Manual de Direito Processual do Trabalho
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- Bento Carvalho Chaves
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1 Manual de Direito Processual do Trabalho
2 1 a edição Fevereiro, a edição 2 a tiragem, setembro, a edição Fevereiro, a edição Fevereiro, a edição Janeiro, a edição 2 a tiragem, agosto, a edição Fevereiro, a edição 2 a tiragem, setembro, a edição Janeiro, a edição 2 a tiragem, setembro, a edição Janeiro, a edição 2 a tiragem, julho, a edição 3 a tiragem, outubro, a edição Janeiro, a edição Agosto, a edição 2 a tiragem, outubro, a edição janeiro, 2016
3 Mauro schiavi Juiz Titular da 19 a Vara do Trabalho de São Paulo. Mestre e Doutor em Direito das Relações Sociais pela PUC/SP. Professor Universitário (Graduação e Pós-Graduação). Professor Convidado dos Cursos de Pós-Graduação da PUC/SP (COGEAE), Escola Paulista de Direito (EPD), Faculdade de Direito de Sul de Minas (FDSM) EJUD 2/Mackenzie, Rede LFG (NTC) e ESA (Escola Superior de Advocacia). Professor Convidado das Escolas Judiciais dos TRTs das 1 a, 2 a, 5 a, 6 a, 7 a, 8 a, 11 a, 12 a, 13 a, 15 a, 16 a, 17 a, 19 a, 20 a, 22 a e 24 a Regiões. Manual de Direito Processual do Trabalho 10 a Edição de acordo com novo CPC
4 R EDITORA LTDA. Todos os direitos reservados Rua Jaguaribe, 571 CEP São Paulo, SP Brasil Fone: (11) Janeiro, 2016 Versão impressa: LTr ISBN Versão digital: LTr ISBN Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Schiavi, Mauro Manual de direito processual do trabalho / Mauro Schiavi. 10. ed. de acordo com Novo CPC. São Paulo : LTr, Bibliografia. 1. Direito processual do trabalho 2. Direito processual do trabalho Brasil I. Título CDU-347.9:331 Índice para catálogo sistemático: 1. Direito processual do trabalho 347.9:331
5 Esta edição é dedicada especialmente aos que estão sempre ao meu lado. Angélica Cabral Schiavi, minha esposa, e Zeus, meu cachorro.
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7 AGRADECIMENTOS: Ao Armando Casimiro Costa Filho, pela confiança neste trabalho e pelo profissionalismo e entusiasmo com que divulga a cultura jurídica. A Mara Batista Paixão e toda a sua equipe, pelo cuidado, profissionalismo e competência na editoração desta obra. Ao Lacier José de Rezende, pela amizade e pelo incentivo na elaboração do livro. À Lucélia, do Curso Robortella, pelo incentivo e pela confiança no nosso trabalho. Ao Leonel Maschietto e ao Sidnei Freire, pela amizade e incentivo na elaboração deste trabalho. Aos caros Samuel Brandão e Beatriz de Lourdes Antonio, pelo incentivo e ajuda na divulgação desta obra.
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9 Sumário Nota à Décima Edição Apresentação Capítulo I Teoria Geral do Direito Processual do Trabalho 1. Do conflito trabalhista Das formas de solução dos conflitos trabalhistas a) autotutela b) autocomposição c) heterocomposição d) mediação e conciliação Da conciliação Homologação de transação extrajudicial pelo Juiz do Trabalho Consequências da supressão da expressão conciliar e julgar do art. 114 da CF Das Comissões de Conciliação Prévia Conceito Obrigatoriedade ou facultatividade? Efeitos da transação na Comissão de Conciliação Prévia (eficácia da quitação) Arbitragem no Direito Processual do Trabalho Da jurisdição Da lide Da pretensão Da demanda Do conceito e das características da jurisdição Princípios da jurisdição Espécies de jurisdição Do processo Dos pressupostos processuais Da ação Conceito Das condições da ação Interesse processual Legitimidade Manual de Direito Processual do Trabalho 9
10 8.5. Possibilidade jurídica do pedido Teoria da asserção quanto às condições da ação Da avaliação das condições da ação no Processo do Trabalho e a postura do Juiz do Trabalho. Aplicação da teoria da asserção Da carência da ação Do mérito do processo Dos princípios constitucionais do processo Dos princípios constitucionais do processo em espécie Devido processo legal Princípio do Juiz e do Promotor Natural Princípio da igualdade Princípio da inafastabilidade da jurisdição (acesso à Justiça) Princípio do contraditório e da ampla defesa Princípio do duplo grau de jurisdição Princípio da motivação das decisões judiciais Princípio da publicidade Princípio da vedação da prova ilícita Princípio da duração razoável do processo Princípios do Processo Civil previstos na Lei Ordinária e que são aplicáveis ao Processo do Trabalho a) Princípio da ação, demanda ou da inércia do judiciário b) Princípio da disponibilidade ou dispositivo c) Princípio do impulso processual d) Princípio da oralidade e) Princípio da instrumentalidade das formas f) Princípio da cooperação g) Princípio da observância da ordem cronológica das decisões Capítulo II Do Direito Processual do Trabalho 1. Conceito de Direito Processual do Trabalho Posição enciclopédica do Direito Processual do Trabalho. Autonomia do Direito Processual do Trabalho Dos princípios peculiares do Direito Processual do Trabalho Protecionismo temperado ao trabalhador Informalidade Conciliação Celeridade Simplicidade Oralidade Majoração dos poderes do Juiz do Trabalho na direção do processo Subsidiariedade Mauro Schiavi
11 3.9. Função social do Processo do Trabalho Princípio da normatização coletiva Das fontes do Direito Processual do Trabalho Interpretação do Direito Processual do Trabalho Regras de interpretação constitucional Da aplicação subsidiária do Direito Processual Civil ao Direito Processual do Trabalho e as lacunas da CLT O Código de Processo Civil de 2015 e o Processo do Trabalho As lacunas do Processo do Trabalho e aplicação do CPC Da vigência da norma processual trabalhista e as regras de direito intertemporal Processos em curso oriundos das Justiças Estadual e Federal quando da vigência da EC n. 45/04 e as regras de direito intertemporal Das espécies de procedimentos no Processo do Trabalho Do procedimento para as ações que não envolvam parcelas trabalhistas stricto sensu Capítulo III Organização da Justiça do Trabalho Brasileira 1. Referências históricas e evolução da Justiça do Trabalho brasileira Dos órgãos da Justiça do Trabalho Das garantias da Magistratura do Trabalho Do acesso à Magistratura do Trabalho Do Juiz do Trabalho e das Varas do Trabalho Do papel do Juiz do Trabalho Dos Tribunais Regionais do Trabalho Do Tribunal Superior do Trabalho Dos serviços auxiliares da Justiça do Trabalho Dos distribuidores Capítulo IV Do Ministério Público do Trabalho 1. Conceito e origem Princípios do Ministério Público Do Ministério Público do Trabalho Da prerrogativa do Procurador do Trabalho de sentar-se ao lado do Juiz do Trabalho nas audiências trabalhistas Da competência do Ministério Público do Trabalho Formas de atuação do Ministério Público do Trabalho Judicial Qualidade de parte ou agente Fiscal da lei (custos legis) ou interveniente Extrajudicial Inquérito civil público Termo de Ajustamento de Conduta Manual de Direito Processual do Trabalho 11
12 Capítulo V Competência da Justiça do Trabalho 1. Do conceito de competência Competência material da Justiça do Trabalho brasileira após a EC n. 45/04 e competência em razão da pessoa Da competência material da Justiça do Trabalho Controvérsias oriundas e decorrentes da relação de trabalho Do conceito de relação de trabalho Competência da Justiça do Trabalho para apreciar as lides oriundas da relação de trabalho Trabalhador autônomo Trabalhador eventual Trabalhador avulso Empregados de Cartórios Extrajudiciais Competência da Justiça do Trabalho para as relações de trabalho que configuram relação de consumo Servidor público. Relação estatutária Contratação temporária pela Administração Pública Os contratos de empreitada e a pequena empreitada Contratos de prestação de serviços Entes de direito público externo Outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho (inciso IX do art. 114 da CF) Competência para as ações que envolvem o exercício do direito de greve Da competência da Justiça do Trabalho para o julgamento da greve dos servidores públicos Ações possessórias e interdito proibitório que decorre da greve Ações indenizatórias que decorrem da greve Ações sobre representação sindical a) lides intersindicais não coletivas b) lides intrassindicais c) conflitos sobre contribuições sindicais Habeas corpus Mandado de segurança Habeas data Competência penal da Justiça do Trabalho Ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes da relação de trabalho Danos na fase pré-contratual Danos na fase pós-contratual Competência da Justiça do Trabalho para os pedidos de complementação de aposentadoria Penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos da fiscalização do trabalho Mauro Schiavi
13 11.1. Execução fiscal das multas decorrentes da fiscalização do trabalho Órgãos de fiscalização do exercício de profissões regulamentadas Ações sobre o FGTS movidas em face da CEF Execução, de ofício, das contribuições sociais das sentenças que proferir Da competência territorial da Justiça do Trabalho brasileira Empregado brasileiro que trabalha no estrangeiro Foro de eleição na Justiça do Trabalho Competência funcional da Justiça do Trabalho Competência funcional das Varas do Trabalho Competência funcional dos Tribunais Regionais do Trabalho Competência funcional do Tribunal Superior do Trabalho a) Da competência do Tribunal Pleno b) Da competência da Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) c) Da competência da Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-I e SDI-II). 319 d) Da competência das Turmas do TST Da modificação da competência na Justiça do Trabalho Conflitos de competência entre órgãos que detêm jurisdição trabalhista Capítulo VI Das Partes e Procuradores no Processo do Trabalho 1. Conceito de parte Da capacidade para ser parte na Justiça do Trabalho Da representação e assistência das partes na Justiça do Trabalho Da representação do empregado menor de 18 anos na Justiça do Trabalho Da capacidade postulatória da parte na Justiça do Trabalho O jus postulandi da parte na Justiça do Trabalho. Aspectos críticos e perspectivas Sucessão das partes no Processo do Trabalho Da substituição processual (legitimidade extraordinária) A substituição processual pelo sindicato no Direito Processual do Trabalho Do rol de substituídos Liquidação e execução da decisão genérica Substituição processual e interrupção da prescrição Da regularização da representação processual Do litisconsórcio no Processo do Trabalho Conceito Do litisconsórcio previsto na CLT Do litisconsórcio necessário no Processo do Trabalho Do litisconsórcio unitário no Processo do Trabalho Intervenção iussu iudicis Litisconsórcio multitudinário Prazo em dobro para os litisconsortes com patronos diferentes Do advogado na Justiça do Trabalho Da procuração Manual de Direito Processual do Trabalho 13
14 13. Da procuração apud acta Dos honorários advocatícios na Justiça do Trabalho que decorrem da sucumbência Dos honorários advocatícios previstos no Código Civil de 2002 e o Processo do Trabalho Da assistência judiciária e justiça gratuita no Processo do Trabalho Do deferimento da justiça gratuita ao empregador Dos deveres das partes e procuradores Da litigância de má-fé no Processo do Trabalho Da possibilidade de condenação solidária do advogado por litigância de má-fé Do assédio processual Da reparação do assédio processual no âmbito trabalhista Capítulo VII Da Intervenção de Terceiros no Direito Processual do Trabalho 1. Da intervenção de terceiros e princípios que a orientam Da compatibilidade da intervenção de terceiros com o procedimento trabalhista A intervenção do amicus curiae Das espécies de intervenção de terceiros e sua aplicabilidade no Direito Processual do Trabalho Assistência Nomeação à autoria Oposição Oposição em dissídio coletivo de natureza econômica Denunciação da lide Chamamento ao processo Capítulo VIII Dos Atos Processuais 1. Conceito de atos e fatos processuais Princípios dos atos processuais no Processo do Trabalho Publicidade Limites temporais Forma Documentação Preclusão Da prática dos atos processuais por meios eletrônicos e processo judicial eletrônico Da Resolução n. 136/14 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho Termo processual Dos prazos processuais Da contagem dos prazos processuais Privilégios de prazo Da comunicação dos atos processuais trabalhistas: citação, notificação e intimação Da comunicação dos atos processuais por intermédio de Cartas Precatórias, Rogatórias e de Ordem Mauro Schiavi
15 9. Das despesas processuais no Processo do Trabalho Custas processuais e emolumentos Da suspensão do processo Capítulo IX Das Nulidades no Direito Processual do Trabalho 1. Conceito e espécies Princípios das nulidades Prejuízo ou transcendência Princípio da instrumentalidade das formas Princípio da convalidação Princípio da renovação dos atos processuais viciados ou saneamento das nulidades Princípio do aproveitamento dos atos processuais praticados Princípio do interesse Capítulo X Da Prescrição no Direito Processual do Trabalho 1. Conceito e distinção com a decadência Causas de interrupção, impedimento e suspensão da prescrição e o Processo do Trabalho Prescrição na ação declaratória no Processo do Trabalho Da prescrição intercorrente Do momento da arguição da prescrição no Processo do Trabalho Reconhecimento da prescrição de ofício no Direito Processual do Trabalho Prescrição aplicável para as ações que não envolvem uma parcela trabalhista stricto sensu e das ações em curso que vieram para o Judiciário Trabalhista Da prescrição do dano moral decorrente da relação de trabalho Prescrição dos danos materiais e morais decorrentes do acidente de trabalho O não decurso do prazo prescricional enquanto a responsabilidade pelo fato lesivo estiver sendo apurada no juízo criminal Regras de transição da prescrição e processos em curso oriundos da Justiça Comum para a Justiça do Trabalho e as regras de direito intertemporal quanto às reparações civis pelo acidente de trabalho Capítulo XI Da Petição Inicial no Direito Processual do Trabalho 1. Conceito e fundamentos Requisitos da petição inicial trabalhista Requisitos da inicial trabalhista exigidos pela CLT a) Endereçamento b) Qualificação das partes c) Causa de pedir (breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio) d) Do pedido e o princípio da extrapetição no Processo do Trabalho d.1.) Da cumulação de pedidos d.2.) Pedido alternativo d.3.) Pedido subsidiário Manual de Direito Processual do Trabalho 15
16 e) Do valor da causa no Processo do Trabalho e.1.) Impugnação do valor atribuído à causa e controle judicial sobre o valor atribuído à causa no Processo do Trabalho f) Assinatura da petição inicial g) Requisitos não exigidos na inicial trabalhista Efeitos processuais da inicial Da emenda e aditamento da inicial no Processo do Trabalho Documentos que devem acompanhar a inicial trabalhista Do indeferimento da petição inicial no Processo do Trabalho Da inépcia da inicial trabalhista Do recurso em face do indeferimento liminar da inicial no Processo do Trabalho Capítulo XII Da Audiência Trabalhista 1. Conceito Princípios da audiência trabalhista Peculiaridades da audiência trabalhista O procedimento da audiência trabalhista quando há o comparecimento do Juiz do Trabalho e das partes Da condução da audiência pelo Juiz do Trabalho: ordem da oitiva das partes e testemunhas Da importância do comparecimento das partes no Processo do Trabalho Do atraso das partes e do Juiz do Trabalho à audiência Da ausência do advogado Da ausência do reclamante e a possibilidade de representação do empregado Da possibilidade de aplicação da confissão ao reclamante ausente à audiência em prosseguimento Da ausência do reclamado Nomeação de curador especial para o reclamado revel Ausência do reclamante e do reclamado Da ausência do reclamado e presença do advogado (Súmula n. 122 do TST) Da representação do reclamado em audiência. Efeitos. Condição de empregado do preposto. Súmula n. 377 do C. TST e efeitos Efeitos processuais da representação do empregador por preposto que não ostenta a qualidade de empregado Capítulo XIII Da Revelia no Direito Processual do Trabalho 1. Introdução Do conceito de revelia no Direito Processual Civil e no Direito Processual do Trabalho Dos efeitos da revelia no Direito Processual do Trabalho Revelia e confissão no Direito Processual do Trabalho Elisão da revelia no Direito Processual do Trabalho Nulidade da citação Ausência motivada do preposto Hipóteses de não aplicabilidade dos efeitos da revelia no Direito Processual do Trabalho Havendo pluralidade de réus, um deles contestar a ação Mauro Schiavi
17 6.2. Se o litígio versar sobre direitos indisponíveis (art. 392 do CPC) Se a petição inicial não estiver acompanhada de documento essencial As alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos A revelia e a pessoa jurídica de direito público A revelia quando há necessidade de prova pericial O Juiz do Trabalho diante da revelia Capítulo XIV Da Resposta 1. Conceito Da contestação Das preliminares da contestação I Nulidade da citação II Litispendência III Coisa julgada IV Incompetência absoluta V Da perempção VI Inépcia da inicial VII Carência da ação VIII Conexão Da compensação e da retenção como matérias de defesa Matérias que podem ser invocadas depois da contestação Da ordem de enumeração da matéria defensiva Das exceções Exceções de impedimento e de suspeição Procedimento das exceções de impedimento e suspeição Exceção de incompetência Da reconvenção Conceito e requisitos de admissibilidade Do procedimento da reconvenção no Processo do Trabalho Da reconvenção nas ações de natureza dúplice na esfera processual do trabalho Reconvenção de reconvenção no Processo do Trabalho Capítulo XV Das Provas no Processo do Trabalho 1 a Parte Teoria Geral das Provas no Processo do Trabalho 1.1. Do conceito e finalidade da prova Objeto da prova Das máximas de experiência e a prova no Processo do Trabalho Da prova do Direito no Direito Processual do Trabalho Princípios da prova no Direito Processual do Trabalho Necessidade da prova Manual de Direito Processual do Trabalho 17
18 Contraditório e ampla defesa Licitude e probidade da prova Oralidade Aquisição processual da prova no Processo do Trabalho Convencimento motivado do juiz Busca da verdade real Aptidão para a prova Princípio da lealdade processual e boa-fé A prova emprestada no Direito Processual do Trabalho Requisitos para utilização da prova emprestada no Direito Processual do Trabalho Ônus da prova no Direito Processual do Trabalho O ônus da prova e o fato negativo Da inversão do ônus da prova no Direito Processual do Trabalho A moderna teoria da carga dinâmica do ônus da prova A revelia e a produção de provas no Direito Processual do Trabalho Valoração da prova no Direito Processual do Trabalho Da aplicação do princípio in dubio pro operario na valoração da prova pelo Juiz do Trabalho Dos poderes instrutórios do Juiz do Trabalho Da prova ilícita no Direito Processual do Trabalho A prova ilícita e o Juiz do Trabalho Fases do Procedimento Probatório a Parte Das Provas em Espécie 2.1. Interrogatório e depoimento pessoal Dos conceitos de interrogatório e depoimento pessoal Da compatibilidade do depoimento pessoal com o Processo do Trabalho e sua importância prática Da confissão Da prova documental Da exibição de documentos Documentos trabalhistas típicos Carteira de Trabalho e Previdência Social Recibos de pagamento e quitação e cartões de ponto Da oportunidade de juntada dos documentos Da autenticidade dos documentos no Processo do Trabalho Da arguição de falsidade documental no Processo do Trabalho Valoração do documento no processo do trabalho Da ata notarial Da prova testemunhal no Processo do Trabalho Do conceito e admissibilidade da prova testemunhal no Processo do Trabalho Mauro Schiavi
19 Da capacidade para ser testemunha. Das incapacidades, impedimentos e suspeições das testemunhas no Processo do Trabalho a) amizade íntima b) empregado que exerce cargo de confiança na empresa c) testemunha que litiga contra o mesmo empregador em troca de favores Depoimento da testemunha menor de 18 anos no Processo do Trabalho Número máximo de testemunhas no Processo do Trabalho Da qualificação da testemunha. A testemunha que não porta documento poderá ser ouvida? Da contradita Da substituição das testemunhas Da produção da prova testemunhal no Processo do Trabalho Da acareação das testemunhas e testemunhas e partes a. Da valoração da prova testemunhal pelo Juiz do Trabalho b. Do falso testemunho no Processo do Trabalho e o Juiz do Trabalho diante do falso testemunho Da prova pericial Sistemática da realização das perícias Da valoração da prova pericial Do pagamento dos honorários periciais Da inspeção judicial no Direito Processual do Trabalho Capítulo XVI Sentença e Coisa Julgada 1 a Parte Da Sentença Trabalhista 1. Conceito e natureza jurídica Princípios da sentença trabalhista Requisitos estruturais da sentença trabalhista a) Relatório b) Fundamentação b.1) Da ordem de apreciação na sentença trabalhista das matérias preliminares b.2) Ordem de apreciação da matéria de mérito c) Dispositivo ou conclusão Classificação das sentenças Nulidades da sentença a) Sentença inexistente b) Nulidade da sentença (Falta dos requisitos legais) c) Falta de fundamentação (Nulidade) d) Nulidade sentença citra petita, extra petita e ultra petita e) Sentença citra petita f) Sentença ultra petita g) Sentença extra petita Manual de Direito Processual do Trabalho 19
20 6. Possibilidade de julgamento extra petita ou ultra petita no Processo do Trabalho Princípio da ultrapetição Da inalterabilidade da sentença depois da publicação A sentença trabalhista e a hipoteca judiciária a Parte Da Coisa Julgada no Direito Processual do Trabalho 8. Conceito. Coisa julgada material e coisa julgada formal Limites subjetivos da coisa julgada Limites objetivos da coisa julgada Dos efeitos da coisa julgada criminal no Processo do Trabalho Relativização da coisa julgada material no Processo do Trabalho Capítulo XVII Dos Ritos Sumaríssimo e Sumário no Processo do Trabalho 1. Dos ritos sumário e sumaríssimo trabalhistas Do rito sumário Do rito sumaríssimo Da obrigatoriedade ou facultatividade do rito sumaríssimo Da possibilidade de conversão do rito sumaríssimo para ordinário Da aplicabilidade do rito sumaríssimo Requisitos da petição inicial no rito sumaríssimo e possibilidade de emenda da inicial Da citação por edital no rito sumaríssimo Aspectos do procedimento sumaríssimo Capítulo XVIII Recursos no Processo do Trabalho 1 a Parte Teoria Geral dos Recursos Trabalhistas 1.1. Dos recursos conceito, fundamentos e natureza jurídica Classificação dos recursos Princípios dos recursos trabalhistas Duplo grau de jurisdição Taxatividade Singularidade ou unirrecorribilidade Fungibilidade Proibição da reformatio in pejus Variabilidade Dialeticidade Irrecorribilidade em separado das decisões interlocutórias Da remessa necessária ou recurso de ofício Recursos e direito intertemporal Decisões irrecorríveis no Processo do Trabalho Decisão interlocutória Dissídios de alçada (irrecorribilidade) Despachos Mauro Schiavi
21 1.6. Pressupostos recursais Pressupostos recursais intrínsecos ou subjetivos Cabimento Legitimidade Interesse recursal Pressupostos recursais extrínsecos ou objetivos Preparo Depósito recursal Regularidade formal Assinatura Tempestividade Efeitos dos recursos trabalhistas Do efeito devolutivo Efeito translativo Regressivo Substitutivo Suspensivo Do processamento dos recursos trabalhistas Do art. 932 do CPC (majoração dos poderes do relator) A força criativa da jurisprudência pelos tribunais A questão do precedente judicial Força vinculante da jurisprudência dos Tribunais a Parte Dos Recursos Trabalhistas em Espécie 2.1. Do recurso ordinário Conceito e requisitos Os 3 o e 4 o do art do CPC e a teoria da causa madura e sua aplicação no recurso ordinário trabalhista O art. 938 do CPC (saneamento das nulidades no recurso ordinário) Recurso de revista Conceito Requisitos específicos do recurso de revista Pressupostos objetivos Pressupostos subjetivos Hipóteses de cabimento a) Divergência jurisprudencial (Lei Federal) b) Divergência jurisprudencial (interpretação de lei estadual, convenção coletiva, acordo coletivo, sentença normativa ou regulamento de empresa) c) Violação de literal dispositivo de Lei Federal ou da Constituição da República Execução de sentença Execução de título executivo extrajudicial, execução fiscal e certidão negativa de débitos trabalhistas Admissibilidade do recurso e saneamento de nulidades Recurso de revista no rito sumaríssimo Manual de Direito Processual do Trabalho 21
22 Transcendência no recurso de revista Efeitos do recurso de revista Efeito devolutivo Efeito suspensivo no recurso de revista Da uniformização da jurisprudência dos Tribunais Regionais do Trabalho Incidente de solução de demandas repetitivas no TST Dos embargos de declaração Conceito e natureza jurídica Hipóteses cabíveis Caráter infringente dos embargos (efeito modificativo) Embargos de declaração em face de decisão interlocutória Embargos de declaração e contraditório Embargos de declaração protelatórios e multa Embargos de declaração e prequestionamento Do processamento dos embargos de declaração Agravo de instrumento Agravo de petição Delimitação das matérias objeto da controvérsia Procedimento Do recurso adesivo no Processo do Trabalho Compatibilidade com o Processo do Trabalho e requisitos Pedido de revisão Embargos no TST Embargos infringentes Embargos de divergência Embargos de nulidade Processamento dos embargos no TST Do recurso extraordinário no âmbito trabalhista Da repercussão geral no recurso extraordinário Do processamento do recurso extraordinário Recurso extraordinário e execução de sentença trabalhista Do agravo regimental Capítulo XIX Da Liquidação de Sentença Trabalhista 1. Do conceito de liquidação de sentença e sua natureza jurídica Da liquidação por cálculos no Processo do Trabalho Se o reclamante não apresentar os cálculos, há prescrição intercorrente? Liquidação por arbitramento Liquidação por artigos (pelo procedimento comum) Da revelia na liquidação de sentença trabalhista Da natureza da decisão que decide a liquidação no Processo do Trabalho e impugnabilidade Liquidação de títulos executivos extrajudiciais no Processo do Trabalho Mauro Schiavi
23 Capítulo XX Da Execução na Justiça do Trabalho 1. Introdução e aspectos críticos Do conceito de execução trabalhista Dos princípios da execução trabalhista Primazia do credor trabalhista Princípio do meio menos oneroso para o executado Princípio do título Redução do contraditório Patrimonialidade Efetividade Utilidade Disponibilidade Função social da execução trabalhista Subsidiariedade Princípio da ausência de autonomia da execução trabalhista (procedimento sincrético) Princípio do impulso oficial Dos pressupostos processuais e condições da ação na execução Do mérito da execução Do título executivo Títulos executivos judiciais Títulos executivos extrajudiciais Do procedimento da execução por títulos executivos extrajudiciais no Processo do Trabalho Da competência para a execução trabalhista Legitimidade para promover a execução Ativa Da legitimidade ativa do espólio e sucessores (Cessionário) Da cessão do crédito trabalhista Do sub-rogado Da legitimidade passiva Da responsabilidade patrimonial Da responsabilidade patrimonial secundária Dos responsáveis secundários na execução no Processo do Trabalho (hipóteses típicas) Sucessão de empresas (empregadores) Da responsabilidade do sócio (desconsideração da personalidade jurídica) Do incidente de desconsideração da personalidade jurídica Do sócio que se retirou da sociedade há mais de 2 anos da data do ingresso da ação Teoria inversa da desconsideração da personsalidade jurídica Bens do cônjuge ou companheiro Da responsabilidade do devedor subsidiário Manual de Direito Processual do Trabalho 23
24 13.6. Responsabilidade da empresa do mesmo grupo econômico que não participou da fase de conhecimento Da fraude à execução no Processo do Trabalho Da fraude de execução e fraude contra credores Fraude de execução (penhora de bem imóvel) Do ato atentatório à dignidade da Justiça Da execução provisória na Justiça do Trabalho A nova execução provisória do Processo Civil e sua aplicabilidade no Processo do Trabalho Da penhora de dinheiro na execução provisória Execução provisória de obrigação de fazer Da audiência de conciliação na execução Da execução em face da massa falida e empresa em recuperação judicial Da alienação de bens durante o procedimento de recuperação judicial e a sucessão para fins trabalhistas Execução em face de empresas em liquidação extrajudicial Da execução de obrigações de fazer e não fazer na Justiça do Trabalho Execução em face da Fazenda Pública Da execução de parcelas sucessivas Execução da parcela previdenciária Execução das multas administrativas aplicadas ao empregador pelos órgãos de fiscalização do trabalho Execução de sentença trabalhista por quantia certa contra devedor solvente Do procedimento da CLT Do início da execução trabalhista e da citação do executado Do procedimento de cumprimento de sentença previsto no CPC Art. 523 do CPC Da aplicabilidade do art. 523 do CPC ao Processo do Trabalho Protesto extrajudicial da sentença trabalhista não cumprida Da certidão negativa de débitos trabalhistas Da penhora Conceito e efeitos da penhora Da indicação de bens à penhora, constrição e garantia do juízo Dos bens impenhoráveis Da impenhorabilidade do bem de família Da penhora de dinheiro e bloqueio de contas bancárias Da penhora de salário e do salário depositado em caderneta de poupança Penhora de bens imóveis Do registro da penhora do imóvel e consequências Da penhora do imóvel hipotecado Penhora de bem gravado com alienação fiduciária em garantia Mauro Schiavi
25 Penhora de bem gravado com leasing Penhora de crédito Penhora no rosto dos autos Penhora de faturamento Da penhora de empresa e do estabelecimento comercial Substituição de penhora Mais de uma penhora sobre o mesmo bem (concurso de credores na Justiça do Trabalho) Do arresto cautelar (art. 830 do CPC) Do auto de penhora Da avaliação dos bens penhorados Do depósito dos bens penhorados e depositário Depositário infiel Prisão determinada pelo Juiz do Trabalho Dos meios de defesa do executado e terceiro em face da execução Embargos à execução (título executivo judicial) Do conteúdo dos embargos à execução Do processamento dos embargos à execução Embargos à execução por título executivo extrajudicial Parcelamento da execução (art. 916 do CPC) e sua compatibilidade com o Processo do Trabalho Da exceção de pré-executividade na Justiça do Trabalho Dos embargos de terceiro Da Fase de Expropriação de Bens Da hasta pública Formalidades da hasta pública Expropriação Arrematação Conceito e legitimidade para arrematar Da arrematação parcelada de bens e sua compatibilidade com o Processo do Trabalho Adjudicação Remição da execução Remição de bens Prioridade no Processo do Trabalho Lance mínimo Lance vil Lance vil no Processo do Trabalho Impugnação da expropriação no Processo do Trabalho Da adjudicação antes da hasta pública e o Processo do Trabalho Alienação por iniciativa particular e o Processo do Trabalho Alienação por leilão eletrônico Suspensão e extinção da execução no Processo do Trabalho Manual de Direito Processual do Trabalho 25
26 Capítulo XXI Procedimentos Especiais Trabalhistas 1. Inquérito judicial para apuração de falta grave Do procedimento do inquérito judicial para apuração de falta grave Efeitos da decisão proferida no inquérito para apuração de falta grave Inquérito judicial para apuração de falta grave (natureza dúplice) e reconvenção Dissídio coletivo Dos conflitos coletivos trabalhistas e do interesse coletivo Do poder normativo da Justiça do Trabalho brasileira Do dissídio coletivo Conceito e espécies A questão do comum acordo para ajuizar o dissídio coletivo de natureza econômica A questão do comum acordo nos dissídios de greve e a legitimidade do Ministério Público do Trabalho Limites da competência normativa da Justiça do Trabalho brasileira O poder normativo se transformou em arbitragem judicial após a EC n. 45/04? Como resolver o impasse se o sindicato forte se recusa a negociar? Do procedimento no dissídio coletivo e questões processuais Da revelia no dissídio coletivo Da sentença normativa, recursos e coisa julgada no dissídio coletivo Da ação de cumprimento Competência da Justiça do Trabalho para a ação de cumprimento Legitimidade Dilação probatória Prescrição Capítulo XXII Ações Civis Admissíveis no Processo do Trabalho Das Tutelas de Urgência Previstas no Código de Processo Civil e o Processo do Trabalho Conceito e espécies Da fungibilidade das tutelas de urgência Da tutela antecipada e o Processo do Trabalho Da impugnação da medida que aprecia a tutela antecipada no Processo do Trabalho Da execução da tutela antecipada no Processo do Trabalho Da tutela antecipada das obrigações de fazer e não fazer e dar no Processo do Trabalho A tutela antecipada em face da Fazenda Pública Da tutela inibitória e sua aplicação no Processo do Trabalho Da tutela cautelar. Medidas cautelares e o Processo do Trabalho Teoria geral da tutela cautelar Do poder geral de cautela do Juiz do Trabalho Espécies de medidas cautelares Do procedimento das medidas cautelares no Processo do Trabalho Da tutela da evidência Da ação rescisória na Justiça do Trabalho Mauro Schiavi
27 5.1. Conceito e natureza jurídica Hipóteses de cabimento da ação rescisória a) Se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juízo b) Proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente c) Resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colusão ou simulação entre as partes, a fim de fraudar a lei d) Ofender a coisa julgada e) Violar manifestamente a norma jurídica f) Se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada na própria ação rescisória g) Depois do trânsito em julgado, o autor obtiver prova nova, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável h) Fundada em erro de fato verificável no exame dos autos Legitimidade para propor a ação rescisória Competência Da revelia na ação rescisória Procedimento na Justiça do Trabalho Prazo para a propositura da ação rescisória Da Ação Civil Pública na esfera trabalhista Do conceito de Ação Civil Pública. Natureza jurídica e aplicabilidade no Processo do Trabalho Competência para as ações coletivas na Justiça do Trabalho a) Material b) Funcional Da legitimidade para a propositura da Ação Civil Pública Litispendência entre a Ação Civil Pública e a Ação Individual Prescrição da pretensão nas ações coletivas trabalhistas Sentença e coisa julgada na Ação Civil Pública Da Ação Civil Coletiva Da ação de consignação em pagamento na Justiça do Trabalho Ação anulatória na Justiça do Trabalho Ação anulatória de normas convencionais na Justiça do Trabalho Legitimidade Competência material Competência hierárquica ou funcional Correição parcial na Justiça do Trabalho Habeas Corpus na Justiça do Trabalho Conceito e natureza jurídica Competência da Justiça do Trabalho Hipóteses de cabimento na Justiça do Trabalho Manual de Direito Processual do Trabalho 27
28 a) Ato da autoridade judiciária trabalhista b) Possibilidade de impetração contra ato de particular na Justiça do Trabalho Competência funcional e procedimento Ação Monitória A Ação Monitória no Direito Processual do Trabalho Do procedimento da Ação Monitória na Justiça do Trabalho Da ação monitória em face da Fazenda Pública Mandado de Segurança na Justiça do Trabalho Conceito de Mandado de Segurança Do direito líquido e certo Das competências material e funcional para o mandado de segurança Mandado de segurança em face de decisão interlocutória e na execução da sentença trabalhista Procedimento do mandado de segurança na Justiça do Trabalho Da liminar e da recorribilidade da decisão que a aprecia Da recorribilidade da decisão no mandado de segurança Do prazo para impetração do mandado de segurança Do Mandado de Segurança Coletivo O habeas data na Justiça do Trabalho Ações Possessórias na Justiça do Trabalho Do interdito proibitório Bibliografia Mauro Schiavi
29 Há homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida; estes são imprescindíveis. (Bertold Brecht)
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31 Nota à Décima Edição Primeiramente, agradeço a todos os leitores desta obra, que são os maiores responsáveis pela continuidade dos meus estudos, e pelos aperfeiçoamentos e atualizações dela. Esta 10 a edição é especial, pois já são quase dez anos trabalhando na atualização e aperfeiçoamento da obra, e é a 1 a na vigência do Novo Código de Processo Civil. O trabalho continua sendo intenso, tendo por objetivo apresentar ao leitor os aspectos fundamentais de cada instituto processual trabalhista, bem como as questões controvertidas tanto em sede doutrinária quanto jurisprudencial. A chegada do Novo Código de Processo Civil provoca, mesmo de forma inconsciente, um desconforto nos aplicadores do Processo Trabalhista, o que exigirá um esforço intenso da doutrina e jurisprudência para revisitar todos os institutos do processo do trabalho e analisar a compatibilidade, ou não, das novas regras processuais civis. Por outro lado, trata-se de um momento bastante estimulante para os estudiosos do processo trabalhista, e uma rara oportunidade para a melhoria da prestação jurisdicional trabalhista com a busca de institutos processuais civis que possam ser transportados, com eficiência, para a jurisdição trabalhista. Novas frentes e novos caminhos se abrem para os operadores do Processo do Trabalho. São muitos os institutos processuais civis que são compatíveis e impactarão o processo trabalhista, desde a nova principiologia da Codificação, ao prestigiar os princípios constitucionais do processo, buscando um processo mais justo e democrático, novo impulso aos meios alternativos de solução dos conflitos (mediação e conciliação), simplificação e nova roupagem das tutelas de urgência e evidência, intervenção de terceiros, amicus curiae, prestígio à boa-fé processual, novas regras de distribuição do ônus da prova, motivação da decisão, nova roupagem dos recursos, e medidas mais incisivas na execução das decisões. Por outro lado, o aplicador do processo trabalhista deve repelir os novos institutos processuais civis que não propiciarem melhorias ao processo trabalhista, tornando-o mais burocrático e moroso. Esta edição, a exemplo da anterior, está integralmente atualizada com o Novo CPC, e apresenta estudos mais detalhados sobre a aplicação supletiva e subsidiária do Código ao Processo do Trabalho, impactos da jurisprudência na tramitação dos recursos trabalhistas, tutelas de urgência e execução. Manual de Direito Processual do Trabalho 31
32 A obra continua com o propósito de trazer ao leitor o maior número de informações sobre cada tema do processo do trabalho, as divergências e as convergências da doutrina e as jurisprudência, bem como os entendimentos pessoais, enfrentando os problemas do cotidiano da aplicação do processo trabalhista no cotidiano dos Tribunais Trabalhistas. São muitos os desafios que se iniciam. Boa leitura a todos, e muito obrigado! O autor [email protected] 32 Mauro Schiavi
33 Apresentação A presente obra é fruto de experiência acumulada em aproximadamente 15 anos de frequência diária à Justiça do Trabalho, como servidor da Justiça do Trabalho (Vara do Trabalho e TRT), nos últimos 7 anos na Magistratura do Trabalho em São Paulo, e também de intensa pesquisa doutrinária e jurisprudencial empreendida nos últimos 5 anos. Em razão de frequência em cursos de pós-graduação lato e stricto sensu e, também, de termos atuado como professor de faculdades de graduação, pós-graduação e, principalmente, em cursos preparatórios para a OAB, Magistratura e Ministério Público do Trabalho, nas cidades de São Paulo e Campinas, pudemos constatar as necessidades tanto dos alunos, candidatos a concursos públicos, como dos que militam diariamente na Justiça do Trabalho e buscam soluções rápidas para os problemas do cotidiano, mas também necessitam aprofundar-se sobre as discussões doutrinárias e jurisprudenciais dos mais diversos assuntos que envolvem o Processo do Trabalho. Dessa forma, propusemo-nos a redigir o presente Manual, pesquisando e selecionando as melhores obras e melhores temas desenvolvidos por cada doutrinador, tanto do Direito Processual Civil como do Direito Processual do Trabalho, da jurisprudência mais significativa de cada tema, sempre externando nossa opinião sobre os temas de maior controvérsia. As grandes transformações do Direito do Trabalho e os novos rumos da Justiça do Trabalho impulsionados pela EC n. 45/04 exigem que a Justiça do Trabalho tenha um processo mais efetivo, visando a dar cumprimento ao Direito do Trabalho e garantir o acesso real e célere do trabalhador à Justiça. Diante das profundas reformas que vem sofrendo o Processo Civil em busca da celeridade e efetividade processual, principalmente na execução, são relevantes e contundentes os impactos das alterações da legislação processual civil no Processo do Trabalho, considerando a aplicação subsidiária permitida pelos arts. 769 e 889 da CLT. Por isso, podemos dizer que, a partir da EC n. 45/04 e das recentes alterações do CPC, vivemos a fase de um novo Processo do Trabalho, mais preocupado com os resultados práticos e com a duração razoável do processo. Manual de Direito Processual do Trabalho 33
34 Em razão da importância do Direito Processual Civil no Processo do Trabalho, estruturamos o livro com base nos programas de Direito Processual do Trabalho e Direito Processual Civil mencionados nos Editais dos últimos concursos da Magistratura e Ministério Público do Trabalho. Tendo estudado a fundo o Processo do Trabalho diante das recentes alterações do Código de Processo Civil e seus impactos na esfera processual trabalhista, procuramos apresentar uma moderna visão do Processo do Trabalho, sem deixar de lado a doutrina clássica, e tudo que existe de bom na CLT, destacando os institutos e peculiaridades do Processo do Trabalho como sendo um processo de audiência, de partes, mais simples e menos burocratizado, mas também com os olhos voltados para os princípios constitucionais do processo, reconhecendo os recentes avanços do Direito Processual Civil, que podem ser transportados para o Processo do Trabalho, como medida de melhoria da prestação jurisdicional trabalhista e prestígio da dignidade da Justiça do Trabalho como instituição destinada a solucionar os conflitos que envolvem o trabalho humano. 34 Mauro Schiavi
35 Capítulo I Teoria Geral do Direito Processual do Trabalho 1. Do conflito trabalhista Não há consenso na doutrina sobre o que seja conflito (1), mas este é inerente à condição humana, principalmente em razão da escassez de bens existentes na sociedade e das inúmeras necessidades do ser humano. Márcio Pugliese (2) apresenta os seguintes fatores para um modelo conflitivo da sociedade: a) A vida social, num determinado modo produtivo, é resultado da interação permanente de utilidades (interesses) diversas que constituem o elemento motivador fundamental para a conduta social do homem; b) O conflito de interesses é a busca de utilidade, domina a vida social e, em consequência, propicia a produção de normas, regulamentos, sistemas de repressão e lide de todo tipo; c) O consenso, também chamado equilíbrio social, é um estado precário, sendo mais um construto teórico-prático que efetivo consenso normativo generalizado; d) O consenso, no sentido de c), existe como expressão ideológica das resultantes das forças de dominação e coerção ou de exploração de uma sociedade e é, por consequência, precário e mutável; e) O conflito social favorece a divisão da sociedade em grupos de pressão, instituições (particularmente partidárias) que disputam o poder que, de fato, permanece com as elites dominantes; f)a ordem social (estado de equilíbrio do sistema) depende da natureza desse conflito, ou melhor, de sua estrutura; g) O conflito entre os contendores produz a mudança social, elemento permanente em qualquer sociedade a fim de manter o estado geral de coisas orbitando em torno de um ponto de equilíbrio (um ponto de acumulação, em sentido topológico); h) Quando o desequilíbrio excede a capacidade de o sistema obter retorno a esse ponto de acumulação, transformações serão necessárias; i) Inicialmente, o sistema tenderá a diversificar seu funcionamento a fim de superar o (1) Segundo Antonio Houaiss, o conflito é profunda falta de entendimento entre duas ou mais partes, choque, enfrentamento (Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, p. 797). (2) PUGLIESE, Márcio. Por uma teoria geral do direito. Aspectos microssistêmicos. São Paulo: RCS, p Manual de Direito Processual do Trabalho 35
36 desequilíbrio e, se isso não for suficiente, então, e só então, mudanças estruturais serão implementadas. Ensina Amauri Mascaro Nascimento (3) : O vocábulo conflito, de conflictus, que significa combater, lutar, designa posições antagônicas. Outra palavra usada é controvérsia. Segundo a teoria, surge uma controvérsia quando alguém pretende a tutela do seu interesse, relativa à prestação do trabalho ou seu regulamento, em contraste com interesses de outrem e quando este se opõe mediante a lesão de um interesse ou mediante a contestação da pretensão, mas é possível dizer que o conflito trabalhista é toda oposição ocasional de interesses, pretensões ou atitudes entre um ou vários empresários, de uma parte, e um ou mais trabalhadores a seu serviço, por outro lado, sempre que se origine do trabalho e uma parte pretenda a solução coativa sobre outra. O Direito do Trabalho, como é marcado por grande eletricidade social, uma vez que está por demais arraigado na vida das pessoas e sofre de forma direta os impactos das mudanças sociais e da economia, é um local fértil para eclosão dos mais variados conflitos de interesse. Os conflitos trabalhistas podem eclodir tanto na esfera individual como na esfera coletiva. Na esfera individual, há o chamado conflito entre patrão e empregado, individualmente considerados, ou entre prestador e tomador de serviços, tendo por objeto o descumprimento de uma norma positivada, seja pela lei ou pelo contrato. Já o conflito coletivo trabalhista, também denominado conflito de grupo (4) ou de categorias, tem por objeto não somente o descumprimento de normas positivadas já existentes (conflito jurídico ou de natureza declaratória), mas também a criação de novas normas de regulamentação da relação de trabalho (conflitos de natureza econômica). Como bem adverte Pinho Pedreira (5), o bem mais comumente disputado nos conflitos de trabalho é o salário, que os trabalhadores pleiteiam seja elevado e os empregadores se recusam a aumentar, ou a fazê-lo no percentual reivindicado. Segundo Antonio Monteiro Fernandes (6) : Um dos temas mais importantes e complexos que se deparam no domínio do Direito Colectivo é o dos conflitos. Em verdade, o conflito, latente (3) NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Teoria geral do direito do trabalho. São Paulo: LTr, p (4) Conforme Wilson de Souza Campos Batalha: Os grupos são entidades sociais que, no direito atual, assumem categorização jurídica expressiva e são dotadas de realidade processual. Alguns são inorganizados, aflorações espontâneas da coletividade, como grupos de pressão e comissão de fábrica. Outros são organizados como entidades civis ou como entidades sindicais. As associações civis são livremente organizadas e se registram no Registro de Títulos e Documentos, nos termos da Lei de Registros Públicos (Lei n /73) (Instrumentos coletivos de atuação sindical. Revista Legislação do Trabalho. São Paulo: LTr, ano 60, v. 2, p. 184). (5) A greve sem a justiça do trabalho. Revista Legislação do Trabalho. São Paulo: LTr, ano 61, v. 02, p (6) FERNANDES, Antonio Monteiro. Direito do trabalho. 13. ed. Coimbra: Almedina, p Mauro Schiavi
37 ou ostensivo é a essência das relações industriais ; a negociação colectiva não é só uma técnica de produção de normas, mas também um método de superação de conflitos actuais ou potenciais; envolve um processo jurídico e uma dinâmica social. A doutrina costuma classificar os conflitos coletivos em conflitos jurídicos ou de direito, que não têm por objeto a criação de novas condições de trabalho, e os conflitos de interesse ou econômicos, que visam à criação de novas condições de trabalho. Conforme leciona Octavio Bueno Magano: Os conflitos econômicos têm por escopo a modificação de condições de trabalho, e, por conseguinte, a criação de novas normas, enquanto os jurídicos têm por finalidade a interpretação ou aplicação de normas jurídicas preexistentes (7). Na esfera processual, o conflito surge quando ocorre uma pretensão resistida, o que Carnelutti (8) denominou lide (9). Por seu turno, segundo este consagrado processualista, pretensão é a exigência de subordinação do interesse alheio ao interesse próprio (10). Conflito de interesse, conforme ensina Moacyr Amaral Santos (11), pressupõe, ao menos, duas pessoas com interesse pelo mesmo bem. Existe quando a intensidade do interesse de uma pessoa por um determinado bem se opõe à intensidade do interesse de uma pessoa pelo mesmo bem, donde a atitude de uma tendente à exclusão da outra quanto a este. Surge a lide trabalhista, quando há uma pretensão resistida do trabalhador ou do tomador de serviços, tendo por escopo a violação da ordem jurídica trabalhista. 2. Das formas de solução dos conflitos trabalhistas Como destacam Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco (12) : A eliminação dos conflitos ocorrentes na vida em sociedade pode-se verificar por obra de um ou de ambos os sujeitos dos interesses conflitantes, (7) MAGANO, Octavio Bueno. Manual de direito do trabalho. Direito coletivo. V. IV. 4. ed. São Paulo: LTr, p (8) CARNELUTTI, Francesco. Instituições do processo civil. V. I. Campinas: Servanda, p. 77. (9) Como destaca Patrícia Miranda Pizzol: [...] podemos concluir que lide é o conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida, submetido à apreciação do Judiciário. É importante, assim, diferenciar lide de conflito de interesses o conflito se manifesta no plano sociológico, enquanto a lide no plano processual; logo, pode não haver uma correspondência entre conflito e lide, se o autor deduzir em juízo apenas uma parte do conflito de interesses (Competência no processo civil. São Paulo: RT, p. 27). (10) Como destaca Amauri Mascaro Nascimento: Se uma reivindicação do trabalhador é resistida pelo empregador contra o qual é dirigida, surge um conflito de trabalho (Teoria geral do direito do trabalho. São Paulo: LTr, p. 314). (11) SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. São Paulo: Saraiva, p. 4. (12) Teoria geral do processo. 21. ed. São Paulo: LTr, p. 22. Manual de Direito Processual do Trabalho 37
38 ou por terceiro. Na primeira hipótese, um dos sujeitos (ou cada um deles) consente no sacrifício total ou parcial do próprio interesse (autocomposição) ou impõe o sacrifício do interesse alheio (autodefesa ou autotutela). Na segunda hipótese, enquadram-se a defesa de terceiro, a conciliação, mediação e o processo (estatal ou arbitral). Segundo nos traz a doutrina, são meios de solução dos conflitos na esfera trabalhista: autotutela ou autodefesa, autocomposição e heterocomposição. a) autotutela A autotutela ou autodefesa é o meio mais primitivo de resolução dos conflitos em que uma das partes, com utilização da força, impõe sua vontade sobre a parte mais fraca. Nesta modalidade, há uma ausência do Estado na solução do conflito, sendo uma espécie de vingança privada. Ensina Amauri Mascaro Nascimento (13) : A autodefesa pode ser autorizada pelo legislador, tolerada ou proibida [...] A solução que provém de uma das partes interessadas é unilateral e imposta. Portanto, evoca a violência, e a sua generalização importa na quebra da ordem e na vitória do mais forte e não do titular do direito. Assim, os ordenamentos jurídicos a proíbem, autorizando-a apenas excepcionalmente, porque nem sempre a autoridade pode acudir em tempo a solução dos conflitos. Como destacam Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamaro (14), são fundamentalmente dois os traços característicos da autotutela: a) ausência de juiz distinto das partes; b) imposição da decisão por uma das partes à outra. Hoje, nas legislações, ainda há resquícios da autotutela em alguns Códigos, como a legítima defesa da posse no Código Civil, ou o estado de necessidade e legítima defesa na esfera penal. Na esfera do conflito coletivo de trabalho, temos como exemplo de autotutela a greve e o locaute, sendo este vedado no ordenamento jurídico brasileiro pelo art. 17 da Lei n /89. Na esfera individual, temos o direito de resistência do empregado às alterações contratuais lesivas (arts. 468 e 483 da CLT) e o poder disciplinar do empregador. b) autocomposição A autocomposição é modalidade de solução dos conflitos coletivos de trabalho pelas próprias partes interessadas sem a intervenção de um terceiro que irá ajudá-las (13) NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito processual do trabalho. 22. ed. São Paulo: Saraiva, p. 06. (14) Teoria geral do processo. 21. ed. São Paulo: Malheiros, p Mauro Schiavi
39 ou até propor a solução do conflito. Como exemplos, temos: a negociação coletiva para os conflitos coletivos e o acordo ou a transação para os conflitos individuais. No aspecto, vale destacar a seguinte ementa: DISSÍDIO COLETIVO DE GREVE. ACORDO CELEBRADO ENTRE AS PARTES. A finalidade principal da Justiça do Trabalho é conciliar as partes, alcançando a paz e harmonia social. Assim, tendo a empresa suscitante e o sindicato suscitado celebrado acordo dando fim ao movimento paredista, homologa-se parcialmente o acordo, com exceção da cláusula nona, em relação à qual, no termo de acordo, consta a anotação sem efeito. Processo que se extingue com resolução do mérito, nos termos do art. 269, III, do CPC AC (N.U ) 17 a REGIÃO Desembargador José Carlos Rizk relator. DJ/ES de DT Ago. 2010, v. 193, p. 135) A doutrina aponta como espécies de autocomposição a desistência (15), a renúncia (16), a submissão (17) e a transação (18). Na esfera do Direito Coletivo do Trabalho, temos como instrumentos típicos de autocomposição os acordos e convenções coletivas, que são produto de um instituto maior, que é a negociação coletiva. c) heterocomposição A heterocomposição exterioriza-se pelo ingresso de um agente externo e desinteressado ao litígio que irá solucioná-lo e sua decisão será imposta às partes de forma coercitiva. Como exemplo, temos a decisão judicial (dissídios individuais e coletivos) e a arbitragem. A heterocomposição, sob a modalidade da decisão judicial (Poder Judiciário), tem sido o meio, por excelência, de solução do conflito trabalhista, pois o Brasil, de cultura romano-germânica, não tem tradição de resolução dos conflitos pela via da negociação nem da arbitragem. Mais adiante, faremos estudo detalhado da jurisdição e da arbitragem. d) mediação e conciliação Mediação é forma de solução dos conflitos por meio da qual o mediador se insere entre as partes, procurando aproximá-las para que elas próprias cheguem a uma solução consensual do conflito. Na visão de Pedro Romano Martinez (19), a mediação constitui uma forma de solucionar conflitos colectivos que se pode dizer está a meio caminho entre a conciliação e a arbitragem; é algo mais do que a conciliação e menos que a arbitragem. (15) Desistência é abdicar temporariamente de um direito, não sendo em caráter definitivo. (16) Renúncia é o abandono do direito de forma definitiva. (17) Submissão é aceitar, voluntariamente, a vontade da outra parte do conflito. (18) Transação consiste na resolução do conflito pelas próprias partes, mediante concessões recíprocas. (19) Direito do Trabalho. 5. ed. Coimbra: Almedina, p Manual de Direito Processual do Trabalho 39
40 No fundo, representa um tertium genus entre estas duas figuras, mas, diversamente da conciliação que implica uma forma de aproximar as partes, de as sentar a negociar, a mediação pressupõe que o mediador apresente soluções para serem aceitas pelas partes. Como destaca Amauri Mascaro Nascimento (20) : o mediador adota não o método impositivo, mas o persuasivo. Com o que a mediação contém em sua estrutura um componente autocompositivo, que é da sua substância e do qual não se pode afastar sem se descaracterizar. Pode ser combinada, como se viu, com a arbitragem, em proveito para o procedimento de composição, e, nesse caso, não será mediação e terá fisionomia híbrida de mediação-arbitragem. Originariamente, é uma técnica intermediária entre a conciliação e a arbitragem. É mais do que conciliação, na opinião predominante, porque permite uma perspectiva maior de iniciativas. É menos do que a arbitragem, porque não autoriza atos decisórios. A conciliação é forma de solução do conflito trabalhista, mediante o ingresso do conciliador entre as partes, o qual as aproximará buscando a solução dos conflitos mediante concessões recíprocas. Como bem adverte Pedro Romano Martinez (21), o conciliador tem uma intervenção activa na negociação, na medida em que pode apresentar eventuais soluções para aquele conflito. A conciliação, em princípio, baseia-se na autonomia privada, tanto no que respeita à iniciativa, como ao processo de negociação. Segundo a doutrina, a atividade do mediador é mais intensa que a do conciliador, pois toma mais iniciativas que o conciliador, não só realizando propostas de conciliação, mas persuadindo as partes para que cheguem a uma solução do conflito. Não obstante, o mediador, ao contrário do árbitro e do juiz, não tem poder de decisão. No nosso sentir, a mediação e a conciliação estão entre a autocomposição e a heterocomposição. Para alguns, são modalidades de autocomposição, pois o mediador aproxima as partes para uma solução consensual, e o conciliador faz propostas de solução do conflito que podem ou não ser aceitas pelas partes, mas tanto um quanto o outro não têm poderes para impor a solução do conflito às partes, e nem estas são obrigadas a aceitar as sugestões deles. Para outros, são modalidades de heterocomposição, pois há o ingresso de um terceiro entre as partes envolvidas no conflito, ainda que não possam impor a solução do conflito, inegavelmente, o conciliador e o mediador contribuem para a solução do conflito. Nesse sentido, é a posição de Mauricio Godinho Delgado (22) : [...] Parece-nos válida, do ponto de vista científico, a tipologia proposta no presente estudo (isto é, jurisdição, arbitragem, conciliação e também, (20) NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Teoria geral do direito do trabalho. São Paulo: LTr, p (21) Op. cit., p (22) DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 6. ed. São Paulo: LTr, p Mauro Schiavi
41 de certo modo, a mediação como modalidades de heterocomposição). É que a diferenciação essencial entre os métodos de solução de conflitos encontra-se, como visto, nos sujeitos envolvidos e na sistemática operacional do processo utilizado. Na autocomposição, apenas os sujeitos originais em confronto é que se relacionam na busca da extinção do conflito, conferindo origem a uma sistemática de análise e solução da controvérsia autogerida pelas próprias partes. Já na heterocomposição, ao contrário, dá-se a intervenção de um agente exterior aos sujeitos originais na dinâmica de solução do conflito, transferindo, como já exposto, em maior ou menor grau, para este agente exterior a direção dessa própria dinâmica. Isso significa que a sistemática de análise e solução da controvérsia deixa de ser exclusivamente gerida pelas partes, transferindo-se em alguma extensão para a entidade interveniente. No nosso sentir, tanto a mediação como a conciliação são modalidades de autocomposição, pois tanto o mediador como o conciliador não têm poderes para decidir o conflito e nem impor a decisão. Além disso, cumpre às partes a faculdade de aceitar, ou não, as propostas do mediador ou conciliador. O Código de Processo Civil, no art. 3 o, privilegia tanto a mediação como a conciliação, como formas legítimas, justas, eficazes e céleres de resolução de conflitos, sem criar óbices ao acesso ao judiciário. Com efeito, dispõe o referido dispositivo: Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. 1 o É permitida a arbitragem, na forma da lei. 2 o O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos. 3 o A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial. Na Justiça do Trabalho, tanto a mediação como a conciliação, tanto judiciais como extrajudiciais, devem ser estimuladas. Alguns Tribunais Regionais do Trabalho já criaram núcleos específicos de resolução consensual de conflitos, sob supervisão de Juízes do Trabalho, com a atuação intensa de conciliadores e mediadores. Esses núcleos têm obtido excelentes resultados com baixo custo. De outro lado, é possível também que o próprio Juiz do Trabalho possa ser auxiliado na respectiva audiência por conciliadores e mediadores que irão contribuir para a solução consensual no conflito. A experiência do direito comparado nos tem demonstrado que, em determinados conflitos, as partes se sentem mais à vontade para expor suas expectativas e angústias do conflito na presença de conciliadores e mediadores do que na presença do magistrado e, diante disso, a probabilidade do acordo é mais elavada. Nesse sentido, dispõe o art. 139, V, do CPC, de aplicação subsidiária ao processo do trabalho (arts. 769, da CLT e 15 do CPC), in verbis: Manual de Direito Processual do Trabalho 41
42 O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: (...) V promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio de conciliadores e mediadores judiciais. 3. Da conciliação Dizia Carnelutti que a conciliação é uma sentença dada pelas partes e a sentença é uma conciliação imposta pelo juiz. Ensina Calmon de Passos (23) : Conciliação é uma das modalidades de se pôr fim ao litígio mediante solução que lhe dão as próprias partes, apenas cumprindo ao magistrado acolhê-la. Caracteriza-se por implicar na participação do magistrado. Com ela pode-se lograr tanto uma transação, quanto o reconhecimento ou renúncia. Somente são passíveis de conciliação os direitos patrimoniais disponíveis. No nosso sentir, o fato de existirem normas de ordem pública no Direito do Trabalho (arts. 9 o, 444, e 468, todos da CLT) não significa dizer que os Direitos Trabalhistas são indisponíveis. Nesse diapasão, oportunas as palavras de Américo Plá Rodriguez (24) : No campo do Direito do Trabalho, surge, pois, uma distinção essencial e de suma importância: nele existem normas imperativas que não excluem a vontade privada, mas a cercam de garantias para assegurar sua livre formação e manifestação, valorizando-a como a expressão da própria personalidade humana. Ressalte-se que o Direito do Trabalho não é, no fundo, um direito obrigacional. Antes de mais nada, é direito entre pessoas, distinguindo-se não obstante do direito de família pelo grau de intensidade das relações pessoais, bem como pelo caráter temporário e precariedade dos laços pessoais. Um direito que em sua essência disciplina a conduta humana em função criadora de valores, que é a expressão da responsabilidade social e da colaboração para um fim comum, não pode excluir de seu campo a manifestação da vontade privada, mas, pelo contrário, deve traçar-lhes limites que permitam o cumprimento de sua missão. Pertencendo ao Direito Privado e contando com uma elevada gama de normas de ordem pública e, ainda, considerando-se o estado de subordinação a que está sujeito o empregado, os Direitos Trabalhistas, durante a vigência do contrato de trabalho, são irrenunciáveis, como regra geral. Entretanto, uma vez cessados o vínculo (23) CALMON DE PASSOS, José Joaquim. Comentários ao Código de Processo Civil. 8. ed. Rio de Janeiro: Forense, p (24) PLÁ RODRIGUEZ, Américo. Princípios de direito do trabalho. 3. ed. São Paulo: LTr, p Mauro Schiavi
43 de emprego e o consequente estado de subordinação, o empregado pode renunciar e transacionar direitos, máxime estando na presença de um órgão imparcial, como o Sindicato ou a Justiça do Trabalho. Alguns direitos na esfera trabalhista são indisponíveis, como os direitos da personalidade do trabalhador, difusos, coletivos e também os relacionados com as normas que se referem à medicina, à segurança e ao meio ambiente do trabalho. A doutrina tem diferenciado a conciliação da transação, pela abrangência e pela participação do conciliador ou magistrado na solução do conflito. Transação é o negócio jurídico pelo qual as partes, mediante concessões recíprocas, põem fim a uma relação jurídica duvidosa, ou previnem a ocorrência do litígio. A transação pode ser judicial ou extrajudicial. É importante destacar que a transação provém das próprias partes, ou seja: elas próprias, sem a interferência do conciliador ou do magistrado, chegam a uma solução consensual do conflito. A conciliação assemelha-se à transação, mas apresenta suas peculiaridades, pois a conciliação é obtida em juízo, com a presença do juiz ou do conciliador que participa ativamente das tratativas, inclusive fazendo propostas para solução do conflito. A conciliação pode implicar renúncia ao direito ou reconhecimento do pedido. Sem dúvida, a conciliação é a melhor forma de resolução do conflito trabalhista, pois é solução oriunda das próprias partes que sabem a real dimensão do conflito, suas necessidades e possibilidades para melhor solução. Muitas vezes, a sentença desagrada a uma das partes e até mesmo às duas partes. Como bem adverte Joel Dias Figueira Júnior (25) : A sentença, por intermédio do comando específico a ela agregado, gerador da coisa julgada material, produz para os litigantes segurança e estabilidade jurídica na questão. Porém, deixa a parte sucumbente, em regra, insatisfeita, quando o mesmo não acaba ocorrendo, também o autor, nas hipóteses de improcedência, ou de acolhimento parcial de pretensão. Trata-se de um típico ato de império, portanto, de violência admitida pelo sistema, representada pela imposição da ordem jurídica aos jurisdicionados litigantes, em que exista, necessariamente, correlação com a solução da lide sociológica. Em contrapartida, o acordo firmado pelas partes traz ínsita a pressuposição de aceitação mútua de questões conflituosas existentes entre eles. Por isso, a composição amigável fortalece a pacificação social, compondo a lide jurídica e o conflito intersubjetivo de interesses. A Justiça do Trabalho prestigia a conciliação como forma primordial de solução do conflito trabalhista (art. 764 da CLT (26) ), a ponto de obrigar o juiz a propor a conciliação em diversos estágios do processo, quais sejam: quando aberta a audiência, antes da (25) FIGUEIRA JÚNIOR, Joel Dias. Comentários ao Código de Processo Civil. 2. ed. São Paulo: RT, p (26) Art. 764 da CLT: Os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação. Manual de Direito Processual do Trabalho 43
44 apresentação da contestação (art. 846 da CLT) e após as razões finais das partes (art. 850 da CLT). Parte da jurisprudência trabalhista, inclusive, tem declarado a nulidade do processo, caso não constem das atas de audiência as tentativas de conciliação. Embora a CLT não preveja, a conciliação pode abranger pretensões não postas em juízo, ou seja: que não fazem parte do processo, pois tanto a conciliação como a transação têm por finalidade primordial não só solucionar, mas prevenir eventuais litígios. Além disso, o escopo da conciliação é a pacificação. Por isso, são frequentes, na Justiça do Trabalho, constarem dos termos de homologação de conciliações que o empregado dá quitação de todos os direitos decorrentes do objeto do processo e do extinto contrato de trabalho, para não mais reclamar. Nesse sentido, são o art. 515, II, e 2 o, do CPC, in verbis: São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: (...) II a decisão homologatória de autocomposição judicial (...) 2 o A autocomposição judicial pode envolver sujeito estranho ao processo e versar sobre relação jurídica que não tenha sido deduzida em juízo. O Código de Processo Civil atual substituiu a expressão transação, consagrada no CPC anterior (art. 475-N do CPC/73) pela expressão autocomposição, que é um gênero que abrange tanto a transação, como a conciliação. Não houve, aqui, alteração na essência do instituto, apenas modificação da nomenclatura, pois tanto a transação, a conciliação e a autocomposição são formas de resolução consensual de conflitos, onde as próprias partes, com ou não a ajuda de terceiro, mediante concessões recíprocas, chegam a um denominador comum para solução do conflito. Uma vez homologadas, tanto a transação como a conciliação, em sede trabalhista (27), importam a extinção do processo com resolução de mérito, exceto quanto às contribuições devidas à Previdência Social (art. 831, parágrafo único da CLT), e não podem ser atacadas por recurso ordinário, somente por ação rescisória. O juiz não está obrigado a homologar conciliação, pois esta não é um direito das partes, e sim um ato jurisdicional que decorre do livre convencimento motivado do magistrado. Não obstante, por ser o meio mais indicado de resolução dos conflitos trabalhistas, deve o Juiz do Trabalho apresentar os motivos pelos quais não homologará a avença. Pode o Juiz do Trabalho deixar de homologar o acordo quando, nitidamente, prejudicial ao empregado, vise a lesar a ordem jurídica, ou for objeto de simulação das partes para prejudicar terceiros. Caso o juiz deixe de homologar o acordo, o processo deve prosseguir nos seus ulteriores termos até a decisão final. Nesse sentido, dispõe a Súmula n. 418 do TST, in verbis: MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO À CONCESSÃO DE LIMINAR OU HOMOLOGA- ÇÃO DE ACORDO (conversão das Orientações Jurisprudenciais ns. 120 e 141 da SBDI-2) Res. n. 137/2005, DJ 22, 23 e (27) Alguns processualistas asseveram que, quando o juiz homologa transação, a decisão é meramente homologatória, chancelando a vontade das partes, não analisando o mérito da causa. Portanto, o remédio cabível para atacar a homologação da transação é a Ação Anulatória e não a Ação Rescisória. 44 Mauro Schiavi
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