CONSTITUIÇÃO DE 1946 Porto Alegre, dezembro de 2014.
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL DE 1946 INFLUÊNCIA E CONTEXTO HISTÓRICO Com o ingresso do Brasil na II Guerra Mundial ao lado dos aliados, a continuidade do Estado Novo ficou comprometida. A posição brasileira contrária ao regime ditatorial nazifascista pôs em xeque, isto é, tornou vulnerável a própria conservação do governo despótico no Brasil. Com a ilegitimidade do Estado Novo, este entra em declínio e finda-se em 1945. Após a queda de Vargas e da Ditadura, encetou-se um período de redemocratização, haja vista a necessidade de um novo ordenamento constitucional. Eleita a Assembleia Constituinte, sob o governo do general Eurico Gaspar Dutra, foi promulgada a Constituição dos Estados Unidos do Brasil e o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias em setembro de 1946, sendo claramente inspirada pelos parâmetros estabelecidos sob a égide da Constituição de 1934, os quais haviam sido eliminados em 1937. DOS DIREITOS E DEVERES DO ESTADO Na Constituição de 1946, a educação também definida como direito de todos: " A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola". A Constituição de 1946 retoma os princípios das Constituições de 1891 e 1934. A competência legislativa da União circunscreve-se às diretrizes e bases da educação nacional. A competência dos Estados é 2
garantida pela competência residual, como também pela previsão dos respectivos sistemas de ensino. A educação volta a ser definida como direito de todos, prevalece a idéia de educação pública, a despeito de franqueada à livre iniciativa. São definidos princípios norteadores do ensino, entre eles ensino primário obrigatório e gratuito, liberdade de cátedra e concurso para seu provimento não só nos estabelecimentos superiores oficiais como nos livres, merecendo destaque a inovação da previsão de criação de institutos de pesquisa. A vinculação de recursos para a manutenção e o desenvolvimento do ensino é restabelecida. O artigo 5 o da Constituição determina a competência da União. Apresentamos algumas delas: - Declarar guerra e fazer a paz; - Decretar, prorrogar e suspender o estado de sítio; - Organizar as forças armadas, a segurança das fronteiras e a defesa externa; - Superintender, em todo o território nacional, os serviços de polícia marítima, aérea e de fronteiras; - Cunhar e emitir moeda e instituir bancos de emissão; - Explorar, diretamente ou mediante autorização ou concessão, os serviços de telégrafos, de radiocomunicação, de radiodifusão, de telefones interestaduais e internacionais, de navegação aérea e de vias férreas que liguem portos marítimos a fronteiras nacionais ou transponham os limites de um Estado; - Conceder anistia; - Legislar sobre direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, aeronáutico e do trabalho; 3
- Legislar sobre as normas gerais de direito financeiro, de seguro e previdência social; de defesa e proteção da saúde e de regime penitenciário, diretrizes e bases da educação nacional; - Legislar sobre as riquezas do subsolo, mineração, metalurgia, águas, energia elétrica, floresta, caça e pesca. DIVISÃO DOS PODERES De fato, a Carta Política de 1946 consagrou os princípios do Estado liberal característicos da Primeira República e os princípios do Estado social consagrados na Constituição de 1930. Buscou esta Constituição uma proteção maior dos direitos individuais, consagrando em seu texto o amplo acesso ao Poder Judiciário (art. 141, 4º), o direito de greve (art. 158), o mandado de segurança como garantia (art. 141, 24), a vedação da pena de morte, de banimento, de confisco e a de caráter perpétuo (art. 141, 31), entre outras inovações. O federalismo, tão enfraquecido durante o Estado Novo, ganha vida com garantias à autonomia dos Estados e a valorização do Município. O Poder Executivo, verdadeiro detentor do poder na Constituição anterior, é limitado aos moldes em que se verifica atualmente, com a previsão de eleições diretas para Presidente e Vice-Presidente, com mandato de cinco anos, eleito pelo voto universal, direto e secreto, prevendo-se a responsabilidade do Presidente da República pelos seus atos. O Poder Legislativo volta a ser bicameral, com o retorno do Senado às suas funções normais, sendo uma delas a importante função de julgar o Presidente da República e outras autoridades pelos crimes 4
de responsabilidade (art. 62, I), um grande avanço haja vista que o país saía de um regime ditatorial. Por sua vez, o Poder Judiciário é fortalecido tanto pela utilização do Mandado de Segurança como pela alteração no controle de constitucionalidade das leis. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA CONSTITUIÇÃO DE 1946 - O bicameralismo é reinstituído; - Reestabelecimento do cargo de Vice-Presidente da República; - Ampliação dos poderes da União, diminuindo os poderes dos Estados; - A propriedade foi regulada a função social, possibilitando a desapropriação por interesse social (art. 141, 16º); - Admissão de título atinente à família, à cultura e à educação; - Instituiu-se a Justiça do Trabalho e o Tribunal Federal de Recursos; - Introdução de mandato presidencial de cinco anos (quinqüênio); - Proteção da propriedade privada e do latifúndio; - Garantia de direito a greve e de livre associação sindical; - Assegura a liberdade de expressão e opinião; - Estabelece-se o equilíbrio entre os poderes; - Constitucionalizou-se o mandado de segurança para proteger direito líquido e certo não amparado por habeas corpus e a a ação popular (art. 141); - Garante-se a igualdade de todos perante a lei; 5
É imprescindível frisar que, pelo Ato Adicional de 2 de setembro de 1961, foi instaurado o Parlamentarismo a fim de que decorrida a posse do Vice-Presidente João Goulart, em razão da renúncia de Jânio Quadros, fosse admitida pelos militares e conservadores. No entanto, com o plebiscito ocorrido em setembro de 1962, foi reestabelecido o Presidencialismo. Por conseguinte, a Constituição do Brasil de 1946 foi eminentemente um progresso para a democracia e para os direitos fundamentais do cidadão brasileiro, considerada por muitos como avançada para época. 6