Documentos. ISSN Dezembro, Ausência de Sigatoca-Negra no Distrito Federal

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1 Documentos ISSN Dezembro, B C A D E Sigatoca-Negra no Distrito Federal

2 ISSN Dezembro, 2008 Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Documentos 276 Sigatoca-Negra no Distrito Federal Marta Aguiar Sabo Mendes Vicentina A. Miranda e Silva Arailde Fontes Urben José Flávio Soares Moreira Lima Autores Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Brasília, DF 2008

3 Exemplares desta edição podem ser adquiridos na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Serviço de Atendimento ao Cidadão Parque Estação Biológica, Av. W/5 Norte (Final) Brasília, DF CEP Caixa Postal PABX: (61) Fax: (61) Comitê de Publicações Presidente: Miguel Borges Secretária-Executiva: Maria da Graça Simões Pires Negrão Membros: Diva Maria de Alencar Dusi Luiz Adriano Maia Cordeiro José Roberto de Alencar Moreira Regina Maria Dechechi G. Carneiro Samuel Rezende Paiva Suplentes: João Batista Tavares da Silva Margot Alves Nunes Dode Supervisor editorial: Maria da Graça Simões Pires Negrão Normalização Bibliográfica: Ligia Sardinha Fortes Editoração eletrônica: Maria da Graça Simões Pires Negrão Foto: Sintomas de Sigatoka-amarela (A, B e C) presente no DF, e Sigatoca-negra (D e E) não relatada no DF. 1ª edição 1ª impressão (2008): Todos os direitos reservados A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Embrapa 2008

4 Autores Marta Aguiar Sabo Mendes Pesquisadora. Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, CEP , Brasília, DF. Vicentina A. Miranda e Silva Bolsista. Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, CEP , Brasília, DF. Arailde Fontes Urben Pesquisadora. Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, CEP , Brasília, DF. José Flávio Soares Moreira Lima Fiscal Agropecuário da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do DF.

5 Histórico da doença no Brasil e no mundo A Sigatoca-negra já ocorria no continente asiático e oceano pacífico antes de ser identificada, pela primeira vez, em 1963, na ilha de Fiji, Oceania. Sendo que após este primeiro relato, foi verificada também, em várias regiões desse continente (JONES, 1999). Na Malásia foi relatada primeiramente em 1965, mas não é a doença foliar dominante como acontece em outros países tropicais. Neste país prevalece a Septoriose, que também tem Mycosphaerella sp. como teleomorfo. Na Ásia, foi registrada na ilha de Java, Indonésia, em 1969, 1988 e 1996, respectivamente. O primeiro registro de Sigatoca-negra na África foi no Zâmbia em A doença foi relatada no Hawaii, Estados Unidos, em 1969 e depois no México em Foi detectada na América Central, Honduras (1976), onde provocou uma epidemia bastante agressiva; Costa Rica, país onde encontrou condições climáticas bastante favoráveis; Belize, Guatemala e Nicarágua em 1980; Panamá, em 1987; El Salvador, em 1990; Cuba, em 1992; Jamaica, em 1996; República Dominicana, em 1997 e; Haiti e ilhas da Antilha no Caribe (EPPO, 2002). Na América do Sul está presente, na Colômbia e Equador, desde 1990; Venezuela, desde 1993; Bolívia, desde No Brasil até 1998 fazia parte da lista das pragas quarentenárias A1. A primeira detecção da doença no Brasil foi em Tabatinga, no Estado do Amazonas em fevereiro de 1998 (PEREIRA et al., 1998), nos cultivares, Ana e Maçã. No Estado do Pará ocorre desde 2002 (TRINDADE et al., 2002), e em Estado de São Paulo desde 2004 (CAMPOS-NOGUEIRA, 2000). Segundo Cavalcante et al. (2004), a doença já foi observada em todos os Estados da Região Norte e no Mato Grosso, impedindo a comercialização da banana desses Estados para o resto do país. Atualmente a praga ocorre em 12 Estados e, outros 12 estados foram considerados Áreas Livres (Tabela 1). A exceção para Minas Gerais, que embora ocorra a doença existem Municípios considerados livres deste patógeno. Na Instrução Normativa N 17 estão descritos os procedimentos para a caracterização, implantação e manutenção de Área Livre de Sigatoca-negra (MAPA, 2006). Variedades resistentes A Embrapa, prevendo o estabelecimento desta praga no país, iniciou programa de melhoramento genético em 1982 (CORDEIRO et al., 1995) lançando variedades resistentes à Sigatoca-negra pouco tempo após a sua introdução no Brasil. Recentemente lançou primeiro híbrido de banana do tipo resistente à Sigatoca-negra (OLIVEIRA, 2008).

6 Levantamento fitossanitário no DF A fiscalização, a inspeção e a execução das medidas e ações necessárias ao combate das pragas que possam comprometer a sanidade vegetal, dentro do DF, são de competência da Subsecretaria de Defesa e Vigilância Sanitária da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do DF. Sob planejamento deste órgão e orientação da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia foi realizado um levantamento fitossanitário visando detectar e identificar a possível presença da doença Sigatoca-negra causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis Morelet ou sua forma anamórfica Paracercospora fijiensis (Morelet) Deighton., na Região do DF, para posterior obtenção de reconhecimento oficial de Área Livre. Amostragem: foram das amostras de folhas com de todas as propriedades produtoras de banana do DF, assinaladas no mapa anexo e detalhadas na Tabela 1. Tabela 1. Situação da ocorrência de Sigatoca-negra no Brasil e as respectivas legislações pertinentes para cada estado (Instrução Normativa*). Estado Situação Acre Alagoas Instrução Normativa n 10 de 11/04/2007 Amapá Amazonas Bahia Instrução Normativa n 02 de 30/01/2008 Ceará Instrução Normativa n 63 de 21/11/2006 Espírito Santo Instrução Normativa n 64 de 21/11/2006 Goiás Instrução Normativa n 29 de 07/06/2006 Maranhão Instrução Normativa n 62 de 09/11/2006 Mato Grosso Mato Grosso do Sul Minas Gerais Áreas Livres Instrução Normativa nº 59 de 20/10/2006 Áreas Livres Instrução Normativa nº 71 de 29/12/2006 Pará Paraíba Instrução Normativa nº 48 de 13/09/2006 Paraná Pernambuco. Instrução Normativa Nº 44 - de 19/12/2007 Piauí. Instrução Normativa Nº 22, de 15 /06/2007 Rio de Janeiro Estado livre de Sigatoca Negra. Instrução Normativa N.º34 de 29/06/2006. Rio Grande do Sul Há ocorrência de Sigatoca Rio Grande do Norte. Instrução Normativa N.º60 de 31/10/2006.

7 Estado Rondônia Roraima Santa Catarina São Paulo Sergipe Tocantins Situação Há ocorrência de Sigatoca Negra. Instrução Normativa N.º 43 de 19/12/ Instrução Normativa Nº 19, de 24/05/07 *Atualizado em dezembro de Os métodos utilizados para a detecção ou não da Sigatoca-negra foram: (1) avaliação visual no campo e a observação dos ; (2) exame direto sob microscópio estereoscópico, precedido ou não de câmara úmida e; (3) morfo-fisiológico, sob microscópio de luz, para a identificação dos fungos. Avaliação visual: 10 % das plantas das propriedades visitadas foram observadas quanto aos foliares, sendo retiradas amostras somente daquelas que apresentavam suspeitas da presença de Sigatoca-amarela e possível presença da Sigatoca-negra (Figura 2). B C A D E Figura 2. Sintomas de Sigatoka-amarela (A, B e C) presente no DF, e Sigatoca-negra (D e E) não relatada no DF. No exame direto: observação das folhas com diretamente sob microscópio estereoscópio. Em câmara úmida as folhas foram acondicionadas em caixas plásticas envolvidas com sacos plásticos em câmara a 20 0C durante três dias antes da observação sob microscópio estereoscópico.

8 Identificação morfo-fisiológica: os fungos detectados foram colocados em lâmina de vidro com corante e observados sob microscópio de luz para a identificação morfo-fisiológica, empregando-se literatura especializada (MULDER e HOLLIDAY, 1974a) Sigatoca-negra no DF O levantamento fitossanitário foi realizado em 100 % das propriedades produtoras de banana no DF, nos meses de dezembro de 2007, fevereiro e novembro de Não foi constada a presença de M. fijiensis ou sua fase anamórfica nestas localidades levantadas (Tabela 2). No Núcleo Rural Pipiripau Nº. 74 houve uma suspeita na amostragem de dezembro de 2007, porém não foi confirmada nas amostragens de fevereiro, junho e novembro de O levantamento foi em todas as propriedades nos meses de dezembro de 2007 e fevereiro de As s de junho e dezembro de 2008 foram em menor número de propriedades apenas para consolidar os resultados registrados anteriormente. Tabela 2. Resultados das análises fitossanitárias realizadas nas áreas de plantio comercial de banana no DF, no período de dezembro de 2007 a novembro de 2008, quanto a presença/ausência de Sigatoca-negra. Local da propriedade Município Padre Bernardo Chácara 03/ 401 Incra 09 Chácara 03/ 465 Incra 09 Núcleo Rural Pipiripau 10/ 11 Núcleo Rural Taquara Área Isolada Núcleo Rural Pipiripau Nº. 74 Chácara 66 Núcleo Rural Taquara Núcleo Rural Rio Preto 153 e 154 Colônia Agrícola Tipo de Produção Nanica Nanica Nanica 80% Nanica/ / Maçã e Área de Produção 90 *ha. 02 ha. 12 ha. 06 ha. 05 ha. 11 ha. 02 ha. 40 ha. 15 ha. Dez./2007 Fev./2008 Jun./2008 Nov./2008 Suspeita de de de de de de de de de de de de de de

9 Local da propriedade Itapeti Chácara 32 Mód. G *ha - hectare Tipo de Produção Área de Produção Dez./2007 Fev./2008 Jun./2008 Nov./2008 Localização das Propriedades Produtoras de Banana Rio Preto - Propriedades Produtoras REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa n. 17, de 7 de abril de Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 10 abr Seção 1, p. 98. CAMPOS-NOGUEIRA, E. M. Black sigatoka, a threat for bananas in the State of São Paulo. Summa Phytopathologica, Jaguariuna, SP, v. 26, p , CAVALCANTE, M. J. B.; SÁ, C. P.; GOMES, F. C. R.; GONDIM, T. M. S.; CORDEIRO, Z. J. M.; HESSEL, J. L. Distribuição e impacto da Sigatoka-negra na bananicultura do estado do Acre. Fitopatologia Brasileira, Brasilia, DF, v. 29, p , 2004.

10 CORDEIRO, M. N.; RICHARDSON, M.; GILROY, J.; FIGUEIREDO, S. G.; BEIRÃO, P. S. L.; DINIZ, C. R. Properties of the venom from the south american armed spider Phoneutria nigriventer (Keyserling, 1891). J. Toxicol.- Toxin Rev., v. 14, p , JONES, D. R. (Ed.) Diseases of banana, Abacá and Enset. Wallingford, UK: CAB Publishing, p. MULDER, J. L.; HOLLIDAY. P. Mycosphaerella fijiensis (conidial state: Cercospora sp.). CMI Descriptions of Pathogenic Fungi and Bactéria, Kew, Inglaterra, GB, n. 413, 1974, p. 2 a MULDER, J. L.; HOLLIDAY. P. Mycosphaerella musicola (conidial state: Cercospora musae). CMI Descriptions of Pathogenic Fungi and Bactéria, Kew, Inglaterra, GB, n. 414, 1974, p. 2 b OLIVEIRA, D. Embrapa lança primeiro híbrido de banana do tipo resistente à Sigatoka-negra. Disponível em: < alimentoseguro.locaweb.com.br/noticias225.asp?tipo_tabela=noticias&id=225& categoria=cet>. Acesso em: novembro de PEREIRA, J. C. R.; GASPAROTO, L.; COELHO, A. F. da S.; URBEN, A. F. Ocorrência de Sigatoka negra no Brasil. Fitopatologia Brasileira, Brasília, DF, n. 23 (Supl.), p. 295, PEREIRA, R. J. T. A.; SOHREY, B.; HOLTZ, W. Nonsurgical embryo collection in goats treated with prostaglandin F2 and oxytocin. Journal of Animal Science, Champaign, Ill., US, v. 76, p , TRINDADE, D. R.; POLTRONIER, L. S.; MENEZES, J. E. Sigatoka-negra da bananeira no estado do Pará. Fitopatologia Brasileira, Brasília, DF, v. 27, n. 3, p.323, 2002.