Mercado de Trabalho e Subsídio de Desemprego
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- Marta Varejão Bugalho
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1 Mercado de Trabalho e Subsídio de Desemprego Mário Centeno Banco de Portugal Repensar a Segurança Social Lisboa, 2 de julho de 2013
2 A Segurança Social... (i) proteção social; (ii) solidariedade; (iii) ação social. Um contrato (i) entre o trabalhador e a sociedade; (ii) financiado através das relações laborais; (iii) com a intermediação das empresas. Uma instituição inclusiva: a preservar. Mário Centeno Banco de Portugal 2/34
3 ... e o Mercado de Trabalho (i) desemprego elevado (e estrutural); (ii) flexibilidade salarial; (iii) elevada rotação de trabalhadores; (iv) elevada desigualdade. Não há necessidade de mais desafios: mas por vezes procuram-se (i) dualidade/segmentação; (ii) baixos níveis de qualificações; (iii) instituições ineficientes, muitas vezes extrativas. Mário Centeno Banco de Portugal 3/34
4 Desemprego Estrutural Mário Centeno Banco de Portugal 4/34
5 Desemprego: Aumento? De forma estrutural. Taxas de desemprego Taxa de desemprego Taxa natural de desemprego Desemprego em subida... No 1º trimestre: 17.8% (quase 5 o valor mais baixo). O desemprego estrutural aumentou desde final da década de 90. Após um período em que se manteve próximo dos 6%, mais do que duplicou. Mário Centeno Banco de Portugal 5/34
6 A proteção Mário Centeno Banco de Portugal 6/34
7 Social (i) provisão pública vs.; (ii) benefícios obrigatórios vs.; (iii) nenhuma ação. e no Desemprego (i) o subsídio de desemprego; (ii) um seguro; (iii) o seu financiamento. Mário Centeno Banco de Portugal 7/34
8 A economia da Segurança Social Mário Centeno Banco de Portugal 8/34
9 Os benefícios: valorizados pelos trabalhadores e pela sociedade? A racionalidade económica dos benefícios públicos/universais. Exemplo: a maternidade. O financiamento: a Taxa Social Única Quotização paga por trabalhadores e contribuição paga por empresas. A relação económica entre benefício e financiamento é crucial. Mário Centeno Banco de Portugal 9/34
10 Uma taxa não é um imposto. Porquê? Porque uma taxa existe com uma determinada contrapartida: neste caso, o acesso universal a bens e serviços. Exemplos: pensões, apoio na doença, maternidade, subsídio de desemprego Noutros casos os governos impõem que as empresas garantam determinados benefícios: por exemplo as regras de higiene e segurança no trabalho. Mário Centeno Banco de Portugal 10/34
11 A economia política da Segurança Social Mário Centeno Banco de Portugal 11/34
12 Temos duas visões polarizadas a respeito da provisão de benefícios A visão de esquerda: provisão pública; benefícios obrigatórios; nenhum atuação A visão de direita: nenhum atuação; benefícios obrigatórios; provisão pública Mário Centeno Banco de Portugal 12/34
13 Em qualquer contexto económico e político a questão mais relevante é: Como tornar a Segurança Social pública menos distorcionária? Não tratar o seu financiamento como um imposto Considerar os seus benefícios, financiados através dos salários, como se fossem benefícios obrigatórios, que as empresas poderiam oferecer mesmo sem provisão pública E deixamos as prestações não contributivas para o sistema de impostos. Onde é feita a redistribuição do rendimento. Mário Centeno Banco de Portugal 13/34
14 Quando não existe uma relação muito próxima entre o financiamento e o benefício o que é comum com alguns programas públicos podem resultar grandes distorções. Um imposto desloca apenas a curva da procura de trabalho. Mas quando tratamos as prestações da Segurança Social como se fossem benefícios obrigatórios fazemos deslocar também a curva da oferta. Mário Centeno Banco de Portugal 14/34
15 Um pouco de economics - Ec10 Salários W 0 W 1 W 2 0 E 1 E 2 E 0 S (oferta) S D (procura) D Emprego Mário Centeno Banco de Portugal 15/34
16 Devemos tornar as coberturas da Segurança Social optativas? Dando mais opções a trabalhadores e empresas? A resposta é quase sempre sim, se quisermos minimizar as distorções sobre a atividade económica. Quer isto dizer que devemos privatizar a Segurança Social? A resposta é não. Porque mesmo em prestações contributivas há uma dimensão de redistribuição. Só que devemos introduzir racionalidade económica na Seg. Social. E isso significa que o financiamento das prestações contributivas não deveria ser tratado como um imposto. Mário Centeno Banco de Portugal 16/34
17 Este simples raciocínio económico deveria guiar-nos quando repensamos a Segurança Social. E deveria ser, também, suficiente para não esquecer a importância do mercado de trabalho. Dois exemplos: A redução da TSU sem alteração dos benefícios O apoio no desemprego Mário Centeno Banco de Portugal 17/34
18 A TSU ou a Segurança Social financiada com impostos? Uma redução da TSU financiada com aumento do IVA é um subsídio às empresas financiado com impostos sobre o consumo. Principal consequência: afasta o financiamento do benefício. Temos um problema com o custo do trabalho? Atuemos de forma estrutural para o resolver. Mário Centeno Banco de Portugal 18/34
19 O apoio no desemprego como um subsídio financiado com um imposto? como um seguro/um contrato: para o trabalhador, uma conta individual para a empresa, um sistema de experience rating para a economia, um verdadeiro estabilizador automático, com uma dimensão de solidariedade Mário Centeno Banco de Portugal 19/34
20 As propostas que possam tornar mais eficiente o seguro de desemprego têm uma ideia geral: alinhar incentivos... Dos trabalhadores: menos tempo desempregado, melhores empregos após desemprego maior generosidade financeira menor período de atribuição conta individual, com componente de solidariedade Das empresas: menos custos sobre o sistema de segurança social taxa de contribuição aumenta com a utilização do sistema criar incentivos à reputação da empresa Mário Centeno Banco de Portugal 20/34
21 A segurança dos trabalhadores: quais as necessidades, como atuar? O exemplo dos trabalhadores independentes. Mário Centeno Banco de Portugal 21/34
22 Trabalhadores (falsos) independentes: as boas intenções Sempre representaram um larga fração do emprego. Em 1998, representavam 27% do emprego total Tinham um comportamento pró-cíclico Entre 2005 e 2011, a carga fiscal aumentou de forma substancial: Em 2011, já só representam 19% do emprego total Segurança Social: em 2004, 420 mil; em 2012, metade Das saídas entre 2009 e 2012, apenas 20% desses trabalhadores conseguiram um emprego assalariado A política de pôr termo aos falsos independentes, pôs fim ao emprego. Mário Centeno Banco de Portugal 22/34
23 A segurança dos trabalhadores: Estabilidade no emprego e subsídio de desemprego Ao repensar a Segurança Social devemos ter presente as necessidades da economia: alguns indicadores Mário Centeno Banco de Portugal 23/34
24 Emprego para a vida? Percentagem de trabalhadores com 45 ou + anos e com 20 ou + anos de antiguidade Em % de trabalhadores +45 anos O emprego para a vida está em regressão. É bom ou mau? Não há evidência conclusiva. Mas, a crescente % de contratos a prazo adia as relações laborais duradouras; interferência ineficiente da legislação na formação dos pares trabalhador-empresa. Mário Centeno Banco de Portugal 24/34
25 Mas, os novos empregos ganham terreno! Trab. 45 ou + anos e menos de 2 anos de antiguidade In % of workers aged 45 or more Novos empregos estão em expansão. O mercado está em ajustamento. À custa dos salários e dos mercados internos de trabalho e dos contratos implicitos. Mário Centeno Banco de Portugal 25/34
26 Desemprego registado e cobertura do sistema de subsídios Subsidized Registered Cobertura dos desempregados registados: queda para 54% de 2 /3. Inquérito ao Emprego: Apenas 1 /3 dos desempregados ( registados) recebe subsídio de desemprego. Mário Centeno Banco de Portugal 26/34
27 Transições trimestrais entre emprego e não emprego Fluxos Segurança Social, 2012 em % do emprego E NE 5.3 E Subsídio Desemprego 1.4 E Outros destinos 3.9 Fonte: Segurança Social, Fluxos trimestrais entre emprego e não-emprego, identificando as transições para subsídio de desemprego e para outros destinos. Os fluxos são calculados como percentagem do total de assalariados no início do trimestre. (i) Em cada trimestre 5.3% dos trabalhadores fica sem emprego; (ii) Destes, apenas 26% se encontra a receber subsídio de desemprego no início do trimestre seguinte. Mário Centeno Banco de Portugal 27/34
28 Conclusões Mário Centeno Banco de Portugal 28/34
29 Impostos: Volvo e impostos não nos vão tornar suecos Mário Centeno Banco de Portugal 29/34
30 Em 2010, 2 /3 dos IRS foi pago por 15% dos alojamentos. É bom recordar que apenas 14.5% dos trabalhadores do sector privado têm um grau universitário. Ou seja esta situação é um imposto à educação; enquanto os outros países a subsidiam, Portugal cobre-a com impostos. O nível de fiscalidade tem que ser uma função do nível de desenvolvimento económico (e social). Mário Centeno Banco de Portugal 30/34
31 Segmentação: um mercado de trabalho dividido Mário Centeno Banco de Portugal 31/34
32 A regulamentação do mercado de trabalho impõe custos à Segurança Social, a que esta não está capacitada para responder. A rotação concentrada nalguns segmentos desprotege-os; O custo salarial desta proteção e de todas as ineficiências (justiça, falta de concorrência...) gera fenómenos de working poor que são um paradoxo numa sociedade moderna; O sistema de formação e de seguro de desemprego não é eficaz. Mário Centeno Banco de Portugal 32/34
33 O novo contrato social deve ser apresentado como um todo. As reformas que são discutidas de forma parcial não inspiram um grau de confiança suficiente nos parceiros sociais. 1. Segurança social: financiar através de taxas ou de benefícios obrigatórios 2. Seguro de desemprego: Financiamento e incentivos Empresas: internalização dos custos de despedimento; Trabalhadores: contas individuais. 3. Políticas ativas de emprego: devem ser parte do desenho do sistema Mário Centeno Banco de Portugal 33/34
34 Obrigado Repensar a Segurança Social Lisboa, 2 de julho de 2013
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