Sistema Único de Saúde SUS João Werner Falk Professor e atual Chefe do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina da UFRGS Ex-Presidente (em cinco gestões) e ex-diretor de Titulação e Certificação da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade SBMFC
Um pouco de história Início do século XX modelo econômico agro-exportador saúde pública: saneamento dos espaços de produção e comércio
Meados do século XX Industrialização da economia muda o modelo reprodução da força de trabalho Previdência Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs) Institutos de Apos. e Pensões (IAPs) * trabalhadores e empresas contribuem
Fundos com grande volume de recursos o estado passa a participar e administrar INPS INAMPS - assistência médica compra do setor privado
Modelo especializado centrado na consulta médica centrado em hospitais excludente saúde pública - campanhista
Década de 70 Empobrecimento da população Falência do sistema político e econômico Exclusão, problema social Conferência de Alma Ata em 1978 Lema: Saúde para todos no ano 2000 Atenção Primária à Saúde
Década de 80 abertura democrática movimentos sociais manifestações políticas Diretas já 8ª Conferência Nacional de Saúde em 1986 Assembléia Nacional Constituinte em 1988
DIREITO À SAÚDE Sistema Nacional de Saúde até 1990 - Múltiplos órgãos com serviços ou ações de saúde em cada esfera de governo. - No governo federal, vários ministérios lidando com saúde, sem nenhuma integração. - Não havia um Sistema ÚNICO de Saúde. - Um dos 8 órgãos do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) era o INAMPS que, na época, tinha muito mais dinheiro, importância e poder que todo o Ministério da Saúde.
DIREITO À SAÚDE Sistema Nacional de Saúde até 1990 - Ministério da Saúde pouco importante, dedicado à campanhas de saúde pública e de prevenção, especialmente vacinação. - INAMPS assistência médica curativa, para quem já estava doente. Só podia consultar, internar, fazer exames, etc. quem tinha a carteirinha do INAMPS. Os outros eram considerados indigentes. - Não havia direito universal à saúde.
DIREITO À SAÚDE Constituição Brasileira de 1988, Artigo 196 A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
A SEGURIDADE SOCIAL E A SAÚDE Constituição Brasileira de 1988 Artigo 194 A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Obs.: Embora busque certa integração entre saúde, previdência e assistência, deixa bem clara as atribuições diferenciadas entre elas. Acaba a saúde previdenciária.
Sistema Único de Saúde é um sistema de saúde, regionalizado e hierarquizado, que integra o conjunto das ações da União, Estados, DF, e Municípios, onde cada parte cumpre funções e competências específicas, articuladas entre si.
Diretrizes do SUS Descentralização Integralidade da atenção Participação da Comunidade
Outros princípios do SUS Regionalizado Municipalização das ações Hierarquizado Financiamento pelas três esferas
União e Estados Apoio técnico e financeiro Coordenação das ações de saúde Execução complementar
Níveis do Sistema de Saúde Sistema Terciário Secundário Primário Hierarquizado
Demanda Social Os pacientes estão insatisfeitos Os profissionais estão confusos e sem prazer no seu trabalho mudanças na prática mudanças na sociedade Os administradores: aumento tecnologia e dos custos. Desejos > Necessidades > Recursos
Objetivos do Sistema de Saúde Eqüidade Eficácia Eficiência Qualidade Satisfação dos usuários
Objetivos do Sistema de Saúde Cobertura (universal ou não?) Qualidade Custo (baixo, acessível) Escolha dois...
Objetivos do Sistema de Saúde QUALIDADE ASSISTENCIAL A melhor prática, ao menor custo, ao maior número de pessoas, da maneira mais equitativa possível. Donabedian
Legislações principais do SUS Constituição Federal - 1988 Lei 8.080 (19/09/90) Lei 8.142 (28/12/90) NOB/ 93 (revogada pela NOB/96) NOB/ 96 Emenda Constitucional 29 (13/09/00) NOAS/ 01
Constituição Federal Cap. II Dos Direitos Sociais Art. 6 São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social... Cap. II Da União Art. 22 Compete privativamente à União legislar sobre Seguridade Social Art. 23 É de competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: II - Cuidar da saúde e da assistência pública...
Constituição Federal Cap. II Da Seguridade Social Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade. Seção II Da Saúde Art. 196 A Saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
Constituição Federal Art. 197 São de relevância pública as ações e serviços de saúde... Art. 198 As ações e os serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único,... diretrizes: I - Descentralização, com direção única em cada esfera de governo; II - Atendimento integral, com prioridade para atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; III -Participação da comunidade.
Constituição Federal Art. 199 A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. 1.º As instituições privadas poderão participar de forma complementar do SUS, segundo diretrizes deste, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos. Art. 200 - Descreve a competência e atribuições do sistema único de saúde.
DIREITO À SAÚDE Lei 8.080 de 1990 Esta Lei cria o Sistema Único de Saúde (SUS), e determina que haja um único comando da saúde em cada esfera de governo (federal, estadual e municipal). Uma limitação contida nesta Lei: Artigo 2º 2º O dever do Estado não exclui o das pessoas, da família, das empresas e da sociedade.
Lei Orgânica da Saúde 8.080/90 Dispõem sobre as condições para a promoção, a proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços e dá outras providências. Regulamenta as ações de saúde, com diretrizes ao gerenciamento e à descentralização ( municipalização, com redistribuição de poder, competências e recursos). Condiciona como competência do SUS a definição de critérios, valores e qualidade dos serviços. Veda o exercício de cargo de chefia ou função de confiança no SUS aos proprietários, administradores ou dirigentes de entidades filantrópicas e privadas lucrativas.
Lei Orgânica da Saúde 8.080/90 Trata da gestão financeira, conta bancária específica para os recursos da saúde, e fiscalização pelo Conselho Municipal de Saúde. Define critérios para transferência de recursos: perfil demográfico e epidemiológico, características quanti e qualitativas da rede, Define o plano mun. de saúde como base das atividades e programações, em cada nível de direção do SUS. Garante a gratuidade das ações e dos serviços de saúde públicos e privados contratados e conveniados.
GESTÃO PARTICIPATIVA Vetos do Presidente Fernando Collor na Lei Orgânica da Saúde (principalmente sobre participação popular e sobre financiamento do SUS) geram grande indignação geral e resultam em uma OUTRA Lei, que recupera boa parte do que foi por ele vetado, poucos meses depois. Foi aprovada a Lei 8.142 de 1990
GESTÃO PARTICIPATIVA Lei 8.142 de 1990 Esta Lei detalha e garante o CONTROLE SOCIAL em saúde, e cria, em cada esfera de governo (federal, estadual e municipal): I Conferência de Saúde II Conselho de Saúde III Fundo de Saúde
Lei 8.142/90 Dispõem sobre a participação da comunidade na gestão do SUS e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde. Institui as instâncias colegiadas e os instrumentos de participação social em cada esfera de governo.
Lei 8.142/90 Condicionou o repasse de recursos à existência de Conselho Mun. de Saúde Instâncias colegiadas em cada esfera de governo: Conferência de Saúde e Conselho de Saúde. As conferências devem acontecer no mínimo a cada 4 anos.
Lei 8.142/90 Concede o repasse regular e automático de recursos para os municípios, estados e DF, condicionando à existência de Fundo de saúde, Conselho de Saúde, Plano de Saúde e contrapartida de recursos em seus orçamentos.
COMPOSIÇÃO DO CONSELHO Representantes de entidades de usuários ( 50% ); Representantes de trabalhadores da Saúde ( 25% ); Representantes da administração pública e prestadores de serviços de saúde (25%). O Conselho pode ser: Local; Municipal; estadual; Nacional.
GESTÃO PARTICIPATIVA Composição de Conselhos e Conferências Composição de Conselhos e Conferências Governo Usuários Prestadores de serviço Profissionais da saúde O Conselho pode ser: Local; Municipal; estadual; Nacional.
Emenda Constitucional 29 Define os percentuais mínimos de aplicação de dinheiro do orçamento EM SAÚDE pela União, pelos Estados e pelos Municípios; Estabelece regras de adequação para o período de 2000 a 2004; A partir daí reavaliação a pelo menos cada cinco anos. É uma regra transitória, que deveria ter vigorado até 2004, mas que continua valendo por falta de uma lei complementar que regulamente a Emenda.
E C 29 - Percentual da União 2000 obriga o nível federal do SUS (a União) a investir, em 2000, 5% a mais do que havia investido no ano anterior e determina que nos anos seguintes esse valor fosse corrigido pela variação nominal do PIB.
E C 29 - Percentual dos Estados 2000 limite inicial 7% 2001 7% + 1% = 8% 2002 8% + 1% =9% 2003 9% + 1% =10% 2004 Atendimento do limite mínimo =12%
E C 29 - Percentual dos Municípios 2000 limite inicial 7,0% 2001 7% + 1,6% = 8,6% 2002 8,6% + 1,6% =10,2% 2003 10,2% + 1,6% =11,8% 2004 Atendimento do limite mínimo = 15%
Sistema Único de Saúde SUS João Werner Falk Professor e atual Chefe do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina da UFRGS Ex-Presidente (em cinco gestões) e ex-diretor de Titulação e Certificação da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade SBMFC