Um homem de génio é produzido por um conjunto complexo de circunstâncias, começando pelas hereditárias, passando pelas do ambiente e acabando em episódios mínimos de sorte. Genialidade, Fernando Pessoa
O meu caminho E ram catorze horas e vinte minutos do dia 26 de Fevereiro de 1983, quando nesse dia no Hospital de Matosinhos, eu nasci. Os meus pais num rasgo de originalidade decidiram chamar-me Fernando, um nome bem português que o meu pai já tinha recebido do meu avô! Poucos são os momentos que me lembro dos meus primeiros anos de vida, e apenas dois recordo com clareza. O primeiro aconteceu ainda não tinha três anos Era Inverno e eu corria para a janela da sala cheio de excitação, pela primeira vez nevava na minha cidade Natal Lembro-me de ir brincar com a neve, lá fora, na companhia da minha irmã. Na minha segunda recordação já tinha quatro anos de idade e penso que me marcou mais, porque estava na companhia do meu pai, enquanto ele via, pela televisão, a primeira Taça dos Campeões Europeus conquistada pelo seu clube do coração, que mais tarde viria também a ser o meu o Futebol Clube do Porto. Entro para a escola primária com seis anos, sem muitos medos, pois a escola ficava em frente à varanda de minha casa, onde sabia que teria sempre o olhar atento da minha mãe, o que me transmitia uma segurança tranquilizadora naquela grande aventura. Lembro-me de como eram distintos os estados de espírito daqueles que viriam a ser os meus futuros colegas naquele primeiro dia. Uns extravasavam a sua ansiedade a correr e a pular de um lado para o outro num estado de grande euforia, até parecia que ninguém lhes tinha dito que era o primeiro dia de escola, porém havia aqueles que continuavam agarrados aos familiares e que tentavam por tudo que não os deixassem naquele lugar estranho. Quanto a mim, procurava apreender aquela nova realidade o mais rápido possível, pois sabia que era mais uma obrigação e não adiantava lutar contra ela, apenas tirar o melhor partido. Era uma criança muito educada e empática, e que desde muito cedo recebi por parte da minha mãe uma educação religiosa cristã. Nos primeiros anos de escola revelei-me ser uma criança com um rápido poder de compreensão e assimilação de conhecimentos, o que fazia com que a todas as matérias dadas tivesse boas notas e fosse um dos melhores alunos. Apesar desse estatuto de estar entre os melhores alunos, nunca tive dificuldades em fazer amigos na escola e em ser apreciado por quase todos os colegas e professores.
O segundo ciclo não trouxe grandes mudanças ao nível escolar e pessoal, apenas estava mais longe de casa. Porém, no terceiro ciclo mudei novamente de escola, e desta vez a mudança foi um pouco mais radical, pois entrei para a Escola Secundária João Gonçalves Zarco. Esta nova etapa trouxe-me novos desafios, principalmente ao nível de interacção com os novos colegas. Contudo, e apesar de as distracções nesta fase serem mais, conseguia manter o nível das minhas notas e ao mesmo tempo ser uma criança com bom desenvolvimento social e apreciada pelos restantes colegas e amigos. Tinha acabado o ensino obrigatório e surgia agora o momento de tomar uma decisão quanto ao meu futuro e ao meu percurso escolar. Desde os meus dez ou onze anos que anunciava que queria ser advogado, mas, agora chegado o momento de decidir que caminho tomar, o meu cérebro enchia-se de todas as dúvidas possíveis, encarava a minha decisão com uma responsabilidade tremenda, não só por mim, mas pelos meus pais, que em pouco me podiam ajudar, já que nenhum deles tinha ido além do quarto ano. As matérias em que mais me destacava eram a Matemática, o Inglês, História e Desenho, por isso, a psicóloga da escola não me serviu de muita ajuda. Acabei por escolher a área de Economia que me poderia dar de igual forma o acesso a Direito. Podia também permanecer na mesma escola, e ter a companhia de alguns dos amigos mais próximos. O meu percurso de secundário foi um pouco mais turbulento e com muitas mais distracções. No meu décimo ano, e depois de estar mais de um período sem professora de matemática tive a minha primeira negativa. Acabei o ano reprovado a Matemática e sem possibilidade de me inscrever no ano seguinte a essa mesma disciplina, como era novo e precipitado preferi continuar o secundário, não aceitando que o melhor seria mesmo repetir o ano. Cheguei ao fim do meu secundário sem qualquer ideia definida quanto aquilo que queria seguir e continuava a ter a Matemática em atraso. Ainda tentei fazer Matemática pelo exame nacional, mas com muito pouca preparação, por falta de método de estudo, que nunca desenvolvi, mas sobretudo por distracções ligadas à adolescência. Resolvi então que deveria parar com os estudos no ensino regular e fazer o décimo segundo ano pelo ensino recorrente nocturno, podendo assim ingressar no mercado de trabalho.
O meu primeiro emprego foi no apoio ao cliente no Hipermercado Continente de Matosinhos, na secção de brinquedos, e em plena época de Natal. Esta experiência foi de apenas três meses, mas muito intensa. Em Abril do ano seguinte, começo aquela que seria a minha experiência mais longa no campo profissional, ao ingressar na Blockbuster de Matosinhos, para quem não sabe a maior rede de aluguer de vídeos do mundo, pelo menos na altura o era. Entro como part-time e trabalhava apenas vinte horas semanais, de forma a poder completar os estudos durante o período nocturno. Porém, a motivação para os estudos era fraquinha, e os amigos, namorada, emprego, bem com outros hobbies tinham sempre prioridade. Fui subindo na empresa até chegar a Responsável de Loja, o que significava um maior volume de trabalho e mais horas de expediente na loja, isto fez com que os estudos ficassem esquecidos. No dia 18 de Julho de 2007, dá-se um dos acontecimentos mais marcantes da minha história recente, começo a namorar com uma enfermeira de seu nome Sofia (que significa sabedoria), irmã do meu melhor amigo e minha vizinha há mais de vinte anos! Um choque para todos os que nos conheciam mas sobretudo um choque para nós os dois. Em Setembro de 2007 e ao fim de cinco anos, sem perspectivas de subir mais na empresa, decidi pôr termo ao meu contrato e dar o tempo necessário à empresa. Assim, em Novembro do mesmo ano entrei na loja Sephora do Norteshoppinng para reforço da equipa na época de Natal. Após a minha saída da Sephora tive outras experiências de trabalho, mas todas elas de curta duração. Estive na Loja do Gato Preto como vendedor e responsável pelas entregas, na PT-Comunicações também como vendedor e no callcenter da Vodafone. Em Setembro de 2008 fui convidado a ingressar na equipa que iria abrir a nova Loja Fnac no Marshopping, para isso tive quinze dias de formação em sala (no Hotel Trip em Leça da Palmeira) e posteriormente tive também na montagem de loja. Mas, tinha nesta altura um curso de Formação Modular que estava a frequentar, o que me permitia fazer apenas um part-time, e apesar de os meus superiores terem manifestado o interesse em me ter como full-time eu decidi não prescindir da minha formação. Facto que foi decisivo para que no começo de 2009, quando a empresa precisou de dispender dos serviços de muitos funcionários, esta não tivesse renovado o meu contrato.
Nos meses seguintes estive pelo fundo de desemprego e fui tendo alguns trabalhos pontuais e sem relevância profissional, enquanto procurava Formação Profissional. Formação essa que apareceu em Outubro 2009, através novamente de uma Formação Modular de 350 horas na área de multimédia. Completei o curso com bom aproveitamento, e fiquei a conhecer melhor uma área que me cativou imenso. Pelo que, logo após o término do curso, inscrevi-me num outro curso de Técnico de Multimédia, desta vez um curso EFA. Comecei este mesmo curso no início deste mês, e espero obter a minha certificação de secundário e principalmente uma formação técnica que me permita olhar para o futuro de uma forma diferente.