Competição e neutralidade

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Transcrição:

1

Competição e neutralidade Paulo R. Guimarães Jr (Miúdo) www.guimaraes.bio.br

Os quatro processos fundamentais: 1. Seleção 2. Dispersão 3. Deriva ecológica 4. Especiação

Competição interespecífica é: uma interação entre indivíduos de espécies diferentes que causa redução na fecundidade, sobrevivência ou crescimento dos indivíduos que interagem

E se competição interespecífica organizasse a natureza?

Competição e neutralidade 1. O princípio da exclusão competitiva 2. Competição e padrões comunitários 3. Neutralidade 4. Resumo 5. Para saber mais

Ao final da aula, nós deveremos: 1. compreender em que condições espera-se que competição organize as comunidades ecológicas 2. entender processos ecológicos que geram co-existência de competidores 3. compreender a idéia de equivalência ecológica e neutralidade

Competição e neutralidade 1. O princípio da exclusão competitiva 2. Competição e padrões comunitários 3. Neutralidade 4. Resumo 5. Para saber mais

O princípio da exclusão competitiva Paramecium Georgy Gause 1910-1986

Premissas 1. Competição interespecífica é forte 2. O ambiente é estável As populações podem atingir o equilíbrio O recurso é o fator limitante 3. Competição interespecífica é mais importante que outras interações

O princípio da exclusão competitiva Paramecium Georgy Gause 1910-1986

O princípio da exclusão competitiva Duas espécies competidoras Georgy Gause com nichos idênticos 1910-1986 Paramecium não podem coexistir em um ambiente estável

Nicho ecológico São muitos os fatores: Multi-dimensional (N-dimensional) Nicho: É o volume definido nestas N dimensões Hutchinson (1957) G E. Hutchinson (1903-1991) Nicho é o hiper-volume N-dimensional definido por todos os fatores que limitam a ocorrência de uma dada espécie

Freqüência nicho

Evidência experimental 1. Experimentos de remoção de espécies:

Evidência experimental 1. Experimentos de remoção de espécies: a. Competição aparentemente comum em plantas, vertebrados, organismos marinhos b. Competição aparentemente rara em herbívoros 2. Mas cuidado: a. Resultados negativos tendem a não ser publicados b. Sistemas escolhidos (evidência com muitas espécies)

Como a diversidade biológica coexiste?

Previsão Duas espécies competidoras Georgy Gause com nichos idênticos 1910-1986 Paramecium não podem coexistir em um ambiente estável

Diferenças fenotípicas, diferenças competitivas 120-250 Kg 8 indivíduos (2-30) ambientes abertos 40-60 Kg até 80 indivíduos ambientes variáveis

Freqüência nicho

Freqüência nicho

Freqüência Diferenciação de nichos nicho

Premissas simplificadoras 1. Indivíduos são todos equivalentes dentro de uma espécie 2. Evolução não importa como processo ocorrendo em tempo ecológico

Seleção 1. Definição: Diferenças determinísticas na aptidão dos indivíduos de espécies diferentes 2. Logo, diferenças determinísticas na aptidão média das espécies

Os quatro processos fundamentais: 1. Seleção 2. Deriva ecológica 3. Dispersão 4. Especiação

O fantasma da competição passada Joseph H. Connell

O fantasma da competição passada Se a competição for forte: 1. Nichos devem se diferenciar 2. Competição atual deve ser rara Joseph H. Connell

Competição é transiente Se a competição for forte: 1. Nichos devem se diferenciar 2. Competição atual deve ser rara 3. Competidoras fracas devem extinguir 4. Ocasional: momentos de grande crescimento populacional Joseph H. Connell

Previsões 1. Competidores potenciais devem apresentar diferenciação de nichos 2. A ocorrência de potenciais competidores que usam os mesmos recursos deve estar negativamente correlacionada 3. Há um limite para a similaridade fenotípica em comunidades ecológicas 4. A competição influenciará a distribuição de abundâncias das espécies 5. Variação temporal previsível na composição de espécies

Competição e neutralidade 1. O princípio da exclusão competitiva 2. Competição e padrões comunitários 3. Neutralidade 4. Resumo 5. Para saber mais

Previsões 1. Competidores potenciais devem apresentar diferenciação de nichos 2. A ocorrência de potenciais competidores que usam os mesmos recursos deve estar negativamente correlacionada 3. Há um limite para a similaridade fenotípica em comunidades ecológicas 4. A competição influenciará a distribuição de abundâncias das espécies 5. Variação temporal na composição de espécies

Freqüência nicho

Freqüência Diferenciação de nichos nicho

Diferenciação de nichos dimensão do nicho 1

Diferenciação de nichos espaço dimensão do nicho 1

Complementaridade de nicho dimensão do nicho 2 dimensão do nicho 1

Previsões 1. Competidores potenciais devem apresentar diferenciação de nichos 2. A ocorrência de potenciais competidores que usam os mesmos recursos deve estar negativamente correlacionada 3. Há um limite para a similaridade fenotípica em comunidades ecológicas 4. A competição influenciará a distribuição de abundâncias das espécies 5. Variação temporal previsível na composição de espécies

Padrões espaciais

Padrões espaciais 100 Freqüência+ 80 60 40 20 0

Padrão muito comum

Previsões 1. Competidores potenciais devem apresentar diferenciação de nichos 2. A ocorrência de potenciais competidores que usam os mesmos recursos deve estar negativamente correlacionada 3. Há um limite para a similaridade fenotípica em comunidades ecológicas 4. A competição influenciará a distribuição de abundâncias das espécies 5. Variação temporal previsível na composição de espécies

1 ap-dão darwiniana rela-va 0.8 0.6 0.4 0.2 180 0 regional 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

1 ap-dão darwiniana rela-va 0.8 0.6 0.4 0.2 Similaridade limitada 180 0 regional 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C) local

1 ap-dão darwiniana rela-va 0.8 0.6 0.4 Similaridade limitada 180 0.2 0 regional Padrão observado 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C) local

ap-dão darwiniana rela-va 1 0.8 0.6 0.4 0.2 Porém em outros casos 180 0 regional 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C) local

10 gêneros, 5 famílias

Previsões 1. Competidores potenciais devem apresentar diferenciação de nichos 2. A ocorrência de potenciais competidores que usam os mesmos recursos deve estar negativamente correlacionada 3. Há um limite para a similaridade fenotípica em comunidades ecológicas 4. A competição influenciará a distribuição de abundâncias das espécies 5. Variação temporal previsível na composição de espécies (

1 ap-dão darwiniana rela-va Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 180 Texto 0 rank 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

Distribuição de abundâncias das espécies (SADs) 1. Inicialmente: a. Modelos matemáticos baseados em partição de nicho b. Reproduziram as SADs c. Evidência do papel da competição 2. Posteriormente: a. Modelos supondo processos aleatórios b. Também reproduziram as SADs c. Inconclusivo d. Mais depois

Previsões 1. Competidores potenciais devem apresentar diferenciação de nichos 2. A ocorrência de potenciais competidores que usam os mesmos recursos deve estar negativamente correlacionada 3. Há um limite para a similaridade fenotípica em comunidades ecológicas 4. A competição influenciará a distribuição de abundâncias das espécies 5. Variação temporal previsível na composição de espécies

Quando competição não importa: quebrando premissas 1. Competição interespecífica é forte 2. O ambiente é estável As populações podem atingir o equilíbrio O recurso é o fator limitante 3. Competição interespecífica é mais importante que outras interações

Suposição 1: competição interespecífica é forte

Suposição 1: competição interespecífica é forte

Suposição 1: competição interespecífica é forte

Suposição 1: competição interespecífica é forte

Suposição 1: competição interespecífica é forte

=

= 3 x

alfa hiena leão = 3 alfa leão hiena = 1/3 = 3 x

Suposição 1: competição interespecífica é forte

Quando a competição leva a extinção? e/ou

Quando a competição leva a extinção? e/ou

Quando a competição leva a extinção? > >

Não há extinção se: < <

O princípio da exclusão competitiva Duas espécies competidoras Georgy Gause com nichos idênticos 1910-1986 Paramecium não podem coexistir em um ambiente estável

Suposição 2: o ambiente é estável

O recurso é o fator limitante

Suposição 3: Competição é a interação mais importante Por que o mundo é verde? Onde estão os herbívoros?

John Lawton

Competição e neutralidade 1. O princípio da exclusão competitiva 2. Competição e padrões comunitários 3. Neutralidade 4. Resumo 5. Para saber mais

Diferenças fenotípicas, diferenças competitivas 120-250 Kg 8 indivíduos (2-30) ambientes abertos 40-60 Kg até 80 indivíduos ambientes variáveis

Mas e se as diferenças fenotípicas não importarem? 120-250 Kg 8 indivíduos (2-30) ambientes abertos 40-60 Kg até 80 indivíduos ambientes variáveis

Primeira Lei de Newton - Princípio da Inércia - O que acontece quando nada acontece?

Hubbell

Competição é importante e intensa

Neutralidade 1. Todos os indivíduos são equivalentes do ponto de vista demográfico 2. Os indivíduos não são iguais, mas as diferenças não importam (não há diferença em aptidão) As probabilidades de um indivíduo: - morrer - reproduzir são constantes

Os quatro processos fundamentais: 1. Seleção 2. Deriva ecológica 3. Dispersão 4. Especiação

Os quatro processos fundamentais: 1. Seleção 2. Deriva ecológica 3. Dispersão 4. Especiação

Como as comunidades seriam se indivíduos fossem equivalentes do ponto de vista ecológico?

Os quatro processos fundamentais: 1. Seleção 2. Deriva ecológica 3. Dispersão 4. Especiação

?

Os quatro processos fundamentais: 1. Seleção 2. Deriva ecológica 3. Dispersão 4. Especiação

Dinâmica em uma comunidade isolada

Dinâmica em uma comunidade isolada 1. A dominância completa é inevitável - mesmo não existindo um melhor competidor!

1 ap-dão darwiniana rela-va Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 0 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C) m

Os quatro processos fundamentais: 1. Seleção 2. Deriva ecológica 3. Dispersão 4. Especiação

Compensando as extinções 1. Extinções locais são compensadas por migração

Compensando as extinções 1. Extinções locais são compensadas por migração 2. Taxas de extinção local baixas associadas com grandes paisagens fazem especiação ser importante

?

A área estudada é muito pequena e a especiação não ocorre na área, apenas ocorre na paisagem?

Padrões em comunidades 1. Distribuições de abundância 2. Co-ocorrências entre espécies 3. Limitação da similaridade fenotípica 4. Variação temporal previsível

1 ap-dão darwiniana rela-va Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 180 Texto 0 rank 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

1 ap-dão darwiniana rela-va Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 180 Texto 0 rank 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

1 ap-dão darwiniana rela-va Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 Teoria Neutra prediz a distribuição de abundâncias em uma floresta diversa Texto 180 0 rank 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

1 ap-dão darwiniana rela-va Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 Teoria Neutra prediz a distribuição de abundâncias em uma floresta diversa Texto 180 0 rank 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

1 ap-dão darwiniana rela-va Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 Teoria Neutra prediz a distribuição de abundâncias em uma floresta diversa Texto 180 0 rank 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

1 ap-dão darwiniana rela-va Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 180 Texto 0 rank 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

1 ap-dão darwiniana rela-va Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 180 Texto 0 rank 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

1 ap-dão darwiniana rela-va Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 180 Texto 0 rank 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

ap-dão darwiniana rela-va 1 Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 Teoria Neutra prediz a distribuição de abundâncias de muitas comunidades de bactérias 180 Texto 0 rank 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

ap-dão darwiniana rela-va 1 Abundância relativa 0.8 0.6 0.4 0.2 Teoria Neutra prediz a distribuição de abundâncias de muitas comunidades de bactérias 180 Texto 0 rank 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C)

Padrões em comunidades 1. Distribuições de abundância 2. Co-ocorrências entre espécies 3. Limitação da similaridade fenotípica 4. Variação temporal previsível

A teoria neutra não prediz dimensão do nicho 2 dimensão do nicho 1

Padrões em comunidades 1. Distribuições de abundância 2. Co-ocorrências entre espécies 3. Limitação da similaridade fenotípica 4. Variação temporal previsível

1 ap-dão darwiniana rela-va 0.8 0.6 0.4 0.2 180 A teoria neutra não prediz baixa similaridade 0 regional 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C) local

ap-dão darwiniana rela-va 1 0.8 0.6 0.4 0.2 ou alta similaridade 180 0 regional 10 0 10 20 30 40 Temperatura ( o C) local

Padrões em comunidades 1. Distribuições de abundância 2. Co-ocorrências entre espécies 3. Limitação da similaridade fenotípica 4. Variação temporal previsível

?

Mas então qual o porquê de usarmos a teoria neutra? 1. Para entender o que molda a diversidade 2. Eu tenho que entender como a diversidade seria na ausência dos processos de interesse 3. Se o padrão observado não é reproduzido por esse modelo mais simples, então eu preciso de um explicação mais complicada

Everything should be made as simple as possible, but not simpler

Competição e neutralidade 1. O princípio da exclusão competitiva 2. Competição e padrões comunitários 3. Neutralidade 4. Resumo 5. Para saber mais

Competição

Competição Seleção?

Competição Seleção? Sim

Competição Diferenciação de nicho Seleção? Sim

Competição Diferenciação de nicho Seleção? Sim Baixa co-ocorrência

Competição Diferenciação de nicho Seleção? Sim Baixa co-ocorrência Similaridade limitada

Competição Diferenciação de nicho Seleção? Sim Baixa co-ocorrência Similaridade limitada Não

Competição Diferenciação de nicho Seleção? Sim Baixa co-ocorrência Similaridade limitada Não Neutralidade

Competição Diferenciação de nicho Seleção? Sim Baixa co-ocorrência Similaridade limitada Não Neutralidade Deriva

Competição Diferenciação de nicho Seleção? Sim Baixa co-ocorrência Similaridade limitada Dispersão Não Neutralidade Deriva Especiação

Competição Diferenciação de nicho Seleção? Sim Baixa co-ocorrência Similaridade limitada Dispersão Não Neutralidade SADs Deriva Especiação

Competição e neutralidade 1. O princípio da exclusão competitiva 2. Competição e padrões comunitários 3. Neutralidade 4. Resumo 5. Para saber mais

` Alonso, D. et al. 2006. The merits of neutral theory. Trends in Ecology and Evolution 21:451 457. Clark, J. S. 2009. Beyond neutral science. Trends in Ecology and Evolution 24:8 15.