombares, 4 sacrais e aproximadamente 28 caudais, mas as cobras podem ter mais de 200 vértebras torácicas. Os elefantes possuem 7 vértebras cervicais, 19 a 21 torácicas, 4 a 5 lombares, 4 a 5 sacrais e 24 a 33 caudais. I.1.2 Origem embrionária do esqueleto axial As vértebras têm origem nos sómitos, estruturas epiteliais transientes que se formam a partir da segmentação da mesoderme pré-somítica (PSM). A segmentação sequencial da PSM origina pares de sómitos que flanqueiam o tubo neural (Gilbert, 2006). A segmentação tem por base um mecanismo que assenta em dois processos. Por um lado, a periodicidade da formação dos sómitos é definida por um oscilador, o relógio de segmentação, que se baseia na expressão cíclica de genes, nomeadamente genes associados à sinalização Notch e Wnt. Por outro lado, a somitogénese depende também de gradientes opostos de Wnt/Fgf (gradiente caudal-rostral) e de ácido retinóico (grandiente rostral-caudal) que definem a competência das células para responderem ao relógio de segmentação e permitem definir o local de segmentação da PSM (Dubrulle et al., 2004). Numa fase mais avançada do desenvolvimento, os sómitos passam por um processo de diferenciação, durante o qual o lado ventro-mediano do sómito sofre uma transição epitéliomesênquima que origina o esclerótomo. Durante esta diferenciação, o lado dorso-lateral mantém-se epitelial e dá origem ao dermamiótomo (figura 1B). Posteriormente, a delaminação das células do dermamiótomo gera uma camada de células abaixo do próprio dermamiótomo designada por miótomo (figura 1C) (Brent et al., 2002; Gilbert, 2006). O esclerótomo é depois subdividido em esclerótomo ventral e sindótomo dorsal (figura 1D) (Brent et al., 2003). Enquanto o dermamiótomo dá origem à derme e ao músculo, o miótomo dá origem a uma porção do músculo, o esclerótomo origina as vértebras e as costelas e o sindótomo origina os tendões dos músculos axiais (Brent et al., 2002; Brent et al., 2003; Monsoro-Burq, 2005). Cada vértebra é formada a partir de 2/3 da parte posterior do sómito mais anterior e 1/3 da parte anterior do sómito mais posterior durante o processo de ressegmentação (Gilbert, 2006). 2
16 Introdução Figura 1- Processo de diferenciação do sómito. (A) Formação do sómito epitelial. (B) Diferenciação do sómito epitelial em esclerótomo e dermamiótomo. (C) Diferenciação do miótomo. (D) Diferenciação do sindótomo (NT: Tubo neural, NC: Notocorda, DM: Dermamiótomo, E: Esclerótomo, ME: Miótomo epaxial, MH: Miótomo hipaxial, S: Sindótomo). I.2 Genes Hox e a padronização do esqueleto axial I.2.1 O que são genes Hox? Os genes Hox codificam factores de transcrição envolvidos na padronização axial dos Bilatéria. Os padrões destes genes foram definidos como o zoótipo, conjunto de padrões que definem a morfogénese dos animais, devido à sua elevada conservação nos Metazoa. Considera-se que a diversificação dos planos corporais se deveu principalmente a alterações evolutivas envolvendo estes genes (Favier and Dollé, 1997; Slack et al., 1993). Os genes Hox foram inicialmente descobertos por Eward B. Lewis quando associou as mutações destes genes a alterações homeóticas- modificação da identidade de um segmento para a identidade de outro segmento. Numa das mutações estudadas, Lewis verificou que alteração do gene ANTENNAPEDIA resultava no desenvolvimento de patas no lugar das antenas (Lewis, 1978). Dada a associação a mutações homeóticas, estes genes passaram a ser designados por genes homeóticos (HOM). Em Drosophila, o complexo homéotico (Hom-C) é composto por 8 genes agrupados em dois complexos diferentes: Antennapedia com 5 genes, e Ultrabithorax com 3 genes (figura 2) (Lewis, 1978). No caso dos vertebrados, os genes Hox encontram-se geralmente organizados em 4 clusters: HoxA, B, C e D (figura 2) (Pearson et al., 2005). Considera-se que no estado ancestral, estes genes encontravam-se organizados num cluster, mas duplicações em tandem e posteriores duplicações do genoma originaram os 4 clusters presentes na maioria dos vertebrados (Wellik, 2007). O peixe-zebra é uma excepção, apresentando 7 clusters que se pensa terem resultado de uma duplicação extra e da perda posterior de um dos clusters (Mallo et al., 2010). Dentro de cada cluster, os genes estão agrupados em diferentes grupos parálogos (GP) segundo a correspondência posicional e a semelhança da sequência. Nos mamíferos existem 39 genes organizados em 13 grupos parálogos (figura 2) (Pearson et al., 2005). A activação sequencial destes genes é dependente da sua posição no cluster e é conhecida como colinearidade temporal. Os genes Hox são activados a partir de 3 para 5, sendo que os genes a 3 do cluster são expressos mais cedo e especificam estruturas mais anteriores, enquanto os genes a 5 do cluster são expressos mais tarde e especificam estruturas mais posteriores (Duboule and Dollé, 1989; Kmita and Duboule, 2003; Zákány et al., 1999). A expressão sequencial em diferentes células recrutadas para a PSM reflecte-se na 3
17 Introdução determinação de diferentes limites anteriores de expressão e resulta numa colinearidade espacial (Wellik, 2007). Figura 2- Organização dos genes Hox em clusters em D. melanogaster e Mus musculus. No topo encontra-se a representação esquemática dos genes Hox nos clusters com um código de cores indicativo dos genes pertencentes a cada grupo parálogo. Abaixo da representação esquemática dos clusters encontra-se a representação esquemática dos domínios de expressão dos genes Hox em Drosophila melanogaster e Mus musculus com o código de cores utilizado no esquema do topo. Adaptado a partir de Pearson et al., I.2.2 Padronização do esqueleto axial I Envolvimento dos genes Hox na padronização do esqueleto axial O envolvimento dos genes Hox no controlo e evolução do esqueleto axial foi inicialmente sugerido através da comparação dos padrões de expressão nos sómitos em espécies com diferentes fórmulas vertebrais (Burke et al., 1995; Gaunt et al., 1994). Nestes estudos, compreendeu-se que o limite anterior de expressão de genes Hox equivalentes em diferentes espécies não era mantida nos mesmos sómitos, mas era mantida segundo assinaturas anatómicas específicas (figura 3) (Burke et al., 1995; Gaunt et al., 1994). Verificouse também que deslocações na expressão de genes Hox em diferentes áreas ao longo do eixo se reflectiam na expansão ou contracção de regiões morfológicas (Burke et al., 1995). Estas observações são consistentes com os resultados da expressão ectópica ou inactivação de genes Hox, cujos fenótipos no esqueleto axial podem ser classificados como alterações de identidade (Krumlauf, 1994). Surgem também em concordância com experiências de transplantes que demonstraram que os sómitos já têm informação posicional quando são formados na PSM (Kieny et al., 1972). Em transplantes heterotópicos, o transplante mantém a identidade do dador e a expressão dos genes Hox não é alterada conforme a nova localização (Kieny et al., 1972; Nowicki and Burke, 2000). 4
18 Introdução Figura 3- Padrões de expressão dos genes Hox ao longo do esqueleto axial em Mus musculus. As barras com gradientes de cores representam os gradientes de expressão dos genes ao longo do esqueleto axial (C em fundo verde: Cervical, T: Torácica, L: Lombar, S: Sacral, C em fundo vermelho: Caudal). Adaptado a partir de Burke et al., 1995, Favier and Dollé, 1997 e Wellik, I Início, estabelecimento e manutenção dos domínios de expressão dos genes Hox A transcrição dos genes Hox inicia-se na região posterior da linha primitiva segundo a expressão colinear destes que determina não só os domínios iniciais de expressão que se estendem rostralmente para atingir a parte anterior da linha primitiva, mas também o momento de entrada das células no sulco (Deschamps et al., 2005; Forlani et al., 2003; Iimura and Pourquié, 2006). Nesta fase inicial, a expressão dos genes Hox é regulada por sinalização Wnt, sinalização Fgf e ácido retinóico (Deschamps et al., 1999; Deschamps et al., 2005; Forlani et al., 2003). Estudos de Kondo e Duboule demonstraram também que o início da transcrição é regulado por um mecanismo de repressão que regula a transcrição progressiva ao longo do cluster (Kondo and Duboule, 1999). Na mesoderme pré-somítica, as células são expostas a novos sinais que regulam os padrões de expressão dos genes Hox. Diferentes estudos demonstraram que as sinalizações envolvidas no relógio de segmentação como Notch e Fgf modulam a expressão dos genes Hox na mesoderme pré-somítica. Na ausência do efector da sinalização Notch, RBPJk, a expressão dos genes Hoxd1 e Hoxd3 deixa de ser detectada na mesoderme pré-somítica e somítica (Zákány et al., 2001). O tratamento com esferas de Fgf8 altera não só a taxa de somitogénese, mas também os padrões de expressão de genes Hox nos sómitos (Dubrulle et al., 2001). Os padrões de expressão inicialmente estabelecidos na mesoderme e na neuroectoderme estendem-se para posições mais rostrais que os padrões definitivos. Entre os 5
19 Introdução genes que interferem no refinamento dos padrões de expressão dos genes Hox encontram-se os genes Cdx (Deschamps et al., 1999). Existem também enhancers que são importantes para a determinação dos limites definitivos de expressão anterior dos genes Hox (Gould et al., 1997). A manutenção dos domínios de expressão depende pelo menos em parte da actuação a longo prazo de proteínas de regulação do estado da cromatina dos grupos Polycomb e Trithorax que mantém, respectivamente, o estado de repressão e de activação da transcrição dos genes Hox (Deschamps et al., 1999). I Envolvimento dos genes Hox de diferentes grupos parálogos na padronização do esqueleto axial Os genes de cada grupo parálogo têm sido especificamente associados à padronização de diferentes regiões do esqueleto e do tubo neural (Alexander et al., 2009; Mallo et al., 2010). Os genes dos grupos parálogos 1 a 4 têm sido associados à padronização do rombencéfalo, mas os genes Hox3 e Hox4 desempenham também funções no desenvolvimento da região cervical (Alexander et al., 2009; Mallo et al., 2009). Os genes posteriores a estes têm sido associados ao desenvolvimento do esqueleto axial e ao desenvolvimento dos neurónios na medula espinal ao longo do eixo axial (Alexander et al., 2009; Jessell, 2000). Os genes Hox5, Hox6, Hox7, Hox8 e Hox9 encontram-se envolvidos no desenvolvimento da região torácica (Chen et al., 1998; McIntyre et al., 2007; Vinagre et al., 2010). Por sua vez, os genes Hox10 desempenham um papel preponderante no desenvolvimento da região lombar e contribuem para o desenvolvimento da região sacral (Carapuço et al., 2005; Wellik and Capecchi, 2003). O desenvolvimento da região sacral depende principalmente da acção dos genes Hox11, mas estes genes intervêm também no desenvolvimento de vértebras caudais (Carapuço et al., 2005; Wellik and Capecchi, 2003). Por fim, os genes Hox13 participam na conclusão da extensão do eixo, actuando como inibidores da extensão do eixo (Young et al., 2009). Na extensão do eixo encontram-se também envolvidos os genes Cdx e a sinalização Wnt que actuam como indutores na extensão do eixo, em oposição aos genes Hox13 e ao ácido retinóico (Mallo et al., 2010). I Desenvolvimento da caixa torácica A caixa torácica é constituída por vértebras com costelas ligadas ao esterno (esternais) e vértebras com costelas não ligadas ao esterno (flutuantes). A vértebra e a costela têm origem no esclerótomo, mas existem indicações de que porção mais distal das costelas tem origem na contribuição conjunta de células do esclerótomo e células do dermamiótomo que migram para a mesoderme lateral (figura 4) (Aoyama et al., 2005; Nowicki and Burke, 2000). O esterno tem origem na mesoderme lateral (Sudo et al., 2001). 6
20 Introdução Figura 4- Estrutura da costela. O esquema representativo da vértebra torácica e da costela distingue as diferentes regiões da costela e indica as respectivas origens embrionárias. Adaptado a partir de Aoyama et al., O desenvolvimento da caixa torácica tem sido atribuído aos genes Hox5, Hox6, Hox7, Hox8 e Hox9 (Chen et al., 1998; McIntyre et al., 2007; Van Den Akker et al., 2001). A transição cervico-torácica é definida pelo início da expressão dos genes Hox6 (Burke et al., 1995; Gaunt et al., 1994). Embriões mutantes dos genes Hox5, Hox7 e Hox8 apresentam fenótipos relacionados com o desenvolvimento de costelas e do esterno (Chen et al., 1998; McIntyre et al., 2007; Van Den Akker et al., 2001). Em mutantes triplos de genes Hox6, as costelas esternais e o esterno encontram-se fracamente desenvolvidos ou ausentes (figura 5B) (McIntyre et al., Figura 5- Fenótipos de embriões mutantes de Hox6 e Hox9 e transgénicos de Hoxb6. (A) Embrião E18.5 wt. (B) Embrião E18.5 mutante triplo de Hox6. (C) Embrião E18.5 mutante quádruplo de Hox9. (D) Embrião E18.5 wt. (E) Embrião E18.5 transgénico com sobrexpressão de Hoxb6 na PSM. Adaptado a partir de McIntyre et al., 2007 e Vinagre et al.,
21 Introdução 2007). Sobrexpressão de Hoxb6 na PSM resulta no desenvolvimento de embriões com costelas ectópicas ao longo de todo o esqueleto axial (figura 5E) (Vinagre et al., 2010). Em conjunto, os estudos realizados demonstram que os genes Hox6 encontram-se envolvidos na indução da formação de costelas (Burke et al., 1995; Gaunt, 1994; McIntyre et al., 2007; Vinagre et al., 2010). A análise de embriões mutantes quádruplos dos genes Hox9 com 4 costelas extra nas vértebras lombares e ligação das costelas ao esterno nas vértebras mais posteriores releva o envolvimento destes genes no desenvolvimento de costelas flutuantes (figura 5C) (McIntyre et al., 2007). I Desenvolvimento da região lombar Os genes Hox são responsáveis pela padronização da região lombar, mais especificamente pela inibição do desenvolvimento de costelas. Mutantes triplos dos genes Hox10 carecem totalmente de região lombar e apresentam vértebras lombares e sacrais com características morfológicas de vértebras torácicas, nomeadamente protusões de costelas (figura 6B) (Wellik and Capecchi, 2003). Sobrexpressão dos genes Hox10 resulta no desenvolvimento de embriões sem costelas (figura 6D) (Carapuço et al., 2005). Figura 6- Fenótipos de embriões mutantes e transgénicos dos genes Hox10. (A) Embrião E18.5 wt. (B) Embrião E18.5 mutante triplo de Hox10. (C) Embrião E18.5 wt. (D) Embrião E18.5 transgénico com sobrexpressão de Hoxa10 na PSM (o asterisco negro indica a ausência de costelas). Adaptado a partir de Carapuço et al., 2005 e Wellik and Capecchi, I Mecanismo de actuação das proteínas Hox6 e Hox10 Ao contrário de outros genes Hox cuja actividade é exercida através da expressão nos sómitos, os genes Hox6 e Hox10 exercem a sua actividade através da sua expressão na PSM (Carapuço et al., 2005; Vinagre et al., 2010). A informação para especificar a região torácica e 8
22 Introdução lombar, conferida pelas proteínas dos grupos parálogos 6 e 10, respectivamente, é interpretada no miótomo hipaxial através dos níveis de expressão de Myf5 e Myf6 durante o desenvolvimento normal (Vinagre et al., 2010). O envolvimento de Myf5 e Myf6 no desenvolvimento das costelas foi inicialmente demonstrado com análise de embriões mutantes, nos quais há ausência de costelas (Braun and Hans-Henning, 1995). Enquanto a expressão de Hoxb6 induz a expressão de Myf5 e Myf6 no miótomo hipaxial dos sómitos entre os membros (sómitos que originarão a futura região torácica), a expressão de Hoxa10 inibe a expressão de Myf5 e Myf6 no miótomo hipaxial dos sómitos da futura região lombar (sómitos na região do rebento do membro inferior) (figura 7). A regulação da expressão de Myf5 e Myf6 pelas proteínas Hox é efectuada a partir da ligação ao enhancer denominado por elemento homólogo 1 (H1) que demonstrou ser essencial para a expressão de Myf5 no miótomo hipaxial (figura 6) (Bucherger et al., 2007; Vinagre et al., 2010). Este elemento é constituído por 147 pares de bases e apresenta na sua sequência, a sequência CTAATTG, correspondente a uma sequência alvo das proteínas Hox (Buchberger et al., 2007; Vinagre et al., 2010). Ao analisar o elemento H1, diferentes estudos demonstraram que além das proteínas Hox, Pax3 e Six1 possuem sequências alvo no enhancer H1 e são necessários para a expressão de Myf5 no miótomo hipaxial (Bajard et al., 2006; Buchberger et al., 2007; Giordani et al., 2007). Tanto na regulação mediada pelas proteínas Hox6 como pelas proteínas Hox10, a regulação da expressão de Myf5 e Myf6 no miótomo hipaxial afecta a expressão de Fgf4 e Pdgfα no miótomo, que por sua vez, actuam no esclerótomo (Vinagre et al., 2010). Figura 7- Mecanismo de actuação das proteínas Hox6 e Hox10 na padronização da região torácica e da região lombar. As proteínas Hox6 e Hox10 regulam a expressão de Myf5 e Myf6 no miótomo hipaxial através da ligação ao elemento H1 (NT: Tubo neural, NC: Notocorda, DM: Dermamiótomo, ME: Miótomo epaxial, MH: Miótomo hipaxial, E: Esclerótomo). Adaptado a partir de Vinagre et al.,
23 Introdução Em concordância com os estudos que reportam o envolvimento de Pax3 e Six1 na regulação da expressão de Myf5 e a associação desta regulação ao desenvolvimento de costelas, mutações nos genes Six1 e Pax3 demonstraram que estes genes estão envolvidos no desenvolvimento do esqueleto axial. O gene Six1 é expresso nos sómitos e desempenha um papel na miogénese primária (Giordani et al., 2007; Kawakami et al., 2000; Laclef et al., 2003). Embriões homozigóticos com mutação em Six1 apresentam bifurcação de costelas, fusão de segmentos de cartilagem entre costelas adjacentes e costelas truncadas na região distal. O esterno apresenta também problemas de desenvolvimento (Laclef et al., 2003). O gene Pax3 é transcrito ao longo dos sómitos epiteliais antes de a sua expressão ser restrita ao dermamiótomo onde a sua expressão é depois mantida e aumentada na porção ventrolateral do dermamiótomo (Goulding et al., 1994). A expressão de Pax3 na PSM foi descrita utilizando como ferramenta o repórter lacz, mas a sua expressão na PSM não foi detectada com hibridação in -situ em ratinho (Buckingham et al., 2003; Relaix et al., 2003). Pax3 desempenha um papel essencial na miogénese regulando a expressão de Myf5, após uma fase inicial de expressão de Myf5 independente de Pax3 (Bajard et al., 2006). Os embriões mutantes de Pax3 apresentam fusão da região distal de costelas adjacentes (Relaix et al., 2003). I Especificidade Funcional Os genes Hox apresentam duas facetas relativamente à sua capacidade funcional. Por um lado, os genes de diferentes grupos parálogos estão envolvidos na especificação de diferentes regiões ao longo do esqueleto axial. Por outro, os genes pertencentes a um grupo parálogo apresentam elevada redundância entre si. Por exemplo, embriões mutantes dos genes Hox10 só apresentam fenótipos severos na região lombar se todos os alelos estiverem mutados (Wellik and Capecchi, 2003). As proteínas Hox regulam a transcrição de diferentes genes alvo através da ligação do homeodomínio (domínio de 60 aminoácidos) ao ADN (Veraksa et al., 2000). No entanto, o homeodomínio é encontrado em diversos factores de transcrição e apresenta elevado grau de conservação. Apesar de o homeodomínio apresentar baixa especificidade de ligação ao ADN in-vitro, as proteínas Hox apresentam elevada especificidade funcional in -vivo (Merabet et al., 2009). Dentro do homeodomínio existem 4 resíduos de aminoácidos não conservados entre as homeoproteínas, mas apenas um resíduo discrimina as proteínas Hox das outras homeoproteínas (Merabet et al., 2009). Na terceira hélice do homeodomínio (figura 8), embora os resíduos de reconhecimento do ADN sejam idênticos entre as proteínas Hox, existem diferenças nesta região que permitem diferenciar os genes Hox mais anteriores dos mais posteriores (Merabet et al., 2009). Dado que as diferenças encontradas nos homeodomínios das proteínas Hox são insuficientes para explicar as diferentes funções específicas que estas apresentam, outras partes das proteínas devem ser consideradas. Uma das regiões conservadas nas proteínas Hox dos grupos parálogos 1 a 8 é o motivo YPWM, a jusante do homeodomínio. A distância entre o motivo YPWM e o homeodomínio (linker region) destaca-se pela sua conservação entre as proteínas do mesmo grupo parálogo e por ser específica de cada grupo parálogo. Em conjunto, a linker region e o motivo YPWM são considerados suficientes para classificar as proteínas Hox nos respectivos grupos parálogos 10
24 Introdução (Merabet et al., 2009). No caso das proteínas Hox9 e Hox10, o motivo adjacente ao lado N- terminal do homeodomínio é totalmente conservado entre as proteínas do mesmo grupo parálogo e em parte conservado entre as proteínas Hox10 e Hox9 (NWLHARGS nas proteínas Hox9 e NWLTAKGS nas proteínas Hox10) (Sharkey et al., 1997). As proteínas Hox10 possuem outro conjunto de resíduos conservados (RENRIRELT) adjacente ao lado C-terminal do homeodomínio (Sharkey et al., 1997). A importância de co-factores na aquisição de especificidade por parte das proteínas Hox também tem sido estudada. As homeoproteínas das sub-classes PBC e MEIS da classe TALE (Three Amino Acid Loop Extension) são consideradas os principais co-factores Hox (Moens and Selleri, 2006). Os genes mais estudados são os Pbx (classe PBC), cujos mutantes apresentam defeitos no esqueleto axial. A perda de função de Pbx1 gera embriões sem a porção distal das costelas e grande redução do esterno (Selleri et al., 2001). Estudos anteriores demonstraram que o motivo YPWM é relevante para a interacção com Pbx (Merabet et al., 2009). Figura 8- Estrutura do homeodomínio. O homeodomínio é constituído pelo braço N-terminal (NT), por 3 hélices e 2 loops que se localizam entre as hélices. Adaptado a partir de Sharkey et al., I.3 O caso da cobra As cobras permanecem um dos casos mais intrigantes na diversidade do esqueleto nos vertebrados devido ao invulgar esqueleto que apresentam com mais de 200 vértebras torácicas e mais de 300 vértebras no total. Estudos recentes permitiram esclarecer alguns aspectos do desenvolvimento do esqueleto na cobra. Relativamente ao número total de vértebras foi demonstrado que o número invulgar de vértebras está relacionado com a taxa de segmentação na PSM e a taxa de geração de células na PSM. Dado que na cobra, a taxa de oscilação dos genes do relógio molecular é muito superior à taxa de geração de células na PSM, a razão entre as duas taxas resulta num maior número de segmentações concluídas e consequentemente num maior número de sómitos (Gomez et al., 2008). Quanto à padronização do esqueleto, a primeira hipótese que se teceu para a ausência de região lombar na cobra prendeu-se com a possibilidade de existir uma homogeneização dos domínios de expressão dos genes Hox. No entanto, esse não parece ser o caso da cobra. O esqueleto da cobra da espécie Pantherophis guttatus é composto por 3 vértebras cervicais (atlas, áxis e uma terceira vértebra cervical), 231 vértebras torácicas, 4 vértebras correspondentes à cloaca e 70 vértebras caudais (Woltering et al., 2009). Nesta cobra, os 11
25 Introdução padrões de expressão de vários genes Hox que definem transições anatómicas são mantidos de acordo com descrições anteriores (Woltering et al., 2009). No caso do gene Hoxb4, este permanece expresso na região do atlas, enquanto Hoxa6 é expresso na transição cervicotorácica e Hoxc13 encontra-se expresso na transição para a região caudal (Woltering et al., 2009). Existem também padrões de expressão definidos para os genes Hox10 (Di Poï et al., 2010; Woltering et al., 2009). O gene Hoxc10 é expresso nos 60 sómitos mais posteriores das futuras vértebras torácicas (Woltering et al., 2009) e Hoxa10 é também expresso nos sómitos da futura região torácica (Di Poï et al., 2010). Por sua vez, Hoxd10 é expresso nos sómitos da futura primeira vértebra caudal (Di Poï et al., 2010). Porém, os padrões de expressão dos genes Hox10 não são compatíveis com a sua função na padronização da região lombar, já que Hoxa10 e Hoxc10 se encontram expressos na região torácica que desenvolve costelas (Carapuço et al., 2005; Wellik and Capecchi, 2003). Dados estes resultados foi sugerido por Di Poï et al. que devido ao maior número de alterações nas proteínas do grupo 10, estas terão perdido funcionalidade na cobra (Di Poï et al., 2010). Contudo, foi recentemente demonstrado que as proteínas Hoxa10 da cobra são funcionais (Mallo et al., dados não publicados). Sobrexpressão da proteína Hoxa10 de cobra na PSM resulta no desenvolvimento de embriões sem costelas, um fenótipo idêntico ao obtido com sobrexpressão da proteína Hoxa10 de ratinho na PSM (figura 9) (Mallo et al., dados não publicados). A comparação da sequência do elemento H1 entre várias espécies permitiu identificar uma variação nucleotídica na sequência alvo das proteínas Hox nos genomas das cobras e dos elefantes (figura 10) (Mallo et al., dados não publicados). Todavia, ainda não foram realizados estudos para analisar a relevância desta variação nucleotídica. À semelhança da cobra, os elefantes possuem mais vértebras torácicas que o ratinho. Os elefantes possuem 19 a 21 vértebras torácicas e 4 a 5 lombares. Contudo, ao contrário da cobra, para a qual foram realizados estudos acerca dos padrões de expressão dos genes Hox, para os elefantes ainda não foram obtidas quaisquer informações que permitam esclarecer a padronização do esqueleto neste mamífero. Figura 9- Fenótipos de embriões transgénicos com sobrexpressão de Hoxa10 na PSM. (A) Embrião E18.5 transgénico com sobrexpressão de Hoxa10 de ratinho na PSM. (B) Embrião E18.5 transgénico com sobrexpressão de Hoxa10 de cobra (Mallo et al., dados não publicados). 12
26 Introdução Figura 10- Alinhamento das sequências do elemento H1 de diversos vertebrados. O sombreado verde indica o local de ligação das proteínas Hox e o sombreado vermelho indica a variação nucleotídica comum ao elemento H1 dos genomas das cobras e dos elefantes (Mallo et al., dados não publicados). I.4 Objectivos Os resultados obtidos até agora não permitem decifrar o mecanismo por trás da padronização do esqueleto da cobra, dado que apesar de as proteínas Hox10 de cobra serem funcionais, os padrões de expressão de genes Hox não reflectem a sua acção inibidora no desenvolvimento de costelas. Uma hipótese para os resultados obtidos até agora é a diferença no mecanismo que opera na cobra estar relacionada com modificações nas regiões regulatórias dos genes alvo. Foi identificada uma variação nucleotídica no elemento H1 comum aos genomas da cobra e do elefante, ambos com maior número de costelas comparativamente ao ratinho. Com o intuito de avaliar esta hipótese foi avaliado o impacto desta variação nucleotídica presente nos enhancers H1 da cobra e do elefante na padronização destes animais. O segundo objectivo deste trabalho consistiu no estudo da especificidade funcional das proteínas Hox. Os estudos realizados demonstraram que as diferenças no homeodomínio são insuficientes para explicar a especificidade funcional das proteínas Hox. Com esse intento, será estudada a necessidade do motivo NWLTAKGS das proteínas Hox10 e do motivo YPWM e da linker region das proteínas Hox6 para a capacidade de ligação das respectivas proteínas ao H1 e a relevância funcional do motivo YPWM e da linker region para as proteínas Hox6. 13
27 Materiais e Métodos CAPÍTULO II: MATERIAIS E MÉTODOS 14
28 Materiais e Métodos II. MATERIAIS E MÉTODOS II.1 Produção de transgénicos A obtenção de embriões transgénicos assenta na microinjecção de fragmentos em oócitos fertilizados. Para obtenção das construções foram utilizadas técnicas de biologia molecular que permitiram obter no final do processo um fragmento com o gene sob acção do promotor delta-like 1 que permite a expressão na PSM (Beckers et al., 2000). As construções preparadas para microinjecção encontram-se descritas na tabela 1. Tabela 1- Construções para microinjecção. Construção Descrição pdll Hoxb6[YPWMLeu] Gene Hoxb6 com motivo YPWM mutado para LLLL sob acção do promotor delta-like 1 pdll Hoxb6[Linker] Gene Hoxb6 com linker region de 16 aminoácidos sob acção do promotor delta-like 1 pdll Pax3 Gene Pax3 sob acção do promotor delta-like 1 II.1.1 Mutagénese por PCR (Polymerase Chain Reaction) Em alguns casos, o gene nos fragmentos preparados foi mutado. A mutagénese por PCR tem por base a utilização de 3 conjuntos de ciclos de PCR utilizando a enzima polimerase Pfu que possui actividade exonuclease de correcção 3 para 5. O primeiro conjunto de ciclos foi efectuado em 2 reacções separadas (tabela 3), em cada uma das quais foi utilizado um par de oligonucleótidos, um flanqueador e um interno (A e B para reacção 1 e C e D para a reacção 2 na figura 11A e tabela 2). Esta amplificação originou dois fragmentos que sobrepõem-se na região da sequência mutada. Estes fragmentos foram separados num gel de agarose (Separação em gel de agarose em anexo I), purificados através de um kit da QIAGEN de purificação de ADN (Extracção de ADN de gel de agarose em anexo I) e utilizados para um segundo ciclo de PCR. Dado que estes fragmentos têm em comum a região com a sequência mutada, estes hibridizam e as cadeias podem ser completadas a partir dos mesmos (figura 11B). Este segundo ciclo de PCR foi realizado sem oligonucleótidos para que as cadeias fossem completadas a partir dos fragmentos hibridizados (tabela 4). O último conjunto de ciclos consistiu na amplificação final do fragmento com os oligonucleótidos flanqueadores (A e D na figura 11C). Esta amplificação foi realizada imediatamente a seguir ao segundo PCR com a adição de 1 µl de cada um dos oligonucleótidos flanqueadores (1µg/µl) (tabela 5). A mutagénese foi confirmada por sequenciação (anexo I). 15
29 Materiais e Métodos Figura 11- Mutagénese por PCR. (A) Amplificação independente dos dois fragmentos com a sequência mutada. (B) Hibrizidação dos fragmentos e extensão destes por complementariedade. (C) Amplificação final. Tabela 2- Oligonucleótidos para mutagénese de fragmentos. Construção pdll Hoxb6[YPWMLeu] pdll Hoxb6[Linker] Oligonucleótido interno forward (*) CTCCGGTCCTCCTGC TGCTGCAGCGGATG GGCGGAGCAGCAGC GGCCGCGC Oligonucleótido interno reverse (*) CATCCGCTGCAGC AGCAGGAGGACCG GAG CCAGCGGCGGGGA GCGGCGAGGCCGC CAGACATAC Oligonucleótido flanqueador forward (*) GGCGGAGCAGCAGC GGCCGCG GGCGGAGCAGCAGC GGCCGCGC Oligonucleótido flanqueador reverse (*) GGGATGCTGGGTGG GCTCGAG GGGATGCTGGGTGG GCTCGAG * Oligonucleótidos representados de 5 para 3 Tabela 3- Condições da amplificação inicial do PCR para mutagénese. Componente do PCR (reacção de 50 µl) Quantidade (µl) ADN (50 ng/ µl) 1 µl Tampão com MgSO (10x) 4 5 µl* dntps 25 mm 0,5 µl Oligonucleótidos (1 µg/µl) 0,5 µl (cada) Polimerase Pfu (2,5U/µl) 0,5 µl H O 2 Prefazer volume de 50 µl * De acordo com as indicações fornecidas pela Fermentas Etapas do PCR Desnaturação inicial Desnaturação Emparelhamento Condições 95 C, 4 minutos 95 C, 45 segundos 62 C, 45 segundos Extensão 72 C, x segundos * Extensão final 72 C, 7 minutos * Enzima Pfu tem uma taxa de extensão de 1000 pares de base por cada 2 minutos X 35 16
30 Materiais e Métodos Tabela 4- Condições do segundo ciclo de amplificações do PCR para mutagénese. Componente do PCR (reacção de 30 µl) Fragmento 1 Fragmento 2 Tampão com MgSO 4 (10x) Quantidade (µl) x µl (equivalente à quantidade do fragmento 2) y µl (equivalente à quantidade do fragmento 1) 3 µl* dntps 25 mm 0,3 µl Polimerase Pfu (2,5U/µl) 1 µl H O Prefazer volume de 30 µl 2 * De acordo com as indicações fornecidas pela Fermentas Etapas do PCR Desnaturação inicial Desnaturação Emparelhamento Condições 95 C, 4 minutos 95 C, 1 minuto 62 C, 1 minuto Extensão 72 C, x segundos * Extensão final 72 C, 7 minutos * Enzima Pfu tem uma taxa de extensão de 1000 pares de base por cada 2 minutos X 4 Tabela 5- Condições da amplificação final do PCR para mutagénese. Componente do PCR Quantidade (µl) Oligonucleótido 1 (1 µg/µl) 1 µl Oligonucleótido 2 (1 µg/µl) 1 µl Etapas do PCR Desnaturação inicial Desnaturação Condições 95 C, 4 minutos 95 C, 45 segundos Emparelhamento 62 C, 45 segundos Extensão 72 C, x segundos * X 35 Extensão final 72 C, 7 minutos * Enzima Pfu tem uma taxa de extensão de 1000 pares de base por cada 2minutos II.1.2 Clonagem A introdução do fragmento num vector de interesse foi efectuada por meio da digestão do vector e do fragmento com enzimas de restrição. As reacções de digestão (20 µl de volume total) decorreram a 37 C durante cerca de 2 horas e incluíram 4 µg de ADN, 1x tampão das enzimas (Roche) e 5 unidades de cada enzima. Após confirmação da digestão (Separação em gel de agarose em anexo I), o vector foi incubado a 37 C durante uma hora com 5 unidades de fosfatase alcalina. Os fragmentos digeridos foram separados num gel de agarose, purificados através de um kit da QIAGEN (Extracção de ADN de gel de agarose em anexo I) e utilizados numa reacção de ligação. As reacções de ligação (10 µl de volume total) foram compostas por 1 unidade de T4 ADN ligase, 1x tampão da T4 ADN ligase (Fermentas), cerca de 100 ng de vector e a quantidade de ligando correspondente ao dobro do número de moléculas de vector. As reacções foram incubadas à temperatura ambiente durante 2 horas. De seguida, 3 µl de reacção de ligação foram adicionados a 50 µl de células competentes para transformação destas (Preparação de células competentes em anexo I) e estas permaneceram em gelo durante 25 minutos. As células foram depois colocadas a 42 C durante 45 segundos e mantidas de seguida em gelo durante 2 minutos. As células permaneceram em crescimento 17
31 Materiais e Métodos em meio LB a 37 C durante uma hora. Foram depois plaqueadas em placas de meio LB/ágar incluindo ampicilina (50 µg/ml) e mantidas em crescimento a 37 C durante 12 a 16 horas. II Mini-preparação (cultura primária) As colónias permaneceram em crescimento a 37 C em 3 ml de meio LB com ampicilina (50 µg/ml) durante 12 a 16 horas. Para mini-preparação foram recolhidos 1,5 ml de cultura de células. Após centrifugação das células, o meio foi removido e estas foram ressuspendidas em 100 µl de tampão TE com RNAse A (10 µg/ml). De seguida, as células foram lisadas com a adição de 300 µl de solução TENS (anexo II). O ADN genómico foi depois precipitado com a adição 150 µl de acetato de potássio 3M (ph 5.4) e separado do ADN plasmídico através de uma centrifugação de 3 minutos a rpm (centrífuga Eppendorf 5417D). O ADN plasmídico foi precipitado com 900 µl de etanol 100% e recuperado por meio de uma centrifugação de 3 minutos a rpm (centrífuga Eppendorf 5417D). Após secagem à temperatura ambiente, o ADN foi ressuspendido em 50 µl de tampão TE. A identificação das colónias positivas foi efectuada através de mapeamento com enzimas de restrição. II Midi-preparação (cultura secundária) Para midi-preparação, 500 µl de cultura da mini-preparação de uma colónia positiva foram cultivados 12 a 16 horas a 37 C em 100 ml de meio LB com ampicilina (50 µg/ml). O protocolo usado teve por base o kit NucleoBond Plasmid Purification kit PC100 (anexo I). Após purificação, o ADN foi ressuspendido em tampão TE e a sua concentração foi determinada no NanoDrop. II.2 Ensaios da capacidade de ligação ao ADN II.2.1 Produção de proteínas As construções usadas na produção de proteínas foram obtidas a partir de clonagens no plasmídio pcmvsport6.1 que tem o promotor Sp6 que pode ser usado nas reacções do sistema TNT e o promotor CMV que permite a expressão do gene em células 293T (células embrionárias humanas de rim) transfectadas. As construções utilizadas encontram-se descritas nas tabelas 6 e 7. 18
32 Materiais e Métodos Tabela 6- Construções produzidas para obtenção de proteínas. Construção Sp6.1 Hoxb6 FLAG Sp6.1 Hoxb6[ΔYPWM] FLAG Sp6.1 Hoxb6[YPWMLeu] FLAG Sp6.1 Hoxb6[Linker] FLAG Sp6.1 Pax3 FLAG Descrição Gene Hoxb6 conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Gene Hoxb6 sem motivo YPWM conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Gene Hoxb6 com motivo YPWM mutado para LLLL conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Gene Hoxb6 com linker region correspondente a 16 aminoácidos conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Gene Pax3 conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Sp6.1 A10[NT]/B9 Quimera da região N-terminal de Hoxa10 e octapéptido, homeodomínio e região C- terminal de Hoxb9 conjugada com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Tabela 7- Construções do stock do laboratório usadas para produção de proteínas. Construção Sp6.1 Hoxa10 FLAG Sp6.1 Hoxb9 FLAG Sp6.1 Six1 Sp6.1 SnkHoxa10 FLAG Descrição Gene Hoxa10 conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Gene Hoxb9 conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Gene Six1 sem flag no vector pcmvsport6.1 Gene Hoxa10 de cobra conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Sp6.1 Hoxa10 [STAA] FLAG Gene Hoxa10 com domínio NWLTAKSG mutado para NWLAAKAG conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Sp6.1 Hoxa10 [TA] FLAG Gene Hoxa10 com domínio NWLTAKSG mutado para NWLAAKSG conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Sp6.1 Hoxa10 [SA] FLAG Gene Hoxa10 com domínio NWLTAKSG mutado para NWLTAKAG conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Sp6.1 Hoxa10 [ΔM1] FLAG Gene Hoxa10 sem domínio NWLTAKSG conjugado com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Sp6.1 A10[NT+M1]/B9 FLAG Quimera da região N-terminal e octapéptido de Hoxa10 e homeodomínio e região C- terminal de Hoxb9 conjugada com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 Sp6.1 B9[NT]/A10 FLAG Quimera da região N-terminal de Hoxb9 e octapéptido, homeodomínio e região C- terminal de Hoxa10 conjugada com flag N-terminal no vector pcmvsport6.1 II Produção de proteínas pelo sistema TNT II Reacção de transcrição e tradução Um dos procedimentos para obtenção de proteínas assentou no uso de um sistema de reacções de transcrição e tradução em extractos de reitculócitos (TNT Couple Reticulocyte Lysate Systems). Neste processo, as reacções de transcrição e tradução ocorreram com os seguintes componentes: 1 l ADN (1 g/ l), 19 l H 2 O, 25 l de extracto de reticulócitos, 2 l tampão de reacção, 1 l de polimerase Sp6, 0,5 l mistura de aminoácidos (1mM) sem metionina, 0,5 l mistura de aminoácidos (1mM) sem leucina e 1 l trna de lisina biotinilado. Estas reacções foram deixadas a 30 C durante 1 hora e armazenadas posteriormente a -20 C. 19
33 Materiais e Métodos II Produção de extractos nucleares de células 293T transfectadas II Cultura celular Para expansão, as células (stock em azoto líquido a C) foram descongeladas num banho a 37 C e diluídas em 5 ml de meio de cultura (anexo II). A suspensão foi centrifugada a 23 C a 1000 rpm (centrífuga Eppendorf 5810R) durante 5 minutos e após remoção do meio, as células foram ressuspendidas em 5 ml de meio de cultura (volume adequado para crescimento em placas de 60 mm). Após adição das células à placa de 60 mm, as células permaneceram em crescimento a 37 C e a 5% CO 2 até atingirem o estado de confluência. Alcançado o estado de confluência, as células na placa de 60 mm foram tripsinizadas para serem divididas por placas de 35 mm. As células foram lavadas com 5 ml de PBS e incubadas a 37 C com 0,8 ml de tripsina com EDTA (anexo II) durante 5 minutos. As células foram depois ressuspendidas em 5 ml de meio de cultura e centrifugadas a 23 C a 1000 rpm (centrífuga Eppendorf 5810R) durante 5 minutos. Após remoção do meio, as células foram ressuspendidas no volume de meio de cultura correspondente ao número de placas que se pretendeu utilizar para transfecção (2 ml com cerca de 2x10 5 células por cada placa de 35 mm). II Transfecção Antes de efectuar a transfecção, as células foram mantidas em crescimento em meio de transfecção (anexo II) durante pelo menos 3 horas (2ml por cada placa de 35mm). Posteriormente, por cada placa de 35 mm, 4 µg de ADN foram diluídos em 250 µl de DMEM e 10 µl de lipofectamina foram incubados em 250 µl de DMEM durante 5 minutos à temperatura ambiente. Após a incubação da lipofectamina com DMEM, esta solução foi adicionada à solução de DMEM com ADN e deixada à temperatura ambiente durante 20 minutos. Esta mistura foi depois adicionada às células em meio de transfecção e as células permaneceram em incubação com o ADN e a lipofectamina a 37 C e a 5% CO 2 durante 20 a 24 horas. II Recolha de extractos nucleares Para recuperação dos extractos nucleares, as células foram lisadas. Para recuperar as células das placas, estas foram lavadas com 2 ml de PBS (em cada placa) e removidas da placa em 1 ml de PBS com um raspador. As células foram depois centrifugadas a 4 C a 6500 rpm (centrífuga Eppendorf 5417R) durante 1 minuto, ressuspendidas em 100 µl de tampão A (anexo II) e colocadas no gelo durante 15 minutos. De seguida, as células foram misturadas com 5 µl de IPEGAL 10% e centrifugadas a 4 C a 6500 rpm (centrífuga Eppendorf 5417R) durante 20 segundos. O sobrenadante resultante desta centrifugação, o extracto citoplasmático, foi recuperado e mantido a -80 C. Os restos celulares foram depois ressuspendidos em 20 µl de tampão B (anexo II), incubados neste tampão durante 30 minutos e centrifugados a 4 C a rpm (centrífuga Eppendorf 5417R) durante 10 minutos. O sobrenadante resultante desta centrifugação inclui o extracto nuclear que foi recuperado e armazenado a -80 C. 20
34 Materiais e Métodos II Western blot A produção das proteínas foi confirmada por Western blots. Primeiramente, as amostras de proteínas de extractos de reticulócitos e de extractos nucleares foram incubadas em tampão de carregamento a 70 C durante 15 minutos e a 100 C durante 5 minutos, respectivamente. As amostras foram depois separadas num gel SDS-PAGE (gel de electroforese de poliacrilamida com dodecil sulfato de sódio) em tampão de corrida (anexo II) durante cerca de 1 hora e 30 minutos a 110 V. Posteriormente, as proteínas foram transferidas do gel de poliacrilamida para uma membrana PVDF (fluoreto de polivinilideno) por transferência húmida. A transferência foi efectuada a 200 ma durante cerca de 1 hora. No caso das proteínas produzidas em extracto de reticulócito, após a conclusão da transferência, o bloqueio foi efectuado através da incubação da membrana à temperatura ambiente com TBS-T durante 1 hora. No caso dos extractos nucleares, a membrana foi incubada à temperatura ambiente com 3% BSA (albumina de soro bovino) em PBT durante 1 hora. Para as proteínas obtidas pelo sistema TNT foi efectuada detecção colorimétrica, enquanto a detecção das proteínas de extractos nucleares foi efectuada com o substrato ECL. Na detecção colorimétrica a membrana foi, em primeiro lugar, incubada à temperatura ambiente durante 1 hora com uma solução de TBS-T com streptavidina-fosfatase alcalina (0,4 l de streptavidina por cada ml de TBS-T). A membrana foi lavada com TBS-T e incubada com 5 ml da solução western-blue (substrato das fosfatase alcalina) no escuro durante 1 a 15 minutos. A membrana foi lavada com H 2 O durante 20 minutos e deixada a secar à temperatura ambiente. Na detecção por ECL, a membrana foi incubada com uma solução de anticorpo primário contra flag ou Six1 (todas as proteínas foram marcadas com flag, à excepção de Six1- diluições em anexo II) à temperatura ambiente durante 1 hora. A membrana foi depois submetida a 3 lavagens com PBT e incubada à temperatura ambiente durante 1 hora com a solução de anticorpo secundário acoplado à enzima HRP (horseradish peroxidase) (diluições em anexo II). De seguida, a membrana foi lavada 3 vezes com PBT e revelada através da incubação no escuro durante 5 minutos com o substrato da enzima HRP, ECL (Enhanced Chemiluminescent Substrate do kit ECL Plus Western Blotting Detection). Posteriormente, a membrana foi exposta a um filme numa cassete e este foi revelado. II Imunodepleção Para remoção específica de uma proteína do extracto proteico foi utilizada a técnica de imunodepleção, na qual foram utilizadas esferas magnéticas ligadas ao anticorpo anti-flag. As esferas foram lavadas 3 vezes com TBS e incubadas com o extracto proteico (30 l de solução de esferas para 45 l de extracto proteico) durante cerca de 1 hora. Terminado este período de incubação, as esferas conjugadas com a proteína de interesse foram separadas do resto do extracto proteico através de uma peça magnética que captou as esferas. O sobrenadante sem a proteína removida nas esferas foi depois recolhido e mantido a -80 C. A imunodeplecção foi confirmada por Western blot. 21
35 Materiais e Métodos II.2.2 EMSA (Electrophoretic mobility shift assay) II Marcação do ADN com radioactividade Antes da realização do ensaio de ligação, o ADN foi marcado com radioactividade. O ADN utilizado nestes ensaios corresponde a parte do elemento H1 do enhancer dos genes Myf- 5 e Myf-6. A região amplificada deste elemento inclui os locais de ligação das proteínas Hox, Pax3 e Six1. Foram amplificadas 3 versões diferentes do enhancer H1 (tabela 8). O processo de amplificação do H1 consistiu em dois conjuntos de PCR com 3 tipos de oligonucleótidos (tabela 9). O processo de mutagénese usado especificamente na amplificação do H1 encontra-se descrito no anexo I. Tabela 8- Descrição das versões amplificadas do enhancer H1. Construção PCRII TOPO: H1 wt PCRII TOPO: H1* PCRII TOPO: H1* TC Descrição Enhancer H1 de ratinho Enhancer H1 de ratinho com sequência alvo Hox mutada para CGCGCTG Enhancer H1 de ratinho com sequência alvo Hox mutada para CCAATTG Tabela 9- Oligonucleótidos para amplificação das diferentes versões do enhancer H1. Construção Oligonucleótido interno Oligonucleótido flanqueador forward CTCGAACTAGACTCGACTT CTCGAACTAGACTCGACTT PCRII TOPO: H1 wt GCAAAGGCATGACTAATT GC GCATG PCRII TOPO: H1* PCRII TOPO: H1* TC CTCGAACTAGACTCGACTT GCAAAGGCATGACGCGCT GCATG CTCGAACTAGACTCGACTT GCAAAGGCATGACCAATT GCATG CTCGAACTAGACTCGACTT GC CTCGAACTAGACTCGACTT GC Oligonucleótido flanqueador reverse CATGCAGGCTTCACCCCAG AG CATGCAGGCTTCACCCCAG AG CATGCAGGCTTCACCCCAG AG Após amplificação, o ADN foi purificado com o kit QIAquick PCR purification e marcado com radioactividade. As reacções de marcação (20 l de volume total) incluíram 600 ng de produto de PCR, 15 unidades de T4 cinase, 1x tampão da T4 cinase (New England BioLab) e 2 l de 32 P- -ATP (10mCi/ml). A reacção permaneceu em incubação a 37 C durante 1 hora. De seguida, o ADN foi purificado com o mesmo kit da QIAGEN referido anteriormente e armazenado a -20 C. 22
36 Materiais e Métodos II Ensaio de ligação A separação do ADN foi efectuada num gel não desnaturante de 5% de poliacrilamida em TBE 0,5x. Antes da separação, o gel foi submetido a uma pré-corrida em tampão TBE 0,5x durante 1 hora. Durante este período, as reacções de ligação (20 l de volume total) foram preparadas com 2 l de sonda marcada com radioactividade, 10 l de tampão de ligação (anexo II), 1 l didc (polinucleótidos sintéticos com concentração de 10 g/ l) e o volume pretendido de extracto proteico. Estas reacções permaneceram em incubação à temperatura ambiente durante 30 minutos e foram depois separadas no gel de poliacrilamida. A separação foi efectuada durante 3 horas a 150 V em tampão TBE 0,5x (figura 3A e 3B). Depois da separação, o gel foi seco a 80 C numa máquina de vácuo durante 1 hora e foi exposto a um filme durante 2 a 16 horas (figura 4C e 4D). Figura 12- Procedimento do ensaio EMSA. (A) Reacção de ligação da proteína ao ADN. (B) Separação no gel de poliacrilamida. (C) Secagem do gel. (D) Padrão de bandas obtido após revelação do filme. 23
37 Resultados CAPÍTULO III: RESULTADOS 24
38 Resultados III. RESULTADOS III.1 Qual o número de costelas a desenvolver? : O caso da cobra e do elefante O estudo dos efeitos de mutações pontuais na região regulatória de Myf5 e Myf6 na padronização do esqueleto axial da cobra e do elefante foi realizado com base numa variação nucleotídica encontrada no enhancer H1 destes animais (figura 13A). Para testar a relevância desta variação nucleotídica foi analisada a capacidade de ligação das proteínas Hoxa10, Hoxb6, Six1 e Pax3 ao H1 em ensaios EMSA (figura 13B). As proteínas foram produzidas a partir de extractos de reticulócito e testadas para 3 sondas diferentes de H1: o H1 de ratinho sem qualquer mutação (H1 wt), o H1 de ratinho com o local de ligação Hox mutado (H1*) e o H1 de ratinho com uma mutação pontual correspondente à variação nucleotídica presente nos enhancers da cobra e do elefante (H1* TC ) (figura 13C). Ao examinar a capacidade de ligação das diferentes proteínas ao H1 wt, tal como esperado, comprovou-se que as proteínas Pax3, Six1, Hoxa10 e Hoxb6, cujos locais de ligação se encontram intactos, são capazes de ligar-se a esta sonda (bandas assinaladas com setas verdes na figura 14). Na análise da capacidade de ligação à sonda H1*, verificou-se que as proteínas Hox, cujo local de ligação foi abolido devido à mutação de 4 nucleótidos, são capazes de ligar-se H1* apesar de a ligação ser fraca (figura 14). Era expectável uma ausência completa da ligação ao H1* devido à anulação da sequência alvo Hox, mas a ligação fraca pode corresponder a alguma ligação inespecífica ao H1. À semelhança das proteínas Hox, Pax3 apresentou afinidade praticamente nula para H1*. Porém, este resultado é surpreendente, porque a mutação na sonda H1* afecta apenas um nucleótido da sequência de ligação de Pax3 e era esperada uma redução da afinidade menos acentuada (figura 14). A proteína Six1, cujo local de ligação não foi afectado pela mutação na sonda H1*, demonstrou elevada afinidade para o H1* (figura 14). Considerando a correspondência entre a capacidade de ligação ao H1 e a manutenção dos locais de ligação, estes dados corroboram os locais de ligação descritos para estas proteínas (Bajard et al., 2006; Buchberger et al., 2007; Giordani et al., 2007). Comparativamente à capacidade de ligação para a sonda H1 wt, verificou-se que as proteínas Hoxa10 possuem uma afinidade muito reduzida para a sonda H1* TC (figura 14). As proteínas Hoxb6 revelaram-se também incapazes de ligar-se ao H1* TC. Em oposição ao resultado obtido para a ligação ao H1*, Pax3 ligou-se ao H1* TC com uma afinidade muito semelhante à observada na ligação ao H1 wt (figura 14). Dado que as sondas H1* e H1* TC, possuem o mesmo nucleótido mutado dentro do local de ligação de Pax3, seria expectável que Pax3 apresentasse afinidade idêntica para as duas sondas. Uma hipótese para este resultado é Pax3 necessitar de alguns nucleótidos da sequência alvo Hox para ligar-se ao H1. Six1 liga-se ao H1* TC com a mesma afinidade da ligação ao H1 wt. Em conjunto, os padrões obtidos permitiram averiguar que as proteínas Hox, tanto Hoxb6 como Hoxa10, são incapazes de ligarse ao enhancer H1 existente nos genomas da cobra e do elefante e sugerem que estas são incapazes de regular a expressão de Myf5 e Myf6 na cobra e no elefante (figura 14). Ao contrário das proteínas Hox, Pax3 e Six1 são capazes de ligar-se ao enhancer H1 da cobra e do elefante. 25
39 Resultados Figura 13- Detalhe do enhancer H1. (A) Localização dos elementos H1 e H2 na região regulatória dos genes Myf-5 e Myf-6. (B) Detalhe da sequência do enhancer H1 de ratinho com indicação dos locais de ligação das proteínas Hox, Pax3 e Six1. (C) Detalhe da sequência das diferentes sondas de H1 (sequência mutada a vermelho). Figura 14- Ensaios EMSA com proteínas obtidas a partir do sistema TNT. A capacidade de ligação das proteínas rhoxa10 (Hoxa10 de ratinho), Hoxb6, Pax3 e Six1 produzidas em extractos de reticulócitos foi testada para as sondas H1 wt, H1* e H1* TC (seta preta: ligação não específica; seta verde: proteína ligada à sonda; seta azul: sonda livre). 26
40 Resultados III.2 Interacções entre proteínas Hox e Pax3 III.2.1 Interacção entre Hoxb6 e Pax3 Os resultados obtidos anteriormente levam a crer que na cobra e no elefante, as proteínas Hox não regulam a expressão de Myf5 e Myf6 e que o mecanismo de desenvolvimento de costelas regulado por estes genes pode não ser funcional na cobra e no elefante. Em estudos no ratinho, as proteínas Hox6 foram identificadas como motores do desenvolvimento da região torácica capazes de induzir a formação de costelas (Vinagre et al., 2010). Segundo este estudo seria esperado que as proteínas Hoxb6 fossem capazes de regular a expressão de Myf5 e Myf6 na região torácica. Uma possibilidade seria Pax3 e Six1 desempenharem esse papel na cobra e no elefante já que ambos são capazes de ligar-se ao H1* TC e estudos genéticos de mutantes de Pax3 e Six1 indiciam o seu envolvimento no desenvolvimento de costelas (Laclef et al., 2003; Relaix et al., 2003). Contudo, estudos anteriores demonstraram que Pax3 e Six1 não são individualmente suficientes para a indução de Myf5 no miótomo hipaxial (Bajard et al., 2006; Buchberger et al., 2007; Giordani et al., 2007). Dado que existe sobreposição dos locais de ligação das proteínas Hox e Pax3 é possível que estas proteínas interajam na ligação ao enhancer H1 da cobra e do elefante. Na análise efectuada com proteínas de extractos de reticulócitos verificou-se que a afinidade global das proteínas Hox para o H1 é reduzida comparativamente à afinidade de Pax3. Para obtenção dos padrões apresentados, os géis com os ensaios das proteínas Hox foram expostos aos filmes durante períodos de tempo muito superiores aos usados para os géis de Pax3. Este facto impossibilita o uso destes extractos para a análise da interacção entre as proteínas Hox e Pax3. Com o intuito de poder utilizar extractos que permitam esta análise foi testado o comportamento de extractos nucleares de células 293T transfectadas com as diferentes sondas de H1. Todas as proteínas foram marcadas com flag na extremidade N- terminal para detecção e quantificação por Western blot. Os resultados obtidos com extractos nucleares confirmaram os resultados obtidos com proteínas de extractos de reticulócitos, demonstrando as mesmas afinidades relativas das proteínas para as diferentes sondas (figura 15). É de realçar que a proteína Hoxa10 de cobra, em concordância com o comportamento da proteína Hoxa10 de ratinho, apresentou reduzida afinidade para o H1* TC. Ao contrário dos padrões obtidos com proteínas de extractos de reticulócitos, os padrões dos ensaios com extractos nucleares de células transfectadas foram obtidos com períodos de exposição mais curtos e com tempos de exposição semelhantes para os géis das proteínas Hox e de Pax3. Este facto demonstra que a afinidade dos extractos nucleares para o H1 é muito superior à das proteínas obtidas pelo sistema TNT e que as afinidades de Pax3 e das proteínas Hox para o H1 são equiparáveis. Devido a estes resultados, o estudo de interacções foi efectuado com extractos nucleares. A possibilidade de interacção entre as proteínas Hox e Pax3 foi estudada em primeiro lugar em ensaios EMSA para a sonda H1 wt. Quando extractos nucleares de Hoxb6 e Pax3 foram adicionados na mesma reacção de ligação foi possível identificar a presença de uma banda adicional no padrão de ligação, comparativamente aos padrões das reacções individuais de Hoxb6 e Pax3 (banda Pax3-B6 nas figuras 16A e 16B). Para confirmar que esta banda correspondente a um complexo inclui Hoxb6 e Pax3 foram realizados ensaios com extractos 27
41 Resultados nucleares, nos quais Hoxb6 ou Pax3 foram removidos por imunodepleção. Dado que as proteínas Hox e Pax3 foram marcadas com flag, a imunodepleção foi efectuada com um anticorpo anti-flag e confirmada por Western blot para flag. Quando o extracto com imunodepleção de Hoxb6 foi adicionado com o extracto nuclear de Pax3 à mesma reacção de ligação, a banda correspondente ao complexo não surgiu no padrão de ligação. O padrão obtido foi similar ao padrão de ligação obtido apenas com extracto de Pax3 (figura 16A e 16C). Um resultado idêntico foi obtido quando foi efectuada a imunodepleção de Pax3, no qual o padrão obtido foi idêntico ao padrão de ligação obtido apenas com extracto de Hoxb6 (figura 16B e 16C). Estes dados demonstram que a remoção específica de Hoxb6 ou Pax3 impediu a formação do complexo e que estas proteínas constituem o complexo. Apesar de formarem um complexo, tanto Pax3 como Hoxb6 ligam-se individualmente ao H1. No caso de produção simultânea, Hoxb6 e Pax3 ligam-se individualmente ao H1? Esta questão foi testada com extracto nuclear de células co-transfectadas com Hoxb6 e Pax3 em ensaios EMSA para a sonda H1 wt. O padrão de ligação obtido com o extracto da cotransfecção de Hoxb6 e Pax3 revelou a ausência da banda correspondente à ligação de Hoxb6 ao H1 e a presença das bandas correspondentes às ligações de Pax3 e do complexo Pax3- Hoxb6 ao H1 (figura 17). Este resultado demonstra que na presença de Pax3 no mesmo extracto nuclear, Hoxb6 só se liga ao H1 na forma de complexo Pax3-Hoxb6. Figura 15- Ensaios EMSA com extractos nucleares obtidos através da transfecção de células 293T. A capacidade de ligação dos extractos nucleares de rhoxa10 (Hoxa10 de ratinho), choxa10 (Hoxa10 de cobra), Hoxb6 e Pax3 foi testada para as sondas H1 wt, H1* e H1* TC (seta preta: ligação não específica; seta verde: proteína ligada à sonda; seta azul: sonda livre). 28
42 Resultados Figura 16- Ensaios EMSA e Western blots com extractos de Hoxb6 e Pax3 e extractos da imunodepleção de Hoxb6 e Pax3. (A) Ensaios EMSA para sonda H1 wt com extractos de Hoxb6 e Pax3 e extractos da imunodepleção de Hoxb6. (B) Ensaios EMSA para sonda H1 wt com extractos de Hoxb6 e Pax3 e extractos da imunodepleção de Pax3. (A e B) O sinal + representa a presença do extracto na reacção e o sinal representa a ausência desse extracto. (C) Western blot para flag para confirmação da imunodepleção de Hoxb6. (D) Western-blot para flag para verificação da imunodepleção de Pax3. Figura 17- Ensaio EMSA para a sonda H1 wt com extracto da co-transfecção de Hoxb6 e Pax3. O sinal + representa a presença do extracto nuclear na reacção de ligação e o sinal - representa a ausência do extracto nuclear na reacção de ligação (NE: ligação não específica). 29
43 Resultados Os ensaios EMSA realizados para a sonda H1 wt permitiram identificar a formação de um complexo entre Hoxb6 e Pax3. Será que esta interacção é mantida na ligação ao H1 existente nos genomas da cobra e do elefante? Os ensaios EMSA efectuados para a sonda H1* TC com os extractos de Hoxb6 e Pax3 permitiram comprovar que Hoxb6 e Pax3 formam um complexo com capacidade de ligação ao H1* TC (figura 18A). O envolvimento de Hoxb6 na formação do complexo foi comprovado por imunodepleção, através da qual se demonstrou que a remoção de Hoxb6 impediu a formação do complexo (confirmação da imunodepleção por Western blot na figura 18B). Estes dados revelam que Hoxb6 é capaz de ligar-se ao H1 presente nos genomas da cobra e do elefante, mas apenas na forma de complexo com Pax3. Tal resultado significa que na cobra e no elefante, a indução de Myf5 e Myf6 pode ser efectuada pela ligação do complexo Hoxb6-Pax3 ao enhancer H1. Figura 18- Ensaio EMSA para a sonda H1* TC com extractos nucleares de Hoxb6 e Pax3 e extracto da imunodepleção de Hoxb6. O sinal + representa a presença do extracto nuclear na reacção de ligação e o sinal - representa a ausência do extracto nuclear na reacção de ligação (NE: ligação não específica). Com o propósito de investigar em maior detalhe a interacção entre Hoxb6 e Pax3 foram testadas duas versões da proteína Hoxb6 em ensaios EMSA para a sonda H1 wt para identificar regiões relevantes para esta interacção. Na versão Hoxb6*ΔYPWM+, o motivo YPWM foi removido da proteína (figura 19). Na versão Hoxb6[Linker], a linker region foi aumentada para 16 aminoácidos (nas proteínas Hox6, a linker region possui 14 aminoácidos) (figura 19). 30
44 Resultados Figura 19- Versões mutantes da proteína Hoxb6. Esquema representativo das versões mutantes da proteína Hoxb6 (H: Motivo YPWM, LR: Linker region, HD: Homeodomínio). Figura 20- Ensaios EMSA para a sonda H1 wt com extractos nucleares das proteínas mutantes de Hoxb6. As versões mutantes da proteína Hoxb6, Hoxb6 YPWMDel e Hoxb6 Linker, foram testadas para a sonda H1 wt (NE: ligação não específica). Nos ensaios realizados com extractos nucleares das proteínas Hoxb6*ΔYPWM+ e Hoxb6[Linker], as proteínas mutantes ligaram-se individualmente ao H1. A remoção do motivo YPWM não afectou a formação do complexo, mas a modificação da linker region parece ter reduzido a formação do complexo (figura 20). Estes resultados demonstram não só que o motivo YPWM e que a linker region não estão envolvidos na ligação ao H1, mas também que o motivo YPWM parece não estar envolvido na interacção com Pax3 e que a linker region parece afectar interacção com Pax3. 31
45 Resultados Dado que Hoxb6 é capaz de ligar-se ao H1* TC em complexo é possível que a capacidade de ligação de Hoxa10 também seja alterada na presença de Pax3. Esta hipótese foi testada por ensaios EMSA para a sonda H1 wt. Quando extractos nucleares de Hoxa10 e Pax3 foram adicionados na mesma reacção de ligação, o padrão obtido revelou apenas a presença das bandas correspondentes às ligações individuais de Hoxa10 e Pax3 ao H1 (figura 21). O facto de as bandas obtidas a partir da reacção de ligação com Hoxa10 e Pax3 apresentarem intensidades semelhantes às das bandas das reacções de ligação individuais, demonstra que estas proteínas se ligam independentemente ao H1 e não competem entre si. Figura 21- Ensaio EMSA para a sonda H1 wt com extractos nucleares de Hoxa10 e Pax3. O sinal + representa a presença do extracto nuclear na reacção de ligação e o sinal - representa a ausência do extracto nuclear na reacção de ligação (NE: ligação não específica). III.2.2 Interacção entre Hoxb9 e Pax3 O desenvolvimento da região torácica é atribuído em parte à acção das proteínas do grupo parálogo 9 que desempenham um papel importante no desenvolvimento de costelas flutuantes (McIntyre et al., 2007). Considerando o envolvimento funcional tanto de Hoxb9 como de Pax3 no desenvolvimento de costelas é possível que estas proteínas, à semelhança de Hoxb6 e Pax3, interajam entre si. Esta hipótese foi testada por ensaios EMSA para a sonda H1 wt. Nos ensaios realizados verificou-se que a presença de Hoxb9 e Pax3 na mesma reacção de ligação resultou na formação de um complexo (banda assinalada como Pax3-B9 na figura 22A). Neste mesmo padrão, a banda de ligação do Hoxb9 ao H1 deixou de ser identificável, o que demonstra que na presença de Pax3, Hoxb9 só se liga ao H1 na forma de complexo. Ao efectuar a imunodepleção de Hoxb9 (confirmada por Western blot- figura 22B), a banda correspondente ao complexo deixou de surgir no padrão de ligação (figura 22A). A obtenção deste padrão de ligação que é similar ao padrão obtido com extracto de Pax3 permitiu demonstrar que Hoxb9 faz parte do complexo com Pax3 que tem capacidade de ligação ao H1. 32
46 Resultados Figura 22- Ensaios EMSA para a sonda H1 wt com extractos nucleares de Hoxb9 e Pax3 e extracto da imunodepleção de Hoxb9. (A) Ensaio EMSA para a sonda H1 wt com extractos de Hoxb9 e Pax3 e extractos da imunodepleção de Hoxb9. O sinal + representa a presença do extracto na reacção e o sinal representa a ausência desse extracto (NE: ligação inespecífica). (B) Western blot para flag para confirmação da imunodepleção de Hoxb9. Com o intento de identificar a região de Hoxb9 responsável pela interacção com Pax3 foram testadas quimeras das proteínas Hoxa10 e Hoxb9. Dado que a proteína Hoxa10 não forma complexo com Pax3, mas Hoxb9 forma um complexo com Pax3, quimeras destas proteínas permitem distinguir a região de Hoxb9 responsável pela interacção. Em ensaios EMSA, os extractos nucleares das proteínas A10[NT]/B9, A10[NT+M1]/B9 e B9[NT]/A10 foram testados para a sonda H1 wt (figura 23). Estas proteínas quiméricas possuem o homeodomínio de Hoxa10 ou de Hoxb9 com capacidade de ligação ao H1, e apresentaram por isso, afinidade para o H1 (figura 24). No entanto, a proteína B9[NT]/A10 apresentou muito menor afinidade para o H1. Ao testar a interacção com Pax3, verificou-se que as proteínas quiméricas sem a região N-terminal de Hoxb9 (A10[NT]/B9 e 10[NT+M1]/B9) não formaram um complexo com Pax3 (figura 24A). A proteína quimérica B9[NT]/A10 que possui a região N-terminal de Hoxb9 também não formou um complexo com Pax3 (figura 24B). Em conjunto, estes resultados levam a crer que nenhuma região de Hoxb9 é individualmente suficiente para a interacção com Pax3. Todavia, a ligação da proteína B9[NT]/A10 ao H1 foi sempre fraca e é possível que devido à baixa afinidade, a formação do complexo não tenha sido detectada. Para esclarecer esta questão será necessário efectuar mais análises. 33
47 Resultados Figura 23- Proteínas quiméricas de Hoxa10 e Hoxb9. Esquema representativo das proteínas quiméricas A10[NT]/B9, A10[NT+M1]/B9 e B9[NT]/A10 (M1 em fundo verde: Motivo NWLTAKSG, M1 em fundo azul: Motivo NWLHARGS, HD: Homeodomínio, M2: Motivo RENRIRELT). Figura 24- Ensaios EMSA para a sonda H1 wt com extractos nucleares de proteínas quiméricas de Hoxa10 e Hoxb9. (A) Ensaio EMSA com extractos das proteínas A10[NT]/B9 e A10[NT+M1]/B9 e Pax3. (B) Ensaio EMSA com extractos da proteína B9[NT]/A10 e Pax3. (A e B) O sinal + representa a presença do extracto proteico na reacção de ligação e o sinal - representa a ausência desse extracto na reacção de ligação (NE: ligação não específica). III.3 Especificidade Funcional III.3.1 Especificidade funcional das proteínas Hox10 Diferentes estudos analisaram a presença de assinaturas moleculares no homeodomínio, mas estas são insuficientes para explicar a especificidade funcional que as proteínas Hox apresentam in -vivo (Merabet et al., 2009). Em estudos do laboratório foi investigada a importância do motivo NWLTAKSG (M1) para a função das proteínas Hox10. Para 34
48 Resultados estes estudos foram produzidas 4 versões diferentes da proteína Hoxa10 com diferentes mutações no motivo M1. A sobrexpressão na PSM da versão Hoxa10 *ΔM1+ que corresponde à proteína Hoxa10 sem motivo M1 demonstrou que sem este motivo, as proteínas Hoxa10 perdem a sua actividade inibidora no desenvolvimento de costelas. Em concordância, a sobrexpressão da versão Hoxa10 [STAA], na qual os resíduos de treonina e serina do motivo M1 foram mutados, revelou que estes são necessários para a actividade das proteínas Hoxa10. Porém, a sobrexpressão das versões Hoxa10[TA] e Hoxa10[SA], nas quais os resíduos referidos anteriormente foram mutados em separado, demonstrou que a mutação individual destes resíduos permite manter a funcionalidade da versão wt (Mallo et al., dados não publicados). Estudos mais recentes do laboratório demonstraram que estes resíduos do motivo M1 são fosforilados (Mallo et al., dados não publicados). Será que estas alterações na funcionalidade da proteína Hox10 estão relacionadas com a capacidade de ligação ao H1? Para abordar esta questão foram realizados ensaios EMSA com as proteínas Hoxa10 wt, Hoxa10 [STAA], Hoxa10 *TA+, Hoxa10 *SA+ e Hoxa10 *ΔM1+ (figura 25). Figura 25- Versões mutadas da proteína Hoxa10. Representação esquemática das diferentes versões da proteína Hoxa10 com diferentes mutações no motivo NWLTAKSG (M1: Motivo NWLTAKSG, HD: Homedomínio, M2: Motivo RENRIRELT). Nas análises realizadas por ensaios EMSA foi evidente a menor afinidade da proteína Hoxa10 [STAA] para o H1. Por outro lado, as proteínas Hoxa10 [TA] e Hoxa10 [SA] apresentaram afinidade praticamente idêntica à afinidade da proteína wt para o H1 (figura 26A). Surpreendentemente, a proteína Hoxa10 *ΔM1+ que perde actividade relativamente à proteína Hoxa10 wt, revelou elevada afinidade para o H1 (figura 26B). Estes resultados demonstram que a perda de actividade das proteínas Hox10 [STAA] correlaciona com a reduzida afinidade desta proteína para o H1. Apesar da perda de funcionalidade da proteína Hoxa10 *ΔM1+, esta mantém a capacidade de ligação ao H1. 35
49 Resultados Figura 26- Ensaios EMSA para a sonda H1 wt com extractos nucleares das proteínas mutantes Hoxa10. Os ensaios foram realizados com extractos das proteínas Hoxa10 wt, Hoxa10 *ΔM1], Hoxa10 [STAA], Hoxa10 [TA] e Hoxa10 [SA]. O sinal + representa a presença do extracto proteico na reacção de ligação e o sinal - representa a ausência desse extracto na reacção de ligação (NE: ligação não específica). III.3.2 Especificidade funcional das proteínas Hox6 No estudo de assinaturas moleculares relevantes para a função das proteínas Hox6 foram analisadas duas regiões da proteína Hoxb6, o motivo YPWM e a linker region. O motivo YPWM encontra-se presente e conservado nas proteínas dos grupos parálogos 1 a 8. A linker region, a sequência entre o motivo YPWM e o homeodomínio, é altamente conservada dentro das proteínas do mesmo grupo parálogo (Merabet et al., 2009). Nas proteínas Hox4 a linker region possui 16 aminoácidos, enquanto nas proteínas Hox6 a linker region possui 14 aminoácidos. Com o intuito de testar a necessidade destas regiões para a actividade das proteínas Hox6 foram preparadas construções para produção de embriões transgénicos. A análise de embriões transgénicos assenta na comparação entre os fenótipos de transgénicos com a versão mutada de Hoxb6 e os fenótipos de transgénicos com a versão wt de Hoxb6. Os embriões transgénicos com sobrexpressão de Hoxb6 wt na PSM possuem costelas ectópicas, por isso, a obtenção de embriões transgénicos com fenótipo wt revela a perda de função da proteína. Os dados obtidos anteriormente pelo grupo a partir da construção pdll Hoxb6*ΔYPWM+ (Hoxb6 sem motivo YPWM- figura 19) demonstraram que o motivo YPWM é importante para a função específica das proteínas Hox6 (Mallo et al., dados não publicados). Contudo, este resultado pode dever-se ao facto de a remoção alterar a conformação da proteína de modo a que esta perca a actividade. Para comprovar este resultado foi preparada a construção pdll Hoxb6[YPWMLeu]que permitirá sobrexpressar na PSM uma versão da 36
50 Resultados proteína Hoxb6 com o motivo YPWM mutado para LLLL (figura 27). Para analisar a relevância da linker region foi preparada a construção pdll Hoxb6[Linker]que permitirá sobrexpressar Hoxb6 com uma linker region de 16 aminoácidos (a linker region nas proteínas Hox6 possui 14 aminoácidos)(figura 27). Por questões de logística do laboratório, estas construções ainda não puderam ser microinjectadas. Figura 27- Versões mutantes da proteína Hoxb6 para análise de transgénicos. Esquema representativo das versões mutantes da proteína Hoxb6 (H: Motivo YPWM, LR: Linker region, HD: Homeodomínio). 37
51 Discussão CAPÍTULO IV: DISCUSSÃO 38
52 Discussão IV. DISCUSSÃO IV.1 O caso da cobra e do elefante Este trabalho teve com um dos principais objectivos compreender como é regulada a padronização dos esqueletos da cobra e do elefante, dado que tanto a cobra como o elefante possuem maior número de vértebras torácicas comparativamente ao ratinho. Estudos anteriores demonstraram que no embrião de cobra, os padrões de expressão dos genes Hox, à excepção dos padrões dos genes Hox10, encontram-se definidos de acordo com as características morfológicas associadas às suas acções (Di Poï et al., 2010). Os genes Hox10 têm sido associados ao desenvolvimento da região lombar, mas no embrião da cobra estes apresentam padrões de expressão que não correlacionam com a sua actividade inibidora no desenvolvimento de costelas na região lombar (Di Poï et al., 2010). Segundo este estudo, as proteínas Hox10 terão perdido a sua funcionalidade nas cobras (Di Poï et al., 2010). Contudo, estudos recentes do laboratório demonstraram que as proteínas Hox10 produzidas na cobra são funcionais (Mallo et al., dados não publicados). No presente trabalho foi estudada a possibilidade de alterações nas regiões regulatórias dos genes alvo Myf5 e Myf6 estarem envolvidas na extensão da região torácica e na ausência ou redução da região lombar. A análise da variação nucleotídica no local de ligação das proteínas Hox dos enhancers H1 da cobra e do elefante demonstrou que esta variação afecta a capacidade de ligação das proteínas Hox, nomeadamente de Hoxa10 que praticamente não se liga aos enhancers H1 da cobra e do elefante. Estes dados sugerem que na cobra e no elefante, as proteínas Hoxa10 não conseguem regular a expressão de Myf5 e Myf6 no miótomo hipaxial e que esta incapacidade permite que seja induzida a formação de costelas numa região onde seriam normalmente desenvolvidas vértebras sem costelas. No entanto, Hoxb6 também não é capaz de ligar-se ao enhancer H1 da cobra e do elefante, o que coloca a questão de como é induzida a formação de costelas no elefante e na cobra. Tanto Pax3 como Six1 podem ligar-se individualmente ao H1 presente nos genomas da cobra e do elefante, mas estudos anteriores demonstraram que apesar de as proteínas Hox, Pax3 e Six1 serem necessárias para a expressão de Myf5 no miótomo hipaxial, estas são individualmente insuficientes para providenciar a expressão de Myf5 no miótomo hipaxial (Bajard et al., 2006; Buchberger et al., 2007; Giordani et al., 2007). Os resultados obtidos indicam que Hoxb6 e Pax3 interagem entre si e que o complexo resultante possui capacidade de ligação tanto ao enhancer H1 do ratinho como ao da cobra e do elefante. É possível que a ligação funcional de Hoxb6 e Pax3 ao H1 seja a ligação do complexo Pax3-Hoxb6 já que ambos são necessários para a expressão de Myf5 no miótomo hipaxial, mas insuficientes individualmente. Em paralelo, a ligação individual de Six1 parece desempenhar também um papel importante. Dados obtidos com uma análise in vivo comprovam a hipótese de a expressão de Myf5 ser induzida nos sómitos da suposta região lombar na cobra e no elefante. Foi criada uma linha com um BAC (Bacterial Artificial Chromosome) contendo o enhancer H1 de ratinho com a variação nucleotídica presente nos enhancers da cobra e do elefante e o repórter lacz. Os embriões de ratinho E11 homozigóticos para o enhancer com a variação nucleotídica apresentam uma indução da expressão de Myf5 nos sómitos na zona dos membros inferiores (sómitos da futura região lombar) (Mallo et al., dados não publicados). No ratinho, a expressão de Myf5 é inibida nestes sómitos por acção das proteínas Hox10, por isso, este resultado demonstra que esta alteração nucleotídica é 39
53 Discussão suficiente para a indução da expressão de Myf5 neste sómitos e para o desenvolvimento de costelas ser induzido na suposta região lombar nas cobras e nos elefantes. Encontra-se em prosseguimento a produção de embriões transgénicos transientes com um BAC contendo o enhancer H1 de cobra na sua totalidade. Em conjunto, estes dados permitem considerar um modelo de padronização na cobra e no elefante (figura 28). Segundo este modelo, nos sómitos da presumível região lombar, as proteínas Hox10 são incapazes de regular a expressão de Myf5 e Myf6 no miótomo hipaxial e a expressão destes deixa de ser inibida pela acção das proteínas Hox10. Estes sómitos ficam deste modo aptos a receberem sinais que induzam a expressão de Myf5 e Myf6 no miótomo hipaxial e consequentemente, conduzam à formação de costelas nas futuras vértebras. O complexo Pax3-Hoxb6 e Six1 surgem como os prováveis candidatos a desempenharem essa função na cobra e no elefante. Figura 28- Modelo de padronização da região lombar em cobras e elefantes. Representação esquemática da regulação de Myf5 e Myf6 no miótomo hipaxial e do desenvolvimento de costelas na presumível região lombar (DM: Dermamiótomo, ME: Miótomo Epaxial, MH: Miótomo Hipaxial, E: Esclerótomo, C: Cervical, T: Torácica, L: Lombar, S: Sacral, Ca: Caudal). As costelas marcadas a vermelho representam as costelas que na cobra e no elefante se desenvolvem na suposta região lombar. 40
54 Discussão IV.2 Interacções entre proteínas Hox e Pax3 Tal como referido anteriormente, estudos anteriores demonstraram a necessidade de vários factores para a regulação de Myf5 no miótomo hipaxial (Bajard et al., 2006; Buchberger et al., 2007; Giordani et al., 2007). A expressão de Myf5 pode ser regulada por intermédio do enhancer H1 através da ligação individual de factores ou através da formação de complexos. Neste estudo demonstrou-se a existência de interacções entre proteínas Hox e Pax3. Tanto Hoxb6 como Hoxb9 interagem com Pax3 e formam um complexo com afinidade para o H1. O complexo Pax3-Hoxb6 e o complexo Pax3-Hoxb9 podem ser funcionalmente relevantes para a ligação ao H1, mas os dados obtidos não permitem analisar esta hipótese na sua totalidade. Considerando a possibilidade de o complexo Pax3-Hoxb6 ter relevância funcional é possível que Pax3 esteja envolvido num mecanismo de activação sequencial da expressão de Myf5 e Myf6. A expressão de Hoxb6 na PSM e o efeito da acção das proteínas Hoxb6 na expressão de Myf5 e Myf6 no miótomo hipaxial encontram-se separados no tempo e no espaço devido ao prosseguimento da gastrulação. Como pode a indução pelas proteínas Hoxb6 ser mantida quiescente até ao momento da indução de Myf5 e Myf6 no miótomo hipaxial? Em ratinho, Pax3 começa por ser expresso em todo o sómito, mas mais tarde aquando da diferenciação do sómito, a sua expressão é restringida ao dermamiótomo e Pax3 é induzido na porção ventro-lateral do dermamiótomo (Goulding et al., 1994). Considerando que Pax3 é expresso apenas no sómito é possível que o início da sua expressão e a ligação de Pax3 ao Hoxb6 para formar um complexo na ligação ao H1 sejam preponderantes para a activação de Myf5. De acordo com esta possibilidade, a produção simultânea de Hoxb6 e Pax3 resultou na ligação de Hoxb6 ao H1 apenas na forma de complexo com Pax3. Em ensaios EMSA, nos quais Pax3 foi adicionado à reacção de ligação 15 minutos após a adição de Hoxb6, verificou-se que a ligação de Hoxb6 ao H1 foi efectuada maioritariamente na forma de complexo (dados não apresentados). A análise do BAC referida anteriormente é também consistente com a funcionalidade deste complexo. Segundo este modelo de activação sequencial, Hoxb6 seria expresso na PSM e a produção de proteína Hoxb6 nesta fase resultaria na ligação de Hoxb6 ao H1. Esta ligação manter-se-ia em estado funcionalmente quiescente e quando Pax3 se ligasse ao Hoxb6 na forma de complexo, a transcrição de Myf5 seria iniciada. A ligação de proteínas reguladoras do estado de cromatina poderá também desempenhar um papel na manutenção do estado funcionalmente quiescente da ligação de Hoxb6 ao H1. Para testar directamente esta hipótese foi preparada no presente trabalho uma construção para produção de transgénicos que permite a sobrexpressão de Pax3 na PSM (pdll Pax3 nos materiais e métodos). Caso se trate de um mecanismo sequencial, a expressão de Pax3 na PSM permitirá antecipar a activação da expressão de Myf5 que poderá ser confirmada por hibridação in -situ em embriões transgénicos. A análise do esqueleto destes embriões permitirá também avaliar os efeitos da antecipação da expressão de Myf5 e Pax3 no desenvolvimento de costelas. Adicionalmente, outra possibilidade de análise será fazer imunoprecipitação de Pax3 em sómitos da futura região torácica e fazer uma análise de espectrometria de massa para confirmar a presença de Hoxb6 acoplado a Pax3. No estudo da interacção entre Pax3 e Hoxb6 foi ainda demonstrado que ao contrário do motivo YPWM, a linker region parece estar envolvida na interacção com Pax3. A ligação ao 41
55 Discussão H1 parece ser independente do motivo YPWM e da linker region. É possível que tanto o motivo YPWM como a linker region estejam envolvidos em outras funções relevantes para a actividade das proteínas Hox6. Relativamente ao complexo Pax3-Hoxb9, os dados obtidos até à data não permitem analisar a funcionalidade do complexo. Dados obtidos no laboratório a partir de embriões transgénicos demonstraram que a sobrexpressão de Hoxb9 na PSM não tem consequências no fenótipo. Mais recentemente, a sobrexpressão de Hoxb9 no bordo hipaxial do dermamiótomo (a partir do promotor de Pax3) também não teve efeitos no desenvolvimento de costelas (Mallo et al., dados não publicados). Estes dados não permitem esclarecer onde e quando a expressão de Hoxb9 é relevante e consequentemente, a funcionalidade deste complexo. Neste trabalho verificou-se ainda que Hoxa10 e Pax3 não interagem na ligação ao H1 e ligam-se independentemente a este. Considerando que as proteínas Hox10 actuam como inibidores da expressão de Myf5 e desempenham, por isso, uma função antagónica à do Pax3, a falta de interacção entre Hoxa10 e Pax3 é consistente com o mecanismo de actuação de Hoxa10. IV.3 Especificidade funcional das proteínas Hox10 e Hox6 Estudos efectuados no laboratório demonstraram que o motivo M1 e especificamente dois resíduos fosforilados (serina e treonina) deste motivo são relevantes para a acção das proteínas Hoxa10 (Mallo et al., dados não publicados). Em estudos de outro grupo foi demonstrado que a acção das proteínas Hoxa10 na diferenciação mielóide induzida pelo interferão-γ é regulada pela fosforilação de dois resíduos de tirosina no homeodomínio (Eklund et al., 2000; Eklund et al., 2002). Enquanto a fosforilação das duas tirosinas no homeodomínio reduz a afinidade de ligação da proteína Hoxa10 para o ADN, a desfosforilação destes resíduos aumenta a afinidade de Hoxa10 para o ADN e sua actividade (Eklund et al., 2002). A interacção entre as tirosinas fosforiladas do homeodomínio e a região adjacente ao lado N-terminal do homeodomínio que inclui o motivo M1 é necessária para a acção destes resíduos na redução da afinidade de Hoxa10 (Eklund et al., 2002). Os resultados obtidos no presente trabalho demonstram que a mutação dos dois resíduos fosforilados no motivo M1 reduz drasticamente a afinidade da proteína Hoxa10 para o H1, mas que a remoção de todo o motivo permite à proteína Hoxa10 manter a afinidade para o ADN que a proteína wt apresenta. É possível que o mecanismo subjacente a estes dados esteja relacionado com a capacidade de os resíduos fosforilados no M1 regularem as tirosinas fosforiladas no homeodomínio. Esse mecanismo pode ser directo ou indirecto dado que a fosforilação dos resíduos no M1 podem afectar a ligação de proteínas capazes de fosforilar as tirosinas no homeodomínio ou interagir com as tirosinas do homeodomínio. Considerando este mecanismo hipotético, na proteína wt, os resíduos fosforilados no M1 impedem a fosforilação dos resíduos de tirosina no homeodomínio que reduz a afinidade de Hoxa10 para o ADN. Em consequência, as proteínas wt apresentam elevada afinidade para o ADN. No caso em que os resíduos do motivo M1 são mutados e deixam de ser fosforilados, as tirosinas do homeodomínio passariam a ser fosforiladas e assim a reduzir a afinidade de Hoxa10 42
56 Discussão para o ADN. Quando o motivo M1 é removido é possível que a conformação da proteína seja alterada de forma que os resíduos de tirosina do homeodomínio não sejam fosforilados e as proteínas Hoxa10 mantenham, por isso, a sua capacidade de ligação ao ADN, apesar de não serem funcionais. O motivo M1 parece assim não ter um papel na ligação ao ADN, mas desempenha um papel na actividade das proteínas Hox10. Segundo este potencial mecanismo de auto-regulação funcional, a capacidade de ligação das proteínas Hoxa10 ao ADN seria controlada pela regulação do estado de fosforilação das tirosinas no homedomínio que estariam sob influência dos resíduos fosforilados no M1. Encontra-se em prosseguimento uma análise de espectofometria de massa para comparar a fosforilação dos resíduos de tirosina no homeodomínio na proteína wt e na proteína com os resíduos do M1 mutados que permitirá avaliar a validade do modelo sugerido. Na análise de assinaturas moleculares das proteínas Hox6, ainda não foram obtidos dados que permitam confirmar a importância do motivo YPWM e da linker region. A análise de transgénicos que foi preparada com as construções pdll Hoxb6[YPWMLeu] e pdll Hoxb6[Linker] permitirá fornecer alguns esclarecimentos acerca desta questão. IV.4 Conclusões e direcções futuras Este estudo fornece indicações de que alterações no enhancer H1 influenciam padronização dos esqueletos da cobra e do elefante. Foi também possível identificar a formação de complexos entre Hoxb6 e Pax3 e entre Hoxb9 e Pax3 com capacidade de ligação ao enhancer H1. O motivo NWLTAKSG de Hox10 e especificamente dois resíduos deste motivo parecem estar envolvidos num mecanismo de auto-regulação da afinidade das proteínas Hoxa10 para o ADN. A fim de clarificar alguns aspectos e obter dados mais consistentes são necessárias mais análises, nomeadamente ensaios funcionais in -vivo. 43
57 Referências Bibliográficas CAPÍTULO V: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 44
58 Referências Bibliográficas V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alexander, T., Nolte, C., Krumlauf, R. (2009) Hox Genes and Segmentation of the Hindbrain and Axial Skeleton. Ann. Rev. Cell Dev. Biol. 25, Aoyama, H., Mizutani-Koseki, Y., Koseki, H. (2005) Three developmental compartments involved in rib formation. Int. J. Dev. Biol. 49, Bajard, L., Relaix, F., Lagha, M., Rocancourt, D., Daubas, P., Buckingham, M. (2006) A novel genetic hierarchy functions during hypaxial myogenesis: Pax3 directly activates Myf5 in muscle progenitor cells in the limb. Genes Dev. 20, Beckers, J., Caron, A., Hrabé de Angelis, M., Hans, S., Campos-Ortega J. A., Gossler, A. (2000) Distinct regulatory elements direct Delta1 expression in the nervous system and paraxial mesoderm of transgenic mice. Mech. Dev. 95, Braun, T. and Hans-Henning A. (1995) Inactivation of Myf-6 and Myf-5 genes in mice leads to alterations in skeletal muscle development. EMBO J. 14, Brent, A. E., Schweitzer, R., Tabin, C. J. (2003) A Somitic Compartment of Tendon Progenitors. Cell 113, Brent, A. E. and Tabin, C. J. (2002) Developmental regulation of somite derivatives: muscle, cartilage and tendon. Curr. Opin. Genet. Dev. 12, Buchberger, A., Freitag, D., Hans-Henning, A. (2007) A homeo-paired domain-binding motif directs Myf5 expression in progenitor cells of limb muscle. Development 134, Buckingham, M., Bajard, L., Chang, T., Daubas, P., Hadchouel, J., Meilhac, S., Montarras, D., Rocancourt, D., Relaix, F. (2003) The formation of skeletal muscle: from somite to limb. J. Anat. 202, Burke, A.C., Nelson, C.E., Morgan, B.A., Tabin, C. (1995) Hox genes and the evolution of vertebrate axial morphology. Development 121, Carapuço, M., Nóvoa, A., Bobola, N. & Mallo M. (2005) Hox genes specify vertebral types in the presomitic mesoderm. Genes Dev. 19, Chen, F., Greer, J., Capecchi, M. R. (1998) Analysis of Hoxa7/Hoxb7 mutants suggests periodicity in the generation of the different sets of vertebrae. Mech. Dev. 77, Di Poï, N., Montoya-Burgos, J. I., Miller, H., Pourquié, O., Milinkovitch, M. C., Duboule, D. (2010) Changes in Hox genes structure and function during the evolution of the squamate body plan. Nature 464, Duboule, D. and Dollé, P. (1989) The structural and functional organization of the murine HOX gene family resembles that of Drosophila homeotic genes. EMBO J. 8,
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62 Anexo I Anexo I Procedimentos AI-I
63 Anexo I Separação em gel de agarose Sempre que foi necessária confirmar uma digestão ou um PCR e extrair fragmentos originários destas reacções, as reacções foram corridas num gel de agarose a 0,8% (dissolvida em tampão TAE 1x). De modo a poder observar o ADN no gel foi adicionado brometo de etídio (1µl/ml) à agarose. Antes da separação no gel, o tampão de carregamento 6x (anexo II) foi adicionado à amostra na concentração final de 1x. A separação foi efectuada em tampão TAE 1x, geralmente a 120V (foi utilizada menor diferença de potencial sempre que foi necessário separar melhor as bandas). Extracção fenol-clorofórmio Esta técnica de extracção líquido-líquido permite separar o ADN de proteínas e foi usada recorrentemente sempre que foi necessário fazer uma segunda digestão do ADN já digerido numa primeira reacção. Neste processo, o volume de reacção de digestão foi aumentado até 100 µl com tampão TE e o mesmo volume de fenol-clorofórmio foi adicionado à mistura. A mistura foi centrifugada durante 4 minutos e a fase menos densa com o ADN foi recolhida para outro tubo. Para precipitar o ADN foram adicionados 2,5x de etanol 100% e 0,1x de acetato de sódio 3M, e solução foi incubada em gelo seco durante cerca de 30 minutos. Após este período de precipitação, a mistura foi centrifugada a 4 C a rpm (centrífuga Eppendorf 5417R) durante 15 minutos. O ADN foi deixado a secar à temperatura ambiente e diluído posteriormente em água para uma nova reacção de digestão. Extracção do ADN do gel de agarose A extracção de ADN do gel de agarose foi feita com recurso ao kit QIAEX II Gel extraction da QIAGEN que tem por base a utilização de esferas de resina com afinidade para o ADN. Após corrida no gel de agarose, a porção de gel com os fragmentos pretendidos foi removida e usada directamente para o protocolo de extracção de ADN. Para dissolver a agarose foram adicionados 3 volumes de tampão QX1 (tampão de dissolução) para 1 volume de gel (300 µl de tampão QX1 por cada 100 mg de gel). Foram também adicionadas à mesma mistura as esferas de resina (10 µl para menos de 2 µg de ADN). A dissolução da agarose foi realizada a 50 C em agitação durante o período de tempo necessário para a agarose estar completamente dissolvida. Depois da dissolução da agarose, a mistura permaneceu alguns minutos em incubação à temperatura ambiente. As esferas foram lavadas 1 vez com 500 µl de tampão QX1 e 2 vezes com 500 µl tampão TE (agitação das esferas com o tampão através do uso do vórtex seguida de uma centrifugação). O sobrenadante da última lavagem foi removido e o ADN foi deixado a secar à temperatura ambiente. O ADN foi depois eluído com tampão TE (20 µl para quantidades mais elevadas e 10 µl para quantidades mais reduzidas). AI-II
64 Anexo I Midi-preparação (Kit NucleoBond Plasmid Purification kit PC100) Para midi-preparação, 500 µl de cultura da mini-preparação de uma colónia positiva foram cultivados 12 a 16 horas a 37 C em 100 ml de meio LB com ampicilina (50 µg/ml). O protocolo usado teve por base o kit NucleoBond Plasmid Purification kit PC100. A cultura foi centrifugada a 4 C a rpm (centrífuga Eppendorf 5810R) durante 20 minutos. Após remoção do meio, as células foram ressuspendidas em 4 ml de tampão S1 (tampão de ressuspensão com RNAse). A suspensão foi depois misturada com 4 ml de tampão S2 (tampão de lise) e incubada à temperatura ambiente durante 3 minutos. Seguidamente, a suspensão foi misturada com 4 ml de tampão S3 (tampão de neutralização) e incubada 5 minutos no gelo. A separação do ADN genómico do ADN plasmídico foi efectuada através da passagem do lisado num papel de filtro. Este lisado foi depois passado por uma coluna com afinidade para o ADN, previamente equilibrada com 2,5 ml de tampão N2 (tampão de equilibração). Após a passagem do lisado na coluna, esta foi lavada com 10 ml de tampão N3 (tampão de lavagem). O ADN foi depois eluído com 5 ml de tampão N5 (tampão de eluição) e precipitado com 3,5 ml de isopropanol. O ADN foi recuperado através de uma centrifugação de 1 hora a 4 C a rpm (centrífuga Eppendorf 5810R). Posteriormente, o ADN foi lavado com 2 ml de etanol 70% e recuperado com uma centrifugação de 20 minutos a 4 C a rpm (centrífuga Eppendorf 5810R). Após secagem à temperatura ambiente, o ADN foi ressuspendido em tampão TE e a sua concentração foi determinada no NanoDrop. Sequenciação As reacções de PCR para sequenciação foram efectuadas num volume total de 10 l e incluíram: 400 ng de ADN, 2 l de tampão de sequenciação (BigDye terminator), 1 l de oligonucleótido (3,2 pmol/µl) e 2 l de mistura da reacção de sequenciação (BigDye terminator ready reaction mix) (tabela S1). Terminada a reacção de PCR, o produto de PCR foi precipitado. Aos 10 l de reacção foram adicionados 10 l de H 2 O para prefazer um volume total de 20 l. Para precipitar o ADN, foram adicionados 2,5 x de etanol 100% e 0,1x de 3M de Acetato de Sódio e a mistura foi deixada em incubação à temperatura ambiente durante cerca de 30 minutos. A mistura foi depois centrifugada a 4 C a rpm (centrífuga Eppendorf 5810R) durante 30 minutos. O ADN foi depois lavado com 250 l de etanol 70% e recuperado através de uma centrifugação a 4 C a rpm (centrífuga Eppendorf 5810R) de 15 minutos. O ADN foi depois deixado a secar à temperatura ambiente e foi levado para o centro de sequenciação. AI-III
65 Anexo I Tabela S1- Condições da reacção de PCR de sequenciação. Componente do PCR (reacção de 30 µl) Quantidade (µl) ADN (200 a 400 ng) 1 µl Tampão de sequenciação (BigDye terminator) 2 µl BigDye terminator ready reaction mix 2 µl Oligonucleótido (3,2 pmol/µl) 1 µl H O 4 µl 2 * Mistura da reacção de sequenciação Etapas do PCR Desnaturação inicial Desnaturação Emparelhamento Extensão Condições 96 C, 1 minuto 96 C, 10 segundos 50 C, 5 segundos 60 C, 4 minutos Preparação do stock de células competentes A preparação de alíquotas de células competentes foi efectuada a partir de 10 µl de células competentes. Este volume de células competentes foi deixado a crescer entre 16 a 24 horas em 10 ml de meio LB a 37 C. Após este período de incubação, 1 ml de células foi recuperado e mantido em crescimento em 100 ml de meio LB a 37 C até a cultura ter atingido 0.4 de densidade óptica. As células foram depois incubadas em gelo durante 15 minutos e submetidas a uma centrifugação de 15 minutos a 4 C a rpm (centrífuga Eppendorf 5810R). As células foram depois ressuspendidas em 33 ml de tampão RF1 e deixadas em incubação no gelo durante 1 hora. Terminada esta incubação, as células foram submetidas a nova centrifugação de 15 minutos a 4 C a rpm (centrífuga Eppendorf 5810R). De seguida, as células foram ressuspendidas em 8 ml de tampão RF2 e deixadas em incubação no gelo durante 15 minutos. As células foram depois distribuídas em alíquotas. Amplificação do H1 O processo de amplificação do H1 consistiu em dois conjuntos de PCR com 3 tipos de oligonucleótidos (figura S2). Numa primeira reacção, foi efectuada uma amplificação com o oligonucleótido interno que possui a mutação e o oligonucleótido flanqueador reverse (figura S2A). Dado que este oligonucleótido, além da mutação, possui muitos nucleótidos complementares é possível ocorrer o emparelhamento. Numa segunda reacção, foi efectuada uma amplificação com o mesmo oligonucleótido flanqueador reverse, mas com um oligonucleótido flanqueador forward que é comum a todas as amplificações das diferentes versões (figura S2B). Este oligonucleótido é complementar a parte do oligonucleótido interno e é, por isso, capaz de emparelhar com os fragmentos amplificados a partir do oligonucleótido interno. Esta segunda amplificação permite aumentar a quantidade de fragmento com a mutação. Os produtos de PCR foram depois clonados directamente no vector PCRII TOPO com o kit TA cloning (anexo II) e amplificados posteriormente para marcação com radioactividade. A mutagénese foi posteriormente confirmada por sequenciação. AI-IV
66 Anexo I Figura S2- Reacção de amplificação das diferentes versões de H1. (A) Amplificação inicial com o oligonucleótido interno que possui a mutação pretendida. (B) Amplificação final. TA cloning Para o processo de TA cloning foi utilizado um kit da Invitrogen. Nos processos de clonagem efectuados foi utilizado o vector PCRII TOPO. Nas reacções de ligação foram utilizados 4 µl do produto de PCR e 1 µl de vector PCRII TOPO de acordo com as indicações da Invitrogen. A solução foi misturada e deixada a incubar à temperatura ambiente durante 20 minutos. Foram adicionados 2 µl de reacção de ligação às bactérias (um tubo de bactérias possui a quantidade indicada pela Invitrogen para cada reacção de clonagem) e a mistura foi deixada a incubar no gelo durante 20 minutos. O choque térmico para transformar as células foi efectuado com incubação das bactérias a 42 C durante 30 segundos. As células foram depois deixadas no gelo durante 2 minutos. Posteriormente, foram adicionados 250 µl de meio SOC (fornecido no kit) às células e a mistura foi deixada a incubar a 37 C durante 1 hora. Durante este período, as placas com meio LB/ágar foram aquecidas durante 20 minutos e 32 µl de X-gal (50mg/ml) foram espalhados nas placas. Após a preparação das placas com X-gal foram plaqueados 50 µl da reacção de transformação. As placas foram mantidas em crescimento a 37 C durante 12 a 16 horas. AI-V
67 Anexo II Anexo II Soluções, Meios, Tampões e Kits AII-I
68 Anexo II Crescimento de bactérias Meio LB (Lysogeny Broth) Triptona 1% Extracto de levedura 0,5% NaCl 1% Mini-preparação TE 1x EDTA Tris-HCl 1 mm 10 mm TENS Tris ph mm EDTA ph 8 1 mm NaOH 0.1 mm SDS 0.5 % PCR Polimerase Pfu Fermentas (#EP0572) Corrida em gel de agarose TAE 1x EDTA ph 8 Acido acético Tris Base 1 mm 20 mm 40 mm Tampão de carregamento para corrida 6x Glicerol 30% Azul Bromofenol 0,25% Marcadores Marcador de ADN Marcador de proteína Fermentas (#SM0331) Fermentas ( SM1819) A II-II
69 Anexo II Kits de purificação de ADN QIAEXII Gel Extraction Kit QIAGEN (#20051) QIAquick PCR purification Kit QIAGEN (#28106) Plasmid DNA purification Kit PC100 NucleoBond (#740573) Kit de produção de proteínas pelo sistema TNT TNT Sp6 reticulocyte lysate system Streptavidina- Fosfatase Alcalina Promega (#L4601) Promega (#V5591) Kit de TA cloning TOPO TA Cloning Kit Dual Promoter Invitrogen (#K ) Preparação de células competentes RF1 RbCl 100 mm MnCl 2.4H 2 O 50 mm Acetato de Sódio 30 mm CaCl 2.2H 2 O 10 mm Glicerol 15% (m/v) ph ajustado a 5.8 com ácido acético 0.2M Esterilizado por filtração RF2 MOPS 10 mm RbCl 10 mm CaCl 2.2H 2 O 75 mm Glicerol 15% (m/v) ph ajustado a 6.8 com NaOH Esterilizado por filtração A II-III
70 Anexo II Western blot Gel SDS-PAGE Resolving gel (10%) 30% Acrilamida/bisacrilamida (BioRad) 10% Tris HCl 1,5M ph 8,8 390 mm 10% Dodecil Sulfato de Sódio (SDS) 0,1% 10% Amónia Persulfato (APS) 0,1% Tetrametiletilendiamina (TEMED) 0,04% Stacking gel (5%) 30% Acrilamida/bisacrilamida (BioRad) 5% Tris HCl 1,5M ph 6,8 125 mm 10% Dodecil Sulfato de Sódio (SDS) 0,1% 10% Amónia Persulfato (APS) 0,1% Tetrametiletilendiamina (TEMED) 0,04% Tampão de corrida Tris Glicina 1x Dodecil Sulfato de Sódio (SDS) 0,1% Tampão de transferência Tris Glicina 1x Metanol 20% Tris Glicina 10x Tris base Glicina 25 mm 192 mm Tampão de carregamento 2x com SDS Tris-HCl ph mm SDS 4% Glicerol 20% Azul bromofenol 0,006% Beta-mercaptoetanol 1,8% A II-IV
71 Anexo II 3% BSA com PBT BSA 100 ml 10% Tween 200 ml PBS Adicionar até volume final PBS 1x NaCl 137 mm KCl 2,7 mm Na 2 HPO 4 10 mm KH 2 PO 4 2 mm Ajustar ph até 7.4 com HCl Anticorpos Primários Anticorpo primário Diluição Referência Flag 1:1000 Sigma #F1804 Six1 1:1000 Santa Cruz Biotechnology #sc-9127 Anticorpos Secundários Anticorpo secundário Epítopo Diluição Referência Mouse HRP Flag 1:2000 *Lab# Rabbit HRP Six1 1:2000 *Lab# * Jackson Laboratories Imunodepleção TBS Tris Base 50 mm NaCl 150 mm Ajustar ph até 7.4 com HCl A II-V
72 Anexo II Preparação dos extractos nucleares Tampão A Hepes ph mm MgCl 2 1,5 mm KCl 10 mm DTT 0,5 mm Adicionar inibidores de protease e fosfatase 1x Tampão B Hepes ph mm MgCl 2 1,5 mm NaCl 420 mm EDTA 0,2 mm Glicerol 25% Adicionar inibidores de protease e fosfatase 1x EMSA Marcação da sonda T4 cinase polinucleotídica Tampão T4 PNK New England BioLabs (#M0201S) New England BioLabs (#B0201S) Tampão de ligação 1x Ficoll 8% Hepes 40 mm KCl 60 mm DTT 2 mm EDTA 0,2 mm 5x TBE Tris base Ácido Bórico EDTA (ph 8.0) 445 mm 445 mm 10 mm A II-VI
73 Anexo II Gel não desnaturante poliacrilamida 5% 30% acrilamida/bisacrilamida (BioRad) 5% TBE 0,5x 10% amónia persulfato 0,1% TEMED 0,1% Cultura de células Meio de cultura DMEM Sigma (#D5796) 10% Fetal Calf Serum (FBS) Sigma (#7524) 100x Penincilina e Estreptomicina Sigma (#P0781) 100x L-glutamina Sigma (#G7513) Tripsinização Tripsina com EDTA Sigma (#4049) Dulbecco s PBS Sigma (#D8537) Transfecção Lipofectamina TM 2000 Invitrogen (# ) Meio de Transfecção DMEM Sigma (#D5796) 10 % Fetal Calf Serum (FBS) Sigma (#7524) 100 x L-glutamina Sigma (#G7513) A II-VII
74 Anexo III Anexo III Sequências de ADN A III-I
75 Anexo III Sequências de cdna Os nucleótidos mutados estão indicados a negrito. O motivo YPWM encontra-se sublinhado a preto e a sequência da linker region encontra-se sublinhada e em itálico. Hoxb6 wt Homo sapiens ATGAGTTCCTATTTCGTGAACTCCACCTTCCCCGTCACTCTGGCCAGCGGGCAGGAGTCCTTCCTGGGCC AGCTACCGCTCTATTCGTCGGGCTATGCGGACCCGCTGAGACATTACCCCGCGCCCTACGGGCCAGGCC GGGCCAGGACAAGGGCTTTGCCACTTCCTCCTATTACCCGCCGGCGGGCGGTGGCTACGGCCGAGGGC GCCCTGCGACTACGGGCCGGCGCCGGCCTTCTACCGCGAGAAAGAGTCGGCCTGCGCACTCTCCGGCG CCGACGAGCAGCCCCCGTTCCACCCCGAGCCGCGGAAGTCGGACTGCGCGCAGGACAAGAGCGTGTT CGGCGAGACAGAAGAGCAGAAGTGCTCCACTCCGGTCTACCCGTGGATGCAGCGGATGAATTCGTGC AACAGTTCCTCCTTTGGGCCCAGCGGCCGGCGAGGCCGCCAGACATACACACGTTACCAGACGCTGGA GCTGGAGAAGGAGTTTCACTACAATCGCTACCTGACGCGGCGGCGGCGCATCGAGATCGCGCACGCCC TGTGCCTGACGGAGAGGCAGATCAAGATATGGTTCCAGAACCGACGCATGAAGTGGAAAAAGGAGAG CAAACTGCTCAGCGCGTCTCAGCTCAGTGCCG AGGAGGAGGAAGAAAAACAGGCCGAGTGA Hoxb6 YPWMLeu ATGAGTTCCTATTTCGTGAACTCCACCTTCCCCGTCACTCTGGCCAGCGGGCAGGAGTCCTTCCTGGGCC AGCTACCGCTCTATTCGTCGGGCTATGCGGACCCGCTGAGACATTACCCCGCGCCCTACGGGCCAGGCC GGGCCAGGACAAGGGCTTTGCCACTTCCTCCTATTACCCGCCGGCGGGCGGTGGCTACGGCCGAGGGC GCCCTGCGACTACGGGCCGGCGCCGGCCTTCTACCGCGAGAAAGAGTCGGCCTGCGCACTCTCCGGCG CCGACGAGCAGCCCCCGTTCCACCCCGAGCCGCGGAAGTCGGACTGCGCGCAGGACAAGAGCGTGTT CGGCGAGACAGAAGAGCAGAAGTGCTCCACTCCGGTCCTCCTGCTGCTGCAGCGGATGAATTCGTGCA ACAGTTCCTCCTTTGGGCCCAGCGGCCGGCGAGGCCGCCAGACATACACACGTTACCAGACGCTGGAG CTGGAGAAGGAGTTTCACTACAATCGCTACCTGACGCGGCGGCGGCGCATCGAGATCGCGCACGCCCT GTGCCTGACGGAGAGGCAGATCAAGATATGGTTCCAGAACCGACGCATGAAGTGGAAAAAGGAGAGC AAACTGCTCAGCGCGTCTCAGCTCAGTGCCG AGGAGGAGGAAGAAAAACAGGCCGAGTGA Hoxb6 Linker ATGAGTTCCTATTTCGTGAACTCCACCTTCCCCGTCACTCTGGCCAGCGGGCAGGAGTCCTTCCTGGGCC AGCTACCGCTCTATTCGTCGGGCTATGCGGACCCGCTGAGACATTACCCCGCGCCCTACGGGCCAGGCC GGGCCAGGACAAGGGCTTTGCCACTTCCTCCTATTACCCGCCGGCGGGCGGTGGCTACGGCCGAGGGC GCCCTGCGACTACGGGCCGGCGCCGGCCTTCTACCGCGAGAAAGAGTCGGCCTGCGCACTCTCCGGCG CCGACGAGCAGCCCCCGTTCCACCCCGAGCCGCGGAAGTCGGACTGCGCGCAGGACAAGAGCGTGTT CGGCGAGACAGAAGAGCAGAAGTGCTCCACTCCGGTCTACCCGTGGATGCAGCGGATGAATTCGTGCA ACAGTTCCTCCTTTGGGCCCAGCGGCGGGGAGCGGCGAGGCCGCCAGACATACACACGTTACCAGACG CTGGAGCTGGAGAAGGAGTTTCACTACAATCGCTACCTGACGCGGCGGCGGCGCATCGAGATCGCGC A III-II
76 Anexo III ACGCCCTGTGCCTGACGGAGAGGCAGATCAAGATATGGTTCCAGAACCGACGCATGAAGTGGAAAAA GGAGAGCAAACTGCTCAGCGCGTCTCAGCTCAGTGCCGAGGAGGAGGAAGAAAAACAGGCCGAGTG A Os nucleótidos mutados estão indicados a negrito. O domínio NWLTAKSG em Hox10 encontrase sublinhado e o motivo NWLHARGS em Hoxb9 encontra-se sublinhado e em itálico. Hoxa10 ATGTCATGCTCGGAGAGCCCTGCCGCGAACTCCTTTTTGGTCGACTCGCTCATCAGCTCAGGCAGAGGC GAGGCTGGTGGTGGTGGCGGTAGCGCGGGGGGCGGTGGAGGTGGCTACTACGCCCACGGTGGGGTC TACCTGCCGCCTGCCAGCGACCTGCCCTACGGGCTGCAAAGCTGCGGGCTCTTCCCCGCGCTGGGCAG CAAGCGTAATGAAGCGCCGTCGCCCGGAGGCGGTGGCGGTGGTGGCAGCGGGGGCCTGGGTCCTGG GACGCATGGCTACGCGCCCGCGCCCCTAGACCTGTGGCTGGACGCGCCCCGCTCCTGCCGGATGGAGC CGCCCGACGGGCCGCCGCCACCGCAGCCACAACCCCAGCAGCAGCAGCAGCAGCCGCCGCCGCCCCC GCCGCAGCCACCTCAACCCCAGCCACAGGCCACTTCGTGTTCTTTTGCGCAGAACATCAAAGAAGAGAG CTCCTACTGCCTCTACGATGCTGCGGACAAATGCCCCAAGGGCTCGGCCGCCGCTGATCTGGCCCCTTT CCCGCGGGGCCCGCCGCCCGACGGCTGCGCCCTGGGCGCCTCCAGCGGAGTGCCAGTACCCGGCTACT TCCGCCTGTCGCAGGCCTACGGCACGGCCAAGGGCTTCGGCAGTGGCGGCGGCGGCACGCAGCAGCT CGCTAGTCCCTTTCCTGCGCAGCCCCCGGGGCGCGGTTTCGACCCGCCGCCCGCACTGGCCTCTGGCTC GACCGAGGCAGCCGGGAAGGAGCGAGTCCTAGACTCCACGCCACCACCCACTCTGGTTTGCACCGGTG GCGGCGGCTCGCAGGGCGACGAGGAGGCACACGCGTCATCCTCGGCGGCTGAGGAGCTGTCTCCAGC CCCTTCAGAAAACAGTAAAGCTTCGCCGGAGAAGGACTCCCTGGGCAGTTCCAAAGGCGAAAATGCAG CCAACTGGCTCACAGCAAAGAGCGGCCGGAAGAAACGCTGCCCTTACACGAAGCACCAGACGCTGGA GCTGGAGAAGGAGTTTCTATTCAACATGTACCTTACTCGAGAGCGGCGCCTAGAGATCAGCCGTAGCG TCCACCTCACGGACAGACAAGTGAAAATCTGGTTTCAGAATCGCAGGATGAAACTGAAGAAAATGAAC CGAGAAAACCGAATCCGGGAGCTCACAGCCAACTTTAATTTTTCC Hoxa10 [ΔM1] ATGTCATGCTCGGAGAGCCCTGCCGCGAACTCCTTTTTGGTCGACTCGCTCATCAGCTCAGGCAGAGGC GAGGCTGGTGGTGGTGGCGGTAGCGCGGGGGGCGGTGGAGGTGGCTACTACGCCCACGGTGGGGTC TACCTGCCGCCTGCCAGCGACCTGCCCTACGGGCTGCAAAGCTGCGGGCTCTTCCCCGCGCTGGGCAG CAAGCGTAATGAAGCGCCGTCGCCCGGAGGCGGTGGCGGTGGTGGCAGCGGGGGCCTGGGTCCTGG GACGCATGGCTACGCGCCCGCGCCCCTAGACCTGTGGCTGGACGCGCCCCGCTCCTGCCGGATGGAGC CGCCCGACGGGCCGCCGCCACCGCAGCCACAACCCCAGCAGCAGCAGCAGCAGCCGCCGCCGCCCCC GCCGCAGCCACCTCAACCCCAGCCACAGGCCACTTCGTGTTCTTTTGCGCAGAACATCAAAGAAGAGAG CTCCTACTGCCTCTACGATGCTGCGGACAAATGCCCCAAGGGCTCGGCCGCCGCTGATCTGGCCCCTTT CCCGCGGGGCCCGCCGCCCGACGGCTGCGCCCTGGGCGCCTCCAGCGGAGTGCCAGTACCCGGCTACT TCCGCCTGTCGCAGGCCTACGGCACGGCCAAGGGCTTCGGCAGTGGCGGCGGCGGCACGCAGCAGCT CGCTAGTCCCTTTCCTGCGCAGCCCCCGGGGCGCGGTTTCGACCCGCCGCCCGCACTGGCCTCTGGCTC A III-III
77 Anexo III GACCGAGGCAGCCGGGAAGGAGCGAGTCCTAGACTCCACGCCACCACCCACTCTGGTTTGCACCGGTG GCGGCGGCTCGCAGGGCGACGAGGAGGCACACGCGTCATCCTCGGCGGCTGAGGAGCTGTCTCCAGC CCCTTCAGAAAACAGTAAAGCTTCGCCGGAGAAGGACTCCCTGGGCAGTTCCAAAGGCGAAAATGCAG CCCGGAAGAAACGCTGCCCTTACACGAAGCACCAGACGCTGGAGCTGGAGAAGGAGTTTCTATTCAAC ATGTACCTTACTCGAGAGCGGCGCCTAGAGATCAGCCGTAGCGTCCACCTCACGGACAGACAAGTGAA AATCTGGTTTCAGAATCGCAGGATGAAACTGAAGAAAATGAACCGAGAAAACCGAATCCGGGAGCTCA CAGCCAACTTTAATTTTTCC Hoxa10 [STAA] ATGTCATGCTCGGAGAGCCCTGCCGCGAACTCCTTTTTGGTCGACTCGCTCATCAGCTCAGGCAGAGGC GAGGCTGGTGGTGGTGGCGGTAGCGCGGGGGGCGGTGGAGGTGGCTACTACGCCCACGGTGGGGTC TACCTGCCGCCTGCCAGCGACCTGCCCTACGGGCTGCAAAGCTGCGGGCTCTTCCCCGCGCTGGGCAG CAAGCGTAATGAAGCGCCGTCGCCCGGAGGCGGTGGCGGTGGTGGCAGCGGGGGCCTGGGTCCTGG GACGCATGGCTACGCGCCCGCGCCCCTAGACCTGTGGCTGGACGCGCCCCGCTCCTGCCGGATGGAGC CGCCCGACGGGCCGCCGCCACCGCAGCCACAACCCCAGCAGCAGCAGCAGCAGCCGCCGCCGCCCCC GCCGCAGCCACCTCAACCCCAGCCACAGGCCACTTCGTGTTCTTTTGCGCAGAACATCAAAGAAGAGAG CTCCTACTGCCTCTACGATGCTGCGGACAAATGCCCCAAGGGCTCGGCCGCCGCTGATCTGGCCCCTTT CCCGCGGGGCCCGCCGCCCGACGGCTGCGCCCTGGGCGCCTCCAGCGGAGTGCCAGTACCCGGCTACT TCCGCCTGTCGCAGGCCTACGGCACGGCCAAGGGCTTCGGCAGTGGCGGCGGCGGCACGCAGCAGCT CGCTAGTCCCTTTCCTGCGCAGCCCCCGGGGCGCGGTTTCGACCCGCCGCCCGCACTGGCCTCTGGCTC GACCGAGGCAGCCGGGAAGGAGCGAGTCCTAGACTCCACGCCACCACCCACTCTGGTTTGCACCGGTG GCGGCGGCTCGCAGGGCGACGAGGAGGCACACGCGTCATCCTCGGCGGCTGAGGAGCTGTCTCCAGC CCCTTCAGAAAACAGTAAAGCTTCGCCGGAGAAGGACTCCCTGGGCAGTTCCAAAGGCGAAAATGCAG CCAACTGGCTCGCAGCAAAGGCCGGCCGGAAGAAACGCTGCCCTTACACGAAGCACCAGACGCTGGA GCTGGAGAAGGAGTTTCTATTCAACATGTACCTTACTCGAGAGCGGCGCCTAGAGATCAGCCGTAGCG TCCACCTCACGGACAGACAAGTGAAAATCTGGTTTCAGAATCGCAGGATGAAACTGAAGAAAATGAAC CGAGAAAACCGAATCCGGGAGCTCACAGCCAACTTTAATTTTTCC Hoxa10 [TA] ATGTCATGCTCGGAGAGCCCTGCCGCGAACTCCTTTTTGGTCGACTCGCTCATCAGCTCAGGCAGAGGC GAGGCTGGTGGTGGTGGCGGTAGCGCGGGGGGCGGTGGAGGTGGCTACTACGCCCACGGTGGGGTC TACCTGCCGCCTGCCAGCGACCTGCCCTACGGGCTGCAAAGCTGCGGGCTCTTCCCCGCGCTGGGCAG CAAGCGTAATGAAGCGCCGTCGCCCGGAGGCGGTGGCGGTGGTGGCAGCGGGGGCCTGGGTCCTGG GACGCATGGCTACGCGCCCGCGCCCCTAGACCTGTGGCTGGACGCGCCCCGCTCCTGCCGGATGGAGC CGCCCGACGGGCCGCCGCCACCGCAGCCACAACCCCAGCAGCAGCAGCAGCAGCCGCCGCCGCCCCC GCCGCAGCCACCTCAACCCCAGCCACAGGCCACTTCGTGTTCTTTTGCGCAGAACATCAAAGAAGAGAG CTCCTACTGCCTCTACGATGCTGCGGACAAATGCCCCAAGGGCTCGGCCGCCGCTGATCTGGCCCCTTT CCCGCGGGGCCCGCCGCCCGACGGCTGCGCCCTGGGCGCCTCCAGCGGAGTGCCAGTACCCGGCTACT TCCGCCTGTCGCAGGCCTACGGCACGGCCAAGGGCTTCGGCAGTGGCGGCGGCGGCACGCAGCAGCT CGCTAGTCCCTTTCCTGCGCAGCCCCCGGGGCGCGGTTTCGACCCGCCGCCCGCACTGGCCTCTGGCTC GACCGAGGCAGCCGGGAAGGAGCGAGTCCTAGACTCCACGCCACCACCCACTCTGGTTTGCACCGGTG A III-IV
78 Anexo III GCGGCGGCTCGCAGGGCGACGAGGAGGCACACGCGTCATCCTCGGCGGCTGAGGAGCTGTCTCCAGC CCCTTCAGAAAACAGTAAAGCTTCGCCGGAGAAGGACTCCCTGGGCAGTTCCAAAGGCGAAAATGCAG CCAACTGGCTCGCAGCAAAGAGCGGCCGGAAGAAACGCTGCCCTTACACGAAGCACCAGACGCTGGA GCTGGAGAAGGAGTTTCTATTCAACATGTACCTTACTCGAGAGCGGCGCCTAGAGATCAGCCGTAGCG TCCACCTCACGGACAGACAAGTGAAAATCTGGTTTCAGAATCGCAGGATGAAACTGAAGAAAATGAAC CGAGAAAACCGAATCCGGGAGCTCACAGCCAACTTTAATTTTTCC Hoxa10 [SA] ATGTCATGCTCGGAGAGCCCTGCCGCGAACTCCTTTTTGGTCGACTCGCTCATCAGCTCAGGCAGAGGC GAGGCTGGTGGTGGTGGCGGTAGCGCGGGGGGCGGTGGAGGTGGCTACTACGCCCACGGTGGGGTC TACCTGCCGCCTGCCAGCGACCTGCCCTACGGGCTGCAAAGCTGCGGGCTCTTCCCCGCGCTGGGCAG CAAGCGTAATGAAGCGCCGTCGCCCGGAGGCGGTGGCGGTGGTGGCAGCGGGGGCCTGGGTCCTGG GACGCATGGCTACGCGCCCGCGCCCCTAGACCTGTGGCTGGACGCGCCCCGCTCCTGCCGGATGGAGC CGCCCGACGGGCCGCCGCCACCGCAGCCACAACCCCAGCAGCAGCAGCAGCAGCCGCCGCCGCCCCC GCCGCAGCCACCTCAACCCCAGCCACAGGCCACTTCGTGTTCTTTTGCGCAGAACATCAAAGAAGAGAG CTCCTACTGCCTCTACGATGCTGCGGACAAATGCCCCAAGGGCTCGGCCGCCGCTGATCTGGCCCCTTT CCCGCGGGGCCCGCCGCCCGACGGCTGCGCCCTGGGCGCCTCCAGCGGAGTGCCAGTACCCGGCTACT TCCGCCTGTCGCAGGCCTACGGCACGGCCAAGGGCTTCGGCAGTGGCGGCGGCGGCACGCAGCAGCT CGCTAGTCCCTTTCCTGCGCAGCCCCCGGGGCGCGGTTTCGACCCGCCGCCCGCACTGGCCTCTGGCTC GACCGAGGCAGCCGGGAAGGAGCGAGTCCTAGACTCCACGCCACCACCCACTCTGGTTTGCACCGGTG GCGGCGGCTCGCAGGGCGACGAGGAGGCACACGCGTCATCCTCGGCGGCTGAGGAGCTGTCTCCAGC CCCTTCAGAAAACAGTAAAGCTTCGCCGGAGAAGGACTCCCTGGGCAGTTCCAAAGGCGAAAATGCAG CCAACTGGCTCACAGCAAAGGCCGGCCGGAAGAAACGCTGCCCTTACACGAAGCACCAGACGCTGGA GCTGGAGAAGGAGTTTCTATTCAACATGTACCTTACTCGAGAGCGGCGCCTAGAGATCAGCCGTAGCG TCCACCTCACGGACAGACAAGTGAAAATCTGGTTTCAGAATCGCAGGATGAAACTGAAGAAAATGAAC CGAGAAAACCGAATCCGGGAGCTCACAGCCAACTTTAATTTTTCC Hoxb9 ATGTCCATTTCTGGGACGCTTAGCAGCTATTATGTCGACTCGATCATAAGTCACGAGAGTGAGGACGCG CCTCCAGCCAAGTTTCCTTCTGGCCAGTACGCGAGCTCGCGGCAGCCGGGCCACGCGGAGCACCTGGA GTTCCCCTCGTGCAGCTTCCAGCCCAAAGCGCCGGTGTTCGGCGCCTCCTGGGCGCCGCTGAGCCCGCA CGCGTCCGGGAGCCTGCCGTCCGTCTACCACCCTTACATCCAGCCCCAGGGCGTCCCGCCGGCCGAGA GCAGGTACCTCCGCACCTGGCTGGAGCCGGCGCCGCGCGGCGAAGCGGCCCCGGGGCAGGGCCAGG CGGCGGTGAAGGCGGAGCCGCTGCTGGGCGCGCCTGGGGAGCTGCTCAAACAGGGCACGCCCGAGT ACAGTTTGGAAACTTCGGCGGGCAGGGAGGCCGTGCTGTCTAATCAAAGACCCGGCTACGGGGACAA TAAAATTTGCGAAGGAAGCGAGGACAAAGAGAGGCCGGATCAAACCAACCCCTCCGCCAACTGGCTGC ACGCTCGCTCTTCCCGGAAAAAGCGCTGTCCCTACACCAAATACCAGACGCTGGAGCTAGAGAAGGAG TTTCTGTTCAATATGTACCTCACCAGGGACCGTAGGCACGAAGTGGCCAGACTCCTCAATCTGAGTGAG AGACAAGTCAAAATCTGGTTTCAGAACCGGCGGATGAAAATGAAGAAAATGAATAAGGAGCAGGGCA AAGAG A III-V
79 Anexo III A10[NT+M1]/B9 ATGCTCGGAGAGCCCTGCCGCGAACTCCTTTTTGGTCGACTCGCTCATCAGCTCAGGCAGAGGCGAGG CTGGTGGTGGTGGCGGTAGCGCGGGGGGCGGTGGAGGTGGCTACTACGCCCACGGTGGGGTCTACCT GCCGCCTGCCAGCGACCTGCCCTACGGGCTGCAAAGCTGCGGGCTCTTCCCCGCGCTGGGCAGCAAGC GTAATGAAGCGCCGTCGCCCGGAGGCGGTGGCGGTGGTGGCAGCGGGGGCCTGGGTCCTGGGACGC ATGGCTACGCGCCCGCGCCCCTAGACCTGTGGCTGGACGCGCCCCGCTCCTGCCGGATGGAGCCGCCC GACGGGCCGCCGCCACCGCAGCCACAACCCCAGCAGCAGCAGCAGCAGCCGCCGCCGCCCCCGCCGC AGCCACCTCAACCCCAGCCACAGGCCACTTCGTGTTCTTTTGCGCAGAACATCAAAGAAGAGAGCTCCT ACTGCCTCTACGATGCTGCGGACAAATGCCCCAAGGGCTCGGCCGCCGCTGATCTGGCCCCTTTCCCGC GGGGCCCGCCGCCCGACGGCTGCGCCCTGGGCGCCTCCAGCGGAGTGCCAGTACCCGGCTACTTCCGC CTGTCGCAGGCCTACGGCACGGCCAAGGGCTTCGGCAGTGGCGGCGGCGGCACGCAGCAGCTCGCTA GTCCCTTTCCTGCGCAGCCCCCGGGGCGCGGTTTCGACCCGCCGCCCGCACTGGCCTCTGGCTCGACCG AGGCAGCCGGGAAGGAGCGAGTCCTAGACTCCACGCCACCACCCACTCTGGTTTGCACCGGTGGCGGC GGCTCGCAGGGCGACGAGGAGGCACACGCGTCATCCTCGGCGGCTGAGGAGCTGTCTCCAGCCCCTTC AGAAAACAGTAAAGCTTCGCCGGAGAAGGACTCCCTGGGCAGTTCCAAAGGCGAAAATGCAGCCAAC TGGCTCACAGCAAAGAGCGGCCGGCGGAAAAAGCGCTGTCCCTACACCAAATACCAGACGCTGGAGCT AGAGAAGGAGTTTCTGTTCAATATGTACCTCACCAGGGACCGTAGGCACGAAGTGGCCAGACTCCTCA ATCTGAGTGAGAGACAAGTCAAAATCTGGTTTCAGAACCGGCGGATGAAAATGAAGAAAATGAATAA GGAGCAGGGCAAAGAG A10[NT]/B9 ATGCTCGGAGAGCCCTGCCGCGAACTCCTTTTTGGTCGACTCGCTCATCAGCTCAGGCAGAGGCGAGG CTGGTGGTGGTGGCGGTAGCGCGGGGGGCGGTGGAGGTGGCTACTACGCCCACGGTGGGGTCTACCT GCCGCCTGCCAGCGACCTGCCCTACGGGCTGCAAAGCTGCGGGCTCTTCCCCGCGCTGGGCAGCAAGC GTAATGAAGCGCCGTCGCCCGGAGGCGGTGGCGGTGGTGGCAGCGGGGGCCTGGGTCCTGGGACGC ATGGCTACGCGCCCGCGCCCCTAGACCTGTGGCTGGACGCGCCCCGCTCCTGCCGGATGGAGCCGCCC GACGGGCCGCCGCCACCGCAGCCACAACCCCAGCAGCAGCAGCAGCAGCCGCCGCCGCCCCCGCCGC AGCCACCTCAACCCCAGCCACAGGCCACTTCGTGTTCTTTTGCGCAGAACATCAAAGAAGAGAGCTCCT ACTGCCTCTACGATGCTGCGGACAAATGCCCCAAGGGCTCGGCCGCCGCTGATCTGGCCCCTTTCCCGC GGGGCCCGCCGCCCGACGGCTGCGCCCTGGGCGCCTCCAGCGGAGTGCCAGTACCCGGCTACTTCCGC CTGTCGCAGGCCTACGGCACGGCCAAGGGCTTCGGCAGTGGCGGCGGCGGCACGCAGCAGCTCGCTA GTCCCTTTCCTGCGCAGCCCCCGGGGCGCGGTTTCGACCCGCCGCCCGCACTGGCCTCTGGCTCGACCG AGGCAGCCGGGAAGGAGCGAGTCCTAGACTCCACGCCACCACCCACTCTGGTTTGCACCGGTGGCGGC GGCTCGCAGGGCGACGAGGAGGCACACGCGTCATCCTCGGCGGCTGAGGAGCTGTCTCCAGCCCCTTC AGAAAACAGTAAAGCTTCGCCGGAGAAGGACTCCCTGGGCAGTTCCAAAGGCGAAAATGCAGCCAGC CAACTGGCTGCACGCTCGCTCTTCCCGGAAAAAGCGCTGTCCCTACACCAAATACCAGACGCTGGAGCT AGAGAAGGAGTTTCTGTTCAATATGTACCTCACCAGGGACCGTAGGCACGAAGTGGCCAGACTCCTCA ATCTGAGTGAGAGACAAGTCAAAATCTGGTTTCAGAACCGGCGGATGAAAATGAAGAAAATGAATAA GGAGCAGGGCAAAGAG A III-VI
80 Anexo III B9[NT]/A10 ATGTCCATTTCTGGGACGCTTAGCAGCTATTATGTCGACTCGATCATAAGTCACGAGAGTGAGGACGCG CCTCCAGCCAAGTTTCCTTCTGGCCAGTACGCGAGCTCGCGGCAGCCGGGCCACGCGGAGCACCTGGA GTTCCCCTCGTGCAGCTTCCAGCCCAAAGCGCCGGTGTTCGGCGCCTCCTGGGCGCCGCTGAGCCCGCA CGCGTCCGGGAGCCTGCCGTCCGTCTACCACCCTTACATCCAGCCCCAGGGCGTCCCGCCGGCCGAGA GCAGGTACCTCCGCACCTGGCTGGAGCCGGCGCCGCGCGGCGAAGCGGCCCCGGGGCAGGGCCAGG CGGCGGTGAAGGCGGAGCCGCTGCTGGGCGCGCCTGGGGAGCTGCTCAAACAGGGCACGCCCGAGT ACAGTTTGGAAACTTCGGCGGGCAGGGAGGCCGTGCTGTCTAATCAAAGACCCGGCTACGGGGACAA TAAAATTTGCGAAGGAAGCGAGGACAAAGAGAGGCCGGATCAAACCAACCCCTCCAACTGGCTCACA GCAAAGAGCGGCCGGAAGAAACGCTGCCCTTACACGAAGCACCAGACGCTGGAGCTGGAGAAGGAGT TTCTATTCAACATGTACCTTACTCGAGAGCGGCGCCTAGAGATCAGCCGTAGCGTCCACCTCACGGACA GACAAGTGAAAATCTGGTTTCAGAATCGCAGGATGAAACTGAAGAAAATGAACCGAGAAAACCGAAT CCGGGAGCTCACAGCCAACTTTAATTTTTCC A III-VII
81 Anexo IV Anexo IV Mapas de vectores plasmídicos A IV-I
82 Anexo IV Mapas pcmv Sport6.1 PCRII TOPO A IV-II
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