NOTIFICAÇÃO RECOMENDATÓRIA 01/2013
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- Matheus Henrique Sá Imperial
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1 NOTIFICAÇÃO RECOMENDATÓRIA 01/2013 NOTIFICANTE: Promotoria de Justiça de Colniza. NOTIFICADOS: Município de Colniza, na pessoa do exmo. Prefeito Municipal João Assis Ramos e da Secretária de Educação e Cultura; Comissão Organizadora do Carnaval, na pessoa de Aleilson Martins Almeida; Organizadores dos blocos/abadás de Carnaval; Proprietários, possuidores e responsáveis pelos estabelecimentos/barracas em que há o fornecimento de bebidas alcoólicas; CIA da Polícia Militar; Conselho Tutelar; Vigilância Sanitária; bem como seus prepostos e colaboradores. REFERÊNCIA: CARNAVAL DE RUA - Entrada e permanência de menores; controle da venda/fornecimento gratuito de bebidas alcoólicas no local e arredores; proibição de garrafas de vidro; e outras regras referentes à segurança, saúde, meio ambiente e ordenação urbanística. CONSIDERANDO que, nos termos do art. 201, inciso VIII, da Lei nº 8.069/90, compete ao Ministério Público zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias legais assegurados a crianças e adolescentes, promovendo as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis ; 1/7
2 CONSIDERANDO que em Colniza-MT é realizado Carnaval de rua, onde é comum a prática do consumo de bebidas alcoólicas, assim como ocorrem eventuais atos de violência; CONSIDERANDO que tramita no Juízo único da Comarca pedido de alvará judicial referente o Carnaval, que essa Promotoria recebeu ofícios da Secretaria de Educação e Cultura e dos Conselheiros Tutelares SILVANE e MARCELO sobre o tema; CONSIDERANDO que, na perspectiva de evitar a exposição de crianças e adolescentes a tais situações, o art.149, da Lei nº 8.069/90, conferiu à autoridade judiciária a competência de regulamentar, por meio de portaria, o acesso e a permanência de crianças e adolescentes desacompanhados de seus pais ou responsável em bailes ou promoções dançantes e em boate ou congênere (cf. art.149, inciso I, alíneas b e c do citado Diploma Legal); CONSIDERANDO que a fiscalização no acesso e permanência de crianças e adolescentes desacompanhados dos pais aos bailes e/ou festas carnavalescas, cabem aos proprietários dos estabelecimentos onde serão estes realizados e/ou responsáveis pelos eventos respectivos, por si ou por intermédio de seus prepostos; CONSIDERANDO que esses locais de diversão devem ter um rigoroso controle de acesso, de modo a não permitir o acesso ou a permanência de crianças e adolescentes desacompanhados dos pais ou responsável, fora dos horários e faixas etárias definidas em regulamentação legal; CONSIDERANDO que eventual descumprimento, a título de dolo ou por simples culpa, importa, em tese, na prática da infração administrativa tipificada no art. 258, da Lei nº 8.069/90, sujeitando os organizadores do bloco/abadá, os responsáveis barraca e/ou responsáveis pelo evento a uma multa de 03 (três) a 20 (vinte) 2/7
3 salários de referência devidamente corrigidos para cada criança ou adolescente encontrado irregularmente no local; CONSIDERANDO que bebidas alcoólicas são substâncias entorpecentes manifestamente prejudiciais à saúde física e psíquica, eis que causam dependência química e podem gerar violência; CONSIDERANDO que a ingestão de bebidas alcoólicas por crianças e adolescentes constitui forma de desvirtuamento de sua formação moral e social, facilitando seu acesso a outros tipos de drogas; CONSIDERANDO que, em razão disto, é proibida a venda à criança ou adolescente de bebidas alcoólicas e que constitui crime vender, fornecer, ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida, nos termos dos arts. 81, incisos II e III, e 243, ambos da Lei nº 8.069/90; CONSIDERANDO que, na forma da Lei e da Constituição Federal, todos têm o dever de colocar as crianças e adolescentes a salvo de toda forma de negligência, assim como de prevenir a ocorrência de ameaça ou de violação de seus direitos (cf. art. 227, da Constituição Federal c/c arts.4º, caput, 5º, 18 e 70, da Lei nº 8.069/90, respectivamente), o que inclui o dever dos NOTIFICADOS relacionados aos locais e circunstâncias em que são comercializas as bebidas alcoólicas, bem como seus prepostos, de coibir a venda, o fornecimento e o consumo de bebidas alcoólicas por crianças e adolescentes no local do evento e arredores, ainda que o fornecimento ou a entrega seja efetuada por terceiros; CONSIDERANDO que, por terem o dever legal de impedir a venda ou o repasse a crianças e adolescentes, ainda que por terceiros, das bebidas alcoólicas comercializadas no carnaval, os responsáveis e/ou prepostos podem ser responsabilizados administrativa, civil e mesmo criminalmente pelo ocorrido (nos moldes do disposto no art.29, do Código Penal), não sendo aceita a usual desculpa de que a 3/7
4 venda foi feita originalmente a adultos e que seriam estes os responsáveis por sua posterior entrega à criança ou adolescente; CONSIDERANDO, por fim, que é assegurado o livre acesso dos órgãos de segurança pública, assim como do Conselho Tutelar, representantes do Ministério Público e do Poder Judiciário, aos locais de diversão (o que abrange os estabelecimentos onde serão realizados bailes e eventos abertos ao público), em especial quando da presença de crianças e adolescentes, constituindo crime impedir ou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou representante do Ministério Público no exercício de função prevista nesta lei (cf. art.236, da Lei nº 8.069/90); O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROS- SO, por seu órgão de execução que ao final assina, no uso de suas atribuições que lhes são conferidas pelos artigos 127 e 129, II, da Constituição Federal, art. 27, parágrafo único, inciso IV, e art. 25, da Lei nº 8.625, de , art. 22, da Lei Complementar Estadual nº 416/2010, e aplicando subsidiariamente a Lei Orgânica do Ministério Público da União, Lei Complementar nº 75, de especialmente a norma do art. 6º, inciso XX, que autoriza expedir recomendações, visando a melhoria dos serviços públicos e de relevância pública, bem como o respeito aos interesses, direitos e bens cuja defesa lhe cabe promover, fixando prazo para adoção das providências cabíveis, bem como, pelo artigo 201, inciso VIII e 2º e 5º, alínea c, da Lei nº 8.069/1.990 (Estatuto da Criança e do Ado - lescente),dentre outros dispositivos legais atinentes à espécie, expede a presente: NOTIFICAÇÃO RECOMENDATÓRIA 4/7
5 A fim de que sejam fiscalizadas e cumpridas as disposições alhures mencionadas, no carnaval de rua e arredores, pelo Conselho Tutelar de Colniza-MT, Polícia Militar e pelo Município de Colniza-MT, o qual emite os alvarás para os eventos, nos seguintes termos: 1 - Que a Comissão Organizadora do Carnaval, Organizadores dos blocos/abadás de Carnaval; Proprietários, possuidores e responsáveis pelos estabelecimentos/barracas em que há o fornecimento de bebidas alcoólicas, abertos ou não ao público em geral, com ou sem a cobrança de ingressos, efetuem por si ou por intermédio de prepostos um rigoroso controle de acesso aos respectivos locais de diversão, de modo que não seja permitido o ingresso de crianças e adolescentes desacompanhados dos pais ou responsável legal (tutor ou guardião), em desacordo com as disposições contidas na Portaria Judicial expedida para tal finalidade; 2 - Que o controle de acesso seja efetuado mediante apresentação dos documentos de identidade da criança ou adolescente e de seus pais ou responsável, bem como, neste último caso, dos respectivos termos de guarda ou tutela; sua autenticidade, o acesso não deve ser permitido; 3 - Que no caso de falta de documentação ou dúvida quanto à 4 - Estando a criança ou adolescente acompanhada de seus pais ou responsável legal, o acesso deverá ser permitido, porém deverão ser estes orientados a levar consigo seus filhos ou pupilos ao saírem, de modo que os mesmos não permaneçam no local desacompanhados, sob pena de serem responsabilizados por omissão no seu dever de cuidado; 5 - Que a Comissão Organizadora do Carnaval, Organizadores dos blocos/abadás de Carnaval; Proprietários, possuidores e responsáveis pelos estabelecimentos/barracas em que há o fornecimento de bebidas alcoólicas, abertos ou não 5/7
6 ao público em geral, onde são comercializadas bebidas alcoólicas, bem como seus prepostos, se abstenham de vender, fornecer ou servir bebidas alcoólicas a crianças e adolescentes, afixando, em local visível ao público, cartazes alertando desta proibição e mencionando o fato de constituir crime; 6 - Que NOTIFICADOS também se empenhem em coibir o fornecimento de bebidas alcoólicas a crianças e adolescente por terceiros, nas dependências de seus estabelecimentos, suspendendo de imediato a venda de bebidas a estes e acionando a Polícia Militar, para sua prisão em flagrante pela prática do crime tipificado no art. 243, da Lei nº 8.069/90; 7 - Em caso de dúvida quanto à idade da pessoa à qual a bebida alcoólica estiver sendo vendida ou fornecida, deve ser solicitada a apresentação de seu documento de identidade, sob pena de incidência do contido nos itens 5 e 6 desta Recomendação; 8 Deve ser assegurado livre acesso ao Conselho Tutelar, assim como aos representantes do Ministério Público e do Poder Judiciário e órgãos de segurança pública aos locais em que realizado festividades carnavalescas, para fins de fiscalização do efetivo cumprimento das disposições contidas nesta recomendação, bem como para evitar e/ou reprimir eventuais infrações que estiverem sendo praticadas, devendo ser aos mesmos prestada toda colaboração e auxílio que se fizerem necessários; 9 - Que seja devidamente divulgada essa recomendação ministerial, para orientação e conhecimento do público, que versa sobre o acesso de crianças e adolescentes desacompanhados dos pais ou responsável legal a seus estabelecimentos, sendo também recomendável, quando da venda de ingressos e/ou distribuição de convites, ainda que em local diverso, que sejam prestadas as orientações contidas em ambos documentos, em caráter preventivo. 6/7
7 Se necessário, o Ministério Público tomará as medidas judiciais cabíveis para assegurar o fiel cumprimento da presente Recomendação, sem prejuízo da apuração de eventual responsabilidade daqueles cuja ação ou omissão resultar na violação dos direitos de crianças e adolescentes tutelados pela Lei nº 8.069/90, ex vi do disposto nos arts. 5º, 208, caput e par. único, 212, 213, 243 e 258, todos da Lei nº 8.069/90. Colniza/MT, 31 de Janeiro de RICARDO AUGUSTO FARIAS MONTEIRO Promotor de Justiça 7/7
CONSIDERANDO o que o Sr. João Lima Goes relatou ao Conselho Tutelar de Alto Piquiri Paraná, cuja cópia segue em anexo;
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