DA INEXISTÊNCIA E DA INVALIDADE DO CASAMENTO 1

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1 DA INEXISTÊNCIA E DA INVALIDADE DO CASAMENTO 1 1 Casamento inexistente Casamento inválido 2.1) Casamento nulo 2.2) Casamento anulável DA INEXISTÊNCIA DO CASAMENTO O plano da existência antecede o da validade. Antes de verificar se o casamento é válido, temos que averiguar se ele existe. Existindo, o ato pode ser válido ou inválido. Para que o casamento exista, é necessária a presença dos elementos essenciais: 1) diversidade de sexos 2) consentimento 3) celebração por autoridade competente CASAMENTO INVÁLIDO Artigos a 1.564, CC O casamento inválido pode ser nulo ou anulável, dependendo do grau de imperfeição. Quando o casamento se realiza com infração de impedimento imposto pela ordem pública, esta reage violentamente fulminando de nulidade o casamento. Nos casos em que a infração se revela mais branda porque fere apenas o interesse de pessoas que a lei quer proteger, o legislador apenas defere a estas uma ação anulatória. Caso o interessado que podia promover a ação anulatória permaneça inerte, o casamento convalesce e ganha validade, não mais podendo ser infirmado (Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Brasileiro, vol. VI). CASAMENTO NULO Artigos e 1.549, CC É nulo o casamento contraído: I pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil; II por infringência de impedimento. Quando o casamento é nulo, cabe ação declaratória de nulidade, rito ordinário, sendo ex tunc os efeitos da sentença, considerando-o retroativamente como não ocorrido (art , CC). Se o casamento nulo for contraído de boa-fé por ambos os cônjuges, em relação a estes como aos filhos, produzirá todos os efeitos até o dia da sentença. Legitimados: qualquer interessado ou pelo Ministério Público (art ,CC). O interesse pode ser: ECONÔMICO herdeiros sucessíveis, companheiro(a), os credores dos cônjuges e os adquirentes de seus bens. 1 Fonte: Carlos Roberto Gonçalves; Maria Helena Diniz; Sílvio Rodrigues; Washington de Barros Monteiro; Sílvio de Salvo Venosa.

2 MORAL os próprios cônjuges, ascendentes, descendentes, irmãos, cunhados e o primeiro cônjuge do bígamo. SOCIAL - Ministério Público CASAMENTO ANULÁVEL Artigo 1.550, CC É anulável o casamento: I de quem não completou a idade mínima para casar; II do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal; III por vício da vontade, nos termos do artigo a 1.558; IV do incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento; V realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges; VI por incompetência da autoridade celebrante. I de quem não completou a idade mínima para casar (artigo 1.550, I, CC). Cônjuge menor (artigo 1.552, I, CC). Prazo decadencial para invalidação 180 dias, contados do dia em que perfez a idade de 16 anos (art , 1º, CC). Representantes legais ou ascendentes do cônjuge menor (artigo 1.552, II e III, CC). casamento (art , 1º, CC). Observação: Não se anulará, por motivo de idade, o casamento de que resultou gravidez (art ,CC). O menor que não atingiu a idade núbil poderá, depois de completá-la, confirmar seu casamento, com a autorização de seus representantes legais, se necessária, ou com suprimento judicial (art , CC). II do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal (artigo 1.550, II, CC). Cônjuge que casou sem a autorização (artigo 1.555, caput, CC). Prazo decadencial para invalidação 180 dias, contados do dia em que cessou a menoridade (art , caput e 1º, CC). Representantes legais (artigo 1.555, caput, CC). casamento (art e 1º, CC). Herdeiros necessários (artigo 1.555, caput, CC). Prazo decadencial para invalidação 180 dias, contados do data da morte do incapaz (art e 1º, CC). Observação: Não se anulará o casamento quando à sua celebração houverem assistido os representantes legais do incapaz, ou tiverem, por qualquer modo, manifestado sua aprovação (art e 2º, CC). 2

3 III por vício da vontade, nos termos do artigo a 1.558; (art , III, CC) 3 a) ERRO ESSENCIAL QUANTO À PESSOA DO OUTRO CÔNJUGE (art , CC) PRESSUPOSTOS JUSTIFICADORES DA ANULAÇÃO DO CASAMENTO POR ERRO: Anterioridade do defeito ao ato nupcial Desconhecimento do defeito pelo cônjuge enganado Insuportabilidade de vida em comum a. I o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado; IDENTIDADE FÍSICA Caracteriza-se quando ocorre o casamento com pessoa diversa, por substituição ignorada pelo outro cônjuge. IDENTIDADE CIVIL São as qualidades com que a pessoa se apresenta no meio social. Ex. aventureiro que se apodera de identidade de outro, apresentando-se com nome falso na sociedade ( o outro cônjuge incidiu em erro quanto ao seu estado civil, origem e filiação. Honra e boa fama são as qualidades morais do indivíduo. HONRA É a dignidade da pessoa que vive honestamente, que pauta seu proceder pelos ditames da moral (Washington de Barros Monteiro) BOA FAMA É a estima social de que a pessoa goza, visto conduzir-se segundo os bons costumes (Washington de Barros Monteiro) Exemplos de erro quanto à identidade, honra e boa fama: Recusa da esposa ao débito conjugal; Casamento não consumado, tendo o marido deixado o lar conjugal poucos dias após a sua celebração; Homossexualidade do réu; Simulação de gravidez viciando o consentimento; Atividade de meretriz da mulher antes do casamento, desconhecida pelo marido; a. II a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne insuportável a vida conjugal; a. III a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável, ou de moléstia grave e transmissível, pelo contágio ou herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência; DEFEITO FÍSICO IRREMEDIÁVEL defeito capaz de tornar inatingível um dos fins do casamento, que é a satisfação sexual. Ex.: hermafroditismo ou sexo dúbio, deformações genitais, infantilismo, vaginismo ou atresia dos órgãos genitais femininos, ausência da vagina congênita; impotência coeundi, física ou psíquica, ou mesmo relativa, se ocorrer apenas com relação à consorte e não com outras mulheres (Maria Helena Diniz). Só a impotência coeundi autoriza a anulação do casamento. O mesmo não ocorre com a impotência generandi, que é a incapacidade para a fecundação e com a concipiendi, incapacidade para a concepção, porque a procriação não é o único objetivo do casamento. MOLÉSTIA GRAVE E TRANSMISSÍVEL, PELO CONTÁGIO OU HERANÇA Ex. AIDS, sífilis, tuberculose, lepra, hemofilia.

4 4 a. IV a ignorância, anterior ao casamento, de doença mental que, por sua natureza, torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. Ex. esquizofrenia, sadismo, psicopatia, paranóia, psicose maníaco-depressiva. Cônjuge que incidiu em erro (artigo 1.559, CC). Prazo decadencial para invalidação 3 anos, contados do data da celebração do casamento (art , III, CC). Observação: A coabitação do cônjuge que incidiu em erro, havendo a ciência do vício, valida o ato, ressalvadas as hipóteses dos incisos III e IV do art (art , CC). b) COAÇÃO (art , CC) É anulável o casamento em virtude de coação, quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida, a saúde e a honra, sua ou de seus familiares. Coação é toda ameaça ou pressão exercida sobre um indivíduo para forçá-lo, contra a sua vontade, a praticar um ato. Coação absoluta (vis absoluta) a vantagem é obtida mediante emprego de força física. Assim, inocorre qualquer consentimento ou manifestação de vontade. O ato é inexistente. Coação relativa (vis compulsiva) a vítima pode escolher: ou pratica o ato exigido pelo coator ou corre o risco de sofrer as conseqüências da ameaça feita. É a coação psicológica. Cônjuge que sofreu a coação (artigo 1.559, CC). Prazo decadencial para invalidação 4 anos, contados do data da celebração do casamento (art , IV, CC). IV do incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento (art , IV). Cônjuge incapaz Prazo decadencial para invalidação 180 dias, contados da data da celebração do casamento (art , I, CC). Representante legal casamento (art , I, CC). Herdeiros casamento (artigo 1.560, I, CC). V realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges (art , V, CC). Cônjuge mandante (artigo 1.560, 2º, CC).

5 Prazo decadencial para invalidação 180 dias, contados da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração (art , 2º, CC). Observação: Por revogação do mandato não se anula casamento no qual sobreveio coabitação dos cônjuges (art , V, CC). 5 VI por incompetência da autoridade celebrante (art , VI, CC). A lei não distingue se se trata da incompetência em razão do lugar ou da matéria. Predomina na doutrina a opinião de que somente acarreta a anulabilidade a incompetência ratione loci quando o celebrante preside a cerimônia nupcial fora do território de sua circunscrição. Se, porém, o presidente do ato não é autoridade competente ratione materiae, ou seja, não é juiz de casamentos, o casamento não é anulável, mas inexistente, salvo na hipótese prevista no art , CC, que considera subsistente o casamento celebrado por pessoa que, embora não possua a competência exigida na lei, exerce publicamente as funções de juiz de casamentos, aplicando à hipótese a teoria da aparência (CRG). Cônjuges Prazo decadencial para invalidação 2 anos, a contar da data da celebração do casamento (art , II, CC).

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