Comunicação Serial com Modem



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Transcrição:

Comunicação Serial com Modem F.N.A. e E.T.M. /2001 (revisão) E.T.M./2004 (revisão) E.T.M./2005 (revisão) E.T.M./2011 (revisão) E.T.M./2012 (revisão) RESUMO O objetivo desta experiência é a familiarização com um elemento básico em equipamentos de transmissão de dados: o (MOdulador - DEModulador). Os s têm por função converter dados digitais em sinal modulado, compatível com sinais de áudio, de modo que possam ser enviados através da linha telefônica como se fosse uma comunicação por voz. Nesta experiência será analisado o funcionamento do circuito integrado Am7910, uma pastilha fabricada pela AMD (Advanced Micro Devices). 1. INTRODUÇÃO TEÓRICA São apresentados, nos itens seguintes, os aspectos importantes relacionados a sistemas de comunicação de dados, necessários à compreensão das aplicações do. Depois de uma breve introdução de conceitos básicos, apresenta-se mais aprofundadamente os s. Então, apresentam-se as formas de transmissão assíncrona e síncrona, as técnicas de modulação. Ao final, é mostrado um protocolo de comunicação serial. 1.1. Conceitos Básicos Vários conceitos são apresentados aqui, referentes a aspectos da comunicação de dados e a transmissão de sinais via modem. TRANSMISSÃO DE DADOS: esse termo refere-se à transmissão eletrônica, entre dois pontos distintos, de informações codificadas. Dentre as aplicações mais comuns onde se utiliza a transmissão de dados, destacam-se: sistemas conversacionais de tempo partilhado, sistemas de aquisição de dados, sistemas de controle de processos, etc. BANDA DE UM CANAL: é um parâmetro importante para caracterizar um canal de transmissão, ela define a faixa de frequências que pode ser utilizada em cada canal de comunicação. Geralmente, quanto mais larga a banda de um canal, maior é a velocidade permitida para a transmissão. Essa velocidade usualmente é medida em baud, taxa de símbolos. Em casos particulares, tem-se que 1 baud = 1 bps (bit/seg); em outros casos, um símbolo pode representar um número maior de bits (seção 1.4). As velocidades de transmissão de dados dependem da particular aplicação e podem variar entre dezenas de bits/segundo até milhões de bits/segundo. TRANSMISSÃO DIGITAL: a transmissão digital pode ser usada para sinais digitais ou sinais de voz analógicos codificados. Em ambos os casos, a informação é enviada pelos canais de comunicação como uma cadeia de pulsos. Quando o ruído e a distorção ameaçarem destruir a integridade da cadeia de pulsos, estes são detectados e regenerados. Se o processo de regeneração for repetido adequadamente, o sinal recebido será, então, uma réplica exata do transmitido. Os pulsos transmitidos num canal de comunicação são distorcidos, basicamente, por capacitâncias e indutâncias da linha. Esse fenômeno é tanto mais acentuado quanto mais longa a linha ou maior a taxa de transmissão, o que torna mais difícil a interpretação. ELEMENTOS DE UM SISTEMA DE TRANSMISSÃO DE DADOS: normalmente, um sistema de transmissão de dados é constituído por uma fonte de dados a serem transmitidos, um transmissor, um canal de transmissão, um receptor e um elemento destinatário dos dados. Muitas vezes o dispositivo utilizado para compatibilizar os dados binários com o canal de transmissão é o, que transforma o sinal digital em sinal analógico (senoidal) e vice-versa. Estes elementos estão indicados na figura 1.1. ENLACE ou CANAL DE COMUNICAÇÃO (ou TRANSMISSÃO): é o caminho para a transmissão de sinais entre dois ou mais pontos. Um canal de comunicação pode ser constituído por fios, fibras ópticas, Comunicação Serial com Modem (2012) 1

cabo coaxial ou uma parte específica do espectro de rádio-frequências. O objetivo do canal é transportar informações de um ponto a outro. Todos os canais de transmissão apresentam limitações quanto à sua capacidade de manipular as informações. Essas limitações dependem das suas características físicas e elétricas. Outro dado importante dos meios de comunicação é a sua velocidade de propagação, pois limita os atrasos mínimos na comunicação. Por exemplo, a velocidade de propagação na fibra óptica é de 0,66.c, no par trançado é de 0,585.c, no cabo coaxial (Thick Ethernet) é de 0,77.c (onde c=3x10 8 m/s, representa a velocidade da luz no vácuo). Modem Modem CANAL DE TRANSMISSÃO Server COMPUTADOR (TRANSMISSOR COM INTERFACE SERIAL) Server COMPUTADOR (RECEPTOR COM INTERFACE SERIAL) Figura 1.1 - Elementos de um Sistema de Transmissão de Dados TIPOS DE CANAIS: as definições apresentadas seguem o padrão do CCITT, um orgão internacional de padrões em comunicações. Há três tipos de canais, conforme mostrado na figura 1.2, ou seja: Simplex, Half Duplex e Full Duplex. PLEX: é o canal através do qual só pode haver transmissão de A para B, em uma única direção. HALF DUPLEX: é o canal através do qual é possível transmissão não simultânea, em ambos os sentidos (de A para B ou de B para A). É necessário haver alternância (chaveamento) da linha quando o sentido de transmissão muda, pois se utilizam circuitos de dois fios, ocupando a mesma banda de frequências tanto para transmissão como para recepção. FULL DUPLEX: é o canal através do qual é possível a transmissão simultânea nos dois sentidos. Os circuitos podem ser a quatro fios ou a dois fios. Os circuitos a dois fios podem suportar comunicações full duplex se o espectro de frequência for dividido para os canais de transmissão e de recepção. É possível transmitir pulsos em pequenas distâncias usando apenas cabos ou pares de fios e, em alguns casos, é necessária a colocação de line receivers junto ao receptor. Para distâncias maiores torna-se necessário utilizar os recursos de transmissão providos pelas empresas concessionárias de serviços de comunicação (por exemplo: linhas telefônicas comutadas, linhas privadas). Esses recursos são, na sua maioria, para transmissão analógica (voz). Assim sendo, é necessária a transmissão dos sinais digitais de forma analógica. Isso é obtido através do uso do. odem simplex odem odem half-duplex odem odem full-duplex odem Figura 1.2 - Tipos de Canais Comunicação Serial com Modem (2012) 2

1.2. s O (MOdulador-DEModulador) é um dispositivo que converte sinais digitais provenientes de um computador ou terminal em um sinal de portadora modulada, compatível com o requerido pelos canais de transmissão de sinais analógicos. A configuração típica de um sistema de transmissão de sinais digitais requer a existência de um em cada extremidade do canal, conforme mostrado na Figura 1.3. Servidor Cidade Servidor COMPUTADOR CANAL DE TRANSMISSÃO COMPUTADOR SAÍDA ENTRADA DEMODULADOR RECEPTOR MODULADOR TRANSMISSOR LINHA TELEFÔNICA MODULADOR TRANSMISSOR DEMODULADOR RECEPTOR ENTRADA SAÍDA Figura 1.3 - Transmissão utilizando. Os s são projetados para aplicações e velocidades específicas. Na figura 1.4 é mostrado o diagrama em blocos de um. Funcionalmente ele está dividido em duas partes: o modulador e o demodulador. O modulador aceita sinais digitais e converte os pulsos de tensão em sinais de áudio, analógicos, que são enviados pelo enlace de transmissão. Na outra extremidade do enlace o demodulador de um segundo reconverte esse sinal analógico à sua forma original. Na maioria dos s o sinal de entrada é serial e a saída do demodulador é binária e também serial. ENTRADA INTERFACE MODULADOR (TRANSMISSOR) FILTRO E AMPLIFICADOR DE SAÍDA CANAL DE TRANSMISSÃO SAÍDA INTERFACE DEMODULADOR (RECEPTOR) FILTRO E AMPLIFICADOR DE ENTRADA CANAL DE TRANSMISSÃO Figura 1.4 - Diagrama em Blocos de um Modem. Comunicação Serial com Modem (2012) 3

1.3. Transmissões Assíncrona e Síncrona As duas formas de transmissão serial são baseadas na existência ou não de um circuito de relógio (clock). Temos então a transmissão assíncrona e a transmissão síncrona. TRANSMISSÃO ASSÍNCRONA: dados geralmente são gerados em terminais de baixa velocidade. Em sistemas assíncronos, os sinais são idênticos aos fornecidos e recebidos por terminais tipo TTY, isto é, em repouso sempre há um sinal correspondente ao nível lógico UM na linha. Além disso, todo caracter é envolvido por um bit de Start e um ou dois bits de Stop. A quantidade de bits de informação não necessariamente é sempre a mesma. Por exemplo, no código BAUDOT são cinco, no código ASCII são sete mais um de paridade e no EBCDIC são oito bits de informação. O transmissor e o receptor têm que ter mesma configuração (velocidade, bits de dados, paridade e número de Stop bits) para possibilitar que o dado seja reconhecido corretamente após a identificação do bit de Start. Na figura 1.5 é mostrado o protocolo assíncrono. REPOUSO START BIT DADOS PARIDADE 2 STOP BIT CARACTERE FIGURA 1.5 - Protocolo Assíncrono. TRANSMISSÃO SÍNCRONA: na transmissão síncrona, o sincronismo entre transmissor e receptor é conseguido através de um sinal de "clock" que é gerado internamente no, ou obtido dos caracteres recebidos. Na figura 1.6 é mostrado um tipo de protocolo síncrono (síncrono à byte). A transmissão é iniciada por um caractere de sincronismo (SINC). Os caracteres que seguem ao de sincronismo correspondem aos dados. O sinal de clock interno ao é gerado a partir do próprio sinal recebido, através de uma malha de phase-lock. Cada mensagem geralmente é composta por um caractere de SINC, por 100 a 10.000 caracteres de informação e controle e um caractere de FIM, além de um ou dois caracteres para verificação de erros. Entre mensagens, na situação de repouso, é transmitido o caractere SINC ou o sinal correspondente ao nível lógico UM. CARACTERE DE SINCRONISMO DADOS DADOS CARACTERE DE SINCRONISMO 1 CARACTERE 1 CARACTERE 1 CARACTERE Figura 1.6 - Protocolo Síncrono. O protocolo assíncrono é normalmente usado quando a taxa de transmissão é baixa ou quando é utilizada transmissão numa comunicação homem-máquina, enquanto que os protocolos síncronos são utilizados quando altas velocidades de transmissão são exigidas como, por exemplo, em comunicação máquinamáquina. Comunicação Serial com Modem (2012) 4

1.4. Técnicas de Modulação Os s sempre modulam os dados antes de enviá-los através de linhas telefônicas. Dependendo do tipo de modulação adotada é possível enviar dados em velocidades diferentes, isto é, a técnica de modulação empregada influencia diretamente na velocidade máxima e na taxa de erros. Os três tipos principais de modulação utilizados são FSK, AM e PSK. Na Figura 1.7 esquematiza-se o princípio usado em cada tipo de modulação. AM - Modulação de Amplitude: nesta técnica, a amplitude da portadora assume dois valores distintos, um para a transmissão do UM e outro do ZERO. FSK - Frequency Shift Keying: neste sistema de modulação, a frequência da portadora f A é modulada de forma a produzir f A + f e f A - f, correspondendo, respectivamente ao UM e ao ZERO. Como são utilizadas linhas telefônicas para a transmissão (faixa de 300 a 3300 Hz), geralmente a portadora f A é de 1700 Hz e f = 500 Hz. PSK - Phase Shift Keying: nesta técnica o sinal sofre inversões de fase, para assinalar se está sendo transmitido UM ou ZERO. Este tipo de modulação é utilizado em s de média velocidade (entre 1200 bps e 4800 bps). Os bits transmitidos sequencialmente podem ser agrupados em pares ou triplas. Quando agrupado em pares (código dibit), quatro fases são utilizadas (0, 90, 180, 270) na portadora e a modulação recebe a denominação de modulação 4 PSK ou QPSK. Quando agrupado em triplas (código tribit), oito fases são utilizadas (0, 45, 90, 135, 180, 225, 270 e 315) na portadora e a modulação recebe a denominação de modulação 8 PSK. 1 0 1 1 0 1 1 0 a) modulação AM b) modulação FSK c) modulação PSK Figura 1.7 - Tipos de Modulação. Outro tipo de modulação é o QAM ("Quadrature Amplitude Modulation"), utilizado em s de alta velocidade. O QAM codifica múltiplos bits, tipicamente 4 bits sequenciais, e a portadora é alterada em fase e amplitude segundo o agrupamento de bits. 1.5. Protocolo de Comunicação Quando fazemos uma ligação telefônica para outra pessoa, seguimos certo protocolo: tiramos o telefone do gancho, esperamos o tom de discagem, discamos um número, recebemos o tom de que o telefone está tocando, aguardamos a outra pessoa atender, conversamos e desfazemos a ligação. Para que dois s se comuniquem, eles também seguem um certo protocolo. Para a pastilha Am7910, os sinais envolvidos neste protocolo são os mesmos de uma interface RS232-C e estão descritos um por um no Capítulo 3, item 3.4 a partir da página 3-5 do manual. A tabela I abaixo mostra os principais sinais usados no protocolo. Vamos descrever a comunicação de dados entre dois s A e B. Os sinais do A serão chamados de DTR-A, CTS-A e assim por diante, o mesmo valendo para o B. Toda esta descrição envolve o caso específico da pastilha Am7910. Comunicação Serial com Modem (2012) 5

FASE DE CONEXÃO: 1) No início, os sinais DTR-A e DTR-B estão desativados. 2) O usuário do A chama o usuário do B, pois a discagem não é automática. Isto significa que o telefone A está fora do gancho e o telefone B está no gancho. 3) O usuário do B, ao escutar a campainha tocando, deve avisar ao seu que ele está pronto para comunicar e para isso o sinal DTR-B (Data Terminal Ready) é ativado. Este sinal é exclusivo para o, não causando variação na linha telefônica. 4) A interface serial conectada ao B (ver figura 1.1) ativa o sinal ring. Um tom de resposta de pouca duração ("beep") é enviado ao A. Isto corresponde aproximadamente a uma pessoa receber uma ligação e responder "Alô!". Você observará no decorrer da experiência que não se pode enviar dois beeps ao atender o telefone (o sinal de RING-B pode ser ativado somente uma vez). 5) O usuário do A, que até este momento não havia ativado o seu, percebe que o B está pronto para receber ao escutar o "beep". O usuário A (ou o computador ligado ao A) ativa o sinal DTR-A avisando ao A de que está pronto para a comunicação. FASE DE TRANSMISSÃO: Dados serão transmitidos de A para B. a) Transmissão de A 6) Para transmitir, a interface serial A faz um pedido para enviar, ativando o sinal RTS-A (Request To Send). Isto causa o sinal de Mark ou Space na linha telefônica dependendo do TD-A (Transmission Data). 7) O A, após esperar um tempo (espera-se que este tempo seja suficiente que para o B possa receber os dados e é determinado pela própria pastilha, localmente), avisa a interface A que ela pode enviar dados através do sinal CTS-A (Clear To Send). 8) A interface serial A transmite dados através do sinal TD-A. b) Recepção por B 9) O B, escutando que existem dados na linha, informa a sua interface serial que dados estão sendo recebidos (pois uma portadora foi detectada) através do sinal CD-B (Carrier Detected). 10) A interface B recebe os sinais transmitidos pelo sinal RD-B (Received Data). FINALIZAÇÃO: 11) Após a transmissão dos dados, o sinal de RTS-A (Request To Send) é desativado e os dois s continuam ligados, mas sem comunicação. Tabela I Sinais usados na comunicação serial. Sinal Significado Descrição DTR RTS CTS TD Data Terminal Ready Request to Send Clear to Send Transmit Data Informa o modem que o computador está ligado e funcionando. Informa o modem que o computador deseja enviar informações pela linha serial. Informa o computador que o modem está apto a transmitir dados pela linha serial ou telefônica. Indica o caminho através do qual os dados seriais serão enviados pelo modem. TC Transmit Clock Caminho pelo qual o modem é conectado a linha serial. RC CD Receive Clock Carrier Detect Caminho pelo qual os sinais da linha serial são recebidos pelo modem. Indica que uma comunicação foi estabelecida com outro modem e um sinal de portadora foi detectado na linha serial. RD Receive Data Indica o dado recebido pelo modem Comunicação Serial com Modem (2012) 6

1.6. Half-Duplex e Full-Duplex Apresentamos aqui as duas formas de comunicação bi-direcional no Am7910: half-duplex e full-duplex. Comunicação Half-Duplex No modo Half-Duplex, nesta pastilha em particular, também há dois canais. A princípio, isto parece contraditório com a teoria exposta acima. A diferença é que em um sentido a transmissão é muito mais rápida (1200 bps) do que no sentido inverso (75 bps). O sentido com maior velocidade é chamado de canal principal e o de menor velocidade, canal de retorno (ou back-channel). Vamos introduzir o conceito de back-channel fazendo uma analogia com uma conversa entre duas pessoas. Duas pessoas geralmente conversam no modo half-duplex, ou seja, as duas pessoas não falam ao mesmo tempo. No entanto, quando o ouvinte quer interromper a outra pessoa, ele diz frases curtas como: "Espere em pouco!". O back-channel é o canal que dá possibilidade do ouvinte enviar mensagens enquanto recebe dados. Os sinais envolvidos na comunicação pelo back-channel são os seguintes: BRTS, BCTS, BCD, BTD e BRD. Estes sinais funcionam de forma análoga aos sinais RTS, CTS, CD, TD E RD se o estiver configurado para utilizar a norma CCITT V.23 (ver tabela 3.3a, página 3-9 do manual). Comunicação Full-Duplex Neste modo, a pastilha pode transmitir e receber a 300 bps. Em uma comunicação "full-duplex" há a possibilidade de dois s enviarem dados ao mesmo tempo. Isto é possível através de duas faixas de frequências (canais) diferentes, como mostra a Figura 2.14, página 2-6 do manual. Desta forma, enquanto um envia dados por um canal, o outro deve receber os dados pelo mesmo canal e vice-versa. Desta forma, os dois s devem operar em dois modos diferentes: o modo full duplex originate e o modo full duplex answer especificados na tabela 3.2a da página 3-6 do manual. 1.7. Interligação de Terminais Na maioria dos terminais de vídeo existem, além dos sinais de terra, de transmissão e de recepção de dados, e outros sinais de controle que implementam algum protocolo de comunicação, visando facilitar e padronizar a interligação de equipamentos. No caso dos terminais de vídeo existentes no laboratório, estes sinais seguem as normas EIA-RS-232C. Na interligação de terminais remotos via s, estes sinais são utilizados para controlar a comunicação entre cada par terminal de vídeo/. Contudo, estes sinais, seguindo a referida norma, não apresentam níveis elétricos compatíveis com os requeridos pelo (níveis TTL). Desta maneira, é necessário o uso de conversores de sinais na interligação terminal/ (figura 1.8). Figura 1.8 Interligação entre dois terminais de dados através de modems. Comunicação Serial com Modem (2012) 7

2. PARTE EXPERIMENTAL Na parte experimental será analisado o funcionamento do circuito integrado Am7910. Para isso será utilizado, além do painel de montagens experimentais, uma placa que contém este circuito integrado e outros componentes necessários para o seu funcionamento. Antes de iniciar as montagens, é importante que todos os alunos da equipe tenham lido a especificação do Am7910. 2.1. Familiarização com a Placa de Modem Para verificar o funcionamento da placa de modem que contém a pastilha Am7910, siga os seguintes passos: a) Localize a placa de modem no painel de montagem da bancada e verifique os principais sinais de entrada (pinos) e saída (leds), além dos botões. Elabore uma tabela com estes sinais, indicando sua função. sinal função entrada ou saída b) Efetue as ligações relacionadas na Tabela II, inclusive aquelas referentes às tensões de alimentação (GND, +12V e -12V). (*Efetuar as ligações com o gerador de funções desligado.) Tabela II - Lista de ligações da placa de modem. SINAL LIGADO A VALOR INICIAL +12 V fonte - -12 V fonte - GND fonte - TD CH2 UM /RTS CH1 UM /DTR CH0 UM /BRTS CH6 UM /BTD CH7 UM TC osciloscópio - RC gerador de funções* - MC0 jumper a escolha do grupo MC1 jumper a escolha do grupo MC2 jumper a escolha do grupo MC3 jumper a escolha do grupo MC4 jumper a escolha do grupo * manter gerador desligado até quando for necessário. Nos itens seguintes devem ser verificados os diversos modos de funcionamento desta pastilha, seguindo os diagramas apresentados e escolhendo as condições iniciais para cada modo. 2.2. Escolha dos modos de transmissão e recepção do Modem Am7910 Como o modem Am7910 possibilita a escolha de mais de um modo de operação para a execução dos procedimentos dos itens seguintes, faz-se necessária à seleção do modo específico para cada experimento. Elabore uma tabela contendo as seguintes informações para cada um dos modos de operação que serão usados nos itens seguintes da parte experimental: a) modo de operação escolhido e código (MC0 a MC4); b) frequências de transmissão de mark e space; c) frequências de recepção de mark e space. modo código transmissão recepção mark space mark space Full-duplex Half-duplex Comunicação Serial com Modem (2012) 8

2.3. Transmissão Full-Duplex A transmissão de dados Full-Duplex será estudada neste item, seguindo-se os seguintes passos: a) Acerte um modo de operação do compatível com o modo de transmissão full-duplex usando jumpers nos sinais de controle MC0 a MC4 da placa; b) Siga o fluxograma apresentado na Figura 2.1 para efetuar a transmissão do sinal digital em TD; c) Anote as frequências (teóricas e experimentais) e as formas de onda observadas no osciloscópio para cada dado transmitido (sinal TC). d) Verifique a troca dos pares de frequência com a mudança do bit MC0. Explique a diferença. Condições Iniciais /DTR /RTS liga /CTS Transmissão de Dados (*) /RTS Ignora TD Desliga /CTS OBS.: * Alterar o valor de TD (CH2) Figura 2.1 Transmissão Full-duplex. Comunicação Serial com Modem (2012) 9

2.4. Recepção Full-Duplex Para estudar a recepção em modo Full-Duplex, siga os seguintes passos: a) Acerte o gerador de funções para sinais senoidais e uma tensão de pico-a-pico da ordem de 1 Vpp. Verifique antecipadamente o sinal no osciloscópio antes de conectar na placa de modem; b) Ajuste um modo de operação compatível com a recepção de dados em modo Full-Duplex; c) Siga o fluxograma apresentado na figura 2.2, não se esquecendo de ajustar a frequência do gerador de sinais que simula a portadora de recepção, de acordo com o padrão selecionado, através das entradas MC0 a MC4. d) Monte uma tabela, contendo o modo de operação, as frequências (teóricas e experimentais) para recepção dos sinais space e mark. CUIDADO! : Não insira uma tensão pico a pico maior que 1V pp na entrada de RC. Isto pode queimar a pastilha. Condições Iniciais /DTR Detectou Portadora? * OBS.: Varie a freqüência da portadora e observe o led RD Liga /CD Recepção de Dados (*) Detectou Portadora? Desliga /CD /RD = MARK Figura 2.2 Recepção Full-Duplex. Comunicação Serial com Modem (2012) 10

2.5. Transmissão Half-Duplex A transmissão de dados Half-Duplex será estudada neste item, seguindo-se os seguintes passos: a) Escolha um modo de operação do compatível com o modo de transmissão e acerte os jumpers nos sinais de controle MC0 a MC4; b) Execute a transmissão tanto no canal principal como no canal de retorno. Para isto siga o diagrama apresentado na Figura 2.3 para efetuar tanto a transmissão do sinal digital em TD e depois em BTD; c) Anote as frequências (teóricas e experimentais) e as formas de onda observadas no osciloscópio para cada dado transmitido nos canais principal e de retorno (sinal TC). d) Explique a diferença. Condições Iniciais /DTR ANSWERED=0? OBS.: * Alterar o valor de TD (CH2) ** Alterar o valor de BTD (CH7) /RING ligado? ANSWERED=1 Envia ANSWER TONE /RTS /BRTS RD = MARK BRD = MARK liga /CTS liga /BCTS Transmissão de Dados (*) Transmissão de Dados no Canal de Retorno (**) /RTS /BRTS Desliga /CTS Desliga /BCTS Figura 2.3 - Transmissão Half-Duplex Comunicação Serial com Modem (2012) 11

2.6. Recepção Half-Duplex Para estudar a recepção em modo Half-Duplex, siga os seguintes passos: a) Acerte o gerador de funções para sinais senoidais e uma tensão de pico-a-pico da ordem de 1 Vpp; b) Ajuste um modo de operação compatível com a recepção de dados no modo Half-Duplex através das entradas MC0 a MC4; c) Lembrando-se que, no modo Half-Duplex, o uso do canal de retorno é condicionado ao uso do canal principal, quais as condições necessárias para executar a recepção de dados pelo canal de retorno? d) Com base no entendimento do modo de funcionamento half-duplex do modem, com as condições de transmissão e recepção do back channel, verifique a existência de algum erro no fluxograma da figura 2.4. Se houver, proponha uma correção. e) Não se esquecendo de ajustar a frequência do gerador de sinais que simula a portadora de recepção principal ou de retorno, execute a recepção de dados, de acordo com o fluxograma de recepção de dados; f) Monte uma tabela, contendo o modo de operação, as frequências (teóricas e experimentais) para recepção dos sinais space e mark. Condições iniciais /DTR ligado? Detectou portadora do canal principal? Detectou portadora do canal de retorno? Liga /CD Liga /BCD Recepção de dados pelo canal principal Recepção de dados no canal de retorno Detectou portadora do canal principal? Detectou portadora do canal de retorno? Desliga /CD Desliga /BCD RD = MARK Figura 2.4. Recepção Half-duplex. Comunicação Serial com Modem (2012) 12

2.7. Planejamento e Relatório No planejamento deverá constar um resumo de cada modo de funcionamento da pastilha, indicando as condições iniciais utilizadas e os principais sinais que devem ser observados em cada caso. No relatório deverão ser incluídas as formas de onda e a frequência dos principais sinais observados, comparando os resultados experimentais obtidos em relação aos previstos no planejamento. Perguntas: 1) É possível um modem no modo full-duplex transmitir e receber dados simultaneamente? Como isto pode ser mostrado na bancada? 2) Quais são as frequências de recepção de dados (mark e space) pelo canal de retorno do modo CCITT V.23? 3) Quais são as frequências de recepção de dados (mark e space) pelo canal de retorno do modo Bell 202 5bps back? Explique. 3. BIBLIOGRAFIA Advanced Micro Devices. Analog and Communications Products Data Book. Sunnyvale, California, 1983. Advanced Micro Devices. Modem Technical Manual - Am79101 WORLD-CHIP Autodial FSK Modem /Am7910 FSK WORLD-CHIP Modem / Am7911 FSK WORLD-CHIP Modem. Sunnyvale, California, 1988. FREGNI, E et al.. Experiências 6 e 7 - Laboratório Digital II, EPUSP, 1987. ROSCH, W. L. The Modern Modem: Bridge to the On-Line. PC Magazine, May 12, 1987 WEISSBERGER, A. J. Data Communications Handbook. Signetics. EUA, 1977. 4. EQUIPAMENTOS NECESSÁRIOS 1 painel de montagens experimentais. 1 placa de montagem do. 1 fonte de alimentação fixa, 5V 5%, 4A. 1 fonte de alimentação - 5V 5 %, 0,5 A. 1 gerador de funções. 1 osciloscópio digital. 1 multímetro digital. Comunicação Serial com Modem (2012) 13