O Renascimento fora da Itália

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Transcrição:

O Renascimento fora da Itália

Levamos a história da arquitetura italiana até finais do século XVII porque não existe nenhum corte nesse trajeto, e cada fase emerge a partir da que lhe antecedeu. No entanto, agora devemos recuar para acompanhar a expansão do ideal renascentista fora de Itália. Tratase de um tema complexo, porque o desenvolvimento dessas concepções em qualquer outro país não foi nem contínuo nem lógico. A influência italiana fez-se sentir de modo arbitrário, dependendo largamente das circunstâncias políticas, de tal modo que os Países Baixos, por exemplo, puderam seguir a influência do maneirismo italiano, sem nunca terem passado por um verdadeiro período renascentista. Mais ainda, nos países onde a tradição gótica estava mais profundamente enraizada, o novo estilo, de início, foi usado apenas de modo superficial, como uma nova forma de ornamentação. A primeira fase da arquitetura renascentista, em França, em Inglaterra e na Alemanha aparece, por isso, como uma arte híbrida, difícil de avaliar nos seus próprios termos.

Espanha O Palácio Escorial

Em Espanha, apesar de não esmorecer o entusiasmo com que se continuaram a construir igrejas góticas, o estilo renascentista italiano puro surgiu muito prematuramente. O inacabado palácio de Carlos V, em Granada, de Pedro Machuca, foi começado em 1527; inclui um pátio circular, com colunas dóricas e jónicas sobrepostas. O classicismo austero foi levado ainda mais longe no grande palácio de Filipe II, o Escoriai, fora de Madrid; foi começado por Juan Bautista de Toledo e concluído por Juan de Herrera (1563-1584). O Palácio do Escoriai é uma combinação de palácio, mosteiro e catedral; o exterior apresenta-se quase completamente liso, a igreja tem planta centrada, e é de tal modo simples e impressionante que faz lembrar Bramante.

Vista geral do palácio Escorial, Espanha. Disponível em: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8e/vistaescorial.jpg/350px-vistaescorial.jpg>. Acesso em 12/02/2013.

Arquitetura na Renascença: Espanha Palácio Escorial

Vista da entrada principal do palácio Escorial, Espanha. Disponível em: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/04/el_escorial_eingangsseite.jpg/799px-el_escorial_eingangsseite.jpg>. Acesso em 12/02/2013.

Vista da biblioteca do palácio. Disponível em: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5c/escorialbiblioteca.jpg/800px-escorialbiblioteca.jpg>. Acesso em 12/02/2013.

França Os castelos renascentistas

A França vislumbrou o Renascimento pela primeira vez em 1494, altura em que as tropas de Carlos VIII de França atravessaram os Alpes e marcharam sobre as planícies da Lombardia. Conseguiram chegar até Nápoles, mas um ano depois quando toda a Itália pegara em armas contra elas tiveram de bater em retirada. Dezessete anos mais tarde, Francisco I, o verdadeiro príncipe renascentista, entrou em Milão à frente das suas tropas. Estas duas expedições mudaram o rumo da cultura ocidental. Que a França, de um momento para o outro, se pusesse a construir palácios italianos, desnecessário será dizer que estava fora de questão. Inevitavelmente, foi em pequenas coisas, sedas, cerâmicas, joalharia, que os artífices italianos puderam introduzir o seu estilo. Os arquitetos não teriam encontrado bom acolhimento junto da última geração de mestres da obra franceses, cujas grandes realizações se situavam num mundo gótico. É natural que os italianos e as suas obras teóricas tenham influenciado o tipo de decoração, o trabalho de mármore ou coisas afins, mas a verdade é que os construtores franceses eram mestres no seu ofício.

Chambord

Os castelos de Azay-le-Rideau, Chenonceaux, Chambord, Blois todos construídos entre 1508 e 1520, não são fortificados. No seu interior, decorria uma vida civilizada, culta e luxuosa. Estes palácios do vale do rio Loire não foram projetados segundo o modelo clássico puro, como o Palazzo Strozzi e o Farnese, mas incluíam enormes salões de audiência, grandes lareiras e molduras nas paredes. Além disso, tinham ainda, ao contrário dos castelos, grandes janelas voltadas para relvados e jardins, para um mundo com segurança. As ameias transformaram-se numa imponente cornija recortada, o fosso de proteção foi transformado em um lago cheio de nenúfares e a torre de menagem (ou donjon, em francês), em Chenonceaux, passou a ser um mirante. É no acabamento das portas, janelas e lareiras que encontramos autênticos pormenores clássicos pilastras jônicas e coríntias, com painéis ornamentados com arabescos. Estes motivos decorativos secundários que devem ter sido inspirados pelos livros italianos, são o único indício estilístico palpável que nos fazem crer que Carlos VIII e Francisco I estiveram, de fato, na Itália. O Château (castelo) de Chambord (1519-1547) é simultaneamente um castelo medieval, um palácio italianizante e, em geral, uma imitação sofisticada. À primeira vista parece também uma fortaleza. A planta apresenta um pátio interior e outro exterior e um fosso não utilizado. Tem enormes torres circulares e austeramente lisas em todos os cantos. No entanto, constituiu uma mera preparação, uma base sobre a qual o arquiteto, Pierre Nepveu, pôde assentar a sua grande obra, o telhado. Não há outro igual em todo o Mundo. Pequenas torres, torreões, chaminés, pináculos, belvederes, cúpulas, flores-de-lis e minaretes, tudo resplandece sobre os andares separados por cornijas, onde Catarina de Medíeis observava os astros com o seu astrólogo. Visto de longe, parece uma aldeia de contos de feda, situada no céu. É particularmente significativo que o arquiteto tenha aproveitado aquele telhado íngreme, de estilo gótico e nórdico, não italiano, como pano de fundo de uma profusão de pormenores italianizantes.

Vista da entrada principal do castelo. Disponível em: <http://www.tuxboard.com/photos/2012/02/chateau-chambord-porte-royale.jpg>. Acesso em 12/02/2013.

Escada principal em duplo helicoidal. Disponível em: <http://www.visite-au-chateau.com/chambord/escalier-chambord.jpg>. Acesso em 12/02/2013.

Chenonceaux

Chenonceaux (1515-1523) é apenas um pouco menos fantástico nas séries de pequenas torres cônicas, cuidadosamente dispostas de modo que, primeiro, parecem um ramalhete, quando avistadas do fundo da alameda de acesso, e, a seguir, espelham-se nas águas serenas do rio. Em 1556 o arquiteto Philibert de l'orme ampliou o castelo de Chenonceaux de uma forma pitoresca: construiu um salão de baile sobre uma arcada por cima do rio e as cintilações do sol na água refletem-se no teto liso.

Castelo de Chenonceau, Vale do rio loire, França. Fonte: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/30/chenonceau-20050320.jpg/775px-chenonceau-20050320.jpg>. Acesso em 12/02/2013.

Castelo de Chenonceau, Vale do rio loire, França. Fonte: http://chenonceau.fromparis.com/panoramas/109/photos/chateau_de_chenonceau_109_1_photo_thb.jpg