Tens seis anos, não é?

Documentos relacionados
O Menino NÃO. Era uma vez um menino, NÃO, eram muitas vezes um menino que dizia NÃO. NÃO acreditam, então vejam:

Carlota pintava de pintinhas os sonhos que tinha ao acordar. Todas as manhãs, à sua mãe dizia: só mais um bocadinho, que estou a sonhar. A mãe saía.

Num bonito dia de inverno, um grupo de crianças brincava no recreio da sua escola,

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA S.I. DE CHAVILLE

Garoto extraordinário

Chico. só queria ser feliz. Ivam Cabral Ilustrações: Marcelo Maffei 5

Amarelinho splash não tinha forma. Nem mesmo a forma de uma gema de ovo quando ai! se espalha desastradamente pelo chão da cozinha.

Produção Textual. Foco Narrativo. Profa. Raquel Michelon

Nota prévia (Importante ler!)

Eu me chamo Mauren, 12 anos, 1,63 de altura e 43 kg. Cabelos ondulados um pouco abaixo dos ombros e castanhos, mas todos mundo insiste em dizer que é

I. Compreensão do oral

O meu retrato físico e psicológico

HISTÓRIAS DA AJUDARIS 16. Agrupamento de Escolas de Sampaio

O PEQUENO TREVO E OS AMIGOS DA RUA

Que Nevão! Teresa Dangerfield

manhã a minha irmã Inês vai ter o seu primeiro dia de escola. Há mais de uma semana que anda muito irrequieta e não para de me fazer perguntas,

1 O carro é do meu tio Zé.

Gosto muito do pequeno-almoço!

1 von :36

Funcionamento da Língua

''TU DUM, TU DUM, TU DUM'' este era o barulho do coração de uma mulher que estava prestes a ter um filho, o clima estava tenso, Médicos correndo de

O Pequeno Trevo e os Amigos da Rua

Que estúpido, meu Deus! Que estúpido! Como pude não notar durante tanto tempo?! Quase dois anos e eu, sem a menor, a mínima desconfiança.

águia baleia cágado cão cotovia hipopótamo rouxinol tubarão urso

Sérgio Mendes. Margarida e o lobo. Ilustrações de Ângela Vieira

JOGO 1. Nível1. A praia. Grelha de Avaliação de Desempenho no Software Educativo Os Jogos da Mimocas. Identifica os itens. Identifica o contexto

O princípio das férias

Aninha era uma menina muito medrosa, que tinha medo de tudo. Uma manhã a mãe dela acordou-lhe Aninha.Mas a mãe de Aninha nunca acordava ela.

Os da Minha Rua de Ondjaki

QUE OS TEUS PAIS. inês faria

É Quase Natal. Andam todos a brincar A correr, a saltar na floresta Mas não há tempo a perder Têm de preparar a festa

2º 3 º ciclos

Textos. O Natal que eu gostaria de ter! Miguel Feijó O Natal que eu gostaria de ter Bia da Rosa Ferreira... 3

Rosário Alçada Araújo

PE Episódio #91 Nível I Iniciação (A1-A2) Texto: Catarina Stichini Voz: Joaquim Jorge e Catarina Stichini A MINHA CASA

Transcrição de Entrevista nº 10

De vez. Apresentação dos livros infantis De Onde Venho? e Por Quem Me Apaixonarei? Miguel Vale de Almeida MIGUELVALEDEALMEIDA.

A minha história de Vida

Versão RECONTO. O Principezinho. PLIP003 De Antoine De Saint Exupéry

Shué. o pequeno canário

Soluções FICHA 1 FICHA Livro: = 62. R.: Ficaram 62 morangos na caixa = 66. R.: Ao todo, colheu 66 frutos.

Era Domingo, dia de passeio! Estava eu e as minhas filhas no

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

A DOCUMENTAÇÃO DA APRENDIZAGEM: A VOZ DAS CRIANÇAS. Ana Azevedo Júlia Oliveira-Formosinho

É verdade! Podemos. E IREMOOOOOOOOS!

J.I. Faria de Baixo 2017/ Agrupamento de Escolas Ferreira da Silva. Cucujães

Numa bela tarde de domingo, a Beatriz e o Tomás foram passear com os pais ao parque da cidade. Assim que chegaram, viram imensos cães diferentes a pas

A DESCOBERTA DE BELINHA TEXTO: SABRINA SARAIVA ILUSTRAÇÕES: ISABELA SARAIVA

Paula Rego, "As Criadas", O que vês no quadro da pintora portuguesa Paula Rego? Em que divisão da casa se passa esta cena? BLOCO DE ATIVIDADES

Identificação. M09 Duração da entrevista 29:38 Data da entrevista Ano de nascimento (Idade) 1953 (58) Local de nascimento/residência

Meu Amigo Bolacha. Natael Noé Santana

BALANÇO DA OCUPAÇÃO DO TEMPO DURANTE A SEMANA DE PREENCHIMENTO DA GRELHA - 1º ANO

PSY: Você também tratou muito dela quando viviam as duas. A: Depois não percebe que tem de ir apresentável! Só faz o que lhe apetece!

Três Mulheres com Máscara de Ferro

cama, Aprenda como escolher os melhores produtos para sua casa

Caderno 1 GRUPO I. Prova Modelo de Português. Ouve atentamente a gravação e segue as instruções que te são dadas.

O sapo estava sentado à beira do rio. Sentia-se esquisito. Não sabia se estava contente ou se estava triste

Rafa olhou para a bola que tinha levado. Ele ainda tinha uma bola novinha em folha em casa. Se desse esta ao Dani e a seus amigos, ele os faria

- Professora Sofia Almeida - Ficha de Revisões para o Teste. Grupo I

BARROS, Sônia. O segredo da xícara cor de nuvem. Moderna, Página 1 de 9-16/07/2015-9:07

CAPÍTULO UM. Há um contentor por trás da nossa escola. Este é o meu amigo Assis a saltar lá para dentro.

Quando eu era pequeno, à noite, e já estava sentado na cama, a mãe dizia

Anexo I - Modelo de Pólya para a resolução de um problema. 1

HISTÓRIA DO IOGURTE TRABALHO COLETIVO. Professora: Batasina Colombari. Atividade desenvolvida: 4º e 5ª ano

O GUERREIRO DA FLORESTA

Uma Aventura Criativa

Título: Poemas da verdade e da mentira. Autor: Luísa Ducla Soares. Ilustação: Ana Cristina Inácio. Edição original: Livros Horizonte, 2005

É bom ser criança de vez em quando e nunca é melhor ser criança do que no Natal. Charles Dickens, em Um conto de Natal

Unidade 1. Salpicos e os seus amigos. 1. Canção. O meu chapéu tem 3 bicos

Entidade Mantenedora: SEAMB Sociedade Espírita Albertino Marques Barreto CNPJ: / ALUNO(A): A5

A minha vida sempre foi imaginar. Queria ter um irmãozinho para brincar...

É vedada a reprodução parcial ou integral sem prévia autorização dos autores. Pizzignacco, Tainá Maués Pelúcio. Ficha catalalográfica

PRÁTICA DE ENSINO: JOGOS INTERATIVOS

Iracema ia fazer aniversário. Não

ATO DE AMAR CYRILLA KHRONOS. Regina Lúcia Ferreira Neves Curso de Comunicação Social da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas 4' ano

O Príncipe Feliz O PRÍNCIPE FELIZ. Uma estória comovente. de amizade, amor, e. altruísmo.

As Melhores 313 PIADAS. para rir sem parar

Um belo dia de sol, Jessi caminhava feliz para sua escola.

YAHUVAH falou com ele mesmo ele

A minha vida sempre foi imaginar. Queria ter um irmãozinho para brincar...

DATA: 02 / 12 / 2013 III ETAPA AVALIAÇÃO ESPECIAL DE LÍNGUA PORTUGUESA 3.º ANO/EF ALUNO(A): N.º: TURMA:

Casinha Cachinhos Dourados e os 3 ursos

Eu e Minha Família Dájara Blacutt

8-9 Porque é que tenho de comer os legumes? Porque é que tenho de ir para a cama à noite? Porque é que não posso dormir contigo?

MARIANINHA A MENINA QUE BOTOU A BOCA NO TROMBONE. DIAGRAMAÇÃO Michelle Nascimento Mariana Barros de Lima

HISTÓRIAS EM RETALHOS

O Amor se resume em se sentir bem, especial, incrivelmente Feliz. Um estado espiritual destinado a trazer muitas coisas boas. As vezes ele existe em

LIVRINHO DE RECEITAS DIVERTIDO. Fmês das. Fmês

Um dia assustador em Itamaracá

TÍTULO: A VERDADEIRA HISTÓRIA DE CHAPEUZINHO VERMELHO - VERSÃO DO LOBO

Ensino Português no Estrangeiro Nível A1 Prova A (13A1AE) 60 minutos

bolsas e biotipos OttoMille Saiba escolher a bolsa perfeita para o seu biotipo

O capitão PKU Associação Portuguesa CDG e outras Doenças Metabólicas Raras PKU

Transcrição:

O Gil não era alto nem baixo, devia ter cinco anos, quase seis. Os rapazes mal fazem cinco anos parecem logo quase seis! Um piparote e zás! É mesmo bom, nem dá tempo para abrir o primeiro presente até ao fim e já está... Tens seis anos, não é? O Gil não era gordo nem magro. Tinha olhos pretos, pretos a fingir, quem olhasse para dentro dos olhos do Gil percebia que eram castanhos. Usava óculos redondos, o que era uma maçada, sobretudo quando se esquecia deles no frigorífico. Isso acontecia sempre que ia à procura dos iogurtes de morango com chocolate, os seus preferidos, e acabava por trazer o pudim de queijo magro da mãe. Biahhh!! A pior coisa do mundo! Sabia a xarope da tosse estragado... 9

O Gil vivia numa casa alta e magra com um pátio pequeno onde cabia apenas a casota do cão, o Puma. Mas a razão da nossa história era o Gil ter uma mãe que também não era alta nem baixa, nem gorda nem magra. Só era diferente do Gil porque não tinha óculos e muitas vezes trazia o cabelo solto em ondas largas, muito clarinhas, que lhe chegavam aos ombros. Mas quando a mãe do Gil prendia o cabelo atrás com um gancho, ficava igualzinha ao Gil, sobretudo se comia iogurte de morango. Só não lambia a colher como o Gil fazia porque não queria ficar com uns grandes bigodes cor-de-rosa, o que não era lá muito próprio para uma mãe nem para rapazes como o Gil. Quem gostava de lamber o copinho do iogurte era o Puma. Aliás, a mãe costumava dizer que o Puma e o Gil, se não eram irmãos de verdade, eram pelo menos irmãos nas asneiras.

Gostavam dos mesmos biscoitos e de jogar às escondidas à volta da mesa da casa de jantar; muitas vezes corriam tanto que o vaso com flores que a madrinha do Gil trouxera da China ia pelos ares, e aí não havia nada a fazer... lá se escondiam os dois por baixo da cama do Gil, que não era alta nem magra como a casa, mas baixa e gorda de forma a que mãe do Gil nunca conseguisse lá chegar. Ambos gostavam de brincar com o urso Armindo e lembravam-se sempre de bulhar pelo mesmo cobertor antes de dormir. Quando o Gil se zangava, o Puma ia dormir para a sua cama, o que era uma coisa muito boa porque no inverno, quando estava frio, o Puma aquecia de tal maneira os pés do Gil que parecia que a mãe tinha comprado um édredon novo.

O Puma e o Gil zangavam- -se muito sempre que a mãe não os deixava entrar na sala de visitas, e isto acontecia sobretudo quando chegavam as pessoas muito importantes e muito altas. O que o Gil nunca percebeu foi porque é que as pessoas muito importantes eram sempre muito altas, pelo menos vistas de baixo, e porque é que as pessoas muito altas estavam sempre a dizer: «Olá, Gil, estás tão alto, cresceste tanto!»,

o que era uma grande mentira, porque até o Puma, quando se punha em pé sempre que o Gil chegava a casa depois da escola, parecia mais alto do que ele. Mas nessas noites de festa em que entrava pela casa alta e magra um bando de pessoas muito importantes e muito crescidas, o Gil gostava de dormir no pátio, na casota do Puma. A mãe só os descobria na altura em que as visitas voltavam à sala de barriga cheia, bem mais gordas, tão gordas que o Gil temia rebentarem as paredes da casa.

Mas o Gil andava cada vez mais cansado da mãe que tinha. Isto acontece aos meninos que fazem cinco anos e parecem seis: ficam de repente tão cansados das mães que lhes apetece trocar de mãe. Há mães para todos os gostos! Há mães de cabelos encarnados, amarelos ou castanhos. Há mães gordas como panquecas e há mães mais magras do que um fio de esparguete. Há mães com a pele muito branquinha, outras com sardas, há mães mais escurinhas e até há mães com os olhos em bico. Há mães que gritam com uma voz esganiçada que parece uma nota desafinada, e há mães roucas, mais roucas do que um trovão. Há mães que gostam dos cães e até os mimam mais do que aos próprios filhos, e há mães que tratam os cães como os