BOLETIM CLIMÁTICO - NOVEMBRO 2015
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- Lívia Dinis Espírito Santo
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1 BOLETIM CLIMÁTICO - NOVEMBRO Condições meteorológicas sobre o Brasil No mês de novembro de 2015 os valores acumulados de precipitação mais significativos ocorreram nas regiões Sul, São Paulo, e no sul do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de Goiás. Nessas regiões foram observadas anomalias positivas de precipitação, enquanto no restante do país a chuva permaneceu abaixo da média histórica, Figura 1 (a e b). Consequentemente, as bacias dos subsistemas Sul e Sudeste, exceto a bacia do rio Paranaíba, terminaram o mês com valores superiores à média, Figura 1.2. Neste mês, cinco frentes frias atingiram o país, sendo que somente dois desses sistemas avançaram pelo litoral da região Sudeste. A Figura 1.3 mostra que em baixos níveis da atmosfera (850 hpa), a umidade esteve acima da média numa faixa que se estende desde a Amazônia atingindo as regiões Sul e sul da região Sudeste do país (tons sombreados em vermelho). Esse fato, associado a presença de ventos de noroeste (jato em baixos níveis - JBN) transportando a umidade para a região Sul e sul da região Sudeste do país, contribuiu para o padrão de chuvas observado em novembro. (a) Figura 1: (a) Precipitação Total Acumulada e (b) Anomalia de Precipitação Novembro Fonte: CPTEC (b)
2 Figura 1.2: Anomalia de Precipitação (%). Fonte: ONS Figura 1.3: Anomalia de umidade específica (sombreado), anomalia de pressão ao nível do mar (contorno) e anomalia de vento em 850hPa Novembro Fonte: NOAA-ESRL Physical Sciences Division, Boulder Colorado
3 O padrão de precipitação observado favoreceu a ocorrência de temperatura máxima abaixo da média nas capitais da região Sul e próxima a média em São Paulo. Nas demais capitais foram registradas temperaturas máximas acima da média histórica. As temperaturas mínimas estiveram em geral acima da média, Figura 1.4 (a e b). (a) Figura 1.4: Anomalia de Temperatura (a) Mínima e (b) Máxima Novembro Fonte: CPTEC (b) 2. Condições Oceânicas e Atmosféricas Em novembro, a temperatura da superfície do mar TSM permaneceu acima da média em praticamente todo o oceano Pacífico equatorial (Figura 2.1), indicando a persistência da fase madura do fenômeno El Niño de intensidade forte. O El Niño atual se encontra tão intenso quando o de , o mais intenso registrado desde Em pequenas áreas do Pacífico ao longo do Equador, a TSM atingiu valores de 5 C acima da média. No Pacífico equatorial central (região Niño 3.4), as águas estão 2,9 C acima da média, o que representou um aumento de 0,5 C em relação a outubro. A região Niño 1+2, região do Pacífico adjacente a costa da América do Sul, a TSM ficou 0,5 C mais fria que em setembro. Na baixa atmosfera (850 mb), ventos alísios menos intensos que a média sobre as águas relativamente mais quentes (anomalia de oeste - Figura 2.1), indicam que oceano e atmosfera estão acoplados, o que é típico do fenômeno El Niño.
4 Figura 2.1: Anomalia de TSM e vento em 850 mb observada no mês de novembro de Fonte: NCEP/CPTEC Além da anomalia do vento em 850 mb, o Índice de Oscilação Sul (IOS) é um outro importante indicador atmosférico de eventos El Niño/La Niña. Valores negativos deste índice estão associados à ocorrência de fenômenos El Niño, enquanto valores positivos referem-se a fenômenos La Niña. Em setembro e novembro, os valores do IOS foram de -1,7 e -0,5 respectivamente, indicando um possível início da desintensificação do atual episódio El Niño. No Oceano Atlântico não se observou nenhuma anomalia significativa que influencie diretamente o clima no país. 3. Climatologia Os meses de janeiro e fevereiro apresentam totais elevados de precipitação média nas regiões Sudeste e Centro Oeste. No mês de março observa-se uma diminuição nos totais médios de precipitação sobre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e um aumento nestes valores nas regiões Norte e Nordeste do país, Figura 3.1. Historicamente, as temperaturas mais altas ocorrem nos meses de janeiro e fevereiro na região Sudeste. A partir de março as temperaturas diminuem gradativamente na maior parte do país.
5 (Janeiro) (Fevereiro) (Março) Figura 3.1: Climatologia de precipitação (mm) Fonte: INMET 4. Previsões climáticas A maioria dos modelos oceânicos (dinâmicos/estatísticos) e acoplados indicam que o fenômeno El Niño atingiu seu pico máximo e se encontra em processo de desintensificação. Ressalta-se, porém, que o fenômeno continuará com intensidade forte até o outono de Levando em consideração as atuais condições oceânicas e atmosféricas, bem como os diversos modelos de previsão climática, a previsão de consenso para o trimestre janeiro-fevereiro-março de 2016, elaborada pelo CPTEC/INPE em conjunto com o CCST, CEMADEN, INPA, INMET, FUNCEME e Centros Estaduais de Meteorologia, indica que nas bacias do subsistema Sul a precipitação tem maior probabilidade de ficar acima da média histórica. Essa também é a previsão para a bacia do rio Paranapanema e para o trecho incremental a Uhe Itaipu. Nos trechos do baixo e médio São Francisco e na bacia do rio Tocantins, a previsão é de maior probabilidade da precipitação ficar abaixo da média. As demais bacias do subsistema Sudeste se encontram em uma área de baixa previsibilidade e o atual estado da arte das previsões climáticas não permite fazer uma previsão confiável. As temperaturas deverão variar entre normal e acima da média em todo o país no trimestre janeiro-fevereiro-março de 2016.
6 BACIAS HIDROGRÁFICAS PREVISÃO PARANAÍBA Baixa previsibilidade GRANDE Baixa previsibilidade TOCANTINS Precipitação: abaixo da média histórica no trecho baixo da bacia. O trecho alto da bacia do Tocantins se encontra na região de baixa previsibilidade PARANÁ Precipitação: acima da média histórica no trecho ao sul da bacia. O restante da bacia se encontra na região de baixa previsibilidade IGUAÇU Precipitação: acima da média histórica SÃO FRANCISCO Precipitação: abaixo da média histórica no trecho baixo da bacia. O trecho alto da bacia do São Francisco se encontra na região de baixa previsibilidade URUGUAI e JACUÍ Precipitação: acima da média histórica
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