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Transcrição:

Jornal da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PRODUTORES DE ALGODÃO MAIO 2009 Ano X 111 De olho no futuro Alcançar a boa imagem que o algodão brasileiro conquistou no mercado mundial parece hoje uma tarefa simples. Contudo, com um breve olhar nos dez anos de história da Abrapa descobre-se o árduo caminho trilhado pelos produtores para chegar ao lugar de destaque que a cotonicultura ocupa hoje. O primeiro passo desta história foi visionário e foi dado pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), ao criar, em 1997, uma organização estadual, ao perceber que o setor precisava organizar-se e mostrar que tinha força. Dois anos depois, essa mesma instituição criou a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que hoje conta com nove associadas em todo o país. Em dez anos de estrada, a Abrapa cumpriu uma agenda cujas ações, estrategicamente pensadas, buscavam posicionar o algodão brasileiro no topo do mercado mundial e nacional. Para isso, foi necessário investir em tecnologia para alcançar qualidade e produtividade. Buscou-se, assim, tornar o cotonicultor mais competitivo. Nos cenários interno e externo, a Abrapa implementou ações com objetivo de fortalecer a cotonicultura brasileira, aumentar a renda do produtor e abrir mercado. O desenvolvimento tecnológico foi fundamental para alcançarmos alta produtividade e produzirmos um algodão de alta qualidade e de ótima aceitação. No mercado mundial, a entidade tem chefiado missões para participar de rodadas de negociações em Liverpool, trocar experiências com países produtores como China e Índia, além de representar o Brasil na Plenária do International Cotton Advisory Committee (ICAC), que ocorre uma vez por ano. Sediada em Brasília, a Abrapa tem representado o setor em todos os poderes. O bom relacionamento com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento foi fundamental na formatação de mecanismos de apoio à comercialização, como o Pepro - Prêmio Equalizador Pago ao Produtor - hoje uma ferramenta indispensável para o cotonicultor. Com o Ministério das Relações Exteriores foi a vez de o Brasil mostrar força na OMC. Em 2002, o governo brasileiro resolveu entrar na OMC contra os subsídios americanos dados aos produtores de algodão naquele país. A Abrapa foi peça importante em todo o processo, uma vez que viabilizou economicamente e deu todo o suporte aos advogados e econometristas que cuidaram do caso em Genebra. Hoje, esse triunfo do algodão brasileiro é referência no Brasil e no mundo, quando o setor reúne-se para traçar ações e estratégias que visam o desenvolvimento da cotonicultura mundial. Essa parceria com o governo brasileiro foi bastante positiva e deu ao país a liderança nas discussões sobre o tema e ainda uma posição de destaque no G 20. Afinal, um país em desenvolvimento questionou o país mais rico do mundo em um tema espinhoso - subsídios agrícolas - e ganhou o caso em 2005 na instância máxima. Uma vitória, que sem dúvida, ficará na história da economia brasileira e mundial e que possibilitou aos produtores brasileiros um assento nos ministérios brasileiros quando o assunto é algodão. Hoje, nenhuma decisão é tomada pelo Governo Federal sem que o setor seja ouvido. Agopa realiza segunda etapa do Treinamento de Beneficiamento Firmada parceria entre Ampasul e Agopa para realização do Dia do Algodão dos Chapadões 2009 Iapar apoia VII Congresso Brasileiro do Algodão Produtores de Mato Grosso divulgam o algodão brasileiro na China Associação certifica profissionais no beneficiamento do algodão Produtores mineiros visitam a fazenda TCMA em Uberlândia 4 4 5 5 6 6

Quando os produtores de algodão entraram na OMC, em 2002, contra os subsídios americanos que distorcem os preços no cenário mundial, era consenso que não seria uma luta fácil. Porém, em 2005, a OMC acatou os argumentos do Itamaraty e condenou os subsídios, alegando que afetam a competitividade do produto brasileiro. Desde então, apesar de todos os argumentos, houve poucas mudanças na política norteamericana. No ano passado, o Brasil ganhou o direito de retaliar os EUA. O valor e a medida da retaliação serão conhecidos em breve. O ideal é que a OMC, como organismo multilateral de comércio, determine uma revisão da política de subsídios do governo norteamericano ao algodão. Ao longo dos dez anos de sua existência, a Abrapa tem levado ao mundo a marca Brasil em todas as feiras, seminários e rodadas de negócios nas quais participa. Por meio de muito investimento em pesquisa e novas tecnologias elevamos o algodão brasileiro no ranking mundial. Passamos de segundo importador para quarto maior exportador. Não temos dúvida de que a indústria brasileira também ganhou com a excelência do produtor de algodão. Quem atua no mercado mundial sabe que o jogo é pesado e não há amadores. Por isso é importante destacar que a Abrapa, em parceria com o Itamaraty, escreveu em 2002 uma parte da história do Brasil, mas os verdadeiros protagonistas desta história são os produtores de algodão brasileiros. São eles que, seja qual for o resultado para o Brasil, devem ser recompensados. Haroldo Rodrigues da Cunha, Presidente da Abrapa 06/04 O presidente da Abrapa representou a Associação na reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag). Na pauta, os desafios da Infraestrutura logística do agronegócio brasileiro. O grupo de trabalho do Programa Socioambiental da Produção de Algodão da Abrapa reuniu-se com a empresa Vetor C para discutir as diretrizes do projeto. 07/04 A Abrapa comemorou 10 anos de fundação publicando no site www.abrapa.com.br depoimentos de diversas personalidades envolvidas na cadeia do algodão, sobre a atuação da Associação. Divulgou também um encarte especial sobre a cotonicultura brasileira, com inserção comemorativa, no jornal Valor Econômico. O presidente da Abrapa foi recebido pelo Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, pela secretaria da Camex, Lytha Spíndola, e pelo secretário do Comércio Exterior (SECEX) Welber Barral. 14/04 Abrapa participou da Audiência Pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, que teve como objetivo prestar esclarecimentos sobre o posicionamento do Governo Brasileiro, na próxima Reunião da Conferência das Partes - COP 4, da Convenção de Estocolmo. 15/04 O presidente da Abrapa, Haroldo Cunha, representou a Associação participando como palestrante no XXIII CNTT (Congresso Nacional de Técnicos Têxteis), que teve como tema 2009 - O Ano das Fibras Naturais - decreto da ONU. Na parte da manhã, integrou o painel com o tema Fibras Naturais - Fios e Fiação e no período da tarde, proferiu conferência técnica com a temática Algodão: Uma visão abrangente. O Conselho Fiscal da Abrapa reuniu-se para analisar as contas do exercício de 2008. 16/04 A Abrapa realizou Assembléia Geral Ordinária (2009). Na pauta, a aprovação das contas do exercício de 2008 e o orçamento para 2009. A Abrapa realizou a 1ª Assembléia Geral Extraordinária (2009). Na pauta, a aprovação do regimento interno da Associação. 28/04 Representantes da Abrapa participaram da reunião do Conselho de Ética. 2

Responsabilidade Social A consciência do produtor brasileiro comprova que a responsabilidade social caminha em harmonia com o desenvolvimento tecnológico no campo. Medidas para respeitar as leis trabalhistas nas plantações de algodão estão na cartilha do cotonicultor. A Abrapa realizou várias reuniões com suas associadas para discutir os últimos detalhes para a implantação do Programa Socioambiental da Produção do Algodão (PSOAL). O objetivo do programa é conscientizar e orientar o produtor sobre a necessidade e as vantagens de se adotar, no campo, práticas de cultivo social e ambientalmente corretas. Quem trabalha com a cultura do algodão sabe que para que haja sustentabilidade econômica e social é necessário também realizar ações firmes e valiosas, na busca da excelência nas relações de trabalho. São dez anos de conquistas. Mas o futuro promete mais trabalho. O mundo atravessa uma crise sem precedentes na história que tira o sono do setor produtivo com a insistente falta de crédito. Os produtores de algodão também sentiram os reflexos da turbulência na economia mundial. Contudo, como homem do campo, estão acostumados às adversidades e a buscar saídas criativas nestes momentos. A força de vontade e a união dos que atuam no agronegócio brasileiro sempre prevaleceram. E, desta vez, não será diferente. Nos próximos dez anos, a Abrapa, com a colaboração de seus associados, terá muito para festejar, pois novas conquistas estarão por vir. Presidente da Abrapa reúne-se com ministro Miguel Jorge em Brasília Presidente da Abrapa, Haroldo Cunha, apresenta ao ministro Miguel Jorge a posição da instituição sobre o contencioso O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha, e o Dr. Helio Tollini, consultor da Associação, reuniramse no dia 7 de abril, em Brasília, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. O objetivo foi discutir estratégias para que as medidas a serem tomadas, em breve, pela Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, sobre o contencioso do algodão, sejam voltadas exclusivamente para ganhos na produção de algodão. O encontro com o ministro foi bastante positivo. Nós pudemos apresentar detalhadamente a posição do setor com relação ao contencioso, explicou o presidente da Abrapa, destacando que o ministro mostrou-se ciente da importância do contencioso para a Associação e o governo brasileiro. O encontro do dirigente da instituição com Miguel Jorge aconteceu em um momento extremamente importante, uma vez que a pasta do Desenvolvimento tem bastante peso quando o assunto é comércio exterior. Temos que contar com o apoio de todos em uma decisão como essa da OMC, frisou Cunha. Em 2005, a OMC acatou os argumentos do Itamaraty e condenou os subsídios americanos, alegando que afetam a competitividade do produto brasileiro. Desde então, houve poucas mudanças na política americana. No ano passado, o governo brasileiro ganhou o direito de retaliar os americanos. O valor e a medida de retaliação serão conhecidos em breve. Se uma possível retaliação em outros setores for proposta pela OMC, e aceita pelo governo brasileiro, o presidente da Abrapa defende que sejam adotadas medidas internas para beneficiar os produtores brasileiros. Ministro confere encarte especial sobre a cotonicultura brasileira divulgado pelo Valor Econômico em abril 3

Agopa realiza segunda etapa do Treinamento de Beneficiamento A Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa) e a Cotimes do Brasil, com o apoio do Fundo de Incentivo à Cultura do Algodão em Goiás (Fialgo), realizaram entre os dias 1º e 3 de abril, no Gelps Hotel, em Rio Verde, a segunda etapa do Treinamento em Beneficiamento do Algodão em Goiás. O evento teve como foco os processos e tecnologias da cadeia produtiva do algodão, visando a redução de custos e a melhoria da qualidade, por meio de decisões técnicas e economicamente mais estratégicas. Para o presidente da Agopa, Marcelo Swart, o treinamento atingiu as expectativas tanto no número de participantes, com 39 pessoas, quanto no interesse dos alunos nas palestras e visitas técnicas. Ao término do evento, conversei com alguns participantes sobre o resultado do curso, e obtive elogios em relação ao trabalho realizado, afirma o presidente. A primeira etapa do curso, realizada em dezembro de 2008, teve como direcionamento a operacionalização e manutenção de máquinas; enquanto a segunda etapa foi voltada ao planejamento e gestão. O sócio-diretor da Cotimes do Brasil, Paulo Vicente Ribas, explica que foram aplicadas avaliações no início e no final do curso (o mesmo questionário nas duas etapas) para levantar o grau de dificuldades que os participantes tinham e também medir a evolução do aprendizado do grupo. Tanto na primeira, quanto na segunda etapa, percebemos uma evolução significativa dos participantes em relação aos temas propostos, avalia. Entre os assuntos levantados no treinamento estão o processo de beneficiamento; gestão de umidade; segurança e legislação; gestão da algodoeira; certificação; programas de apoio aos beneficiadores; e visita a duas usinas: Algodoeira JHS, em Caiapônia, e Algodoeira Nova Aliança, em Montividiu. Participantes da segunda etapa do Treinamento de Beneficiamento em Rio Verde (GO) 4 Firmada parceria entre Ampasul e Agopa para realização do Dia do Algodão dos Chapadões 2009 Em março, os presidentes da Ampasul, Walter Schlatter; Agopa, Marcelo Swart; Abrapa, Haroldo Cunha e representantes da Fundação Chapadão, Fundação Goiás e Embrapa reuniram-se para consolidar a parceria para realização do Dia do Algodão dos Chapadões 2009. O evento será realizado no dia 10 de julho. O setor comemora a parceria uma vez que as instituições destes estados têm como objetivo divulgar o Dia do Algodão dos Chapadões, além de mostrar o diferencial da qualidade da pluma produzida na região. Quando a Ampasul idealizou este evento em parceria com a Fundação Chapadão, em 2007 na região de Costa Rica e, em 2008, em Chapadão do Sul, o sucesso foi tanto que hoje ultrapassou a fronteira de Mato Grosso do Sul. A meta é realizar o terceiro evento na região de Chapadão do Céu, em Goiás.Segundo o presidente da Ampasul, Walter Schlatter, é gratificante a união destas instituições porque comprova que conquistaram a con- Visita dos parceiros nos campos experimentais fiança dos produtores e demais elos ligados ao setor. E ainda divulgamos a qualidade do nosso algodão, destaca. A estimativa é de que o evento reúna cerca de 700 pessoas entre produtores, técnicos, pesquisadores, tradings, indústrias e demais segmentos da cadeia do algodão do centro-oeste e do Brasil. Em visita à Fazenda Serrinha, em Chapadão do Céu, onde será realizado o evento e a abertura da colheita de algodão da safra 2009, os parceiros tiveram a oportunidade de discutir a dinâmica do Dia do Algodão nos Chapadões, que terá como foco principal a busca da viabilidade econômica da cultura do algodão. A Fundação Chapadão apresentou aos parceiros os trabalhos que foram implantados em campo, mostrando 11 cultivares de algodão plantadas nos espaçamentos de 80cm e 45cm. O espaçamento adensado será a grande atração do evento, pois aparece como alternativa num momento em que os produtores buscam a viabilidade da cultura.

Acopar Iapar apoia VII Congresso Brasileiro do Algodão O presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), José Augusto Teixeira de Freitas Picheth, está ansioso com o VII Congresso Brasileiro do Algodão, que acontece em Foz do Iguaçu, em setembro. Como o setor movimenta um grande número de profissionais e o Brasil ocupa uma posição de destaque no ranking mundial do algodão, o congresso é esperado com expectativa por toda a cadeia produtiva. Acreditamos que haverá um grande interesse por parte do público, ótimos debates, apresentação de conhecimento e tecnologias de qualidade que venham contribuir decisivamente para o fortalecimento da cotonicultura nacional, enumera o presidente do Iapar. Segundo Freitas, o Iapar terá uma grande participação no encontro. Ele explica que a instituição oferecerá apoio técnico ao evento por meio de pesquisadores do Programa Algodão do Iapar, além de coordenar cursos e palestras. O presidente do Iapar lembra, ainda, da importância do congresso para o Paraná. De acordo com Picheth, em um momento que a cotonicultura estadual enfrenta uma crise, discutir saídas é a melhor receita. A programação do congresso foca temas cujas discussões poderão apontar novos Presidente do Iapar, José Augusto Teixeira rumos para a cotonicultura brasileira e de Freitas Picheth, elogia o VII CBA paranaense, destaca ele, ressaltando que para o estado seria interessante se houvesse a participação de profissionais da Emater, Seab, cooperativas, cotonicultores, beneficiadores, indústria têxtil, entre outros. A pesquisa é mola propulsora do desenvolvimento. O Congresso Brasileiro do Algodão é o palco onde o conhecimento e as tecnologias são apresentadas e debatidas com o público, encerra. Produtores de Mato Grosso divulgam o algodão brasileiro na China A viagem de marketing da Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa) à China, realizada no fim de março e início deste mês, foi considerada pelo presidente da entidade, Gilson Ferrúcio Pinesso, como muita proveitosa. Essa visita foi positiva em todos os aspectos, mas destaco a importância do intercâmbio entre o Brasil, como um potencial grande produtor de algodão, e a China, como comprovadamente uma potência na produção e exportação de produtos acabados de algodão, frisa Gilson Pinesso. Ele diz que a delegação de produtores manteve encontros com diretores de indústrias têxteis, de empresas de armazenagem e de comercialização de algodão em várias cidades daquele país. O presidente da Ampa, juntamente com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha, deixaram claro, em todos os contatos, que o Brasil é um importante produtor e fornecedor mundial de algodão porque se preocupa constantemente com a qualidade da matéria-prima. Segundo Gilson Pinesso, assim como a China é um incontestável fornecedor de produtos de qualidade na área têxtil, o Brasil é um país com condições incomparáveis em termos de tecnologia, áreas cultiváveis e clima apropriado. Muitos países não têm essas condições por problemas de clima, áreas que têm que ser usadas para a produção de alimentos e/ou custos incompatíveis com a atividade, assinala Gilson Pinesso. O presidente da Ampa sublinha a necessidade de crescimento do intercâmbio comercial entre Brasil e China, considerando que a balança comercial está mais favorável para os asiáticos. Mesmo assim, Gilson Pinesso lembra que a China é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, e, no entanto, o país é apenas o quinto colocado nas importações de algodão brasileiro. É por isso que temos que lutar para mudar essa realidade, assegura Pinesso. Em todas as reuniões com empresários e executivos do governo chinês, por meio de diretores de empresas estatais, a comitiva de produtores fez questão de convidá-los a visitar o Brasil para conhecer a potencialidade do país. Mais uma vez tivemos êxito na viagem de marketing à China, contabiliza o conselheiro da Ampa e da Abrapa, João Luiz Pessa, dizendo que a primeira resposta chinesa foi com o convite feito pela Associação de Algodão da China (China Cotton Associaton CCA) para que a delegação brasileira de produtores participe da Conferência Internacional do Algodão da China. Nesse evento, que será realizado este ano, em Nanjing, a Abrapa apresentará um tema de interesse do Brasil. Isso é extraordinário, finaliza Pinesso. A comitiva brasileira foi formada ainda pelos diretores e assessores da Ampa, Alexandre De Marco e Andrew Macdonald, respectivamente. 5

Abapa certifica profissionais no beneficiamento do algodão Visita a campo Paulo Cardoso Com o objetivo de aprimorar os profissionais que lidam com o maquinário nas usinas algodoeiras, elevar a qualidade, a produtividade e diminuir os custos nas operações de beneficiamento da fibra, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) realizou a segunda etapa do Treinamento em Beneficiamento de algodão na Bahia, que contou com a participação de aproximadamente cem pessoas. O curso aconteceu nos municípios de Luís Eduardo Magalhães de 23 a 25 de março e São Desidério / Roda Velha de 26 a 28 de março. Na programação do evento, especialistas da cadeia produtiva abordaram assuntos como gestão nas algodoeiras, segurança e legislação trabalhista, certificação de usinas, dentre outros temas. Além do conteúdo teórico, os participantes visitaram algodoeiras da região. O evento foi realizado pela Abapa, em parceria com o Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro) e a empresa Cotimes. Algodão baiano de luto por Joaquim Santana O algodão baiano perdeu, no dia 18 de março, um dos seus maiores entusiastas, o engenheiro agrônomo José Joaquim Santana e Silva. Profundo conhecedor da fibra e agente dos mais atuantes do seu desenvolvimento, Joaquim Santana, como era conhecido, envidou a maior parte dos seus esforços para tornar a cotonicultura uma alternativa de renda viável, também, para os agricultores familiares, para o que se engajou com paixão ao Programa de Desenvolvimento da Cotonicultura do Vale do Iuiú, promovido conjuntamente pelo Governo do Estado da Bahia, Abapa e Fundeagro, cujo objetivo é a sustentabilidade do pequeno cotonicultor da região Sudoeste do Estado. Ao longo de sua carreira no serviço público, Joaquim Santana ocupou importantes cargos, sendo o maior deles o de presidente da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Produtores do norte de Minas Gerais conhecem sistema de plantio de algodão adensado Produtores do Norte de Minas estiveram, no último dia 31 de março, em Uberlândia, na fazenda TCMA, para participar de visita técnica com o objetivo de conhecer o sistema de plantio do algodão adensado. Na oportunidade, assistiram a uma palestra sobre algodão com tecnologia Bt, na qual foram abordadas as vantagens da transgenia no algodão e o futuro do algodão com a tecnologia RR. Outro tema debatido foi as técnicas que envolvem o manejo e a colheita do algodão adensado, possibilitando aos produtores esclarecer dúvidas sobre os espaçamentos utilizados, comparativos de custos de produção e manejo da colheita. Após as palestras, os produtores foram a campo acompanhar as técnicas usadas no plantio do algodão adensado. Eles visitaram, ainda, uma unidade de beneficiamento de sementes onde puderam conhecer o processo, desde a escolha do campo até a comercialização do produto. Produtores mineiros visitam a fazenda TCMA em Uberlândia A visita terminou com a participação dos produtores na Assembléia Ordinária da Amipa, quando tiveram a oportunidade de se inteirar do funcionamento do sistema administrativo da Associação, acompanhar a prestação das contas do exercício de 2008 e participar da elaboração do calendário do vazio sanitário no estado. 6

Fábio Souto O deputado Fábio Souto (DEM-BA), 36 anos, preside uma das comissões mais atuantes da Câmara dos Deputados. Formado em Economia pela Universidade Federal da Bahia e pósgraduado em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, o parlamentar esta à frente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR). Nesta entrevista exclusiva ao Jornal da Abrapa, ele avalia o setor agropecuário no Brasil. Fala da crise mundial e explica a razão de o Brasil ser referência no agronegócio mundial. Temos que abominar o protecionismo e lutar contra os subsídios velados que são impostos por outros países, afirma. Jornal da Abrapa: Como presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara, qual a sua avaliação do agronegócio do Brasil? Fábio Souto: Este ano, temos que reconhecer, será de dificuldade para todo o setor do agronegócio. Há uma grande retração no mercado agrícola. Provas deste cenário são os baixos preços dos produtos agrícolas no mercado. Há dificuldade dos produtores em obter acesso ao crédito por meio dos bancos oficiais e também por parte das empresas privadas. Menos crédito significa que o produtor plantará menos. Um reflexo ruim para a cadeia produtiva. JA:Em sua opinião, como economista, é possível traçar um quadro das perspectivas que os produtores podem ter para o Brasil nos próximos anos, principalmente em relação à cadeia produtiva do algodão? FS: Sou um otimista por natureza, assim como a grande maioria dos brasileiros. Acredito que em 2010 teremos um cenário melhor. Para isso, é imprescindível que o governo federal se antecipe em várias medidas para o setor agropecuário, como conceder mais crédito ao produtor rural, equacionar o problema do endividamento rural e equalizar a produção por meio do Pepro. O setor agropecuário é o de maior peso na economia brasileira e, caso o governo dê condições para que ele se recupere, tenho certeza de que este setor será o responsável por tirar o Brasil da crise. Temos competência e gente trabalhando para que isso ocorra. JA: Na atual crise financeira, os produtores de algodão sofreram com as perdas. Como o senhor acha que o governo federal poderia agir para compensar o setor? FS: O governo federal tem que tomar decisões fortes e acertadas. Hoje, grande parte das medidas que o Estado toma com relação ao setor são fracas.está na hora de agir de forma acertada e coerente. JA: O Brasil é referência no agronegócio mundial. Recentemente, empresários reunidos no Rio de Janeiro no Conselho Empresarial da América Latina (Ceal) afirmaram que o Brasil sofre com protecionismos por parte da União Européia e pelos Estados Unidos por ser um país competitivo. Na sua opinião, o que podemos fazer para nos mantermos na liderança do agronegócio no mundo e lutar contra estas retaliações? FS: Somos um país altamente competitivo quando o assunto é agronegócio.temos solo, clima e pessoal especializado para nos manter na liderança.sabendo disso, o que o resto do mundo faz? Como não tem condições de competir em pé de igualdade, nos retalia de forma velada. Produtores e governo brasileiro têm a obrigação de abominar o protecionismo e lutar contra os subsídios que, volto a afirmar, são uma forma velada de retaliação aos produtos brasileiros. Temos que enfrentar os subsídios de frente. JA: Em breve, a Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, decidirá quais as medidas que o Brasil poderá tomar contra os Estados Unidos com relação ao contencioso do algodão. Como o senhor acha que o governo brasileiro deve agir para que o setor algodoeiro não saia com perdas? FS: Essa vitória foi emblemática e histórica para toda a cadeia produtiva do algodão. A primeira medida por parte do governo brasileiro é não deixar que ela se torne uma vitória sem validade, do tipo ganhou mas não levou. Não podemos admitir essa hipótese. A OMC deu ganho de causa ao Brasil em todas as instâncias. Então, não faz sentido a cotonicultura brasileira assistir a um descumprimento de uma decisão legítima. Os produtores de algodão cumpriram seu papel de forma justa e brilhante e têm todo o direito de cobrar o que lhes é devido. 7

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