Um laboratório com 35 hectares!
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- Natan Peralta Ventura
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1 Um laboratório com 35 hectares! Prof. José Oliveira Peça; Prof. Anacleto Cipriano Pinheiro; Prof. António Bento Dias Universidade de Évora, Departamento de Engenharia Rural - ICAM Apartado 94, Évora [email protected] Introdução A falta de um olival experimental para a realização de estudos cujos resultados pudessem ter validade científica era há muito sentida pelos diferentes agentes da fileira olivícola. Em 1998, depois de algumas reuniões onde intervieram elementos pertencentes a diferentes entidades ligadas à fileira foi decidido instalar, no Centro Experimental dos Lameirões (Safara) duas infra-estruturas: olival-laboratóriointensivo (Fig.1) e olival-laboratório-super-intensivo (Fig.2).
2 2 Fig.1 - Olival-laboratório-intensivo Fig. 2 Olival-laboratório-super-intensivo 1 Olival-laboratório-intensivo. Em 1998, foi acordado que seria pertinente estudar o comportamento das cultivares Galega, Verdeal e Cordovil sujeitas a três diferentes dotações de rega plantadas em três compassos diferentes (7mx4m; 7mx6m; 7mx10m). Na área disponível foi projectado o olival experimental em que as três variáveis definidas, cultivares, compassos e dotações de rega poderiam ser estudadas em três
3 3 repetições. Foram assim definidos 81 talhões, 27 por repetição. Os talhões foram casualizados dentro das repetições ocupando uma área total de 27,2 ha. A plantação foi iniciada no Outono de 2001 sendo efectuada ao covacho com rega de plantação imediata, tendo-se prolongado até Fevereiro de Foram assim plantadas árvores que constituem o olival-laboratório-intensivo. Nos 4 hectares, circundantes dos 81 talhões, foram plantadas 414 oliveiras da variedade `Cobrançosa. 2 Olival-laboratório-super-intensivo O comportamento das variedades portuguesas em compassos apertados continua uma dúvida presente em grande parte dos agentes ligados à fileira olivícola. Conjunturas várias tornaram possível a plantação, em 2,04 hectares, de um olival com densidades que variaram desde as 625 árvores por hectare até ás 1850 árvores por hectare. Neste olival experimental pretende-se avaliar a adaptação de algumas variedades portuguesas, em confronto com uma variedade espanhola já em utilização em plantações em Espanha e em Portugal, a esta nova forma de condução do olival. Foram usados dois compassos, C1 = 4m x 1,35m e C2 = 4m x 2m e feitas três repetições. As variedades portuguesa plantadas foram: Azeiteira, Cobrançosa, Cordovil, Galega, Redondil e Verdeal. A Arbequina foi a variedade espanhola. O olival foi plantado segundo um desenho factorial tendo 14 combinações de tratamentos por repetição. Em cada variedade, o compasso C1 tem 3 linhas com 20 árvores e o compasso C2 tem 3 linhas com 29 árvores. Atendendo a que existem 3 repetições o número total de árvores por variedade é Outras estruturas Outras estruturas já estavam presentes no Centro Experimental dos Lameirões quando da instalação dos olivais laboratório. São elas: o olival intensivo e o olival tradicional Olival Intensivo 7m 3.5m (Fig.3): Plantado em 1991, tem 4,7 hectares e engloba as cultivares `Azeiteira, `Cobrançosa e `Picual em iguais percentagens de área.
4 4 Fig. 3 Olival intensivo 7m 3.5m Foi plantado num compasso de 7mx3,5m com o objectivo de estudar o efeito que diferentes tipos de fertilização têm no crescimento e na produção das oliveiras de diferentes cultivares. Aspectos diversos levaram a que este estudo não tivesse seguimento tendo, no entanto, esta infra-estrutura sido utilizada para realizar outros estudos relacionados com a mecanização das diferentes operações culturais, a conservação do solo e da água e a fertilização Olival Tradicional (Fig.4): Tem cerca de 80 anos e ocupa uma área de 42,78 ha. A variedade Cordovil ocupa 42,78% da área, a variedade `Verdeal 30,22% e a variedade Galega 20%.
5 5 Fig. 4 Olival tradicional 4 Projectos executados e em execução Se bem que algumas linhas de investigação iniciadas não tenham presentemente projectos financiados continuam a ser feitas as avaliações possíveis tentando não comprometer a validade da informação entretanto recolhida. Olival Tradicional Projectos executados: AGRO 94 A mecanização da poda e do tratamento dos seus resíduos no olival. Projectos a decorrer: AGRO 728 Influência da rega e do controlo fitossanitário na produtividade e na qualidade do azeite de olivais tradicionais na margem esquerda do Guadiana. Olival Intensivo Projectos executados: PEDIZA Influência da mobilização do solo em olivais nas propriedades do solo e na transitabilidade dos equipamentos. AGRO 266 A cobertura vegetal do solo dos olivais em alternativa às mobilizações tradicionais. Avaliação comparativa das práticas e dos seus efeitos. AGRO 271 Colheita e recolha mecanizada em olivais de maior densidade (+/- 300 árvores por hectare). Projectos a decorrer: PEDIZA II nº Avaliação da produção de azeitona e da qualidade do azeite da cultivar Cobrançosa sujeita à aplicação de azoto e de potássio através da água de rega Olival-laboratório-intensivo. Projectos executados: AGRO 298 Técnicas de maneio do olival na fase de pós-instalação tendo em vista redução de custos e a protecção do ambiente. Influência no coberto vegetal nas características físicas e químicas do solo e quantificação do desenvolvimento vegetativo da oliveira em função da dotação de rega.
6 6 PEDIZA II nº Estudo da influência da densidade, da condução e da quantidade de água de rega na precocidade e na produtividade das principais cultivares de oliveira na margem esquerda do Guadiana. Conclusão Os olivais atrás descritos são uma infra-estrutura notável no panorama da investigação e desenvolvimento experimental da olivicultura em Portugal. Como qualquer laboratório deve ter gente a trabalhar e desenvolver o conhecimento para o país. Só a esta escala será possível extrair conhecimento que passe directamente para os olivicultores. É necessário que o poder político em geral e os programas de I&DE em particular permitam manter este laboratório em actividade. A comunidade ligada à investigação na olivicultura saberá aproveitar as oportunidades que forem dadas. A D C B A - Olival-laboratório-intensivo; B - Olival-laboratório-super-intensivo; C - Olival intensivo; D - Olival tradicional Fig. 5 Olivais do Centro Experimental dos Lameirões
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