BRUCELOSE BOVINA PNCEBT INTRODUÇÃO As primeiras tentativas de controle da brucelose no Brasil datam das décadas de 1940-1950. As medidas propostas se restringiam ao exame sorológico de vacas que abortaram, com segregação dos reagentes e vacinação com B19. Com o pequeno avanço no controle da doença nos anos seguintes, novas diretrizes nacionais foram propostas para fortalecer as medidas de controle. A partir de 1944, diversos decretos foram sancionados pelo Ministério da Agricultura instituindo medidas pra o controle de brucelose. Em 1976 o controle da brucelose estava regulamentado pela Portaria Ministerial 23/76, mas as medidas não vinham atingindo a eficácia desejada, em razão da ausência de um programa estruturado que criasse estímulos para os pecuaristas adotarem as ações sanitárias mais adequadas como vacinação voluntária de bezerras, diagnóstico de rebanhos com animais infectados e teste e sacrifício voluntário dos animais reagentes. PNCEBT Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Em 2000, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) revisou as estratégias e a legislação sobre o controle da brucelose bovina no país e, no início de 2001, o Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) foi instituído. As estratégias contidas no Regulamento Técnico incluem: Vacinação contra a brucelose: Com esta ação objetiva-se baixar, consideravelmente, a prevalência da brucelose bovina e bubalina. É obrigatória a vacinação de todas as fêmeas daquelas espécies, entre 3 e 8 meses de idade, com amostra B19. Em propriedades certificadas recomenda-se que as bezerras sejam vacinadas até os 6 meses de idade. A vacinação só pode ser realizada sob responsabilidade de médicos veterinários, que devem estar cadastrados no serviço oficial de defesa sanitária animal de seu estado de atuação. Controle do trânsito de reprodutores e normas sanitárias para participação em exposições, feiras, leilões e outras aglomerações de animais: exigência, para animais destinados à reprodução, de atestado negativo para brucelose e tuberculose. Sacrifício dos animais reagentes; Habilitação e capacitação de médicos veterinários: A compra de vacina só poderá ser efetuada apresentando receita emitida por médico veterinário, em razão de tratar-se de uma vacina viva atenuada. Estes profissionais ficarão obrigatoriamente cadastrados no serviço veterinário oficial de seu estado de atuação. Para a execução das atividades de diagnóstico a campo e participação no programa de certificação de propriedades livres ou monitoradas, o MAPA somente habilita médicos veterinários que tenham sido aprovados em curso de treinamento em métodos de diagnóstico e controle de brucelose e da tuberculose. O PNCEBT tem por objetivos baixar a prevalência e a incidência da brucelose e da tuberculose e certificar um número elevado de propriedades, nas quais o controle e erradicação
destas enfermidades sejam executados com rigor e eficácia, aumentando a oferta de produtos de baixo risco para a saúde pública. Pelas semelhanças na epidemiologia, diagnóstico e formas de controle da brucelose nos bovinos e bubalinos, as medidas sanitárias do PNCEBT são aplicadas a estas duas espécies animais. O controle da brucelose em outras espécies é regulamentado por normas específicas. PADRONIZAÇÃO DO DIAGNÓSTICO A eficácia de um programa nacional de combate a qualquer doença depende em parte da qualidade e padronização dos meios de diagnósticos utilizados. No contexto deste programa, são determinados os testes de diagnóstico indiretos aprovados e seus critérios de utilização e interpretação. O regulamento Técnico do PNCEBT aprovou para o diagnóstico de brucelose os testes do antígeno acidificado tamponado (AAT) e o teste do anel em leite (TAL), como testes de rotina (TRIAGEM), e o teste do 2-mercaptoetanol (2ME apenas em laboratórios credenciados ou oficiais) e a fixação de complemento (FC apenas em laboratórios oficiais), como testes confirmatórios. O teste do anel em leite (TAL) (figura 1) pode ser empregado na triagem ou monitoramento de rebanhos leiteiros e pode ser realizado por veterinários habilitados, por laboratórios credenciados ou oficiais e pelo serviço de defesa sanitário animal. A interpretação dos resultados será qualitativa e os rebanhos com amostras reagentes devem ter seus animais testados individualmente. Figura 1: Prova do Anel em leite. Fonte: www.vet.uga.edu O teste do antígeno acidificado tamponado (AAT) (figura 2) é empregado na triagem de animais e pode ser realizado por veterinários habilitados e por laboratórios credenciados ou oficiais. A interpretação dos resultados é qualitativa. Em rebanhos comprovadamente infectados o médico veterinário poderá optar por condenar o animal apenas com os resultados do AAT, privilegiando assim a sensibilidade do diagnóstico e acelerando o processo de saneamento do rebanho. Nas situações em que é necessário evitar resultados falsos positivos, quando se pretende boa especificidade, pode-se então, aplicar o método de testes em série, em que os animais reagentes ao AAT são submetidos ao teste confirmatório.
Figura 2: Exemplo de reação positiva/negativa no teste AAT. Fonte: ORTEGA, et. AL. Prevalencia de anticuerpos contra Brucella sp. En donantes del banco de sangre de un hospital de Lima. O teste do 2-mercaptoetanol (2ME) (figura 3) é empregado para confirmação dos animais reagentes ao teste do AAT e só pode ser realizado por laboratórios credenciados ou oficiais. A interpretação dos resultados é quantitativa e os critérios de interpretação levam em consideração o histórico de vacinação dos animais. Os resultados de soros testados pelo 2ME podem ser negativos, inconclusivos ou positivos. Os animais com soros que reagiram positivamente são considerados infectados e devem ser sacrificados. Os animais com resultados inconclusivos podem ser submetidos ao teste de fixação do complemento ou serem testados novamente num prazo de 30-60 dias com o 2ME. Nos casos de novo resultado inconclusivo, o animal deve ser destinado ao sacrifício, pois na impossibilidade de se determinar o status sanitário do animal, o programa não pode correr o risco da manutenção de indivíduos infectados e, consequentemente, da infecção no rebanho. Figura 3: Teste do 2 Mercaptoetanol. Fonte: www.biologico.sp.gov.br A fixação de complemento (FC) também poderá ser utilizada como teste confirmatório em animais reagentes ao AAT e só será realizada por laboratórios oficiais. A interpretação dos resultados do teste é quantitativa. É o teste de referência para o trânsito internacional de animais, de acordo com normas da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). PAPEL DO PRODUTOR A observação do produtor às normas e práticas estabelecidas pelo Regulamento do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal representa a garantia da eficácia da maioria das ações preconizadas pelo Programa. O Programa estabelece medidas de caráter compulsório e de adesão voluntária a serem observadas pelo produtor. As medidas de caráter compulsório (obrigatório) consistem na
vacinação das bezerras de 3 a 8 meses de idade contra a brucelose, na eliminação de animais com diagnóstico positivo para brucelose ou tuberculose e no cumprimento das exigências previstas ao transitar com os seus animais. A vacinação das bezerras constitui a principal medida estabelecida pelo Programa para o controle e erradicação da brucelose e deve ser realizada por médico veterinário cadastrado no serviço oficial de defesa sanitária animal ou por vacinador devidamente treinado, desde que sob a supervisão de um médico veterinário cadastrado. A certificação de propriedades livres ou monitoradas para brucelose e tuberculose constitui medida de adesão voluntária. Tanto as medidas compulsórias quanto voluntárias têm por fundamento a redução de risco da ocorrência de brucelose e tuberculose na propriedade, visando não somente à saúde dos animais, como também à saúde do produtor, de seus familiares, tratadores e trabalhadores da propriedade e consumidores, visto o caráter zoonótico e o aspecto ocupacional relacionado à transmissão dessas doenças, principalmente, às pessoas que lidam com animais e seus produtos. Ao detectar animais positivos aos testes para brucelose e tuberculose no rebanho, o produtor deve providenciar o imediato afastamento da produção e isolamento dos outros animais, sendo recomendado o procedimento de exame em todo o rebanho, na faixa etária recomendada, visando ao saneamento da propriedade. O leite não poderá ser usado para consumo humano, nem para alimentação de qualquer espécie animal. Os animais doentes deverão ser marcados com um P (figura 4) com ferro candente no lado direito da cara, devendo essa marcação ser realizada pelo médico veterinário habilitado que realizou os testes de diagnóstico. No prazo máximo de 30 dias, a contar da data da realização dos testes, deverão ser encaminhados ao abate em estabelecimento com inspeção sanitária oficial, ou destruídos na propriedade, desde que sob acompanhamento do serviço oficial de defesa sanitária animal (IMA em Minas Gerais). Essas ações envolvem o médico veterinário habilitado que realizou os exames, o serviço de defesa sanitária oficial e o serviço de inspeção oficial. Figura 4: Animal marcado após resultado positivo para brucelose ou tuberculose Fonte: IMA/MG) Ao adquirir animais, o produtor deve exigir atestados negativos de testes de brucelose e tuberculose, minimizando, desta forma, o risco de introdução destas doenças em seu rebanho. A adesão pelo produtor à certificação de propriedades livres ou monitoradas, além do benefício sanitário, propicia-lhe benefícios econômicos, pela redução dos prejuízos ocasionados pelas doenças, pela maior credibilidade sanitária e pela agregação de valor aos seus produtos, sendo fomentada pelas indústrias de carnes e produtos lácteos. Para adquirir a ficha de solicitação para exames de Brucelose bovina acesse o site do TECSA Laboratórios: www.tecsa.com.br/media/file/pdfs/ficha%20de%20solicita%c3%87%c3%83o%20brucelo SE%20%20BOVINA.pdf, ou faça seu pedido pelo SAC - 3281-0500. Dúvidas sobre Normas e Procedimentos do PNCEBT, consulte o site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: www.agricultura.gov.br.
CODIGO B06 B24 B26 B01 B33 B34 EXAMES BRUCELOSE BOVINA - TESTE DO ANEL DO LEITE Método: Teste do Anel em Leite - TAL Material: Leite BRUCELOSE BOVINOS E BUBALINOS - TRIAGEM Método: Antígeno Acidificado Tamponado BRUCELOSE CONFIRMATORI0 - BOVINOS E BUBALINOS Método: Soroaglutinação Lenta em Tubo - S.A.L. - 2Mercaptanol BRUCELOSE COMPLETO - EXAME E TRIAGEM Método: Antígeno Acidificado Tamponado e 2Mercaptanol PERFIL SANITÁRIO DE DOADORAS - BRUCELOSE, LEPTOSPIROSE, IBR, BVD, Neospora sp., LEUCOSE. Métodos: Sorológicos PERFIL SANITÁRIO DE RECEPTORAS - BRUCELOSE, LEPTOSPIROSE, IBR, BVD, Neospora sp. Métodos: Sorológicos PRAZO DIAS 1 2 2 4 3 3