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6 tila do Catequista Etapa I Módulo II Diocese de São José dos Campos DIOCESE DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS Pastoral Catequética ENCONTROS EM PREPARAÇÃO PARA A PRIMEIRA EUCARISTIA Etapa I Módulo II Apostila do Catequista 1

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8 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II CONTEÚDO O Perfil do Catequista... 5 Compromissos do Catequista... 6 Espiritualidade do Catequista... 6 Planejamento da Catequese º Encontro: Acolhida e Entrosamento º Encontro: Os Amigos de Jesus Vivem em Comunidade º Encontro: Jesus Inicia sua Missão a Partir do Batismo º Encontro: Jesus Forma sua Equipe º Encontro: Jesus nos Ensina a Rezar º Encontro: Jesus Fala do Reino em Parábolas º Encontro: Jesus Nos Ensina a Repartir º Encontro: Jesus Nos Ensina a Amar e Perdoar º Encontro: Jesus Nos Ensina a Acolher º Encontro: Jesus Nos Ensina a Verdadeira Felicidade º Encontro: Entrada de Jesus em Jerusalém º Encontro: Lava-Pés e Instituição da Eucaristia º Encontro: Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus º Encontro: Jesus Escolhe Pedro º Encontro: Jesus Nos Envia o Espírito Santo º Encontro: O Espírito Santo e Seus Dons º Encontro: Jesus e a Lei de Deus º Encontro: Mandamentos: Guia para s Vida º Encontro: Mandamentos: Dignidade á Vida (5º, 7º e 10º) º Encontro: Mandamentos: Dignidade á Vida (6º, 8º e 9º) º Tema Extra: Quaresma e Campanha da Fraternidade º Tema Extra: Quaresma e Campanha da Fraternidade º Tema Extra: Semana Santa e Páscoa º Tema Extra: O Santo Padroeiro º Tema Extra: Maio, Mês de Maria e Diadas Mães º Tema Extra: Corpus Christi º Tema Extra:Vocação Dia dos Pais º Tema Extra: Setembro Mês da Bíblia º Tema Extra: Missões º Tema Extra:Dízimo Bibligrafia Dinâmicas para serem usadas nos encontros da Campanha da Fraternidade

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10 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II O PERFIL DO CATEQUISTA Faz parte do necessário perfil do catequista: Equilíbrio psicológico, maturidade humana e afetiva. Liderança, Responsabilidade Criatividade e iniciativa. e perseverança. Capacidade de diálogo e de trabalho em Equipe. Vocação para catequista. Participação na formação inicial de, no mínimo, 01 (um) ano. Disposição para progredir na fé e espiritualidade (conversão contínua, vida de oração, vida sacramental). Vida coerente com a fé (não esteja impedido de receber os Sacramentos por ter sido atingido por alguma lei canônica). Boa comunicação. Ter no mínimo 16 anos e ter sido crismado. Participação, engajamento e espírito de serviço à comunidade. (Fonte: Objetivos e Diretrizes da Pastoral Catequética, 86) Amor preferencial pelos pobres. 5

11 COMPROMISSOS DO CATEQUISTA 1. Comunicar a Palavra de Deus com o testemunho (experiência de fé e vida). 2. Dedicar-se, de modo específico, ao serviço da Palavra. 3. Anunciar a Palavra e denunciar o que impede o homem de ser ele mesmo e de viver sua vocação de filho de Deus. 4. Participar ativamente dos eventos paroquiais e reuniões de Catequese (núcleo paroquial, Região Pastoral e Diocese). 5. Leitura assídua de livros, revistas e boletins. 6. Atualizar-se, participando assiduamente de cursos, formação permanente e retiros. 7. Elaborar antecipadamente, em equipe, os encontros catequéticos e encontros para as famílias dos catequizandos (pensar em gestos concretos com os catequizandos nas famílias). ESPIRITUALIDADE DO CATEQUISTA A Catequese Renovada qualifica o catequista como pessoa de profunda espiritualidade, que leva uma vida de oração. Por isso, diz que a formação deve ter cuidado de desenvolver principalmente sua vivência pessoal e comunitária da fé, seu compromisso com a transformação do mundo. A espiritualidade do catequista, para ser autêntica, deve estar integrada na vida concreta, compreendendo as atitudes de: 1. Relacionamento pessoal e profundo com Deus. 2. Seguimento de Cristo nas atitudes e interesse pelo Reino de Deus, fruto de uma adesão sincera. 3. Docilidade à ação do Espírito Santo. 4. Comunhão com a Igreja, comunidade que evangeliza, celebra e testemunha Jesus Cristo. 5. Amor filial à Virgem Maria, Mãe e Modelo de catequista. 6. Vivência do mistério cristão e da missão catequizadora dentro do grupo de catequistas. 7. Escuta, com fé e fidelidade, à Palavra de Deus que se manifesta na Bíblia, na Igreja e nos acontecimentos. 8. Integração dos aspectos celebrativos da liturgia e da piedade popular. 9. Vida sacramental, de oração, de contemplação encarnada na vida do povo. 10. Sentido de serviço para todos. 11. Espiritualidade do trabalho e da ação. 12. Amor aos empobrecidos e vivência evangélica. 13. Alegria de ser evangelizador (Fonte: Objetivos e Diretrizes da Pastoral Catequética, 87-88) 6

12 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II PLANEJAMENTO DA CATEQUESE 1. ETAPA I INICIAÇÃO À VIDA EUCARÍSTICA MÓDULO II DATA ENCONTRO TEMA 7

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14 1. Objetivos: Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 1º ENCONTRO: ACOLHIDA E ENTROSAMENTO Fazer uma experiência com Jesus, o Amigo para conhecê-lo melhor e caminhar com Ele por toda a vida. 2. Conteúdo do Encontro: Diálogo para saber o que fizeram durante as férias. Todos se conhecem devido à caminhada do ano passado. Acolhimento aos catequizandos que integram a nova turma. 3. Desenvolvimento do Tema: Promover um ambiente acolhedor. Receber com alegria cada catequizando Organizar os catequizandos sentados em círculo, tendo no centro imagem ou figura de Jesus, vela, flores e Bíblia. Pedir que formem pares e se entrevistem de forma a se conhecerem melhor. Em seguida cada um fará a apresentação do amigo que foi entrevistado, não podendo fazer a própria apresentação. Quem estiver sendo apresentando vai verificando se as informações a seu respeito estão corretas conforme foi passado na entrevista. Explicar que agora formam um grupo de amigos que, juntos irão aprender sobre a mensagem de Jesus para todos. Explicar que juntos construímos a comunidade dos amigos de Jesus, e pertencemos à uma Paróquia (ou Capela que pertence à Paróquia...). Explicar sobre a paróquia, as pessoas que nela trabalham, o que fazem. Falar sobre o Santo Padroeiro da Paróquia (ou Capela). Visitar a Igreja ou Capela. Conversar sobre as atitudes que se espera dos amigos de Jesus (apostila) Conversar sobre a melhor convivência em família, com os amigos, com a nova turma de catequese. Perguntar o que esperam da catequese neste ano. 4. Leitura utilizada: Mc 10, Ambientação: toalha, vela, bíblia, figura de Jesus. 6. Material utilizado: figuras de Jesus. 7. Atividades: orientar as atividades. 8. Momento de Oração: Preferencialmente levar os catequizandos à Capela do Santíssimo e motivar orações espontâneas de agradecimento pelo grupo de catequese. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA O centro do primeiro anúncio (querigma) é a pessoa de Jesus, proclamando o Reino como uma nova e definitiva invenção de Deus que salva com um poder superior àquele que utilizou na criação do mundo. Essa salvação é o grande dom de Deus, libertação de tudo aquilo que oprime a pessoa humana, sobretudo do pecado e do maligno, na alegria de conhecer a Deus e ser por Ele conhecido, de o ver e se entregar a Ele (DNC 30). 9

15 Por querigma devemos entender o anúncio alegre de Jesus, que nos leva a conhecer e amar a sua pessoa como presença a salvadora de Deus na história da humanidade e em nossa história pessoal de vida. Diante do querigma, a pessoa se decide livremente pelo Cristo, encantando-se com Ele e sua proposta, reorientando toda a sua vida num processo de conversão constante e crescente. O querigma apresenta os principais fatos da vida de Jesus, que o fazem reconhecê-lo como Senhor de nossas vidas, nosso mais e mais íntimo amigo. É preciso apresentar que Ele é o Filho de Deus, enviado pelo Pai para ser uma pessoa como nós. Viveu igual a nós em tudo, sendo muito bom para com todos. Amou a todos os que dele se aproximaram e, por amar tanto, enfrentou a morte e a venceu, ressuscitando. A Igreja é a comunidade das pessoas que quiseram ser amigas de Jesus e seguir seus passos. O querigma, portanto, proporciona experiência de amor profundo de Cristo, gerando adesão a Ele. Só quem fez esta experiência de Jesus Cristo pode passar pelo processo catequético, pois só quem conheceu o Salvador pode aprofundar sua vida nele e moldar suas ações de acordo com a vida e o ensinamento do Mestre. O querigma também pode ser aprofundado sob a ótica da amizade. Para isso poderá utilizar do livro O pequeno Príncipe. O encontro do príncipe com a raposa em que se estabelece uma profunda amizade, para fazer uma comparação com a amizade que Ele quer aprofundar com cada um, explicando que para isso Jesus quer cativar os catequizandos e ser cativado por eles. Aproveite as narrativas! Elas são sempre bem vindas! Conte as narrativas com arte, com entusiasmo, para que o catequizando saboreie o que é contado. Pode ser organizado um pequeno teatro, ou apenas feita uma leitura. (Cf. Saint-Exupery. O pequeno Príncipe. 48 ed. Rio de Janeiro: Agir, 2002, p ) Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol. I, Ed. Vozes, 2008 p. 11. O encontro do Príncipe com a Raposa E foi então que apareceu a raposa: Bom dia, disse a raposa. Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada. Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira... Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita... Sou uma raposa, disse a raposa Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda. Ah! desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou: Que quer dizer "cativar"? Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras? Procuro os homens, disse o principezinho - Que quer dizer "cativar"? Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem - Tu procuras galinhas? Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"? É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços. Criar laços? Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não 10

16 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor, eu creio que ela me cativou... É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra... Oh! não foi na Terra, disse o principezinho. A raposa pareceu intrigada: Num outro planeta? Sim. Há caçadores nesse planeta? Não. Que bom! E galinhas? Também não. Nada é perfeito, suspirou a raposa. 11

17 2º ENCONTRO: OS AMIGOS DE JESUS VIVEM EM COMUNIDADE 1. Objetivos: Despertar os catequizandos para o sentido da Santa Missa em nossa vida cristã. Despertar o desejo de participar da missa e entender os vários momentos da celebração. Conhecer os fundamentos da missa para melhor participar dela e vivenciá-la. Reconhecer a Eucaristia como sacramento do amor, da fraternidade e da partilha 2. Conteúdo do encontro: A presença de Jesus na celebração da missa, através da Palavra, da pessoa do sacerdote, do altar e da Eucaristia. Na missa cumprimos o importante papel de povo de Deus. Tornamo-nos um só corpo em Cristo. Cada catequizando faz parte desta comunhão, desta união de fé e amor, deste povo que Deus ama. Explicar a missa parte por parte. 3. Desenvolvimento do Encontro: Conversar com os catequizandos sobre uma festa de aniversário. Enumerar os momentos, desde a preparação da festa até o seu final, o bolo, o parabéns a você, o apagar a vela, que é o ponto alto da comemoração. Tudo numa festa é importante, mas o principal é a comemoração da vida de uma pessoa. Assim é a Celebração Eucarística. Lembramos de um fato do passado Cristo que fez a ceia com os apóstolos, doou a sua vida, dando seu corpo e sangue para a salvação de todos. Quando vamos à missa, relembramos as palavras e gestos que Jesus usou e atualizamos a entrega de Jesus porque Ele veio para salvar a todos, tanto os que viviam no seu tempo como os cristãos de todos os tempos (passado, presente e futuro). Leia o texto bíblico Lc 22, Realize um segundo momento, com uma leitura dialogada: toda a turma narra e um dos catequizandos faz a leitura das falas de Jesus. Dramatize a cena com base nos versículos 19 e 20 em que Jesus abençoa e distribui o pão e o vinho. Levar os catequizandos até a igreja para explicar as partes da missa. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia Lc 22, 14-20; At 2, / Jo 5, Ambientação: toalha, bandeja com pão, trigo, uva, bíblia. 6. Material utilizado: Apostila, figuras de igreja, bandeja com pão e uva. 7. Atividades: orientar as atividades. 8. Momento de Oração: fazer uma oração na presença de Jesus na Capela do Santíssimo. 12

18 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Os cristãos de todos os lugares se reúnem como família de Deus para encontrarem o Senhor e entrar em comunhão com Ele. Lá estão ricos e pobres, doentes e sadios, jovens e idosos, mas, todos em Cristo, formam a comunidade-igreja, e unidos celebram no amor de Cristo. 1. O que celebram? Jesus reuniu os apóstolos para uma ceia especial, diferente das que até então havia participado com eles. Usou coisas simples e comuns ao povo da época, vinho e pão, e operou o maior de seus milagres pela força de suas palavras passagem da morte para a vida, e a passagem desta vida (deste mundo) para o Pai. Com isto, pode-se afirmar que a Eucaristia é uma lembrança da morte e ressurreição de Jesus? Na Eucaristia não revivemos a Páscoa do Senhor. Não é algo que ficou perdido no tempo. É celebrar aquele acontecimento, trazendo-o para o hoje, com a mesma força que teve no passado. É como a Páscoa dos judeus, que ainda hoje é a festa que comemora a saída do Egito, a passagem da escravidão para a liberdade. 2. Quando se celebra a Eucaristia? e por obra do Espírito Santo. "Fazei isto em Os primeiros cristãos celebravam a memória de mim" foi o que Jesus nos ordenou nesta Última Ceia. Desde então a Eucaristia faz parte da vida do cristão. No Novo Testamento várias passagens narram a Instituição da Eucaristia: 1Cor 11,23-25, Lc 22,19-20 e Mc 14, O Evangelista João Eucaristia, assim como nós hoje, no domingo. Várias passagens bíblicas nos afirmam isso, como por exemplo: 1Cor 16,2 e Ap 1,10, onde se lê: domingo, Dia do Senhor. A palavra domingo vem do latim Domine Dies, Dia do Senhor. Portanto, é o domingo que dá sentido aos outros dias da semana. 6,51-54 prefere narrar a importância de Somente aqueles que, por razões fortes e comungar o Corpo e Sangue do Senhor. Os primeiros cristãos chamavam a missa de considerando os tempos atuais, podem celebrar no sábado, em missa vespertina. Ceia do Senhor ou Fração do Pão. Nós hoje 4. Quem celebra? preferimos chamá-la de Eucaristia, que significa O grande celebrante é Jesus. Porém, toda Ação de Graças, que não é apenas um muito comunidade de fé também celebra com Cristo obrigado pelos benefícios recebidos, mas uma quando ouve a Palavra de Deus e recebe o Corpo e entrega alegre e confiante da vida a Deus. o Sangue de Jesus pela ação do Espírito Santo: O que nos pode ajudar a entender o que é a "As ações litúrgicas não são ações privadas, mas Eucaristia são as palavras ditas na missa, após a celebrações da Igreja, que é o 'sacramento da consagração: "Anunciamos, Senhor, a vossa morte, unidade', isto é, o povo santo, unido e ordenado e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, sob a direção dos bispos. Por isso, estas Senhor Jesus". Toda a nossa vida e nossa história celebrações pertencem a todo o corpo da Igreja" são marcadas pelo mistério pascal celebrado na (CIC 114). Eucaristia. Anunciamos a morte de Cristo no Fonte: Crescer em Comunhão, Vol. III, Livro do passado, há dois mil anos. Proclamamos sua Catequista, p ressurreição, sua presença vivente entre nós, no presente. Esperamos sua vinda gloriosa, no futuro. Portanto, a Eucaristia é a celebração da morte e ressurreição de Jesus Cristo, a sua Páscoa - sua 13

19 Quando alguém muito querido vem a nossa casa, como o recebemos? Então vamos ver como nos preparamos para participar da Missa. Hoje e domingo, dia do Senhor. Vamos encontrar nossos amigos, parentes, etc. Ao entrar no local da celebração, vamos ficar em silêncio, para preparar em oração o grande acontecimento da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Canto de Entrada: Ao iniciar, cantamos alegres por estarmos reunidos com os irmãos na casa do nosso Deus e Pai, o sacerdote recebe a todos cumprimentando em nome das três pessoas da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Ato Penitencial: Quando amamos alguém de verdade, é necessário ir ao seu encontro, sem mágoa. Por isso, pedimos perdão de nossas faltas. O Ato Penitencial nos convida a dar uma parada e ver onde pecamos e no que precisamos mudar de vida. Hino de Louvor: Depois de pedir perdão, junto e diante de toda a Comunidade, estamos em condições de glorificar a Deus. Cantamos ou rezamos, com alegria o Glória. Rito da Palavra: Até agora Deus nos ouviu. É nossa vez de ouvi-lo nas três leituras tiradas da Bíblia, intercaladas pelo Salmo de Meditação e a Aclamação do Evangelho. A Palavra de Deus transforma a nossa vida. E as leituras vão nos mostrar que Deus sempre está presente no seu povo. Fomos acolhidos, recebemos o perdão, ouvimos a palavra de Deus, e o celebrante explica as leituras na homilia. Vamos sintetizar tudo isso, rezando o Creio em Deus Pai, que contém as verdades fundamentais da nossa fé. Oração dos Fiéis: Toda a comunidade faz os pedidos, conforme as suas necessidades. Rezamos também pelos governantes, pelos que sofrem, pelo mundo inteiro. Ofertório: É a hora de colocar sobre o altar toda nossa vida para ser consagrada. Por isso, não pode ser oferta só de dinheiro, de mantimentos para os pobres, mas da vida, para recebermos forças na luta do dia-a-dia. O sacerdote oferece a Deus tudo o que é colocado no altar. Oração Eucarística: Nesta oração é transformado o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo. Tudo o que vimos e ouvimos é transformado na Eucaristia. Recordamos o momento em que Cristo deu a sua vida por nós. Ele está presente sobre o altar; não o vemos, mas isto sabemos pela fé. A oração por Cristo, com Cristo e em Cristo, resume este ato da fé. Ao pronunciarmos o Amém, queremos dizer que aceitamos tudo, com amor e gratidão. Pai Nosso: É a oração que Jesus nos ensinou e é a mais completa das orações. Essa oração nos torna irmãos, porque Deus é o nosso Pai. Oração pela Igreja: A Igreja, Santa pela graça de Deus e pecadora porque realizada por pecadores e em favor de pecadores, pede pela unidade de seus filhos para testemunho de Jesus Cristo, na fé, no culto e na caridade (cfr. Jo 17). Saudação da Paz: Desejamos a paz do Cristo a todas as pessoas: aos amigos e aos inimigos. Só Cristo pode, realmente, nos dar a paz e ajudar-nos a viver como irmãos. Cordeiro de Deus: Pedimos três vezes que tenha piedade de nós, para frisar bem que só Deus tira os pecados do mundo e o quanto precisamos de perdão. Não somos dignos de sermos perdoados, mas Jesus quer nos perdoar e ficar conosco. Comunhão: A mesa está posta e o alimento preparado. Somos convidados a participar da Comunhão com toda a humanidade que sofre e também se alegra, porque Cristo é ponto de unidade dos que n'ele crêem. E esta união deve acompanhar-nos até nossas famílias, vizinhos e colegas de escola e trabalho, como sinal da vida e unidade. Despedida: Ao despedir-nos, devemos estar cheios da graça de Deus. O sacerdote diz: Vamos em paz e que o Senhor nos acompanhe, e nos abençoa em nome da Santíssima Trindade. 14

20 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II Respondemos: Amém. Mas na verdade a Missa não termina, ela continua durante a semana. Podemos notar que no começo e no fim da Missa, o sacerdote invoca a proteção da Santíssima Trindade. Vemos assim que a missa além de ser bíblica, contém todo o Mistério da nossa fé e salvação. Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Paulus, 2003 p

21 1. Objetivos: 16 3º ENCONTRO: JESUS INICIA SUA MISSÃO A PARTIR DO BATISMO Levar os catequizandos a conhecerem a pessoa de Jesus, como viveu, sua missão, seu projeto de vida e seu amor pela comunidade. Compreender que o batismo de Jesus marca o início de sua vida pública e o nosso batismo inicia-nos na vida cristã. 2. Conteúdo do Encontro: O Batismo nos leva a um compromisso de vida. Devemos nos esforçar para viver como filhos de Deus e irmãos uns dos outros. Ao ser batizado Jesus quis assumir um compromisso. Relembrar os símbolos do Batismo. Verificar se todos foram batizados 3. Desenvolvimento do Tema: Quem é Jesus para você? (deixar que falem ) Vocês sabiam que Jesus nasceu numa cidade pequena chamada Nazaré, numa família igual a tantas outras daquela época? Jesus, mesmo sendo Filho de Deus, quis nascer de uma mulher que foi Maria e que hoje nós chamamos de Nossa Senhora, que é a nossa mãe do céu. Jesus teve um pai adotivo José, que era carpinteiro e que ensinou Jesus a fazer os objetos de madeira que se usava na época. Jesus nasceu de uma família como a nossa e viveu no meio do seu povo. Os primeiros anos de vida de Jesus são parecidos com a vida de qualquer criança, Ele chora, ri, brinca, come, tem amigos, ajuda seus pais etc... Freqüenta a Igreja da sua época que era chamada Sinagoga dos Judeus. Ninguém podia imaginar que o filho de José, o carpinteiro fosse o Messias o Filho de Deus. Depois de adulto Jesus partilhava das angústias e das esperanças de seu povo. Vivia as alegrias e os momentos difíceis que todos viviam, e sem usar os privilégios que tinha como Filho de Deus. Jesus era consciente de que tinha uma missão a cumprir no meio de nós: anunciar a todos o Amor do Pai e seu Reino de justiça e paz. Ao completar 30 anos Jesus vai até o Rio Jordão para ser batizado por João Batista que pregava um batismo de conversão, de mudança de vida. Jesus queria ficar ao lado dos pobres e oprimidos e também dos pecadores que João batizava. Explicar como foi o Batismo de Jesus Falar da voz do Pai, da presença do Espírito Santo sobre o Filho que é Jesus = Santíssima Trindade. (Jesus recebe a Força do Alto, do Pai para iniciar a sua missão) Falar que no nosso Batismo também recebemos a Graça de Deus e somos chamados a sermos missionários do Reino de Deus. O nosso compromisso com o Reino de Deus deve concretizar-se em nossas atitudes humanas de amor fiel a Deus. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia Mt 3, 16-17; Mt 4, Ambientação: toalha, bíblia. 6. Material utilizado: Apostila, figura do batismo de Jesus. 7. Atividades: orientar as atividades. 8. Momento de Oração: Orientar que façam orações espontâneas lembrando-se do próprio batismo e pedindo a Jesus que os ajude viver bem a sua missão de batizados. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA

22 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II A vida pública de Jesus tem início com o seu batismo por João no rio Jordão. João Batista, o precursor de Jesus, proclamava "um batismo de arrependimento para remissão dos pecados" (Lc 3,3). Por isso era procurado por muitas pessoas de diferentes grupos e classes sociais que vinham fazer-se batizar por ele. O seu batismo visava preparar as pessoas para a chegada daquele que vem mostrar a proximidade do Reino (cf. Mt 1, 15), por isso dizia: "depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu não sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias" (Mc 1,17). Quando Jesus vai ao Jordão e pede a João para ser batizado por ele, este o questiona. Jesus insiste na necessidade de ser batizado par João. Com sua atitude demonstra que Ele, mesmo sem ser pecador, se solidariza com a condição dos pecadores. Durante o batismo de Jesus duas provas divinas acontecem: os céus se abriram e o Espírito de Deus desceu como pomba e pousou sobre Jesus e uma voz do céu disse: "Tu és o meu Filho amado, de ti eu me agrado" (Mc 1, 11). Assim, o Pai e o Espírito Santo dão testemunho da divindade de Jesus e de sua missão salvífica. O batismo de Jesus marca o início de sua vida pública. Ele deixa Nazaré e se coloca a serviço do povo em favor da vida Ele mesmo falou: "Vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10,10). Para nós o batismo marcou uma nova vida. Ser batizado é assumir a mesma missão de Jesus. Nós, cristãos, somos chamados a lutar pela vida, onde ela é ameaçada. No tempo de Jesus, os habitantes da Palestina esperavam a chegada do Messias que libertaria o país das mãos dos Romanos e devolveria, à nação de Israel o esplendor dos tempos de Davi e de Salomão. O povo tentou libertar-se das dominações estrangeiras, mas nada conseguiu. A sua única esperança estava baseada na promessa da vinda do Messias. Ele deveria ser o enviado de Deus para libertar o seu povo. Sendo consagrado, (ungido) pelo próprio Deus, deveria ter força e poder. Jesus não costumava usar o título de Messias. Quando chamavam Jesus de Messias, ele aceitava o título. Quando Pedro diz que Jesus é o Messias, Jesus recomenda-lhe que não diga a ninguém; que guarde segredo (cf. Mc 8, 29-30). Jesus manifesta aos seus discípulos a sua missão. Anuncia a eles que sua missão não será de glória, de grandes sucessos. Convida muitos a participar de sua missão: "Quem quiser vir comigo, esqueça-se de si mesmo e carregue a sua cruz" (cf. Mt 16, 24). Os discípulos não entendiam a missão de Jesus. Sonhavam com desfiles espetaculares e entradas triunfais. Percebe-se isto claramente quando Pedro quer impedir a ida de Jesus para Jerusalém, para não enfrentar o sofrimento. Jesus tinha falado: "Preciso ir para Jerusalém e ali os líderes judeus, os chefes dos sacerdotes e os professores da Lei vão me fazer sofrer muito. Serei morto, e no terceiro dia, ressuscitarei. Então Pedro o repreendeu: "Que Deus não permita! Isto não pode acontecer de jeito nenhum!" Severamente Jesus respondeu a Pedro: "Saia da minha frente, Satanás! Você está pensando como homem e não como Deus pensa!" (cf. Mt 16, 21-23). A única vez que Jesus proclama abertamente que é o Messias, é na resposta a pergunta de Caifás no seu julgamento e condenação (cfr. Mt 26, 63-64). Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol. I, Ed. Vozes, 2008 p. 34. Fé,Vida e Comunidade, Ed. Paulus, 2003 p

23 1. Objetivos: 4º ENCONTRO: JESUS FORMA SUA EQUIPE Reconhecer no convite que Jesus fez aos apóstolos um chamado para cada um. Reconhecer que Jesus não realizava a missão sozinho, chama a outros para participar. 2. Conteúdo do encontro: Jesus espalha a semente do Reino de Deus em todos os corações e preparava os doze Apóstolos para serem mensageiros do Reino. Relatar os compromissos que os discípulos tiveram que deixar por aceitar o convite de Jesus e também os nossos compromissos de cristãos. Enfatizar o discipulado. 3. Desenvolvimento do Tema: Mostrar o cartaz com os nomes dos 12 apóstolos = enviados por Jesus para uma missão. Perguntar se já ouviram falar deles... Quem são? O que faziam antes? (obs.- Pedro, Tiago, João eram pescadores; Mateus cobrava impostos etc...) Falar da importância de trabalhar em equipe. Ex: grupos de escola, futebol, etc... Quando mais pessoas trabalham juntas, com o mesmo objetivo, o resultado do trabalho é melhor. Jesus também quis montar uma equipe para ajudá-lo na sua missão: levar o anúncio do Reino de Deus a todas as pessoas do mundo inteiro. Jesus ensinava como as pessoas deviam viver para ter uma vida mais feliz. Ele ensinava que devemos seguir a Palavra de Deus, porque ela orienta a nossa vida. Jesus queria que a sua missão nunca parasse, por isso convidou pessoas (apóstolos) para fazer parte do seu grupo, aprender com Ele, e depois continuar a sua missão de ensinar as pessoas. Hoje Ele chama cada um de nós para isso. Quando somos batizados, Jesus nos dá essa missão. Todos são chamados, devemos ser discípulos, para aprender, e depois devemos ensinar aos outros. Devemos ser apóstolos de Jesus como catequistas, missionários, freiras, padres, pessoas que fazem trabalho nas pastorais da Igreja. Dinâmica: Jesus nos chama pelo nome Objetivo: importância de sermos conhecido pelo nome "Jesus chama cada um pelo nome". Material: Um crachá para cada pessoa do grupo e um saco ou caixa de papelão para colocar todos os crachás. Descrição: O coordenador deverá recolher todos os crachás colocar no saco ou na caixa; misturar todos os crachás em seguida entregar um crachá para cada catequizando. Este deverá encontrar o verdadeiro dono do crachá, em 1 minuto. Comentar: O nosso nome é muito importante. Assim como Jesus chamou os Apóstolos pelo nome, Ele também nos chama pelo nome para fazer parte da sua equipe. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia Lc 6, ou Mc 3, Ambientação: toalha, bíblia, cartaz com o nome dos apóstolos 6. Material utilizado: Apostila, bíblia, cartaz com o nome dos apóstolos 7. Atividades: orientar as atividades 8. Momento de Oração: em silêncio, de olhos fechados, pedir que pensem em Jesus que os está chamando pelo nome em seguida rezar juntos a oração da apostila. 18

24 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Na caminhada junto com Jesus os discípulos ouviram suas pregações, viram suas curas e seus milagres. Os discípulos acompanharam Jesus fisicamente e comungaram de sua vida e idéias. inspira a ficarmos mais parecidos com Ele, especialmente no Amor a Deus e ao próximo, e a fidelidade as orientações de vida dadas pelo Mestre no Sermão da Montanha. Por isso, a Eles o seguiram pelos caminhos da Galiléia e da conversão ao Reino é um processo nunca Judéia ate a cruz. Esta caminhada se configura pela conversão - aceitação de Deus na própria vida - e pelo seguimento em trilhar os caminhos de Jesus. Conversão e seguimento constituem o dom da fé, uma vez que esta é opção de vida, adesão a Jesus Cristo, a Deus e ao seu Projeto de vida nova para todos. A fé e a conversão envolvem a pessoa inteira ao reconhecer, acolher, interiorizar e desenvolver uma experiência de encontro pessoal encerrado, tanto em nível pessoal quanto social, porque, se o Reino de Deus passa por realizações históricas, não se esgota nem se identifica com elas (cf Puebla 193, 1221, 1159). Jesus deixou Nazaré e começou a andar pelos vilarejos e cidades da Galiléia, proclamando que o Reino de Deus havia chegado. Em pouco tempo, juntou gente que o seguia e acreditava nele. Chamavam-se discípulos. Dentre eles Jesus escolheu doze, para serem seus com Jesus Cristo, encantando-se por Ele e apóstolos, que quer dizer: "enviados", tomando-se seu discípulo. Ser discípulo é uma opção que implica para o ser humano em assumir no seu modo de viver palavras e ações que estejam de acordo com as exigências de ser cristão: acolher a vontade divina, participar ativamente da missão da Igreja revelando-a na vida familiar, matrimonial, profissional, tomandose seguidor de Jesus Cristo em todas as instâncias da vida. É o próprio Jesus que toma a iniciativa, "Mensageiros", "proclamadores". Por que Jesus escolheu doze? O povo judeu era descendente das doze tribos. Assim os patriarcas, os chefes das doze tribos foram os fundadores do povo de Deus. Os doze apóstolos eram destinados a ser os fundadores do novo povo de Deus, daqueles que entram no Projeto de Deus. Que tipo de pessoas Jesus devia escolher para serem apóstolos? Deviam ser puros, santos, importantes ou bons oradores? chamando para segui-lo. O apelo é feito, Os primeiros quatro homens que Jesus primeiramente, àqueles a quem ele confia uma missão particular, a começar pelos doze apóstolos que o acompanhavam e a quem envia em missão pelas cidades, aldeias e vilas anunciando a Boa- Nova do Reino. São eles que inicialmente, ao ouvir o chamado de Jesus, abandonam tudo e o seguem. No entanto, a renúncia que realizam dos próprios bens e de si mesmos somente será compreendida após a ressurreição de Cristo, quando o Espírito Santo os guiar para a verdade total (cf. Jo 16,13). escolheu eram pescadores do mar da Galiléia. Jesus criou-se em Nazaré, a 40 Km do mar da Galiléia; conhecia bem os pescadores. Certo dia, Jesus foi ao mar da Galiléia, viu no barco dois irmãos André e Simão, lançando suas redes. Quando ouviram Jesus chamando, recolheram a rede e dirigiram o barco para a margem. Venham! - Disse Jesus a André e Simão. Sigam-me. Vocês são pescadores, mas eu os farei pescadores de homens". Como juntavam peixes em Jesus nos convida a tomar-nos seus suas redes, assim iriam juntar homens para o discípulos deixando-nos o seu exemplo e o testemunho dos apóstolos que se comprometeram a viver e a participar da edificação do seu Reino. Assim, na medida em que vamos seguindo o Cristo Ressuscitado, seu Espírito que habita a Igreja nos Reino de Deus. Os dois reconheceram Jesus, porque André tinha sido discípulo de João Batista, e trouxera seu irmão Simão para conhecê-lo. Acreditaram em Jesus, e iam dar, com alegria, sua vida por Ele. 19

25 Ao chamado de Jesus, deixaram imediatamente o barco e as redes, e o seguiram. Sabiam o que queriam e que serviço novo tinha para eles. Mais adiante, Jesus encontrou outro barco. Pertencia ao velho Zebedeu, um abastado pescador. Tiago e João, seus dois filhos, estavam com ele, sentados no barco. Consertavam suas redes. Jesus chamou-os, dizendo: "Tiago e João, venham. Sigam-me". E eles deixaram tudo e seguiram a Jesus (cf. Mt 4,19-22). Simão Pedro morava na cidade de Cafarnaum, um porto ativo à margem do lago. Os romanos tinham uma tropa na estrada principal, que cortava a cidade, do norte ao sul. Cafarnaum tinha sua própria alfândega, onde os pescadores e os viajantes eram obrigados a pagar impostos aos romanos. Ali estava um publicano: Levi Mateus, sentado à mesa, e ao lado de um soldado que, de pé, velava por sua segurança, pois o povo não gostava de pagar impostos aos romanos, nem o imposto próprio dos judeus. Concentravam seu ódio contra os publicanos, judeus que coletavam os impostos para os romanos. Eram traidores de seu próprio povo, e todo mundo sabia como enriqueciam a custa do povo, do qual cobravam mais do que era prescrito. Assim Levi Mateus era odiado e desprezado, rico em dinheiro, mas pobre em amigos. Um dia ficou muito surpreso, quando deparou com Jesus. "Mateus, vem e segue-me", disse Jesus (cf. Mt 9,9). Mateus deixou tudo como estava e seguiu a Jesus. Depois disso, Mateus preparou na sua casa uma grande festa para Jesus. Convidou todos os amigos. Na maioria eram naturalmente publicanos ou gente desprezada. O povo de Cafarnaum ficou escandalizado ao ver o profeta em tal companhia. As pessoas, em desacordo, perguntavam: Como Jesus pode sentar-se a mesa com pessoas tão desprezíveis? E Jesus respondeu: Só os doentes precisam de médico. Eu não vim chamar gente como vocês, que estão em amizade com Deus. Preciso chamar os pecadores, para abrir seus corações a Deus (cf. Mt 9,12). Justamente o contrário eram os homens, chamados Zelotas. Eram ardentes patriotas, que lutavam assiduamente contra a dominação romana. Jesus escolheu um Zelota, chamado Simão, para ser um dos seus discípulos. Filipe, outro apóstolo, foi trazido a Jesus por André, de quem era grande amigo. Filipe, por sua vez, trouxe seu amigo Bartolomeu, às vezes chamado Natanael. Os outros, que Jesus escolheu para serem seus apóstolos foram: Judas, Tomé, e um outro Tiago, chamado Tiago o Menor, para distingui-lo do irmão de João. Ora, estes onze apóstolos eram diferentes uns dos outros em muitos pontos. Todos, porém eram da Galiléia, do norte de Israel. O 12º apóstolo era Judas, chamado Iscariotes, porque nascera em Keriot, uma aldeia no sul de Israel. De todos, era o mais estranho. Mas os doze, apesar de serem tão diferentes entre si, estavam bem unidos pela mesma fé em Jesus. Jesus tinha uma concepção totalmente diferente do que era ser discípulo. Este não era para ele um aluno, mas um amigo: "Não vos chama "servos", dizia Ele aos seus discípulos, mas "amigos" (cf. Jo 15, 14-15). Queria que os seus discípulos vivessem com Ele, que ficassem em sua companhia, sem o deixar, para terem contatos incessantes e, portanto, diálogos e ensinamentos... Caminhando, comendo, rindo ou chorando com eles, assando-lhes peixe de manhãzinha na margem do lago ou dormindo ao lado deles, ao relento. Aproveitava os acontecimentos da vida de todos os dias para familiarizá-los com o seu pensamento. Cafarnaum era um excelente campo de trabalho para Jesus. Quando permanecia na cidade, hospedava-se na casa de Simão Pedro. De Cafarnaum partia sempre com os doze apóstolos para as cidades e aldeias vizinhas da Galiléia. Em todo lugar anunciou a Boa Nova e seu amor. Mostrou o amor de Deus em tudo que fazia. 20

26 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II Amava a todos, não menosprezava ninguém. Falava com autoridade. Também seu ensinamento era de fácil compreensão, pois ensinava, contando lindas histórias (parábolas) e fatos da vida. O amor de Deus mostrou-se também em Jesus, na sua compaixão pelos doentes. Assim as massas corriam para ouvir Jesus. A força do amor de Deus irradiava-se nele. Odiava o pecado, mas amava o pecador. Deu sempre preferência aos pobres e aos oprimidos. Jesus espalhava a semente do Reino em todos os corações e preparava os doze apóstolos para serem mensageiros do reino. Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol. I, Ed. Vozes, 2008 p Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Ed. Paulus, 2003 p

27 5º ENCONTRO: JESUS NOS ENSINA A REZAR 1. Objetivos: Reconhecer no Pai Nosso a oração da fraternidade e da confiança em Deus. Reconhecer que a oração do Pai Nosso é um diálogo pessoal e comunitário com o Pai. 2. Conteúdo do Encontro: Rezando o Pai Nosso expressamos nossa relação de filhos de Deus Pai. Com o Pai Nosso declaramos que pertencemos a uma grande família e, igualmente, entendemos a partilha do Pão Nosso de cada dia como reconhecimento da providência paterna de Deus, que se preocupa com os problemas de seus filhos. Através da oração pedimos e nos responsabilizamos por aquilo que pedimos. 3. Desenvolvimento do Tema: Perguntar se todos costumam rezar e quando rezam. Falar da importância da oração como uma comunicação, conversa com Deus. Deus nos criou por amor, nos escuta e sabe de tudo que precisamos. Pedi e recebereis, buscai e achareis... (Lucas 11, 9). Jesus também pedia ao Pai... agradecia... conversava... Isto é oração Quando Jesus rezava? De manhã (Lc 6,12); de noite (Mc 1, 35); nas alegrias (Lc 10, 21); na tristeza (Lc 22, 41); pedindo (Lc 23, 34 ; Jo 17). Com a oração recebemos a força necessária para vencermos todos os obstáculos. Perguntar se todos conhecem a oração do Pai nosso. É a oração dos filhos de Deus: todos nós! É oração de perdão. É oração de partilha. Ler as passagens bíblicas onde Jesus ensina aos apóstolos a oração do Pai Nosso. Explicar o significado de cada parte do Pai Nosso. Acompanhando na apostila fazer com que todos leiam e compreendam o significado de cada frase do Pai Nosso. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia Mt 6, 9-15 e Lc 11, Ambientação: toalha, bíblia, flores, imagem de Jesus rezando. 6. Material utilizado: Apostila, bíblia, cartaz com uma figura de Jesus rezando. 7. Atividades: orientar as atividades. 8. Momento de Oração: orientar a escrita da oração do Pai Nosso. 22

28 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Os Evangelhos nos transmitem uma série de ensinamentos de Jesus sobre a oração. Segundo o costume do seu povo. Jesus rezava de manhã, à noite, antes e depois das refeições. Rezou antes da multiplicação dos pães e da última Ceia. Todos os sábados se dirigia à Sinagoga, tomando parte nas orações feitas em comum. Participava também das cerimônias no Templo de Jerusalém. aqueles já receberam a sua recompensa!... Mas tu, quando quiseres rezar, retira-te para o teu quarto e ali, onde ninguém te veja, fecha a porta. Então, teu Pai dos Céus que vê no mais íntimo do teu coração, te recompensará" (cf. Mt 6-6). Cada um deve apresentar-se diante de Deus tal como é: com suas fraquezas. Um dia Jesus apresenta dois tipos de oração: a do fariseu, orgulhoso de si, da sua cultura e da sua fidelidade religiosa, e a de um publicano consciente e Os Evangelhos nos apresentam Jesus, arrependidíssimo das suas fraquezas e das suas rezando de uma maneira espontânea e pessoal, conforme os acontecimentos e circunstâncias. A sua oração acontecia na vida: era com os apóstolos de regresso da missão (cf. Lc 10,21), junto do sepulcro de Lázaro (cf. Jo 11,41-42), ao longo de uma vigília (cf. Jo 17), a caminho do Horto das Oliveiras (cf. Lc 23,24), na noite em que foi preso (cf. Mc 15,34), e até sobre a cruz, pedindo pelos seus algozes, (cf. Lc 23,34) recita o início de um salmo (cf. Mt 27,46). Os evangelhos mostram como Jesus passava horas inteiras em meditação, em intimidade com o Pai. Antes de nascer o sol, ia num lugar isolado para orar. Vai à montanha e passa toda a noite em oração (cf. Lc 6, 12; Mc 6,46; Mt 14,23). Jesus não condenou as manifestações de alegria e de entusiasmo, os cantos, a música ou a dança. Ao contrário, somos levados a pensar que tenha tomado parte nas danças sagradas com os peregrinos na noite da Festa dos Tabernáculos, nos pátios do Templo, ao som da trombeta, ao ritmo dos tamborins e dos címbalos (cf. Jo 7, 37). Jesus cantou o hino pascal depois da Última Ceia (cf. Mc 14,26). Mas Jesus condenou a ostentação na oração. Todos os dias, à tardinha, em Jerusalém, se ouvia o som das trombetas do Templo. Era o anúncio do sacrifício da tarde. A população era assim convidada a reunir-se ali e a rezar. Alguns fariseus faziam tudo para se colocar, nas encruzilhadas e tomavam ostensivamente atitudes faltas (Lc 18,95). Enquanto o primeiro se julga digno da estima de Deus e exprime o desprezo pelas pessoas de má conduta, o segundo só do poder Deus espera o perdão das suas faltas. A fé que transporta montanhas O amigo que importuna em plena noite (cf. Le ), o juiz corrupto importunado pela viúva, (cf. Le 18,2) são parábolas contadas por Jesus, cheias de doutrina sobre a oração. Uma mulher que sofre de hemorragia pensa: "Se tocar na orla da sua túnica, serei curada". E isto aconteceu. Jesus volta-se e diz a ela: "A tua fé te salvou" (cf. Mc 5,34). Um centurião romano vem pedir-lhe a cura de um criado seu, e tem a certeza de que Jesus pode curar mesmo a distância. Jesus diz-lhe: "Nunca encontrei ninguém com tanta fé. Vá! e o criado ficou curado (cf. Mt 8,5-13). Uma mulher estrangeira, Cananéia, confia que Jesus pode e quer expulsar as forças do mal que dominam a sua filha. E ela insiste. Jesus responde: "Mulher, é grande a tua fé (cf. Mt 15, 28). Jairo, chefe da Sinagoga, foi ao encontro de Jesus porque sua filha estava morrendo. Jesus vai a casa dele. No caminho, sabe da notícia: a menina morreu. Jesus diz a Jairo: Creia firmemente! E a menina viveu. (cf. Mc 5,36). Jesus conhece, em profundidade, o coração humano. Mas o homem se interroga: como Deus espalhafatosas na oração sob os olhares pode preocupar-se com ele entre bilhões de pessoas admirados da gente simples. Jesus desmascarava esta hipocrisia: "Aos olhos de Deus, dizia Ele, do mundo? Às vezes pensa num Deus "chefe" e não num Pai cheio de bondade, por isso desespera-se 23

29 porque não vê a realização de seus desejos. Depressa perde a confiança, pensando que já rezou o suficiente, então abandona toda a atitude de esperança em Deus. "O Pai Nosso" Um dia os discípulos viram Jesus rezar. Quando acabou a oração pediram-lhe: "Ensina-nos a rezar" (Lc 11,15). Para orar, dizei somente isto... E ensina-lhes a oração do "Pai Nosso". Encontramo-la nos evangelhos de Mateus (cf. 6,9-15) e de Lucas (cf. 11, 1-4). Começa por uma invocação ao "Pai dos Céus". Na religião dos judeus admitia-se que Deus tivesse pelo seu povo cuidados de pai. Deus tinha se comprometido com o povo ao longo da sua história: o tinha libertado, protegido e perdoado. Quando Jesus falava do Pai dos Céus, queria falar duma vida de família que ultrapassa a imaginação. Ele empregava a palavra "Abba" que se traduz por "Papai". Jesus quer comunicar a vida de Deus aos seus discípulos. Quer fazê-los entrar na Família do mesmo Deus. Por isso, devem dizer na oração: "Pai". o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos da Galácia: "Deus enviou o seu Filho para fazer de nós seus filhos adotivos. E a prova de que nós somos filhos, Deus pôs nos nossos corações o Espírito de seu filho que clama "Abba! Pai!" (Gl 4, 4-7) Notemos, que dizendo: "Pai Nosso" e não "Meu Pai", o discípulo de Jesus faz uma proclamação de fraternidade. Não há diferença entre os homens de qualquer raça, povo ou condição social. Todos são filhos do único Pai e devem amar-se como irmãos. Esta oração lembra que não podemos aproximar-nos de Deus, esquecendo os irmãos. O Pai Nosso" não é apenas uma oração importante; é também uma Profissão de Fé. Na Igreja primitiva exigia-se que o batizando o recitasse publicamente antes de receber a água batismal. No tempo de Jesus, cada grupo religioso tinha as suas orações próprias que lhe serviam de identificação religiosa. Jesus ensina aos discípulos como deviam rezar: "Não imiteis os pagãos diante dos seus ídolos. Pensam que será por muito gritar, que serão atendidos mais facilmente. Um erro! Vosso Pai dos céus conhece as vossas necessidades antes que lhe apresenteis". (Mt 6,7-8). O Pai Nosso é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho. Depois de o Senhor nos ter legado esta fórmula de oração, acrescentou: 'Pedi e recebereis' (Lc 11,9). Cada um pode, portanto, dirigir ao céu diversas orações segundo as suas necessidades, mas começando sempre pela oração do Senhor, que continua a ser a oração fundamental (CIC 2761). Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Ed. Paulus, 2003 p

30 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 6º ENCONTRO: JESUS FALA DO REINO EM PARÁBOLAS 1. Objetivos: Compreender que as parábolas revelam a manifestação do amor de Deus e um convite para participar do seu Reino. Mostrar que Jesus contava pequenas histórias apresentando e favorecendo ao povo a acolhida do Reino de Deus. 2. Conteúdo do encontro: Quando Jesus usa as parábolas está nos revelando os ensinamentos do Reino de Deus. Como contribuímos para a construção do Reino de Deus, aqui na terra? O que significa Reino de Deus? Quais as diferenças e semelhanças entre o Reino de Deus e a nossa sociedade? 3. Desenvolvimento do Tema: Perguntar se eles se lembram que Jesus chamou a todos nós para ajudarmos na construção do Reino de Deus. Pedir que falem sobre os acontecimentos no mundo (TV, Jornais, etc..): será que tudo o que acontece está de acordo com o Projeto de Jesus? (mostrar que existem muitas coisas erradas, mas também muitas coisas boas) Para ensinar como podemos construir o Reino de Deus aqui na terra, na nossa vida, Jesus contou muitas parábolas. Explicar o que é uma Parábola Parábolas são histórias que Jesus contava fazendo uma comparação das experiências da vida das pessoas com as coisas do Reino de Deus que Ele queria ensinar e que as pessoas pudessem entender e praticar Convidar os catequizandos a encontrar na Bíblia o capítulo 13 do Evangelho de Mateus. Ler com eles o título das várias parábolas deste capítulo para que reconheçam que foram muitas as parábolas que Jesus contou. Ler o texto de Mateus 13, 1-9 A parábola do Semeador. Motivá-los a observar os elementos comparativos do texto completando as atividades da apostila. Fazer a dinâmica: Colocar a bandeja com a terra suja no centro da sala (mesa ou chão). Distribua a semente (dê mais de uma para cada catequizando) Dizer que a bandeja representa o nosso coração. O que precisamos fazer para que a semente que vamos plantar possa nascer e crescer bem? Limpar a terra, deixando-a bem fofinha (= tirar os pecados do coração). Dizer que a semente é a Palavra de Deus. Perguntar se querem cultivar seu coração com coisas boas para serem felizes, e fazer a vontade de Deus. Relembre o texto bíblico com a ajuda dos catequizandos. Relembre o sentido da parábola: o que a parábola fala para cada um de nós e que convite nos faz. 25

31 26 Convidar cada criança a plantar a sua semente fazendo uma intenção de realizar alguma coisa boa para os outros e assim ajudar Jesus na construção do Reino. Ex: ler a Bíblia, rezar, partilhar o lanche, doar uma roupa, pedir perdão, rezar etc. Fazer as atividades da apostila, explicando o sentido das outras parábolas. 4. Leitura utilizada: Mt 5, 13, Mt 13, 31-32, Mt 5, 14, Mt 13, 33, Lc 8, 4-15, Mt 13, 44, Lc 15, 4 ou outras parábolas sobre o Reino de Deus. 5. Ambientação: toalha, bíblia, imagem, flores. Ver a ambientação solicitada na dinâmica. 6. Material utilizado: Apostila, bíblia, bandeja (ou caixa) com terra, cheia de sujeira e sementes. 7. Atividades: fazer as leituras bíblicas e esperar que completem a atividade. 8. Momento de Oração : Motivar a reflexão e orientar a escrita da oração. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Jesus faz uso de parábolas e sob essa forma apresenta os mistérios de Deus tornando a realidade do seu Plano acessível e familiar à compreensão das pessoas. E, também sob esta mesma forma, Jesus nos ensina por meio das parábolas como é possível fazer parte do Reino. Explica, ainda, que para entrar no Reino devemos agir, pois as palavras por si só não bastam. A realidade do Reino está envolvida no mistério, portanto, difícil de defini-lo ou vê-lo no seu todo. Mas Deus toma a iniciativa de revelar esta realidade e convida todas as pessoas para fazer parte dela. Por isso Jesus se utiliza das parábolas para comparar a realidade do Reino com as situações vividas pelas pessoas de seu tempo, para que possam compreender como se faz a opção para participar do Reino de Deus. Nesse sentido, embora as parábolas possam ser aparentemente superficiais, elas dão margem para alimentar interpretações profundas e tocam o coração humano porque este percebe a presença do Reino muito próximo dele pela linguagem figurativa. No entanto, para compreender o ensinamento de Jesus através das parábolas é necessário localizá-las no tempo e no contexto da época de Jesus. Isto significa relacionar as diferenças culturais, sociais e tecnol6gicas que separam as duas realidades: a de Jesus (voltada para o meio rural, produção artesanal) e a nossa (agroindustrial). Desta forma, pela compreensão das parábolas torna-se possível vivenciar 0 mistério do amor de Deus revelado por Jesus Cristo. O que é Parábola? É uma comparação tirada da experiência de vida e da realidade que toda gente compreende, reflete, despertando o gosto pela ação. Toda Parábola tem uma idéia e uma comparação com um fato real. A comparação nas Parábolas compreende três elementos: a coisa que se compara, a coisa com que se compara, o ponto precise do comparação; aquilo que nos faz refletir para levar a ação. A comparação está a serviço do sentido de vida e de uma proposta para a transformação da sociedade. Como Jesus usou as Parábolas Fez comparações a partir da realidade e da vida dos camponeses da Galiléia. O ponto principal é a perspectiva da vinda do Reino, aqui e agora. O que é o Reino? Usou as Parábolas, não como histórias neutras, nem histórias impessoais. Fez com que os ouvintes tomassem partido, aceitando a nova forma de viver o Projeto de Deus. (Aliança = fraternidade = nova sociedade = Reino de Deus). Usou imagens da vida diária (normal) da realidade, servindo-se do seu dinamismo interno, mostrando o modelo social e religioso. Colocou as situações críticas da vida do povo, a fim de resgatar o seu valor e o valor

32 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II do seu trabalho, visando a libertação do povo. Todos entendem as Parábolas? As Parábolas são para entender ou para não entender? Parece que os ouvintes compreenderam seu sentido superficialmente, sem acolher mais profundamente a mensagem. Isto exigiria uma mudança radical de vida. Marcos apresenta o texto de Isaías 6,9 para constatar isto: "Falava em parábolas para que, olhando, não vejam; ouvindo, não ouçam e não entendam, a menos que se convertam". Uma Parábola não contém uma só e determinada mensagem, como uma fórmula fechada. A Parábola é aberta, feita para provocar a reflexão e a tomada de atitude das pessoas. As Parábolas são: um instrumento de diálogo, elaboradas a partir da experiência vivida, pretendendo levar à conversão e à ação. O Ponto Central das Parábolas e o Reino de Deus ou Reino dos Céus. Esse Reino de Deus existe em todo homem, está dentro do homem, como uma semente, um embrião. Mas, na maior parte, os homens estão insensíveis a este dom. A Parábola ajuda o homem a despertar, a desenvolver este Reino que Jesus chama a "luz do alqueire", o "tesouro escondido", a "pérola preciosa". Para os ouvintes, inexperientes de Deus, Jesus não podia dizer o que na realidade era esse Reino. Só podia comunicar através de comparações e analogias a que era semelhante a esse Reino "é semelhante a um grão de mostarda"... "a um fermento" "a uma festa nupcial"... "as dez virgens", etc. Jesus passava muitas horas em oração antes de ensinar o povo. Foi na oração que Jesus descobriu a pedagogia para explicar ao povo o que é o Reino de Deus. Nenhuma das parábolas foi imaginada por Jesus; todas foram vividas por Ele. E só podem ser compreendidas, por nós, quando plenamente vividas. Toda Parábola consta de dois elementos: o símbolo material e o simbolizado espiritual. O símbolo material é tirado da natureza humana. E compreensível a todos, mas a compreensão do simbolizado espiritual depende do grau de fé em que cada pessoa está. Se ela está no grau 50, interpreta a parábola no grau 50; quem esta no grau 10, interpreta no 10, e assim por diante. Não é possível dar uma explicação definitiva e universalmente válida das parábolas. A sua universalidade admite inúmeras interpretações, proporcionais ao grau de reflexão e de vivência de cada pessoa. O importante é que as Parábolas devem ser refletidas para levar à ação de transformar a sociedade, conforme o coração de Deus. Jesus chama para entrar no Reino, por meio de Parábolas, traço característico de seu ensino. Por meio delas, convida para o Banquete do Reino, mas exige também uma opção radical: para merecer o Reino é preciso dar tudo. As palavras não bastam, exigem-se atos. As Parábolas são para o homem uma espécie de espelho. Como é que ele recebe a Palavra? Como chão duro ou como terra boa? Que faz ele dos talentos recebidos? Jesus é a presença do Reino neste mundo estão secretamente no centro das Parábolas. "É preciso entrar no Reino, quer dizer, tornar-se discípulo de Cristo, para conhecer os mistérios do Reino dos Céus (cfr. Mt 13,11). Para os que ficam de "fora" (cf. Mc 4,11), tudo continua enigmático" (CIC 546). Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista,Vol. I, Ed. Vozes, 2008 p. 54. Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Ed. Paulus, 2003 p

33 1. Objetivos: 7º ENCONTRO: JESUS NOS ENSINA A REPARTIR Perceber que o amor generoso de Jesus nos leva a viver a partilha. Compreender que Jesus quer que os bens sejam partilhados entre todos, conforme suas necessidades. 2. Conteúdo do Encontro: Através da mensagem de Jesus podemos entender que para acabar com a fome no mundo é preciso partilhar, valorizando o pouco que cada um possui e que é repartido entre todos, assim a comunidade se torna um sinal do amor generoso de Deus. Destacar o valor da caridade e da solidariedade. Quais os movimentos existentes em nossa comunidade que prestam auxílio às pessoas empobrecidas e carentes? Como por ex. os Vicentinos.Como podemos ajudá-los? 3. Desenvolvimento do Tema: DINÂMICA: Teatrinho com 3 situações: usar 3 carteiras como casas. Escolher 3 (ou mais) crianças para cada casa : Escolher uma criança para ser aquele que vai pedir algo para comer. Bate palma na 1ª casa e alguém da casa fala: Não tenho nada agora, passe depois! (sai triste) Vai para a 2ª casa, bate e alguém diz: Só tenho pão velho, duro, você quer? ( sai triste) Vai para a 3ª casa, bate e alguém fala: Você está com fome? Vou te dar um pão fresquinho! Acabei de comprar! Todos ficam felizes: quem deu o pão e quem recebeu. Houve partilha, repartiu com o necessitado a mesma coisa que a família ia comer. Conversar se elas gostam de repartir com os outros as suas coisas, balas, lanches, emprestar coisas para amigos ou irmãos etc... O que elas sentem quando vêem pessoas vivendo nas ruas, crianças pedindo esmolas, descalças, com fome. Crianças doentes sem assistência médica... etc... LER A BÍBLIA e comentar: Jesus teve compaixão do povo Jesus pediu para que os discípulos mesmos dessem de comer ao povo necessitado (hoje pede para nós). Jesus deu graças ao Pai antes de multiplicar os pães e peixes. Dar graças significa que tudo vem do nosso Pai do céu que deseja que tudo o que Ele dá seja repartido entre todos. Mostrar para as crianças que para Jesus multiplicar e repartir os pães e peixes foi preciso que alguém mostrando a bondade oferecesse o que tinha: 5 pães e 2 peixes. Se cada um de nós repartirmos o pouco que temos com aqueles que não têm nada todos ficaremos satisfeitos e estaremos fazendo a vontade de Jesus. DÍZIMO é uma forma de partilhar os nossos bens com aqueles que precisam. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia Mt 14, Ambientação: toalha, bíblia, velas, imagem cartazes. 6. Material utilizado: Apostila, bíblia, cartazes com pessoas que passam por necessidades. 7. Atividades: orientar as atividades. 8. Momento de Oração: orientar a oração. 28

34 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA No Antigo Testamento, os milagres são sempre sinais de Deus agindo em favor do povo. como a nós mesmos, por amor de Deus." (CIC 1822). No Novo Testamento, os milagres Os discípulos foram os primeiros a realizados por Jesus são também chamados de sinais, pois apontam sempre para uma realidade maior: a glória de Deus. Jesus fez, sem dúvida, muitos milagres. Em experimentarem de perto o amor de Jesus Cristo. No encontro pessoal e íntimo com Ele, puderam descobrir e desenvolver sua vocação primeira de viver em comunhão com Deus e com as pessoas, a todos eles, é possível identificar sua intenção. partir do amor que agora transborda No seu tempo, Jesus tinha como naturalmente. destinatárias pessoas que acreditavam em um Deus libertador, mas aguardavam ainda a vinda do Messias. O encontro com Cristo é condição ao seu seguimento e a observância de seu mandamento maior: "Amai-vos uns aos outros. Como eu vos Jesus, ao fazer milagres, provocando tenho amado, assim também vós deveis amar-vos acontecimentos extraordinários, suscita nos uns aos outros" (Jo 13,34). Mas quem é o outro, ou interlocutores aquilo que chamamos de primeiro o próximo, conforme nos referimos mais passo na fé, ou seja, a aceitação de Jesus como o Messias, o Filho de Deus. "... Sabemos que vens da parte de Deus como um mestre, ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele" (Jo 3,2b). "Os sinais operados por Jesus testemunham que o Pai o enviou. Convidam a crer nele. Aos que a ele se dirigem com fé, concede o que pedem. Assim os milagres fortificam a fé naquele que realiza obras de seu Pai: testemunham que ele é o Filho de Deus." (CIC 548). Reconhecendo Cristo como Messias, a glória de Deus se manifesta aos homens. No entanto, ' Jesus nunca permite que seus seguidores parem nos milagres. É necessário dar um segundo passo na fé, que é o conhecimento e seguimento de Jesus. Se Ele ressuscita Lázaro, é para afirmar: "Eu sou a ressurreição e a vida". Se ele multiplica os pães, é para depois dizer "Eu sou o pão descido do céu". Os milagres, portanto, são meios que Jesus utilizou para ensinar que o plano glorioso de Deus, há muito esperado, está se cumprindo; e para introduzir as pessoas neste mistério divino. normalmente? Essa pergunta é muito importante: O próximo não se refere a um parente ou amigo, mas ao ser humano. Amar a Deus é amar a pessoa necessitada, que precisa da minha ajuda e presença. Seja ela quem for, conhecida ou não. Esse é o verdadeiro compromisso com Deus e com o outro. É também esse compromisso que motiva e justifica as "campanhas da fraternidade" e muitas obras assistenciais. Essa é a condição: que amemos, como Ele mesmo, os nossos inimigos, que nos tornemos próximos dos mais afastados, que amemos como Ele as crianças, os pobres, os excluídos... (cf. CIC 1823). O apóstolo Paulo nos recomenda a bem viver o amor. Diz-nos ainda: "Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade." (1 Cor 13,13). Em outras palavras, o novo mandamento "amai-vos uns aos outros como vos amo" (Jo 15,12) nos leva à ação concreta em relação aos mais necessitados: "Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era peregrino e me acolhestes." (Mt 25,35). "A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus em primeiro lugar e ao próximo Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol. II, Ed. Vozes, 2004 p. 40 e 56 29

35 8º ENCONTRO: JESUS NOS ENSINA A AMAR E PERDOAR 1. Objetivos: Conscientizar os catequizandos que amando e perdoando estamos realizando o projeto de vida de Jesus. Reconhecer o valor do perdão que Jesus veio nos ensinar. Perceber que nosso Deus nos oferece em Jesus o perdão e nos pede reconciliação com Ele e com nossos irmãos. Reconhecer que é na vivência do amor incondicional que reside a maior felicidade e a condição para um mundo mais justo e fraterno. Compreender que amamos a Deus quando amamos verdadeiramente as pessoas como irmãos e irmãs e perdoamos e damos o perdão. 2. Conteúdo do Encontro: Fazer a reflexão que é fácil amar e perdoar a quem gostamos, mas Jesus ensina que Deus é misericórdia, que dizer, está sempre disposto a perdoar qualquer pessoa, qualquer um de nós: Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido. Quem ama perdoa sempre, inclusive os inimigos. Porque as pessoas acham difícil pedir perdão, fazer as pazes? Conseqüências da inimizade, do sentimento de vingança e de raiva. 3. Desenvolvimento do Tema: 1º Momento Jesus ensina a amar: Iniciar o encontro com a ambientação para o 1º momento. Conversar com os catequizandos sobre situações de pobreza e riqueza das pessoas nos diversos lugares do mundo: locais de desenvolvimento econômico, alta tecnologia, de pobreza, florestas exuberantes e terras áridas, desmatamentos. Comente que a árvore que estão vendo no centro da sala representa o desamor no mundo. Compare as situações de vida das pessoas nestes locais: de facilidades e dificuldades, desperanças e sonhos, de paz e guerra... À medida que forem conversando, coloque na árvore as gravuras de má qualidade de vida das pessoas. Pergunte o que Jesus acharia destas situações. Deixe-os se expressarem livremente. Comente que Jesus se identifica com os que sofrem, com os pobres, com os doentes, com os abandonados... e Ele conta com as pessoas para ajudar o seu próximo a mudar de vida. Ler Mt 25, que nos indica a prática que deve acompanhar todo cristão junto aos pequeninos. 2º Momento Jesus ensina a perdoar: Mudar as figuras para o 2º momento. Para entender melhor o sentido do perdão, ler o texto Jo 8, 3-11 se for possível de forma dialogada. Explorar os seguintes aspectos a partir do texto bíblico e com a ajuda dos cartazes: o A pergunta que Jesus faz à mulher e as palavras que pronunciou ao despedir-se. 30

36 o o o Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II O jeito de olhar dos fariseus e escribas sobre a mulher. Como terá sido o olhar da mulher para Jesus e dele para a mulher. Existem olhares que nos ajudam a ser melhores. Comparar os olhares das figuras expostas para perceber tal afirmação. Ler Mt 18, Jesus nos anima a perdoar sempre. A tristeza, a raiva e o desejo de vingança fecham o coração ao perdão. Muitas vezes julgamos as pessoas somente pelo olhar. Quando alguém nos desrespeita logo queremos nos vingar: não levo desaforo para casa. Jesus nos anima a perdoar para viver em paz. Todos nós precisamos do perdão. Ele faz parte da nossa vida, pois é perdoando que se é perdoado e sendo perdoados que vivemos em comunhão com nossos irmãos. Na oração do Pai-Nosso, que Jesus ensinou, nós pedimos para que Deus perdoe as nossas ofensas do mesmo modo que nós perdoamos aqueles que nos ofenderam. Se Deus é tão bom para nós, precisamos ser bons e misericordiosos com os outros. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia Mt 22, 34-40, Jo 8, 3-11, Mt 18, Ambientação: 1º momento: colocar no centro da sala o desenho de um tronco de árvore e galhos com aparência de árvore seca (ou o próprio galho seco) e gravuras retiradas de jornais e revistas que retratem situações de desamor das pessoas. 2º momento: colocar no centro da sala figuras de pessoas se abraçando, de mãos dadas ou que expressem sinal de perdão. Colocar também figuras de pessoas discutindo, brigando. Colocar, ainda, pessoas com olhares que expressem ódio, alegria, amor, paz, dentre eles a figura de Jesus. 6. Material utilizado: Apostila, bíblia, gravuras conforme descritas na ambientação 7. Atividades: orientar as atividades, que poderão ser feitas em casa. 8. Momento de Oração: encerrar o encontro com a oração do Pai Nosso, meditando o trecho em que pedimos perdão a Deus, na medida em que perdoamos a quem nos tenha ofendido. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Jesus nos diz de diversas formas que o amor a Deus coincide e identifica-se com o amor ao próximo de quem devo aproximar-me porque necessita de mim. Neste sentido, pode-se identificar sua maneira de explicar o amor compreendendo que: 0 amor a Deus assemelha-se ao amor ao próximo: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento. Esse é o grande e o primeiro mandamento. 0 segundo é semelhante a esse: amaras o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22, 37-40). O amor de Deus e o amor ao próximo são inseparáveis: Para Jesus, o amor de Deus e o amor ao próximo são inseparáveis, pois se constituem em um só mandamento, do qual dependem todos os outros: "Se alguém disser: 'amo a Deus', mas odeia o seu irmão, é um mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, a quem vê, como pode amar a Deus, que não vê? É este mandamento dele recebemos: Aquele que ama a Deus, ame também seu irmão" (1Jo 4,20-21). Existe uma espécie de igualdade entre o amor de Deus e o amor ao próximo: 31

37 0 que se faz ao próximo (em especial ao mais humilde e necessitado) é como se o fizesse ao próprio Jesus: "Em verdade vos digo: cada vez que fizeste a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes" (Mt 25,40). A norma do amor será a de amar como Jesus nos amou: O amor de Cristo foi até as últimas conseqüências: "Nisto conhecemos o Amor: que ele deu a vida por nós. E nós também devemos dar as nossas vidas pelos irmãos" (1Jo 3,16). Com isso queremos afirmar que: Jesus se dirige ao ser humano concreto - seja publicano, prostituta, pobre, oprimido, fariseu, rabino -, a todos os seres humanos; Nós amamos a Deus e defendemos sua causa amando como Jesus amou em qualquer situação em que o ser humano se encontre; Este amor deve ser humano, aqui neste mundo e agora, no tempo que estamos vivendo; Nada deve estar acima do amor aos irmãos ou contentar-se em cumprir a lei: "Com efeito, eu vos asseguro que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e a dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus" (Mt 5,20). Por ser o amor nosso mandamento, a única medida do amor é amar sem medida. Esta é a última vontade de Jesus: "Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros" (Jo 13,34-35). Tanto o Antigo como o Novo Testamento têm como "costura" o perdão de Deus. Aliás, podemos dizer que a Bíblia é a história do Pai que sempre perdoa o filho. É a expressão máxima do amor, da bondade e da misericórdia de Deus para conosco. O perdão é o que nos aproxima dele. Porém, não basta pedir o perdão, é preciso nos reconciliar com Ele e com os irmãos. Catecismo da Igreja Católica A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo, e ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus Jesus faz da caridade o mandamento novo (75). Amando os seus «até ao fim» (Jo 13, 1), manifesta o amor do Pai, que Ele próprio recebe. E os discípulos, amando-se uns aos outros, imitam o amor de Jesus, amor que eles recebem também em si. É por isso que Jesus diz: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor» (Jo 15, 9). E ainda: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei» (Jo 15, 12). Para o perdão é preciso uma só pessoa, para a reconciliação é preciso duas: Deus e o homem. Em todo caso, para reconstruir a relação quebrada com o outro, é preciso mostrar que se quer a paz e a reconciliação, ou seja, quem ofende precisa pedir perdão e o ofendido precisa responder ao pedido de desculpa, acolhendo-o de forma confiante. Mesmo rompendo com Deus, Ele não reage, não fecha a porta por dentro. Ela fica sempre aberta, pois assim é Deus-Pai: Ele sempre perdoa! Assim também se apresenta Jesus nos evangelhos: sempre acolhedor para o perdão. Isto se pode constatar nos encontros com Zaqueu, Mateus, Madalena, a adúltera, os inimigos, na agonia da cruz. E ainda, nas curas que realizava, a condição era o perdão: "Seus pecados te são perdoados, vai em paz!" (Lc 7,48-50; Mc 2,5). Jesus resume sua atitude fundamental para com os pecadores na Parábola do Filho Pródigo (Lc 15,11-32).0 pedido de perdão do filho mostra abertura de si, confiança em ser solto das amarras que o prendiam provocadas pelo pecado e disposição para assumir uma vida nova. Isso supõe uma grande capacidade de superação de si mesmo e confiança nos outros. Essa prática do perdão que Jesus anuncia deveria continuar na sua Igreja. Se, para tantas 32

38 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II outras realidades da vida cristã Jesus deixou sinais, sacramentos, para essa realidade do perdão também instituiu um sinal, para que, pelo perdão visível, sacramental, ele pudesse se encontrar conosco durante nossa vida. Esse sinal é o Sacramento da Penitência, Reconciliação ou Confissão. Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol. I, Ed. Vozes, 2008 p. 67, CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA II As chaves do Reino 981. Depois da ressurreição, Cristo enviou os seus Apóstolos «a anunciar a todos os povos o arrependimento em seu nome, com vista à remissão dos pecados» (Lc 24, 47). Este «ministério da reconciliação» (2 Cor 5, 18), não o cumprem os Apóstolos e os seus sucessores somente anunciando aos homens o perdão de Deus que nos foi merecido por Jesus Cristo, e chamando-os à conversão e à fé; mas também comunicando-lhes a remissão dos pecados pelo Batismo e reconciliando-os com Deus e com a Igreja, graças ao poder das chaves recebido de Cristo: A Igreja «recebeu as chaves do Reino dos céus, para que nela se faça a remissão dos pecados pelo Sangue de Cristo e a ação do Espírito Santo. É nesta Igreja que a alma, morta pelos pecados, recupera a vida para viver com Cristo, cuja graça nos salvou» (551) Não há nenhuma falta, por mais grave que seja, que a santa Igreja não possa perdoar. «Nem há pessoa, por muito má e culpável que seja, a quem não deva ser proposta a esperança certa do perdão, desde que se arrependa verdadeiramente dos seus erros» (552). Cristo, que morreu por todos os homens, quer que na sua Igreja as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que se afastar do pecado (553) A catequese deve esforçar-se por despertar e alimentar, entre os fiéis, a fé na grandeza incomparável do dom que Cristo ressuscitado fez à sua Igreja: a missão e o poder de verdadeiramente perdoar os pecados, pelo ministério dos Apóstolos e seus sucessores: «O Senhor quer que os seus discípulos tenham um poder imenso: Ele quer que os seus pobres servidores façam, em seu nome, tudo quanto Ele fazia quando vivia na terra» (554). «Os sacerdotes receberam um poder que Deus não deu nem aos anjos nem aos arcanjos. [...] Deus sanciona lá em cima tudo o que os sacerdotes fazem cá em baixo» (555). «Se na Igreja não houvesse a remissão dos pecados, nada havia a esperar, não existiria qualquer esperança duma vida eterna, duma libertação eterna. Demos graças a Deus, que deu à sua Igreja um tal dom» (556). 33

39 2227. Por sua vez, os filhos contribuem para o crescimento dos seus pais na santidade (20). Todos e cada um se darão, generosamente e sem se cansar, o perdão mútuo exigido pelas ofensas, querelas, injustiças e abandonos. Assim o sugere o afeto mútuo. E assim o exige a caridade de Cristo (21) Jesus insiste na conversão do coração desde o sermão da montanha: a reconciliação com o irmão antes de apresentar a oferta no altar (59); o amor dos inimigos e a oração pelos perseguidores (60); orar ao Pai «no segredo» (Mt 6, 6); não se perder em fórmulas (61); perdoar do fundo do coração na oração (62); a pureza do coração e a busca do Reino (63) Esta conversão está totalmente polarizada no Pai: é filial. «ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO» Este «como» não é único no ensinamento de Jesus. «Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 48); «sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36); «dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 13, 34). Observar o mandamento do Senhor é impossível, quando se trata de imitar, do exterior, o modelo divino. Trata-se duma participação vital, vinda «do fundo do coração», na santidade, na misericórdia e no amor do nosso Deus. Só o Espírito, que é «nossa vida» (Gl 5, 25), pode fazer «nossos» os mesmos sentimentos que existiram em Cristo Jesus (123). Então, a unidade do perdão torna-se possível, «perdoando-nos mutuamente como Deus nos perdoou em Cristo» (Ef 4, 32) Assim ganham vida as palavras do Senhor sobre o perdão, sobre este amor que ama até ao extremo do amor (124). A parábola do servo desapiedado, que conclui o ensinamento do Senhor sobre a comunhão eclesial (125), termina com estas palavras: «Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão do fundo do coração». É aí, de fato, «no fundo do coração», que tudo se ata e desata. Não está no nosso poder deixar de sentir e esquecer a ofensa; mas o coração que se entrega ao Espírito Santo muda a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão A oração cristã vai até ao perdão dos inimigos (126). Transfigura o discípulo, configurando-o com o seu Mestre. O perdão é o cume da oração cristã; o dom da oração só pode ser recebido num coração em sintonia com a compaixão divina. O perdão testemunha também que, no nosso mundo, o amor é mais forte que o pecado. Os mártires de ontem e de hoje dão este testemunho de Jesus. O perdão é a condição fundamental da reconciliação (127) dos filhos de Deus com o seu Pai e dos homens entre si (128) Não há limite nem medida para este perdão essencialmente divino (129). Quando se trata de ofensas (de «pecados», segundo Lc 11, 4, ou de «dívidas» segundo Mt 6, 12), de fato nós somos sempre devedores: «Não devais a ninguém coisa alguma, a não ser o amor de uns para com os outros» (Rm 13, 8). A comunhão da Santíssima Trindade é a fonte e o critério da verdade de toda a relação (130). E é vivida na oração, sobretudo na Eucaristia (131): «Deus não aceita o sacrifício do dissidente e manda-o retirar-se do altar e reconciliar-se primeiro com o irmão: só com orações pacíficas se podem fazer as pazes com Deus. O maior sacrifício para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna é um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (132). 34

40 1. Objetivos: Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 9º ENCONTRO: JESUS NOS ENSINA A ACOLHER Perceber que Jesus valoriza e acolhe cada pessoa humana sem distinção. 2. Conteúdo do Encontro: Jesus acolhia e curava os fracos e oprimidos. Sentido dos milagres e curas de Jesus. Jesus continua a fazer milagres? Como podemos imitar Jesus no acolhimento. Acolher a Palavra de Deus é também acolher o próprio Deus em sua vida. 3. Desenvolvimento do Tema: Dinâmica: Sentir-se cego Vendar os olhos dos catequizandos e pedir que se locomovam dentro da sala para que realmente possam fazer uma experiência da realidade e limitações de um cego. Após algumas locomoções abraçá-lo carinhosamente. Depois que todos passaram pela experiência partilhar a experiência o que e como se sentiram com os olhos vendados. Ler Mc 10, Compare a experiência da dinâmica com a do cego Bartimeu. Partilhar a leitura mostrando o quanto Jesus era sensível para com os mais fracos: as crianças, cegos, paralíticos, mendigos, pobres...e como acolhia as pessoas. A partir dessa acolhida de Jesus, a pessoa fica curada, se torna um discípulo de Jesus e o segue. No tempo de Jesus pessoas que possuíam alguma deficiência eram considerados pecadores e por isso eram excluídos da sociedade, do Templo eram desvalorizados pelos políticos e religiosos da época. Sentar à beira do caminho era exclusão, não podiam conviver com os outros. Mostrar, na leitura bíblica, como Jesus acolhia, ajudava a todos, fortalecia a fé de cada um, amava, perdoava e acolhia como eram. Fazer um paralelo com os excluídos de hoje. Questionar o que conhecem do mundo de hoje. Questionar o que Jesus faria para essas pessoas hoje. E nós, como devemos agir? Ler Lc 10, Jesus costumava visitar os amigos ler a apostila. Comentar a resposta de Jesus, muitas vezes nós também ficamos agitados, e deixamos de lado o que é mais importante. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia Mc 10, e Lc 10, Ambientação: toalha, bíblia, imagem, vela, flores. 6. Material utilizado: Apostila, bíblia, vendas para a dinâmica. 7. Atividades: orientar as atividades 8. Momento de Oração: Rezar juntos a oração da apostila. 35

41 APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA No tempo de Jesus, se misturavam fé, política, saúde, sociedade - tudo tinha a ver com a religião. Assim os doentes eram mantidos longe das pessoas, pois eram considerados castigados e abandonados por Deus, porque se achava que contaminavam os puros (saudáveis) e os religiosos. Jesus, porém, mostra que estas atitudes não eram corretas e faz o contrário do que os sacerdotes do Templo diziam e faziam. Jesus age como o bom pastor que deixa 99 ovelhas sozinhas, para ir a procura de uma só, que se perdeu (Mt 18,10-14), pois a "ovelha" distante inquieta mais o pastor do que a segurança das 99. compartilha a vida dos pobres, desde o estábulo até a cruz; reconhece a fome, a sede e a indigência. Mais ainda: identifica-se com os pobres de todos os tipos e faz do amor ativo para com eles a condição para se entrar no seu Reino" (CIC 544). Um dos motivos da fúria de muitos líderes religiosos da época foi a acolhida de Jesus aos marginalizados, sua predileção pelos pobres." O maior milagre que Jesus pode realizar é abrir os olhos da fé (Mc 10,46-52). Corremos o risco de enxergar e não vermos quase nada. Sua visão de fé está nítida? Vê quando as pessoas Jesus demonstra na sua prática exatamente estão sofrendo, quando sentem angustia, esse gesto em diversas ocasiões. Ele mostra que desprezo? A sensibilidade de perceber a quem tem amor no coração age fazendo o bem ao próximo e atendendo-o em suas necessidades. necessidade do próximo é um dom de Deus, que podemos pedir e cultivar. Além de não cumprir as leis de discriminação dos doentes pobres e deficientes, Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Jesus declara que o Reino de Deus é para eles (Mt Catequista, vol. I, Ed. Vozes, 2008 p.60. 5,3). Por isso cura em dia de sábado, come com os pecadores, não tem medo de se aproximar deles, tocá-los, acolhê-los. Desta forma, "Jesus 36

42 1. Objetivos: Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 10º ENCONTRO: JESUS NOS ENSINA A VERDADEIRA FELICIDADE Identificar na proposta do Sermão da montanha o caminho para a construção de um mundo mais fraterno e feliz. Reconhecer nas bem aventuranças anunciadas por Jesus o verdadeiro caminho para a felicidade humana. 2. Conteúdo do Encontro: Comparar os valores ensinados por Jesus e os valores da nossa sociedade. O dinheiro e os bens materiais trazem felicidade? Que tipo de felicidade é essa? Existem pessoas pobres que são felizes? Por quê? 3. Desenvolvimento do Tema: Colocar na sala cartazes, recortes de jornais e revistas ou frases de propagandas que mostram os valores da sociedade de hoje e figuras da verdadeira felicidade. Fazer uma tempestade de idéias sobre a pergunta: O que as pessoas acham ser a felicidade? O que nos faz felizes por algum tempo e o que nos pode fazer felizes para sempre? Descobrir com os catequizandos o que a sociedade de hoje valoriza. Definir alguns conceitos de felicidade. Jesus ensina que onde estão os verdadeiros valores, está a verdadeira felicidade. Ler Mt 5, Jesus elogia e diz que são bem aventurados, isto quer dizer, que são felizes: os pobres, aqueles que agora têm fome, aqueles que choram, aqueles que sofrem por causa das coisas de Deus, estas pessoas pertencem ao Reino de Deus. Jesus quer mostrar que a felicidade não está na riqueza, nos lucros e em outros bens que são passageiros, que não fazem as pessoas felizes, fraternas e justas. Jesus fala no Sermão da Montanha, das alegrias que teremos no céu. Ele nos fala dos valores do Reino que garantem nossa felicidade eterna. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia Mt 5, Ambientação: decorar o espaço com frases e figuras conforme o item Material utilizado: Apostila, bíblia, figuras e frases descritos no item Atividades: orientar as atividades 37

43 8. Momento de Oração: 38 Leia com os catequizandos um pensamento de Santa Teresa de Jesus, várias vezes em dois coros: Nada te perturbe, nada te assuste. Tudo passa, Deus não muda.a paciência tudo alcança.a quem tem Deus nada lhe falta. Só Deus basta. Ou use a música de Tudo passa de Salete Ferreira: Tudo passa, tudo passa, tudo vai passar / Só não muda o amor de Deus que é Pai. / Nem a morte, nem a dor, nem a solidão / Pode superar o amor de Deus por mim oh! oh! / Só Deus não passará / Só Deus permanecerá / Só Deus / Seu amor que vive em mim / Só Deus não passará / Só Deus permanecerá / Só Deus / Ele voltará / Oh! Senhor teu corpo e sangue minha redenção / Aliança por toda eternidade / Vem agora, oh meu Deus toma meu coração / Pois sem ti nada posso realizar ah! ah! ah! Depois peça que os catequizandos elaborem uma oração, escolhendo uma das bem-aventuranças. Em seguida peça que cada um reze silenciosamente a oração que formulou. Encerrar com a oração da confiança em Deus: o Pai Nosso. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA As bem-aventuranças são sinais da comunhão com Deus e geram a profunda felicidade anunciada para Jesus Cristo, pois bemaventurança é sinônimo de felicidade. Com elas, Jesus Cristo nos ensina que devemos ter total confiança nele, mesmo nos momentos de aflições, perseguições e calúnias. O coração fiel sabe que o Reino dos Céus está garantido não por forças humanas, mas por graça daquele que é o Todopoderoso. Tal confiança gera paz e mansidão - ingredientes necessários a uma perfeita felicidade. Jesus Cristo nos ensina ainda que não se pode apenas viver tentando buscar a felicidade apenas para si mesmo. Se pensarmos assim corremos o risco de tentar alcançar paz e mansidão sem nos importarmos com aqueles que estão ao nosso redor. O Mestre nos ensina, também, que para sermos realmente felizes é necessário promover a felicidade de nossos semelhantes. Não basta apenas ser pacífico, mas é preciso promover a paz. Não basta ser justo, mas é preciso desejar ardentemente que a justiça seja feita. Não basta ser bem-aventurado, é preciso, além disso, promover a bem-aventurança. Portanto, ser feliz não é concentrar-se sobre si mesmo, mas é preciso entregar-se àquele que é a força, que nos impulsiona a buscarmos a justiça, a paz e a misericórdia a fim de fazer o outro feliz, mesmo que isso signifique a renúncia aos nossos desejos particulares. As bem-aventuranças nos convidam... a purificar nosso coração de seus maus instintos e a procurar o amor de Deus acima de tudo. Ensinam que a verdadeira felicidade não está nas riquezas ou no bem-estar, nem na glória, poder ou obra humana por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo o bem e de todo o amor" (CIC 1723). Deus colocou no coração do homem o desejo de felicidade como forma de trazê-lo para si, pois só Deus pode nos fazer plenamente felizes. Ele se dirige a cada um pessoalmente e a Igreja, povo de Deus, nos chamando à sua própria bemaventurança. Assim, "A prometida bem-aventurança nos coloca diante de escolhas morais decisivas. Convida-nos a purificar nosso coração de seus maus instintos e a procurar o amor de Deus acima de tudo. Desta forma, as bem-aventuranças "[... ] iluminam as ações e atitudes características da vida cristã; são promessas paradoxais que sustentam a esperança nas tribulações; anunciam as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas pelos discípulos; são iniciadas na vida da Virgem Maria e de todos os santos" (CIC 1717). Quem seguir a mensagem evangélica das bem-aventuranças faz-se um ser bem-aventurado, uma pessoa feliz segundo o Evangelho. O bemaventurado é aquele que não acumula bens só para

44 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II si. Toma-se um ser mais disponível ao Reino dos Céus. Nunca se cansa de louvar e adorar a Deus. Está sempre pronto a arrepender-se e confessar seus pecados, amar e servir o irmão, sem querer nada em troca. O bem-aventurado é uma pessoa feliz e, certamente, queremos viver felizes. Jesus, subindo o monte, nos aparece como um novo Moisés promulgador da Nova Lei, no novo Sinai. Chama de bem-aventurados os pobres e humildes. Fala a linguagem que Deus usou com seu povo através dos profetas. Ex: em Sofonias 2,3; 3, S. Paulo emprega a mesma linguagem em 1Cor.1, O Sermão da Montanha é um sermão revolucionário. Jesus "vira a mesa". É uma inversão de valores tradicionais. Os hebreus cultivavam a convicção de que a prosperidade material, o sucesso, eram sinais das bênçãos de Deus; a pobreza e a esterilidade eram sinais de maldição. Agora os bem-aventurados não são mais os ricos deste mundo, os saciados, os favorecidos, mas os que têm fome e choram, os pobres e perseguidos. É a nova lógica, que Maria, a bemaventurada por excelência, canta: "Derrubou os poderosos... " (Lc 1,52). Jesus vem e anuncia o seu programa. Anuncia o Reino (cf.mc 1,14). Jesus vem provar, por palavras e ações, que o Reino de Deus tinha chegado e estava se realizando na sua Pessoa (cf.lc 4, 16ss). Jesus encarnou a realidade do povo. A sua mensagem era resposta às necessidades da época. Quando Jesus veio ao mundo ele encontrou: Templo e Lei. A Aliança era assim vivida: presença no templo, observância da lei, oração, jejum, esmola, pureza nos ritos (externos). Os fariseus e os doutores da Lei faziam assim a cabeça do povo. Como viver a Nova Aliança hoje? Este nosso século XX é marcado pelo materialismo e ateísmo (milhares de pessoas não acreditam em Deus e não acreditam em nada). E a cada dia se acentuam o materialismo, a descrença, a violência, etc. Vivemos numa sociedade onde as palavras: honestidade, moral, verdade, justiça e amor, perderam o seu sentido original. A sociedade valoriza mais o ter do que o ser. Não valoriza os doentes, os pobres, os que promovem a paz e a justiça. Tudo isso nos traz uma angústia, porque estamos lutando contra a maré. À vista disso, somos tentados a desanimar e, às vezes, até deixar tudo. Mas, vale a pena continuar? A sociedade é um grande desafio para nós. Qual a atitude de Jesus diante disso? O que Jesus valoriza? As palavras de Jesus, pronunciadas no Sermão da Montanha há quase anos, vem de encontro a essa angústia e são válidas hoje e sempre: porque são palavras de vida eterna. Não tem época, nem lugar. E qual deve ser a nossa atitude? Devemos retomar as Bem-aventuranças para não deixar morrer em nós o desejo de evangelizar e transformar a sociedade... As Bem-aventuranças (Mt. 5, 1-12) se encontram dentro do Sermão da Montanha (Mt 5 a 7). Quem são os bem-aventurados e por quê?.os pobres de espírito - porque deles é o reino dos céus. os mansos - porque possuirão a terra. os que choram - porque serão consolados. os que têm fome e sede de justiça - porque serão saciados. os misericordiosos - porque alcançarão misericórdia. os puros de coração - porque verão a Deus. os pacíficos - porque serão chamados filhos de Deus. os que sofrem perseguição por amor à justiça - porque deles é o Reino dos Céus. 39

45 Os pobres de espírito: São pessoas que reconhecem o seu nada e aprendem que tudo o que tem, vem direta ou indiretamente de Deus. Abertas para Deus acolhem, não julgam, perdoam. Os mansos (virtude apostólica): São pessoas compreensivas. "Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração" (Mt 11,29). Possuir a terra é possuir o coração do irmão para levá-lo até Cristo. Os que choram: São pessoas que tem capacidade de se arrepender e aquelas que são solidárias com o sofrimento do outro. Os que tem fome e sede de justiça: São pessoas que desejam realmente fazer a vontade de Deus, construindo um sociedade justa, sem corrupção. "Meu alimento é fazer a vontade de meu Pai" (Jo 4,34). Os misericordiosos: São pessoas que tem a coragem de perdoar e pedir perdão. Os puros de coração: São pessoas bondosas, leais, sem ganância. "Se seu olho é puro, tudo em você é luz." (Mt 6,22). Os pacíficos: São pessoas que promovem a paz. Viver em paz não é cruzar os braços, mas é lutar. É transformar. A paz exige luta e perseverança. Os que sofrem perseguição por causa da justiça: São pessoas que se desinstalam, que saem de si para lutar por um mundo melhor. As Bem-aventuranças são o ponto alto e o coração do Evangelho. Resumem todo o programa do Reino. Elas são a Boa-Nova (cf. Mt 5, 3-12) que os cristãos devem difundir pelas suas boas ações (cf. Mt 5, 13-16). Vós sois o sal da terra... Elas são também o anúncio da felicidade e condição para possuir o Reino dos Céus. As Bem-aventuranças foram escritas por Mateus e Lucas. Tanto em Mateus como em Lucas elas começam com um poema, e terminam da mesma maneira: casa construída sobre a rocha (cf. Mt ; Lc 6, 47-49). Ler as Bem-aventuranças e refletir: Onde Jesus pronunciou as Bem-aventuranças? em Mateus, na Montanha; em Lucas, na planície, lugares abertos. não no Templo nem na Sinagoga, mas num lugar onde todos pudessem ter acesso à sua Palavra e à sua Pessoa. A quem ele falou? aos pescadores, agricultores, comerciantes, às pessoas simples e marginalizadas, a maioria sem voz nem vez. O que ele disse? Ele prometeu riqueza, mudança de vida, prestígio, etc.? Ou, "Vocês são bem-aventurados... porque, aqui e agora, vocês já desfrutam do Reino dos Céus? " "As bem-aventuranças retomam e aperfeiçoam as promessas de Deus, desde Abraão, ordenando-as para o Reino dos Céus. Correspondem ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração do homem" (CIC 1725). "As bem-aventuranças colocam-nos perante opções decisivas relativamente aos bens terrestres; purificam O nosso coração, para nos ensinarem a amar a Deus sobre todas as coisas" (CIC 1728). Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol. IV, Ed.Vozes, 2008 p.20 e 40. Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Ed. Paulus, 2003 p

46 1. Objetivos: Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 11º ENCONTRO: ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM Reconhecer que a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém é comemorada até hoje na liturgia da procissão do Domingo de Ramos. 2. Conteúdo do Encontro: Relembrar a entrada de Jesus em Jerusalém, onde o povo o aclamou: Jesus, Filho de Davi e Rei. O povo deseja um rei justo que os liberte da opressão. A partir do Domingo de Ramos inicia-se a Semana Santa. 2. Desenvolvimento do Tema: Perguntar se estão lembrados da procissão do Domingo de Ramos (explicar os ramos, os cantos) Relembrar a seqüência das atividades de Jesus: com 30 anos foi batizado por João Batista, foi para o deserto, entrou na Sinagoga e disse que Ele era o Messias esperado (Lc,4) / começou a ensinar o povo ( parábolas), fez muitos milagres, ensinou a amar, perdoar, repartir etc... / uma multidão o seguia / chamou os apóstolos etc... / como já aprendemos. Passou três anos ensinando a todos até que chegou a hora da sua paixão e morte (explicar), então Ele foi para a cidade de Jerusalém onde tudo iria acontecer. Quando entrou na cidade, montado num jumentinho, foi recebido como rei, aclamado com cantos de hosana e ramos de palmeiras, as pessoas colocaram seus mantos coloridos no chão para Jesus passar. O povo recebe Jesus como o grande e poderoso rei libertador, mas quando ele é preso e condenado o povo se desilude e o abandona. Não sabiam que Jesus veio nos libertar do pecado do mal e nos dar a vida eterna no céu. Ler a passagem na Bíblia. (Zacarias e Mateus). CELEBRAÇÃO: Montar um tapete com as cartolinas ou papéis coloridos / dar ramos para as crianças e cantar o canto de Hosana ( santo ). Pode ser CD. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da Bíblia Lc 19, Ambientação: toalha, bíblia, 6. Material utilizado: Apostila, bíblia, Gravura do Domingo de Ramos, ramos de palmeira e tapete (de papel) colorido. 7. Atividades: orientar as atividades 8. Momento de oração: Aproveitar o momento de celebração e encerrar com a oração do Credo. 41

47 APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA CELEBRAÇÃO DO DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR, HOMILIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI, Praça de São Pedro, Domingo, 1 de Abril de Queridos irmãos e irmãs! Ele nos concede ser seus amigos e porque nos deu Na procissão do Domingo de Ramos a chave da vida. Esta alegria, que está no início, é, associamo-nos à multidão dos discípulos que, em festa jubilosa, acompanham o Senhor na sua entrada em Jerusalém. Como eles louvamos o Senhor em coro por todos os prodígios que vimos. Sim, também nós vimos e ainda vemos os prodígios contudo também expressão do nosso "sim" a Jesus e da nossa disponibilidade a ir com Ele aonde quer que nos leve. A exortação que estava hoje no início da nossa liturgia interpreta, portanto justamente a procissão também como de Cristo: como Ele leva homens e mulheres a representação simbólica do que chamamos renunciar aos confortos da própria vida e a colocar-se totalmente ao serviço dos que sofrem; como Ele dá coragem a homens e mulheres de se oporem à violência e à mentira, para dar lugar no mundo à verdade; como Ele, no segredo, induz homens e mulheres a fazer o bem ao próximo, a suscitar a reconciliação onde havia o ódio, a criar a paz onde reinava a inimizade. A procissão é antes de tudo um testemunho jubiloso que prestamos a Jesus Cristo, no qual se tornou visível para nós o Rosto de Deus e graças ao qual o coração de Deus está aberto a todos nós. No Evangelho de Lucas a narração do início do "seguimento de Cristo": "Pedimos a graça de segui-lo", dissemos. A expressão "seguimento de Cristo" é uma descrição de toda a existência cristã em geral. Em que consiste? O que significa concretamente "seguir Cristo?". No início, com os primeiros discípulos, o sentido era muito simples e imediato: significava que estas pessoas tinham decidido abandonar a sua profissão, os seus negócios, toda a sua vida para andar com Jesus. Significava empreender uma nova profissão: a de discípulos. O conteúdo fundamental desta profissão era andar com o mestre, confiar-se totalmente à sua guia. Assim, o cortejo nas proximidades de Jerusalém é seguimento era uma coisa exterior e, ao mesmo composta em parte literalmente segundo o modelo do rito da coroação com o qual, segundo o Primeiro Livro dos Reis, Salomão foi revestido como herdeiro da realeza de David (cf. 1 Rs 1, 33-35). Assim a procissão dos Ramos é também uma tempo, muito interior. O aspecto exterior era o caminhar atrás de Jesus nas suas peregrinações através da Palestina; o interior era a nova orientação da existência, que já não tinha o seu ponto de referência nos negócios, na profissão procissão de Cristo Rei: nós professamos a que dava de que viver, na vontade pessoal, mas que realeza de Jesus Cristo, reconhecemos Jesus como o Filho de David, o verdadeiro Salomão o Rei da paz e da justiça. Reconhecê-Lo como Rei significa: aceitá-lo como Aquele que nos indica o caminho, no qual temos confiança e que seguimos. Significa aceitar dia após dia a sua palavra como critério válido para a nossa vida. Significa ver n'ele a autoridade à qual nos submetemos. se abandonava totalmente à vontade do outro. Estar à sua disposição já se tinha tornado a razão de vida. A que renúncia do que era próprio isto obrigasse, que dissuasão de si mesmos, podemos reconhecê-lo de modo bastante claro em algumas cenas dos Evangelhos. Mas evidencia-se com isto o que significa para nós o seguimento e qual é a sua verdadeira Submetemo-nos a Ele, porque a sua autoridade é a essência para nós: trata-se de uma mudança autoridade da verdade. A procissão dos Ramos é como aquela vez para os discípulos antes de tudo expressão de alegria, porque podemos conhecer Jesus, porque interior da existência. Exige que eu deixe de me fechar no meu eu, considerando a minha autorealização a razão principal da minha vida. Exige que eu me dedique livremente ao outro pela 42

48 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II verdade, pelo amor, por Deus que, em Jesus Cristo, me precede e me indica o caminho. Tratase da decisão fundamental de não considerar a utilidade e o lucro, a carreira e o sucesso como finalidade última da minha vida, mas de reconhecer ao contrário como critérios autênticos a verdade e o amor. Trata-se de escolher entre viver só para mim mesmo ou doar-me pela coisa maior. E consideremos bem que verdade e amor não são valores abstratos; em Jesus Cristo eles tornaram-se pessoa. Ao segui-lo entro para o serviço da verdade e do amor. Perdendo-me reencontro-me. Voltemos à liturgia e à procissão dos Ramos. Nela a liturgia prevê como canto o Salmo 24 [23], que era também em Israel um canto processional usado para a subida ao monte do templo. O Salmo interpreta a subida interior da qual a subida exterior é imagem e nos explica assim mais uma vez o que significa subir com Cristo. "Quem subirá o monte do Senhor?", pergunta o Salmo, e indica duas condições fundamentais. Os que sobem e desejam chegar deveras ao cume, chegar à altura verdadeira, devem ser pessoas que se interrogam sobre Deus. Pessoas que perscrutam à sua volta para procurar Deus, para procurar o seu rosto. Queridos jovens amigos como é importante hoje precisamente isto: não se deixar simplesmente levar aqui e ali na vida; não se contentar com o que todos pensam, dizem e fazem. Perscrutar Deus e procurar Deus. Não deixar que a pergunta sobre Deus se dissolva nas nossas almas. O desejo do que é maior. O desejo de conhecer o seu Rosto... A outra condição muito concreta para a subida é esta: pode estar no lugar santo "quem tem mãos inocentes e coração puro". Mãos inocentes mãos que não são usadas para atos de violência. São mãos que não estão sujas pela corrupção, com subornos. Coração puro quando é puro um coração? É puro um coração que não finge e não se mancha com mentiras nem hipocrisia. Um coração que permanece transparente como água nascente, porque não conhece a falsidade. É puro um coração que não se aliena com o inebriamento do prazer; um coração cujo amor é verdadeiro e não apenas paixão de um momento. Mãos inocentes e coração puro: se nós caminhamos com Jesus, subimos e encontramos as purificações que nos conduzirão verdadeiramente àquela altura para a qual o homem é destinado: a amizade com o próprio Deus. O Salmo 24 [23] que fala da subida que termina com a liturgia de entrada diante do pórtico do templo: "Levantai, ó portas, os vossos frontais, levantai-vos, portas antigas, e entre o rei da glória". Na antiga liturgia do Domingo de Ramos o sacerdote, ao chegar diante da igreja, batia com força com a haste da cruz da procissão na porta ainda fechada, que após este bater se abria. Era uma bonita imagem para o mistério do próprio Jesus Cristo que, com o madeiro da cruz, com a força do seu amor que se doa, bateu do lado do mundo à porta de Deus; do lado de um mundo que não conseguia encontrar o acesso para Deus. Com a Cruz Jesus abriu de par em par a porta de Deus, a porta entre Deus e os homens. Agora ela está aberta. Mas também do outro lado o Senhor bate com a sua cruz: bate às portas do mundo, às portas dos nossos corações, que assim com frequência e em tão grande número estão fechadas para Deus. E fala-nos mais ou menos assim: se as provas que Deus na criação te dá da sua existência não conseguem fazer com que te abras a Ele; se a palavra da Escritura e a mensagem da Igreja te deixam indiferente então olha para mim, para o Deus que por ti se fez sofredor, que pessoalmente sofre contigo vê que eu sofro por amor a ti e abre-te a mim, teu Senhor e teu Deus. Eis o apelo que neste momento deixamos penetrar no nosso coração. O Senhor nos ajude a abrir a porta do coração, a porta do mundo, para que Ele, o Deus vivente, possa no seu Filho entrar neste nosso tempo, alcançar a nossa vida. Amém. 43

49 12º ENCONTRO: LAVA-PÉS E INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA 1. Objetivo: Compreender que ao instituir o Sacramento da Eucaristia na Última Ceia, Jesus torna perpétua a sua presença viva na Igreja. Compreender que: como Jesus devemos servir uns aos outros. 2. Conteúdo do Encontro: Jesus nos deixou uma lição de amor e humildade ao lavar os pés dos apóstolos. Ao celebrar a Páscoa da libertação do povo de Israel do Egito, Jesus celebrou a Páscoa da Nova e eterna Aliança, pois se fez o novo Cordeiro Pascal. Ao dar graças ao Pai Jesus institui a Eucaristia e pede aos apóstolos que façam em sua memória. 3. Desenvolvimento do Tema: Apresentar dois cartazes: um da Última Ceia e um de uma refeição em família e pedir que comentem os dois. Conversar sobre uma refeição em família. O que as pessoas fazem? Conversam. Comem. Ficam alegres. É bom estar juntos. Como não deve ser uma refeição em família. Não deve faltar o que comer. Não deve haver brigas ou discussões. Deixar que os catequizandos falem sobre os pontos positivos e negativos de uma família, na hora da refeição. Explicar o sentido da Ceia Pascal dos judeus (Páscoa dos judeus = comemoração da libertação do povo escravo no Egito, por Moisés) Jesus transforma a última ceia com os apóstolos numa Nova Aliança (= compromisso, promessa) feita com Seu Sangue e Seu Corpo na Eucaristia. O sacrifício de sua vida na cruz é a Nova e Eterna Aliança feita entre Deus e seu povo para a nossa salvação, nossa vida eterna. Antes de começar a ceia, Jesus num gesto de humildade, lava os pés dos seus apóstolos para ensinar que é necessário ser humilde e servir a todos, como Ele mesmo faz. Na Quinta-feira Santa a Igreja relembra esse gesto: o bispo ou o padre lava os pés de 12 homens escolhidos na comunidade. Ler João 13, 1 15 Depois de lavar os pés dos apóstolos Jesus ceia com eles e institui a Eucaristia. Pede que se faça a mesma coisa em memória Dele. Jesus celebra nesta refeição a Nova Páscoa e deixa para nós um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado Ler Lc 22, Jesus quis ficar sempre conosco. Por isso, nesta refeição de Páscoa, Ele se torna Alimento a Eucaristia que nos dá força para caminharmos sempre unidos. Hoje em todas as missas o padre repete as mesmas palavras de Jesus e a hóstia (pão) e o vinho se transformam no Corpo e no Sangue de Jesus pela força do Espírito Santo. Isso acontece no momento da consagração do pão e do vinho quando o padre diz: Tomai e comei todos vós: isto é o meu Corpo que é dado por vós... Tomai e bebei todos vós este é o sangue da 44

50 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II nova e eterna aliança que é derramado por vós... - e o padre ergue o Corpo e o Sangue de Cristo, oferecendo ao Pai do céu, como Jesus pediu. Os apóstolos de Jesus foram os primeiros sacerdotes (padres) da nossa Igreja. A hóstia consagrada é realmente o Corpo Santo de Jesus e o vinho consagrado é realmente o Sangue Santo de Jesus, embora continuem com a mesma aparência e gosto. Nós fazemos adoração (orações) ao Santíssimo Sacramento (Hóstia Consagrada), porque é o próprio Jesus que se faz presente nesse Sacramento. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia João 13, 1-7 e Lc 22, Ambientação: toalha, bíblia,cartazes, preparar simbolicamente a mesa para um banquete, com bolos, biscoitos e sucos. 6. Material utilizado: Apostila, bíblia, cartazes da Última Ceia e de uma refeição em família. 7. Atividades: orientar as atividades 8. Momento de Oração:Cantar Prova de amor ou outro canto que mostre que devemos ter amor pelas pessoas. Fazer o banquete, a mesa é o Reino, o banquete é a alegria de estarem com Deus, as velas são a luz da Palavra, os participantes são os amigos, os convidados. Ler Lucas 22, Ficar um instante em silêncio e pedir que façam uma oração agradecendo a Jesus o amor que ele nos dá e o alimento que nos oferece. Uma refeição torna-se muito mais agradável quando nos sentamos à mesa com pessoas queridas. Em diversas ocasiões, Jesus esteve, como convidado, à mesa com pessoas bem diferentes: fariseus piedosos, cobradores de impostos, amigos, como: Lázaro, Marta e Maria. Comeu, ainda junto aos marginalizados e prostitutas. Mas, geralmente, comia com o grupo de seus discípulos. Não faltaram as más línguas que o classificaram de "comilão e beberrão" (Mt 11, 19). Jesus sabia que os inimigos tramavam contra sua vida. Previa um fim trágico, semelhante ao de muitos profetas. Por isso convidou seus amigos para comer com ele pela última vez. Celebraram juntos a "Ceia pascal". Em determinado momento, Jesus partiu um pão em pedaços e distribuiu-os aos presentes. Passou também um cálice com vinho para que dele tomassem, confiando-lhes o encargo de repetirem o mesmo gesto em sua memória. Celebrava-se uma das maiores festas judaicas - a Páscoa. Nessa ocasião, judeus de todo o país e até mesmo os estrangeiros, dirigiam-se para Jerusalém. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA No 14º dia do mês da primavera, chamado Nisan, matavam-se muitos cordeiros no Templo e seu sangue era derramado aos pés do altar dos holocaustos; a carne era assada e à noite comiamna em família ou em grupos, com um determinado número de pessoas. A ceia pascal tinha início na tarde do dia 14 de Nisan, após o pôr-do-sol, e se prolongava até a meia-noite. Não se tratava de uma refeição qualquer. Sua importância era o aspecto religioso. As comidas e as bebidas tinham um significado simbólico. O cerimonial prescrevia que se enchessem quatro taças de vinho em memória das expressões com que eram formuladas, em Ex 6, 6-8, sobre a libertação da escravidão do Egito. Depois de servida a primeira taça, o pai ou o membro mais responsável da família pronunciava uma bênção para a comemoração da solenidade. Comiam-se, depois, em recordação aos acontecimentos do Êxodo do Egito, as verduras amargas, molhadas em água e vinagre. Depois de ter bebido a segunda taça, o mais jovem dos comensais da comunidade, a maioria das vezes um dos filhos, devia dirigir ao chefe da 45

51 família uma pergunta sobre a significado da celebração. Na resposta eram ressaltados três pontos: 1. O Cordeiro recorda que Deus, no Egito, passou adiante das casas dos hebreus, poupando suas famílias. 2. O pão ázimo e comido porque a partida repentina do Egito não permitiu a preparação do pão com fermento. 3. As verduras amargas eram destinadas a recordar a amargura da escravidão no Egito. Cantava-se, então, o Hallel (Salmos ). Após o canto, o pai de família tomava o pão ázimo, pronunciava sobre ele a benção. O partia para servi-lo aos presentes. Só então tinha lugar o momento culminante da ceia, a repartição e a consumação do cordeiro pascal. Depois era servida a terceira taça, enquanto se pronunciava sobre ela uma benção especial, chamada "benção da taça", Seguia o canto do grande Hallel (Sl 115, 1-118, 29). Servida a quarta taça, uma fórmula de louvor e uma breve oração de agradecimento concluíam a celebração. Diversos tragos deste cerimonial da ceia pascal podem-se descobrir nos relatos evangélicos da Última Geia. (Ler Mt 26,26-30; Mc 14,26; Lc 22,7). A ceia pascal cristã presente entre nós depois da Última Ceia, enriqueceu-se de outro significado: Cristo e o novo "Cordeiro pascal" imolado para a libertação de todos. Agora, nada mais há que possa romper a Aliança de Deus com os homens. O pacto iniciado com Abraão e confirmado com Moisés foi definitivamente selado pela Morte e Ressurreição de Jesus. "Ao abraçar em seu coração humano, o amor do Pai para com os homens, Jesus amou-os até ao fim (Jo 13, 1), pois não há maior amor do que dar a vida por aqueles que se ama" (Jo 15,13) (CIC 609). Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Ed. Paulus, 2003 p

52 1. Objetivo: Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 13º ENCONTRO: PAIXÃO, MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS Perceber que o sofrimento de Jesus por amor a nós foi para nos levar a viver com Ele a sua ressurreição. Despertar sentimentos de gratidão e confiança em Jesus que se oferece ao Pai por amor a nós. Despertar o desejo de conhecer e amar o Cristo ressuscitado. 2. Conteúdo do Encontro: O amor vence a dor, o sofrimento e a morte. Como podemos vencer a morte e viver a ressurreição em cada dia da nossa vida: na família, na escola, no trabalho e na comunidade. O Círio Pascal simboliza o Cristo presente: ontem, hoje e sempre. 3. Desenvolvimento do Tema: Fazer ligação com os encontros anteriores (Jesus entra em Jerusalém e a Última Ceia ) Jesus foi preso e condenado por ensinar idéias diferentes daquela época. Ele acolhia os pecadores, os marginalizados, os doentes, os leprosos, falava do Reino de Deus nesse mundo e se declarou o Messias esperado pelo povo, o Filho de Deus. Fazia muitos milagres, até no sábado. A lei não permitia. O povo aclamava Jesus como Rei e os poderosos ficaram com medo que Jesus tomasse os seus tronos. Mas Jesus disse que o Reino de Deus é diferente: Reino de Paz, Amor, Justiça para todos. Jesus ensinou como viver já aqui o Reino de Deus e ganhar a vida eterna. Jesus entregou a sua vida na Cruz, por amor a cada um de nós, para nos libertar do mal e nos dar a vida eterna no Céu. Acompanhar com os cartazes o sofrimento de Jesus. Explorar o símbolo da cruz, esclarecendo que carregar a cruz não é necessariamente sinal de dor ou sofrimento. Temos que abraçar a cruz por amor a Jesus. Explorar o sinal da cruz e o seu significado como o sinal do cristão. Mas Jesus é Deus todo poderoso e então não fica morto, mas Ressuscita ao 3º dia, no Domingo e prometeu que com o seu poder Ele vai ressuscitar todos nós, também. Esclarecer o significado da ressurreição. A ressurreição de Jesus é o grande sinal da vida. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia Jo 19, 1-30; Mt 28, 5-10; Mt 28, Ambientação: toalha, bíblia, vela, flores, cartazes. 6. Material utilizado: Apostila, bíblia, cartazes da Via Sacra, uma cruz de palito de sorvete para cada catequizando, um pano branco, flores, vela acesa 7. Atividades: acompanhar as atividades 8. Momento de Oração: Pedir que cada catequizando coloque um pano branco na sua cruz enquanto acendemos a vela, simbolizando a ressurreição de Cristo. 47

53 APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA PAIXÃO E MORTE DE JESUS O sofrimento atinge todo mundo. Até as crianças sofrem. Pela televisão chegamos a ver cenas cruéis atingindo as crianças, vítimas de guerra, fome, violência... Por que o "bom" Deus O tempo passado na cruz era extremamente doloroso. As dificuldades respiratórias tornavam-se insuportáveis. O condenado tentava erguer-se, fazendo movimentos com os braços, para respirar permite o sofrimento de inocentes? Essa um pouco de ar. pergunta sempre incomodou também o povo de Israel. O autor do livro de Jó levanta essa problemática e tenta dar uma resposta que não foi totalmente satisfatória, nem definitiva. No canto do Servo de Javé (Is 53), Isaías interpreta o sofrimento dos inocentes como reparação e penitência pelos pecados do mundo. Jesus, o melhor e o mais inocente dos homens, assumiu inteiramente a condição humana e também todo o sofrimento. Foi traído por seu Intensos foram também os sofrimentos de ordem moral e espiritual a que Jesus foi submetido. Amava seu povo e fizera tudo por ele. No entanto, foram os representantes desse povo que exigiram sua morte. O julgamento desleal, feito perante a autoridade judaica e romana, feria seu senso de justiça. Seus amigos, os discípulos todos, exceto João, O abandonaram. Um deles chegou a traí-lo. A dor de sua mãe, que estava junto a cruz, causava-lhe grande aflição. amigo Judas, preso por ordem do Sinédrio e Com todo esse sofrimento, Jesus teve a submetido a julgamento pela autoridade judaica e romana. A flagelação, decretada pelo governador Pôncio Pilatos, foi executada com um chicote, cujas tiras de couro traziam nas extremidades impressão de que o próprio Deus, a quem chamava de Pai, O havia abandonado. Estando prestes a expirar, Jesus gritou: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? " Por que Jesus teve que sofrer tanto? Esta pequenas esferas de chumbo. Era um castigo pergunta inquietava seus discípulos e as terrivelmente cruel que não podia ser aplicado a homem livre e, menos ainda, a cidadão romano. Os soldados divertiram-se às custas de Jesus, comunidades primitivas. Na pregação dos apóstolos (cf. At 3, 18), depois da vinda do Espírito Santo, e nas cartas de coroando-o com espinhos, zombando d'ele, São Paulo aparece claramente o sentido do chamando-o de "rei dos Judeus". Levado pelo medo, pela covardia e por sofrimento de Cristo: Ele é o "Servo de Javé", o sofredor, que trouxe a Redenção para seu povo. A interesses políticos Pôncio Pilatos, embora história da Paixão de Jesus, narrada pelos quatros convencido da inocência de Jesus, condenou-o a morte por crucificação, suplício destinado a escravos e a quem não fosse cidadão romano. O condenado era amarrado com os braços estendidos sobre a pesada trave horizontal da evangelistas, não quer apenas lembrar o que se passou nos últimos dias da sua vida, mas pretende explicitar o sentido do sofrimento humano. Para São Marcos, o sofrimento de Cristo tinha um sentido. cruz, que ele mesmo devia carregar até o lugar da Jesus prevê e aceita a morte execução. Essa trave era levantada até a altura conscientemente. Sofre como um inocente. Mas a conveniente e fixada à trave vertical, que já sua Morte e Ressurreição revelam, estava plantada no chão. definitivamente, que Jesus é o Filho de Deus A causa exata da morte para os (14,26-15,1-47). E São Mateus quer mostrar aos crucificados - também para Jesus - era o desfalecimento, a parada da circulação, o colapso, judeus cristãos, pela narração da Paixão, como em todo o seu Evangelho, que Jesus é o Messias a asfixia. Os crucificados morriam por prometido (27,43). sufocamento. 48

54 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II Para São Lucas a Paixão e Morte de Jesus revela-o como Salvador dos pecadores (23, 43). E São João O vê, nas mais difíceis circunstancias da vida, como Rei e Messias (18, 33-37). Apesar da Paixão e Morte de Jesus, o sofrimento humano continua e a pergunta persiste: por que há tanto sofrimento no mundo? Por que tenho que sofrer tanto? Só a fé nos responde que toda dor, até a morte, tem um sentido. Se não tivessem sentido, Deus Pai não teria permitido que seu Filho, o "Filho do Homem" sofresse e morresse. "Na Cruz, Jesus consuma o seu sacrifício. E o amor até ao fim (cfr. Jo 13,1) que confere seu valor de redenção e de reparação, de expiação e de satisfação ao Sacrifício de Cristo. Ele nos conheceu e amou na oferenda da sua vida. A caridade de Cristo nos impulsiona, quando consideramos que um só morreu por todos e que, por conseguinte, todos morreram (2Cor 5,14). Nenhum homem, ainda que o mais santo, tinha condições de tomar sobre si os pecados de todos os homens e de oferecer-se em sacrifício por todos. A existência em Cristo, da Pessoa Divina do Filho, que supera e, ao mesmo tempo, abraça todas as pessoas humanas, e que O constitui Cabeça de toda a humanidade, torna possível o seu sacrifício redentor por todos" (CIC 616). RESSURREIÇÃO DE JESUS Todos os anos festejamos a Páscoa. Páscoa palavra hebraica que significa a passagem de Deus. A mensagem da Ressurreição de Cristo é o centro não só dos Evangelhos, como de todo o Novo Testamento. Quem servia a um rei como escravo, funcionário, conselheiro, chefe do exército, ministro era chamado, na Bíblia, servo do rei. Nas orações bíblicas o homem diz a Deus: Eu sou teu servo! quando se diz de Moisés, Josué, Davi que eram servos do Senhor, trata-se de um título especial de honra. Também os profetas e até Nabucodonosor, o rei que destruiu Jerusalém e deportou os judeus para a Babilônia, receberam tal título. Na segunda parte do livro de Isaías, o povo de Deus é chamado Servo do Senhor ou Servo de Javé porque deve dar testemunho em favor de seu Deus, diante de todo o mundo. Jesus utilizou esses textos, aplicando-os a si e à sua missão. E a primeira pregação cristã reconheceu em Jesus o Servo perfeito, anunciado por Isaías. Se quisermos entender bem o que significa Ressurreição, devemos percorrer esse caminho. Por isso, começamos com o texto mais antigo sobre a fé da primitiva Igreja na Ressurreição de Cristo. Esse texto está no capítulo 15 da primeira Carta aos Coríntios. Paulo escreveu aos cristãos de Corinto no ano 54 d.c., apresentando a verdadeira fé da Igreja na Ressurreição. Ele usa uma fórmula da profissão de fé que estava difundida na Igreja e pertencia à Tradição. "Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Cefas e depois aos Doze" (1 Cor 15, 3-5). 49

55 Para Paulo, a mensagem da Ressurreição de Cristo é o centro da nossa fé: "Se, porém, Cristo não ressuscitou, então e vazia nossa pregação e vossa fé não tem sentido" (1 Cor 15, 14). "Ressurreição", "exaltação" são palavras e expressões usadas para afirmar que Jesus está vivo, que Deus não O abandonou na morte. Assim, a Ressurreição de Jesus aparece como o "sim" de Deus à vida de Jesus: "Este homem (... ) vós o entregastes, crucificando-o por mãos de ímpios; Deus, porém, O ressuscitou", diz Pedro na manhã de Pentecostes (cf. At 2, 23-24). Deus se pôs ao lado de Jesus. Confirma-se, assim, que Jesus é o Filho de Deus vivo. A fé na Ressurreição de Jesus se apóia nas experiências dos apóstolos e dos discípulos. Uma testemunha muito importante é Pedro. Mas inúmeros discípulos constataram a ressurreição de Jesus, como, por exemplo, os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35); eles constataram a Ressurreição. Desse modo, seus discípulos deviam entender o que Jesus dissera: Eu já não sou deste mundo" (cf. Jo 8,23). As narrativas sobre as aparições de Jesus foram escolhidas e inseridas nos Evangelhos. O dado real, expresso pelos quatros evangelistas e presente em todo o NT, é que Jesus ressuscitou. Ele Vive! Apareceu a seus discípulos. Não se trata de aparição, como de um fantasma. Os Evangelhos dizem que os discípulos podiam tocá-lo, comer e beber com Ele (Lc 24, 36-43; Jo 20, 17). A Ressurreição não diz respeito apenas a Jesus. É também para nós; ela mudou nossa vida. São Paulo expressou, assim: "Por acaso ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados para participar de sua Morte?" (Rm 6,3). Todos fomos "sepultados" nas águas batismais. A emersão das águas significa a ressurreição, a saída do sepulcro, como Cristo. São Paulo quer dizer que, no Batismo, nossa vida uniu-se à de Cristo: Se fomos incorporados a Cristo por uma morte semelhante à d'ele, também o seremos mediante a Ressurreição" (Rm 6,5). Temos, pois, um futuro garantido porque trazemos em nós o gérmen da nova vida pela Ressurreição de Cristo. Jesus está conosco até o fim dos séculos. Podemos conviver e contar com ele. Ele luta conosco e vive em nós. Crer na Ressurreição é crer que a vida é mais forte do que a morte, o bem é mais forte do que o mal. Que é ressuscitar? Na morte, que é a separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na decomposição, ao passo que a sua alma vai ao encontro de Deus, ficando a espera de ser novamente unida ao seu corpo glorificado. Deus, na sua onipotência restituirá definitivamente a vida incorruptível aos nossos corpos, unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus (CIC 997). Quem ressuscitará? Todos os homens que morreram: os que tiverem feito o bem sairão para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento (cf. Jo 5,29)-(CIC 998). De que maneira? Cristo ressuscitou com o seu próprio corpo: Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu (Lc 24,39); mas Ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma, nele, todos ressuscitarão com seu próprio corpo que tem agora, porém, este 50

56 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II corpo será transfigurado em corpo de glória (Fl 3,21), em corpo espiritual (1Cor 15,44)-(CIC 999). Quando? Definitivamente no último dia (Jo 6, ; 11,24); no fim do mundo. A ressurreição dos mortos está intimamente associada à parusia de Cristo (CIC 1001). Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Ed. Paulus, 2003 p e O projeto salvador de Deus realizou-se "uma vez por todas" (Hb 9,26) pela morte redentora de Jesus Cristo (cf. CIC 571). Mas, por que a morte de Cristo nos salva? Na verdade, não é só a morte de Cristo que nos salva, mas toda a sua vida. Desde a encarnação até a sua ressurreição, tudo o que Jesus Cristo fez, é hoje salvação para toda a humanidade. Isso porque Jesus é Deus, que se encarna, assumindo plenamente a nossa condição humana. A morte de cruz é o ato último e extremo desse imenso amor e doação de Deus por nós. Para Ele não bastou fazer-se igual à sua criatura, pois o Senhor quis amar até as últimas consequências, até o extremo. Por isso, quis morrer por nós, e com uma morte extremamente dolorosa e humilhante revelando-nos que "É o 'amor até o fim' que confere o valor de redenção (...) ao sacrifício de Cristo" (CIC 616). Diante dessa imensa prova de amor nós somos convidados a não ficar passivos. É Jesus mesmo quem nos convida: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mt 16, 24). A vida cristã é vida de imitação e seguimento de Jesus. - Se Ele doou sua vida, nós também podemos doar a nossa por amor aos demais, associando nossos sofrimentos aos de Cristo na cruz. "Fora da cruz não existe outra escada por onde subir ao céu" (Santa Rosa de Lima, apud: CIC 618). "A morte violenta de Jesus não foi o resultado de um acaso num conjunto infeliz de circunstâncias. Ela faz parte do mistério do projeto de Deus (CIC 599). Jesus aceita sua morte livremente e dá uma interpretação para ela - Ele quer morrer para realizar com seu povo uma nova e eterna aliança, que salve toda a humanidade. Esse sentido da morte nós encontramos na ceia que Jesus tomou um dia antes de sua crucificação: "Isto é o meu corpo que é dado por vós [...]. Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós... " (Lc 22,19-20). Com efeito, Jesus aceitou livremente sua paixão e sua morte, e por amor de seu Pai e da humanidade, para sua salvação: "Ninguém me tira a vida, mas eu a dou livremente" (Jo 10,18). "Daí a liberdade soberana do Filho de Deus quando Ele mesmo vai ao encontro da morte" (CIC 609). Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol. I, 2008 p

57 1. Objetivo: 52 14º ENCONTRO: JESUS ESCOLHE PEDRO Reconhecer que o convite feito a Pedro por Jesus, também é feito a nós, para que testemunhamos a nossa vida em Cristo. 2. Conteúdo do Encontro: O convite feito por Jesus a Pedro é pessoal e amoroso. Jesus também nos chama a caminhar ao seu lado e ser pescador como Pedro, testemunhando a alegria de viver com Cristo. 3. Desenvolvimento do Tema: Ouvir o canto: O povo de Deus no deserto andava... com o objetivo de refletir com os catequizandos o início da caminhada do Povo, desde o Antigo Testamento até os nossos dias. Pistas para conversar: perguntar os nomes dos catequistas da paróquia, ministros, diáconos, padres, do Bispo e do Papa, explicando a missão de cada um deles e qual é a nossa missão de batizados. Nosso Deus continua caminhando com seu povo, inicia a caminhada com Abraão, Moisés, com os Profetas, envia Jesus Cristo que escolhe os Apóstolos - Ler Lc 5, Dentre os Apóstolos Jesus escolhe Pedro Ler Mt 16, Jesus afirma após a confissão de Pedro, na comunidade dos discípulos: Eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno nada poderão fazer contra ela. O nome de Pedro era Simão, filho de Jonas. O nome Pedro em hebraico (Kefas) significa pedra, rocha. Naquela região existiam muitas pedreiras ou grutas onde os pastores ou os viajantes iam se esconder para se proteger da chuva ou dos ladrões. Assim Pedro iria guardar e proteger a comunidade e levar os ensinamentos de Jesus. É dada a Pedro a missão de seguir e continuar a doação total de Cristo. Pedro é perseguido e preso por causa da sua missão, pois não se omitiu diante das injustiças sociais Ler At. 12, Hoje temos o Papa, Bispos, Padres, Religiosas e Religiosos, e leigos que assumem, pelo Batismo a missão de Jesus Cristo em favor do povo de Deus. É hoje missão do Papa, dos Bispos e de todos os cristãos manter a unidade e fidelidade aos ensinamentos de Cristo pela prática libertadora. Conversar sobre a hierarquia da Igreja e sucessão dos papas ver apostila. 4. Leitura utilizada: Lc 5, 1-11; Mt 16, 13-18; At. 12, Ambientação: toalha, bíblia, vela, flores, cartazes com fotos do Papa, Bispo e outras pessoas que trabalham para a Igreja. 6. Material utilizado: cartazes (ver acima). 7. Atividades: ler os textos bíblicos e acompanhar as atividades da apostila. 8. Momento de Oração: Convidar os catequizandos formular uma oração pedindo pelo Papa, pelo Bispo e pelos sacerdotes, e rezar juntos. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA

58 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II A Igreja somos nós e temos um grande compromisso para com nossos irmãos, vivendo a Boa Nova de Jesus. Igreja é Povo, é comunidade viva, é viver em comunhão. Para que isto aconteça, é necessário que vivamos o amor de Jesus Cristo e que coloquemos em comum tudo aquilo que temos, como nos falam os Atos dos Apóstolos (2,42-47). A união concreta dos cristãos não é um fato que já acabou: é uma tarefa de todo dia. Por isso, devemos ter o sentido de responsabilidade, isto quer dizer, devemos contribuir com as nossas próprias qualidades e aptidões (carismas), para atender às necessidades de todos os nossos irmãos. Hoje podemos nos sentir Igreja Povo Comunidade viva. Mas esta realidade "Igreja-Povo- Comunidade Viva" é de todos os dias e depende muito, muito de nós. A Igreja, então, não é uma casa, um prédio. Nem somente o Papa, os Bispos, os Padres formam a Igreja. Eles estão a serviço da Igreja. A Igreja é a Família de Deus; a Igreja somos todos nós. São todos os que têm a mesma fé. São Paulo, na sua Carta aos Coríntios, nos fala: "Somos um só corpo, que é formado de muitas partes" (1Cor 12, 20). Devemos sentir-nos também uma parte importante do Corpo de Cristo, que é a sua Igreja. Como cristãos, membros do Corpo de Cristo, precisamos estar sempre atentos em: ver as coisas boas e más da comunidade e descobrir o que podemos fazer diante disso; realizar o Reino de Deus no bairro, em nossa cidade; conhecer e participar do plano de trabalho da Igreja do Brasil, da Diocese, da Paróquia; participar da comunidade não somente na catequese para a Primeira Eucaristia, casamento, Missas de 7º dia... mas com compromisso que prende a nossa vida à comunidade. Para que isto aconteça em âmbito de Igreja Povo - Comunidade viva, é necessário viver intensamente essa experiência nas pequenas Comunidades Eclesiais de Base. A comunidade deve ser organizada através de Reflexão e Planejamento. Há então, necessidade de reunir todos os seus membros. Estas reuniões são muito importantes para um conhecimento mútuo, sentindo os problemas uns dos outros. E, também, para caminharmos unidos, realizando a fraternidade. Assim, uma comunidade bem organizada e atuante terá grande influência na sociedade. Ela será um Sinal e oferecerá Serviços, visando a construção do Reino de Deus. As Paróquias devem tornar-se comunidades de irmãos. Para conseguir esta fraternidade é necessário formar pequenos grupos porque uma paróquia, às vezes, é grande demais, sobretudo no Brasil. Por isso, estão se formando pequenas comunidades, principalmente na periferia das grandes cidades e nas zonas rurais. Os moradores de um bairro procuram uma comunhão de vida entre si. Querem por amor a Jesus Cristo, ajudarse mutuamente, como vizinhos e amigos. Podemos dizer, então, que "Comunidade de Base" é um grupo de pessoas que procuram ter um relacionamento pessoal mais profundo, capaz de criar o sentido de solidariedade. E a união de moradores de um lugar (capela, bairro) em torno dos seus problemas, das suas necessidades, dos seus desejos em vista a um' objetivo comum. A partir de "grupos de base", de "grupos de reflexão", de "círculos bíblicos", podemos caminhar para chegar as Comunidades Eclesiais de Base. Elas devem ser grupos abertos (missionários) de pessoas que buscam crescer na fé. Essas pessoas se reúnem em torno da Palavra de Deus, animadas pelo Espírito Santo e alimentadas pelo Sacramento da Eucaristia. Onde vivem, testemunham o amor de Deus, no serviço mútuo. 53

59 São chamadas de: Comunidades: porque procuram o relacionamento das várias pessoas, unindo-as na busca de interesses comuns. Eclesiais: porque procuram fazer com que as pessoas vivam a fé, a esperança e o amor. Elas são alimentadas pela Palavra de Deus, com a disposição de, no compromisso com esta Palavra, serem abertas à realidade onde vivem e agem de acordo com essa mesma realidade. Convencidos de que Deus fala pelos acontecimentos, procuram mudar para melhor e mais humana, a realidade onde vivem. Na Comunidade Eclesial as pessoas celebram os acontecimentos diários como sinais da presença de Deus, tendo na Eucaristia a força e o fundamento para a vivência fraterna. A Comunidade realiza a Igreja visível: Paróquia, Igreja Particular e Universal. Continua a missão de Jesus Cristo e caminha de acordo com o Plano de Pastoral da Diocese, animada pelo Bispo, sucessor dos Apóstolos. de Base: porque procuram realizar essa caminhada a partir das pessoas e do ambiente onde vivem. "A Igreja - Povo de Deus: Em qualquer época e em qualquer povo é aceito por Deus todo aquele que teme e pratica a justiça. Deus, contudo decidiu santificar e salvar os homens, não sozinhos, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituídos num povo, que O conhecesse na verdade e santamente O servisse. Escolheu por isso a Israel como a seu povo. Estabeleceu com ele a Aliança e o instruiu passo a passo... Tudo isso, porém, aconteceu em preparação à nova e perfeita Aliança que se estabeleceria em Cristo... Esta é a Nova Aliança, isto é, o Novo Testamento no seu Sangue, chamando dentre judeus e gentios um povo, que junto crescesse na unidade, não segundo a carne, mas no Espírito" (CIC 781). "As características do Povo de Deus: O Povo de Deus tem características que o distinguem de todos os agrupamentos religiosos, étnicos, políticos ou culturais da história: Ele é o Povo de Deus: Deus não pertence como propriedade a nenhum povo. Mas adquiriu para si um povo, dentre os que outrora não eram um povo: 'uma raça eleita, um sacerdócio régio, uma nação santa' (1Pd 2,9); a pessoa torna-se membro deste povo não pelo nascimento físico, mas pelo nascimento do alto, da água e do Espírito (Jo 3,3-5), isto é, pela fé em Cristo e pelo Batismo; este povo tem Jesus Cristo por "Chefe", "Cabeça", o "Messias = "Ungido", pelo fato da mesma Unção derivar da Cabeça para o Corpo, o povo é o Povo Messiânico; a condição deste povo é a dignidade dos filhos de Deus: como num templo, onde reside o Espírito Santo; sua lei, é o mandamento novo de amar como Cristo mesmo nos amou. É a lei nova do Espírito Santo (Rm 8,2; GI 5,25). sua missão é ser o sal da terra e a luz do mundo. Ele constitui para todo o gênero humano o mais forte germe de unidade, esperança e salvação. sua meta é o Reino de Deus iniciado na terra por Deus mesmo, Reino a ser estendido mais e mais, até que, no fim dos tempos, seja consumado por Deus" (CIC 782). Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Ed. Paulus, P

60 1. Objetivos: Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 15º ENCONTRO: JESUS NOS ENVIA O ESPÍRITO SANTO Reconhecer que o Espírito Santo é Deus dentro deles, que age em suas vidas e os coloca no seguimento a Jesus Cristo. Reconhecer a presença do Espírito Santo que anima e conduz as comunidades. 2. Conteúdo do Encontro: Jesus quer nos salvar cumprindo bem a promessa do Pai: dar o Espírito Santo. O Espírito Santo nos faz reconhecer que somos pecadores e nos leva a Jesus para recebermos o perdão. É necessário que cada um peça para si a graça da presença do Espírito Santo em sua vida. Vivendo na comunidade Igreja cada um de nós experimenta a vida no Espírito, sente-se ajudado na sua busca de santidade. 3. Desenvolvimento do Encontro: Através de uma explosão de idéias incentive os catequizandos a falarem do que se lembram sobre o Espírito Santo. Dinâmica: o o o Providenciar pedaços bem pequenos de papéis e régua escolar. Pegue a régua e friccione-a com rapidez no cabelo, e aproxime, sem encostar, nos papéis recortados. Observar o que aconteceu e deixar que os catequizandos falem livremente, tentando responder: o que atrai o papel? Comentar que o Espírito Santo é:como a força que estava na régua, nós somos os papeizinhos; é invisível, mas atua em tudo e em todos desde o início da criação; é quem dá vida a todos; é aquele que guiou a história da salvação, guiou Jesus, hoje guia a Igreja e cada um de nós. Os papéis que não grudaram são como as pessoas que não deixam a força do Espírito Santo agirem nelas e assim não são conduzidas pelo Espírito Santo na vida. Deus Pai é Deus acima e além de nós; Deus Filho é Deus entre nós, um de nós, no meio de nós; Deus Espírito Santo é Deus dentro de cada um de nós. Falar do Espírito Santo, nosso Santificador: Explicar que o Espírito Santo é a 3ª Pessoa da Santíssima Trindade. É a força que vem do alto, conforme Jesus havia prometido enviar quando ressuscitasse e voltasse para o Pai. É o amor mútuo do Pai e do Filho que transborda e contagia a todos nós. Ele nos conduz, nos guia, pelo caminho de Jesus revelando tudo o que é necessário para a nossa salvação. 4. Leitura utilizada:at 1, 4-14; Rm 5, 5 5. Ambientação: toalha, bíblia, vela 6. Material utilizado: régua e papéis 7. Atividades: orientar as atividades 55

61 8. Momento de Oração: Motive os catequizandos a fazer uma oração espontânea, pedindo ao Espírito Santo que ajude a ser bom filho, bom aluno... Após cada oração, cantar com eles o refrão: Vem, Espírito Santo, vem, vem iluminar Rezar em dois coros a oração do Espírito Santo que está na apostila. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Com a morte e a ressurreição de Jesus, um novo tempo é inaugurado: Jesus volta ao Pai, e, com Ele, envia como dom a plenitude do Espírito ao novo povo de Deus. Portanto, "terminada a obra que o Pai havia confiado ao Filho para realizar na terra, foi enviado o Espírito Santo [... ] para santificar a Igreja, permanentemente" (LG 4) e a partir de agora o Espírito Santo é responsável por guiá-la. Segundo Bergamini (1994, p. 404), para os cristãos, nesse dia, a Igreja é manifestada ao mundo, com a qual Deus fez a nova lei, não mais em tábuas de pedra, mas, sim, nos corações dos fiéis. Logo, "A partir desse dia, o Reino anunciado por Jesus está aberto aos que crêem nele [...]. Pela sua vinda, o Espírito Santo inaugura o tempo da Igreja, os 'últimos tempos', no qual o Reino é recebido como dom de Deus, embora não plenamente realizado, mas que caminha para a sua plena realização e perfeição no último dia" (CIC 732). Embora a manifestação mais comentada do Espírito Santo seja a de Pentecostes, a ação santificadora e geradora da vida do Espírito Santo se fez presente desde o momento da criação, conforme o relato da Sagrada Escritura em Gênesis, nos primeiros versículos, nos revela: "0 Espírito de Deus pairava sobre as águas" (Gn 1,2). Ainda, podemos reconhecer que o Espírito Santo de Deus atuou em todos os momentos da Historia da Salvação: O Espírito atuou nos patriarcas e juízes, sacerdotes e profetas. Deus se manifestou a Abraão prometendo-lhe uma grande descendência pela qual todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12,3). Essa bênção realizou-se em Jesus, que nos envia o seu Espírito. Pelo seu Espírito realizou a Encarnação do Verbo, ao preparar Maria para ser a mãe do 56 seu Filho. Foi Ele também que iluminou a missão de Jesus, descendo sobre Ele no batismo. O próprio Cristo proclamou no início de sua missão: "O Espírito Santo está sobre mim, porque me ungiu, e enviou-me para anunciar a Boa-Nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para por em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor" (Lc 4,18-19). A criação, a redenção e a santificação são obras comuns das três pessoas divinas. Mas a tradição cristã, na liturgia e na espiritualidade, acostumou-se a apropriar a alguma pessoa divina uma obra especifica, considerando a aproximação ou semelhança entre a ação e a pessoa. Assim como o Pai tem a missão específica da criação, e o Filho tem a missão específica da salvação, o Espírito Santo também tem sua missão específica: Ele distingue-se na Trindade pela ação santificadora e reveladora de Deus. Todas as vezes que o Pai e o Filho realizam algo, é o Espírito Santo que revela aos seres humanos, santificando-os. Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol.III, Ed.Vozes, p A Festa de Pentecostes que se celebra cada ano, 50 dias depois da Páscoa é para os cristãos, a Festa do Espírito Santo. Muitas pessoas não compreendem muito bem quando falamos de Deus Pai, criador do mundo e dos homens; e quando falamos de Deus Filho, Jesus Cristo, que tomou a nossa condição humana e viveu entre nós. Mas, quando falamos do Espírito Santo, é para muitos, um mistério muito difícil de entender.

62 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II O Espírito Santo não é uma misteriosa corrente energética; é Deus que mantém a sua presença no mundo e encaminha os homens. Quando o Espírito Santo toma posse de alguém, multiplica os seus dons. Ele faz com que as pessoas descubram grandes coisas, faz com que elas desempenhem uma missão, mesmo que esta ultrapasse as possibilidades humanas. A História do Povo de Deus é iluminada pelo Espírito Santo que escolheu, dinamizou homens e mulheres de todas as idades e de todas as condições. E precise estar atento à sua ação. O homem é livre e pode fazer-lhe resistência. No mar, o vento não fica diminuído para soprar nas velas de um barco. É preciso dirigir o barco e orientar as velas para captar toda a força do vento. Deus não deve ser procurado fora do mundo. O seu poder age no meio dos homens. Muitas vezes, os discípulos de Jesus experimentaram a força que agia através deles. Por exemplo: quando por motivos de sua fé, eles são levados aos tribunais, como aconteceu com os apóstolos depois de Pentecostes, as respostas que eles deram deixaram os juízes admirados e confusos. É o Espírito Santo que sugere os argumentos e faz lançar por terra as acusações mais fortes e desfazem as armadilhas preparadas pelos inimigos de Jesus. Jesus já o predissera: "Diante dos tribunais, não vos perturbeis porque o Espírito Santo falará por vós" (Mc 13, 11). O Espírito Santo é soberanamente livre; ele age frequentemente de forma inédita e inesperada como fez no início da Igreja. A primeira iniciativa dos apóstolos foi a de completar o seu número, depois do abandono de Judas. Eles tinham consciência de que o povo era o novo Israel de Deus, mas desfalcado do número doze (as doze tribos de Israel). Em vista disso elegeram Matias, fiel testemunha de Jesus. O Espírito Santo também escolheu Paulo, o perseguidor fanático da Igreja, fora do grupo dos Doze e de toda a Instituição. O próprio Pedro, no seu discurso de Pentecostes, reconhecia que estava realizando o que fora predito pelo profeta Joel: que o Espírito de Deus se comunicaria tanto as crianças como aos jovens e adultos. Na História da Igreja vemos muitas pessoas humildes que foram mais inspiradas do que pessoas de alto nível. O Espírito Santo as inspirou com novas orientações e novos rumos, que ainda a Igreja oficial não tinha conseguido e, só posteriormente, os aprovou. O Espírito Santo está fora do nosso alcance. Ninguém o pode trancar. Ele é como um vento. É o que Jesus dizia a Nicodemos: "Tu ouves o vento, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece também aquele que nasce do Espírito" (Jo 3, 8). O Espírito, assim como o vento, não sopra unicamente na Igreja de Cristo, mas também nos corações de todas as pessoas de boa vontade que procuram a verdade. Os cristãos devem reconhecer a ação do Espírito nas diversas iniciativas dessas pessoas. O Espírito Santo não teme as transformações e está continuamente pronto a instaurar novos caminhos. Isto só é terrível para aqueles que esperam que o futuro se assemelhe ao passado. Mas quando Jesus Ressuscitado enviou os Apóstolos em missão, a Igreja quis pôr em relevo as diferentes ações do Espírito Santo, através dos dois Sacramentos: No Batismo, acentua-se a ação purificadora e santificante; o batizado é perdoado dos seus pecados e nasce para a Vida Divina. Na Confirmação, acentua-se a ação fortificante, dinâmica do Espírito Santo em vista da missão irradiante do cristão no seu meio ambiente e no seu modo de vida para transformar a sociedade. 57

63 "A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estas são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do mesmo Espírito" (CIC 1830). Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Ed. Paulus, 2003 p COMPÊNDIO DO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA CREIO NO ESPÍRITO SANTO 136. Que quer dizer a Igreja quando professa: «Creio no Espírito Santo»? [ ] Crer no Espírito Santo é professar a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que procede do Pai e do Filho, e «com o Pai e o Filho é adorado e glorificado». O Espírito foi «enviado aos nossos corações» (Gal 4,6) para recebermos a vida nova de filhos de Deus Porque é que as missões do Filho e do Espírito são inseparáveis? [ ] Na Trindade indivisível, o Filho e o Espírito são distintos, mas inseparáveis. De fato, desde o princípio até ao final dos tempos, quando o Pai envia o Seu Filho, envia também o eu Espírito que nos une a Cristo na fé, para, como filhos adotivos, podermos chamar Deus «Pai» (Rm 8,15). O Espírito é invisível, mas nós conhecemo-lo através da sua ação quando nos revela o Verbo e quando age na Igreja Quais são as designações do Espírito Santo? [ ] «Espírito Santo» é o nome próprio da terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Jesus chama-lhe também: Espírito Paráclito (Consolador, Advogado) e Espírito de Verdade. O Novo Testamento chama-o ainda: Espírito de Cristo, do Senhor, de Deus, Espírito da glória, da promessa Com que símbolos se representa o Espírito Santo? [ ] São numerosos: a água viva que jorra do coração trespassado de Cristo e mata a sede dos batizados; a unção com o óleo que é o sinal sacramental da Confirmação; o fogo que transforma o que toca; a nuvem, obscura e luminosa, na qual se revela a glória divina; a imposição das mãos mediante a qual é dado o Espírito; a pomba que desce sobre Cristo e permanece sobre Ele no batismo O que significa que o Espírito «falou pelos profetas»? [ ; ; 743] Com o termo profetas entende-se todos os que foram inspirados pelo Espírito Santo para falar em nome de Deus. O Espírito conduz as profecias do Antigo Testamento ao seu pleno cumprimento em Cristo, de quem revela o mistério no Novo Testamento O que é que o Espírito Santo realiza em João Batista? [ ] João Batista, o último profeta do Antigo Testamento é cheio do Espírito Santo, que o envia a «preparar para o Senhor um povo bem disposto» (Lc 1,17) e a anunciar a vinda de Cristo, Filho de Deus: Aquele sobre o qual João viu o Espírito descer e permanecer, «Aquele que batiza no Espírito» (Jo 1,33) Qual é a obra do Espírito em Maria? [ ; 744] Em Maria, o Espírito Santo realiza as expectativas e a preparação do Antigo Testamento para a vinda de Cristo. De forma única enche-a de graça e torna fecunda a sua virgindade para dar à luz o Filho de Deus encarnado. Faz dela a Mãe do «Cristo total», isto é, de Jesus Cabeça e da Igreja que é o seu corpo. Maria está com os Doze no dia de Pentecostes, quando o Espírito inaugura os «últimos tempos» com a manifestação da Igreja Qual a relação entre o Espírito e Cristo Jesus, na missão terrena? [ ; ] O Filho de Deus é consagrado Messias através da unção do Espírito na sua humanidade desde a Encarnação. Ele revela-o no seu ensino, cumprindo a promessa feita aos antepassados e 58

64 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II comunica-o à Igreja nascente, soprando sobre os Apóstolos depois da Ressurreição O que acontece no Pentecostes? [ ; 738] Cinqüenta dias após a Ressurreição, no Pentecostes, Jesus Cristo glorificado infunde o Espírito em abundância e manifesta-o como Pessoa divina, de modo que a Santíssima Trindade é plenamente revelada. A Missão de Cristo e do Espírito torna-se a Missão da Igreja, enviada a anunciar e a difundir o mistério da comunhão trinitária. «Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontrámos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível porque nos salvou» (Liturgia Bizantina, Tropário das Vésperas de Pentecostes) O Espírito edifica, anima e santifica a Igreja: Espírito de Amor, Ele torna a dar aos batizados a semelhança divina perdida por causa do pecado e os faz viver em Cristo da própria Vida da Santíssima Trindade. Envia-os a testemunhar a Verdade de Cristo e organiza-os nas suas mútuas funções, para que todos dêem «o fruto do Espírito» (Gal 5,22) Como atuam Cristo e o seu Espírito no coração dos fiéis? [ ] Por meio dos sacramentos, Cristo comunica aos membros do Seu Corpo o Seu Espírito e a graça de Deus que produz os frutos de vida nova, segundo o Espírito. Finalmente, o Espírito Santo é o Mestre da oração Que faz o Espírito Santo na Igreja? [ ; 747] 59

65 16º ENCONTRO: O ESPÍRITO SANTO E SEUS DONS 1. Objetivos: Conhecer a ação do Espírito Santo através dos seus dons. Reconhecer a presença do Espírito Santo na vida e se abrir à sua ação. 2. Conteúdo do Encontro: Em Pentecostes Jesus deixa seu Espírito. O Espírito Santo concede-nos muitos dons. Os dons do Espírito Santo são uma forma de nos colocarmos a serviço da comunidade. Como descobrir esses dons? 3. Desenvolvimento do Tema: Fazer ligação com encontros anteriores (Ressurreição, Jesus volta ao Pai e promete enviar o Espírito Santo. Em João 16, 5 = Jesus promete que enviaria o Espírito Santo. Em Atos 1, 8 = Jesus pede que esperem essa vinda. Em Atos 1, = Os apóstolos, juntamente com Maria e outras pessoas, ficam reunidos em oração no cenáculo em Jerusalém esperando essa promessa. Em Atos 2, 1 4 = Dia de Pentecostes enquanto rezam recebem o Espírito Santo com toda a sua força. ( Explicar os símbolos: Vento, línguas de fogo) Explicar a festa de Pentecostes ( festa das colheitas = 50 dias após a Páscoa) em Jerusalém. Explicar os muitos símbolos do Espírito Santo. Explicar que o Espírito Santo anima a Igreja, está presente nos Sacramentos, na Palavra de Deus e distribui muitos dons para as pessoas trabalharem na comunidade. Explicar os dons do Espírito Santo. Explicar que a comunidade, a nossa Igreja é guiada e ajudada pelo Espírito Santo. Mostrar que na oração do CREDO dizemos que acreditamos no Espírito Santo. 4. Leitura utilizada: At 2, Ambientação: toalha, bíblia, jarro com água, meio copo de óleo, uma vela, um desenho ou figura de uma pomba, um ventilador pequeno (para explicar os símbolos do Espírito Santo). 6. Material utilizado: símbolos do Espírito Santo pombinhas com Atos 1, 8, para lembrancinha. 7. Atividades: orientar as atividades 8. Momento de oração: Inicie o momento de oração com o canto: A nós descei (Ir.M.Kolling),convide os catequizandos a rezarem a oração que está na apostila. 60

66 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA No Pentecostes, os apóstolos recebem o Espírito Santo e descobrem que não estão sós. Ao contrário, há uma presença viva e vivificante. Pelo agir em nossa vida nos transforma, nos purifica renovando nossa vida. Foi em forma de fogo que o Espírito desceu em Pentecostes. Espírito, os apóstolos tinham Jesus em suas vidas Água - Geradora de vida. O Espírito é a e nas comunidades que formavam, deixando-os conscientes de sua missão: comunicadores da Boa Notícia de Jesus a todos os povos. água viva que jorra de Cristo, para nos lavar e garantir vida nova. Vida nova gerada nas águas do batismo. Muitas são as manifestações do Espírito Pomba - É sinal especial do Espírito. Foi Santo, tendo em vista a edificação, sustentação e expansão da comunidade nascente. Um forte em forma de pomba que o Espírito Santo desceu sobre Cristo em seu batismo. ardor missionário, curas, milagres e prodígios Óleo - Usado para ungir pessoas testemunham a origem divina da comunidade primitiva. Os apóstolos, impulsionados pelo Espírito escolhidas por Deus para uma missão especial. Jesus foi ungido por Deus não com óleo, mas com o Espírito Santo (Cristo, do grego Christos, Santo, passam a repetir os mesmos gestos, Messias, do hebraico Massiah, Ungido, em atitudes e a oração de Jesus. Eles continuam a realizar, na fração do pão, a ação de graças que Jesus apresentou ao Pai, antes de sua morte. Sentem a necessidade de viver a mesma união com os novos discípulos, a exemplo dele. Assim, o Espírito Santo torna-se a alma da comunidade dos seguidores de Jesus, animando a Igreja através de seus dons, colocando todos a serviço do Evangelho. português). O óleo, portanto, é sinal do Espírito Santo que ungiu Jesus, nos unge e nos fortalece hoje para cumprir nossa missão. As pessoas que percebem a ação do Espírito Santo e se abrem cotidianamente a Ele tornam-se grandes colaboradoras de Deus e servidoras do povo. Ele, portanto, é a alma da comunidade seguidora de Jesus. "Os sete dons do Espírito Santo são: A ação do Espírito Santo se faz presente Sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, até hoje na Igreja. Porém, sua ação, por vezes, é imperceptível. Por isso os cristãos de todos os tempos recorrem aos símbolos para explicar sua atuação na comunidade. Os símbolos que representam o Espírito Santo apontam para a liberdade e mobilidade, para a força e a ação dele no mundo, na Igreja, nas pessoas: ciência, piedade e temor de Deus. Em plenitude, pertencem a Cristo, Filho de Davi. Completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem. Tornam os fiéis dóceis para obedecerem prontamente as inspirações divinas" (CIC 1830). "Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo modela em nós como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja enumera doze Vento - É o ar em movimento, capaz de frutos: caridade, alegria, paz, paciência, soprar onde quer. Nós não somos donos dele, apenas deixamo-nos conduzir por ele. Assim é o Espírito Santo: embora não seja percebido pelos longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade" (cf. Gl 5,22-23)-(CIC 1832). nossos olhos, o resultado de seus movimentos é concreto: impulsiona-nos a realizar a vontade do Pai. Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol. III, Ed. Vozes, 2008 p Fogo - Sua ação de calor transforma, purifica e queima. Assim é o Espírito Santo, ao 61

67 OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO (Catecismo da Igreja Católica) 694. A água. O simbolismo da água é significativo da ação do Espírito Santo no Batismo, pois que, após a invocação do Espírito Santo, ela torna-se o sinal sacramental eficaz do novo nascimento. Do mesmo modo que a gestação do nosso primeiro nascimento se operou na água, assim a água batismal significa realmente que o nosso nascimento para a vida divina nos é dado no Espírito Santo. Mas, «batizados num só Espírito», «a todos nós foi dado beber de um único Espírito» (1 Cor 12, 13): portanto, o Espírito é também pessoalmente a Água viva que brota de Cristo crucificado como da sua fonte, e jorra em nós para a vida eterna A unção. O simbolismo da unção com óleo é também significativo do Espírito Santo, a ponto de se tomar o seu sinônimo. Na iniciação cristã, ela é o sinal sacramental da Confirmação, que justamente nas Igrejas Orientais se chama «Crismação». Mas, para lhe apreender toda a força, temos de voltar à primeira unção realizada pelo Espírito Santo: a de Jesus. Cristo («Messias» em hebraico) significa «ungido» pelo Espírito de Deus. Houve «ungidos» do Senhor na antiga Aliança, sobretudo o rei David. Mas Jesus é o ungido de Deus de maneira única: a humanidade que o Filho assume é totalmente «ungida pelo Espírito Santo». Jesus é constituído «Cristo» pelo Espírito Santo. A Virgem Maria concebe Cristo do Espírito Santo, que pelo anjo O anuncia como Cristo quando do seu nascimento e leva Simeão a ir ao templo ver o Cristo do Senhor. É Ele que enche Cristo e cujo poder emana de Cristo nos seus atos de cura e salvamento. Finalmente, é Ele que ressuscita Jesus dentre os mortos. Então, plenamente constituído «Cristo» na sua humanidade vencedora da morte, Jesus difunde em profusão o Espírito Santo, até que «os santos» constituam, na sua união à humanidade do Filho de Deus, o «homem adulto à medida completa da plenitude de Cristo» (Ef 4, 13), «o Cristo total», para empregar a expressão de Santo Agostinho O fogo. Enquanto a água significava o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito Santo. O profeta Elias, que «apareceu como um fogo e cuja palavra queimava como um facho ardente» (Sir 48, 1), pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo, figura do fogo do Espírito Santo, que transforma aquilo em que toca. João Batista, que «irá à frente do Senhor com o espírito e a força de Elias» (Lc 1, 17), anuncia Cristo como Aquele que «há de batizar no Espírito Santo e no fogo» (Lc 3, 16), aquele Espírito do qual Jesus dirá: «Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado!» (Lc 12, 49). É sob a forma de línguas, «uma espécie de línguas de fogo», que o Espírito Santo repousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si. A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da ação do Espírito Santo. «Não apagueis o Espírito!» (1 Ts 5, 19) A nuvem e a luz. Estes dois símbolos são inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Desde as teofanias do Antigo Testamento, a nuvem, umas vezes escura, outras luminosa, revela o Deus vivo e salvador, velando a transcendência da sua glória: a Moisés no monte Sinai, na tenda da reunião e durante a marcha pelo deserto; a Salomão, quando da dedicação do templo. Ora estas figuras são realizadas por Cristo no Espírito Santo. É Ele que desce sobre a Virgem Maria e a cobre «com a sua sombra», para que conceba e dê à luz Jesus. No monte da transfiguração, é Ele que «sobrevém na nuvem que cobriu da sua sombra» Jesus, Moisés e Elias, Pedro, Tiago e João, nuvem da qual se fez ouvir uma voz que dizia: "Este é o meu Filho, o meu Eleito, escutai- O!"» (Lc 9, 35). E, enfim, a mesma nuvem que «esconde Jesus aos olhos» dos discípulos no dia da Ascensão e que O revelará como Filho do Homem na sua glória, no dia da sua vinda O selo é um símbolo próximo da unção. Com efeito, foi a Cristo que «Deus marcou com o seu selo» (Jo 6, 27) e é n'ele que o Pai nos marca

68 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II também com o seu selo». Porque indica o efeito indelével da unção do Espírito Santo nos sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Ordem, a imagem do selo («sphragis») foi utilizada em certas tradições teológicas para exprimir o «caráter» indelével, impresso por estes três sacramentos, que não podem ser repetidos A mão. É pela imposição das mãos que Jesus cura os doentes e abençoa as crianças. O mesmo farão os Apóstolos, em seu nome. Ainda mais: é pela imposição das mãos dos Apóstolos que o Espírito Santo é dado. A Epístola aos Hebreus coloca a imposição das mãos no número dos «artigos fundamentais» do seu ensino. Este sinal da efusão onipotente do Espírito Santo, guarda-o a Igreja nas suas epicleses sacramentais O dedo. «É pelo dedo de Deus que Jesus expulsa os demônios». Se a Lei de Deus foi escrita em tábuas de pedra «pelo dedo de Deus» (Ex 31, 18), a «carta de Cristo», entregue ao cuidado dos Apóstolos, «é escrita com o Espírito de Deus vivo: não em placas de pedra, mas em placas que são corações de carne» (2 Cor 3, 3). O hino «Veni Creator Spiritus» invoca o Espírito Santo como «digitus paternae dexterae» «Dedo da mão direita do Pai» A pomba. No final do dilúvio (cujo simbolismo tem a ver com o Batismo), a pomba solta por Noé regressa com um ramo verde de oliveira no bico, sinal de que a terra é outra vez habitável. Quando Cristo sobe das águas do seu batismo, o Espírito Santo, sob a forma duma pomba, desce e paira sobre Ele. O Espírito desce e repousa no coração purificado dos batizados. Em certas igrejas, a sagrada Reserva eucarística é conservada num relicário metálico em forma de pomba (o columbarium) suspenso sobre o altar. O símbolo da pomba para significar o Espírito Santo é tradicional na iconografia cristã. 63

69 17º ENCONTRO: JESUS E A LEI DE DEUS 1. Objetivos: Compreender que Jesus Cristo veio dar à Lei de Deus o pleno cumprimento ao nos revelar que o amor a Deus e ao próximo é a fonte mais segura de felicidade. Aprender a rezar os Dez Mandamentos para poder vivêlos. 2. Conteúdo do Encontro: Os Mandamentos são caminhos a seguir e expressam, em gestos concretos, uma convivência de amor com Deus e com os irmãos. 3. Desenvolvimento do Tema: Levar uma figura de um carro e comentar: quais os tipos de carros que conhecem, o que faz um carro andar, o que precisa para dar partida em um carro. A partir do exemplo do carro, mostrar que, como o carro precisa de pistas para andar, nós também precisamos de pistas para viver. Fazer junto com os catequizandos, a relação entre o que observaram e comentaram sobre os carros com a vida, destacando os seguintes aspectos: carro é a nossa vida, o motor é o coração e a chave de partida é a voz de Deus que orienta a consciência. Carro é nossa vida comentar como guiamos o carro também guiamos a nossa vida. Para guiar um carro precisamos conhecer as normas e leis de trânsito. A nossa vida também precisa de leis que nos ajudem a viver melhor. Organize uma conversa perguntando o que são leis? Quais leis conhecem? Se as leis são importantes na vida de uma pessoa? Por quê? Como ajudam as pessoas a viverem melhor? Motor é a consciência Deus, nosso Pai, colocou em cada pessoa a consciência que está sempre vigilante, dizendo: isto é de Deus, pode fazer, ou, então, isto não é do bem, afaste-se. Chave de partida é a voz de Deus que orienta a consciência se obedeço à voz da consciência, sou feliz. Fazer a correspondência dos Dez Mandamentos com vida. Lembrar que os conselhos recebidos dos pais é a voz de Deus que lembra os Dez Mandamentos. Recordar a história de Moisés e da Aliança. Ler Ex 20, Levar uma Arca da Aliança com os Dez Mandamentos dentro e relembrar com os catequizandos a arca que fizeram no Módulo I. Os Mandamentos de Deus são leis que devem ser seguidas por todos. Quando elas são respeitadas as pessoas são felizes, mas quando são deixadas de lado acontece a dor e o sofrimento. Nossa consciência é iluminada pela Palavra de Deus, mas é preciso que busquemos na fé e na oração essa Palavra para colocá-la em prática. Essas Leis que Deus nos deu são leis para sermos felizes. Ler Mateus 5, para descobrir o que Jesus falou sobre os Dez Mandamentos. Em seguida Ler Mt 22, que é a síntese dos mandamentos anunciado por Jesus. Solicitar que os catequizandos relatem fatos que ocorrem no mundo porque as pessoas não seguem os Mandamentos de Deus. Ajude-os se necessário, falando de situações de guerra, brigas, roubos, violência, fome. 64

70 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II Pedir que os catequizandos escrevam os mandamentos nas tábuas da lei. 4. Leitura utilizada: Ex 19, 3-6; Ex 20, 1-17; Mt 5, Ambientação: Colar o cartaz do carro. No momento oportuno substituir pelo coração vermelho. 6. Material utilizado: (1) cartaz de um carro; (2) coração de cartolina vermelha (0,50x0,50); e (3) tábuas da lei recortadas em sulfite para cada catequizando. (modelo no final da apostila) 7. Atividades: orientar as atividades 8. Momento de oração: Em um momento de reflexão, explicar que no coração de cada um de nós está presente esta mesma Lei. Nosso desejo de amar, de ser feliz e de ajudar as pessoas é a maior prova disso. Pedir para cada catequizando colar no coração a sua tábua da Lei, fazendo uma oração de agradecimento a Deus por ter nos dado a Lei do Amor como meio para ser feliz. Rezar juntos a oração que está na apostila. A Lei que está na Bíblia chama-se "A Lei dos dez Mandamentos" (Ex 20,1-17). Deus a entregou a Moisés, depois que Libertou seu povo da escravidão do Egito. Isto foi em torno do ano 1250 a.c. Jesus não anulou esta Lei. Ele veio completá-la (Mt 5,17), e ela vale até hoje para todos aqueles que acreditam em Deus. Uma lei é uma indicação na estrada. Indica o caminho a seguir. É uma ajuda na caminhada; é uma ferramenta no trabalho. Pela Lei dos Dez Mandamentos, Deus indicou o caminho certo para o povo: 1. nunca mais voltar a viver na escravidão; 2. conservar a liberdade que conquistou, saindo do Egito; 3. viver na justiça e na fraternidade; 4. ser sinal de Deus no mundo; 5. organizado em comunidades, ser resposta ao clamor de todo o povo; 6. ser um anúncio e uma amostra daquilo que Deus quer para todos; 7. chegar à prática perfeita do amor de Deus e do amor ao próximo. Os Dez Mandamentos nos fazem conhecer melhor os nossos deveres, os nossos direitos e a nossa missão. No dia em que Deus proclamou a lei dos Dez Mandamentos para a primeira comunidade do Povo de Deus, ele reuniu o pessoal ao pé do Monte APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Sinai. Mas, antes de proclamá-la, declarou o motivo e a autoridade da nova lei e anunciou solenemente o titulo dos Dez mandamentos. Deus disse: Eu sou Javé, o teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da escravidão" (Ex 20,2) O povo sentiu, nesta declaração da Lei, que Deus é o nosso Libertador e o que fez Deus decretar a Lei foi o "clamor do povo. Ele disse a Moisés: Eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor por causa dos seus opressores, pois eu conheço as suas angústias. Por isso, desci a fim de libertá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e vasta onde corre leite e mel" (Ex 3,7-8) Os mandamentos são a resposta de Deus ao clamor do povo oprimido. A fiel observância dos mandamentos impede a volta do povo à escravidão. Por isso, em cada mandamento, deveríamos perguntar: qual é o clamor que está por trás dele? No tempo de Jesus havia alguns fariseus que ensinavam os mandamentos, sem observá-los (Mt 23,4; Mc 7,8-13; Jo 7,19). Só repetiam a 65

71 letra, mas matavam o espírito da Lei (Lc 11, 39-44; 2Cor 3,6). Esqueciam que a lei tinha sido dada para libertar e educar (Gl 3,21) e a transformaram em instrumento de opressão (Lc 11,46; Mt 11,28). Jesus criticou a interpretação dos fariseus e dos doutores (Mt 5,20; 26,1-36) e deu uma nova explicação (Mt5,17-48). Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Paulus, 2003 p Jesus Cristo foi fiel à Lei de Deus manifestada nos Dez Mandamentos. Ele reconheceu que ela nasceu do coração de seu Pai e que estava presente ao mesmo tempo no coração de cada pessoa, por isso Ele disse: "Eu não vim abolir a Lei, mas levá-la ao cumprimento" (Mt 5,17). Assim, o que Ele fez foi assumi-la e colocála no plano do amor ao doar a sua vida na cruz, por nós, configurando a Nova e Eterna Aliança. Com sua atitude Ele qualificou a Lei estabelecendo o critério de que só quem ama a Deus e ao próximo, com disposição de fazer da própria vida uma doação, é capaz de viver conforme a vontade de Deus e ser verdadeiramente feliz. A Lei entregue a Moisés foi aperfeiçoada em Cristo. Ele concentrou os Dez Mandamentos em: "Amar a Deus e ao próximo como a ti mesmo... " (cf. Mt. 22,37-40). Amar-se, cuidar-se, assumir-se como filho de Deus é condição e base para se poder amar a Deus e ao próximo e viceversa. Jesus Cristo é amor, por isso a nova Lei é, essencialmente, o amor. Seguir Jesus Cristo implica conhecê-lo e amá-lo, assim como seu Pai e no Espírito Santo amar a todos os irmãos indistintamente. Diante disso, todos nós, enquanto Igreja somos vocacionados a levar adiante a missão de Jesus Cristo, portanto, somos chamados a ser não somente os portadores da Lei do Amor, mas seus propagadores. A partir do Novo Testamento é possível compreender também que a Lei de Deus não está em contradição com a Lei Natural divulgada pelas "pessoas de boa vontade". Ao contrário, acreditamos que esta Lei de Deus, plenamente revelada em Cristo, complementa a vida do ser humano na terra, em todos os seus sentidos. Ela protege a vida, a família, possibilita uma reta aproximação da natureza, das ciências, porque em tudo coloca Deus em primeiro lugar e o respeito e serviço como condição para o relacionamento humano. Fomos criados por Deus e carregamos no mais íntimo de nós mesmos a vontade de amar, servir, ajudar, libertar, gerar vida. Isso tudo é a Lei de Deus que está presente em nossos corações. Segui-la significa conhecer a Lei de Deus profundamente, perceber que está presente em nós mesmos e nas Escrituras, viver a vontade de Deus vigiando a nossa prática e aplicar a sua Lei em nossa vida. Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol. II, Vozes, 2008 p CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA O DECÁLOGO E A LEI NATURAL Os Dez Mandamentos fazem parte da revelação de Deus. Mas, ao mesmo tempo, ensinam-nos a verdadeira humanidade do homem. Põem em relevo os deveres essenciais e, por conseguinte, indiretamente, os direitos fundamentais inerentes à natureza da pessoa humana. O Decálogo encerra uma expressão privilegiada da «lei natural»: No princípio, Deus admoestou os homens com os preceitos da lei natural, que tinha enraizado nos seus corações, isto é, pelo Decálogo. Se alguém não os cumprisse, não se salvaria. E Deus não exigiu mais nada aos homens» (20) Embora acessíveis à simples razão, os preceitos do Decálogo foram revelados. Para atingir um conhecimento completo e certo das exigências da lei natural, a humanidade pecadora precisava desta revelação: «Uma explicação completa dos mandamentos do Decálogo tornou-se necessária no estado de pecado, por causa do obscurecimento da lei da razão e do desvio da vontade» (21) 66

72 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II Nós conhecemos os mandamentos de Deus pela revelação divina que nos é proposta na Igreja e pela voz da consciência moral. A OBRIGAÇÃO DO DECÁLOGO Uma vez que exprimem os deveres fundamentais do homem para com Deus e para com o próximo, os Dez Mandamentos revelam, no seu conteúdo primordial, obrigações graves. São basicamente imutáveis e a sua obrigação impõe-se sempre e em toda a parte. Ninguém pode dispensar-se dela. Os Dez Mandamentos foram gravados por Deus no coração do ser humano Mas a obediência aos mandamentos também implica obrigações cuja matéria, em si mesma, é leve. Assim, a injúria por palavras é proibida pelo quinto mandamento, mas só poderá ser falta grave em razão das circunstâncias ou da intenção de quem a profere. «SEM MIM, NADA PODEIS FAZER» Jesus diz: «Eu sou a cepa, vós as varas. Quando alguém permanece em Mim, e Eu nele, esse é que dá muito fruto, porque, sem Mim, nada podeis fazer» (Jo 15, 5). O fruto, a que se faz referência nesta palavra, é a santidade duma vida fecundada pela união com Cristo. Quando cremos em Jesus Cristo, comungamos nos seus mistérios e guardamos os seus mandamentos, o Salvador vem em pessoa amar em nós o seu Pai e os seus irmãos, o nosso Pai e os nossos irmãos. A sua pessoa toma-se, graças ao Espírito, a regra viva e interior do nosso agir. «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei» (Jo 15, 12). 67

73 18º ENCONTRO: MANDAMENTOS: GUIA PARA A VIDA 1. Objetivos: Compreender que Jesus Cristo veio dar à Lei de Deus o pleno cumprimento ao nos revelar que o amor a Deus e ao próximo são a fonte mais segura de felicidade. Compreender que os três primeiros Mandamentos ajudam a descobrir e a encontrar o Verdadeiro e Único Deus, amando-o ainda mais com um correto testemunho de vida. Compreender que o quarto Mandamento mostra que o amor, o respeito, a obediência, a gratidão aos pais devem ser uma meta na vida de cada ser humano. 2. Conteúdo do encontro: Significado de amar a Deus sobre todas as coisas: as atitudes a que se refere este mandamento, superstições e crenças em objetos, horóscopos etc. Falta de fé, de esperança e amor a Deus expressos pela falta de oração. Desrespeito com as coisas sagradas, consagradas a Deus; o uso impróprio do nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de todos os Santos. Juramento falso usando o nome de Deus. A sociedade que obriga, impõe aos trabalhadores o trabalho sem dias de folga para o descanso; Deus nos quer livres; o domingo, dia de descanso sagrado, de ficar com a família e também reunirse como Igreja, povo de Deus, para celebrar a Aliança e a liberdade; Importância da participação das famílias nas missas na comunidade. Autoridade que Deus concedeu aos pais; Deus quis que depois Dele mesmo, nós honrássemos e amássemos nossos pais, avós, os mais velhos. Falta de respeito, desunião nas famílias. Relacionamento entre pais e filhos. 3. Desenvolvimento do Tema: Explicar que Deus fez uma aliança, um compromisso com seu povo, para que o povo pudesse ser feliz na terra que eles iriam habitar. Deus quer que cada um de nós seja fiel a esses mandamentos para que a nossa vida seja cada vez mais santa. Os Mandamentos que Deus nos dá são para mostrar o caminho da nossa felicidade aqui e no céu. Quem não respeita as leis de Deus acaba fazendo o mal aos outros e a si mesmo. Será sempre infeliz. Ler Ex 20, 1-11 e explicar que os 3 primeiros mandamentos são para o nosso relacionamento com Deus. Ler Lc 24, 1-8 para explicar porque hoje nós guardamos o domingo e não o sábado. Apresentar uma figura de uma família e perguntar o que pensam sobre Família e o que entendem sobre respeitar pai e mãe. Pedir para que eles memorizem os 4 primeiros mandamentos. Repetir a leitura Mt 22, 37-40, feita no encontro anterior, e provoque uma conversa sobre a relação entre a apresentação dos Dez Mandamentos no Antigo e no Novo Testamento. 4. Leitura utilizada: Ex 20, 1-12; Lc 24, 1-8; Mt Ambientação: toalha, bíblia, imagem, cartazes com imagens de famílias. 6. Material utilizado: (1) cartazes com imagens de famílias; (2) pedaços de papel para o catequizando escrever o pedido de perdão. 7. Atividades: orientar as atividades 68

74 8. Momento de oração: Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II Ajude os catequizandos a fazerem um breve exame de consciência a partir dos mandamentos trabalhados no encontro. Em seguida motive-os a escreverem no pedaço de papel os pedidos de perdão daquilo que refletiu. Ajude-os a fazer um propósito de cumprir os mandamentos e cada um deverá rasgar o seu papel e colocar no lixo, simbolizando a ruptura com o pecado e o compromisso de viver melhor os mandamentos em suas vidas. Encerrar com a oração do Pai Nosso. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Apresentamos algumas idéias sobre os quatro primeiros mandamentos, fundamentadas no Catecismo da Igreja Católica: 1º Mandamento: "Eu sou o Senhor teu Deus não terás outro deus além de mim" (Dt 6,13-14). Este mandamento nos conduz a guardar e praticar as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade, como também, a evitar os pecados que a elas se opõem. A fé crê em Deus e rejeita o que lhe é contrário, como, por exemplo, a dúvida voluntária, a incredulidade, a heresia. A esperança é a expectativa confiante da ajuda de Deus, evitando o desespero. A caridade é o amor a Deus sobre todas as coisas. Assim, são rejeitadas, portanto, a indiferença, a ingratidão e o ódio a Deus, o qual nasce do orgulho (cf. CIC ; ). Este mandamento nos convida para: individual e comunitariamente. Prestar o culto devido a Deus Rezar a Deus com expressões de louvor, de ação de graças, de intercessão e de súplica. que fizermos a Deus. Manter as promessas e os votos Procurar conhecer a verdade no que se refere à Deus e à sua Igreja, para assumir e guardá-la fielmente. Renunciar ao politeísmo, à idolatria, à superstição, à irreligião, e ao ateísmo (cf. CIC ; ; ; ; ). 2º Mandamento: "Não invocar o santo nome de Deus em vão" (Ex 20,7; Dt 5,11). Significa que devemos usar o nome de Deus somente bendizendo-o, louvando-o e glorificandoo. Deve-se, pois, ser evitado o abuso de invocar o nome de Deus para justificar um crime, e ainda todo o uso inconveniente do seu nome, como a blasfêmia, que por sua natureza é um pecado grave, as imprecações e a infidelidade às promessas feitas em nome de Deus (cf. CIC ; ). Este mandamento proíbe: o juramento falso, pois assim se chama a Deus, que é a própria Verdade, como testemunha da mentira (cf. CIC ; ); o perjúrio, que significa fazer, sob juramento, uma promessa com intenção de não mantê-la ou de violar a promessa feita sob juramento. Este é um pecado grave contra Deus, que é sempre fiel às suas promessas (cf. CIC ). 3º Mandamento: "Santificar os domingos de festa de guarda" (Ex 20,8-10). Deus abençoou e declarou sagrado o dia de sábado porque recorda o seu repouso no sétimo dia da criação, a libertação de Israel da escravidão do Egito e a Aliança que Deus estabe1eceu com o povo (cf. CIC ; 2189). Jesus reconheceu a santidade do sábado e, com a sua autoridade divina, deu-lhe a sua interpretação autêntica: "0 Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado" (Mc 2,27) (cf. 2173). Mas, a partir de Cristo, Domingo, por 69

75 ser dia da Ressurreição do Senhor, tomou-se para os cristãos o primeiro de todos os dias e de todas as festas: O dia do Senhor, no qual Ele, com a sua Páscoa, leva à realização a verdade espiritual do Sábado judaico e anuncia o repouso eterno do homem em Deus (cf. CIC ; ). Os cristãos santificam o Domingo e as festas de preceito participando na Eucaristia do Senhor. Para isso, deixam de realizar as atividades que os impedem de prestar culto a Deus e perturbam a alegria própria do dia do Senhor, como também, o devido descanso da mente e do corpo. Mas, são permitidas as atividades ligadas às necessidades familiares ou a serviços de grande utilidade social, desde que não criem hábitos prejudiciais à santificação do Domingo, à vida de família e à saúde (cf. CIC ; ). 4 mandamento: "Honrar pai e mãe" (Ex 20,12). Este mandamento nos manda honrar e respeitar os pais e aqueles que Deus, para o nosso bem, revestiu com a sua autoridade (cf. CIC ; ). Remete-nos, também, à valorização da família, na qual se estabelecem relações pessoais e responsabilidades primárias. Em Cristo, a família torna-se igreja doméstica, porque ela é comunidade de fé, de esperança e de amor (cf. CIC ; 2249). Em relação aos pais, os filhos devem respeito (piedade filial), reconhecimento, docilidade e obediência, contribuindo, assim, também com as boas relações entre irmãos e irmãs, para o crescimento da harmonia e da santidade de toda a vida familiar. Se os pais se encontrarem em situação de indigência, de doença, de solidão ou de velhice, os filhos adultos devem-lhes ajuda moral e material (cf. CIC ; 2251). Os pais, participantes da paternidade divina, são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos e os primeiros anunciadores da fé. Têm o dever de amar e respeitar os filhos como pessoas e filhos de Deus e, dentro do possível, de prover as suas necessidades materiais 70 e espirituais. Em particular, têm a missão de educá-los na fé cristã (cf. CIC ). Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol II, Ed. Vozes, 2008 p º Mandamento: SÓ JAVÉ COMO DEUS E NENHUM OUTRO No Egito, na casa da escravidão, a religião dos deuses era usada para reforçar o sistema e o poder do faraó. O faraó fazia grandes imagens, estátuas e templos para dar ao povo a impressão de grande respeito a Deus. Levava o povo a dobrar os joelhos diante do seu poder como se fosse um poder divino. O Primeiro Mandamento pede três coisas: Não ter outros deuses além de Javé; Não fazer imagens; Não dobrar os joelhos diante destes deuses e imagens! (Ex 20,3-5) O primeiro mandamento, manda escolher entre Javé e outros deuses, isto é, entre a liberdade e a opressão, entre a vida e a morte. Quem quer ser da comunidade do povo de Deus, deve aceitar Javé como Deus único e verdadeiro (Dt 6,4-5), pois Javé é um Deus apaixonado pelo povo (Ex 20, 5-6). Quem quer ser do povo de Deus deve romper o sistema do faraó e dos reis que usam a religião como meio para oprimir e explorar o pobre. Jesus pede para romper com o sistema dos falsos deuses: "Ninguém pode servir a dois senhores" (Mt 6,24). Jesus resgatou a imagem verdadeira de Deus que é o próprio ser humano, o próximo, criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,27). Ele mandou amar o próximo e dar a vida pelo irmão (Mt 22,39; Jo 15,13). Há pessoas que para obedecer o primeiro mandamento tiram da parede da casa as imagens ou fotografias. Pensam que assim cumprem o mandamento. Mas o importante é não apoiar o sistema, em nome de um falso deus, que explora e oprime o povo.

76 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 2º Mandamento: "NÃO PRONUNCIAR O NOME DE DEUS EM VÃO" O segundo mandamento completa o primeiro e lhe dá maior força. Ele diz: "Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em vão, porque Javé não deixará sem castigo aquele que pronunciar o seu nome em vão". (Ex 20,7). No Egito, a invocação dos deuses encobria o roubo, a injustiça, as mordomias, as mentiras. Diziam que era o "direito dos reis" (1Sm 8,11-18). O nome de Deus é Javé. Deus o revelou no momento em que começou a libertar o povo do Egito. (Ex 3,13-15). Javé quer dizer: Emanuel, Deus-conosco, presença libertadora. É o resumo da garantia dada a Moisés na sua missão de libertar o povo: "Eu estarei com você!" (Ex 3,12). Jesus é Emanuel, o Deus-conosco (Mt 1,23). Ele é a nova maneira de Deus estar presente no meio de nós para realizar a libertação (Lc 4,18-19). "Por causa do seu nome, ele guia o povo por bons caminhos" (Sl 22,3). Quem tem a coragem de levar a sério o nome de Javé, terá a certeza da sua proteção e da sua libertação (Sl 90,14). Depois da ressurreição, Jesus recebeu um novo Nome que está acima de todo Nome (Fl 2,9). O Nome de Jesus é o SENHOR (Fl 2,11; At 2,36). Mas, não basta dizer: "Senhor! Senhor!" É preciso praticar a vontade do Pai (cf. Mt 7,21), viver o seu Projeto. 3º Mandamento: LEMBRA-TE DE OBSERVAR O SÉTIMO DIA, O DIA DE JAVÉ" O terceiro mandamento trata da observância do dia de descanso, ou dia do sábado. Sábado quer dizer "sétimo dia". Nós costumamos falar em "santificar os domingos e os dias santos de guarda". O texto da Bíblia diz: "Trabalharás durante seis dias, e neles farás todas as tuas obras. O sétimo dia, porém, é o sábado de Javé, teu Deus! Nele não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está nas tuas portas. Porque em seis dias Javé fez o céu, a terra, o mar, e tudo que eles contém, mas repousou no sétimo dia. Por isso, Javé abençoou o dia do sábado e o santificou" (Ex ). Será que o terceiro mandamento é só para não trabalhar e ir à Igreja? Também o terceiro mandamento foi dado para impedir que a escravidão voltasse a oprimir o povo. O povo tinha que trabalhar e produzir, sem descanso (Ex ). O faraó não queria dar licença para o povo celebrar e fazer festa (Ex ). Mais tarde, na escravidão da Babilônia, o povo gritava: "Somos empurrados com a canga no pescoço, estamos esgotados pelos trabalhos forçados, oprimidos em dura escravidão" (Lam 5.5). O povo valia apenas pelo trabalho que fazia, enriquecendo o faraó. Não valia como gente. Por causa deste sistema errado, o povo vivia abatido (Ex 5,14), era chamado de preguiçoso (Ex 5,17). O grito do povo chegou aos ouvidos de Deus e Ele libertou o povo. Para impedir que o mesmo sistema desumano voltasse, esse mandamento foi dado para que a comunidade criasse uma nova mentalidade de não explorar o trabalho do irmão. "Recorda que foste escravo na terra do Egito, e que Javé, teu Deus, te fez sair de lá com mão forte e braço estendido. 71

77 É por isso que Javé, teu Deus, te ordenou guardar o dia do sábado!" (Dt5,15). Ao celebrar o sábado, a comunidade deve também se lembrar das maravilhas que Javé realizou. Deve ser uma esperança de libertação, força na luta e na alegria de ser conduzida pelo poder de Deus e pelo trabalho dos homens. Mas, este mandamento não é observado, porque o trabalhador no dia de descanso, muitas vezes, precisa trabalhar para dar comida aos seus filhos. E muitos não celebram, na comunidade, a esperança de libertação e as maravilhas de Deus. 4º Mandamento: "HONRAR PAI E MÃE PARA TER LONGA VIDA NA TERRA" O quarto mandamento inclui uma promessa para aquele que o observar. Ele diz: "Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem teus dias na terra que Javé, teu Deus, te dá!" (Ex 20,12). Qual é o sentido deste mandamento? O texto da Bíblia é claro: todos são obrigados a honrar pai e mãe. Mas em que sentido este respeito pelos pais pode contribuir para prolongar a permanência do povo na terra que ele vai conquistar? Os egípcios também diziam aos filhos: "Honra teu pai e tua mãe!" Quando hoje dizemos "honra teu pai e tua mãe", pensamos nas famílias em que nascemos. Famílias relativamente pequenas: pai, mãe e filhos. Cada uma delas vive a sua vida, independente da outra. Na Bíblia, porém, a família era mais ampla. Era o que hoje chamamos a "grande família patriarcal". Era um conjunto de várias outras famílias que moravam no mesmo lugar e que eram unidas entre si por laços de parentesco. Várias famílias formavam um clã. Vários clãs formavam uma tribo. A "família" daquele tempo correspondia ao nosso povoado, hoje. Dentro da sociedade, ela exercia a função que hoje está começando a ser exercida pelas comunidades. Assim, "honrar pai e mãe" era não só respeitar os pais, mas era também respeitar a autoridade dos "pais" da comunidade. No Novo Testamento, Jesus reforça o poder das comunidades. Em caso de algum abuso ou crime, ele diz, deve-se procurar resolver o caso no grupo menor possível! Se isto não der certo, deve-se apelar para a "Igreja" isto é, para a "comunidade". E aquilo que a comunidade decidir fica decidido pelo próprio Deus! (Mt 18,15-18). Por tudo isso, o renascimento das comunidades em fase de organização no Brasil e na América é uma semente de esperança para o surgimento de uma sociedade menos opressora e mais fraterna, do jeito que Deus quer. Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Ed. Paulus, P. 100 a

78 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 1. Objetivos: 19º ENCONTRO: MANDAMENTOS: DIGNIDADE À VIDA (5º, 7º e 10º) Reconhecer a dignidade da vida humana. Assumir a defesa da vida no dia a dia. Reconhecer que somos muito importantes no plano de amor de Deus, que nos criou para sermos felizes e vivermos como pessoa e não como objeto. 2. Conteúdo do Encontro: Respeitar e valorizar a santidade da vida, por isso proíbe o atentado contra a vida. Identificar os sinais de morte em nossa sociedade. Não se mata só com armas, mas através dos sentimentos, das palavras: ódio, raiva, vingança, mentira, desprezo, exclusão social. Atitude de respeito em relação à propriedade alheia. Ambição, cobiça desregrada dos bens dos outros e a inveja, que consiste na tristeza que se experimenta perante os bens alheios e o desejo exagerado de se apoderar deles. 3. Desenvolvimento dotema: Recordar os Mandamentos estudados até agora. Preparar algumas perguntas sobre os Mandamentos e colocar em uma caixinha. Rodar a caixa entre os catequizandos batendo palmas. Ao parar de bater palmas, quem está com a caixa tira uma pergunta e responde. Colocar também algumas perguntas sobre os Mandamentos que dizem respeito à dignidade da vida. A vida é sagrada e desde o seu início e ninguém pode destruir um ser humano, pois é um ato gravemente contrário à dignidade da pessoa e à santidade do Criador. Respeito dos bens alheios, mediante a prática da justiça e da caridade, da temperança e da solidariedade. Significado da palavra cobiça. Retomar a importância de ter como propósito procurar viver no dia a dia os Mandamentos de Deus. Pedir que memorizem os Mandamentos. 4. Leitura utilizada: Gn 1, 26; Am 8, 4-8; Mt 6, 19-23, Sl 119[118], Ambientação: toalha, bíblia, vela acesa, cartaz com imagem de Jesus. 6. Material utilizado: cartazes e frases ou notícias de assassinatos, roubos etc; cartaz com imagem de Jesus; tiras de papel com os versículos do salmo 7. Atividades: orientar as atividades 8. Momento de oração: Coloque em evidência a imagem de Jesus e num recipiente sobre a mesa, os versículos do salmo, ao lado da Bíblia e da vela acesa. Organize a turma círculo em volta da Bíblia e da imagem de Jesus e diga que Ela vai rezar o salmo conosco. Peça que cada catequizando retire um versículo e proceda a leitura. Após a leitura conduzir um breve momento de agradecimento a Deus pelo conteúdo aprendido neste encontro. 73

79 APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA 5º Mandamento: "Não matar" (Ex 23,7). A vida é sagrada e desde o seu início supõe a ação criadora de Deus, por isso permanece para vegetais e animais que há no universo, com especial atenção para com as espécies ameaçadas de extinção (cf. CIC 2407; ). sempre numa relação especial com o Criador, seu Para maior fundamentação sobre a único fim. A ninguém e lícito destruir um ser humano, pois é um ato gravemente contrário à dignidade da pessoa e à santidade do Criador (cf. distribuição universal e a propriedade privada dos bens ler: CIC º Mandamento: "Não cobiçar as coisas CIC ; ). Assim, alheias" (Ex 20,17). explicitamente, este mandamento proíbe: Este mandamento completa o 9º O homicídio direto, voluntário e a mandamento e exige uma atitude interior de cooperação nele. respeito em relação à propriedade alheia. Proíbe a O aborto direto, querido como fim ou ambição, a cobiça desregrada dos bens dos outros como meio, e também a cooperação nele. e a inveja, que consiste na tristeza que se A eutanásia direta, que consiste em por experimenta perante os bens alheios e o desejo fim a vida de pessoas com deficiências, doentes ou moribundas, mediante um ato ou omissão de uma ação devida. exagerado de se apoderar deles (cf. CIC ; ). O maior desejo do homem deve consistir em O suicídio e a cooperação voluntária nele ver a Deus. Ele não deve desviar-se em bens (cf. CIC ; ). materiais, efêmeros (cf. CIC ; 2557). Deve-se combater igualmente as ações que Jesus solicita de seus discípulos o provocam a morte das pessoas aos poucos, como desprendimento das riquezas - segundo o espírito as ações de exclusão social, de desrespeito, que da pobreza evangélica - e o abandono à propagam a imoralidade e expõem a vida das providência de Deus, que nos liberta da pessoas ao risco de morte. Deve-se cuidar também da "morte do espírito", pelo pecado em todos os sentidos. 7 Mandamento: "Não roubar" (Ex 20,15). preocupação pelo amanhã, preparam-nos para a bem-aventurança dos "pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus" (Mt 5,3) (cf. CIC ; 2556). O sétimo mandamento proíbe o furto que é apoderar-se do bem alheio contra a vontade do seu proprietário. É o que também acontece no pagamento de salários injustos; na especulação sobre o valor dos bens para obter vantagens com prejuízo para os outros; na falsificação de cheques ou faturas... (cf. CIC ; ). O sétimo mandamento prescreve o respeito dos bens alheios, mediante a prática da justiça e da caridade, da temperança e da solidariedade. Em particular, exige o respeito das promessas e dos contratos estipulados; a reparação da injustiça cometida e a restituição do mal feito; o respeito pela integridade da criação mediante o uso prudente e moderado dos recursos minerais, Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol II, Ed. Vozes, 2008 p. 83, º Mandamento: NÃO MATARÁS O quinto mandamento, é muito importante: defende o direito à vida. Todas as pessoas têm direito à vida. E todo aquele que desrespeitar o direito do outro à vida, e o matar de propósito, este já não merece viver: "Quem ferir o outro e causar a sua morte, será morto." (Ex 21,12). Diz outro texto: "Quem derramar o sangue do homem, pelo homem terá seu sangue 74

80 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II derramado. Pois à imagem de Deus o homem foi criado." (Gen 9,6). A vida é o maior dom de Deus. Ela deve ser respeitada como se respeita a imagem do próprio Deus. Por isso, a vida deve ser respeitada e protegida desde a concepção. Um atentado contra a vida é como um atentado contra Deus! Este respeito pela vida aparece, concretamente, na organização da comunidade que se formou no deserto, após a saída do Egito. Por isso diz o mandamento: "Não matarás" (Ex 20,13). O povo começou a realizar esta difícil tarefa, criando leis para educar os seus filhos no respeito à vida. O objetivo das leis não era a defesa dos interesses dos grandes, como fazia o faraó, mas era a defesa do direito à vida dos fracos (Ex 22, 20-26). Foi um longo processo de erros e falhas. O povo libertado não tinha as idéias bem claras. Eles misturavam o respeito a vida com o ódio aos inimigos e com o desejo de vingança. Identificavam a vontade de Javé com a lei que dizia "olho por olho, dente por dente". Usavam os métodos do faraó para impor aos outros a sua fé no Deus que escuta o clamor dos oprimidos. Por isso, cometeram injustiças, praticaram muitos crimes. Vagarosamente foram entendendo o que significava a vida. Algumas vezes, o ensinamento da escola do faraó chegou a voltar, dando-lhes sentimentos pagãos. O sistema de morte voltou a dominar a vida do povo, principalmente depois que o povo pediu um rei (1Sm 12, 6-25). No fim, depois de quase dois mil anos de caminhada, depois de muitas denúncias por parte dos profetas, depois de uma longa e dolorosa educação, Jesus veio revelar ao povo o verdadeiro sentido do quinto mandamento. Ele disse: "0uvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás! Aquele que matar terá que responder em juízo. Eu, porém, vos digo: aquele que se encolerizar contra o seu irmão, terá que responder em juízo." (Mt 5, 21-22). Conforme Jesus, só observa plenamente esse mandamento quem arrancar de dentro de si tudo aquilo que pode levar ao assassinato: raiva, xingamento, maldição (Mt 5, 22), chegando à plenitude do amor a Deus e ao próximo (Mt 22,34-40). Jesus ajudou o povo a ver os erros do passado e a ter respeito pela vida. Pede que se combata a vingança pelo perdão (Mt 18,22). Deu exemplo, perdoando aqueles que o mataram (Lc 23,34). Criticou a mentalidade que dizia: "Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo" (Mt 5,43). Manda amar também os inimigos e rezar pelos que nos perseguem (Mt 5,44). Pela sua vida e palavra, Jesus mostrou o objetivo desse mandamento: "Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância" (Jo 10,10). Jesus observou esse mandamento, respeitando a vida. Escutava o clamor do povo abandonado, doente, pobre, faminto, pecador, marginalizado e condenado. Ele se opôs ao sistema de morte, montado pelos fariseus e sacerdotes daquele tempo, mas perdoou e acolheu o assassino que, com ele, estava pregado na cruz! Ele foi condenado pelo sistema de morte e morreu como um pobre, gritando e clamando ao Deus da vida (Me 15,37). A sua fé está no Deus dos vivos e não no deus dos mortos (Mt 22,32); de um Deus que escuta o clamor dos pobres. Jesus venceu a morte, venceu o mundo (1Jo 5,4) e Deus o ressuscitou! Jesus mostrou que o caminho para chegar à observância perfeita do quinto mandamento é imitar o próprio Deus (Mt 5,44-45,48), que é Deus da vida! 7º Mandamento: "NÃO ROUBAR" Aqui vale a pena repetir o título dos Dez Mandamentos: "Eu sou Javé, teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da escravidão. Por isso: não furtarás". Mas também no Egito era proibido roubar. Os ladrões eram presos como em qualquer 75

81 outra sociedade. Desta maneira, o faraó até confirmava a legitimidade do seu sistema. Pois, prendendo e castigando os ladrões, ele dava segurança aos seus súditos. Em que ponto, então, o sétimo mandamento significava uma libertação da "casa da escravidão"? O sistema do faraó e dos reis de Canaã era baseado no roubo. O faraó e os reis podiam tomar as terras, os animais, os produtos, os empregados, os filhos e as filhas do povo. Era um "direito do rei", reconhecido por lei (1Sam 8,11-18). E por isso, tais atitudes do faraó e dos reis não eram consideradas como roubo. Como exemplo, o Rei Salomão chegou a ter uma renda anual de 666 talentos de ouro (1Reis 10,14). São mais de 22 toneladas de ouro! Chegou a empregar, em trabalhos forçados na construção do templo, mais de operários (1Reis 5, 13-16; ou 1 Reis 5, 27-30). Era dono de uma frota de navios (1Reis 9, 26-28; 10, 22). No seu palácio, os pratos, os copos e os talheres eram de ouro puro (1Reis 10,21). Ele tinha 1400 carros e cavaleiros (1Reis 10, 26). Diariamente, recebia litros de flor de farinha e litros de farinha comum, 10 bois cevados e 20 bois de pasto, além de outras coisas, dadas pelos prefeitos, nomeados por ele, no país inteiro (1Reis 4, ; ou 1 Reis 5, ). No entanto, nunca ninguém o chamou de ladrão, pois era um direito que a lei lhe dava. Da mesma maneira o faraó roubava as terras, não pagava salário, roubava a força física do povo. Este roubo tão grande arrancava o clamor da boca do povo e fazia o povo chorar de angústia (Ex 3, 7). Este roubo não era castigado, nem era chamado de roubo. Mas Deus o observou, o examinou, percebeu as conseqüências e, na sua lei, ele decretou: "Não furtarás." (Ex 20,15). Por esse decreto Deus não se dirige a uma pessoa isoladamente, mas ao próprio povo. Ele deseja uma nova organização que não seja baseada no roubo legitimado por lei. Também havia leis para impedir os roubos pequenos (Ex 22,1-15). 76 O povo queria uma sociedade onde a segurança fosse total, e onde cada um fosse respeitado nos meios de vida que possuía. Uma sociedade assim dava tranquilidade e favorecia a convivência e a confiança mútua. A observância deste mandamento ajudava o povo a evitar o acúmulo de bens e a explorar o irmão. Ele fazia entender que a Providência Divina passa pela organização fraterna e justa do povo. 10º Mandamento: NÃO COBIÇAR O QUE PERTENCE A TEU PRÓXIMO O último mandamento ataca e combate a ganância e a cobiça. A ganância do faraó era grande. Ele era imitado pelos reis de Canaã. Basta lembrar a ganância do rei Salomão. Quando o profeta Samuel, velho já, encerrou a sua carreira de chefe e Juiz, ele prestou contas de sua gestão e mostrou que nunca tinha sido ganancioso (1Sm 12,3-5). Samuel era obrigado a prestar contas, a submeter-se à crítica do povo. Depois de Samuel vieram os reis (1Samuel 12,1-2). Os reis nunca prestaram contas ao povo. Imitando o faraó e os outros reis, eles começaram a acumular, levados pela ganância. Davi foi ganancioso (2Sm 12,1-15) e Salomão o imitou e o superou! Por isso, não adiantava proibir o roubo, se não se combatia também a ganância que produz o roubo. Assim, o último mandamento ataca a raiz da opressão, combate a sua causa mais profunda: "Não cobiçarás nada do que pertence a teu próximo". Esta lei é para impedir que o sistema da escravidão volte a reinar e a dominar o povo. Ela defende o direito que os pequenos têm de possuir o necessário para viver. Os primeiros cristãos conseguiram realizar este ideal durante algum tempo. Em vez de cobiçar e acumular, vendiam seus bens e dividiam o produto entre os necessitados (At 4,32-35). Mas, quando São Tiago escreve sua carta, anos mais tarde, a situação já não era assim.

82 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II Ele condena violentamente os ricos que se enriqueciam à custa dos pobres sem defesa. São Tiago diz aos ricos: "Vocês condenaram o justo e o mataram, porque ele não oferecia resistência" (Tg 5,6). A fraqueza, sem defesa do pobre, suscita e aumenta a ganância e a prepotência impune dos ricos. Por isso, o último mandamento conclama o povo oprimido, que acabava de sair da escravidão, a se organizar de maneira diferente. Só assim teria poder para impedir que a ganância tornasse a se infiltrar na cabeça do povo. Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Ed. Paulus, p

83 20º ENCONTRO: MANDAMENTOS: DIGNIDADE À VIDA (6º, 8º e 9º) 1. Objetivos: Descobrir a importância dos Mandamentos da Lei de Deus como proposta de vida para amar o próximo seguindo a sua vontade. Saber rezar os Dez Mandamentos para poder vivê-los, pois são Palavras de Vida. Valorizar a verdade e o cultivo de verdadeiras amizades a exemplo de Jesus. Compreender a sexualidade como uma dimensão para o ser humano viver o amor. 2. Conteúdo do Encontro: Deus criou o ser humano como homem e mulher, com igual dignidade pessoal e inscreveu nele a vocação ao amor e à comunhão. Comentar quais atitudes estão contra o sexto e nono mandamento. Conversar sobre a família. Falar sobre o sexo, sobre o relacionamento homem e mulher. Deus não fez o homem e a mulher para ficar sozinho. Ele fez o homem para que um ajudasse o outro, por isso é natural que o homem e a mulher gostem de ficar juntos. Eles precisam um do outro e desejam formar uma família. Nós nos comunicamos com o outro com todos os nossos sentidos (falando, ouvindo); comunicamo-nos também através do sexo. O diálogo com o corpo só é sincero se há respeito entre o homem e a mulher. Nunca considerar o corpo do outro como um objeto. Lembrar sempre que cada pessoa é Templo onde mora Deus, á casa de Deus. A falsidade e hipocrisia são as atitudes que Jesus mais condena, porque vem do orgulho e matam a amizade entre as pessoas. 3. Desenvolvimento do Tema: Apresentar vários cartazes de casais e deixar que falem sobre eles. Perguntar o que entendem por sexualidade. Em nossa sociedade muitas vezes a sexualidade está banalizada, a falta de valores, a dificuldade de viver valores que são contrários ao que a maioria das pessoas pensa. Nosso mundo entende sexo como valor em si mesmo. Está desvinculado do compromisso com o outro. Muitos pensam no outro como um objeto. A sexualidade deve nos ajudar a ser mais gente, a ser mais feliz. A força da graça de Deus na sexualidade. Deus quer que as pessoas cuidem bem da própria vida e da vida dos outros. O 8º Mandamento nos ensina a ser leais e sinceros. Jesus não gosta daqueles que por fora são de um jeito e por dentro de outro. A falsidade prejudica a nós mesmos. Um pecado grave é a calúnia. Caluniar uma pessoa é falar coisas dela sem saber se é verdade. Jesus pede que não julguemos ninguém. 4. Leitura utilizada: Ef 5, 31-33; Ef 5, 25-28; Mt 5, Ambientação: toalha, bíblia, imagem. 6. Material utilizado: Figuras de casais, felizes e infelizes. 7. Atividades: orientar as atividades 78

84 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 8. Momento de Oração: Escrever a oração pedida na apostila. Depois cada um deverá rezá-la em silêncio, fazendo com Jesus o compromisso de ser sempre sincero e puro de coração. Encerrar com a oração do Pai Nosso. 6 Mandamento: "Não cometer o adultério" (Ex 20,14). Este mandamento revela que Deus criou o ser humano como homem e mulher, com igual dignidade pessoal, e inscreveu nele a vocação ao amor e à comunhão. Compete a cada um aceitar a sua identidade sexual, reconhecendo a sua importância para a pessoa toda, como também, o valor da especificidade e da complementaridade (cf. CIC ; ). Embora no texto bíblico se leia "não cometerás adultério" (Ex 20, 14), a Tradição da Igreja segue interpretando todos os ensinamentos morais do Antigo e Novo Testamento, e considera que o sexto mandamento engloba todos os pecados contra a castidade. Por castidade entende-se a integração positiva da sexualidade na pessoa. A sexualidade torna-se verdadeiramente humana quando é bem integrada na relação pessoa a pessoa. A castidade é uma virtude moral, um dom de Deus, uma graça, um fruto do Espírito (cf. CIC ). 8º Mandamento: "Não levantar falso testemunho" (Ex 20,16). O oitavo mandamento proíbe: O falso testemunho, o perjúrio e a mentira, cuja gravidade se mede pela natureza da verdade que ela deforma, das circunstâncias, das intenções do mentiroso e dos danos causados às vítimas. O juízo temerário, a maledicência, a difamação, a calúnia, que lesam ou destroem a boa reputação e a honra a que a pessoa tem direito. A lisonja ou adulação, se a sua finalidade for a realização de pecados graves ou a obtençãoo de vantagens ilícitas. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA O oitavo mandamento requer o respeito à verdade, acompanhado pela discrição da caridade: na comunicação e na informação, que devem assegurar o bem pessoal e comum, a defesa da vida particular e o perigo de escândalo; na reserva dos segredos profissionais, que se devem sempre manter, salvo em casos excepcionais, por motivos graves e proporcionados. Exige-se também o respeito pelas confidências feitas sob o sigilo do segredo (cf. CIC ; ). Uma culpa contra a verdade exige a reparação, quando se ocasionou dano a outrem. Ler sobre isto em CIC ; º Mandamento: Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos (Não desejar a mulher do próximo)" (Ex 20,17). O nono mandamento nos faz compreender que a pureza exige o pudor, que, preservando a intimidade da pessoa, exprime a delicadeza da castidade e orienta os olhares e os gestos em conformidade com a dignidade das pessoas e da sua comunhão. Ela liberta do erotismo difuso e afasta de tudo aquilo que favorece a curiosidade mórbida. Requer uma purificação do ambiente social, mediante uma luta constante contra a permissividade dos costumes, que assenta numa concepção errônea da liberdade humana (cf. CIC ; 2533). O nono mandamento proíbe cultivar pensamentos e desejos relativos às ações proibidas pelo sexto mandamento (cf. CIC ; ). Complemente seu conhecimento sabre este mandamento lendo CIC ; Fonte: Crescer em Comunhão, Livro do Catequista, Vol. II, Ed. Vozes, 2008 p

85 6º Mandamento: "NÃO COMETERÁS ADULTÉRIO" No sexto mandamento, a lei de Deus mostra a sua profundidade e a sua importância. A mudança que ela quer realizar na sociedade é radical e total. O relacionamento deve ser um relacionamento de amor e de fraternidade. Não basta que se criem relacionamentos de igualdade no campo político, econômico e social. O relacionamento de igualdade deve penetrar no núcleo mais íntimo da vida humana que é o relacionamento homem-mulher, no casamento. É o passo concreto que a lei de Deus dá no sexto mandamento: "Não cometerás adultério". Este mandamento não faz distinção entre homem e mulher. Tanto ao homem como à mulher, não é permitido trair o seu companheiro. Na realidade, a mulher levou desvantagem frente ao homem na aplicação concreta deste mandamento. Dava-se mais liberdade ao homem do que à mulher. No NT, Jesus retoma o ideal que Deus tinha em mente quando deu o sexto mandamento: "Ouvistes que foi dito: Não cometerás adultério". Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já cometeu adultério com ela em seu coração" (Mt 5,27-28). Naquele tempo, o divórcio era facilitado. Por qualquer motivo o homem podia mandar embora a sua esposa. Jesus diz: "Não lestes que desde o princípio o Criador os fez homem e mulher?" (Mt 19,4). E ele proibiu que a esposa fosse repudiada. Quem repudiava sua esposa e casava com outra mulher, cometia adultério e era motivo para que a sua esposa também cometesse adultério (Mt 5,31-32; 19,4-9). Esta palavra de Jesus impressionou os apóstolos, que disseram: Se é assim a condição do homem em relação à mulher, então não vale a pena casar-se!" (Mt 19,10). Isto é um sinal de que Jesus limitou a liberdade do homem frente a mulher. 80 Ele quis restabelecer a igualdade. O sexto mandamento foi reduzido à pratica da castidade, num esforço de respeitar o próprio corpo. A Bíblia quer mais do que isto. Ela quer que seja respeitada a imagem de Deus no ser humano, no respeito mútuo, sem nenhum domínio. Mas, motivado pelo crescimento igual e harmonioso do homem e da mulher, acabando com uma das raízes mais profundas do sistema de opressão que é a dominação da mulher pelo homem. É um desafio! 8º Mandamento: "NÃO DIRÁS FALSO TESTEMUNHO" Deus declara ao grupo de Moisés: "Eu sou Javé, Deus, que te fez sair do Egito, da casa da escravidão. Por isso: não dirás falso testemunho contra teu irmão! (Ex 20,2.16). Este mandamento quer dizer o seguinte: 1. Não imitar o exemplo dado pelo sistema corrupto e ter a coragem de defender o irmão, sobretudo o pobre, nos tribunais da justiça. 2. Lutar para criar uma nova organização na qual seja possível todos conseguirem os seus direitos na justiça. E que já não seja possível alguém levantar contra o seu irmão. No código da aliança, a Bíblia dá uma série de normas como fazer isto concretamente (Ex 23,1-9). Além disso, o que se quer promover com a observância deste mandamento é que o amor à verdade se torne novamente a base do relacionamento entre as pessoas. Sem o amor à verdade, a possibilidade de diálogo é destruída na sua raiz e a convivência social se torna impossível. Jesus veio revelar esta intenção do Pai. Ele disse: Que o vosso sim, seja sim, e o vosso não, seja não! (Mt 5, 37). A organização igualitária do povo em comunidades fraternas não é só questão de economia e de política.é também uma questão de conversão sincera de cada um à verdade. A

86 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II verdade vos libertará! (Jo 8, 32). Aqueles que caminham e lutam com Javé por uma nova sociedade devem praticar o amor à verdade. Assim renovam a sociedade a partir de sua base e criam condições para uma nova justiça; A sociedade garante a justiça social. Quando realiza as condições que permitem às associações e ao indivíduo obter o que lhes é devido, segundo a sua natureza e vocação. A justiça está ligada ao bem comum e ao exercício da autoridade (CIC 1928) 9º Mandamento: NÃO DESEJAR A MULHER DO PRÓXIMO A Bíblia diz: "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não desejaras a sua mulher, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença a teu próximo". (Ex 20, 17) O nono mandamento está dividido em dois. Por isso temos dez mandamentos. O nono proíbe desejar a mulher do próximo. O décimo proíbe desejar a propriedade alheia. Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Ed. Paulus, 2003 p. 106, Para nós, hoje, o nono mandamento diz: "Não desejar a mulher do próximo". 81

87 1. Objetivos: 1º TEMA EXTRA: QUARESMA E CAMPANHA DA FRATERNIDADE Refletir o que é quaresma e como o cristão vive este período. Refletir sobre o tema e lema da Campanha da Fraternidade Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde. (Objetivo Geral de CF-2012). 2. Conteúdo do Encontro: Criar um quadro com os 40 dias da quaresma, incluindo o dia da Páscoa. Distribuir pedaços de folhas coloridas (15 cm X 10 cm) para os catequizandos, que deverão dobrar ao meio. Colar os pedados dos papéis em um papel cartão, colocando os quarenta dias da quaresma. 3. Desenvolvimento do Tema: Ler com os catequizandos o texto da apostila, explicando passo a passo sobre a Quaresma. Fazer em conjunto com a classe o registro da semana escrever em cada quadrinho uma atitude, uma boa ação que deverá ser feita naquele dia, durante a quaresma. Combinar em cada encontro as ações da semana. Para explicar sobre a fraternidade, a solidariedade, contar a história A pomba e a formiga. Às margens de um riacho cristalino, uma pomba bebia água, quando viu uma formiga no meio da correnteza. Em vão a formiga se esforçava par alcançar a margem. Então, a pomba jogou na água um raminho de mato, e a formiga conseguiu agarrar e se salvar. Nesse mesmo tempo, passava um caçador que, ao ver a pomba, pensou em abatê-la. Ficou imaginando o belo prato de pomba assada. Quando se preparava para atirar, sentiu uma picada no calcanhar. O caçador abaixou-se para ver o que o tinha picado. Era a formiga, a mesma que tinha acabado de ser salva pela pomba! Bem depressa, a pomba aproveitou para fugir da mira do caçador. Quando este olhou de novo para o rio, seu almoço tinha desaparecido. Comentar a história: Quando é que eu ajo do mesmo jeito que a formiga? Quando é que sou pomba? Quando sou caçador? Quem foi solidário e fraterno? A cada ano a Campanha da Fraternidade faz importantes reflexões sobre alguma problemática que aflige nossa sociedade. Neste ano a CF nos convida a pensar na SAÚDE PÚBLICA. (mostrar o cartaz) Tema: Fraternidade e Saúde Pública Lema: Que a saúde se difunda sobre a Terra. A Campanha da Fraternidade de 2012 mobiliza os catequizandos a contemplarem a vida como um dom de Deus e para a compreensão de que o cuidado com a saúde depende de uma alimentação 82

88 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II saudável, da prática de esportes, das ações de prevenção, do cuidado com o corpo, a mente e o espírito. 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia Lc 10, Ambientação: toalha, flores, bíblia, imagem cartaz da Campanha da Fraternidade. 6. Material utilizado: Apostila, bíblia, cartaz da CF-12, cartolina e folhas cortadas 7. Atividades: orientar as atividades 8. Momento de Oração: Rezar a oração da Campanha da Fraternidade (na apostila). QUARESMA SEG TER QUA QUI SEX SAB DOM 22/02 23/02 24/02 25/02 26/02 27/02 28/02 29/02 01/03 02/03 03/03 04/03 05/03 06/03 07/03 08/03 09/03 10/03 11/03 12/03 13/03 14/03 15/03 16/03 17/03 18/03 19/03 20/03 21/03 22/03 23/03 24/03 25/03 26/03 27/03 28/03 29/03 30/03 31/03 01/04 02/04 03/04 04/04 05/04 06/04 07/04 08/04 19/03 Boas atitudes da semana 83

89 2º TEMA EXTRA: QUARESMA E CAMPANHA DA FRATERNIDADE 1.. Objetivos: Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde. (Objetivo Geral de CF-2012). 2. Conteúdo do Encontro: Explicar o que é Quaresma e como se vive este tempo. Explicar o que é a Campanha da Fraternidade, o tema e lema da CF-2012 e como vivenciar a Campanha na família e na vida. 3. Desenvolvimento do Tema: Fazer em conjunto com a classe o registro da semana escrever em cada quadrinho uma atitude, uma boa ação que deverá ser feita naquele dia, durante a quaresma. Utilizar uma das dinâmicas propostas no Apêndice no final da Apostila de acordo com a idade de seus catequizandos. Para explicar sobre a fraternidade, a dignidade da pessoa humana e a cidadania, contar a história A águia e a galinha. Era uma vez um camponês que pegou um filhote de águia e o colocou no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas, embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros. Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista e, enquanto passeavam ele viu á águia e disse: Esse pássaro aí não é galinha, mas uma águia. De fato disse o camponês. É águia, mas eu criei como galinha. Não retrucou o naturalista. Ela é, e sempre será uma águia. Pois tem coração de águia. Esse coração a fará um dia voar às alturas. Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse: Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não a terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou: Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha! Não tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente. Por mais uma vez ele experimento e a águia voltou para junto das galinhas. No dia seguinte, o naturalista pegou a águia e a levou para o alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto, na direção do sol e ordenou-lhe: Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não a terra, abra suas asas e voe! A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida, mas o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte. Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou e ergueu-se, 84

90 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II soberana, sobre si mesma. E começou a voar, voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento... (Leonardo Boff) Comentar a história: Como será que Deus nos criou? Somos águias ou galinhas? Ou será que somos as duas juntas? É possível viver a condição galinha, satisfatoriamente nos dias de hoje? Como a condição águia pode ajudar para termos mais qualidade de vida? Pense: Características que predominam em cada condição: 1. Galinha: alimentação, moradia, ir à escola, praticar esportes, hábitos de higiene, trabalho, cuidado com o meio ambiente (mostrar figuras para ilustrar) 2. Águia: capacidade de amar, a busca por Deus, amor ao próximo, superar dificuldades, coragem para arriscar, persistência, sinceridade, realizar a vocação, buscar a felicidade. 3. Reflexão: Observando a águia e a galinha, o que concluímos? Agimos, somos apenas como uma delas? Ou as duas condições são essenciais para a realização humana? 4. Concluir: cada pessoa tem dentro de si uma águia. Busca as alturas, o sol; foi feita para grandes ideais e os grandes sentimentos. Muitas vezes, porém, fica presa a coisas como uma galinha ciscando no galinheiro. Não nascemos só para cuidar de comida, roupa... As duas condições são essenciais para a realização humana. Criados à imagem e semelhança de Deus, temos que buscar sempre a perfeição, a nossa conversão, mas sempre sabedores de nossa pequenez. A cada ano a Campanha da Fraternidade faz importantes reflexões sobre alguma problemática que aflige nossa sociedade. Neste ano a CF nos convida a pensar na SAÚDE PÚBLICA. (mostrar o cartaz) Tema: Fraternidade e a Saúde Pública Lema: Que a saúde se difunda sobre a Terra. Ler Lc 10, A parábola do Bom Samaritano Comentar que o cartaz atualiza este encontro do Bom Samaritano com o doente que necessita de cuidado. A mão do profissional da saúde, segurando as mãos da pessoa doente, afasta a cultura da morte e visibiliza a acolhida entre irmãos (o próximo). A cruz recorda a salvação que Jesus Cristo nos conquistou. A alegria do encontro recorda aos profissionais da saúde que foram escolhidos para atualizarem a atitude do Bom Samaritano em relação aos enfermos, para possibilitar atendimento digno, para que a saúde se difunda sobre a Terra. Todos os seres humanos são irmãos porque são filhos de Deus. Ser irmão é ser fraterno. Como irmãos, precisam se ajudar uns aos outros. Isso é fraternidade. A Campanha da Fraternidade é um tempo para crescer na fé e sermos solidários com os irmãos. Este ano a Campanha deseja sensibilizar a todos a dura realidade de irmãos e irmãs que não têm acesso à assistência de Saúde Pública condizente com suas necessidades e dignidade. É uma realidade que clama por ações transformadoras. A conversão pede que as estruturas de morte sejam transformadas. A Igreja, nessa quaresma, à luz da Palavra de Deus, deseja iluminar a dura realidade da Saúde Pública e levar os discípulos-missionários a serem consolo na doença, na dor, no sofrimento e na morte. E, ao mesmo tempo, exigir que os pobres tenham um atendimento digno em relação à saúde. 85

91 O samaritano faz o papel de Jesus, movido pela compaixão diante de um acontecimento da vida, do dia a dia. O desafio para fazer o bem surge quando menos se espera. Jesus pede que olhemos para a realidade, para a vida. Com sua graça, vamos converter nossa vida procurando Ter em nós os mesmos sentimentos que animavam Jesus. (Fl 2,5). É hora de assumir compromisso, ver o que o texto nos leva a viver. O Evangelho de Lucas nos mostra que nem todos que conhecem a Bíblia são os que a praticam, são os melhores exemplos. Que compromisso vou assumir, qual gesto concreto essa parábola despertou em mim? Como vou ser o próximo de pessoas que precisam de ajuda? 4. Leitura utilizada: da própria apostila, da bíblia Lc 10, Ambientação: toalha, flores, bíblia, imagem, cartaz da Campanha da Fraternidade, figura de uma águia e de uma galinha. 6. Material utilizado: Apostila, bíblia, cartaz da CF-2012, cartolina e folhas cortadas 7. Atividades: orientar as atividades da apostila 8. Momento de Oração: Rezar a oração da Campanha da Fraternidade (na apostila). APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Introdução A Campanha da Fraternidade de 2012 mobiliza os catequizandos a contemplarem a vida como um dom de Deus e para a compreensão de que o cuidado com a saúde depende de uma alimentação saudável, da prática de esportes, das ações de prevenção, do cuidado com o corpo, a mente e o espírito. A Igreja propõe como tema da Campanha deste ano: A Fraternidade e a Saúde Pública, como lema: Que a Saúde se difunda sobre a terra (Eclo. 38,8). Deseja assim sensibilizar a todos sobre a dura realidade de irmãos e irmãs que não têm acesso à assistência de saúde pública condizente com suas necessidades e dignidade. É uma realidade que clama por ações transformadoras. A conversão pede que as estruturas de morte sejam transformadas. A Igreja, nessa Quaresma, à luz da Palavra de Deus, deseja iluminar a dura realidade da saúde pública e levar os discípulos missionários a serem consolo na doença, na dor, no sofrimento, na morte. Levá-los, ao mesmo tempo, a exigir que os pobres tenham um atendimento digno em relação à saúde. O Sistema Único de Saúde SUS, inspirado em belos princípios como o da universalidade, cuja proposta é atender a todos, indiscriminadamente, deveria ser modelo para o mundo. No entanto, ele ainda não conseguiu ser implantado em sua totalidade e ainda não atende a contento, sobretudo os mais necessitados desses serviços. Entendendo ser um anseio da população, especialmente da mais carente, um atendimento de saúde digno e de qualidade, a Campanha da Fraternidade 2012 aborda o tema da saúde, conforme os objetivos a seguir propostos. Objetivo Geral: Refletir a realidade da saúde no Brasil, em vista de uma vida saudável, mobilizando o espírito fraterno e comunitário das pessoas, na atenção aos enfermos e na busca por melhoria no sistema público de saúde. Objetivos Específicos: 1. Disseminar o conceito de bem viver e sensibilizar para a prática de hábitos de vida saudável, em detrimento dos que comprometem a boa saúde; 2. Sensibilizar as pessoas para o serviço aos enfermos, o suprimento de suas necessidades e integração na comunidade. Organizar este serviço nas comunidades que ainda não despertaram para esta exigência evangélica; 3. Alertar para a importância da organização da Pastoral da Saúde nas comunidades: criar onde não existe, fortalecer onde está incipiente e dinamizá-la onde ela já existe. 4. Difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil e seus desafios, bem como sua estreita relação com os aspectos socioculturais de nossa sociedade; 86

92 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 5. Despertar, nas comunidades, a discussão sobre a realidade da saúde pública, levá-las ao acompanhamento da prática da cidadania no trato da causa pública e à exigência de qualificação dos gestores da área da saúde; 6. Estimular e fortalecer a mobilização popular em defesa do SUS e de seu justo financiamento, orientando a comunidade sobre seus direitos e deveres em relação ao sistema de saúde como a participação nos espaços de controle, fiscalização e deliberação das políticas públicas de saúde. Saúde e Doença - dois lados da mesma realidade A vida, a saúde e a doença são realidades profundas, envoltas em mistérios. Diante delas, as ciências não se encontram em condições de oferecer uma palavra definitiva, mesmo com todo a aparato tecnológico hoje disponível. Assim, as enfermidades, o sofrimento e a morte apresentam-se como realidades duras de serem enfrentadas e contrariam os anseios de vida e bem-estar do ser humano. Nas línguas antigas é comum a utilização de um mesmo termo para expressar os significados de saúde e de salvação. Na língua grega, soter e aquele que cura e ao mesmo tempo é salvador. Em latim, ocorre a mesmo com salus. Verifica-se o mesmo em outras línguas. Certamente, a convergência destes significados para um único termo é reflexo da dura experiência existencial diante destes fenômenos e a percepção de que o doente necessita ser curado ou salvo da moléstia pela ação de outrem. Saúde e salvação para a Igreja A experiência da doença mostra que o ser humano é uma profunda unidade pneumossomática. Não é possível separar corpo e alma. Ao paralisar o corpo, a doença impede o espírito de voar. Mas se, de um lado, a experiência é de profunda unidade, de outro, é de profunda ruptura. Com a doença passamos a perceber o corpo como um 'outro', independente, rebelde e opressor. Ninguém escolhe ficar doente. A doença se impõe. Alem de não respeitar nossa liberdade, ela também tolhe nosso direito de ir e vir. A doença é, por isso, um forte convite à reconciliação e à harmonização com nosso próprio ser. A doença é também um apelo à fraternidade e à igualdade, pois não discrimina ninguém. Atinge a todos: ricos, pobres, crianças, jovens, idosos. Com a doença, escancara-se diante de todos nossa profunda igualdade. Diante de tal realidade, a atitude mais lógica é a da fraternidade e da solidariedade. A vida saudável requer harmonia entre corpo e espírito, entre pessoa e ambiente, entre personalidade e responsabilidade. Nesse sentido, o Guia para a Pastoral da Saúde, entendendo que a saúde é uma condição essencial para o desenvolvimento pessoal e comunitário, apresenta algumas exigências para sua melhoria: a) articular o tema saúde com a alimentação; a educação; o trabalho; a remuneração; a promoção da mulher, da criança, da ecologia, do meio ambiente etc.; b) a preocupação com as ações de promoção da saúde e defesa da vida, que respondem a necessidades imediatas das pessoas, das coletividades e das relações interpessoais. No entanto, que estas ações contribuam para a construção de políticas públicas e de projetos de desenvolvimento nacional, local e paroquial, calcada em valores como: a igualdade, a solidariedade, a justiça, a democracia, a qualidade de vida e a participação cidadã. Contribuições recentes da Igreja para a Saúde no Brasil Em mais uma manifestação da preocupação da Igreja com a realidade social da população, em 1981, a Campanha da Fraternidade: Saúde e Fraternidade apresentou o lema: Saúde para todos. A Campanha contribuiu para a reflexão nacional do conceito ampliado de saúde. Na época o Papa João Paulo II escreveu, em sua mensagem para a Campanha, que a boa saúde não é apenas ausência de doenças: é vida plenamente vivida em todas as suas dimensões pessoais e sociais. Como o contrário, a falta de saúde, não é só a presença da dor ou o mal físico. Há tantos nossos irmãos enfermos por causa inevitáveis ou evitáveis, a sofrer, paralisados, à beira do caminho, à espera da misericórdia do próximo, sem a qual jamais poderão superar o estados de semimortos. A discussão sobre a saúde foi retomada na CF de 1984, como tema Fraternidade e Vida e o lema Para que todos tenham vida, partindo da citação bíblica: pois eu estava com fome e me 87

93 deste de comer,... doente, e cuidaste de mim (Mt 25, 35-36). Esta Campanha buscou ser um sinal de esperança para as comunidades cristãs e para todo o povo brasileiro, a fim de que, em um panorama de sombras e de atentados à vida, sentissem a luz de Cristo, que vence o egoísmo, o pecado e a morte, reforçando os princípios norteadores da valorização da vida, do início até o seu fim. Tais iniciativas constituem marcos importantes da ação da Igreja, tanto no campo da saúde como no da saúde pública, em nosso país. Por ser amplo o leque destas atividades, com satisfação identificam-se ações pastorais, próprias do múnus eclesial, que resultam em contribuição da Igreja para o cumprimento das Metas do Milênio com as quais o governo brasileiro comprometeu-se perante a comunidade internacional, mobilizando diretamente seus vários setores: Metas do Milênio propostas pela ONU (Organização das Nações Unidas) com objetivos a serem alcançados até 2015: Reduzir pela metade o número de pessoas que vivem na miséria e passam fome; Educação básica de qualidade para todos; Igualdade entre os sexos e mais autonomia para as mulheres; Redução da mortalidade infantil; Melhoria da saúde materna; Combate a epidemias e doenças; Garantia da sustentabilidade ambiental; Estabelecer parcerias mundiais para o desenvolvimento. Doença e saúde no Antigo Testamento A bíblia hebraica, já nas primeiras páginas, apresenta a origem do mal e do sofrimento, mas descartando qualquer possibilidade de participação divina. No decorrer da caminhada do povo hebreu, outros conceitos e outras justificativas foram sendo desenvolvidas a respeito da doença e do sofrimento, que passaram a ser vistos como conseqüência do pecado e da desobediência. Assim a preservação da saúde mais do que a cura da doença, era obtida pela observância da Lei de Deus. Porém, quem não a observa terá a maldição, a infelicidade, as doenças e a opressão (cf Dt 28, 15ss). A doença é vista como castigo de Deus ao pecado do ser humano, por isso, somente eliminando a causa da doença, ou seja, o pecado, pode-se obter novamente de Deus a saúde. Houve, um tempo, que entre os judeus piedosos, o fato de recorrer a médicos era visto como falta de fé no Deus vivo e verdadeiro, pois a doença era compreendida como forma de punição por parte de Deus. O livro do Eclesiástico considera a doença como o pior de todos os males (cf 30, 17), um mal que faz perder o sono (cf 31, 2). O povo judeu entendia que a falta de saúde estava intimamente ligada com a culpa, o pecado. A cura para as doenças deveria ser obtida, em primeiro lugar, pela oração (cf 2Sm 12, 15-23). Saúde e doença no Novo Testamento O capítulo nono do Evangelho de São João relata o encontro de Jesus com um cego de nascença (cf Jo 9, 1-41). De acordo com o relato, são os discípulos que, em primeiro lugar, percebem a presença do cego e propõem uma questão a Jesus. A dúvida dos discípulos é de ordem teológica: Quem pecou para ele nascer cego? Teria o homem pecado ou teriam sido seus pais (cf Jo 9, 2). A resposta de Jesus é clara: nem ele, nem seus pais pecaram, mas é uma ocasião para se manifestarem nele as obras de Deus (cf Jo 9, 3). Cristo interrompe a tradição de vincular doença e pecado e oferece aos discípulos, aos fariseus, aos judeus e familiares do cego e ao próprio cego uma catequese sobre sua missão. Jesus apresenta-se como luz do mundo e luz que se manifesta pelas obras que realiza. Essa experiência permite que o próprio cego se transforme em discípulo. O anúncio da missão de Jesus na sinagoga de Nazaré inclui a recuperação da vista aos cegos (cf Lc 4, 18). No entanto em toda ação de Jesus, percebemos inúmeros gestos de quem está preocupado em recuperar a saúde. Não apenas no aspecto biológico, mas promover o ser humano para ter uma vida digna, saudável e reintegrada à sociedade, porque a doença significava a exclusão social. Diz o evangelho: Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas deles, anunciando a Boa Nova do Reino e curando toda espécie de doença e enfermidade do povo (Mt 4, 23). Com sua ação evangelizadora, Jesus não apenas cura os doentes, mas resgata o ser humano para o meio da sociedade, dando-lhe dignidade e apresenta uma nova forma de relacionar-se com 88

94 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II as pessoas necessitadas. O Novo Testamento é repleto de relatos de Jesus curando os doentes, os quais testemunham que a ação salvífica de Jesus também acontecia em suas intervenções no cuidado e atenção com os que sofrem. A parábola do Bom Samaritano nos lembra a condição da fragilidade humana a que todos estamos condicionados desde a criação. Mas indica que os seguidores de Jesus devem descobrir a importância do cuidado. A fragilidade somente se cura mediante a proximidade daquele que se dispõe a cuidar do debilitado. Cuida-se da própria vulnerabilidade quando se consente a proximidade do outro. O samaritano é aquele que em face da necessidade do outro a assimila e se deixa transformar por ela. Não só porque cuida do ferido e lhe dá abrigo, mas porque o faz em prejuízo dos seus próprios planos iniciais. Esta atitude é revelada nos sete verbos desta parábola e indica um modo de ser diante do outro, que pode iluminar o engajamento da Igreja e dos cristãos no campo da saúde pública: a) VER a primeira atitude do samaritano que descia pelo caminho foi enxergar a realidade. Não ignorou a presença de alguém caído, de alguém que teve seus direitos violentados e que se encontro à margem da estrada. b) COMPARECER-SE a percepção da presença do caído conduziu o samaritano à atitude de compaixão. Ele deixou-se afetar pela presença do violentado que jazia quase morto. A compaixão desencadeou as demais atitudes tomadas pelo Samaritano. c) APROXIMAR-SE ao contrário dos que antecederam, o viajante estrangeiro aproximou-se do caído, foi ao seu encontro, não passou adiante. No homem assaltado, ferido, necessitado, reconheceu seu próximo, apesar de muitas diferenças entre ambos. d) CURAR a presença do outro exige cuidado. A aproximação, a compaixão não são simplesmente sentimentos benevolentes voltados ao outro. Elas se tornam obra, se transformam em ação que lança mão dos elementos que tem disponíveis para salvar o outro. e) COLOCAR NO PRÓPRIO ANIMAL colocou a serviço do outro os próprios bens. Não temeu disponibilizar ao desconhecido ferido tudo o que dispunha: seu meio de transporte, o que trazia para seu próprio cuidado e seu dinheiro. f) LEVAR À HOSPEDARIA mudou seu itinerário e acabou mobilizando e envolvendo outras pessoas. Nem sempre conseguimos responder a todas as demandas, mas podemos mobilizar outras forças para atender e cuidar de quem sofre. g) CUIDAR esse é o sétimo verbo e expressa o conjunto da intervenção do samaritano. Trata-se de um cuidado coletivo, que envolveu outros personagens, recursos financeiros, estruturas que o viajante, não dispunha e o compromisso de retornar. A razão do retorno é que agora ela incluía outra pessoa, um compromisso que não estava planejado no início da viagem, mas não pode mais ser ignorado, cuidar passa a ser uma missão. A figura do bom samaritano assume a condição de modelo para a ação evangelizadora da Igreja no campo da saúde e no campo da defesa das políticas públicas. Unção dos Enfermos, sacramento da cura O sacramento da unção dos enfermos é compreendido no âmbito da missão salvífica da Igreja, ou seja, no contexto do ministério de cura que toda Igreja exerce junto aos enfermos. A unção não é um sacramento pontual e isolado, que se celebra de forma quase mágica, numa UTI, a um moribundo totalmente inconsciente. Pelo contrário, é um sacramento eclesial que, além de comprometer toda a Igreja, é também o ápice de um processo em favor e a serviço dos irmãos enfermos de uma comunidade. Faz parte do ministério de cura que atualiza e significa a presença do Reino no hoje das pessoas. Por ser um serviço de toda a Igreja, compromete todos na comunidade: o próprio doente em atitude plenamente ativa de identificação com Jesus Cristo, de aceitação da própria debilidade e de contribuição para o bem do povo de Deus e a salvação de todo o mundo; de todos os crentes em atitude de amor e presença junto aos pobres e doentes; dos religiosos, fazendo presente no mundo a pessoa de Cristo que se preocupa e cura os doentes; dos presbíteros cujo ministério exige deles, não só a visita, a atenção e a animação dos doentes, mas também a visibilidade da presença viva do Senhor que unge, cura e salva; dos bispos que precisam, 89

95 num trabalho de coordenação pastoral e evangelizadora, mostrar que os doentes não são seres passivos, mas comprometidos com o Corpo de Cristo. É pena que, na mentalidade comum dos fiéis e até mesmo dos agentes de pastoral, o sacramento da unção dos enfermos ainda não tenha se desconectado suficientemente de sua relação com a morte. Este passo, no entanto, precisa ser dado. Todos precisam ter muito claro que o sacramento da unção dos enfermos já não é mais nem sacramento que consagra a morte nem preparação imediata para a eternidade. Pelo contrário, é o sacramento que consagra uma situação de vida, ou seja, uma situação de doença, confiando ao doente a missão de completar, no próprio corpo, o que falta à paixão de Cristo. 1. A Pastoral da Saúde A Pastoral da Saúde que representa a atividade desempenhada pela Igreja no Setor da Saúde, é expressão de sua missão e manifesta a ternura de Deus para com a humanidade que sofre. A Igreja, ao meditar a parábola do bom samaritano (cf Lc 10, 25-37), entende que não é licito delegar o alivio do sofrimento apenas à medicina, mas é necessário ampliar o significado desta atividade humana. No Brasil esta Pastoral conta com 80 mil agentes voluntários. Seu objetivo é promover, educar, prevenir, cuidar, recuperar, defender e celebrar a vida ou promover ações em prol da vida saudável e plena de todo o povo de Deus, tornando presente no mundo de hoje, a ação libertadora de Cristo na área da saúde. Sua atuação é em âmbito nacional e de referência internacional. 2. Como as famílias podem colaborar para a saúde se difundir A família ocupa o lugar primário na humanização da pessoa e da sociedade. Por isso é chamada a ser uma comunidade de saúde, a educar para viver bem, a promover o bem estar de seus membros e do ambiente que a cerca. É importante recuperar a família como colaboradora essencial no cuidado e no acompanhamento de seus membros. Vários dos condicionantes e determinantes da saúde dependem da adesão das famílias e da educação prática das crianças. 3. Seguem algumas propostas de ação concreta para esta esfera: a) Incentivar o cuidado pleno aos extremos da vida (criança e idosos), buscando atendimento digno, humano e com qualidade nos serviços de saúde, nos três níveis de governo; b) Garantir que a prevenção avance para além da informação. É necessário visar não só ao bem estar individual, mas também ao familiar e ao de todos, através de ações educativas abrangentes; c) Buscar a sensibilização e a mobilização de familiares e amigos quanto à ações básicas de prevenção e promoção da saúde,como manter o cartão de vacinas atualizado; d) Estimular a doção e a manutenção de padrões e estilos de vida saudáveis e a abolição de hábitos inadequados de vida. Até reeducação alimentar e incentivo à atividade física regular; e) Estimular o uso dos serviços de saúde, de forma consciente, organizada e cuidadosa, visando à otimização de recursos públicos; f) Estimular a disseminação do conceito de que a prevenção ao uso de drogas é de responsabilidade de todos, ou seja, pais, professores, empresários, líderes comunitários, sindicatos, igrejas e autoridades. g) Incentivar e difundir programas de coleta seletiva e de reciclagem, no suporte a projetos de pesquisa na área ambiental e no estímulo de práticas sustentáveis, divulgadas em empresas, escolas e comunidades. Fonte: Texto Base da Campanha da Fraternidade 2012, CNBB, Brasília DF. 90

96 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 3º TEMA EXTRA: SEMANA SANTA E PÁSCOA 1. Objetivos: Favorecer ao catequizando a percepção de que o sofrimento de Jesus por amor a nós foi para nos levar a vivo com Ele a sua ressurreição. Reconhecer a alegria da vida nova que Jesus veio nos propor e valorizar os símbolos dessa proposta. 2. Conteúdo do Encontro: Explicar cada dia da Semana Santa (do Domingo de Ramos até o Domingo de Páscoa) Retomar o compromisso da quaresma. 3. Desenvolvimento do Tema: Utilizar cartazes para explicar cada dia da Semana Santa e ler com os catequizandos o texto da apostila. Fazer a Via Sacra (sugestão em anexo). Incentivar os catequizandos para que participem dos dias da Semana Santa na paróquia. DOMINGO DE RAMOS: Jesus entra em Jerusalém e é aclamado com ramos de Palmeira e cantos de Hosana. QUINTA-FEIRA SANTA: Jesus reúne os apóstolos e institui a Eucaristia na sua última ceia. SEXTA-FEIRA SANTA: Jesus é condenado e carrega a sua Cruz até o Monte Calvário, onde entrega a Sua vida num sacrifício de Amor por toda a humanidade. SÁBADO SANTO: Tempo de silêncio, recolhimento e espera pela Ressurreição de Jesus. DOMINGO: Aleluia! JESUS RESSUSCITOU, ESTÁ VIVO NO MEIO DE NÓS! - traz vida renovada, cheia do Espírito Santo para todos nós!. É DOMINGO DE PÁSCOA! 4. Leitura utilizada: da própria apostila 5. Ambientação: toalha, flores, bíblia, cartaz da Semana Santa 6. Material utilizado: Apostila, bíblia e cartazes para a Via Sacra. 7. Atividades: orientar as atividades 8. Momento de Oração fazer a Via Sacra (página seguinte) Citações bíblicas: APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Ler e refletir sobre as leituras utilizadas para o encontro Domingo de Ramos: Mt 21, 1-11; Mc 11, 1-10; Jo 12, 12-16; Lc 19, Ceia do Senhor: Jo 13, Paixão e Morte: Jo 18, 1 a 19, 42. Ressurreição: Mt 28, 1-10; Mc 16, 1-18; Lc 24,

97 4º TEMA EXTRA: O SANTO PADROEIRO 1. Objetivo: Fazer com que os catequizandos conheçam o santo padroeiro e conscientizá-los sobre o chamado de Deus para uma vida santa. Fazer com que conheçam a sua Paróquia 2. Conteúdo: Nós também podemos e devemos ser santos História do Santo Padroeiro e história da Paróquia 3. Desenvolvimento do tema: Todos nós somos chamados à santidade (Mt 5,48 e I Ts 4,3) Perguntar se sabem o que é ser santo. Explicar que a partir do nosso Batismo todos somos chamados ser santos. Para sermos santos é preciso descobrir qual a vontade de Deus para nossa vida, e isso se descobre através da oração e da leitura da Palavra de Deus. O que podemos fazer para melhorar as nossas atitudes no dia a dia... (deixar que falem) Perguntar se conhecem algum santo e sua história ou se têm algum santo de devoção deixar que falem). Falar dos santos dos nossos dias pessoas santas como Madre Teresa de Calcutá e seu trabalho, Papa João Paulo II e seu exemplo de amor perdão e santidade de vida. Falar dos Santos recém canonizados: Frei Galvão o primeiro Santo brasileiro, canonizado pelo Papa Bento XVI, em 11 de maio de 2007; Falar das crianças que foram canonizadas Santo Domingos Sávio, Santa Maria Goretti. Falar do Padroeiro ler as leituras indicadas pela paróquia Contar a história do Santo a partir da leitura bíblica. Falar sobre a Paróquia completar as atividades 4. Leitura utilizada: Usar as citações usadas pela paróquia nas celebrações do Santo Padroeiro 5. Ambientação: toalha, flores, bíblia, cartaz da Semana Santa 6. Material utilizado: Apostila, bíblia Orações e santinhos do Santo Padroeiro 7. Atividades: orientar as atividades 8. Momento de Oração Levar as crianças até a imagem do Santo Padroeiro e rezar a oração (no verso do santinho) APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Pesquisar a história do Santo Padroeiro de sua Paróquia, suas qualidades e virtudes, como foi sua vida, onde nasceu e porque se tornou santo. Pesquisar histórias de santos canonizados recentemente ou a vida de pessoas que estão processo de canonização na Diocese ou na nossa região, como: Frei Galvão, Madre Tereza do Jesus Eucarístico, Franz de Castro Holzwarth. 92

98 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II CONGREGAÇÃO PARA AS CAUSAS DOS SANTOS REFLEXÃO DO CARDEAL JOSÉ SARAIVA MARTINS O SIGNIFICADO DOS SANTOS HOJE NUM MUNDO EM MUDANÇA 1. "Para fazer de um homem um santo, só é necessária a Graça. Quem duvida disto não sabe o que é um santo, nem o que é um homem", observava Pascal com o seu esmero característico nos Pensamentos. Recorro a esta observação para indicar as duas perspectivas destas reflexões: no santo convergem a celebração de Deus (nomeadamente, da sua Graça) e a celebração do homem, nas suas potencialidades, nos seus limites, nas suas aspirações e nas suas realizações. São conhecidas as inúmeras objeções que hoje se levantam contra o conceito de "santidade" e de "santo". Não poucas críticas são dirigidas à prática tradicional e ininterrupta da Igreja, de reconhecer e proclamar "santos" alguns dos seus filhos mais exemplares. Na grande relevância, também numérica, dada pelo Papa João Paulo II às beatificações e canonizações durante o seu Pontificado, houve quem insinuasse a existência de uma estratégia expansionista da Igreja católica. Para outros, a proposta de novos beatos e santos, tão diversificados por categorias, nacionalidades e culturas, seria apenas uma operação de marketing da santidade, com finalidades de liderança do Papado na sociedade civil contemporânea. Por fim, há quem veja nas canonizações e no culto dos santos um resíduo anacrônico de triunfalismo religioso, alheio e até contrário ao espírito e à orientação do Concílio Vaticano II, que realçou com muita força a vocação à santidade de todos os cristãos. Evidentemente, uma leitura apenas sociológica do nosso tema corre o risco de ser não só redutiva, mas também desviante da compreensão deste fenômeno, tão característico da Igreja católica. 2. Na Carta Apostólica Novo millennio ineunte, a Carta que o Papa João Paulo II entregou à Igreja no encerramento do Grande Jubileu do Ano 2000, fala-se com um profundo realce do tema da santidade. No "grande exército de santos e de mártires", que inclui "Sumos Pontífices, bem conhecidos da história, ou humildes figuras de leigos e de religiosos, de um extremo ao outro do globo observou o Papa João Paulo II, no n. 7 da Carta a santidade pareceu mais do que nunca a dimensão que melhor exprime o mistério da Igreja. Mensagem eloqüente, que não tem necessidade de palavras, ela representa ao vivo o rosto de Cristo". Para compreender a Igreja, é necessário conhecer os santos, que são o seu sinal e o seu fruto mais amadurecido e eloquente. Para contemplar o rosto de Cristo nas mutáveis e diversas situações do mundo contemporâneo, é preciso olhar para os santos que "representam profundamente o rosto de Cristo" (Ibidem), como nos recorda o Papa. A Igreja deve proclamar santos e há de fazê-lo em nome daquele anúncio da santidade que a enche e a transforma precisamente em instrumento de santidade no mundo. "Deus manifesta de forma viva aos homens a sua presença e o seu rosto na vida daqueles que, embora possuindo uma natureza igual à nossa, se transformam mais perfeitamente na imagem de Cristo (cf. 2 Cor 3, 18). Neles é Deus quem nos fala e nos mostra um sinal do seu reino (...) para o qual somos fortemente atraídos, ao vermos tão grande nuvem de testemunhas que nos envolve (cf. Hb 12, 1) e tais provas da verdade do Evangelho" (Lumen gentium, 50). Neste trecho da Lumen gentium encontramos a profunda razão do culto aos beatos e santos. 3. A Igreja realiza a missão que lhe foi confiada pelo Mestre divino, de ser instrumento de santidade através dos caminhos da evangelização, dos sacramentos e da prática da caridade. Esta missão recebe uma notável 93

99 contribuição de conteúdos e de estímulos espirituais, também da proclamação dos beatos e santos, porque eles mostram que a santidade é acessível às multidões, que a santidade pode ser imitada. Com a sua existência pessoal e histórica, eles fazem experimentar que o Evangelho e a vida nova em Cristo não são uma utopia ou um mero sistema de valores, mas "fermento" e "sal", capazes de fazer viver a fé cristã dentro e fora das várias culturas, regiões geográficas e épocas históricas. "O futuro dos homens observava o saudoso Cardeal Giuseppe Siri nunca é claro, porque todos os seus pecados corroem todos os caminhos da história e levam a uma dialética cheia de causas e de efeitos, de erros e de vinganças, de explosões e de interrupções. A certeza de que os santos continuarão a acompanhar os homens é uma das poucas garantias do futuro" (Il primato della verità, pág. 154.). 4. O fenômeno dos santos e da santidade cristã cria um sentido de admiração que nunca esmoreceu na vida da Igreja e que não pode deixar de surpreender até um observador laico atento, sobretudo hoje, num mundo que muda contínua e rapidamente, num mundo fragmentado sob o ponto de vista cultural, tanto a nível de valores como de costumes. É da admiração que deriva a pergunta: o que é que faz com que a fé encarne em todas as latitudes, nos diversos contextos históricos, entre as mais variadas categorias e estados de vida? Como é possível que, sem dinamismos de poder, impositivos ou persuasivos que sejam, e sem dinamismos de uniformidade, existam tantos santos, tão diferentes entre si e em tal harmonia com Cristo e com a sua Igreja? O que é que leva à livre assunção do núcleo germinativo cristão, que depois desenvolve tanta diversidade e beleza na unidade da santidade? Como é diferente a globalização, de que hoje se fala com tanta frequência, da catolicidade ou universalidade da fé cristã e da Igreja, que essa fé vive, conserva e difunde! Aquele internacionalismo do catolicismo, que não é procurado com vista ao poder, mas ao serviço e à salvação, é confirmado pelos santos e pelas santas que pertencem aos mais diversos contextos de referência histórica, mas viveram a mesma fé. Este internacionalismo confirma que a santidade não tem limites e que não morreu na Igreja mas, pelo contrário, continua a ser de profunda atualidade. O mundo muda, mas os santos, embora também mudem com o mundo que se transforma, representam sempre o mesmo rosto vivo de Cristo. Não existe nisto, porventura, um indício inconfundível da vitalidade peculiar, meta-cultural e meta-histórica para nós, católicos, "sobrenatural" é a palavra justa do anúncio e da Graça cristã? 5. Neste contexto de pensamentos, é interessante fazer uma observação sobre o modo como a Igreja católica reconhece e proclama os beatos e os santos. Refiro-me em particular ao trabalho da Congregação para as Causas dos Santos, chamada a estudar e reconhecer a santidade e os santos através de um procedimento minucioso e sábio, consolidado, renovado e renovável no tempo. Os santos e a santidade são reconhecidos com um movimento que parte de baixo para cima. Ainda hoje, é o próprio povo cristão que, reconhecendo por intuição da fé a "fama de santidade", indica ao seu Bispo titular da primeira fase do processo de canonização os candidatos à canonização e, em seguida, à Congregação competente da Santa Sé. Nem a Congregação para as Causas dos Santos, nem o Papa, "inventam" ou "fabricam" os santos. Como todos os cristãos sabem, isto é obra do Espírito Santo. Que este mesmo Espírito como diz o Evangelho "sopra onde quer", é uma constatação a que estamos habituados desde há séculos, e hoje muito mais, uma vez que a Igreja está espalhada em todas as partes do mundo e em todas as camadas sociais. Assim, deve reconhecer-se que o Papa João Paulo II fez da proclamação de novos beatos e santos uma autêntica e constante forma de evangelização e de magistério. Ele quis acompanhar a pregação das verdades e dos valores evangélicos com a apresentação de santos que viveram aquelas verdades e aqueles valores de 94

100 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II modo exemplar. Durante o seu Pontificado, e, portanto, desde 1978 até hoje, João Paulo II beatificou pessoas, das quais são mártires, e canonizou 464 beatos, 401 dos quais encontraram a morte no martírio. Os leigos elevados às honras dos altares são também muito mais do que geralmente se pensa: com efeito, trata-se de 268 beatos e de 246 santos, 514 no total. Para alguns, eles são muitos; para outros, poucos. No que diz respeito ao número de santos, o Papa João Paulo II não ignora o parecer de quem considera que eles são demasiados. Pelo contrário, fala disto explicitamente. Eis a resposta do Papa a este propósito: "Às vezes diz-se que hoje há demasiadas beatificações. Mas isto, além de refletir a realidade, que por graça de Deus é aquela que é, corresponde também ao desejo expresso pelo Concílio. O Evangelho espalhou-se de tal maneira no mundo e a sua mensagem mergulhou as suas raízes de modo tão profundo, que o elevado número de beatificações reflete precisamente de modo vivo a ação do Espírito Santo e a vitalidade que dele brota no campo mais essencial para a Igreja, o da santidade. Com efeito, foi o Concílio que realçou de forma particular a vocação universal à santidade" (Discurso de abertura do Consistório, em preparação para o Grande Jubileu do Ano 2000, 13 de Junho de 1994). Na Carta Apostólica Tertio millennio adveniente, o Papa João Paulo II escreveu: "Nestes anos, foram-se multiplicando as canonizações e as beatificações. Elas manifestam a vivacidade das Igrejas locais, muito mais numerosas hoje do que nos primeiros séculos e no primeiro milênio. A maior homenagem que todas as Igrejas prestarão a Cristo no limiar do terceiro milênio, será a demonstração da presença onipotente do Redentor, mediante os frutos de fé, esperança e caridade em homens e mulheres de tantas línguas e raças, que seguiram Cristo nas várias formas da vocação cristã" (n. 37). Além disso, na Carta Apostólica Novo millennio ineunte, o Papa observa: "Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um. Agradeço ao Senhor ter-me concedido, nestes anos, beatificar e canonizar muitos cristãos, entre os quais numerosos leigos que se santificaram nas condições ordinárias da vida" (n. 31). Sem dúvida, tantas beatificações e canonizações são também um sinal da capacidade de inculturação da vida da fé cristã e da Igreja. 6. Por fim, gostaria de me debruçar sobre a contribuição cultural oferecida pelos santos, pelo seu culto e pelo ardente e sério trabalho de estudo que precede e que se segue à sua canonização. O Concílio Vaticano II pediu que uma "cuidadosa investigação histórica, teológica e pastoral" acompanhasse a proposta do culto dos santos (cf. Sacrosanctum concilium, 23). Esta indicação já encontrou a Congregação para as Causas dos Santos preparada e, hoje, plenamente experimentada. O cuidado pela verdade histórica esteve sempre presente no trabalho da Congregação para as Causas dos Santos. Já num "Decreto" de Pio X, de 26 de Agosto de 1913, mais tarde inserido no Código de Direito Canónico de 1917, pedia a reunião e o estudo de todos os documentos históricos relativos às causas. Mas a novidade fundamental foi apresentada pelo Motu Proprio "Já há algum tempo", de 6 de Fevereiro de 1930, com que o Papa Pio XI instituiu na Congregação dos Ritos a "Secção histórica", com a tarefa de oferecer a contribuição eficaz para a abordagem das causas "históricas", ou seja, das que não contavam com testemunhas contemporâneas relativas às mesmas causas. O serviço prestado pela "Secção histórica", em seguida denominada como "Departamento histórico-hagiográfico", foi alargado a todas as causas, mesmo às mais "recentes", aumentando a sensibilidade históricocrítica a todos os níveis e em todas as fases do processo. 95

101 Finalmente, a Constituição Apostólica Divinus perfectionis magister, de 25 de Janeiro de 1983, seguida das Normae servandae, do dia 7 de Fevereiro de 1983, sancionou definitivamente a contribuição determinante do método e da qualidade histórica na abordagem das causas dos santos. A verdade histórica, tão diligentemente procurada por motivos teológicos e pastorais, traz muitos benefícios também à apresentação cultural dos santos. Os novos beatos e santos "saíram da sacristia" para serem estudados e apresentados também como personagens historicamente significativas, no contexto da vida da sua Igreja, da sua sociedade e do seu tempo. Assim, não interessam mais unicamente à Igreja e aos fiéis, mas a todos aqueles que se ocupam da história, da cultura, da vida civil, da política, da pedagogia, etc. Desta maneira, a missão destes extraordinários homens de Deus continua de maneira diversa, mas em todo o caso eficaz para o bem de toda a sociedade. A este propósito, é significativo o fato de que o Arquivo da Congregação para as Causas dos Santos já não é freqüentado somente por "pessoas interessadas pelo trabalho eclesiástico", mas também por estudiosos leigos que recorrem ao mesmo para a relação das suas teses de licenciatura, para estudos históricos, de pedagogia, de sociologia, etc., porque ali encontram um material abundante e historicamente credível. 7. Portanto, com o seu valor particular, a santidade diz respeito também à cultura. Os santos permitiram que se criassem novos modelos culturais, novas respostas aos problemas e aos grandes desafios dos povos e novos desenvolvimentos de humanidade no caminho da história. A herança dos santos "é uma herança que não se deve perder insistiu muitas vezes o Santo Padre mas fazer frutificar num perene dever de gratidão e num renovado propósito de imitação" (Novo millennio ineunte, 7). Os santos são como faróis; eles indicaram aos homens as possibilidades de que o ser humano dispõe. Por isso, são interessantes também do ponto de vista cultural, independentemente da abordagem cultural, religiosa e de estudo com que nos aproximemos deles. Um grande filósofo francês do século XX, Henry Bergson, observou que "as maiores personagens da história não são os conquistadores, mas os santos". E Jean Delumeau, um historiador do catolicismo de Quinhentos, convidava a verificar como os grandes impulsos da história do cristianismo foram caracterizados por um retorno às fontes, isto é, à santidade do Evangelho, suscitada pelos santos e pelos movimentos de santidade na Igreja. Nos últimos anos, o Cardeal Joseph Ratzinger afirmou justamente que "não são as maiorias ocasionais que se formam aqui ou ali na Igreja, que decidem o seu e o nosso caminho. Eles, os santos, são a verdadeira e determinante maioria, segundo a qual nos orientamos. É a ela que aspiramos! Eles traduzem o divino no humano, o eterno no tempo". 8. Num mundo que se transforma, os santos não só não permanecem marginalizados histórica ou culturalmente, mas parece que devo concluir estão a tornar-se sujeitos ainda mais interessantes e credíveis. Numa época de crise das utopias coletivas, num período de desconfiança e de incredulidade em relação ao que é teórico e ideológico, está a nascer uma nova atenção para com os santos, figuras singulares em que se encontra não uma nova teoria e nem sequer simplesmente uma moral, mas um desígnio de vida a narrar, a descobrir através do estudo, a amar com devoção e a realizar mediante a imitação. Só podemos alegrar-nos com este despertar de atenção para com os santos, porque eles são de todos, constituem um patrimônio da humanidade que progride para além de si mesma, num desenvolvimento que, enquanto honra o homem, também dá glória a Deus, porque "o homem vivo é a glória de Deus" (Santo Ireneu de Lião). Quero ler tudo o que consideramos até aqui, à luz de uma mensagem, verdadeiramente fascinante, do Santo Padre João Paulo II que, na minha opinião, pode dar, a quem refletir sobre este tema, pelo menos uma idéia da visão do Sumo 96

102 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II Pontífice sobre a santidade, inseparavelmente vinculada à dignidade batismal de cada cristão e, por conseguinte, explicar melhor também o papel das beatificações e canonizações no caminho pastoral da Igreja, nestes vinte e cinco anos de Pontificado de Karol Wojtyla. A mensagem é a que foi enviada para o dia mundial de oração pelas vocações de 2002: "A primeira tarefa da Igreja é acompanhar os cristãos pelos caminhos da santidade (...) a Igreja é "a casa da santidade" e a caridade de Cristo, derramada pelo Espírito Santo, constitui a sua alma" (Acta Apostolicae Sedis, vol. XCIV, 3 de Maio de 2002, n. 5). Por conseguinte, na Igreja tudo, e cada uma das vocações em particular, está ao serviço da santidade! E é indubitavelmente neste sentido que, quando olhamos para a Igreja, jamais devemos esquecer de ver nela o rosto da "mãe dos santos", que gera santidade com fecundidade e generosidade superabundantes. Fonte: s/csaints/documents/rc_con_csaints_doc_ _martins-saints_po.html Precisamos de Santos Precisamos de Santos sem véu ou batina. Precisamos de Santos de calças jeans e tênis. Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos. Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade. Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade. Precisamos de Santos modernos, santos do século XXI, com uma espiritualidade inserida em nosso tempo. Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais. Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo. Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem disc man. Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refri ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos. Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de esporte. Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros. Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos". (João Paulo II) 97

103 5º TEMA EXTRA: MAIO, MÊS DE MARIA E DIA DAS MÃES 1. Objetivo: Mostrar que através do sim de Maria concretiza-se o plano da Salvação na pessoa do seu Filho Jesus Cristo. Resgatar a importância do dia das mães, sem o seu caráter comercial. Valorizar a mãe e todos que cuidam de nós todos os dias. 2. Conteúdo do Encontro: Maria é aquela que acreditou que Deus é o todo poderoso e que a escolheu para ser a Mãe de Jesus. Os católicos veneram Maria porque é Mãe de Jesus, da Igreja e nossa. Essa devoção consiste em imitá-la nesse grande amor a Deus e aos mais necessitados. Falar que ela intercede por nós junto a Deus. 3. Desenvolvimento do Encontro: Maria era uma moça como as outras; pertencia a uma família simples da cidade de Nazaré, na Palestina. Seus pais eram Joaquim e Ana. Maria era bondosa, humilde, trabalhadora e cheia de coragem. Sua preocupação era ajudar os outros, ser amiga de todas as pessoas. Ela procurava viver a Aliança, por isso observava os 10 Mandamentos. Maria, foi totalmente aberta à Palavra de Deus. Disse sim. Por isso, Deus nasceu no seu coração, Deus morou nela e a fez mãe de seu Filho único Jesus. Maria é a Nossa Senhora que nós invocamos com diversos títulos e neste mês de maio, mês dedicado à ela, comemoramos o dia de Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora Auxiliadora. Explicar que todos os nomes de Nossa Senhora são nomes que o povo dá, conforme a situação da vida. Só existe uma Nossa Senhora, aquela que Deus escolheu para ser a Mãe de Jesus. É importante valorizar a mãe e no seu dia fazer uma linda homenagem para ela. 4. Leitura utilizada: Lc 1, 26-38; Jo 2, 1-12; Jo 19, 25-27; At 1, Ambientação: toalha, flores, bíblia, imagem de Nossa Senhora, figuras de mãe 6. Material utilizado: Apostila, Bíblia 7. Atividades: orientar a execução das atividades. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA O Evangelho fala pouco de Maria, mas nos mostra que: Maria é a Mãe de Jesus, o Filho de Deus, mas não toma o seu lugar. Mostra como Maria viveu e agiu. Teve perfeita atitude de discípula de Cristo. A devoção a Maria deve levar a Cristo. Maria nos mostra a emancipação da mulher. Como mulher, ela desenvolve um papel importante na obra da Salvação. Maria é a mulher forte. Conheceu de perto a pobreza, o sofrimento, o exílio. O Deus de Maria não é um deus pequeno, mas é o Deus dos pequenos. É o Deus que nela faz grandes coisas. Maria se doou a Deus e ao povo e teve fidelidade ao Plano de Deus. Esta é a primeira e fundamental exigência da catequese. Maria é: Co-Mediadora - só Cristo é Mediador (1Tm 2,5). Cheia de graça. Imaculada Conceição. (A Igreja declarou dogma de fé em 1854). 98

104 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II Assunta. Foi assumida ao céu onde está de corpo e alma. (A Igreja declarou dogma de fé em 1950) O Documento de Puebla ressalta: Mulher de luta: não se acomoda; abre caminhos. Única criatura que ao mesmo tempo é: Filha - Esposa e Mãe de Deus. No dizer do Concílio Vaticano II - "Maria é a imagem perfeita da Igreja". Ela é a primeira leiga associada à obra redentora do Cristo. É o modelo indispensável para seguir a Cristo. Exemplo de vocação porque viveu, com fidelidade, a sua vocação. Maria é para a América Latina, uma esperança de libertação. Fazendo-se escrava do Senhor promove a libertação da mulher. Se é escrava do Senhor, não é escrava de mais ninguém, podendo lutar contra as demais escravidões, como o egoísmo, a exploração do homem, as estruturas que impedem uma participação fraterna na construção da sociedade para desfrutar dos bens que Deus criou para todos (P. 267). DEVOÇÃO A MARIA O povo brasileiro tem profunda devoção a Maria sob o título de N. Sra. Aparecida; e em outros lugares, em outras cidades, Maria recebe outros nomes. Mas, antes de ser Maria de Nazaré, N. Sra. de Fátima, Nossa Senhora do Rosário, etc., ela é "aquela que acreditou" que "Deus é o Todo Poderoso". A verdadeira devoção a Maria consiste em imitá-la nesse grande amor à Deus e aos mais necessitados, e não apenas em fazer promessas, novenas, etc. Rezemos a Ave Maria, pedindo a Ela que nos mostre o Plano de Deus e interceda por nós "agora e na hora de nossa morte. Amem". Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Paulus, 2003 p Informação complementar sobre o Dia das Mães: O primeiro dia das mães foi festejado em Boston, em Em 1907, a norte americana Anna Jarvis resolveu homenagear sua mãe, que havia morrido alguns anos antes. Só depois de três anos é que a comemoração idealizada por Anna Jarvis foi oficializada no estado da Virgínia Ocidental, onde ela morava. Em 1915, o presidente dos Estados Unidos decidiu oficializar a data. No Brasil, a primeira comemoração ocorreu no dia 12 de maio de Mas foi só em 1932 que Getúlio Vargas, então presidente, assinou uma lei oficializando o Dia das Mães. No começo, as homenagens às mães eram feitas com festas, poesias, declamações, cantos e flores. Hoje em dia, as propagandas incentivam a compra de presentes. 99

105 6º TEMA EXTRA: CORPUS CHRISTI 1.Objetivo: Possibilitar aos catequizandos um maior conhecimento, acerca da Festa de Corpus Christi, em função do seu significado e o seu papel como devoção especial à Cristo Eucarístico. 2. Conteúdo do Encontro: Explicar porque existe a Festa de Corpus Christi. Falar sobre os milagres eucarísticos e mostrar como Deus vai permitindo que coisas extraordinárias aconteçam para nos ajudar a crer mais ainda no Sacramento da Eucaristia. 3. Desenvolvimento do tema: Nos próximos dias, celebramos a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi) no mundo todo. Corpus Christi significa Corpo de Cristo. A festa teve origem no ano de 1264 e foi instituída pelo então Papa Urbano IV em É celebrada na quinta-feira, após a festa da Santíssima Trindade porque seguindo a passagem bíblica, onde Cristo instituiu o Sacramento da Eucaristia, celebra-se também em uma quinta-feira. Em 1317, o Papa João XXII determinou a procissão em vias públicas. A festa de Corpus Christi passou a ter dois grandes momentos: a celebração da Santa Missa e a Procissão sobre os tapetes. Como filhos da Igreja, levamos Cristo, presente na figura do pão, pelas ruas da nossa cidade. A Igreja dedica duas grandes festas ao sacramento da Eucaristia: Quinta-feira Santa e Corpus Christi. Ler Jo 6, Jesus afirma que seu corpo é verdadeira comida e seu sangue verdadeira bebida. A Eucaristia não é uma representação de Cristo, mas o próprio Cristo que se faz presente. É neste momento que a fé se manifesta, isto é crer naquilo que está escondido. Jesus disse: Bem aventurados o que crêem sem ter visto. Porém, para os mais descrentes, ainda temos os maravilhosos milagres eucarísticos reconhecidos pela Igreja Católica. Comentar sobre o milagre de Lanciano e contar outros milagres aconteceram (conforme texto anexo não é preciso citar todos escolher alguns e citar local e ano em que aconteceram). Convidar os catequizandos participar da confecção dos tapetes, esta é uma forma de mostrarmos que somos uma comunidade composta de irmãos que possuem dons diferentes. 4. Leitura utilizada: Jo 6, e Lc 22, 7-20 e da própria apostila. 5. Ambientação: toalha, flores, bíblia, imagem etc. 6. Material utilizado: Apostila fichas - Com certeza e Fala sério 7. Atividades: orientar a execução das atividades 8. Momento de Oração: rezar juntos a oração da apostila 100

106 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II DINÂMICA Fala sério / Com certeza. OBJETIVO: Perguntas referentes aos temas Corpus Christi e Eucaristia. DESENVOLVIMENTO: Fazer pequenos cartões com as respostas FALA SÉRIO e COM CERTEZA, conforme o número de catequizandos. Entregar a cada um, um par de respostas. Fazer as perguntas abaixo, os catequizandos deverão mostrar o cartaz com a resposta que considerar correta: FALA SÉRIO (quando a afirmação estiver errada) ou COM CERTEZA (quando a afirmação estiver correta). A cada afirmação o catequista deve aproveitar para dar a explicação a respeito do assunto. 1. Corpus Christi significa o Corpo de Cristo. Com certeza 2. Corpus Christi é celebrado no domingo após o Natal. Fala sério primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade 3. Quando comungamos passamos a ser sacrários vivos porque Cristo carregamos Cristo vivo em nós. Com certeza Ao comungarmos Cristo passa a viver em nós. 4. A Eucaristia foi instituída, isto é, celebrada pela primeira vez, na Sexta-feira Santa. Fala sério - Quinta-feira Santa, dia da Santa Ceia 5. Cada vez que a comunidade realiza o gesto do pão e do vinho, ela faz Jesus presente, vivo e verdadeiro entre nós. Com certeza Jesus vivo se faz presente na comunhão. 6. A Igreja dedica duas grandes festas ao sacramento da Eucaristia: Natal e Corpus Christi. Fala sério Quinta-feira Santa e Corpus Christi; 7. Participar da confecção dos tapetes é uma forma de mostrarmos que somos uma comunidade composta de irmãos que possuem dons iguais. Fala sério - cada um de nós possui dons distintos, diferentes. 8. Na Procissão sobre os tapetes, como filhos da Igreja, levamos Cristo, presente na figura do pão, pelas ruas da nossa cidade. Com certeza - Na Eucaristia Jesus está vivo no meio de nós. 9. Jesus disse: É preciso ver para crer Fala sério - Jesus disse: Bem aventurados os que crerem ser ter visto. 10. A festa de Corpus Christi tem dois grandes momentos: a celebração da Santa Missa e a entrega das ofertas. Fala Sério, o segundo momento é a Procissão sobre os tapetes 11. Na festa do Corpo de Cristo, como filhos da Igreja, levamos Maria, presente na figura do pão, pelas ruas da nossa cidade. Fala sério, levamos o próprio Cristo 12. Nos gesto memorial (porque recorda a vida de Jesus) do pão e do vinho, somos convidados a amar até as últimas conseqüências, como JESUS nos amou, aceitando perder tudo e se entregando totalmente por causa do Amor. Com certeza - devemos imitar Jesus. 13. Para comungar é preciso se preparar com piedade e devoção e se estiver em pecado procurar se confessar. Com certeza o encontro com Jesus na Eucaristia é um momento muito especial, por isso devemos nos preparar bem e estar puros de coração. 14. Deus permite que aconteçam fatos extraordinários como o milagre de Lanciano para nos mostrar o seu poder Fala sério Deus permite que aconteçam milagres para nos ajudar a crer mais no Sacramento da Eucaristia e para nos ajudar a avançar em nossa peregrinação de fé.. 101

107 A revista Jesus das Edições Paulinas de Roma, publicou uma matéria do escritor Antonio Gentili, em abril de 1983, pp , onde apresenta uma resenha de milagres eucarísticos. Há tempos, foi traçado um Mapa Eucarístico, que registra o local e a data de mais de 130 milagres, metade dos quais ocorridos na Itália. São muitíssimos os milagres eucarísticos no mundo todo. Por exemplo, Marthe Robin, uma francesa, milagre eucarístico vivo, alimentou-se durante mais de quarenta anos só de Eucaristia. Teresa Newmann, na Alemanha, durante mais de 36 anos alimentou-se só de Eucaristia. 1 - Lanciano - Itália no ano 700 Em Lanciano séc. VIII. Um monge da ordem de São Basílio estava celebrando na Igreja dos santos Degonciano e Domiciano. Terminada a Consagração, que ele realizara, a hóstia transformou-se em carne e o vinho em sangue depositado dentro do cálice. O exame das relíquias, segundo critérios rigorosamente científicos, foi efetuado em e outra vez em 1981 pelo Professor Odoardo Linoli, catedrático de Anatomia e Histologia Patológica e Química e Microscopia Clínica, Coadjuvado pelo Professor Ruggero Bertelli, da Universidade de Siena. Resultados: 1) A hóstia é realmente constituída por fibras musculares estriadas, pertencentes ao miocárdio. 2) Quanto ao sangue, trata-se de genuíno sangue humano. Mais: o grupo sangüíneo A que pertencem os vestígios de sangue, o sangue contido na carne e o sangue do cálice revelam tratar-se sempre do mesmo sangue grupo AB (sangue comum aos Judeus). Este é também o grupo que o professor Pierluigi Baima Bollone, da universidade de Turim, identificou no Santo Sudário. 3) Apesar da sua antiguidade, a carne e o sangue se apresentam com uma estrutura de base intacta e sem sinais de alterações substanciais; este fenômeno se dá sem que tenham sido utilizadas substâncias ou outros fatores aptos a conservar a matéria humana, mas, ao contrário, apesar da ação dos mais variados agentes físicos, atmosféricos, ambientais e biológicos. 2 - Orvieto - Bolsena - Itália 1263 Inicio da Festa de Corpus Christi 3 - Ferrara - 28/03/ APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA Aconteceu este milagre na Basílica de Santa Maria in Vado, no século XII. Propagava-se com perigo a heresia de Berengário de Tours ( 1088), que negava a Presença real de Cristo na Eucaristia. Aos 28 de março de 1171, o Pe. Pedro de Verona, com três sacerdotes celebravam a Missa de Páscoa; no momento de partir o pão consagrado, a Hóstia se transformou em carne, da qual saiu um fluxo de sangue que atingiu a parte superior do altar, cujas marcas são visíveis ainda hoje. Há documentos que narram o fato: um Breve do Cardeal Migliatori (1404). - Bula de Eugênio IV (1442), cujo original foi encontrado em Roma em Mas, a descoberta mais importante deu-se em Londres, em 1981, foi encontrado um documento de 1197 narrando o fato. 4 - Offida - Itália 1273 Ricciarella Stasio - devota imprudente, realizava práticas supersticiosas com a Eucaristia; em uma dessas profanações, a Hóstia se transformou em carne e sangue. Foram entregues ao pe. Giacomo Diattollevi, e são conservadas até hoje. Há muitos testemunhos históricos sobre este fato. 5 - Sena Cássia - Itália 1330 Hoje este milagre é celebrado em Cássia, terra de Santa Rita de Cássia. Em 1330, um sacerdote foi levar o viático a um enfermo e colocou indevidamente, de maneira apressada e irreverente, uma Hóstia dentro do seu Breviário para levá-la ao doente grave. No momento da Comunhão, abriu o livro e viu que a Hóstia se liquefez e, quase reduzida a sangue, molhou as páginas do Livro. Então o sacerdote negligente apressou-se a entregar o livro e a Hóstia a um frade agostiniano de Sena, o qual levou para Perúgia a página manchada de sangue e para Cássia a outra página onde a Hóstia ficou presa. A primeira página perdeu-se em 1866, mas a relíquia chamada de Corpus Domini é atualmente venerada na basílica de Santa Rita. 6 - Turim - Itália 1453 Na Alta Itália ocorria uma guerra furiosa pelo ducado de Milão. Os Piemonteses saquearam a cidade; ao chegarem a Igreja, forçaram o Tabernáculo. Tiraram o ostensório de prata, no qual se guardava o corpo de Cristo ocultando-no dentro de uma carruagem juntamente com os outros objetos roubados, e dirigiram-se para Turim. Crônicas antigas relatam que, na altura da

108 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II Igreja de São Silvestre, o cavalo parou bruscamente a carruagem o que ocasionou a queda, por terra, do ostensório o ostensório se levantou nos ares com grande esplendor e com raios que pareciam os do sol. Os espectadores chamaram o Bispo da cidade, Ludovico Romagnano, que foi prontamente ao local do prodígio. Quando chegou, O ostensório caiu por terra, ficando o corpo de Cristo nos ares a emitir raios refulgentes. O Bispo, diante dos fatos, pediu que lhe levassem um cálice. Dentro do cálice, desceu a hóstia, que foi levada para a catedral com grande solenidade. Era o dia 9 de junho de Existem testemunhos contemporâneos do acontecimento (Atti Capitolari de 1454 a 1456). A Igreja de Corpus Domini (1609), que até hoje atesta o prodígio. 7 - Sena - Itália 1730 Na Basílica de São Francisco, em Sena, pátria de Santa Catarina de Sena, durante a noite de 14 para 15 de março de 1730, foram jogadas no chão 223 hóstias consagradas, por ladrões que roubaram o cibório de prata onde elas estavam. Dois dias depois, as Hóstias foram achadas em caixa de esmolas misturadas com dinheiro. Elas foram limpas e guardadas na Basílica de São Francisco; ninguém as consumiu; e logo o milagre aconteceu visto que com o passar do tempo as Hóstias não se estragaram, o que é um grande milagre. A partir de 1914 foram feitos exames químicos que comprovaram pão em perfeito estado de conservação. 8 - Milagre Eucarístico de Santarém Portugal (1247) Aconteceu no dia 16 de fevereiro de 1247, em Santarém, 65 km ao norte de Lisboa. O milagre se deu com uma dona de casa, Euvira, casada com Pero Moniz, a qual sofrendo com a infidelidade do marido, decidiu consultar uma bruxa judia que morava perto da igreja da Graça. Esta bruxa prometeu-lhe resolver o problema se como pagamento recebesse uma Hóstia Consagrada. Para obter a Hóstia, a mulher fingiuse de doente e enganou o padre da igreja de S. Estevão, que lhe deu a sagrada Comunhão num dia de semana. Assim que ela recebeu a Hóstia, sem o padre notar, colocou-a nas dobras do seu véu. De imediato a Hóstia começou a sangrar. Assustada, a mulher correu para casa na Rua das Esteiras, perto da Igreja e escondeu o véu e a Hóstia numa arca de cedro onde guardava os linhos lavados. À noite o casal foi acordado com uma visão espetacular de Anjos em adoração à sagrada Hóstia sangrando. Várias investigações eclesiásticas foram feitas durante 750 anos. As realizadas em 1340 e 1612 provaram a sua autenticidade. Em 5 de abril de 1997, por decreto de D. Antonio Francisco Marques, Bispo de Santarém, a Igreja de S. Estevão, onde está a relíquia, foi elevada a Santuário Eucarístico do Santíssimo Sangue. 9 Faverney, na França, em 1600 O Milagre Eucarístico que aconteceu em Faverney, na França consistiu numa notável demonstração sobrenatural de superação da lei da gravidade. Faverney está localizado a 20 quilômetros de Vesoul, distante 68,7 quilômetros de Besançon. Um dos noviços chamado Hudelot, notou que o Ostensório que se encontrava junto Santíssimo Sacramento sobre o Altar, elevou-se e ficou suspenso no ar e que as chamas se inclinavam e não tocavam nele. Os Frades Capuchinhos de Vesoul também apressaram-se para observar e testemunhar o fenômeno. Embora os monges com a ajuda do povo, conseguiram apagar o incêndio que queria consumir toda a Igreja, o Milagre não cessou, o Ostensório com JESUS Sacramentado continuou flutuando no espaço Em Stich, Alemanha, 1970 Na região Bávara da Alemanha, junto à fronteira suíça, em 9 de junho de 1970, enquanto um padre visitante da Suíça estava celebrando uma Missa numa capela, uma série incomum de eventos aconteceu. Depois da Consagração, o celebrante notou que uma pequena mancha avermelhada começou a aparecer no corporal, no lugar onde o cálice tinha estado descansando. Desejando saber se o cálice tinha começado a vazar, o padre correu a mão dele debaixo do cálice, mas achou-o completamente seco. A esta altura, a mancha crescera, atingindo o tamanho de uma moeda de dez centavos. Depois de completar a Missa, o padre inspecionou todo o altar, mas não conseguiu encontrar qualquer coisa que pudesse ser remotamente a fonte da mancha avermelhada. Ele trancou o corporal que apresentava a mancha num local seguro, até que pudesse discutir o assunto com o pároco. Fonte: Prof. Felipe Aquino

109 7º TEMA EXTRA:VOCAÇÃO DIA DOS PAIS 1. Objetivos: Distinguir o significado de Vocação e Profissão. Conscientizar os catequizandos a respeito da responsabilidade, de cada um, para com as vocações, bem como da importância de descobrirmos e vivermos nossa vocação. Resgatar a importância do papel do pai em nossas vidas. Conversar com os catequizandos sobre a importância de amar e valorizar o pai ou o responsável em todos os dias do ano, não somente nesta data. 2. Conteúdos do Encontro: Trabalhar o tema Vocação através da história A vocação de Pierre. Esclarecer que presentes não demonstram o tamanho do nosso amor, quanto amamos os nossos pais ou quanto somos amados por eles. Podemos mostrar nosso carinho e amor compartilhando nossos momentos. 3. Desenvolvimento do tema: História A vocação de Pierre (em anexo) Trazer para o encontro da catequese um cartaz com a palavra VOCAÇÃO. Segue-se um período de discussão aberta a todo o grupo, onde todos são convidados a expressar as suas idéias relativamente ao que lhes sugere a palavra VOCAÇÃO : Quando ouvem a palavra Vocação o que é que vos vem à cabeça? Ir colaborando com os catequizandos para dar o verdadeiro sentido da palavra vocação. É preciso distinguir bem vocação de profissão, pois não são exatamente a mesma coisa. Colocar para os catequizandos o quadro abaixo para observarem a distinção entre uma e outra: Profissão Vocação aptidão ou escolha pessoal para exercer um trabalho 2. preocupação principal: o "ter", o sustento da vida 3. pode ser trocada 3. é para sempre 1. chamado de Deus para uma missão, que se origina na pessoa como reação-aspiração do ser 2. preocupação exclusiva: "o ser", o amor e o serviço 4. é exercida em determinadas horas 4. é vivida 24 horas por dia 5. tem remuneração 5. não tem remuneração ou salário 6. tem aposentadoria 6. não tem aposentadoria 7. quando não é exercida, falta o necessário 7. vive da providência divina para viver. 8. na profissão eu faço 8. na vocação eu vivo A profissão dignifica a pessoa quando é exercida com amor, espírito de serviço e responsabilidade. A vocação vivida na fidelidade e na alegria confere ao exercício da profissão uma beleza particular, é o caminho de santidade. 4. Leitura utilizada: da própria apostila / Lc 5, 10-11

110 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 5. Ambientação: toalha, flores, bíblia, imagem etc. 6. Material utilizado: Apostila, Bíblia, figura de um pássaro, cartaz 7. Atividades: orientar a execução das atividades. 8. Momento de Oração fazer um momento de oração pelas vocações, principalmente pelo dia dos pais. A VOCAÇÃO DE PIERRE Pierre é um pássaro. Ele vive na Floresta das Vocações. Nesta floresta, cada pássaro, inseto ou animal tem uma vocação específica. E desde muito cedo eles descobrem qual é a sua vocação específica. Porém Pierre, já é um pássaro jovem, e segundo ele, ainda não conseguiu descobrir qual é a sua vocação específica. Vovô Pardal, tenho observado os meus amigos, e percebi que cada um deles já descobriu qual é a sua vocação! Veja o Canário Zé, o mês que vem ele vai se casar com a andorinha Teté! E o João-de-Barro, é um arquiteto perfeito, veja só as lindas casas que ele projeta e constrói! E eu? Qual é a minha vocação? Querido netinho Pierre... Infelizmente eu não posso lhe dizer qual é a sua vocação! Cabe a você descobrir sozinho! A única coisa que posso fazer por você é apontar caminhos! Mas tenha certeza de uma coisa Pierre: a sua vocação se encontra no seu coração. Após conversar com seu avô, Pierre saiu um pouco feliz, pois seu avô lhe havia dito que ele também possuía uma vocação! Mas também saiu com mais dúvidas ainda: se todos tinham uma vocação, qual era a sua??? Todas as manhãs Pierre gostava de cantarolar em uma pitangueira que ficava em frente a um antigo asilo, próximo da Floresta das Vocações. E para os velhinhos daquele asilo o canto de Pierre simbolizava vida, esperança, amor... Mas um dia Pierre cansou de cantarolar... Os velhinhos daquele asilo começaram a se entristecer e conseqüentemente ficaram doentes. Pierre, meu neto querido, porque você não está cantando mais? Sabe o que é vovô? Eu desanimei... Para que cantar se eu não sei qual é a minha vocação? Você se lembra do dia em que eu lhe disse que eu poderia apontar caminhos para que você pudesse por si mesmo descobrir qual era a sua vocação? Sim, me lembro! - Pois bem, este momento chegou! O avô de Pierre o conduziu até a pitangueira que ficava em frente ao asilo, onde todas as manhãs Pierre cantarolava. Olhe para estes velhinhos Pierre! Como você os vê? Eles estão muito tristes vovô! Além de estarem tristes, eles também estão doentes! Mas porque vovô? Por um simples motivo meu neto querido! Você era o motivo da alegria destas pessoas! Quando você cantava estes velhinhos tinham vida, esperança... Você era sinal de que Deus não os havia abandonado! Eles acreditavam na vida, porque você era sinal de vida para eles... Puxa vovô! Então está é a minha vocação!!! Levar vida, alegria e esperança para as outras pessoas!!! A partir daquele dia Pierre se tornou o pássaro mais feliz da Floresta das Vocações. Vovô, muito obrigado por me indicar o caminho! 105

111 Cada um de nós Pierre, já nasce com uma vocação gravada em nosso coração! Mas temos a liberdade de dizer: sim ou não a ela! Mas para que possamos dizer sim ou não é necessário passarmos por várias etapas de amadurecimento: medo, questionamentos, desafios, visão da realidade... E hoje você só é feliz porque pode dizer um sim maduro a sua vocação! Dia dos Pais O dia dos pais começou a ser comemorado nos Estados Unidos em 1910, pelos habitantes da cidade de Spokane, em Washington. A sra. Brice Dood, que vivia nessa cidade, achava que deveria haver um dia especialmente dedicado aos pais. Resolveu falar sobre isso com o sacerdote da igreja de sua cidade. Este e outros sacerdotes, juntamente com uma associação cristã, divulgaram a idéia, que acabou se espalhando por todo o país. Em 1924, o presidente americano pediu aos habitantes dos Estados Unidos que homenageassem os pais num dia especial. Foi escolhido, então, o terceiro domingo de junho como o dia dos pais. No Brasil, esse dia é comemorado no segundo domingo do mês de agosto. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA "A VOCAÇÃO DE SAMUEL" 1 Sm 3, 1-10 Introdução Estamos no Mês das Vocações. Hoje, vamos refletir sobre o chamado de Deus em nossa vida.no lº livro de Samuel encontramos uma narração bonita de um jovem, Samuel, que sentiu o chamado de Deus e soube responder. Samuel era um grande profeta no tempo dos reis Saul e Daví. (Leia na Bíblia o primeiro capítulo do 1º livro de Samuel) 1º passo: Vamos ler, com muita atenção, uma parte do texto do cap. 3: O jovem Samuel servia ao Senhor sob as ordens (do sacerdote) Eli. Certo dia, Eli estava dormindo no seu quarto. Samuel estava dormindo no santuário do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. Então, o Senhor chamou: "Samuel, Samuel!" "Aqui estou!", respondeu, e correu para junto de Eli. "Tu me chamaste; aqui estou!". Eli respondeu: "Eu não te chamei. Volta a dormir!" E Samuel foi deitar-se. O Senhor chamou de novo: "Samuel, Samuel!" Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse: "Tu me chamaste; aqui estou!" Eli respondeu: "Não te chamei, meu filho. Volta a dormir!" O Senhor chamou pela terceira vez: "Samuel! Samuel!" Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: "Tu me chamaste; aqui estou!". Eli compreendeu, então, que era o Senhor que estava 106 chamando o menino e disse a Samuel: "Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás: "Fala, Senhor, que teu servo escuta!" E Samuel voltou a seu lugar para dormir. O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: "Samuel! Samuel!" E ele respondeu: "Fala, que teu servo escuta!". (Querendo saber a missão que Deus deu a Samuel, pode seguir a leitura na Bíblia) 2º passo A resposta de Samuel ao chamado de Deus foi pronta e decidida. O chamado de Deus se dá também em nossa vida, não uma só vez, mas muitas vezes. Primeiro, fomos chamados à existência e, como tal, temos uma missão: construir um mundo justo e fraterno, onde haja lugar para todos serem felizes. O segundo chamado se deu no nosso Batismo. Fomos chamados a seguir Jesus Cristo no seu modo de viver e doar-se, e para levar sua mensagem ao mundo. Depois, vem o chamado para diversas missões. Pode ser o chamado para um estado de vida: casamento, ser padre, vida consagrada... Mas o chamado de Deus vem, muitas vezes, para determinadas funções e serviços: dentro da família, da comunidade, do trabalho... Vamos refletir: Quando tomei consciência de um chamado de Deus? Como reagi? É sempre fácil dar

112 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II uma resposta? (Quando a reflexão for feita em grupo, pode haver um momento de partilha) 3º passo Nem sempre é fácil dar uma resposta ao chamado de Deus. Moisés lutou com Deus, não querendo aceitar a missão. Igualmente o profeta Jeremias. Podemos conferir isto na Bíblia. (Ex 3, 1-14; 4, 10-16; Jer 1, 4-10) Deus chama pessoas de todo tipo, de idades diferentes, casadas ou solteiras, homens e mulheres. Não podemos pensar que o chamado é só para um determinado estado de vida. Deus chama na vida de cada um e em diversas situações, quando menos o esperamos. Coloque-se diante de Deus, em silêncio. Reflita: como respondo aos apelos de Deus na minha vida? Onde Deus está me chamando? Como? Fale com Deus sobre seus medos, seu comodismo, sua falta de generosidade... (Se a reflexão for em grupo, pode-se terminar com um canto: "Eis-me aqui, Senhor" ou "Senhor, se tu me chamas...") Inês Broshuis Catequeta Fonte: Jornal Missão Jovem, agosto de

113 8º TEMA EXTRA: SETEMBRO MÊS DA BÍBLIA 1. Objetivo: Estimular o conhecimento da proposta de amor de Deus através da aproximação e da leitura da Bíblia. 2. Conteúdo do Encontro: Respeito à Palavra de Deus. Como foi escrita a Bíblia, onde foi escrita, quem escreveu, em que língua foi escrita, para que foi escrita. De modo ilustrativo, mostrar o Antigo e o Novo Testamento, quantos livros tem cada parte, noções iniciais a respeito dos capítulos e versículos, mostrando que ela deve nos acompanhar por toda a vida. 3. Desenvolvimento do Encontro: A bíblia é a Palavra de Deus, porque através dela, Deus fala às pessoas. A palavra bíblia vem da língua dos gregos e quer dizer: coleção de livros, biblioteca. A bíblia é o livro mais conhecido do mundo inteiro, já está traduzida em todas as línguas oficiais e em inúmeras línguas e dialetos mais falados. A bíblia ajuda o povo a viver conforme o desejo de Deus. É através da bíblia que Deus anima e orienta o seu povo para continuar a lutar e a viver, sem nunca desanimar. Conversar sobre o que os catequizandos já sabem sobre a bíblia e comentar. Organizar uma pequena Celebração da Palavra de Deus Trazer uma bíblia grande, fazer a entrada com ela, colocar em lugar de destaque. Cantar um canto sobre a bíblia e ler um texto bíblico e, em seguida pedir que cada catequizando beije a bíblia em sinal de respeito. 4. Leitura utilizada: da própria apostila e da Bíblia 5. Ambientação: toalha, flores, bíblia, imagem etc. 6. Material utilizado: Apostila, Bíblia 7. Atividades: orientar a execução das atividades. APROFUNDAMENTO PARA O CATEQUISTA 5. O QUE É A BÍBLIA? Os cristãos colocaram os fundamentos de sua fé na revelação de Deus ao antigo Povo hebraico. Esta revelação teve a sua plenitude em Jesus Cristo. Esta grande experiência hist6ricoreligiosa se encontra no Livro da Bíblia. Mas, a Bíblia e mais do que um L1vro: e uma coleção de Livros. Bíblia é uma palavra grega, é um substantivo plural que quer dizer: Livros. Ela contém 73 livros sendo que: 46 livros são do Antigo Testamento e 27 livros do Novo Testamento. 6. PARTES DA BIBLIA a) ANTIGO TESTAMENTO (AT) Fala da História do Povo que Deus escolheu para fazer com Ele uma Aliança, antes do nascimento de Jesus. É composto por 46 livros. O AT mostra como surgiu esse povo, como viveu na escravidão no Egito, como possuiu uma terra, como foi governado, quais as relações que teve com os outros povos e nações, como organizou as suas leis e como viveu a sua religião. Apresenta seus costumes, sua cultura, seus conflitos, derrotas e esperanças. O AT mostra, também, como esse povo se comportou em relação à Aliança com Javé, o seu 108

114 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II Deus, e qual foi o Projeto que Deus quis realizar no meio da humanidade, através desse povo. Israel foi um povo escolhido, porque foi escolhido para realizar o Projeto de Deus. O AT é para os cristãos como um documento de fé para conhecer melhor a Deus e tudo aquilo que Ele falou e fez pela humanidade. o AT é um documento antigo - uma Antiga Aliança. b) NOVO TESTAMENTO (NT) Foi escrito depois da Ressurreição de Jesus. Para compreender o NT e necessário saber se Israel foi fiel ou não ao Projeto de Deus e como Deus agiu no meio dele. O NT apresenta a Encarnação de Jesus na terra concreta do povo de Israel. Jesus assumiu sua história, suas tradições, sua cultura e sua religião e o compromisso de realizar o Projeto do Pai O NT apresenta, também, a experiência e a reflexão religiosa de Jesus e dos primeiros cristãos. Com a vinda de Jesus realiza-se um Testamento Novo, uma Nova Aliança, um encontro definitivo com Deus. Por isso, tudo o que Jesus disse e fez e tudo o que foi proclamado sobre Jesus pelos seus apóstolos e discípulos, constitui o documento de nossa fé - o Novo Testamento. Estas partes da Bíblia têm o nome de TESTAMENTO (palavra latina: "Testamentum") que significa "documento importante", como aquele documento (testamento) que alguns pais fazem para os seus filhos. O Testamento na Bíblia, relembra a ALIANÇA feita entre Deus e o povo, começada com Moisés no Sinai, confirmada e aprofundada ao longo de toda a história deste povo. 7. QUANDO FOI ESCRITA A BÍBLIA? A Bíblia não foi escrita de um dia para outro. Alguns fatos foram escritos 100 anos depois que as coisas aconteceram, outros 200 anos, e outros até mais de 500 anos. A Bíblia levou 11 séculos (1100 anos) para ser escrita. É bom lembrar que a Palavra de Deus foi, em primeiro lugar, vivida pelo Povo de Deus. Durante muitos anos foi falada e recordada muitas vezes no meio do Povo, em rodas de conversa, no meio das famílias, e só depois foi escrita. O povo se esforçava para colocar Deus na vida, organizando a vida pessoal e social de acordo com a justiça. Os livros da Bíblia não foram escritos na ordem em que estão. Por ex: o Gênesis que conta a criação, é o 1º livro da Bíblia, mas o 1º livro a ser escrito foi o Livro dos Juízes que apareceu pelo ano 1000 a.c. quando Salomão era rei. Depois do Exílio surge o Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia). Os livros do NT foram escritos depois da morte de Jesus. O Apocalipse foi o último, pelo ano 100 depois de Cristo. Para o povo não havia diferença do "dizer" e do "escrever". O importante era transmitir aos outros uma nova consciência comunitária, nascida no povo a partir da experiência com Deus. Contavam os fatos mais importantes do passado. Como nós hoje decoramos a letra dos cânticos, assim eles decoravam e transmitiam as histórias as leis, as profecias, os salmos, os provérbios e tantas coisas que, depois, foram escritas na Bíblia. A maior preocupação do povo era "contar" sua experiência para não esquecer os fatos de sua história. A memória mantinha-se viva e, para que ela não se apagasse, registraram por escrito. A Bíblia saiu da memória do povo. Nasceu da preocupação de não esquecer o passado. A Bíblia começou a ser escrita em torno do ano 1250 a.c., e o ponto final foi colocado 100 anos depois do nascimento de Jesus. Quando os livros da Bíblia foram escritos, não eram divididos em capítulos e versículos como estão divididos hoje. A divisão em capítulos aconteceu pelo ano 1214, feita pelo inglês Estevão Langton, arcebispo de Cantuária, e a divisão em versículos foi feita em 1527, pelo dominicano Pagnini. A Bíblia foi impressa pela primeira vez, em latim, no ano 1450 depois de Cristo. 8. ONDE FOI ESCRITA A BÍBLIA? 109

115 A Bíblia foi escrita em lugares diferentes. A maior parte dela foi escrita na Palestina, onde o Povo vivia, por onde Jesus andou e onde nasceu a Igreja. Algumas partes do AT foram escritas na Babilônia, onde o povo viveu no cativeiro, 600 anos a.c. Outras partes foram escritas no Egito para onde o povo emigrou depois do cativeiro. O NT foi escrito na Síria, na Ásia Menor, na Grécia e na Itália, onde havia muitas comunidades, fundadas pelo Apóstolo Paulo. Nesses povos havia diferença de costumes, de cultura, de religião, de situação econômica, social e política. Tudo isto deixou marcas na Bíblia e teve influência na maneira da Bíblia nos apresentar a mensagem de Deus. 9. QUEM ESCREVEU A BÍBLIA? Não foi uma única pessoa que escreveu a Bíblia. Foram diversos autores. Deus se serviu de diversos tipos de pessoas para escrever a Bíblia: homens e mulheres, jovens e velhos, mães de família, reis, doutores e pastores, operários de várias profissões. Gente instruída que sabia ler e escrever e gente simples que só sabia contar histórias. Gente viajada e gente que nunca saiu de casa; sacerdotes e profetas. Gente de todas as classes, todos convertidos e unidos na mesma preocupação de construir um povo irmão, onde reinasse a fé, a justiça, a fraternidade, a fidelidade a Deus, e onde não houvesse opressor, nem oprimido. Eles escreveram por inspiração de Deus. Isto não quer dizer que Deus foi ditando, lá do céu e eles foram escrevendo. "Para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-se de homens, na posse das suas faculdades e capacidades, para que, agindo Ele neles e através deles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que Ele próprio quisesse" (DV11) - (CIC 106) Eles escreveram os acontecimentos do Povo de Deus. Mas nem todos os acontecimentos foram escritos; apenas foram escritos os fatos mais importantes da grande História do Povo de Deus. 110 O modo de falar da Bíblia é o mesmo modo de falar da época em que cada Livro foi escrito. Isto é importante conhecer e considerar para que não fiquemos presos aos símbolos e aos sinais que são usados na Bíblia. "Para descobrir a intenção dos autores sagrados, é preciso ter em conta as condições do seu tempo e da sua cultura, os gêneros literários em uso naquela época, os modos de sentir e narrar, correntes naquela época. Porque a verdade é proposta e expressa de modos diversos, quando se trata de gêneros históricos, proféticos, poéticos ou outros" (DV 12,2) - (CIC 110). Às vezes, não é fácil compreender o que está escrito porque a linguagem é diferente da nossa. Muitas vezes não entendemos palavras usadas por nossos avós 50 anos atrás. Então, o que dizer das palavras que foram escritas há mais de anos? A fé do antigo povo e dos cristãos reconhece que a Bíblia foi escrita por homens que sentiram a inspiração de Deus e colocaram a seu serviço a inteligência e o conhecimento que tinham da vida e da história do povo, a sensibilidade humana, sua fantasia e reflexão. Eram homens que receberam a inspiração de Deus. "Toda Escritura é divinamente inspirada". (2Tm 3,16-17). Por essa razão pode-se dizer que a Bíblia é obra de Deus, e o Livro de Deus, mas é também Livro da Fé e da Vida de um Povo. A Bíblia é a Palavra de Deus em forma humana (1 T8 2, 13). Para os cristãos, a Bíblia é o livro mais importante dentre os milhões de livros já escritos até hoje.

116 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 10. EM QUE LÍNGUA FOI ESCRITA A BÍBLIA A Bíblia foi escrita em 3 línguas diferentes: hebraico, aramaico e grego. O hebraico foi sempre a língua sagrada. Todo menino israelita devia estudá-la. A língua familiar dos hebreus era o aramaico, a língua que falava Abraão. Esta língua foi falada por eles até a entrada na Terra de Canaã. Em Canaã a povo teve que aprender o hebraico. Quando a Palestina foi invadida pelos gregos, pelo ano 333 a.c., o povo foi obrigado a falar a língua grega. Traduções - A Bíblia foi traduzida para ser compreendida. Como o hebraico era muito difícil e não era a língua falada pelo povo, surgiram as traduções gregas. A mais famosa tradução foi a dos "Setenta" feita por, 70 sábios, pelo ano 250 a.c, em Alexandria. Quando foi feita, foram acrescentados 7 livros que não constavam da Bíblia hebraica. Há uma diferença entre a Bíblia dos católicos e a Bíblia dos protestantes. As protestantes ficaram com a Bíblia hebraica, com 7 livros menos: Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico, Sabedoria, 1 e 2 Macabeus, parte do livro de Daniel e Ester. Os católicos seguiram o exemplo dos apóstolos, ficando com a tradução grega dos Setenta. Tradução para o Latim: São Jerônimo traduziu a Bíblia para o latim, no século IV d.c., e esta tradução se chama "Vulgata" ou popular. Hoje a Bíblia esta traduzida nas principais línguas de todos os povos e as traduções populares crescem dia-a-dia. 11. PARA QUÊ FOI ESCRITA A BÍBLIA? A Bíblia foi escrita para manter o povo na caminhada. Três coisas animam o povo a caminhar: a) contar o passado; b) anunciar o futuro; c) mostrar o presente. a) Contar o passado Nos não nos esquecemos do passado da nossa vida. Ficamos corajosos quando sentimos que fomos ajudados a vencer na vida. Assim também o povo de Deus (o povo da Bíblia), olhando as coisas que Deus tinha feito para ele no passado, se animava a caminhar para frente. Os livros que falam do passado do povo de Israel chamam-se: Pentateuco: (Lei ou Tora). São assim chamados os cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis (Origem da vida e da história do povo no Egito), Êxodo (saída do Egito), Levítico (formação de um povo santo e instruções para o culto), Números (a caminho da Terra Prometida) e Deuteronômio (segunda lei - projeto de uma nova sociedade). Livros Históricos: Josué - Juízes - Rute - Samuel (1 e 2) - Reis (1 e 2) - Crônicas (1 e 2) - Esdras - Neemias - Tobias - Judite - Ester - Macabeus (1 e 2). São 16 os livros históricos. b) Anunciar o futuro Ficamos animados quando olhamos para as possibilidades que temos no futuro. Nascem em nós a esperança, a força e a coragem. Assim o Povo de Deus (o povo da Bíblia) se animava a caminhar para frente, quando eram colocadas, pelos profetas, as promessas feitas por Deus para o futuro. Os livros que falam do futuro do povo de Israel se chamam Livros Proféticos: Isaías - Jeremias - Lamentações - Baruc - Ezequiel - Daniel - Oséias - Joel - Amós - Abdias - Jonas - Miquéias - Naum - Habacuc - Sofonias Ageu - Zacarias - Malaquias. São 18, os livros Proféticos. c) Mostrar o presente Ficamos felizes quando sentimos que Deus caminha conosco, na nossa vida presente e com nossos problemas. Assim aconteceu com o Povo da Bíblia quando começou a caminhar com Deus. Olhava não só o passado, nem só o futuro, mas também o presente, buscando soluções para seus problemas. Tudo isto está escrito nos Livros Sapienciais: Jó - Salmos - Provérbios - 111

117 Eclesiastes - Cântico dos Cânticos - Sabedoria - Eclesiástico. São 7, os livros Sapienciais. "Com efeito, tudo o que foi escrito, anteriormente, foi escrito para nossa instrução, a fim de que, pela constância e consolação que provêm das Escrituras, possuamos a esperança" (Rm 15,4). "Tendo Deus falado outrora muitas vezes e de muitas maneiras pelos Profetas, agora falounos nestes últimos tempos pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo e por quem igualmente criou o mundo" (Hb 1, 1-2). Cristo é a luz que ilumina o passado, o presente e o futuro. Fazendo referência a Ele, podemos entender a mensagem da Bíblia hoje. Fonte: Fé, Vida e Comunidade, Livro do Catequista, Paulus, 2003 p. 34 a

118 Diocese de São José dos Campos Pastoral Catequética Apostila do Catequista Etapa I Módulo II 9º TEMA EXTRA: MISSÕES 1. Objetivos: Refletir sobre as missões e sua importância na vida cristã e da Igreja. Identificar nossa presença no mundo, na comunidade como missionário. Identificar a vocação do cristão no mundo de hoje, atuante e transformador à da Palavra de Deus. 2. Conteúdo do Encontro: Iniciar a reflexão com o texto da apostila. Comentar sobre a importância do sal na nossa vida: dar sabor e mesmo conservar alguns alimentos (carne seca e salgada). Solicitar aos catequizandos que pensem e dêem exemplos de situações onde somos sal e luz para o mundo. 3. Desenvolvimento do Tema: É desejo de Deus que todos se salvem, por isso Jesus antes de subir ao céu, deus a seguinte ordem aos discípulos: Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura. (Mc 16, 15) É desejo do Senhor que todos conheçam e pratiquem o Evangelho. Todos os cristãos são chamados a anunciar, pela vida e pela Palavra, o Evangelho, mas há pessoas que até deixam sua pátria e partem para longe para levar a Boa Nova da Salvação trazida por Jesus. Estas pessoas são os missionários. Todos nós somos convidados a ser missionários, pois podemos falar de Jesus, imitá-lo, fazê-lo conhecido e amado. Podemos ser missionários em nossa própria família, na escola. Se cada um de vocês viver realmente o que aprende na catequese, estará sendo um missionário. Santa Teresinha foi religiosa de clausura. Rezou e se sacrificou tanto pelos missionários que é considerada Padroeira dos Missionários. São Francisco Xavier também é o patrono dos missionários. O que você pode fazer para ser missionário? 4. Leitura utilizada: da própria apostila 5. Ambientação: toalha, flores, bíblia, imagem etc. 6. Material utilizado: Apostila, Bíblia. 7. Atividades: orientar a execução das atividades. 8. Momento de Oração fazer um momento de oração pelos missionários. 113

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