1 REQUERIMENTO (Do Sr. Vittorio Medioli) Requer o envio de Indicação ao Poder Executivo sugerindo à Agência Nacional de Águas que determine às empresas concessionárias deste serviço a divulgação em suas faturas de informações educativas sobre o consumo racional da água. Senhor Presidente: Nos termos do art. 113, inciso I e 1º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, requeiro a V. Exª. seja encaminhada a Indicação anexa ao Poder Executivo sugerindo à Agência Nacional de Águas ANA, que determine às empresas concessionárias deste serviço a divulgação em suas faturas de informações educativas sobre o consumo racional da água. Sala das Sessões, em 05 de outubro de 2005. Deputado VITTORIO MEDIOLI
2 INDICAÇÃO N o, DE 2005 (Do Sr. Vittorio Medioli) Sugere ao Poder Executivo que determine às empresas concessionárias dos serviços de água a divulgação em suas faturas de informações educativas sobre o seu consumo racional. Excelentíssima Senhora Ministra do Meio Ambiente: Dirijo-me a V. Exª para expor e sugerir o seguinte: A água doce é fundamental não só à manutenção da vida, mas à maioria absoluta das atividades inerentes à sociedade moderna. Dependemos da água para matar a nossa sede, para preparar nossos alimentos, como insumo ou nos processos de quase todas as atividades industriais, para a agricultura irrigada, hoje produtora de boa parte dos alimentos que consumimos, para a pecuária, para a manutenção do meio ambiente natural, para o turismo e para o lazer. Em resumo, sem a água doce, nossa civilização não existiria hoje e não sobreviverá no futuro. Essa dependência da disponibilidade de água ou de recursos hídricos no entanto, tem passado longe da consciência da maioria dos habitantes de nosso Planeta. Ao longo da história de nossa civilização, temos tratado os recursos hídricos como inesgotáveis e capazes de receber e regenerar todo tipo de rejeito. Está claro, hoje, que a água é um recurso natural escasso, cuja conservação quantitativa e qualitativa requer o esforço de toda a sociedade. Dados apresentados no Fórum Mundial da Água, realizado em Kyoto, no Japão, sob o patrocínio da ONU, indicam que mantidas as atuais condições de crescimento demográfico e capacidade de atuação dos governos,
3 em 2.025 pelo menos 45% da população mundial - cerca de 2,7 bilhões de pessoas - terão dificuldades para obter água para beber. Regiões da África subsaariana, do Oriente Médio, do México, da Califórnia e alguns países europeus têm disponibilidade hídrica anual inferior a mil metros cúbicos por habitante, valor considerado mínimo pelas organizações internacionais, como a UNESCO e a FAO, para sustentar o desenvolvimento econômico e social e manter um padrão adequado de vida para suas populações. No Brasil, algumas áreas situadas nas regiões Nordeste e Sudeste já se aproximam perigosamente desse limite. As atividades e ações humanas estão entre os principais fatores que levam à escassez de água. Entre essas atividades, destacam-se o enorme crescimento da demanda, nas últimas décadas, de água para a irrigação agrícola e a indústria. A concentração das populações em grandes centros urbanos aumenta a demanda por recursos hídricos em áreas específicas e causa, por outro lado, a poluição dos cursos de água próximos às cidades, formando um círculo vicioso de crescimento de demanda e de redução da disponibilidade de água de boa qualidade, passível de ser utilizada para consumo humano. Embora represente apenas cerca de 10% da água retirada dos corpos hídricos, o abastecimento humano é especialmente preocupante, pois os mananciais estão ficando cada vez mais distantes das áreas de demanda, exigindo investimentos cada vez maiores para ampliar a oferta. Por outro lado, o descuido do Poder Público com o tratamento dos esgotos é inegável, refletindo nos próprios custos de abastecimento de água potável, os quais têm sido sempre crescentes. A expansão das atividades agrícolas e pecuárias, além de gerar mais demanda de água, contribui para a degradação dos recursos hídricos, pois implica em desmatamentos e na erosão dos solos. Os desmatamentos diminuem a infiltração da água das chuvas no solo, empobrecendo os lençóis subterrâneos e, conseqüentemente, aumentando as enchentes e tornando mais severos os períodos de estiagem. A erosão provoca o assoreamento dos cursos de água, aumenta as perdas por infiltração e evaporação e destrói os ecossistemas aquáticos. Grande parte dos efeitos deletérios das atividades humanas sobre os recursos hídricos podem, no entanto, ser evitados mediante a adoção de práticas sustentáveis de uso da água e do solo e com a manutenção das florestas em torno dos cursos de água e em áreas susceptíveis à erosão. O uso parcimonioso da água e o tratamento e disposição adequada dos esgotos domésticos e industriais são, também, medidas fundamentais para a conservação quantitativa e qualitativa dos recursos hídricos. Tais atitudes para com os recursos hídricos, no entanto, exigem a participação de
4 toda a sociedade, numa verdadeira revolução cultural, implicando em mudanças comportamentais profundas de administradores públicos, empresários, agricultores e, sobretudo, do cidadão comum. A participação de toda a sociedade na gestão dos recursos hídricos brasileiros está, por sinal, entre os princípios da Política Nacional de Recursos Hídricos, estabelecida pela Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que, no inciso VI do art. 1º reza que a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades. Por estas razões, Senhora Ministra, estamos sugerindo que o Ministério do Meio Ambiente, por meio de seus órgãos competentes, como a Agência Nacional de Águas, estimulem a implementação de uma campanha educativa permanente aos consumidores, veiculada nas faturas mensais das empresas concessionárias dos serviços de distribuição de água, visando entre outros objetivos: I demonstrar à população que a água é um recurso natural escasso e que, por esta razão, deve ser utilizada de forma racional e parcimoniosa evitando-se o desperdício II destacar que cada cidadão tem um papel importante e fundamental na preservação e no uso racional dos recursos hídricos; III esclarecer a população brasileira sobre as reais perspectivas de falta de água para abastecimento público; IV esclarecer e motivar os setores usuários da água, como agricultores e industriais, a adotarem métodos mais eficazes e econômicos de utilização da
5 água. V divulgar e valorizar técnicas de manejo dos solos para fins agrícolas e pecuários, compatíveis com a preservação dos recursos hídricos; VI mobilizar a sociedade para a recuperação e preservação dos mananciais. VII educar os cidadãos para conscientizá-los de que o uso racional e responsável da água é fundamental para a qualidade de vida da humanidade. Pela importância da matéria, estamos certos de contar com o apoio de V. Exª. Sala das Sessões, em 05 de outubro de 2005. Deputado Vittorio Medioli