Propaganda Eleitoral
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- Maria do Loreto Bicalho Fartaria
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1 Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes REDE LFG CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TELEVIRTUAL EM DIREITO ELEITORAL Disciplina Propaganda Eleitoral Aula 1 LEITURA OBRIGATÓRIA Thales Tácito Pontes Luz de Pádua Cerqueira Promotor de Justiça Promotor Eleitoral Membro da CONAMP Professor de Direito Eleitoral Autor de obras de Direito Eleitoral PROPAGANDA ELEITORAL LATO SENSU Como citar este artigo: CERQUEIRA, Thales Tácito Pontes Luz de Pádua. Propaganda eleitoral lato sensu. Material da 1ª aula da Disciplina Propaganda Eleitoral, ministrada no Curso de Especialização TeleVirtual em Direito Eleitoral UNISUL/REDE LFG.
2 PESQUISA ELEITORAL ENQUETE/SONDAGEM A Resolução 21576/04 estabeleceu uma série de regras a serem observadas nas pesquisas eleitorais das eleições de 2004, que, segundo decisão do TSE, se aplica também nas eleições 2006: 1) início do registro das pesquisas (dies a quo): a partir de 1º de janeiro do ano eleitoral. E antes disso? Antes de 1º de janeiro do ano eleitoral(nas eleições 2004 em 1/1/2004), não se fala em registro de pesquisa ou restrição a pesquisas de intenções feitas por partidos ou empresas a nível interno, para projeção de candidatos e suas forças no ano eleitoral, não havendo qualquer punição cabível, salvo se caracterizar propaganda eleitoral antecipada, ou seja, feita a nível público e com visível intenção de antecipação de candidato já consagrado. Assim, caberá a representação para aplicação de multa por propaganda eleitoral extemporânea, devendo o juiz eleitoral, por prudência, receber a inicial e aguardar o registro de candidatura e a confirmação do candidato que praticou a propaganda antecipada, para citação e prosseguimento da representação, sendo que: a) se o candidato não se registra, a representação por propaganda extemporânea deve ser extinta por falta de interesse de agir superveniente; b) se o candidato se registra, deve o mesmo ser citado para responder a representação. O TSE tem entendido que a "mera promoção pessoal" não pode caracterizar propaganda antecipada, o que desde a primeira edição combatemos, em face do princípio da igualdade eleitoral, já que os candidatos que tem poder econômico para fazer "promoção pessoal", leia-se, outdoor desejando feliz natal para cidade, cartazes afirmando que tem pesquisa que o coloca como bem projetado na cidade, certamente estão saindo na frente na propaganda eleitoral. Consulta 698/DF-TSE 2) quem são obrigados a registrarem pesquisas? As entidades e empresas que realizarem qualquer tipo de pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos candidatos, para conhecimento público, bem como os candidatos que a contratar; 3) prazo: até 5 (cinco) dias antes da divulgação. A contagem desse prazo se fará com a inclusão do dia em que requerido o registro na Justiça Eleitoral, ou seja, o prazo de 5 dias começa a correr do dia em que é requerido o registro da pesquisa, contando-se na forma do artigo 184, parágrafo segundo do CPC, ou seja, não se aplica o prazo contínuo e peremptório da LC 64/90, por não se tratar de questão de inelegibilidade. Assim, exclui o dia do início e inclui-se o dia final, não se computando o primeiro e último dia, porém, contando o prazo de trás para frente; 4) quais as informações que devem constar? Para cada pesquisa, deve constar as seguintes informações: (...) previsto na Lei 9.504/97 + 2
3 X - nome do estatístico responsável pela pesquisa e o número de seu registro no competente Conselho Regional de Estatística (inciso acrescentado pela Resolução 21631/04); XI - número do registro da empresa responsável pela pesquisa, caso o tenha, no competente Conselho Regional de Estatística (inciso acrescentado pela Resolução 21631/04). 5) Divulgação: As pesquisas eleitorais poderão ser divulgadas a qualquer tempo, inclusive no dia das eleições (Constituição, art. 220, 1º; Acórdão-TSE nº , de e artigo 17 da Resolução 21576/04-TSE, que regulamentou as pesquisas eleitorais para as eleições de 2004). Isto significa dizer que, se a pesquisa eleitoral: a) for apenas divulgada no dia da eleição, o que pressupõe ter sido feita antes desta data, não é tida como propaganda eleitoral. Se fosse considerada comotal, neste caso haveria restrição, sendo permitidaapenas para imprensa escrita paga, já que neste período a propaganda eleitoral gratuita em rádio, TV, bem como qualquer outra forma carreatas, comícios estão expressamente proibidos. Porém, como a pesquisa eleitoral não é propaganda eleitoral, se feita antes do dia da eleição pode ser publicada por qualquer meio de imprensa (TV, rádio, jornal, pago ou não), por força do artigo 220, 1º da Constituição de 1988 que consagra a liberdade de imprensa (Acórdão TSE); b) for realizada no dia do pleito, poderão ser divulgadas somente a partir das 17 horas nos municípios em que a votação já tiver sido encerrada (artigo 18 da Resolução 21576/04 do TSE), ou seja, para evitar tumulto no dia da eleição, o TSE inovou e restringiu o alcance do citado artigo 220, 1º da Constituição de 1988 (Acórdão TSE), ou seja, nenhum direito constitucional é absoluto, quando coloca em risco à coletividade (no caso, a segurança do pleito). 6) Diferença de pesquisa eleitoral e enquete/sondagens. Na divulgação dos resultados de enquetes ou sondagens, deverá ser informado não se tratar de pesquisa eleitoral, nos moldes do art. 33 da Lei nº 9.504/97, mas de mero levantamento de opiniões, sem controle de amostra, o qual não utiliza método científico para sua realização, dependendo, apenas, da participação espontânea do interessado. A divulgação de resultados de enquetes ou sondagens sem o esclarecimento previsto será considerada divulgação de pesquisa eleitoral, permitindo a aplicação das sanções previstas. Portanto: a) as pesquisas eleitorais seguem o rigorismo de informações e regras estudadas acima (rigor científico); b) já as enquetes ou sondagens são hipóteses de mero levantamento de opiniões, sem controle de amostra, o qual não utiliza método científico para sua realização, dependendo, apenas, da participação espontânea do interessado, razão pela qual não precisa ser feito por pesquisador registrado junto ao Conselho Regional de Estatística. Neste caso, permitida sua divulgação, deve ser informado ao público que não se trata de pesquisa e sim de enquête, sem rigor científico, sob pena de multa cível no valor de R$53.205,00 (cinqüenta e três mil duzentos e 3
4 cinco reais) a R$ ,00 (cento e seis mil quatrocentos e dez reais) artigo 33, parágrafo terceiro da Lei 9504/97. Nota: o STF, nas ADI's 3741, 3742 e 3743 julgou inconstitucional o artigo 35-A da Lei(único dispositivo considerado inconstitucional), que assim dizia: "Art. 35-A. É vedada a divulgação de pesquisas eleitorais por qualquer meio de comunicação, a partir do décimo quinto dia anterior até as 18 (dezoito) horas do dia do pleito." PROPAGANDA ELEITORAL A propaganda eleitoral pode ser: (1) lícita: permitida nos termos da legislação e resoluções do TSE. Cf. classificação abaixo. (2) ilícita criminal(crime): artigos 323 a 335 do CE e 40 da Lei 9.504/97, por exemplos; (3) ilícita cível(irregular provoca multa): artigos 243 do CE; 24, VI e 37 da Lei 9.504/97; por força de Resoluções ou decisões do TSE, como em táxi, eis que este é oriundo de concessão(acórdão 2890), em igreja(lugar aberto ao público Acórdão 2890) etc. Genericamente falando, três espécies de Propaganda Eleitoral, chamada de "Alma da Democracia" por OLIVAR CONEGLIAN( Propaganda eleitoral. 4. ed. Curitiba: Juruá, 2000). a) Propaganda eleitoral PERMITIDA EM LEI. Ex: propaganda gratuita no rádio e na TV, santinhos, cartazes etc; b) propaganda eleitoral PROIBIDA EM LEI. Ex: em árvores localizadas em área pública. A Justiça Eleitoral, usando de poder de polícia, nas eleições de 2002, resolveu, no Paraná, em Minas Gerais e outros Estados, ao invés de retirar toda a propaganda eleitoral proibida, por falta de local para depositar o "lixo", usar uma tarja colada nas propagandas com os dizeres, que surtiu muito efeito nos candidatos e eleitores: "PROPAGANDA IRREGULAR, NOS TERMOS DA LEI 9.504/97 E RESOLUÇÃO Nº /02 DO TSE" c) propaganda eleitoral NÃO REGULAMENTADA EM LEI. Neste caso, o TSE é quem regula, via Resoluções. Ex: propaganda feita com raio-laiser; propaganda feita com dirigível; promoção pessoal; propaganda feita em árvore localizada em terreno particular, etc. Daí porque o mestre Olivar denomina a Justiça Eleitoral do "Poder Executivo das eleições", pois a esta cabe a completa administração das eleições. As propagandas eleitorais classificam em: (a) latu sensu termo que engloba todas as espécies e, (b) stritu sensu onde comporta três espécies: b.1 partidária; 4
5 b.2 - intrapartidária b.3 - eleitoral propriamente dita (extemporânea; geral; Rádio e TV gratuitos) Vejamos: Nota: Propaganda partidária (direito administrativo) Art. 45 da lei 9096/95 eleitoral Partido político para eleitores e não eleitores = divulgação de seus atos Propaganda Intrapartidária Art.36 da Lei 9504/97 Candidato para candidato = correligionários (précandidato) Propaganda propriamente dita eleitoral Art. 36 e outros da Lei 9504/97 Candidato para eleitor Gratuita (rádio e TV) Art. 36 Lei 9504/97: não pode TV, rádio e outdoor (1) extemporânea ou antecipada, sub-liminar ou sub-reptícia: cunho eleitoral antes de 6 de julho. Se não há pedido explícito de voto, é promoção pessoal (TSE)1 Divulgar idéias 15 dias anteriores às convenções partidárias (de 10 a 30 de junho do ano eleitoral) (2) Geral: após 5 de julho (logo 6 de julho), mediante internet(outdoors agora é proibido pela Lei /06) É livre em bem particular, mas em bens públicos tem restrições (eleitoral: é o cível + lugares abertos ao público, ex., igreja, bar, teatro, mercado)4 Art. 36 da Lei 9504/96: vedada no 2º semestre do ano eleitoral. Não pode servir de propaganda eleitoral (senão é eleitoral extemporânea). Ex: o povo saúda fulano em Santana, e a convenção é feita na Bela Vista (3) Rádio e TV 45 dias anteriores à antevéspera da eleição. até 30 de junho Vide data alhures Vide data alhures Permite crítica à administração Não permite crítica à administração Permite crítica à administração 5
6 Não permite censura e nem antecipação de tutela neste aspecto censura é diferente de transgressão à norma legal Não permite censura e nem antecipação de tutela neste aspecto censura é diferente de transgressão à norma legal Não permite censura e nem antecipação de tutela neste aspecto censura é diferente de transgressão à norma legal Somente para quem possui representatividade no CN Independe de representatividade, pois é feita no âmbito partidário, convocando convencionais Representatividade no CN 1/3 igualitário e 2/3 com representatividade Distribuição de tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV (artigo 47, 2º da Lei 9.504/97) Os horários reservados à propaganda de cada eleição serão distribuídos entre todos os partidos e coligações que tenham candidato e representação na Câmara dos Deputados, observados os seguintes critérios: (1) Um terço, igualitariamente (2) Dois terços, proporcionalmente ao número de representantes na Câmara dos Deputados, considerado, no caso de coligação, o resultado da soma do número de representantes de todos os partidos que a integram. Nota: Para esse efeito, a representação de cada partido na Câmara dos Deputados seria a existente na data de início da legislatura que estiver em curso. Agora é da data da eleição(lei /06). Propaganda partidária (direito eleitoral administrativo) Art. 45 da lei 9096/95 Propaganda Intrapartidária Art. 36 da Lei 9504/97 Propaganda propriamente dita eleitoral Art. 36 e outros da Lei 9504/97 Retirada do ar por transgressão à norma legal: inserção de âmbito estadual: PRE perante o TSE inserção de âmbito nacional: PGE perante o TSE Note que o critério aqui é de inserção e não de eleição. Retirada do ar por transgressão à norma legal: (a) Eleição municipal candidato, partido político ou coligação e Promotor Eleitoral juiz eleitoral quem julga; (b) Eleições gerais candidato, partido político ou coligação e Procurador Regional Eleitoral TRE quem julga (c) Eleição Presidencial - candidato, partido político ou coligação e Procurador Geral Eleitoral TSE quem julga Note que o critério aqui é de eleição. Retirada do ar por transgressão à norma legal: (a) Eleição municipal candidato, partido político ou coligação e Promotor Eleitoral juiz eleitoral quem julga; (b) Eleições gerais candidato, partido político ou coligação e Procurador Regional Eleitoral TRE quem julga; (c) Eleição Presidencial - candidato, partido político ou coligação e Procurador Geral Eleitoral TSE quem julga Note que o critério aqui é de eleição. 6
7 Propaganda partidária gratuita É aquela prevista na Lei 9.096/95 e tem como finalidade a divulgação de propaganda dos partidos políticos, sendo permitida até 30 de junho do ano da eleição. Vedada, pois, no segundo semestre do ano eleitoral (artigo 36, 2º da Lei 9.504/97) Propaganda eleitoral gratuita É aquela gratuita no rádio ou TV 45 dias anteriores à antevéspera das eleições (artigo 44 da Lei 9.504/97). Propaganda eleitoral geral (sem ser em rádio e TV), inclusive pela Internet, somente será permitida a partir de 6 de julho do ano da eleição até minutos antes das 48 horas anteriores as eleições (Lei 9.504/97, art. 36, caput, c/c art. 2º, caput, da Resolução /2000-TSE) e mencionará sempre a legenda partidária. A PROPAGANDA ELEITORAL GERAL: A propaganda eleitoral, inclusive pela Internet, somente será permitida a partir de 06 de julho do ano da eleição até minutos antes das 48 horas anteriores às eleições (Lei 9.504/97, art. 36, caput, c/c art. 2.º, caput, da Resolução /2000-TSE) e mencionará sempre a legenda partidária. Das 48 horas antes das eleições até 24 horas depois, fica vedada a propaganda eleitoral de qualquer forma (TV, rádio, comícios ou reuniões públicas de qualquer natureza, abordagem corpo-a-corpo com distribuição de material de propaganda eleitoral etc.), salvo: (a) passeata e carreata, que podem ser feitas na véspera da eleição; Nota: a propaganda eleitoral paga na imprensa escrita, que podia ser feita no dia das eleições. agora somente até a antevéspera(lei /06) Regras de propaganda eleitoral em geral: Síntese para concurso(visão global) a) Gratuita no rádio e TV para os partidos políticos, na forma da Lei, vedada a propaganda paga (artigo 44 da Lei 9.504/97); b) Permite críticas políticas à administração e à vida pública dos candidatos, não caracterizando, por si só, ofensa à sua honra pessoal (TSE Jurisprudência); c) Pode ser realizada, por exemplos, por imprensa escrita(até antevéspera das eleições), bem como pode ser feita por comícios. Não pode mais por outdoors e nem showmícios(lei /06); d) quando for intrapartidária (artigo 8º da Lei 9.504/97), visando à escolha de convenção de candidato, tem uma série de restrições pelo TSE e pela legislação. Assim, de 10 a 30 de junho do ano da eleição ocorre as chamadas convenções intra-partidárias. Nas convenções partidárias não é permitido o uso de outdoor (engenho explorado por empresas de publicidade), TV ou rádio. Todavia, retirando as proibições alhures, as demais propagandas feitas no local das convenções não é propaganda extemporânea (já que a regra é a propaganda após 7
8 5 de julho do ano das eleições), salvo a que denotar visível cunho eleitoral, cabendo multa ao pré-candidato. Exemplo Cidades populosas onde se coloca placas e faixas em zona sul, quando a convenção é na zona norte. e) Quando eleitoral, no rádio e na TV restringe-se ao horário gratuito, na forma da lei, vedada a veiculação de propaganda paga, salvo quanto à imprensa escrita, que pode ser veiculada, desde que paga, até no dia da eleição. f) Não permite censura pela Justiça Eleitoral, cabendo esta, todavia, autorizar o direito de resposta na forma do artigo 58 da Lei 9.504/97: - 24 h no caso de horário eleitoral gratuito; - 48h no caso de programação normal das emissoras de rádio e TV; - 72h no caso de órgão de imprensa escrita artigo 58, 1º da Lei 9.504/97) Censura é ato de reprovação prévio de divulgação de obra ou propaganda por motivo ideológico, político ou social. QUAIS AS DUAS ÚNICAS EXCEÇÕES À CENSURA? A propaganda lícita pode sofrer uma espécie extraordinária de restrição, determinada pelo Poder de Polícia. Joel J. Cândido, citando Hely Lopes, diz que "atuando a polícia administrativa de maneira preferentemente preventiva, ela age através de ordens e proibições, mas e sobretudo por meio de normas limitadoras e sancionadoras da conduta daqueles que utilizam bens ou exercem atividades que possa afetar a coletividade". Porém, não se permite censura em propaganda, seja qual for. Então, qual o conceito de censura e quais as exceções desta? Em resposta, inclusive, a estudiosa aluna e amiga Poliana Dantas, do IELF/Natal-RN, mencionei que CENSURA é a vedação PRÉVIA de algum ato a ser divulgado (no futuro), apenas pelo conteúdo ideológico, político ou social, jamais punição de ato pretérito por transgressão à norma eleitoral. Portanto, em atos pretéritos que foram já divulgados não se fala em censura, eis que já veiculado e apenas se pune o que veiculou novamente. Assim, a vedação prévia de um ato que ainda não foi publicado ou a vedação de um ato concomitante de, regra, não é possível, por tratar-se de censura. Porém, excepcionalmente admite-se restrição de atos concomitantes (que estão acontecendo e o juiz pode impedir) e futuros, em dois casos: (1) quando determinado candidato ofende o outro candidato adversário, NO ÚLTIMO PROGRAMA DE RÁDIO OU TELEVISÃO. O ofendido, com direito de resposta, a fará em dia fora da planilha(art.58, parágrafo quarto da Lei 9.504/97). Porém, nestas condições, a Justiça Eleitoral terá que aprovar a réplica para evitar excesso na resposta, que daria direito à tréplica, possibilitando um bate-boca de boca de urna. (2) outra hipótese é quando em poucos dias da eleição o juiz eleitoral, no exercício do poder de polícia, é comunicado de uma propaganda(no último dia do rádio ou TV ou no último dia legal por outros meios) que incitará a violência ou estado mental que pode provocar uma incitação à paz e ordem, comprometendo a própria eleição. Neste caso, poderá requisitar a propaganda para analisar previamente seu conteúdo, uma vez que a supremacia do interesse público deve preponderar no direito de não haver censura, 8
9 pelo princípio da proporcionalidade constitucional. Não havendo nenhuma irregularidade, o juiz determina em seguida a veiculação normal da aludida propaganda, do contrário impedirá sua divulgação ou obstará com conseqüência legal se já foi levada inicialmente ao público. Trata-se de um ato concomitante ou futuro que comprometa a segurança das eleições - princípio da proporcionalidade ou supremacia do interesse público sobre o privado. Vejamos agora uma visão mais profunda da propaganda eleitoral geral: Violação de direitos autorais - Jingles Sabemos que a violação de direitos autorais na propaganda eleitoral gratuita, com o propósito de reparação de danos materiais e morais, e contemplada na Justiça Comum. A novidade é que a Justiça Eleitoral é competente, por exemplo, para retirar do ar um jingle que violou direito autoral por se tratar de fruto de criação artística e cultural. Exemplo: No dia , o cantor e compositor Caetano Veloso telefonou, de Nova Yorque, para seu advogado no Brasil, Dr. Paulo Cesar Pinheiro, pedindo que ele notificasse o PT pelo uso indevido de sua voz no programa eleitoral de Lula que teria ido ao ar no dia A música usada pelo PT foi Amanhã, de Guilherme Arantes, interpretada pelo cantor baiano. De acordo com Duda Mendonça, responsável pelos programas, o cantor autorizou o uso da canção há quase um ano do dia em que foi levado ao ar. O impasse foi resolvido mas se não fosse, poderia Caetano Veloso ou Guilherme Arantes representar ao TSE (já que era eleições Presidenciais) apenas para retirar do ar a canção, cabendo reparação de danos à imagem ou morais na Justiça Comum, se fosse o caso. Exemplo: caso do meu irmão Huxley Ivens Cerqueira ( Ivens Cerqueira ) que pedi para não veicular jingle com música de Sandy e Júnior, orientando o mesmo durante sua campanha eleitoral a vereador em Bauru/SP, tendo o orgulho de ter sido acolhido. Debates facultativos: O início (dies a quo) é uma incógnita. 3 possíveis datas: (1) 1º de julho (quando as emissoras de rádio e TV não podem dar tratamento privilegiado a candidatos); (2) Após 05 de julho (quando começa a propaganda eleitoral genérica) ou (3) 1º de agosto (quando os donos de programas de rádio ou TV não podem mais ter suas imagens expostas neles)? Professor Thales Após 5 de julho, até porque o candidato já fora registrado e tem sentido ser junto da propaganda genérica. Antes dessa data os debates sujeitar-se-ão a multa por propaganda eleitoral extemporânea, salvo se tratar de entrevistas jornalísticas. Nas eleições 2004, a Resolução 21610/04 do TSE não manifestou quando inicia os debates, perdendo uma excelente oportunidade para tanto, já que a Lei 9.504/97 silenciou. 9
10 Porém, podemos extrair do sistema jurídico e afirmar que o início é a partir de 6 de julho. Isto porque o TSE permite que os pré-candidatos participem de entrevistas, debates e encontros antes do dia 6 de julho, desde que haja tratamento isonômico entre aqueles que se encontram em situações semelhantes (Res.-TSE nº , de ). Não havendo, poderá caracterizar propaganda antecipada, sujeitando-se as multas previstas em lei. A data final (dies in fine) será 3 dias antes da eleição, no primeiro turno (Resolução /98/TSE) e 2 dias antes no segundo turno (Resolução /98/TSE). Espécies de debates: (1) debate com acordo: é o realizado segundo as regras estabelecidas em acordo celebrado entre todos os partidos políticos e coligações com candidato no pleito e a emissora de rádio ou televisão interessada na realização do evento, o qual deve ser submetido à homologação pelo juiz eleitoral. Havendo acordo, o artigo 46, I a III da Lei 9.504/97 ficará afastado, por força do artigo 105 da Lei 9.504/97 que permite o poder normativo do TSE via resolução (no caso a resolução 21610/04). Para isso ser possível, no entanto, não pode haver a discordância de um partido ou coligação, para evitar o desequilíbrio eleitoral; (2) debate sem acordo: inexistindo acordo, o debate seguirá as regras adiante expressas, sendo assegurada a participação de candidatos dos partidos políticos com representação na Câmara dos Deputados (para esse efeito, a representação de cada partido político na Câmara dos Deputados será a existente em 1º de fevereiro de Res.-TSE nº , de ). e facultada a dos demais, observado o seguinte (Lei nº 9.504/97, art. 46, I a III). Notas: (1) É vedada a presença de um mesmo candidato à eleição proporcional em mais de um debate da mesma emissora (Lei nº 9.504/97, art. 46, 2º) (2) Conversão de debate eleitoral em entrevista jornalística: Será admitida a realização de debate sem a presença de candidato de algum partido político ou de coligação, desde que o veículo de comunicação responsável comprove tê-lo convidado com a antecedência mínima de setenta e duas horas da realização do debate (Lei nº 9.504/97, art. 46, 1º). Assim, o horário destinado à realização de debate poderá ser destinado à entrevista de candidato, caso apenas este tenha comparecido ao evento e tenham sido obedecidas as regras fixadas na Lei ou no acordo previsto no parágrafo único do art. 25 da Resolução 21610/04; BENS PARTICULARES De regra é permitida em todos os bens particulares (artigo 37, 2º da Lei 9.504/97), salvo se com visível abuso do poder econômico. aula Nota: Resolução 22718/08 4 metros quadrados. Comentários em sala de 10
11 Propaganda em prédio: pode haver propaganda eleitoral, a partir de 6 de julho, em condomínio residencial? Sabemos que Bem Público, para fins eleitorais, são todos os bens considerados públicos e abertos ao público (supermercados, igrejas, teatros etc). Mas nos prédios, pode o síndico colocar placas e cartazes. O TSE não solucionou ainda, sendo importante a concordância de todos condôminos; Propaganda em muro e indenização: pode a Justiça Eleitoral determinar a retirada/remoção de propaganda irregular do muro de uma pessoa que não autorizou, inclusive sob pena de crime (artigo 347 do CE), mas jamais resolver indenização, matéria da Justiça Comum; Outdoor: É todo engenho publicitário com fins comerciais. Difere da placa, pois depende de sorteio. I - Antes da Lei /06: Outdoor novo conceito A polêmica de delimitar a metragem (mais de 20 metros quadrados) do outdoor cessou. outdoor: Nas eleições de 2002, a Resolução /02, artigo 15, 1º assim definiu Considera-se outdoor, para efeito desta resolução, os engenhos publicitários explorados comercialmente Num salutar diálogo entre os Ministros Fernando Neves e Sálvio de Figueiredo, este acertadamente colocou em discussão que, havendo um muro de uma residência particular, com apenas um pouco mais de 20 metros quadrados, qualquer pintura ali feita, seria considerado outdoor? Teria que haver sorteio em muro particular de residência? Assim, ficou cancelado o conceito anterior de outdoor, sendo que nas eleições de 2002 o conceito independe de metragem, apenas se limita aos locais com espaços explorados pelas empresas de publicidade, com exploração comercial contínua. Assim, o registro destas empresas é que definirá também o critério posto. Concluímos que nos bens de propriedade particular será livre a fixação de propaganda, sem sorteio, sem qualquer definição de tamanho. Placas artesanais em locais particulares, pinturas etc, portanto, fugiram do conceito antigo. Todavia, a liberação da metragem é apenas aparente, pois existe sim um limite na própria resolução: Art.15, 13 A colocação de placas ou cartazes em bens particulares em tamanho, características ou quantidade que possa configurar uso indevido, desvio ou abuso de poder econômico, deverá ser apurado e punido nos termos do art. 22 da Lei Complementar nº 64, de 1990 Assim, apenas um outdoor com tamanho surreal, já pode configurar abuso de poder econômico, passível de inelegibilidade e multa em ação de investigação judicial eleitoral. 11
12 Da mesma forma, centenas ou milhares de placas, para fugir de forma sibilina do conceito de outdoors também poderá configurar abuso de poder econômico, se visível o desequilíbrio entre os demais candidatos, em face do uso anormal do direito (abuso do poder econômico). Ressalva-se, finalmente, que havendo segundo turno não ocorrerá novo sorteio para distribuição de outdoors, cabendo aos candidatos os que lhes foram destinados no primeiro turno (Resolução/TSE nº /98 e Resolução/TSE , artigo 17). Nota: no muro de residência: se tiver pagamento, o muro deve ir a sorteio, pois tem fim comercial, e virou outdoor! No caso de muro pintado sem autorização, é competente a justiça comum para ação de indenização (embora o que toque ao poder de policia seja a eleitoral, para ordenar que apague a propaganda sob pena de desobediência). Conclusão de propaganda em outdoor: outdoor é todo engenho com fim comercial, podendo ser até muro, se o dono do terreno cobrar por isto. No outdoor, sempre deve haver sorteio, inclusive desse muro que tem fim comercial II - Depois da Lei /06: Não é possível mais o uso de outdoors, sendo que placas acima de 4 metros quadrados considera-se como outdoors, com multa prevista na Lei /06. BENS PÚBLICOS: I - Antes da Lei /06: De regra, não poderia ser feita em bens públicos, vedada a pichação e a inscrição a tinta, salvo a fixação de placas, estandartes, faixas e assemelhados, desde que não lhes cause dano, dificulte ou impeça o seu uso e o bom andamento do tráfego em: - postes de iluminação pública O TSE em julgados tem impedido a propaganda em postes que servem de fixação de semáforos e alguns TRE s tem proibido em postes que são usados para geradores de energia; - viadutos O TRE de Minas Gerais, nas eleições de 2002, proibiu a afixação de placas nos viadutos de maior trânsito em BH, em virtude de acidentes gravíssimos que ocorreram pela queda destas placas nos viadutos; - passarelas; - nas pontes. O TSE, nas hipóteses acima, proíbe a propaganda eleitoral em bens públicos e de uso comum, ampliando o conceito de uso comum para os abertos ao público (teatros, supermercados, bares, cinemas igrejas, ônibus etc); II - Depois da Lei /06: Não pode mais propaganda eleitoral em bens públicos, salvo bandeiras, bandeirolas e flâmulas segurados por pessoas em locais, desde que não fixos; placas e 12
13 bonecos não fixos(conferir em sala de aula a polêmica sobre o uso de cavaletes em locais públicos). É proibida a propaganda em árvores e jardins localizados em área pública. Mas e se for árvores e jardins localizadas em propriedade particular neste caso não há como enquadrar a legislação eleitoral mas sim a legislação ambiental; Bonecos e cartazes não fixos ao longo das vias públicas: é permitida a colocação de bonecos e de cartazes não fixos ao longo das vias públicas, desde que não dificulte o bom andamento do trânsito Isto somente por Resolução do TSE(Res /06 que contrariou a Lei /06 e Res /08 TSE contudo vedou cavaletes Caso Capez ). Comício Das 20h às 24 horas (artigo 39, 4º da Lei 9.504/97); Showmício: I - Antes da Lei /06 Das 20h às 22 horas (artigo 39, 3º da Lei 9.504/97), podendo ser ampliado até às 24 horas com a autorização da autoridade competente (TSE/2004) II - Depois da Lei /06 A nova lei terminou com o showmício conferir em sala de aula comentários sobre o cantor Frank Aguiar, deputado federal por SP que foi proibido de cantar em seus comícios) de som? É permitido na véspera da eleição caminhada, carreata, passeata ou carro Sim, são permitidos, na véspera do dia da eleição, caminhada, carreata, passeata ou carro de som que transite pela cidade, desde que não se transforme em comício ou showmício. O funcionamento de alto-falantes ou amplificadores de som, ressalvadas as hipóteses contempladas alhures, somente é permitido entre as oito e as vinte e duas horas, sendo vedados a instalação e o uso daqueles equipamentos em distância inferior a duzentos metros: Das sedes dos Poderes Executivo e Legislativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, das sedes dos Tribunais Judiciais, e dos quartéis e outros estabelecimentos militares; Dos hospitais e casas de saúde; Das escolas, bibliotecas públicas, igrejas e teatros, quando em funcionamento IMPRENSA ESCRITA: I - Antes da Lei /06: 13
14 Somente a propaganda pela imprensa escrita a Lei 9.504/97 permitiu ser veiculada inclusive no dias das eleições, desde que paga Jornais (tem tratamento diferente): ressalva-se que na imprensa escrita a propaganda é permitida até no dia da eleição, desde que pago. Não sendo pago, o TSE até admite que o Jornal tome partido em relação à eleição, o que é diferente de ser usado como instrumento de campanha (uso indevido dos meios de comunicação). Assim, pode no Editorial do jornal uma manifestação de que "o melhor candidato é fulano de tal", "o projeto x não atende o interesse local". Mas o que não pode é colocar um determinado candidato mas primeiras 4 páginas que cuida de matéria política e colocar outro nas páginas policiais (calúnia, injúria e difamação). Poderia até o jornal ser usado como instrumento de campanha, se estivesse incluído no custo da campanha, como instrumento de campanha, desde que não ofendesse honra de candidato; II - Depois da Lei /06: propaganda na imprensa escrita até a antevéspera eleitoral Nota importante: é proibido, no dia das eleições, em qualquer lugar público ou aberto ao público, a aglomeração de pessoas portando bandeiras, flâmulas ou utilizando roupas e adesivos, manifestando preferência por candidato, partido ou coligação, de modo a caracterizar manifestação coletiva, seja com ou sem a utilização de veículos. Somente a manifestação individual e silenciosa é permitida, de preferência do cidadão ARTIGO 70 DA RES /08 Adesivos em carros particulares ou ambulâncias (comum o nome e partido do candidato que doou), sem explicitar pedido de voto, ainda que pedido genérico vote em x, y, partido z, não é propaganda eleitoral para o Tribunal Superior Eleitoral; Se apenas estiver grafado o nome e número do candidato, sem pedido explícito de voto, é tido como propaganda silenciosa, logo, autorizada, ainda que fora de época, pois é tido como silencioso. Portanto, fundamental analisar a mensagem; Idem em relação a santinhos, bandeiras e flâmulas, salvo se no dia da eleição houver aglomeração, pois de silenciosa transmuda-se em propaganda coletiva. Fiquem com Deus, Forte e especial abraço do autor. TTC Senhor, eu sei que Tu me Sondas (Salmo 138)... NOTA: Conferir a Lei /06 na íntegra e suas polêmicas na obra Preleções de Direito Eleitoral, Lumen Juris, RJ, 2006, Thales Tácito Pontes Luz de Pádua Cerqueira, volume 1, Tomo II. 14
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