Redes de Difusão Digital Terrestre



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Transcrição:

Televisão digital Redes de Difusão Digital Terrestre Nuno Dantas - ee01160@fe.up.pt Nuno Pássaro - ee01228@fe.up.pt 10 de Dezembro de 2006

Índice 1. Introdução...3 1.1. Objectivos... 3 2....3 2.1 Introdução... 3 2.2 Normas e Acordos Internacionais... 4 2.3 Sistema DVB-T, ATSC e ISDB-T... 5 2.3.1 O Sistema ATSC... 5 2.3.2 O Sistema DVB-T... 6 2.3.3 O Sistema ISDB-T... 7 2.4 DVB-T face ao ATSC... 8 2.4.1 Comparação da Performance do sistema...9 2.4.1.1 DTTB signal peak to average power ratios... 9 2.4.1.2 Limtes C/N... 9 2.4.1.3 Distorção Multipath... 10 2.4.1.4 Eficiência Espectral... 10 2.4.1.5 Capacidade HDTV...10 2.4.1.6 Resoluções utilizadas... 11 2.5 DVB-T face ao ISDB-T... 11 2.6 Análise do Mercado... 12 2.7 Propostas para implementação de interacção em redes de transmissão Terrestre... 16 3. Bibliografia... 17 2

1. Introdução Televisão Digital 2006/07 1.1. Objectivos Pretendeu-se com este trabalho estudar a transmissão do sinal digital de televisão até casa do assinante usando difusão terrestre, comparando diferentes processos de transmissão e fazendo uma apreciação sobre as suas prestações. Numa primeira fase, falaremos sobre o processo de difusão terrestre, analisando o processo de switch over, isto é, a transição para o digital,analisando e tecendo considerações relativamente a vantagens e inconvenientes do "switch-over"do ponto de vista do broadcaster e do consumidor (problemas relacionados com o mercado que não se concretizou conforme previsto). Numa segunda fase, pretende-se efectuar uma análise pormenorizada às normas de difusão terrestre digital em vigor na Europa (DVB-T), nos Estados Unidos (ATSC) e no Japão (ISDB- T), referindo as suas principais características técnicas e compara-las entre si, evidenciando os prós e contras de cada solução, bem como a oferta de equipamento e produtos pelos diferentes fabricantes. Nesta fase,serão também implementadas soluções/alternativas para implementar o canal de retorno para permitir interacção remota em redes de transmissão terrestre. 2. 2.1 Introdução O desenvolvimento tecnológico veio proporcionar novos meios mais eficazes para o registo, armazenamento e processamento de sinais eléctricos e a sua possibilidade de transmissão sob uma forma digital em vez da analógica. A aplicação deste conceito à transmissão dos sinais televisivos passou a ser designada como televisão digital. A transmissão do sinal digital de televisão até casa do assinante pode fazer-se de diferentes modos: via satélite, via rede cabo e por difusão atmosférica (a designada difusão terrestre). Mais recentemente têm surgido, entre outros, sistemas baseados quer em linhas de assinantes digitais assimétricas (assymetric digital subscriber lines - ADSL) como em fibra-até-casa (fibre-to-the-home- FTTH), assentes respectivamente em linhas de pares de cobre do serviço telefónico e em fibra óptica até à habitação, que se deverão perfilar, a curto e médio prazo, como potenciais alternativas. 3

A Comissão Europeia tem vindo a impulsionar a introdução da televisão digital, nomeadamente, por via da transição da radiodifusão analógica para a digital. Neste sentido, e de acordo com o Plano de Acção eeurope, os Estados-membros tiveram de publicar, até ao final de 2003, as suas intenções no tocante à política de switchover (desactivação do sistema analógico). No domínio da televisão e da rádio (conjuntamente designadas radiodifusão ), entende-se por transição ( switchover ) o processo de migração da radiodifusão analógica para a digital, que começa com a introdução da radiodifusão digital e termina com o fim ( switch-off ) da radiodifusão analógica. O processo admite muitas vias em termos da sua própria velocidade e duração, das partes envolvidas e do grau de intervenção. O processamento e transmissão de sinais sob a forma digital apresenta diversas vantagens em relação ao formato analógico, nomeadamente: Melhor qualidade da imagem para uma dada largura de banda; Melhor qualidade do som; Compatibilidade com os computadores e a Internet; Interactividade; Menor largura de banda para uma dada resolução da imagem; Menor potência dos emissores para a mesma área de cobertura analógica; Possibilidade da transmissão de um maior número de canais numa única portadora. As vantagens mencionadas possibilitam aos operadores de televisão a disponibilização de mais e melhores serviços aos seus clientes. A transição da televisão analógica para o formato digital constitui, por conseguinte, uma profunda transformação, que consubstancia, mais do que uma simples evolução tecnológica, uma verdadeira revolução, com implicações a vários níveis e que representa um importante passo na emergência da sociedade da informação, transformando o televisor num canal privilegiado para o universo digital, acessível à generalidade dos cidadãos. 2.2 Normas e Acordos Internacionais Para um desenvolvimento concertado e estratégico da televisão digital surgiu a necessidade de se estabelecerem acordos e normas. Neste trabalho apenas serão abordadas as seguintes normas: DVB-T - Digital Video Broadcasting Terrestrial (Europa) ATSC - Advanced Television Systems Committee (América) ISDB-T- Transmission Systems for Digital Terrestrial Broadcasting(Japão) 4

O DVB-T é o sistema de televisão digital mais popular do mundo, adoptado em mais países do que os sistemas ATSC (EUA, Canadá, México e Coréia do Sul) e ISDB-T (Japão). O DVB-T é um dos vários standards da DVB(Digital Video Broadcasting). DVB - Conhecido como padrão europeu de TV Digital, foi projectado a partir dos anos 80 pelo consórcio que hoje possui 250 integrantes de 15 países. Desde 1998, está em operação no Reino-Unido, tendo chegado a outros quatro países da União Europeia e à Austrália. Está previsto para ser implantado na Índia, na Nova Zelândia e cerca de outros 20 países. Detém um mercado actual de 270 milhões de receptores. Trabalha com conteúdo audiovisual nas três configurações de qualidade de imagem: HDTV (1080 linhas), EDTV (480 linhas) e SDTV (480 linhas). Nas duas últimas configurações, permite a transmissão simultânea de mais de um programa por canal, permitindo uma média de 4. No início de sua implantação, apresentou dificuldades de recepção na Inglaterra, sendo sujeito à interferência de ruídos de electrodomésticos ou motores. É o padrão adoptado pelas principais operadoras privadas de TV por assinatura por satélite. Em Portugal tem sido adoptado nos canais pay-per-view de televisão por cabo como alternativa ao sistema analógico. O padrão DVB é designado de acordo com o serviço ao qual está vinculado: DVB-T - Transmissões Terrestres (TV aberta em VHF ou UHF convencional) DVB-S - Transmissões por Satélite (TV por assinatura por satélite) DVB-C - Serviço de TV por Cabo DVB-MHP - Padrão de middleware Multimedia Home Plataform 2.3 Sistema DVB-T, ATSC e ISDB-T 2.3.1 O Sistema ATSC O sistema ATSC foi desenvolvido para permitir a adição de um transmissor digital a cada transmissor NTSC já existente, nos EUA, com cobertura comparável e com a mínima interferência com o serviço NTSC, em termos de cobertura de área e população. O sistema é eficiente e capaz de operar em várias situações, com canal disponível, ou como o implementado nos EUA, limitado de forma a permitir 1600 canais adicionais num espectro já de si muito ocupado, ou para a recepção no topo de edifícios ou ainda por antena portátil. O sistema foi também desenvolvido para ser imune a multipath, para conseguir uma baixa ocupação de espectro e facilidade no planeamento de frequências. O modo ATSC 8-VSB é o utilizado para as transmissões radio, terrestres. O modo ATSC 16- VSB é destinado para a transmissão por cabo já que consegue dobrar a capacidade de transmissão neste meio. O ATSC não permite a variação da bit rate de forma a melhorar a probabilidade de erro do sistema. O ATSC tem sido testado e provou ser capaz de trabalhar eficazmente na transmissão por satélite com bit rates equivalentes às de transmissão por cabo. 5

Variações da cobertura de área de transmissão podem ser conseguidas através dos formatos dos programas (SD ou HD), e há grande potencial para serviços de dados utilizando a capacidade de transmissão do sistema. O sistema pode acomodar recepção fixa ou portátil sem perda relevante da capacidade. 2.3.2 O Sistema DVB-T O sistema DVB-T foi desenvolvido para ser flexível, de forma a ser capaz de se adaptar a todos os canais: canal desocupado, intercalado e single frequency networks (SFNs) canal único. Permite também flexibilidade de serviço, com a possibilidade de recepção em antena, topo de edifícios, e também, se desejado, para recepção portátil. A recepção móvel é possível para QPSK e para ordens de modulação mais altas. O sistema foi também desenvolvido para ser robusto contra interferencia de sinais atrasados, por ecos em terrenos ou edifícios ou por sinais vindos de um transmissor distante numa SFN, uma nova ferramente que permite que o planeamento de TV seja melhore a eficiência do espectro que é necessário no caso particular de espectro com grande taxa de ocupação que é o caso da Europa. O sinais compatíveis com DVB-T podem também ser transmitidos por cabo. No entanto a norma DVB-T pertence a um conjunto de norma onde está também incluída a DVB-S (transmissão por satélite) e DVB-C (transmissão por cabo). Todas usam codificação MPEG-2 para vídeo e áudio e o tipo de multiplexagem MPEG-2. Têm características comuns na estratégia utilizada para a protecção contra erros. A principal diferença entre estas normas está na modulação usada, que é especifica ao tipo de transmissão (satélite, cabo e terrestre). A capacidade para a transmissão de dados também é diferente, dado que a transmissão por satélite e por cabo oferece maiores bit rates. No entanto é possível a a transferência de programas entre um meio e outro desde que a bit rate necessária esteja disponível. O sistema DVB-T inclui parâmetros seleccionáveis, o que lhe permite aceitar um vasto conjunto de relações sinal ruído e comportamento de canal, permitindo a recepção fixa, portátil ou móvel à custa da velocidade de transmissão. A tabela 1 sumariza as possibilidades existentes no sistema. O numero de parâmetros permite aos broadcasters seleccionar um modo apropriado à aplicação a ser desenvolvida. Por exemplo, um modo muito robusto com uma velocidade, correspondentemente baixa é necessário assegurar uma recepção móvel. Um modo moderadamente robusto com uma velocidade mais alta pode ser usada onde o planeamento do serviço usa canais intercalados. Os modos menos robustos com as velocidades mais altas podem ser usados se o canal está livre para a transmissão TV digital. Tudo isto salienta a flexibilidade do DVB-T, que permite ao utilizador que acompanhe o sistema utilizando o modo de operação mais apropriado dentro dos vários modos possíveis. Uma discussão completa do uso óptimo de todos os parâmetros é complexa e seria extremamente longa. Mesmo assim, as seguintes características devem ser tidas em conta. os modo hierárquicos, quando aplicáveis, dividem o canal com dois requerimentos diferentes e ajustáveis, em termos de C/N. Isto permite diferentes condições de recepção para o mesmo ou para diferentes conteúdos de um programa. O numero de símbolos por segundo e o esquema de modulação pode ser seleccionados de forma a diminuir o C/N requerido para o canal. 6

A selecção do modo 2k em vez do modo 8k, facilita a recepção móvel. No entanto, só permite a implementação de uma pequena rede de transmissores SFN. Exemplo dos parâmetros DVB-T a serem usados para diferentes aplicações: Bit rate Modulation Code rate Application 5 Mbit/s QPSK 1/2 Channel featuring a high level of interference 15 Mbit/s 16 QAM 2/3 Wide area portable reception 26 Mbit/s 64 QAM 3/4 Maximize data rate in a clear channel 2.3.3 O Sistema ISDB-T O sistema ISDBT-T foi desenvolvido para ter flexibilidade suficiente de forma a ser capaz de enviar, para além de sinais de vídeo e som de forma digital, serviços multimédia nos quais uma grande variedade de de informação digital como vídeo, som, texto e programas de computador podem ser integrados. O seu objectivo é tirar partido das vantagens oferecidas pela transmissão de ondas rádio terrestres de forma a que uma recepção estável pode ser fornecida a receptores móveis compactos, leves e baratos em conjunto com receptores integrados para uso doméstico usando BST (Band Segmented Transmission) - esquema OFDM. Duas bandas de transmissão são atribuídas, 5.6MHz e 432kHz, cada uma orientada para tipos particulares de serviços de broadcasting. A banda de 5.6MHz está reservada para a o broadcasting digital de programas de televisão, enquanto que a banda 432kHz é preferencialmente para os programas áudio. Estes dois modos partilham outros parâmetros tais como o formato de codificação, multiplexagem e o intervalo da portadora OFDM e a configuração da trama. O ISDB-T fornece propriedades de transmissão hierárquica que usam diferentes esquemas de modulação (DQPSK, QPSK, 16QAM, 64QAM) e velocidades de codificação interna (I /2, 2/3, 3/4, 5/6, 7/8). Isto permite que parte da banda seja dividida para sinais com recepção estacionária e o resto para sinais com recepção móvel, o que significa que as emissões de áudio e dados para carros e receptores portáteis pode ser efectuados simultaneamente com as emissões televisivas domésticas. Cada nível hierárquico pode ser enviado para receptores por sinal TMCC (Transmission and Multiplexing Configuration Control) e alocado a parte da portadora OFDM. Como a banda larga e a banda estreita, no ISDB-T, partilham os mesmos parâmetros OFDM, os 5.6 MHz de banda larga podem incluir directamente os 432kHz de banda estreita. Consequentemente, um receptor de 432kHz pode receber alguns dos serviços de 5.6MHz e um receptor de 5.6MHz pode receber todos os serviços emitidos a 432kHz. Na figura em baixo, podemos constatar como as normas anteriormente referidas se encontram distribuídas pelo globo. 7

2.4 DVB-T face ao ATSC Desde Novembro de 1998 que os serviços de televisão digital estão disponíveis tanto na Europa como nos Estados Unidos. Muitos países anunciaram a sua escolha para um sistema de DTTB (Digital Televison Terrestrial Broadcasting) e o seu plano de implementação. Existem duas técnicas muito diferentes de sistemas de modulação o: 8-Level Vestigial Side- Band (8-VSB) com codificação Trellis desenvolvido pelo Advanced Television Systems Committee (ATSC); e a modulação Coded Orthogonal Frequency Division Multiplexing (COFDM) adoptada na norma Digital Video Terrestrial Broadcasting (DVB-T). A escolha que cada país faz relativamente ao sistema de DTTB depende de que forma cada um dos sistemas de modulação consegue ir de encontro às condições especificas que imperam em cada país, tais como espectro disponível e normas de ocupação do mesmo, requerimentos de cobertura e estrutura da rede, já existente, tipo de serviços necessários e o custo para os consumidores e broadcasters. Cada sistema tem as suas vantagens e desvantagens. O ATSC 8-VSB é mais robusto num canal afectado por AWGN, consegue uma maior eficiente na ocupação de espectro, um PAR (Peak-to-Average power Ratio) menor e é mais imune a ruído impulsional e desfasamentos provocados por ruído. Tem também uma performance comparável ao DVB-T quando na presença de interferência de um sinal analógico de TV num sinal DTV. Desta forma é de notar que o ATSC 8-VSB é mais vantajoso para a implementação de redes MFN (Multi- Frequency Network) e para providenciar um serviço HDTV na banda de 6MHz. O DVB-T COFDM tem vantagens de performance na presença de estática de alto nível (até 0dB) e de atraso longo e distorção dinâmica por multipath. É um sistema que mostra ser 8

virado para a implementação de SFNs (Single Frequency Networks)de grande escala em qualquer banda, 6, 7 ou 8 Mhz. Parâmetros específicos do sistema devem ser implementados para cada caso particular. 2.4.1 Comparação da Performance do sistema 2.4.1.1 DTTB signal peak to average power ratios Para o mesmo nível de interferência inter-canal, o DVB-T necessita de mais (2.5dB ou 1.8 vezes mais potência) para compensar a perda de 2.5dB devido ao PAR ou um filtro com melhor atenuação dos lobos secundários. Este PAR alto não implica uma perda efectiva de performace do sistema, apenas aumenta o custo inicial para quem emite. 2.4.1.2 Limtes C/N C/N (AWGN) Teórico Pratico ATSC 14.8dB 15.2dB DVB-T 16.5dB 19.2dB Tabela 1 A tabela acima descreve as diferenças entre os limites de C/N, em db, o limite é definido para um BER de 2E-4 antes da descodificação R-S e para um BER de 1E-11 ou transmissão QEF (Quasi Error Free) antes da descodificação R-S. Como se pode ver pela tabela 1 o sistema ATSC tem uma melhor resposta na presença de ruído branco gaussiano. Apesar de util esta tabela não é completamente fiável, pois os sistemas tem diferentes velocidades de transmissão de dados. Logo é mais justo a verificar a superioridade do ATSC, na presença de ruído branco (Eb/N 0), tabela abaixo: Eb/N 0 Teórico Pratico ATSC 6/7/8 Mhz R=2/3 Rb=19.4/21.6/27.5 Mbps 10.6 db 11.0 db 9

Eb/N 0 Teórico Pratico DVB-T 6/7/8 Mhz R=2/3, GI=1/16 Rb=17.4/20.5/23.4 Mbps 11.9 db 14.6 db DVB-T 6/7/8 Mhz R=3/4, GI=1/16 Rb=19.6/23.1/26.4 Mbps 12.9 db 15.6 db Tabela 2 2.4.1.3 Distorção Multipath O DVB-T tem maior imunidade contra a distorção multipath. Consegue funcionar eficazmente com ecos até 0dB. A implementação de um intervalo de guarda, no envio das tramas, pode evitar a interferência inter-simbólica, mas interferência destrutiva entre bandas persiste. O intervalo de guarda do DVB-T pode ser usado para lidar com distorções multipath em avanço ou em atraso. Isto é importante para a operação em SFN. O ATSC não conseguir lidar com ecos com grande avanço, pois foi desenvolvido para trabalhar em MFN onde estes ecos raramente acontecem. O DVB-T 2k consegue funcionar com ecos em movimento até várias centenas de Hz, enquanto que o ATSC apenas consegue funcionar com algumas dezenas de Hz. Por esta razão o DVB-T é preferível para aplicações moveis. 2.4.1.4 Eficiência Espectral Apesar da modulação OFDM (utilizada em DVB) ter uma eficiência espectral superior ao VSB (utilizada em ATSC) o intervalo de guarda necessário para minimizar as distorções multipath e as frequências piloto introduzidas na banda para efeitos de sincronismo reduzem a capacidade de transmissão (bit rate) do sinal. Logo, para a mesma banda ocupada, o sistema ATSC consegue uma maior velocidade, ou seja melhor aproveitamento da banda utilizada. A aplicação do sistema DVB em SFN aumenta a eficiência espectral do mesmo. 2.4.1.5 Capacidade HDTV Pesquisa no campo da compressão mostrou que, baseado na tecnologia disponível, é necessário uma velocidade de transmissão de pelo menos 18Mbps para um serviço HDTV satisfatório em programas televisivos de acção rápida, como desporto e filmes. O DVB-T standard com um esquema de codificação equivalente ao ATSC 8-VSB não é capaz de atingir esse valor, para o canal de 6MHz a velocidade atingida fica entre 14.7MHz e os 17.9MHz. Logo é dificil para o sistema DVB-T conseguir um serviço HDTV num canal de 6MHz, a não ser que seja utilizado um código de correcção de erros mais fraco para além de um aumento de potência de 1.5dB. 10

2.4.1.6 Resoluções utilizadas O DVB-T utiliza MPEG2 com perfil MP@ML (Main Profile at Main Level) e em contrapartida o sistema ATSC utiliza também MPEG2 mas com os perfis MP@ML e MP@HL ( Main Profile at Main Level e Main Profile at High Level). O DVB-T utiliza uma resolução máxima de 2048x1152, píxeis não quadrados com entrelaçamento, enquanto que o ATSC utiliza 1920x1080, píxeis quadrados e ainda incorpora vários tipo de formatos de SD para ter compatibilidade com sistemas mais antigos. 2.5 DVB-T face ao ISDB-T Visto que o sistema ISDB-T foi uma evolução do DVB-T, já existente, as características referidas a acima são válidas também para o ISDB-T, sendo necessário ter em conta os melhoramentos efectuados: Foi acrescentado um Interleaver temporal para melhorar o desempenho na presença de interferências concentradas, tais como o ruído impulsivo. A banda de RF 6MHz foi subdividida em 13 segmentos independentes, com a possibilidade de serem enviadas 3 programações diferentes ao mesmo tempo, por exemplo: uma em QPSK, outra em 16QAM e ou em 64QAM; Foi acrescentado o modo 4k; Foi acrescentado o método de modulação DQPSK. Globalmente os melhoramentos efectuados, no DVB, que deram origem ao ISDB foram de encontro à melhoria do serviço móvel prestado pelo DVB-T. A introdução da modulação DQPSK é um exemplo disso. 11

2.6 Análise do Mercado Televisão Digital 2006/07 Após uma análise no mercado com tecnologia DBV-T, são apresentados os seguintes modelos: PDP-427XD TV Plasma de 42 com Sintonizador Digital : Com processamento vídeo integrado e sintonizador digital (DVB-T), e colunas de instalação inferior, o PDP-427XD dispõe ainda de 2 entradas HDMI e uma entrada para PC. Ecrã de Plasma de 7ª Geração, que inclui componentes novos e únicos tais como o painel PUREBLACK Panel 2 e o filtro Direct Colour Filter 2. Suporta até ao vídeo1080/24p O sintonizador digital (DVB-T) integrado inclui uma entrada para cartãoci. 12

Televisor plano panorâmico digital com Pixel Plus 2 HD Especificações : Visor WXGA LCD, 1366 x 768p Sint. de DVB-T Digital Integrado HD Ready Pixel Plus 2 HD melhora do detalhes em TV e HDTV normais Dolby Digital Virtual para uma experiência de som realista Entrada Dual HDMI para uma ligação digital de alta definição Após uma análise no mercado com tecnologia ATSC, são apresentados os seguintes modelos: Plasma 42HP66 42 Syntax OLEVIA LT42HVi 13

Estes modelos apresentam no geral, as seguintes especificações: Écran com dimensões superiores a 34 e formato 16:9; Vem equipado com sintonizador digital(atsc) Apresentam entradas DUAL Progressive Scan Component e HDMI para suportar toda tecnologia de vídeo. Após uma análise no mercado, com tecnologia ISDB-T, são apresentados os seguintes modelos: Toshiba Gigabeat V30T Especificações: Dispõem de uma antena para a recepção de sinais ISDB-T. Dotado de um disco duro de 30GB e recepção DMB. 320 x 240 píxeis de resolução. Dispõem de um sistema operativo Windows Mobile e contém o conhecido gesto musical da Microsoft, o Windows Media Player 10. MP3, WMA,WMA Lossless WAV são formatos compatíveis com este equipamento, tal como o formato fotográfico JPEG e o formato audiovisual WMV. Hitachi w43h 14

Especificações: Apresenta um écran TFT de 2.6 com 240 x 400 de resolução. Câmera de 2,1 megapixels e autofocus. 512MB de memória interna. Reprodutor musical e vem equipado com aplicações responsáveis pelo manejo de documentos Vodafone 905SH/Sharp 905 15

Especificações: É considerado um telefone de 3 Geração com um receptor de TV. Apresenta um écran de 2.6 (66mm) com 400 x 240 de resolução e formato 16:9. Câmera de 2 megapíxeis, suportados por um pequeno cartão de memória SD. Vem incorporado com bluetooth e todas as outras características que um telefone de 3 Geração apresenta. A comunicação com um PC é feita por USB, PC Link ou IrDA. A partir destas ofertas de equipamentos pelos diferentes fabricantes, podemos constatar que a oferta de equipamentos na tecnologia ATSC está mais virada para recepção terrestre fixa. Já o ISDB-T, como foi concebido para apresentar um bom serviço para sistemas móveis, apresenta uma maior oferta nesse campo. O facto de existir no Japão um alto consumo deste tipo de equipamentos, foi um factor preponderante para a aposta neste tipo de receptores. No caso do DVB-T, nota-se uma aposta similar por parte dos fabricantes,tanto no campo de receptores fixos como no campo de receptores móveis. Isto deve-se pois o DVB-T foi concebido tendo em vista uma aposta de futuro, por isso a sua flexibilidade, e tendo em conta o ano em que foi decretada, uma vez que as tecnologias móveis ainda não encontravam no ponto de desenvolvimento actual, ao contrario do ISDB-T, que foi implementado numa altura em que as tecnologias móveis já apresentavam um grau de desenvolvimento mais avançado. 2.7 Propostas para implementação de interacção em redes de transmissão Terrestre A ideia de interactividade da televisão é na realidade a de uma falsa interactividade, na medida em que essa deverá ser a apelidação para o tipo de comunicação que a internet efectivamente possibilita. Podemos dizer que se caminha para a interactividade da televisão, eventualmente uma miscigenação desta com a internet, acrescentando-lhe a mais-valia da multimedia, sendo porém muito difícil dizer até que ponto tal acontecerá. Como futuro mais anunciado e próximo, temos o leque de serviços que a televisão por cabo nos propõe, como o pay-per-view e o home shopping, em que é dada ao espectador a possibilidade de actuar directamente, enquanto emissor de uma ordem. Embora seja de prever que a televisão não desaparecerá num futuro previsível, tal como o teatro ou o cinema não desapareceram com o desenvolvimento da televisão, não podemos, no entanto, fazer tal afirmação de um modo taxativo, visto a internet estar a ocupar espaços que tradicionalmente cabiam a outros media. Pesquisas efectuadas nos últimos dois anos mostram claramente que a utilização pessoal da internet está a "descolar" da televisão: um estudo confirma que cada vez há menos utilizadores desta, com um decréscimo de 54% durante este período. Os membros da Geração Net vêem menos uma hora diária de televisão que a mesma faixa etária há cinco anos atrás, e menos cinco horas do que os seus pais. O que caracteriza estas crianças, mais que qualquer outra coisa, é a sua ligação a, e o permanente exercício da escolha. Portanto, o declínio da televisão entre eles não é surpreendente. A internet permite 16

que as pessoas tomem decisões alargadas sobre onde querem despender o seu tempo, o que leva a algum abandono da televisão. A televisão continua a ser um meio unilateral, em que o espectador é um receptáculo passivo para mensagens comerciais e homogéneas. Pelo contrário, a internet é um meio de comunicação "de muitos para muitos", no qual o utilizador é activo e, acima de tudo, interage com outros utilizadores. Por isso, a prazo, a tendência deverá ser no sentido da incorporação da televisão na internet, de uma lenta dissipação nesta. Num outro sentido, e mantendo-se como um media independente, a televisão necessita de fazer um esforço no sentido de escapar à facilidade e de se tornar ao mesmo tempo envolvente e mais inteligente, afim de evitar o aumento da fuga maciça acima referida. O conceito de que a programação na televisão reflecte os gostos do público é falacioso: com poucas possibilidades de escolha, vemos o que há; mas perante diversas alternativas, o sentido nem sempre é aquele que estamos habituados a considerar como o mais "popular". Uma das opções viáveis para o canal de retorno numa rede terrestre de difusão de televisão digital poderia passar pela capacidade do receptor de TVD enviar pacotes IP através da internet, utilizando a rede telefónica já disponível e largamente espalhada, tendo em conta que o numero de utilizadores da internet tem aumentado consideravelmente todos os anos, qualquer pessoa com acesso à mesma poderia tirar proveito completo das potencialidades da TVDI (Televisão Digital Interactiva). Outra solução passaria por tornar o que antes era apenas um receptor de TVD num receptor/emissor, esta solução faria com que o espectro ficasse mais sobrecarregado, obrigaria o consumidor a gastar mais pelo seu equipamento e consumos do mesmo. 3. Bibliografia [1] ATSC, ATSC Digital Television Standard, ATSC Doc A/53, Setembro 16, 1995 [2] Towards HDTV DVB vs ATSC, Rita Brennan, Apple Advanced Technology Group, U.S.A. [3] Performance Comparison of ATSC 8-VSB and DVB-T COFDM Transmission Systems for Digital Television Terrestrial Broadcasting, Dr. Yiyan Wu, Communications Research Centre Canada [4] Sites diversos: www.dvb.org www.wikipedia.org www.atsc.org www.studio-systems.com/broadcasting/july2001/comparison www.nhk.or.jp 17