Direito Civil Obrigações Professora Jesica Lourenço Turma Magistratura Estadual 2014 Vunesp www.jesicalourenco.com.br
2 OBRIGAÇÕES Edital: Modalidades das obrigações Da transmissão das obrigações Do adimplemento e extinção das obrigações Do inadimplemento das obrigações 1. MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES - As obrigações podem ser classificadas quanto ao seu objeto em obrigações de dar, de fazer e de não fazer. Obrigação de dar Coisa certa Abrange seus acessórios embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou de circunstâncias do caso. Obrigação de fazer Obrigação de não fazer Coisa incerta A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade. A escolha pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título da obrigação. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito. O devedor que recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exequível arcará com perdas e danos. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível. Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir dele que o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado perdas e danos. Entretanto, será extinta a obrigação, desde que, sem culpa do devedor, se torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar. - Ponto de destaque no estudo das obrigações de dar e de restituir é a consequência quando ocorrida a perda ou deterioração do objeto, a depender se para o fato o devedor concorreu ou não com culpa, conforme se verifica abaixo.
3 OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA Perda Com culpa Responderá pelo equivalente + perdas e danos Sem culpa Fica resolvida a obrigação para ambas as partes Deterioração Com culpa O credor poderá exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, podendo exigir em ambos os casos indenização das perdas e danos. Sem culpa O credor poderá resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu. OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR Perda Com culpa Responderá pelo equivalente + perdas e danos Sem culpa O credor terá a perda e a obrigação será resolvida, ressalvados os seus direitos até o dia da perda. Deterioração Com culpa Responderá pelo equivalente + perdas e danos Sem culpa O credor receberá como se encontrar, sem direito a indenização. - No que tange aos elementos, as obrigações podem ser alternativas, facultativas, cumulativas, fracionárias, divisíveis e indivisíveis e solidárias. Obrigações alternativas Obrigações facultativas Obrigações cumulativas Obrigações divisíveis indivisíveis e São aquelas em que, embora exista uma multiplicidade de prestações de possível realização naquela obrigação, apenas uma delas deverá ser satisfeita. A escolha, em regra, cabe ao devedor e é chamada de concentração. Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexequível, subsistirá o débito quanto à outra. Por fim, se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor, extinguir-se-á a obrigação. Nestas é facultado ao devedor trocar o objeto da prestação por outro que já estava especificado no pacto, sendo um direito potestativo do devedor. A diferença fundamental é que há apenas uma prestação simples e, portanto, não existe o ato de escolha. Por conta disso, a prestação substituta jamais pode ser exigida pelo credor. São aquelas em que há duas ou mais prestações exigíveis conjuntamente, de modo que o descumprimento de uma delas importa no inadimplemento total da obrigação. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou
4 Obrigações solidárias devedores. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação for indivisível, cada um será obrigado pela dívida toda, sendo certo que o devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. A solidariedade pode ser ativa ou passiva. - As obrigações solidárias possuem alta incidência em provas com este foco, motivo pelo qual importante se faz reforçar alguns aspectos das solidariedades ativa e passiva. Solidariedade ativa Solidariedade passiva - Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. - O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago. - Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível. - O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. - O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga ou relevada. - Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores. - Abrigadas em mais uma classificação das obrigações, agora quanto à exigibilidade e, encontram-se as obrigações civis e naturais. Obrigações civis São as obrigações que possuem exigibilidade.
5 Obrigações naturais São aquelas cujo cumprimento não é exigível e se for feito não é cabível a repetição do que foi pago. É o que ocorre, por exemplo, nas obrigações fundadas em pretensões prescritas e nas dívidas oriundas de jogo ou aposta. - E, por fim, quanto ao conteúdo, as obrigações dividem-se em obrigações de meio e obrigações de resultado. Obrigações de meio Obrigações de resultado O devedor não se obriga a atingir um resultado. Sua obrigação consiste em utilizar todos os meios necessários, adequados e eficientes para que o resultado seja atingido. O devedor se obriga pela ocorrência do resultado, sem o qual será considerado inadimplente. - Conforme a jurisprudência do STJ é de resultado a obrigação nas cirurgias estéticas, comprometendo-se o profissional com o efeito embelezador prometido. 2. ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES: PAGAMENTO - Superada a concepção clássica do direito obrigacional, vigora a visão de obrigação como processo, em um prisma dinâmico que deve ser conduzido ao adimplemento, que é a forma de extinguir a obrigação pactuada. O modo de adimplemento por excelência é o pagamento. Há requisitos subjetivos e objetivos para o pagamento. Quem paga Quem recebe REQUISITOS SUBJETIVOS É o solvens. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. Também pode ser feito por terceiro não interessado se o fizer em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste. Além disso, o terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor. Vale lembrar, por oportuno, que se o pagamento for feito por terceiro, com desconhecimento ou oposição do devedor, não haverá obrigação de reembolsar aquele que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação. É o accipiens. O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito. No entanto, se o pagamento for feito de boa-fé a credor putativo será válido, ainda provado depois que não era credor. Sobreleva destacar, por fim, que não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar, se o devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu.
6 Objeto Prova Local Tempo REQUISITOS OBJETIVOS É o que une devedor e credor na relação obrigacional. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa. Importa salientar que quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação. A prova no pagamento consubstancia-se na quitação. O devedor que paga tem direito a quitação regular, e pode reter o pagamento, enquanto não lhe seja dada. Quando o pagamento for em parcelas, a quitação da última estabelece, até prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores. O pagamento será feito no domicílio do devedor, salvo se as partes estipularem diferente ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias, sendo certo que estipulados dois ou mais lugares, caberá ao credor a escolha. Ressalta-se que o pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato. Não tendo sido ajustada época para o pagamento, pode o credor exigi-lo imediatamente, salvo convenção em sentido diverso. Quando se tratar de obrigações condicionais estas serão cumpridas na data do implemento da condição, cabendo ao credor a prova de que o devedor teve ciência. Há casos em que o credor poderá cobrar a dívida antes de vencido o prazo, conforme art. 333, CC. - A quitação regular referida no art. 319, CC engloba a quitação dada por meios eletrônicos ou por quaisquer formas de comunicação à distância, assim entendida aquela que permite ajustar negócios jurídicos e praticar atos jurídicos sem a presença corpórea simultânea das partes ou de seus representantes. - A inutilidade da prestação que autoriza a recusa da prestação por parte do credor deverá ser aferida objetivamente, consoante o princípio da boa-fé e a manutenção do equilíbrio, e não de acordo com o mero interesse subjetivo do credor. - Embora o pagamento direto estudado seja o meio por excelência de adimplir uma obrigação, existem modalidades especiais de pagamento também chamadas de modos de pagamento indireto, que terão o condão de produzir o mesmo resultado prático do pagamento direto, qual seja, o adimplemento e a extinção da obrigação avençada.
7 PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO Trata-se do meio judicial (depósito judicial) ou extrajudicial (em estabelecimento bancário) que o devedor pode adotar para exonerar-se da obrigação com o depósito da coisa devida. Será cabível a consignação se: O credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma; O credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; O credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; Ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; Pender litígio sobre o objeto do pagamento. Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar, poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação para todas as consequências de direito. SUG-ROGAÇÃO Ocorre quando há a substituição de uma coisa ou pessoa por outra, motivo pelo qual a sub-rogação pode ser real ou pessoal. Além disso, a sub-rogação pode ser legal ou convencional. Sub-rogação Legal Sub-rogação convencional Opera-se de pleno direito em favor: Do credor que paga a dívida do devedor comum Do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; Do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte. A sub-rogação será convencional quando: Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos, como na cessão de crédito; Quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os fiadores. Nesse sentido, no que concerne à produção de efeitos, a sub-rogação produz o efeito liberatório, já que exonera o credor originário, bem como o efeito translativo, na
8 medida em que ocorre a mudança objetiva ou subjetiva na relação. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO - Trata-se do direito que a pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem de indicar a qual deles oferece pagamento, desde que todos sejam líquidos e vencidos. Nessa situação, se o devedor não explicitou em qual das dívidas líquidas e vencidas queria imputar o pagamento, e se aceitar a quitação de uma delas, não terá direito a reclamar contra a escolha feita pelo credor, exceto se provar a ocorrência de violência ou dolo. Por fim, se a quitação for omissa quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa. - São requisitos da imputação do pagamento: Pluralidade de débitos; Débitos de mesma natureza líquidos e vencidos Pagamento suficiente para extinguir quaisquer dos débitos. Identidade de credor e devedor. DAÇÃO EM PAGAMENTO Ocorre quando o credor consente em receber prestação diversa da que lhe é devida. A dação tem como requisitos: A existência de um débito anterior entre as partes; Que seja acordada entre devedor e credor; A coisa dada em pagamento deve ser diversa da devida. NOVAÇÃO Ocorre quando é constituída uma nova obrigação para suceder a obrigação primitiva. A novação pode ser objetiva ou subjetiva. Novação Novação Subjetiva Objetiva Ocorre quando o Passiva Ativa devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a Quando o novo devedor sucede o antigo, ficando este quite com o credor. Quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor quite com este.
9 anterior. Para a ocorrência da novação são exigidos os seguintes pressupostos: A obrigação anterior precisa ser válida; As partes precisam estar de acordo com a nova dívida; Animus novandi. COMPENSAÇÃO Será possível a compensação se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, caso em que as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem. Para tanto, precisa se dar entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. A compensação pode ser legal, judicial e convencional. Legal É a que se dá apenas em relação a dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. Judicial É aquela em que os créditos não são em si líquidos, mas o juiz pode determinar sua liquidação sem que isso envolva complexidade. Convencional Decorre da vontade das partes em extinguir os créditos recíprocos, mesmo que as dívidas não sejam líquidas, vencidas e de coisas fungíveis. Em alguns casos a compensação será vedada: Dívidas provenientes de esbulho, furto ou roubo; Obrigações derivadas de comodato, depósito e alimentos; Dívidas sobre bens insuscetíveis de penhora; Em prejuízo de direito de terceiro; Quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia prévia de uma delas. CONFUSÃO - Ocorre a confusão quando na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor, caso em que há a extinção da obrigação. A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só de parte dela. Seus requisitos são: Existência de única obrigação Identidade na mesma pessoa de credor e devedor Reunião de patrimônios. - Salienta-se, nos termos do art. 383, CC que a confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no
10 crédito, ou na dívida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade. REMISSÃO A remissão consiste no perdão da dívida por parte do credor, que deve ser aceito pelo devedor e não prejudicar terceiros. A remissão não se confunde com a renúncia ao crédito, já que na remissão o devedor pode se opor ao ato, enquanto que a renúncia é ato unilateral do credor, não havendo necessidade da anuência do devedor. 3. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES - A concepção de obrigação como processo permite a compreensão do fenômeno obrigacional como algo passível de mutações em decorrência de vicissitudes a que a vida está sujeita. Nesse cenário, tendo em vista essas possíveis modificações, é que inicia o estudo das formas de transmissão das obrigações. Como o próprio nome diz, nos casos a seguir ocorre uma substituição de sujeitos na obrigação e não em si sua extinção. De toda forma, o objetivo precípuo é o adimplemento obrigacional eficaz. - As principais formas de transmissão das obrigações são a cessão de crédito e assunção de dívida, que serão analisadas separadamente. CESSÃO DE CRÉDITO - O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor. Na cessão abrangem-se todos os seus acessórios, salvo disposição em contrário. Se houver cláusula proibitiva da cessão, esta não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação, em virtude do princípio da publicidade. Se a cessão não celebrar-se mediante instrumento público ou instrumento particular revestido das solenidades do 1 o do art. 654, CC, será ineficaz perante terceiros. A cessão também será ineficaz perante o devedor que não for dela notificado. Isso é importante porque fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão, paga ao credor primitivo, ou que, no caso de mais de uma cessão notificada, paga ao cessionário que lhe apresenta, com o título de cessão, o da obrigação cedida. Na cessão a título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé. No que tange à responsabilidade do cedente em relação ao cedido, a cessão de
11 crédito pode ser: Pro soluto O cedente garante apenas a existência do crédito. Pro solvendo O cedente assume o risco da insolvência do devedor. - É muito comum a cobrança de questões em provas que procurem confundir o candidato em relação à cessão de crédito, novação e sub-rogação, motivo pelo qual sobrelevam as distinções a seguir traçadas. NOVAÇÃO SUBJETIVA ATIVA A obrigação primitiva é extinta. Requer anuência do devedor. A obrigação primitiva é extinta com seus acessórios. CESSÃO DE CRÉDITO A obrigação primitiva é mantida. Dispensa a anuência do devedor, que precisa apenas ser notificado. Abrange todos seus acessórios. CESSÃO DE CRÉDITO Pode não haver correspondência entre o valor que o crédito foi adquirido e o seu valor nominal. Não há preferência de recebimento entre credores, devendo o pagamento ser fracionado. A produção de efeitos se dá após a notificação do devedor. SUB-ROGAÇÃO Não tem caráter especulativo. Se a sub-rogação for parcial o credor originário manterá a preferência na cobrança do restante da dívida. Produz efeitos imediatamente. - Na assunção de dívidas ocorre a transmissão do débito obrigacional. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA Pela assunção de dívida, é facultado a um terceiro assumir a obrigação do devedor. Há necessidade do consentimento expresso do credor. O devedor primitivo ficará exonerado salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. A assunção de dívida poderá ser liberatória ou cumulativa. Liberatória O devedor primitivo fica exonerado. Cumulativa O novo devedor assume a dívida junto com o devedor primitivo. Além disso, a assunção poderá ser por expromissão ou por delegação. Expromissão Também chamada de unifigurativa, nela o pacto é realizado diretamente entre o novo devedor e o credor, sem necessidade de anuência e participação do devedor primitivo, seja ela liberatória ou cumulativa. Delegação Também chamada de bifigurativa, nela o antigo devedor delega o
12 débito ao novo e, para tanto, é preciso a anuência do credor. - Assim como na cessão de crédito, na assunção de dívida é importante traçar sua diferença em relação a institutos afins. - Assunção liberatória X Novação Subjetiva Passiva ASSUNÇÃO LIBERATÓRIA NOVAÇÃO SUBJETIVA PASSIVA Em ambas ocorre substituição no polo passivo. Modo de transmissão da obrigação. Modo de extinção da obrigação. A relação obrigacional que passa do devedor originário para o novo é A obrigação originária é extinta com seus acessórios, criando-se uma nova. mantida, inclusive com seus consectários. - Assunção cumulativa X Fiança ASSUNÇÃO CUMULATIVA O novo devedor assume a dívida junto com o devedor primitivo. O novo devedor quando paga não se sub-roga já que está pagando débito próprio. FIANÇA O fiador não assume a posição de devedor, sendo subsidiária sua responsabilidade. O fiador quando paga a dívida sub-roga-se nos direitos do credor. - Assunção cumulativa X Promessa de liberação ASSUNÇÃO CUMULATIVA PROMESSA DE LIBERAÇÃO Em ambos os casos uma pessoa se compromete a pagar prestação alheia. O credor pode cobrar de qualquer um dos devedores. O credor somente pode cobrar do devedor originário, já que o terceiro tem relação unicamente com o devedor, não se obrigando perante o credor. 4. INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES. - Pelo princípio da responsabilidade patrimonial, todos os bens do devedor respondem pelo inadimplemento das obrigações. - O não cumprimento de uma obrigação pode decorrer de um ato culposo do devedor ou de fato que a ele não possa ser imputado (caso fortuito e força maior).
13 - As espécies de inadimplemento são as seguintes: - Vale lembrar que a inobservância ao princípio da boa-fé objetiva e seus deveres anexos no curso da relação obrigacional acarreta, igualmente, o inadimplemento que, nesse caso, é chamado de violação positiva do contrato. Nesse sentido, Enunciado 24, I Jornada de Direito Civil, CJF. - Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e correção monetária, sendo estas algumas consequências do inadimplemento.
14 - Mora é o atraso ou cumprimento imperfeito da obrigação. É importante distinguir a mora do inadimplemento absoluto. Ambos são espécies do gênero inadimplemento, no entanto se houver utilidade ou proveito ao credor no cumprimento da obrigação fala-se em mora; caso o cumprimento tenha se tornado inútil ao credor, fala-se em inadimplemento absoluto. - A inutilidade da prestação que autoriza a recusa da prestação por parte do credor deverá ser aferida objetivamente, consoante o princípio da boa-fé e a manutenção do sinalagma, e não de acordo com o mero interesse subjetivo do credor, conforme Enunciado 162, III Jornada de Direito Civil, CJF. - Teoria do adimplemento substancial: limita o exercício de direitos do credor Como regra geral, se houver descumprimento de obrigação contratual, a parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos, conforme dispõe o artigo 475 do Código Civil (CC). Entretanto, a doutrina e a jurisprudência têm admitido o reconhecimento do adimplemento substancial, com o fim de preservar o vínculo contratual. Segundo a teoria do adimplemento substancial, o credor fica impedido de rescindir o contrato, caso haja cumprimento de parte essencial da obrigação assumida pelo devedor; porém, não perde o direito de obter o restante do crédito, podendo ajuizar ação de cobrança para tanto. Embora não seja expressamente prevista no CC, a teoria tem sido aplicada em muitos casos, inclusive pelo STJ, tendo como base, além do princípio da boa-fé, a função social dos contratos, a vedação ao abuso de direito e ao enriquecimento sem causa. O princípio da boa-fé, que exige das partes comportamento ético, baseado na confiança e na lealdade, deve nortear qualquer relação jurídica. De acordo com o artigo 422 do CC, os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. No plano do direito das obrigações, a boa-fé objetiva apresenta-se, especialmente, como um modelo ideal de conduta, que se exige de todos integrantes da relação obrigacional (devedor e credor) na busca do correto adimplemento da obrigação, que é a sua finalidade última. REsp 1202514 / RS - Há duas espécies de mora: mora do devedor e mora do credor. - Mora do devedor MORA DO DEVEDOR Ocorre quando há o descumprimento da obrigação ou quando esta é cumprida de modo imperfeito. Há dois tipos de mora do devedor, a saber:
15 Mora ex re É automática, dispensando atitude do credor. Ocorre quando: Mora persona ex Nas obrigações com termo predeterminado, em que o vencimento por si só interpela; Débitos decorrentes de ilícito extracontratual; Quando o devedor declara que não cumprirá a obrigação Ocorre nos casos em que não havia um termo para o cumprimento da obrigação, caso em que o credor deverá promover a interpelação do devedor. - Mora do credor MORA DO CREDOR Ocorre quando há o retardamento no recebimento da prestação pelo credor. Pressupostos Vencimento da obrigação Oferta da prestação pelo devedor Recusa injustificada em receber pelo credor Constituição em mora por meio da consignação em pagamento Efeitos Desobriga o devedor em relação à conservação da coisa Responsabiliza o credor pelo pagamento das despesas efetuadas pelo devedor O credor ficará sujeito a receber a coisa, em caso de oscilação do preço, pela estimação mais favorável ao devedor. - Vale lembrar que pode ocorrer a mora tanto por parte do credor tanto por parte do devedor, podendo ser moras simultâneas ou moras sucessivas. MORAS SIMULTÂNEAS Quando as duas partes estão em mora ao mesmo tempo, a mora de um exclui a mora do outro, compensando-se. Nesse caso, nem credor nem devedor podem exigir perdas e danos. MORAS SUCESSIVAS Nesse caso, credor e devedor responderão em virtude da mora a que deram causa nos períodos respectivos. - Os efeitos da mora podem ser sanados seja pela purgação da mora ou pela cessação da mora. PURGAÇÃO MORA DA Devedor Oferta da prestação atrasada +
16 CESSAÇÃO MORA DA Prejuízos Credor Oferta do recebimento da prestação + Ressarcimento das despesas do devedor + Oscilação do preço Terceiro O terceiro também pode purgar a mora, suportando os mesmos encargos que incidiriam sobre o devedor. Decorre da extinção da obrigação. - Em relação às perdas e danos decorrentes do inadimplemento obrigacional, nelas estão compreendidos os danos emergentes e os lucros cessantes. - Juros são rendimentos de capital, sendo considerados frutos civis da coisa. Os juros dividem-se em compensatórios, moratórios, convencionais, legais, simples e compostos. JUROS Compensatórios Moratórios São os remuneratórios devidos em São aqueles que incidem em virtude do razão do uso do capital durante atraso ou descumprimento da obrigação. determinado lapso temporal. Convencionais Legais Decorrem de acordo entre as partes. Decorrem da lei. Simples Compostos Calculados sobre o capital inicial. Capitalizados anualmente, calculando-se juros sobre juros.
17 - No que diz respeito aos juros, mister se faz esclarecer a partir de que momento começam a fluir os juros moratórios e a correção monetária nas indenizações por dano moral e ressarcimento de danos materiais. SÚMULAS DO STF SÚMULA 255: Sendo ilíquida a obrigação, os juros moratórios, contra a Fazenda Pública, incluídas as autarquias, são contados do trânsito em julgado da sentença de liquidação. SÚMULA 254: Incluem-se os juros moratórios na liquidação, embora omisso o pedido inicial ou a condenação.
18 SÚMULA 163: Salvo contra a fazenda pública, sendo a obrigação ilíquida, contam-se os juros moratórios desde a citação inicial para a ação. SÚMULA 121: É vedada a capitalização de juros, ainda que expressamente convencionada. SÚMULAS DO STJ SÚMULA 464: A regra de imputação de pagamentos estabelecida no art. 354 do Código Civil não se aplica às hipóteses de compensação tributária. SÚMULA 426: Os juros de mora na indenização do segura DPVAT fluem a partir da citação. SÚMULA 422: Os juros remuneratórios não estão limitados nos contratos vinculados ao Sistema Financeiro de Habitação. SÚMULA 298: O alongamento de dívida originada de crédito rural não constitui faculdade da instituição financeira, mas, direito do devedor nos termos da lei. SÚMULA 296: Os juros remuneratórios, não cumuláveis com a comissão de permanência, são devidos no período de inadimplência, à taxa média de mercado estipulada pelo Banco Central do Brasil, limitada ao percentual contratado. SÚMULA 283: As empresas administradoras de cartão de crédito são instituições financeiras e, por isso, os juros remuneratórios por elas cobrados não sofrem as limitações da Lei de Usura. SÚMULA 76: A falta de registro do compromisso de compra e venda de imóvel não dispensa a previa interpelação para constituir em mora o devedor. SÚMULA 54: Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual. SÚMULA 43: Incide correção monetária sobre divida por ato ilícito a partir da data do efetivo prejuízo. PAGAMENTO INDEVIDO Art. 876, CC.
19 Um pagamento pode ser objetivamente indevido quando a dívida paga não existe ou não é justo o seu pagamento. Ex: dívida paga a mais. Por outro lado, um pagamento pode ser subjetivamente indevido, ou seja, quando é realizado à pessoa errada. Ex: pagou-se a quem não era o legítimo credor. Art. 877, CC c/c Súmula 322, STJ. Presunção da boa-fé objetiva do consumidor (art. 4º, III, CDC e do princípio do protecionismo (art. 1º, CDC). ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA Art. 884, CC. O Código Civil veda expressamente em seus arts. 884 a 886 o enriquecimento sem causa, com base no princípio da eticidade, visando o equilíbrio patrimonial na relação. Nessa linha, de acordo com a doutrina clássica de Direito Civil, são pressupostos para a ação que visa afastar o enriquecimento sem causa: a) Enriquecimento de quem recebe (accipiens) b) Empobrecimento de quem paga (solvens) c) Nexo causal entre o enriquecimento e o empobrecimento d) Inexistência de causa jurídica prevista por convenção das partes ou pela lei e) Inexistência de ação específica. No entanto, o Enunciado 35, I Jornada de Direito Civil, CJF diz o seguinte: A expressão se enriquecer a custa de outrem do art. 886 do novo Código Civil não significa, necessariamente, que deverá haver empobrecimento. Não confundir o enriquecimento sem causa, que é aquele em que falta uma causa jurídica para o enriquecimento, com o enriquecimento ilícito, que é fundado em um ilícito. Assim, todo enriquecimento ilícito é sem causa, mas nem todo enriquecimento sem causa é ilícito, até mesmo porque um contrato desproporcional pode não ser um ilícito e gerar enriquecimento sem causa.