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Transcrição:

DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. PETIÇÃO INICIAL. e AUDIÊNCIA TRABALHISTA ATÉ DEFESA DO RÉU Prof. Antero Arantes Martins (13/03)

PETIÇÃO INICIAL. Introdução. Já vimos que o Juiz não prestará tutela jurisdicional se não for provocado pela parte. (Art. 2º, CPC). Esta provocação é o direito subjetivo de ação, ou seja, o meio pelo qual a parte provoca o Estado a lhe conferir uma tutela jurisdicional. Petição inicial é o veículo pelo qual a parte manifesta esta provocação formal ao Estado, revela ao Juiz a lide, pede o provimento jurisdicional.

PETIÇÃO INICIAL. Requisitos Art. 840, 1º da CLT e Art. 319 do CPC/2015. I. Juiz ou Tribunal a quem é dirigida. Também chamado de endereçamento ou cabeçalho, tem por finalidade estabelecer as competências que o autor entende como corretas. Exemplo: Exmo. Sr. Dr. Juiz do Trabalho da Vara Federal do Trabalho da Comarca de Jundiaí/SP.

PETIÇÃO INICIAL. Requisitos (Cont.) II. Qualificação das partes. Destina-se a fixar os limites subjetivos da lide, ou seja, indicar ao juiz quem são os sujeitos da ação. Sendo o autor empregado é preciso colocar o nome, nacionalidade, estado civil, profissão, documento de identificação, data de nascimento e endereço completo. Sendo a ré pessoa jurídica, deve colocar no Nome, CNPJ e o endereço correto e completo.

PETIÇÃO INICIAL. Requisitos. (Cont). III. Um Breve relato dos fatos. Não é preciso os fundamentos jurídicos quando a relação de base for uma relação de emprego. Interpretar historicamente. Distinção: Fundamento jurídico (art. 319, III, CPC/2015) x fundamento legal ( Da mihi factum dabo tibi ius I). Fato, portanto, é aquele que gera o direito do autor e a obrigação do réu, chamado de fato constitutivo.

PETIÇÃO INICIAL. Requisitos. (Cont). IV. O pedido, e suas especificações: O primeiro é dirigido ao Juiz (imediato), onde o autor pretende uma tutela jurisdicional (uma declaração, uma condenação, uma constituição, uma cautela, etc) e o segundo (mediato), dirigido contra o réu, que é a tutela especifica à solução da lide, ou seja, o mérito da causa. Voltaremos a tratar dos pedidos, mais especificamente, adiante. Fatos e pedidos formam os limites objetivos da lide.

PETIÇÃO INICIAL. Requisitos. (Cont). V. Requerimento para a citação do réu: Como veremos mais adiante, no Processo do Trabalho a citação do réu é feita automaticamente porque o processo não vai ao Juiz para o chamado Juízo de Admissibilidade. Este é, portanto, um requerimento meramente formal. VI. As provas que pretende produzir: Outro requisito meramente formal. Trata-se aqui de uma mera indicação das provas que o autor pretende se utilizar no processo para demonstrar os fatos que alegou na causa de pedir. Para evitar o perecimento de qualquer direito, os advogados utilizam-se aqui de textos padrões que envolvem todas as provas possíveis.

PETIÇÃO INICIAL. Requisitos. (Cont). VII. Valor da causa: Deve corresponder à expressão monetária do pedido. Nem sempre, entretanto, o pedido é líquido e, nestes casos, o valor da causa é estimado. É importante porque é o valor da causa que fixa o rito do processo. Se for de até 40 salários mínimos o processo tramitará pelo rito sumaríssimo e acima de 40 salários mínimos pelo rito ordinário. Não é mais requisito no CPC/2015. Entretanto, necessário na petição inicial trabalhista. VIII. Opção pela audiência de conciliação. Inaplicável no Processo do Trabalho já que tem sistemática própria quanto à audiência.

PETIÇÃO INICIAL. Vícios A petição inicial que não preencher os requisitos acima contém vício. O vício é sanável ou insanável. Se sanável for, o Juiz não indeferirá a inicial sem antes conceder ao autor prazo de dez dias para o saneamento (art. 321, CPC/2015). O Juiz somente tem contato com a petição inicial na audiência, ou seja, depois da citação. Daí porque, no processo do trabalho, é possível emendar a petição inicial depois de citado o réu.

PETIÇÃO INICIAL. Pedido. Introdução O pedido é o núcleo da petição inicial, onde o autor expressa sua pretensão para o Estado frente ao réu. É duplo: Imediato, dirigido ao Juiz, de ordem processual e mediato, de ordem material, em face ao réu. O pedido deve ser decorrência lógica da causa de pedir, dizendo-se, portanto, que o pedido é concludente. O pedido põe em marcha o processo, fixa o objeto do litígio e, por conseqüência, os limites de lide.

PETIÇÃO INICIAL. Pedido. Requisitos O pedido deve ser certo e determinado. Por certo, devemos entender o pedido expresso, já que não se admite o pedido implícito, salvo as exceções legais, como veremos adiante; Por determinado devemos entender a fixação dos limites da pretensão. O autor deve ser claro naquilo que pretende junto ao órgão jurisdicional e ao réu. Pedido determinado não é necessariamente pedido líquido. Determinado significa individualizar o bem pretendido. Líquido significa apontar a expressão monetária (valor em dinheiro) deste bem. No rito sumaríssimo o pedido precisa ser certo, determinado e líquido. No rito ordinário basta ser certo e determinado.

PETIÇÃO INICIAL. Pedido. Pedido Genérico. O pedido imediato nunca pode ser genérico. O autor deve sempre individualizar o tipo de tutela que pretende (uma condenação, declaração, execução, uma medida cautelar, etc). Relativamente ao pedido mediato, o pedido, em regra, também deve ser específico. O Processo Comum admite pedido genérico em determinadas situações, (correção monetária, juros de mora, prestações vincendas nas relações continuativas, etc).

PETIÇÃO INICIAL. Pedidos Imediatos Os pedidos dirigidos ao Poder Judiciário (tutela jurisdicional) podem ser: Declaratórios: Visam a manifestação judicial sobre a existência ou inexistência de uma relação jurídica da base entre as partes. Constitutivos: Visam constituir (criar) ou desconstituir (extinguir) uma relação jurídica de base existente entre as partes. Condenatórios: Visam a imposição judicial ao réu para adimplemento de uma obrigação de dar, fazer ou não fazer.

PETIÇÃO INICIAL. Pedido cumulativo. O autor pode cumular, num mesmo processo, vários pedidos, se várias forem as relações substanciais existentes entre as partes, ou se, de uma mesma relação, vários foram os bens jurídicos afetados Requisitos: 1. Devem ser compatíveis entre sí, sob pena de inépcia; 2. O Juízo deve ser competente para conhecer de todos os pedidos. Observe-se, entretanto, que se a incompetência para um deles for relativa, o Juiz não deve declara-la de ofício, eis que a parte pode não adentrar com a exceção declinatória. 3. Os procedimentos devem ser compatíveis, o que será suprimido se o autor adotar o rito ordinário, dispensando o rito especial que poderia favorecer um dos pedidos.

PETIÇÃO INICIAL. Pedido Sucessivo Pedido sucessivo é a possibilidade que o autor tem de requerer ao Juízo que conheça do pedido posterior, em não conhecendo ou desacolhendo o pedido principal. É chamado de pedido subsidiário pelo art. 326 do CPC/2015. Evidentemente que, com o acolhimento do pedido principal, restará prejudicado o pedido acessório. O pedido sucessivo é utilizado para formular pretensões incompatíveis entre si e impõe ao julgador uma ordem no julgamento.

PETIÇÃO INICIAL. Pedido Alternativo. Vamos lembrar das obrigações conjuntivas e disjuntivas. Em ambas existem pluralidade de objetos. Na obrigação conjuntiva, todos os objetos são devidos. Nesta hipótese, o pedido será cumulativo, como veremos a seguir. Na obrigação disjuntiva, ou seja, aquela que não forma conjunto, apenas um dos objetos é devido, à escolha do credor ou devedor. São também chamadas de obrigação alternativa.. Apenas quando a ação se origina em virtude de uma relação substancial alternativa é que poderemos ter um pedido alternativo. E, ainda assim, se a escolha couber ao devedor. Se couber ao credor, compete-lhe, desde logo, fazer a escolha e formular pedido certo. O pedido alternativo impõe uma escolha ao devedor.

PETIÇÃO INICIAL. Pedido Alternativo. Se a obrigação for alternativa o juiz deve permitir ao devedor que faça a escolha e cumpra a obrigação ainda que a petição inicial não tenha elaborado pedido alternativo (art. 325, paragrafo único, CPC/2015) É lícito ao autor formular pedido alternativo a fim de que a escolha fique com o Magistrado (Art. 326, parágrafo único do CPC/2015). Comparar com o caput.