1 PROGNÓSTICO DE VERÃO (Janeiro, Fevereiro e Março de 2002). O Verão terá início oficial às 17h21min (horário de verão) do dia 21 de dezembro de 2001 e estender-se-á até às 16h15min do dia 20 de março de 2002. A estação é caracterizada, normalmente, por temperaturas elevadas e altos índices de precipitação em grande parte do País. Os dias são mais longos do que as noites e com mudanças rápidas nas condições do tempo, provocadas pelo aquecimento, o que leva à ocorrência de chuvas de intensidade forte, de curta duração, principalmente no período da tarde, acompanhadas de trovoadas, queda de granizo e rajadas de vento, mais freqüentemente nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. As anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) do Oceano Pacífico Equatorial permanecem próximas da neutralidade, fenômeno que vem ocorrendo desde junho de 1998. Nos últimos dois anos, observou-se uma expansão gradual das áreas de anomalias de temperaturas subsuperficiais positivas no Pacífico Central, e negativas no Pacífico Oriental. Acompanhando essa evolução, observou-se uma lenta expansão para leste de águas mais quentes, debilitando a magnitude das anomalias negativas (Fig.1). 1
2 FIG. 1 2
3 Os modelos acoplados oceano-atmosfera estão prevendo um pequeno aquecimento a partir do segundo semestre de 2002, não caracterizando ainda o surgimento do fenômeno El Niño. Observa-se no sul do Oceano Atlântico anomalias positivas na costa das Regiões Sudeste e Sul e na costa leste e norte da Região Nordeste. O padrão de anomalias de temperaturas quentes na costa das Regiões Sudeste e Sul estão semelhantes às que ocorreram no ano passado no mesmo período. Em anos neutros, sem anomalias de temperatura nas águas do Oceano Pacífico Tropical (sem El Niño ou La Niña), tem sido observado no Brasil grande irregularidade na distribuição temporal das chuvas, ou seja, períodos de excesso e de déficit de chuvas, dentro do previsto para as Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que deverá ser uma forte característica nesse período, como ocorreu durante quase todo o ano de 2001. O Instituto Nacional de Meteorologia, com base nas características climáticas, informações fornecidas por modelos numéricos de médio e longo prazo dos principais Centros Meteorológicos Mundiais e análise dos mapas de padrões máximos e mínimos de precipitação, apresenta o prognóstico sobre as tendências climáticas que poderão ocorrer neste período em todo o País, de acordo com os padrões climatológicos para o período. (Fig. 2). 3
4 FIG. 2 4
5 As condições meteorológicas das Regiões Centro-Oeste e Sudeste, grande parte da Região Norte, bem como do litoral e sul da Bahia dependem da evolução dos seguintes sistemas meteorológicos, que normalmente manifestam-se neste período: 1. A Alta da Bolívia, quando em atividade, normalmente semi-estacionária entre o sul do Amazonas, Acre, Rondônia, sul e centro do Mato Grosso e norte do Mato Grosso do Sul, contribuindo na ocorrência de chuvas. 2. A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS): geralmente se manifesta durante o encontro das frentes frias vindas do sul do continente com as grandes bandas de nuvens de origem tropical, permanecendo por vários dias nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste. Os modelos de previsão climática indicam que a ZCAS, em média, deve situar-se no norte do Rio de Janeiro, no Estado do Espírito Santo, centro e norte de Minas Gerais e sul da Bahia. 3. A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), a partir de janeiro, começa a atuar nas proximidades da linha do Equador, ocasionando um aumento na precipitação no litoral da Região Norte e no norte da Região Nordeste. 4. Permanece a possibilidade de ocorrência de "VERANICOS" (períodos de estiagem sem ocorrência de chuva com duração de 7 a 15 dias, durante o período chuvoso) nos Estados do Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Distrito Federal e grande parte do Nordeste. 5
6 REGIÃO NORTE Chuva O trimestre ainda caracteriza-se pelo aumento gradativo da precipitação em toda Região, com exceção do Estado de Roraima e extremo noroeste do Pará, onde são observados os menores índices pluviométricos. Neste período, ocorre alta irregularidade na distribuição temporal e espacial das chuvas, em forma de pancadas com raios e trovoadas em toda a Região. Em janeiro, os máximos de precipitação, superiores a 350mm, ocorrem no sul do Amazonas, Rondônia, Ilha do Marajó e nordeste do Pará; os mínimos, inferiores a 40mm, no norte de Roraima. Em fevereiro, os maiores índices pluviométricos superiores a 420mm ocorrem no nordeste, litoral do Pará e centro do Tocantins; os mínimos inferiores a 40mm ocorrem no extremo nordeste de Roraima. Em março, os índices máximos pluviométricos superiores a 480mm, ocorrem no leste do Amapá, ilha de Marajó e nordeste do Pará; os mínimos, inferiores a 40mm, ocorrem no extremo nordeste de Roraima. Prevê-se que os totais pluviométricos deverão ocorrer ligeiramente acima dos padrões climatológicos no nordeste e sul do Pará, ilha do Marajó e Tocantins; ligeiramente abaixo dos padrões nos estados do Acre, Amapá, noroeste do Pará e grande parte de Roraima. As demais áreas apresentarão valores próximos dos padrões. Temperatura O trimestre caracteriza-se pelas altas temperaturas, com valores acima de 36ºC em praticamente todo o Estado de Roraima. Em janeiro, as temperaturas máximas oscilam entre 30ºC e 33 C em toda a Região e as mínimas entre 18ºC e 21ºC no sul da Região. Em fevereiro, as temperaturas máximas oscilam entre 33ºC e 36 C no centro de Roraima, e as mínimas entre 18ºC e 21ºC no sul da Região. Em março, os máximos acima de 36ºC ocorrem no nordeste de Roraima, e as mínimas oscilam entre 18ºC e 21ºC no sul de Rondônia e Pará. Prevê-se que as temperaturas ficarão ligeiramente acima nos Estados do Acre, Rondônia, Roraima e extremo sul do Amazonas; as demais áreas ficarão dentro dos padrões climatológicos. 6
7 REGIÃO NORDESTE Chuva As precipitações caracterizam-se pelo aumento gradativo de janeiro a março no semi árido, norte da região e faixa litorânea entre Natal e Aracaju, com redução no centro e sul da Bahia a partir de março. Ressalta-se irregularidade na distribuição temporal e espacial das chuvas. Em janeiro, os valores máximos de precipitação oscilam entre 240mm e 360mm no oeste da Bahia, sudoeste do Piauí e grande parte do Maranhão. Valores inferiores a 40mm ocorrem no Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, nordeste da Bahia e centro-leste dos Estados da Paraíba e Pernambuco. Em fevereiro, os valores máximos de precipitação oscilam entre 300mm e 420mm no norte do Maranhão. Índices inferiores a 20mm ocorrem no centro de Pernambuco e oeste dos Estados de Alagoas e Sergipe. Em março, os valores máximos ocorrem no norte do Maranhão e oscilam entre 420mm e 540mm; valores inferiores a 40mm ocorrem no oeste de Alagoas, Sergipe, centro-sul e nordeste da Bahia. Prevê-se chuvas ligeiramente acima dos padrões climatológicos no norte da Região, oeste e sul da Bahia, e dentro dos padrões nas demais áreas. Temperatura O período continua com temperaturas elevadas em toda a Região.Em janeiro os máximos valores, acima de 37ºC, ocorrem no centro e leste do Piauí, interior dos estados do Ceará e Rio Grande do Norte, oeste de Pernambuco e nordeste da Bahia. Em fevereiro, os valores máximos acima de 34ºC ocorrem no centro e norte do Piauí, centro, sul e oeste do Ceará e oeste dos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e nordeste da Bahia. Em março, os máximos acima de 33ºC ocorrem no centro-leste do Piauí, centro e oeste dos Estados do Ceará e Rio Grande do Norte, centro e noroeste da Paraíba, nordeste da Bahia, oeste de Pernambuco e Alagoas. Os mínimos valores para o trimestre ocorrem de 16ºC a 18ºC, nas áreas serranas dos Estados da Paraíba, Pernambuco e Bahia. Prevê-se que as temperaturas fiquem dentro dos padrões climatológicos em toda a Região. 7
8 REGIÃO CENTRO-OESTE Chuva Este período é caracterizado por chuvas em forma de pancadas em grande parte da Região. Em janeiro, os máximos de precipitação ficam entre 380mm a 420mm no noroeste do Mato Grosso; os mínimos de precipitação de 120mm a 180mm no sul e oeste do Mato Grosso do Sul. Em fevereiro, os máximos de precipitação variam de 320mm a 400mm no norte do Mato Grosso e os mínimos de 60mm a 120mm no sul e leste do Mato Grosso do Sul. Em março, os máximos de precipitação ocorrem de 240mm a 300mm em grande parte do Goiás e do Mato Grosso e os mínimos de 60mm a 120mm em grande parte do Mato Grosso do Sul. Prevê-se que o regime pluviométrico ficará ligeiramente acima dos padrões climatológicos no nordeste do Mato Grosso, norte e leste de Góias e Distrito Federal, ligeiramente abaixo no oeste e sul do Mato Grosso do Sul e dentro dos padrões nas demais áreas da Região. Temperatura Este período é caracterizado por temperaturas elevadas em quase toda a Região. Em janeiro, as máximas variam de 30ºC a 33ºC em grande parte do Mato Grosso e as mínimas de 18ºC a 21ºC no Estado de Goiás, Distrito Federal, sul do Mato Grosso do Sul e norte do Mato Grosso. Em fevereiro e março, as máximas variam de 30ºC a 33ºC na maior parte da Região, e as mínimas variam de 17ºC a 20ºC no sul do Mato Grosso do Sul, norte do Mato Grosso e Distrito Federal. Prevê-se que as temperaturas fiquem ligeiramente acima dos padrões climatológicos. 8
9 REGIÃO SUDESTE Chuva Em grande parte da Região, o trimestre é considerado o mais chuvoso, com ocorrência de pancadas de chuva, trovoadas e rajadas de ventos, por vezes, acompanhadas de queda de granizo, principalmente no período da tarde. Em janeiro, os maiores índices oscilam de 360mm a 420mm e ocorrem no centro-oeste de Minas Gerais; os menores índices variam de 40mm a 60mm na região do Vale do Jequitinhonha (nordeste de Minas Gerais). Em fevereiro, os maiores índices oscilam de 240mm a 300mm, no litoral e norte de São Paulo, Triângulo e sul de Minas Gerais; os menores índices variam de 20mm a 60mm no norte de Minas Gerais. Para março, os maiores índices oscilam de 240mm a 300mm no Triângulo Mineiro, Vale do Ribeira e todo o litoral de São Paulo; os menores índices oscilam de 20mm a 40mm no extremo norte de Minas Gerais. Prevê-se para o período chuvas ligeiramente acima dos padrões climatológicos no centro e norte dos estados de Minas Gerais, norte do Rio de Janeiro e Espírito Santo. O restante da Região deverá permanecer dentro dos padrões. Temperatura O predomínio das massas de ar quente e úmida neste trimestre favorece a elevação das temperaturas.em janeiro, as temperaturas máximas variam de 30ºC a 34 C no Triângulo, norte e leste de Minas Gerais, oeste de São Paulo, Espírito Santo e grande parte do Rio de Janeiro.Os valores mínimos oscilam de 12ºC a 16 C na região serrana de São Paulo e centro e sul de Minas Gerais. Em fevereiro, as máximas variam de 30ºC a 33 C nos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, oeste de São Paulo, norte e leste de Minas Gerais. Em março, as máximas variam de 30ºC a 33 C em grande parte dos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e oeste de São Paulo. As mínimas oscilam de 15ºC a 18 C no centro e sul de Minas Gerais e nordeste de São Paulo. Prevê-se para o período temperaturas dentro do padrão climatológico para toda a Região. Eventualmente, as temperaturas poderão alcançar valores superiores a 38 C em algumas áreas da Região. 9
10 REGIÃO SUL Chuva As chuvas, acompanhadas de ventos fortes, trovoadas e granizo, na maioria das vezes são ocasionadas por instabilidade na atmosfera, favorecidas pelo forte aquecimento diurno. Em janeiro, os máximos de precipitação variam de 300mm a 360mm no leste do Paraná, e os mínimos variam de 60mm a 120mm no Rio Grande do Sul e centro de Santa Catarina. Em fevereiro, os máximos de precipitação variam de 300mm a 360mm no leste do Paraná; os mínimos variam de 60mm a 120mm em praticamente toda a Região com exceção do leste e centro de Santa Catarina e leste do Paraná. Em março, os máximos de precipitação variam de 300mm a 360mm no leste do Paraná e os mínimos variam de 60mm a 120mm em praticamente toda a Região, com exceção do nordeste de Santa Catarina e leste do Paraná. Prevê-se que a precipitação ficará dentro dos padrões climatológicos na Região com alta variabilidade temporal e espacial, com tendência a ficar ligeiramente abaixo dos padrões no oeste do Paraná, Santa Catarina, no oeste e sul do Rio Grande do Sul. Temperatura Dias longos e temperaturas elevadas são condições predominantes no verão. Em janeiro, as temperaturas máximas oscilam de 30ºC a 33ºC no oeste da Região e as temperaturas mínimas variam de 15ºC a 18ºC na serra e planalto do Rio Grande do Sul, planalto catarinense e centro do Paraná. Em fevereiro, as temperaturas máximas oscilam de 30ºC a 33ºC no oeste de toda a Região e no nordeste de Santa Catarina; as temperaturas mínimas variam de 15ºC a 18ºC na serra e planalto leste do Rio Grande do Sul, planalto catarinense e centro do Paraná. Em março, as temperaturas máximas oscilam de 30ºC a 33ºC no noroeste do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, sudoeste e noroeste do Paraná; as temperaturas mínimas variam de 12ºC a 15ºC no leste do planalto e serra do Rio Grande do Sul e planalto sul de Santa Catarina. Prevê-se para o período que as temperaturas deverão ficar próximas ou ligeiramente acima dos padrões climatológicos na Região, principalmente no oeste da Região. Instituto Nacional de Meteorologia - INMET 10