Escarlatina: medo e mito

Documentos relacionados
Febre Reumática e Artrite Reativa Pós- Estreptocócica

Carbúnculo ou antraz Bacillus anthracis

Doenças exantemáticas DIP II

ENFERMAGEM DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS. OUTRAS DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS Aula 5. Profª. Tatiane da Silva Campos

Gripes, Constipações e Vacinação. Com Setembro chega o frio e com este, a Gripe. Saiba como se proteger e qual a melhor maneira de lidar com ela.

Orientações gerais para as famílias. Ambulatório

Espectro clínico. Figura 1 Espectro clínico chikungunya. Infecção. Casos Assintomáticos. Formas. Típicas. Fase Aguda. Fase Subaguda.

Febre reumática e artrite reativa pósestreptocócica

Gênero Staphylococcus Gênero Streptococcus. PDF created with pdffactory Pro trial version

PAXORAL. (lisado bacteriano)

MEDIDAS DE PREVENÇÃO CONTRA A INFECÇÃO PELO VÍRUS INFLUENZA A (H1N1) Por Amélia Maria Ribeiro de Jesus*

DOENÇAS CAUSADAS POR VÍRUS

9º ano em AÇÃO. Assunção contra o mosquito!

Doenças Exantemáticas em Pediatria. Dra. Joelma Gonçalves Martin Departamento de Pediatria Faculdade de Medicina - UNESP

Clindamicina Phagecon, 600 mg/4 ml solução injetável ou concentrado para solução para

Febre maculosa febre carrapato

FLUISOLVAN. Geolab Indústria Farmacêutica S/A Xarope Adulto 6mg/mL Infantil 3mg/mL

FOLHETO INFORMATIVO: INFORMAÇÃO PARA O UTILIZADOR

O INVERNO ESTÁ CHEGANDO Temos que dobrar os cuidados

DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ÁGUA E ALIMENTOS 1

Estes artigos estão publicados no sítio do Consultório de Pediatria do Dr. Paulo Coutinho.

Faringoamigdalites na Criança. Thaís Fontes de Magalhães Monitoria de Pediatria 17/03/2014

Hepatite A. Género Hepatovírus, Família dos Picornaviridae

ENFERMAGEM DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS. OUTRAS DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS Aula 4. Profª. Tatiane da Silva Campos

PAXORAL. (lisado bacteriano)

Tuberculose Juliana Aquino

Microbiologia Básica. Aula 07 Profº Ricardo Dalla Zanna

Betamox 500 mg/10 ml + 50 mg/10 ml Pó e solvente para solução injectável Betamox 1000 mg/20 ml mg/20 ml Pó e solvente para solução injectável

FOLHETO INFORMATIVO: INFORMAÇÃO PARA O UTILIZADOR

FEBRE REUMÁTICA E ARTRITE REACTIVA POS-ESTREPTOCÓCICA

IMPORTÂNCIAS DAS BACTÉRIAS

Com a estação mais fria do ano chegam também muitas doenças oportunistas, que afetam principalmente o sistema respiratório.

Cefalexina para garganta é muito forte

Gripe H1N1: o que é, sintomas, tratamentos e como prevenir

DOENÇAS TRANSMITIDAS POR ÁGUA E ALIMENTOS 1

Meningite: O que você PRECISA SABER

Febre periódica, estomatite aftosa, faringite e adenite (PFAPA)

Prof. M.e Welington Pereira Jr. Endodontista / Periodontista Mestre em Reabilitação Oral CRO-DF 5507

Conselhos para a saúde do bebé. Doenças infantis e principais sinais. O que fazer.

Orientações gerais para as famílias. Ambulatório

Síndromes clínicas ou condições que requerem precauções empíricas, associadas às Precauções Padrão.

Sarampo. O sarampo ocorre em todo o mundo. No entanto, a interrupção da transmissão autóctone do sarampo foi alcançada em vários países.

Seminário BMM 160 Microbiologia Básica. Infecções na cavidade oral Streptococcus pyogenes

FOLHETO INFORMATIVO: INFORMAÇÃO PARA O UTILIZADOR

SISTEMA CIRCULATÓRIO II

FOLHETO INFORMATIVO: INFORMAÇÃO PARA O UTILIZADOR

Bio-Soletrando - Doenças. Prof. Valdiran Wanderley

Tratamento (Coquetel Anti- HIV)

NEOPIRIDIN. (benzocaína + cloreto de cetilpiridínio)

APROVADO EM INFARMED

A estigmatização de um paciente pediátrico como alérgico à penicilina implica em consequências importantes, como:

Deficiência de mevalonato quinase (MKD) (ou síndrome Hiper-IgD)

GRIPE PERGUNTAS E RESPOSTAS

Púrpura de Henoch-Schonlein

Modelo de Bula PACIENTE CEFALEXINA CIMED INDÚSTRIA DE MEDICAMENTOS LTDA. PÓ PARA SUSPENSÃO ORAL 250 MG/5ML CIMED INDÚSTRIA DE MEDICAMENTOS LTDA.

FOLHETO INFORMATIVO: INFORMAÇÃO PARA O UTILIZADOR

MenB Information - Portuguese

FOLHETO INFORMATIVO: INFORMAÇÃO PARA O UTILIZADOR

Cefixima Neocef 100 mg/5ml Pó para Suspensão Oral Cefixima. 1. O que é Cefixima Neocef 100 mg/5ml Pó para Suspensão Oral e para que é utilizado

cloridrato de ambroxol Xarope Pediátrico 15mg/5mL Xarope Adulto 30mg/5mL

cefalexina Pó para suspensão oral 250mg/5mL

Orientações gerais para as famílias. Ambulatório

CLORIDRATO DE AMBROXOL

OS VÍRUS. Um Caso à Parte

O site do Ministério da Saúde disponibilizou em seu Blog, algumas perguntas e respostas acerca da Febre Amarela, que podem ser conferidas nos links:

APRESENTAÇÕES Xarope adulto de 30 mg/5 ml: frascos com 100 ml acompanhados de copo-medida graduado. USO ORAL USO ADULTO E PEDIÁTRICO ACIMA DE 12 ANOS

CLORIDRATO DE AMBROXOL. Geolab Indústria Farmacêutica S/A Xarope Adulto 6mg/mL Infantil 3mg/mL

Sinot. (amoxicilina tri-hidratada)

NEOSSOLVAN. (cloridrato de ambroxol)

Atak (amoxicilina tri-hidratada)

Doenças causadas por bactérias

BRONCHO VAXOM. Takeda Pharma Ltda. Cápsula. 3,5 e 7,0 mg

Spectoflux. (cloridrato de ambroxol) Xarope Adulto 30 mg/5 ml Xarope Pediátrico 15 mg/5 ml. Laboratório Globo Ltda.

Zika vírus. Confira todos os sintomas para saber se está com Zika vírus

cloridrato de ambroxol

Modelo de texto de bula - Paciente Amoxil BD suspensão oral LEIA ATENTAMENTE ESTA BULA ANTES DE INICIAR O TRATAMENTO.

cloridrato de ambroxol EMS S/A xarope adulto 30 mg/5 ml xarope pediátrico 15 mg/5 ml

Sinot. (Amoxicilina Tri-Hidratada)

APRESENTAÇÕES Xarope adulto de 30 mg/5 ml: frascos com 100 ml acompanhados de copo-medida graduado. USO ORAL USO ADULTO ACIMA DE 12 ANOS

Cloridrato de bromexina

cloridrato de ambroxol LEGRAND PHARMA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA LTDA. xarope adulto 30 mg/5 ml xarope pediátrico 15 mg/5 ml

cloridrato de ambroxol EMS S/A xarope adulto 30 mg/5 ml xarope pediátrico 15 mg/5 ml

amoxicilina tri-hidratada Medicamento genérico Lei nº 9.787, de 1999.

Importância dos estudos em Imunologia Doenças x Vacinas

Cefixima Generis 400 mg comprimidos revestidos por película

APROVADO EM INFARMED

Transcrição:

Escarlatina: medo e mito Estes artigos estão publicados no sítio do Consultório de Pediatria do Dr. Paulo Coutinho.

Pág. 01 A escarlatina é uma doença provocada por uma bactéria chamada Estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Esta bactéria é responsável, entre outras possibilidades, por faringites e amigdalites e infecções da pele. O exantema (pequenas manchinhas vermelhas) que acompanha esta doença é consequência de uma toxina que algumas famílias desta bactéria conseguem excecionalmente produzir tomando assim o nome de escarlatina. O medo do termo escarlatina é desajustado, pois devemos olhar para ela como uma Faringite/Amigdalite por estreptococo. A orientação no caso de escarlatina, nomeadamente nos infantários e estabelecimentos de ensino, deve ser igual à situação simples de faringite/amigdalite estreptocócica, pois até o tratamento e as complicações são iguais. Aliás a referência no decreto-lei que define o período e as doenças de evicção escolar é dada na seguinte versão: «escarlatina e infecções nasais e faríngeas por estreptococo beta -hemolítica A» Entre as bactérias é a causa mais comum de infecção faríngea, representando 15-30% nas idades compreendida entre os 5-15 anos. Em crianças com menos de 3 anos é mais rara e as manifestações são mais atípicas. Embora mais raramente, infecções da pele, nomeadamente perianal, podem estar associadas ao aparecimento de sinais de escarlatina. CONTÁGIO O período de incubação (desde que a criança é contagiada até aparecerem os primeiros sintomas) é de 2 a 5 dias. O contágio ocorre a partir de gotículas respiratórias da criança doente ou eventualmente de um portador saudável (pessoa que transporta na faringe o estreptococo e não está doente).

Pág. 02 Como existem 3 toxinas imunologicamente distintas capazes de provocarem exantema, podemos ter até 3 escarlatinas durante a vida, uma vez que ganhamos imunidade contra as toxinas após cada infecção. SINAIS E SINTOMAS A escarlatina manifesta-se por febre de início brusco, com uma duração de 3 a 5 dias. Á febre associa-se dor de garganta (odinofagia) e aumento/inflamação das amígdalas e gânglios cervicais. O referido exantema surge 12-24 h depois da febre. Este exantema consiste em manchas salientes independentes (sentimos uma rugosidade tipo lixa fina ao passar a mão). Começa na face, pescoço seguindo para o tronco e extremidades, tendendo a acentuar-se nas pregas cutâneas. Nas pregas pode formar uma mancha contínua de pequenas hemorragias que chamamos linhas de Pastia. A língua adquire por vezes um aspeto de morango ou esbranquiçada. Na garganta poderemos observar acumulação de pus. O exantema começa a desaparecer pela ordem com que aparece, de cima para baixo, deixando por vezes um ligeiro descamar. Este exantema dura 3 a 6 dias. Além do anteriormente referido poderemos ter também náuseas, vómitos, cefaleias (dor de cabeça) e dor abdominal. Algumas das complicações, muito raras atualmente pelo tratamento adequado, são a febre reumática e o atingimento renal (glomerulonefrite pós estreptocócica). Esta infeção é mais frequente no inverno e primavera. TRATAMENTO O tratamento da infeção faríngea por estreptococo, sob a forma de faringite/amigdalite quer tenha ou não o exantema, faz-se com um antibiótico que poderá ser injetável (Penicilina) em dose única, ou por via oral (Amoxicilina) que deverá ser administrada durante 10 dias

Pág. 03 independentemente da rápida evolução favorável que se verifica. A febre pode ser tratada com o paracetamol ou ibuprofeno. O seu pediatra poderá recomendar a aplicação de cremes hidratantes para ajudar na recuperação da descamação. PREVENÇÃO É aconselhada a lavagem frequente das mãos, principalmente após tossir, expirar ou assoar o nariz. REGRESSO AO INFANTÁRIO/ESTABELECIMENTO DE ENSINO Quando desaparecer a febre e com pelo menos 24 horas de tratamento adequado. Terminamos aconselhando a encarar a escarlatina como uma simples faringite/amigdalite. Emídio Carreiro Pediatra Paulo Coutinho Pediatra Revisão em 21 12 2014

Pág. 04