Reforma da Previdência Henrique Meirelles Ministro da Março, 2017.
Evolução do Gasto Primário do Governo Central 2 Gasto Primário do Governo Central (% PIB) 20% 19,3% 19,7% 18% 16% 14,8% 15,9% 16,8% 17,0% 18,0% 14% 13,6% 12% 10% 10,8% Fonte:, SIAFI, IBGE Elaborado por Mansueto Almeida *Dados de 1991 a 1996: Giambiagi e Castelar (2012), Além da Euforia ** 2010: Não inclui a capitalização da Petrobras 2
Previdência é principal razão do aumento dos Gastos do Governo 3 Crescimento do Gasto primário de 1991 a 2015 (p.p. do PIB) 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 0,4 Pessoal 5,6 Benefícios Previdenciários (+ Assistência) 1,0 0,8 1,0 Despesas Correntes (Saúde e Educação) 8,7 Subsídios Outras Despesas Total Fonte: 3
Mito da Previdência superavitária 4 O argumento falacioso usa todas as receitas vinculadas a Seguridade Social para cobrir despesas somente com Previdência, e sugere superávit de R$ 100,1 bi Uma vez que se considera as demais despesas da Seguridade Social, a figura muda e passa haver déficit de R$ 180,5 bi (mesmo sem considerar a DRU) Cálculo Incorreto RECEITAS DESPESAS COFINS 204,7 INSS 498,5 CSLL 68,1 RPPS 110,8 60% do PIS/PASEP 32,3 Arrecadação RGPS 360,4 Contribuição da União ao RPPS 18,2 Contribuição Servidores ao RPPS 15,3 Outras receitas Orçam. Segurid. 10,4 TOTAL 709,4 609,3 Superávit (+)/Déficit(-) 100,1 Cálculo Correto (ainda sem DRU) RECEITAS DESPESAS COFINS 204,7 INSS 498,5 CSLL 68,1 RPPS 110,8 60% do PIS/PASEP 32,3 Assistência Social 81,4 Arrecadação RGPS 360,4 Saúde 107,3 Contribuição da União ao RPPS 18,2 Outras 36,0 Contribuição Servidores ao RPPS 15,3 Abono Salarial 18,3 Outras receitas Orçam. Segurid. 10,4 Seguro Desemprego 37,6 TOTAL 709,4 889,9 Superávit (+)/Déficit(-) - 180,5 4
Resultado da Previdência é claramente negativo 5 O resultado da previdência rural é estruturalmente negativo, o que contribui para aumentar a necessidade de financiamento do RGPS, sobretudo em uma conjuntura na qual a previdência urbana apresenta redução do superávit. 40 20 0-20 -40-60 -80-100 -120-140 -160-2,3-8,7-11,9-13,6-13,6-12,5-1,3 1,6-14,7-17 7,8 20,5 24,5 24,3 25,3 5,1-17,7-20,1-24,0-28,5-32,3-34,9-44,5-50,7-56,1-26 -65,4-74,2-32 -82,0-38 -36-36 -42-45 -43-43 -41-50 -57 Resultado da Previdência Urbana e Rural (Em R$ bilhões) Urbana Rural Total -91,0-86 -46,3-103,4-150 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 5
Seguridade Social como um todo em situação ainda pior 6 Déficit da Seguridade Social é maior do que da Previdência. Tão preocupante quanto o nível do déficit da seguridade é sua trajetória. Em 2016, a necessidade de financiamento da seguridade aumentou R$ 92,2 bilhões, alcançando R$ 258,7 bilhões. Ou seja, para que possamos continuar investindo mais em saúde e educação, precisamos estabilizar a despesa da previdência social. 0,0-50,0-100,0-150,0-200,0 Déficit da Seguridade Social (em R$ bilhões, com DRU) -27,2-22,1-24,2-39,2-34,1-40,5-78,2-66,5-58,1-76,1-90,1-130,1-166,5-250,0-300,0-258,7 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 6
Gasto Público com Previdência (% PIB) Previdência no Brasil é um ponto fora da curva mundial 7 Elevado gastos com previdência (13% do PIB, considerando RGPS e RPPS) Demografia ainda favorável (razão de dependência = 12,9%) Gastos Previdenciários Totais x Razão de Dependência 18% 16% 14% Brasil França 12% 10% 8% 6% 4% 2% Alemanha Japão 0% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% Razão de Dependência (pop. Acima de 65 / pop. 20-64) Fonte: OCDE, Banco Mundial, ONU 7
Se nada for feito, problema irá aumentar com o tempo 8 Razão de dependência do Brasil piora rapidamente, e fica pior que a europeia Razão de Dependência Brasil Europa 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 63,5% 61,5% 59,1% 49,9% 52,7% 55,4% 55,8% 54,2% 49,4% 47,3% 44,4% 45,2% 52,9% 53,3% 54,6% 41,1% 40,0% 36,6% 34,3% 32,3% 29,5% 24,2% 25,9% 26,2% 28,5% 25,7% 22,0% 18,1% 15,3% 9,2% 10,2% 11,2% 12,9% 2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 2045 2050 2055 2060 2065 2070 2075 2080 Fonte: OCDE, Banco Mundial, ONU 8
Impacto da demografia no INSS, se nada for feito 9 Benefícios Previdenciários do INSS (% PIB) Fonte: LDO 9
Se nada for feito, não cabe no Teto dos Gastos 10 120 100 80 60 40 20 100,0 100,4 101,3 102,5 103,7 105,1 106,6 108,3 110,0 111,9 45,4 43,7 42,3 41,0 39,8 38,5 37,2 35,9 34,6 33,3 7,0 6,6 6,2 4,2 4,4 4,6 4,9 5,2 5,5 5,9 50,4 52,4 54,4 56,5 58,7 61,1 63,5 66,1 68,8 71,6 120 100 80 60 40 20 0 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 RGPS e RPPS BPC LOAS/RMV Demais despesas 100% teto de gastos 0 10
Com reforma proposta, há espaço para os demais Gastos Sociais 11 100 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 45,4 43,7 42,3 41,0 39,8 38,5 37,2 35,9 34,6 33,3 4,2 4,3 4,4 4,5 4,6 4,7 4,8 4,9 5,0 5,1 50,4 52,0 53,2 54,4 55,5 56,7 58,0 59,2 60,4 61,6 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 RGPS e RPPS BPC LOAS/RMV Demais despesas 100% teto de gastos 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 11
Brasil possui elevada Taxa de Reposição 12 Taxa de Reposição (razão entre o valor da aposentadoria e salário) é uma medida da suposta generosidade do sistema previdenciário. No Brasil a taxa de reposição (76%) é maior do que a da média dos países europeus (56%). 1 A Taxa de Reposição Agregada e a mediana da pensão bruta dos aposentados com idade 65-74 dividido pela mediana das renda brutas das pessoas com idade 50-59. No caso do Brasil e a media da pensão bruta dos aposentados com idade 65-69 pela media da renda bruta das pessoa s com idade 55-64. Fonte: Eurostat 12
A mesma (pseudo) generosidade aparece nos Benefícios Assistenciais (BPC) 13 Valor dos benefícios assistenciais (BPC) em relação ao PIB per capita no Brasil só é inferior ao do programa equivalente na Bélgica 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% 1% 2% 5% Benefício ao Idoso - % do PIB per capita (dados referentes a 2013) 9% 9% 12% 15% 16% 20% 21% 22% 24% 25% 27% 27% 29% 33% 33% 35% 13
México Coréia Chile Japão Portugal Islândia Israel Nova Zelândia Suíça Suécia Estados Unidos Australia Noruega Irlanda OECD-34 média Canada Reino Unido Estônia Holanda Dinamarca República Tcheca Eslovênia Turquia Espanha Polônia Alemanha Grécia Austria Finlândia Itália República Eslovaquia Hungria França Bélgica Brasil Luxemburgo Modelo atual incentiva aposentadoria precoces 14 Aposentadorias especiais e por tempo de contribuição contribuem para que a idade média de aposentadoria no Brasil esteja entre as mais baixas do mundo. Incentiva os trabalhadores a saírem do mercado de trabalho no ápice da sua capacidade produtiva 75,0 70,0 65,0 60,0 72 71 69 69 Idade média de aposentadoria dos homens nos países da OCDE e no Brasil 68 68 67 67 66 66 65 65 65 65 64 64 64 64 64 63 63 63 63 62 62 62 62 62 62 61 61 61 60 60 59,4 58 55,0 50,0 Fonte: OECD (dados 2012, média referente aos últimos cinco anos) e MTPS (dados 2015 dos concedidos) Obs.: Em 2012 a idade média de aposentadoria dos homens no Brasil era de 59,2 anos. 14
Efeito macroeconômico da suposta generosidade 15 A transferência de recursos distorce o mercado de trabalho (impostos) e reduz a poupança agregada da economia. Isso significa mais juros, e menos PIB. JUROS PSEUDO PSEUDO GENEROSIDADE GENEROSIDADE poupança poupança investimento CAPITAL PRODUTIVO 15
Reforma proposta e evolução dos gastos previdenciários 16 Devido a demografia, gastos com previdência vão aumentar com o tempo Reforma visa manter benefícios previdenciários constantes como proporção do PIB Isso significa reduzir as distorções econômicas Benefícios da Previdência - INSS (% PIB) 10% 9% 9,7% 8% 8,1% 8,0% 7% 6% 5% 7,0% 7,2% Realizado Projeção Modelo Atual Projeção Reforma da Previdência 4% 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 2027 16
Ministro da Henrique Meirelles 17