Nota Técnica. 1- Referência:



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Transcrição:

Nota Técnica 1- Referência: Ofício SEDE Central/SEC 007/2013, do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais SindUTE/MG, requerendo tornar sem efeito o artigo 4º da Resolução SEE nº 2.253 de 09 de janeiro de 2013. 2- Análise e Considerações: A Educação Física é componente curricular obrigatório da Educação Básica nos termos do art. 26 da Lei nº 9394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Tomando por base o Parecer CNE/CEB nº 16/2001, de 03/07/2001 e dadas as especificidades deste componente curricular, é preciso diferenciar a Educação Física, entendida como um conjunto de saberes e habilidades que configuram um componente curricular da escola básica, de outros tipos de atividades físicas, como as práticas desportivas com fins competitivos. O primeiro conjunto, formado por atividades relativas às dimensões ética, estética e lúdica, à mobilidade do corpo, a cultura corporal de movimento que abrange os Jogos, Brincadeiras, Esportes, Ginástica e Dança, etc... deve ser objeto de trabalho cotidiano nas escolas. Embora não sejam mutuamente excludentes, o segundo conjunto, formado de práticas esportivas voltadas ao desempenho olímpico, de competição, de esporte amador ou profissional, pode ser classificado como uma manifestação de Desporto de Rendimento pela Lei 9615/98 exigindo, sem dúvida, condições especiais e profissionais especializados. Nesse sentido, e tomando como foco a Educação Física como parte do trabalho cotidiano nas escolas, citaremos, a seguir, alguns trechos do Parecer CNE/CEB 16/2001, da lavra do eminente Conselheiro Nélio Marco Vincenzo Bizzo, ao analisar a Educação Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental e a pertinência legal de exigir-se profissional especialmente qualificado para tal fim.

Diz o Parecer CNE/CEB 16/2001: Nos quatro primeiros anos do ensino fundamental, a prática multidisciplinar é amplamente disseminada entre nós. A Matemática não é ensinada por matemático, a Língua Portuguesa não é ensinada por diplomado em Letras, e assim o é com tantos quantos forem os conteúdos curriculares. A generalidade da formação do professor que milita nos anos iniciais do ensino fundamental tem fundamento na legislação em vigor, fazendo parte de longa tradição que se acumula por várias gerações. (...) A modalidade normal do ensino médio habilita os profissionais a ministrarem aulas de todos os conteúdos curriculares, sem exceção, o que se confirma na longa tradição educacional brasileira, desde o emblemático dia 15 de Outubro de 1827. (...) A clara dicção do texto constitucional, ao afirmar que a educação obrigatória deve ser de qualidade, implica em garantir que os alunos tenham aulas de todos os componentes curriculares, mormente nos quatro primeiros anos do ensino fundamental. Proibir ou cercear a atividade docente multidisciplinar em um componente curricular específico implicaria em afrontar os termos da Carta Magna e contrariar uma longa tradição educacional. (...) Assim, conclusivamente, não assiste razão a quem evoca a lei para restringir o direito ao exercício profissional do professor de atuação multidisciplinar em qualquer um dos conteúdos curriculares dos anos iniciais do ensino fundamental ou da educação infantil. Mesmo se o componente curricular configurar disciplina específica, inclusive Educação Física, ela poderá ser ministrada por profissional legalmente licenciado para o exercício docente nos quatro primeiros anos do ensino fundamental. (...)

Ainda com relação à Educação Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental, assim dispõe o art. 31 da Resolução CNE nº 07/2010, de 14 de dezembro de 2010, que fixa Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos : Art. 31 Do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, os componentes curriculares Educação Física e Arte poderão estar a cargo do professor de referência da turma, aquele com o qual os alunos permanecem a maior parte do período escolar, ou de professores licenciados nos respectivos componentes. 1º Nas escolas que optarem por incluir Língua Estrangeira nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o professor deverá ter licenciatura específica no componente curricular. 2º Nos casos em que esses componentes curriculares sejam desenvolvidos por professores com licenciatura específica (conforme Parecer CNE/CEB nº 2/2008), deve ser assegurada a integração com os demais componentes trabalhados pelo professor de referência da turma. Considerando, pois, as normas do Conselho Nacional de Educação aqui citadas, não existe impedimento legal de se atribuir ao professor regente de turma dos anos iniciais do Ensino Fundamental, o desenvolvimento das atividades de Educação Física com seus alunos. A Lei Estadual nº 17.942 de 19/12/2008, que dispõe sobre o ensino de educação física nas escolas públicas e privadas do Sistema Estadual de Educação, anterior à Resolução CNE nº 07/2010, vale dizer, estabelece, em seu art. 3º, a exigência de licenciatura plena para o exercício da docência de Educação Física. Já no art. 4º, a precitada Lei dispõe sobre a necessidade de os órgãos competentes do Sistema Estadual de Educação fixarem critérios alternativos para preenchimento das vagas no respectivo componente curricular, nas localidades em que haja falta comprovada de professor habilitado nos termos do caput do art. 3º (...).

Em ambos os dispositivos, a Lei 17.942 / 2008, determina a necessidade de se observar a legislação federal pertinente, (art. 3º) e as diretrizes do Conselho Nacional de Educação (art. 4º). A Nota Jurídica número 1.828/2009 aprovada em 17 de novembro de 2009 pela Assessoria Jurídica da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, que responde consulta sobre a operacionalização da Lei 17.942/2008 nas escolas da rede pública estadual de ensino assim conclui em seu relatório: i) a Lei estadual nº 17.942/2008 prevê a obrigatoriedade da habilitação específica do professor de Educação Física nas escolas da rede estadual (privada e pública) de ensino: dispõe, ainda, sobre a possibilidade da disciplina ser ministrada por professor que não detenha o título de graduação em curso superior de Educação Física quando ausente, na localidade, professor habilitado; ii) em se tratando das escolas públicas estaduais, essa ausência fica caracterizada quando inexista na localidade servidor público detentor de cargo de magistério (efetivo) devidamente habilitado, hipótese em que a Administração estadual deverá se valer de critérios alternativos na atribuição da função; iii) (...) iv) a designação de professor a cargo de provimento efetivo sem a devida aprovação em concurso público, ainda que seja ele habilitado, é prática que não deve preceder a adoção desses critérios alternativos, pois inconstitucional quando promovida pela Administração em situações diversas daquelas previstas no próprio texto da Constituição. Pelo exposto, não há incompatibilidade entre o disposto no art. 4º da Resolução SEE nº 2.253 de 09 de janeiro de 2013, e a Lei Estadual nº 17.942/2008, pelas razões já expostas e ainda:

a) Não existem professores efetivos/efetivados detentores de cargo de Educação Física no quadro do magistério público estadual em número suficiente para ministrar aulas deste componente curricular a todas as turmas do Ensino Fundamental e Ensino Médio, incluindo as turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental b) É permitido ao professor regente de turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental, desenvolver atividades de Educação Física com seus alunos, não se justificando, pois, a designação para função pública de professor de Educação Física para estas turmas na falta de professor efetivo/efetivado no respectivo componente curricular. A SEE usou de sua competência ao definir, na Resolução 2.253/2013, critérios alternativos, em consonância com as diretrizes do Conselho Nacional de Educação, determinando que, na inexistência de professor efetivo ou efetivado em Educação Física, as atividades desse componente curricular sejam desenvolvidas pelo professor regente da turma nos anos iniciais do Ensino Fundamental 3- Conclusão: Considerando o aqui exposto, entendemos deva a SEE indeferir a solicitação do SindUTE de revogar o art. 4º da Resolução 2.253 de 09/01/2013, por se tratar de dispositivo que não contraria a Lei Estadual 17.942 de 19/12/2008 e nenhuma outra legislação pertinente. Belo Horizonte, 30 de janeiro de 2013 Raquel Elizabete de Souza Santos Subsecretaria de Desenvolvimento da Educação Básica