Telecomunicações 17 de novembro de 2015 Avanço dos serviços de telecomunicações deverá ser mais lento nos próximos anos Priscila Pacheco Trigo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos Os serviços de telecomunicações apresentaram forte expansão nos últimos anos, sustentados pelo mercado de trabalho aquecido, pela mobilidade social, pelas novas tecnologias e pelo barateamento dos serviços (e aparelhos). Do lado da demanda das empresas, o aumento do volume de negócios e a necessidade de informação rápida fomentaram o mercado. À frente, vislumbramos menor ritmo de expansão, diante de um cenário de enfraquecimento do mercado de trabalho e da atividade econômica. Somado a isso, o acesso a esses serviços está compatível com a renda média da população brasileira, conforme comparação com os principais países no mundo. Nesse sentido, a expansão do setor nos próximos anos será mais dependente de avanços reais da renda da população brasileira. As condições favoráveis do mercado de trabalho e a ampliação da mobilidade social, observadas nos últimos anos, refletiram no consumo das famílias. A inserção de mais de 40 milhões de pessoas na classe média em dez anos possibilitou às famílias 290.000 270.000 250.000 230.000 210.000 190.000 170.000 150.000 130.000 110.000 90.000 set/07 151.949 116.314 dez/07 122.858 mar/08 jun/08 set/08 dez/08 mar/09 173.959 jun/09 set/09 dez/09 191.472 210.510 227.352 252.982 Os destaques nos últimos anos foram, sem dúvida, os serviços de banda larga e TV por assinatura. O número de acessos de banda larga fixa totalizou 25,4 milhões em setembro deste ano, lembrando mar/10 jun/10 set/10 dez/10 Acessos Móveis - milhões mar/11 jun/11 set/11 dez/11 mar/12 jun/12 set/12 260.065 dez/12 brasileiras se equiparem com bens de consumo duráveis e abriram espaço para a contratação de serviços complementares a esses bens, como é o caso de seguros e de telecomunicações, que começaram a fazer parte da cesta de consumo. Nesse contexto, o setor de telecomunicações vem se destacando, com a inserção de novas tecnologias e com a mudança de hábito da população, em escala global. No mercado de telefonia móvel brasileiro, mais de 94 milhões de novos acessos foram acrescentados nos últimos cinco anos, o que foi impulsionado pela redução real dos preços de aparelhos celulares e dos serviços oferecidos e das condições favoráveis do mercado de trabalho. Em setembro passado, havia 275,9 milhões de acessos ativos, sendo 203,5 milhões de linhas pré-pagas e 72,4 milhões de linhas pós pagas. A telefonia fixa, por sua vez, expandiu de forma mais moderada nos últimos anos, inclusive registrando retração desde. Esse segmento sofre concorrência direta com a telefonia móvel, tanto na demanda das famílias quanto das empresas. 266.999 mar/13 jun/13 set/13 271.100 dez/13 mar/14 277.409 jun/14 set/14 dez/14 283.518 mar/15 jun/15 set/15 275.890 Base de acessos móveis em milhares (inclui modens e chips bloqueados) Fonte: Anatel que o serviço começou a ser oferecido a partir de 2000. Nos serviços de TV paga, as assinaturas atingiram 19,5 milhões no mesmo período. Com isso, a densidade ultrapassou 38,3 acessos para 1
cada 100 domicílios com banda larga e 29,4 acessos para cada 100 domicílios. Note que os acessos à TV por assinatura estão praticamente estabilizados há mais de um ano, em função da concorrência com serviços de streaming de vídeo 1, entre outros fatores conjunturais ligados à atividade econômica. 28.000 26.000 24.000 22.000 22.795 25.434 Acessos de banda larga fixa em milhares de acessos 20.000 18.976 18.000 16.000 15.869 14.000 13.224 12.000 10.000 8.000 8.325 10.054 11.126 6.000 4.000 2.000 1º T08 2º T08 3º T08 4º T08 1º T09 2º T09 3º T09 4º T09 1º T10 2º T10 3º T10 4º T10 1º T11 2º T11 3º T11 4º T11 1º T12 2º T12 3º T12 4º T12 1º T13 2º T13 3º T13 4º T13 1º T14 2º T14 3º T14 4º T14 1º T15 2º T15 3º T15 TV por assinatura em mil assinaturas 21.500 19.500 18.628 19.812 19.638 17.500 16.809 17.596 15.500 15.122 13.500 12.442 11.500 10.419 9.500 9.074 7.500 6.610 7.623 Fonte: Anatel 5.500 mar/09 mai/09 jul/09 set/09 nov/09 jan/10 mar/10 mai/10 jul/10 set/10 nov/10 jan/11 mar/11 mai/11 jul/11 set/11 nov/11 jan/12 mar/12 mai/12 jul/12 set/12 nov/12 jan/13 mar/13 mai/13 jul/13 set/13 nov/13 jan/14 mar/14 mai/14 jul/14 set/14 nov/14 jan/15 mar/15 mai/15 jul/15 set/15 Apesar de não termos uma abertura maior dos dados, é importante ressaltar que o avanço da telefonia celular nos últimos anos também está atrelado à demanda empresarial. A facilidade na comunicação e o acesso rápido à informação são os principais fatores para impulsionar a demanda das empresas a tais serviços. Nesse contexto, a densidade da telefonia celular no, hoje em 134,75 para cada 100 habitantes, reflete ao menos em parte o fato de que muitas pessoas têm linha corporativa, além da particular. Pensando à frente, a evolução do acesso aos serviços de telecomunicações deve ocorrer de 1 Serviços de transmissão de vídeo pela Internet sem a necessidade de download do material. 2 Dados de. maneira moderada, conforme parcela relevante das empresas e famílias já possui acesso aos serviços. De fato, há uma relação positiva entre o PIB per capita e a densidade de banda larga e de telefonia fixa quando analisamos os dados dos principais países no mundo, conforme gráficos a seguir. Comparados a outros países, esses serviços no estão compatíveis com os ganhos de renda do brasileiro. O País possui 11,8 acessos de banda larga para cada 100 habitantes, ao mesmo tempo em que estão ligados 22,1 telefones fixos para cada 100 habitantes, ou seja, 35,8 e 67,3 acessos respectivos por domicílio 2. 2
banda larga 50,0 45,0 40,0 35,0 Espanha Japão 25,0 15,0 fixo 5,0 Índia Paraguai 0,0 (US$ PPP) em banda larga - em telefonia fixa - 70,0 60,0 50,0 Japão 40,0 Espanha Paraguai (US$ PPP) Índia 0,0 No caso de telefonia móvel, a relação não é clara, de forma que países com renda per capita semelhante possuem dispersão grande na densidade celular desses serviços. Ainda assim, o possui 138 linhas para cada 100 habitantes, como apontado anteriormente, e está entre um dos países com maior acesso à telefonia móvel. Por fim, para TV por assinatura, os dados globais são escassos dificultando a análise. Vale ainda ressaltar que o possui 9,6 acessos para cada habitante, ou 29,6 acessos para cada 100 domicílios. 180,0 160,0 140,0 1 100,0 80,0 Paraguai Índia Japão Espanha 60,0 (US$ PPP) em telefonia móvel - 3
TV assinatura 35,0 25,0 32,1 20,5 18,0 Densidade em TV por assinatura acesso por 100 habitantes 15,0 15,7 15,4 13,4 12,6 9,6 9,0 7,6 5,0 4,8 - * * ** * Nesse sentido, o avanço dos serviços de telecomunicações nos próximos anos dependerá muito mais do crescimento populacional, da renda das famílias e da evolução dos negócios do que ao acesso desses serviços, como ocorreu nos últimos anos. Enquanto o crescimento populacional é cada vez menor, a atual conjuntura não é favorável para os ganhos de renda dos trabalhadores e da atividade empresarial. Ou seja, o cenário adverso neste e no próximo ano implica uma acomodação da atividade de telecomunicações no nesse período. Esperamos, dessa forma, que a demanda por serviços de telecomunicações continue desacelerando nos próximos meses. Para 2016, projetamos diminuição do número de acesso de TV por assinatura e telefonia fixa, de 1,0% e 1,5% respectivamente. Para telefonia fixa, além da atual conjuntura, a trajetória de substituição pelo acesso móvel deve se manter nos próximos anos. Para banda larga, ainda enxergamos espaço para crescimento, levando em conta a facilidade de comunicação obtida com acesso à internet e a necessidade de informação rápida, além do barateamento desses serviços. Ainda assim, projetamos expansão mais modesta para tais serviços em 2016: alta de 1,1% nos acessos de banda larga. Por fim, o número de acessos de telefonia móvel deve permanecer no mesmo patamar deste ano. Data Telefonia fixa Telefonia móvel Bada larga fixa TV por assinatura 2008 41.200 150.641 10.054 6.321 2009 41.500 173.959 11.526 7.473 2010 42.000 202.944 13.830 9.769 2011 43.000 242.232 16.342 12.744 2012 44.300 261.808 18.976 16.189 2013 45.200 271.100 21.269 18.020 45.002 280.732 23.968 19.574 2015* 43.652 276.240 25.663 19.515 2016* 42.997 276.240 25.945 19.320 Variação % 2009 0,7% 15,5% 14,6% 18,2% 2010 1,2% 16,7% % 30,7% 2011 2,4% 19,4% 18,2% 30,5% 2012 3,0% 8,1% 16,1% 27,0% 2013 2,0% 3,5% 12,1% 11,3% -0,4% 3,6% 12,7% 8,6% 2015* -3,0% -1,6% 7,1% -0,3% 2016* -1,5% 0,0% 1,1% -1,0% Serviços de telefonia em milhares Fonte: Anatel e Teleco 4
Perfil Setorial O número de acessos de telefonia no somou 325,7 milhões em. Telefonia fixa respondeu por 13,8% dos acessos, com 45,0 milhões, enquanto telefonia celular representou 86,2% dos acessos, 280,7 milhões. Dentro do acesso móvel, 75,8% utilizam serviço pré-pago, enquanto 24,2% são pós-pago. A densidade média brasileira para telefonia celular é de 138,0 acessos para cada 100 habitantes. Centro- Oeste (159,2), Sudeste (145,3) e Sul (140,8) se destacam. Em TV por assinatura, foram 19,5 milhões de acessos em. A densidade de TV por assinatura atingiu 29,8 acessos para cada 100 habitantes, com as regiões Sudeste (42,3) e Sul (29,6) superando a média nacional. A banda larga encerrou com 23,97 milhões de acessos e densidade de 36,51 acessos para cada 100 habitantes. Regionalmente, Sudeste, Sul e Centro-Oeste possuem densidade acima da média brasileira: 50,2; 41,6 e 37,4 respectivamente. Equipe Técnica Octavio de Barros - Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos Marcelo Cirne de Toledo - Superintendente executivo Economia Internacional: Fabiana D Atri / Felipe Wajskop / Daniela Cunha de Lima / Thomas Henrique Schreurs Pires Economia Doméstica: Igor Velecico / Andréa Bastos Damico / Ellen Regina Steter / Myriã Tatiany Neves Bast / Ariana Stephanie Zerbinatti Análise Setorial: Regina Helena Couto Silva / Priscila Pacheco Trigo / Leandro de Oliveira Almeida Pesquisa Proprietária: Fernando Freitas / Leandro Câmara Negrão / Ana Maria Bonomi Barufi Estagiários: Davi Sacomani Beganskas / Henrique Neves Plens / Mizael Silva Alves / Gabriel Marcondes dos Santos / Wesley Paixão Bachiega / Carlos Henrique Gomes de Brito / Gustavo Assis Monteiro O BRADESCO não se responsabiliza por quaisquer atos/decisões tomadas com base nas informações disponibilizadas por suas publicações e projeções. Todos os dados ou opiniões dos informativos aqui presentes são rigorosamente apurados e elaborados por profissionais plenamente qualificados, mas não devem ser tomados, em nenhuma hipótese, como base, balizamento, guia ou norma para qualquer documento, avaliações, julgamentos ou tomadas de decisões, sejam de natureza formal ou informal. Desse modo, ressaltamos que todas as consequências ou responsabilidades pelo uso de quaisquer dados ou análises desta publicação são assumidas exclusivamente pelo usuário, eximindo o BRADESCO de todas as ações decorrentes do uso deste material. Lembramos ainda que o acesso a essas informações implica a total aceitação deste termo de responsabilidade e uso. A reprodução total ou parcial desta publicação é expressamente proibida, exceto com a autorização do Banco BRADESCO ou a citação por completo da fonte (nomes dos autores, da publicação e do Banco BRADESCO). 5