Propor a fé numa pluralidade de caminhos

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Transcrição:

L. M. FIGUEIREDO RODRIGUES Coordenador Propor a fé numa pluralidade de caminhos

Índice Apresentação 9 Desafios contemporâneos ao Cristianismo 11 João Manuel Duque 1. Era do indivíduo 12 2. O mundo como sistema 16 3. A religião da «espiritualidade» 18 Conclusão 21 Deus educa o seu povo. A pedagogia da Escritura 22 João Alberto Sousa Correia 1. Antigo Testamento 24 1.1. Pentateuco (Torah) 25 1.2. Livros históricos 27 1.3. Livros sapienciais 29 1.4. Livros proféticos 31 2. Novo Testamento 33 2.1. Os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos 34 2.1.1. As parábolas 35 2.1.2. As catequeses narrativas 37 2.1.3. Os discursos e diálogos 38 2.1.4. Os sinais de Jesus 40 2.2. Nas cartas de Paulo e na Carta aos Hebreus 41 2.3. Cartas Católicas e Apocalipse 43 Conclusão 45 Comunidade Evangelizadora na perspetiva de João Paulo II 50 José Cardoso de Almeida 1. A comunidade como epifania da ecclesia 50 1.1. O conceito de comunidade 50

6 Propor a fé numa pluralidade de caminhos 1.2. As fontes da comunidade 52 1.3. A comunidade manifesta a Ecclesia 57 2. Comunhão e nova evangelização 58 2.1. A ágape como expressão da comunhão eclesial 59 2.2. A comunhão como condição da nova evangelização 62 2.3. A nova evangelização em relação com a vida de comunhão 64 3. Consequências pastorais 65 3.1. Viver a Palavra 65 3.2. A sinodalidade como metodologia 68 3.3. A comunhão como pedagogia pastoral 71 Conclusão 72 Uma Pastoral Sensível à Iniciação Cristã dos Adultos 75 Vasco António da Cruz Gonçalves 1. O Mundo mudou, mudemos a pastoral 75 1.1. Numa pastoral missionária a catequese é momento essencial 78 1.2. Uma pastoral iniciática 79 1.3.O primeiro anúncio como dimensão transversal de toda a ação pastoral 81 1.3.1. A catequese numa pastoral que parte da periferia 82 1.4. O adulto no centro da missão catequética 83 2. Catequese de Adultos: definir conceitos 85 2.1. Terminologia variada 85 2.2. Catequese de Adultos é uma expressão clara? 86 2.2.1. É «catequese» 87 2.2.2. Com «adultos» 87 2.2.3.Caminho de maturidade da fé: promove uma nova imagem de crente 88 2.2.4.Para comunidades adultas: promove uma nova imagem de comunidade 89 2.2.5.Para um novo rosto de Igreja: promove um projeto renovado de Igreja 91

Índice 7 2.3. Distinguir entre Primeira Evangelização e catequese 93 2.4. Distinguir entre catecumenado e catequese 94 2.5. O que é a catequese permanente? 96 3. As catequeses de adultos: propostas diversificadas 97 4. Perspetivas de renovação 102 4.1. Catequese intergeracional 103 4.2. Catequese familiar 103 4.3. Formação de catequistas 104 Conclusão 105 Mundo juvenil, desafios à evangelização 106 Rui Alberto 1. Um mundo mal descrito 106 1.1. Juventude ou juventudes? 106 1.2. Como olhamos? 108 1.3. A evangelização e a lista dos desafios 110 2. O contexto socioeconómico 110 2.1. Redução demográfica 110 2.2. Mudança e crise nos sistemas de ensino e formação 113 2.3. Desemprego juvenil 115 2.4. A difícil gestão da sexualidade 117 2.5. Famílias para todos os gostos 118 3. Os desafios culturais 120 3.1. Uma sociedade sem centro 120 3.2. Entre desejo e limite 120 3.3. Crise do tempo 121 3.4. A palavra 122 3.5. Sem identidade 123 3.6. Individualismo 123 3.7. Depois das grandes narrativas 125 3.8. Lugares e não lugares 126 3.9. As fronteiras esbatidas 126

8 Propor a fé numa pluralidade de caminhos 4. O panorama comunicacional 127 4.1. Uma cultura visual 127 4.2. Uma comunicação interativa 128 4.3. Da explosão comunicativa à incomunicabilidade 129 5. A experiência religiosa dos jovens 129 5.1. Secularização 129 5.2. Uma religiosidade difusa 131 5.3. Estudar a experiência religiosa dos jovens 132 Um ano de festas em Portugal. Para um inventário preliminar 134 José da Silva Lima 1. Caleidoscópio festivo 134 2. Análise sincrónica 145 Evangelizar as redes, em rede 151 L. M. Figueiredo Rodrigues 1. Rede e redes de sujeitos 152 2. Sujeitos que interagem em rede 155 3. Sujeitos que se mostram na rede 157 4. Evangelizar em rede 162 5. Conclusão: reconhecer e valorizar os nós 165 5.1. Instituição eclesial 166 5.2. Agente de pastoral 168

Apresentação A obra que agora se coloca na mão do leitor foi pensada com o objetivo de oferecer um contributo para a reflexão sobre o modo, melhor, os modos como a fé pode ser proposta nos contextos em que nos situamos. Tem como denominador comum o facto de todos os autores se dedicarem a refletir sobre esta problemática, em perspetivas muito abrangentes e complementares, muitos deles com trabalhos de investigação para doutoramento que visaram expressamente temas da área da teologia prática. As reflexões recolhidas almejam ser um serviço à Igreja e à sociedade, a partir daquilo que é a especificidade do labor teológico: a reflexão crítica sobre a verdade da fé, dizendo-a de modo inteligível pelos nossos contemporâneos, numa atitude de diálogo e de compromisso. Hoje já ninguém pode esperar um «modelo pastoral que seja capaz de responder a todos os desafios da época contemporânea» (Philippe Bacq), antes importa ajudar a perceber, a descodificar o sentido das diversas experiências e, a partir daí, a discernir as opções que se afigurem como mais apropriadas. A reflexão visa promover a criatividade. As duas primeiras contribuições fazem, de alguma maneira, um enquadramento da questão. Começa-se por refletir, com a ajuda de João Manuel Duque, sobre aqueles que são os desafios contemporâneos ao Cristianismo, onde sobressai a articulação das dimensões pessoal e relacional da fé, com dádiva. Mas a reflexão teológica apoia-se, como seu fundamento perene, na palavra de Deus (DV 24), o que implica ver o modo como Deus educa o seu povo. No segundo texto, João Alberto Correia relê a Sagrada Escritura, evidenciando a pedagogia aí utilizada por Deus, que há de ser sempre paradigmática para os evangelizadores. Mas a proposta de fé parte sempre de um lugar específico, que é a comunidade, pelo que a reflexão de José Cardoso de Almeida sobre aquilo que é uma Comunidade Evangelizadora na perspetiva de João Paulo II destaca o específico da comunidade eclesial, a sua identidade e as mediações que se poderão potenciar para a tornar, de facto, mais evangelizadora. No contexto português, a iniciação cristã, sobretudo dos adultos, está na ordem do dia. Não apenas na interpelação que é cada pessoa que quer descobrir Jesus Cristo, mas sobretudo naquilo que uma opção pastoral de estilo catecumenal tem de novidade e de refrescante

10 Propor a fé numa pluralidade de caminhos para as comunidades eclesiais. Esta é a reflexão proposta por Vasco António Gonçalves quando olha a catequese de adultos: defini[ndo] conceitos. Na vida da Igreja, e por isso na hora de refletir sobre a proposta de fé, há realidades que são um permanente ícone, em torno do qual se aglutinam tendências e desafios. Os jovens são uma delas, pelo que a reflexão de Rui Alberto sobre o Mundo juvenil, desafios à evangelização ajuda a ver de um modo muito preciso o mundo contemporâneo, no qual os jovens vivem, e que lança desafios à pastoral eclesial. A evangelização, como proposta de fé, é sempre um anúncio alegre e festivo, pelo que importa reconhecer e potenciar os ciclos festivos existentes na nossa sociedade, muitos deles com origem no imaginário cristão, já que a «alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus» (EG 1), expressando-se no ciclo de um ano de festas em Portugal. José da Silva Lima faz aqui um inventário preliminar, lendo as festas numa perspetiva que cruza reflexões dos campos da antropologia e da teologia. A última contribuição ensaia vias de diálogo entre a teologia e a cultura digital, tendo como objetivo evangelizar as redes, em rede. Reconhecemos aí o potencial da cultural digital, as possibilidades que ela oferece aos evangelizadores, mas também os desafios e interrogações que lança à identidade cristã, ajudando-a a redescobrir ou, pelo menos, a revalorizar dimensões e aspetos que, noutros contextos, não eram tão evidentes. Para concluir, fazemos votos de que esta seja um estímulo à reflexão e ao diálogo, ao incremento da criatividade pastoral, inscrevendo-se no esforço que a Igreja é chamada a fazer, hoje, de uma autêntica «conversão pastoral» (EG 25). L. M. Figueiredo Rodrigues